Aproxima-se um jogo que pode ser decisivo na luta pelo título de
campeão nacional. Nas duas semanas antecedentes, os dois clubes
participantes, desunham-se em comunicados e newsletters. Uns contra a
federação, outros contra o antijogo do último adversário. Mais do que
querer ganhar, os departamentos de comunicação preparam uma eventual
falha. Porque se perderem o título, a culpa será dos processos
disciplinares ou do da demora nas reposições de bola, mas nunca, em
momento algum, serão culpas próprias ou, muito menos, méritos alheios.
Chega o dia de jogo. Centenas de Polícias são mobilizados para o evento, durante horas e horas a fio. Há ruas cortadas, a mobilidade de pessoas e bens é fortemente condicionada, tudo porque, tomados pelo ódio semeado durante anos, as pessoas não sabem conviver com a diferença, esquecendo-se até que não existiam uns sem os outros. Os da casa não aceitam a visita do inimigo (sim, é assim que se tratam), os de fora querem destruir o território alheio. Há insulto, petardos, pedras, bolas de golfe, copos de urina. Tudo serve para enxovalhar e agredir o adepto rival.
O jogo acaba. O treinador visitante diz-se revoltado com a demora na entrada dos seus adeptos. Ainda não se sabe contra quem é a revolta, se contra quem lhe disse terem sido 40min, quando foram metade, se contra a empresa de aluguer de autocarros que não soube prever a avaria dos seus veículos e que originou o atraso. Pouco importa, o que importa é que a revolta existe.
No dia seguinte, um dos clubes vasculha as milhares de imagens do jogo e lá encontra uma falta antes do golo rival. O outro, apesar de presidente e treinador terem falado diferente, afinal lá encontra desagrado nos amarelos e no encontrão. Pelos vistos, uma arbitragem que até tinha sido boa, passa a reles para ambos.
Dois dias depois, talvez farto de ver gritaria sem ter o que dizer e sem ver o seu nome no meio, um terceiro clube decide pedir castigos para jogadores que, num jogo que não o seu, segundo eles, tiveram condutas improprias para com jogadores e treinadores que não os seus.
Pelo meio, parece que houve 90min de futebol com um golo para cada lado.
Em Portugal não gostamos de futebol. Podemos gostar do folclore, da polémica ou da estupidez, mas do jogo? Não gostamos não.
Chega o dia de jogo. Centenas de Polícias são mobilizados para o evento, durante horas e horas a fio. Há ruas cortadas, a mobilidade de pessoas e bens é fortemente condicionada, tudo porque, tomados pelo ódio semeado durante anos, as pessoas não sabem conviver com a diferença, esquecendo-se até que não existiam uns sem os outros. Os da casa não aceitam a visita do inimigo (sim, é assim que se tratam), os de fora querem destruir o território alheio. Há insulto, petardos, pedras, bolas de golfe, copos de urina. Tudo serve para enxovalhar e agredir o adepto rival.
O jogo acaba. O treinador visitante diz-se revoltado com a demora na entrada dos seus adeptos. Ainda não se sabe contra quem é a revolta, se contra quem lhe disse terem sido 40min, quando foram metade, se contra a empresa de aluguer de autocarros que não soube prever a avaria dos seus veículos e que originou o atraso. Pouco importa, o que importa é que a revolta existe.
No dia seguinte, um dos clubes vasculha as milhares de imagens do jogo e lá encontra uma falta antes do golo rival. O outro, apesar de presidente e treinador terem falado diferente, afinal lá encontra desagrado nos amarelos e no encontrão. Pelos vistos, uma arbitragem que até tinha sido boa, passa a reles para ambos.
Dois dias depois, talvez farto de ver gritaria sem ter o que dizer e sem ver o seu nome no meio, um terceiro clube decide pedir castigos para jogadores que, num jogo que não o seu, segundo eles, tiveram condutas improprias para com jogadores e treinadores que não os seus.
Pelo meio, parece que houve 90min de futebol com um golo para cada lado.
Em Portugal não gostamos de futebol. Podemos gostar do folclore, da polémica ou da estupidez, mas do jogo? Não gostamos não.