domingo, 10 de junho de 2018

José Boto

Chegou hoje, de forma oficial, ao fim a colaboração de um dos melhores olheiros do mundo com o Benfica. Confirmando os vários e piores sinais que vinham sendo dados, José Boto anunciou hoje, na sua página de facebook, a saída do Benfica, ficando ainda por saber, também de forma oficial, o seu novo destino.

Da mensagem de despedida, para além do agradecimento a Luís Filipe Vieira, importa sublinhar o seguinte pensamento:

“ (…) Se defendo que o que faz a verdadeira diferença entre os jogadores é a capacidade técnica, a inteligência e a forma como um jogador toma decisões em campo, também eu procurei sempre fazer o mesmo no meu dia-a-dia (…) ”

Esta é a chave de todo o pensamento sobre o jogo para José Boto. E se já era suficientemente grave perdermos um nome com a sua valia, o que significa a sua saída é ainda mais preocupante e as suas ondas de choque irão muito além da perda do nome em si.

Deixar sair José Boto, é deixar sair um estilo que foi pedra basilar dos sucessos da última década. Com a saída do categorizado olheiro Português, muito provavelmente e com sinais já dados nas recentes contratações, veremos a política desportiva do Benfica regredir a ponto de nos colocar no patamar de outros que têm perdido tanto nos últimos anos.

Voltar a um modelo de jogador assente em atributos pouco ou nada diferenciadores, será como voltar a acender a lareira com duas pedras.

É triste termos um clube tão grande e que, por isso, tem ao seu dispor tanta gente verdadeiramente interessante e disponível para colaborar com qualidade e insistirmos em querer tão pouco e tão igual a tantos.

Se é difícil perceber como não se procura melhorar o que está mal, é aterrador ver desperdiçar as melhores coisas que temos, em vez de as melhorar.

Quanto a José Boto, cabe-nos deixar um profundo agradecimento por tudo e tanto que deu ao clube e desejar-lhe o maior dos sucessos futuros, vá ele para onde for.

P.S. E nem me venham com a conversa do dinheiro que José Boto irá ou não ganhar fora do Benfica. Há coisas que o dinheiro, por muito que seja, não compra: Paixão e compromisso. E esses dois predicados só podem existir com um projeto. E esse… Não existe!

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O Túnel da Luz


Os mais novos talvez tenham lido o título e pensado que vinha aí uma crónica sobre estranhos pontapés de Hulk em stewards na Nova Luz, mas não é nada disso. Podem sair daqui e voltar para o Hugo Gil, Pedro Guerra ou Guachos Vermelhos onde certamente verão um benfiquismo orelhístico de grande monta. Não, o túnel da Luz é outra coisa.
O Túnel da Luz estava à nossa espera em dia de jogo. Jibóia de betão que já antecipava a chegada do Povo Glorioso vindo de Bragança, de Chaves, de Braga, de Coimbra, de Faro, de Beja, de Castelo Branco. Já sabia que os benfiquistas do Porto viriam, que os benfiquistas de Peniche chegariam, que os benfiquistas de Elvas haviam de voltar. O país encontrava-se no Túnel da Luz e cantava.
Mas antes comia e bebia onde agora é o Colombo. Deixava o Túnel em descanso à espera. Comíamos e bebíamos naqueles terrenos à solta. Gente que acendia fogueiras, gente sentada em bancos de madeira em redor de barracas de onde saíam cheiros de chouriças e caldo verde. As carnes na brasa, a gordura a pingar para as camisas, a entremeada a entremear a viagem e o jogo de bola. Um puto trouxe uma bola e deu-lhe 100 toques sem deixar cair na lama onde hoje é a Bershka. Um Pai abraçava o Pai, os dois com copos de vinho nas mãos onde hoje é a Worten. Mulheres davam beijos aos netos onde hoje é a Fnac. Três cães vestidos à Benfica farejavam cadelas onde hoje é a Portugália.
O túnel ali esperava, em coração de cimento, alcatrão, luzes e areia. Os benfiquistas iam percorrendo-o a conta-gotas, vindos da gastronomia benfiquista. Ia enchendo. Já se viam fumos a sair do Estádio, os cânticos da Luz já ecoavam, a Mística fazia a sua mezinha, hipnotizando o Povo Glorioso em direcção ao Benfica. Íamos por dentro dele e cantávamos.
Depois, o jogo. A noite europeia ou a goleada nacional. Às vezes, a desilusão, a tragédia, a tristeza. Mas nem assim o Túnel da Luz desistia. Ganhando (quase sempre) ou perdendo (quase nunca), saídos da Luz ansiávamos por aquela acústica. Mas custava chegar. O Povo Glorioso com o seu exército de 100.000 pessoas demorava-se a chegar ao Túnel. Pais punham os filhos nos ombros como se eles fossem óculos de submarino. Nós, putos, rodávamos a 360 e dávamos as coordenadas aos pais sobre o tráfego glorioso. Ainda faltava uma hora para o Túnel da Luz. Preenchíamo-la com discussões técnico-tácticas e críticas às substituições do treinador mesmo que tivéssemos ganhado por 6-0.
Finalmente, o Glorioso Túnel da Luz. Um orgasmo. A acústica sem limites para aguentar milhares de benfiquistas a cantar músicas do Benfica. Dois orgasmos. 1904 orgasmos juntos a estalar o betão. O Benfica é a mais maravilhosa maluqueira do mundo.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Luís Castro



