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segunda-feira, 29 de abril de 2013

A exigência

Não sei como era o Benfica antes dos anos 90. Oiço histórias, relatos vários mas nada que se aproxime a ter vivido esses tempos. Por isso acontece-me, antes mais do que agora, deixar de reconhecer no clube e nos adeptos aquilo que sempre me disseram que o clube era. Falo da exigência.
É o nosso grande handicap para o nosso rival, mas é, acima de tudo, o nosso grande inimigo no caminho para nos reencontrarmos com a nossa identidade.

Só a falta de exigência permitiu perpetuar, em recorde de longevidade, um presidente tão pouco ganhador. É um exemplo claro que agora pouco interessa, foi recentemente reeleito e por isso está lá bem.
Falo do treinador. Com um campeonato ganho conquistou 3 anos de apoio do adepto, distraído a culpar árbitros (sim, eles têm a sua culpa!). Um campeonato apenas - a não ser que me venham com as taças da liga – e a crítica deixou de ser tolerável.

Ah e tal, mas o JJ está melhor, cala mas é essa boca! - Dizem vocês.
Pois está, e porquê?

Como me dizia o Ricardo ainda este Sábado, o JJ é melhor quando tem que provar algo (Primeiro ano e ano de renovação). E aqui reside uma culpa muito nossa, ao elevar ao Olimpo um catedrático do egocentrismo e da bazófia. Se ele podia ter sido mais profissional? Claro que sim, mas cabia ao adepto manter a pressão.

Nesta recta final está a acontecer outra vez. Foi no jogo com o Sporting que ficou claro para mim que a equipa do Benfica não tem o futebol que se diz ter. Uma coisa é merecer ganhar o campeonato pelo que se faz em 30 jogos – que acho que merecemos – outra coisa é ser-se inequivocamente melhor que os rivais em jogos de confronto directo.
 Mas os adeptos comportam-se como se o fossemos, afectando, parece-me, a própria equipa. A carreira europeia também não está a ser o que pretendemos fazer dela. Sem querer tirar mérito, não me lembro de o Benfica alguma vez ter tanto sorte em tantos jogos consecutivos numa competição como este ano na Liga Europa. Pensem nisso…
Estamos a embebedar-nos numa sublime superioridade futebolística que não é mais do que vinho da casa, e é talvez por isso que é necessário apostar tanto contra o marítimo, porque não há confiança contra o porto; e bem!
 O jogo com o Fenerbahçe foi muito mau: perdemos uma oportunidade de já estar praticamente na final (isso é que era a verdadeira poupança!) num jogo em que perdemos 1-0 e ainda temos que admitir que tivemos sorte. Muita!
O culpado? O treinador. Aimar é um inacreditável erro de gestão a partir do momento em que entra a titular neste jogo, e a maluqueira de fazer uma época sem uma real alternativa a Enzo e Matic só serve (serviu) para nos enfraquecer.

Agora não me interpretem mal. Exigir não é destruir. Eu quero que JJ continue na próxima época. Mas que seja melhor, sempre melhor. Já a partir de hoje!!