Luís Castro em Guimarães é uma combinação óptima que poderá significar um  Vitória a lutar pelos primeiros lugares (tenho é pena que no Benfica não se tivesse pensado nele para substituir o professor). Luís Castro é hoje o melhor treinador do campeonato português, aquele que produz melhor futebol, que mais e melhor fala sobre o jogo. E é benfiquista.

sábado, 12 de maio de 2018

Seferovic

Confesso.

Fui daqueles que muito elogiou a contratação do Seferovic.
Fui daqueles que muito elogiou as qualidades do suiço.

Confesso.

Sou ainda daqueles que acredita na qualidade deste avançado que fomos contratar no Verão passado.

Estamos a falar de um jogador de ataque alto e forte. Contudo não estamos a falar de um monstro de área, de um matador, de um pinheiro, de um ponta de lança.

Estamos a falar de um avançado que gosta de jogar em apoios, tabelar, pensar o jogo, participar na construção. Também marca mas acima de tudo integra o processo ofensivo de contrução do golo.

É alto mas tem técnica e procura a bola e a tabela em qualquer zona do campo.
Marca golos mas principalmente participa neles.

Não faz uma dupla tão compatível e mortífera com o Jonas como fazia o Mitroglou mas também fazia funcionar aquele 4-4-2 de inicio da época. A sua presença não só permitia maior liberdade de movimentos ao Jonas como este tem também a capacidade de respeitar e perceber as ingressões do génio brasileiro.

Um avançado forte de futebol apoiado, o contrário do avançado de futebol vertical e vertiginoso que é o Raúl Jimenez.

Depois de um bom arranque o suiço teve sentar. E a opção é mais que compreensível.

Naquele 4-4-2 a equipa defendia muito mal. Qualquer adversário facilmente quebrava o nosso meio-campo e criava desequilibrios na nossa defesa.
E o Rui Vitória conseguiu perceber que mudar os defesas não mudava isso. O problema era outro. Era a qualidade do jogo defensivo. Do processo. Do treino.

A solução foi reforçar o meio-campo com mais um jogador. Meter ali mais gente para tentar compensar o fraco processo defensivo.

Percebeu-se rapidamente que foi uma decisão de desespero e não algo previamente trabalhado. Tanto que andámos jogos nas experiências a tentar descobrir quem poderia ali encaixar. O primeiro que se afirmou foi um médio que pouco tinha jogado e que nem na lista da Champions tinha entrado. Com a sua lesão vieram outras experiência.
Acabou por se afirmar um extremo que passava muito do seu tempo pela bancada. E este afirmou-se não por aquilo que dava à coesão do meio-campo mas sim pelo que a sua qualidade individual dava ao jogo.

Sem bola as fragilidades mantiveram-se. Com bola o sérvio faz a diferença. É o talento natural dele.

Com o 4-3-3 foi só natural que o Seferovic tivesse sentado. O que não é compreensível é que tivesse sido queimado.

No plantel do Benfica é o substituto directo do Jonas e também a melhor opção para no decorrer de um jogo entrar para o lado deste.

Necessitando de marcar, jogando contra uma equipa muito fechada defensivamente, o suiço é o jogador ideal para regressarmos ao 4-4-2. É uma mudança táctica que coloca maior presença na área, que abre mais buracos na defesa adversária e que não altera o estilo de jogo da equipa. É a alteração mais coerente.

Mas não só o Seferovic deixou de ser a primeira opção para o 4-4-2 como também nunca foi visto como o substituto do Jonas (fosse para o 10 descansar ou fosse para aguentar a posição enquanto esse não regressasse da sua lesão).

A opção do Rui Vitória foi lógica com a forma como o treinador vê o futebol. Pontapé para a frente. Kick and Rush.

Com meia hora para jogar e a precisar de marcar, o professor sempre optou pela opção desesperada. Por quebrar a equipa e passar a jogar para o chuveirinho. Sempre optou por abdicar da fase de contrução e incentivar o Varela e defesas a bombear a bola para o ataque.

A ideia é meter o Raúl a correr feito louco, a ganhar bolas no ar e a criar desequilibrios na defesa adversária pela conquista de segundas bolas.
Se não resultasse então lá vinha o queimado - o Seferovic. Com 5 ou 10 minutos entrava para ser mais um a ganhar no jogo aéreo.

O Rui Vitória utiliza o suiço da mesma forma como utilizaria o Karadas. É alto? É forte? É avançado? Entra para a presença na área e jogo aéreo.

Contudo o futebol deste avançado não é compatível com essas ideias. Por isso é que andava andava pelas linhas a efectuar os cruzamento em vez de estar na área a recebê-los.

Assim se queima um jogador.

O Jonas é craque mas dá ao jogo do Benfica muito mais do que a sua capacidade técnica. A sua principal qualidade no nosso ataque é a de fazer a ligação com os variados sectores de ataque. Sem Jonas e com o Raúl muda-se dramaticamente o contexto de jogo. E é impensável que a lesão de um avançado mude tão drasticamente as ideias de jogo de uma equipa.

Um encurta linhas, outro estica o jogo. Um joga de costas e outro joga de frente para a baliza. Um progride em apoios e o outro em velocidade.

Daí a titularidade do suíço fazer muito mais sentido que a do mexicano. Não pela qualidade individual dos jogadores mas sim pelas suas caracteristicas. 

Confesso.

Ainda espero ver mais jogos deste suiço.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Parabéns ao Futebol Clube do Porto e aos portistas



A frase do título deveria ser de simples compreensão: um sócio do Benfica endereça os Parabéns ao clube rival (não o clube inimigo, não o clube que odeia; o clube rival) que acabou de vencer o Campeonato Nacional e, por consequência, aos seus adeptos. Porém, em 2018 o futebol é uma coisa estranha, um verme bizarro, uma comunidade maioritariamente composta por broncos. Gente que confunde os clubes com quem os preside.

O Futebol Clube do Porto é um clube histórico e centenário, não é unicamente o corrupto do seu Presidente, como o Sport Lisboa e Benfica é um clube glorioso e centenário, não é o ilegítimo do seu Presidente. Entendamo-nos: estes Parabéns nada têm que ver com Pinto da Costa ou Vieira, nada têm que ver com a franja de adeptos que sofrem de atraso mental, paranóias da perseguição, ódio por outros clubes ou um sentimento de vacuidade existencial que os faz olhar para o futebol como a salvação possível de uma vida inevitavelmente perdida.

Estes Parabéns seguem para a instituição da cidade invicta e para todos os seus adeptos que valem a pena - entre os quais alguns amigos meus. No meu futebol e na minha alma as coisas estão muito bem separadas. E, mesmo não gostando do tipo de jogo apresentado pela equipa de Sérgio Conceição, não posso deixar de reconhecer quem foi mais consistente, corajoso e coerente ao longo da época.

Na verdade, tudo isto é muito simples. Menos para quem, em vez de olhar para a Lua, olha para o dedo.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Um dia triste na vida do sportinguista Martim Telles Pereyra



O adepto sportinguista - chamemos-lhe Martim Telles Pereyra - estava feliz naquele Domingo: reunião familiar no Dia da Mãe, primalhada e irmãos, pais e tios, avôs, sobrinhos e netos todos juntos. Além disso, no dia anterior o seu Sporting havia vencido o Nacional por 2-0, garantindo o belíssimo terceiro lugar e ainda mantendo acesa a ligeira luzinha do segundo lugar. A acontecer, seria uma loucura, claro, e a confirmação de que com Bruno de Carvalho o Sporting estava mesmo de volta.

Entre idas furtivas à cozinha, assaltando doces, bolos, queijos, fumados, pães e demais iguarias que, em cima do bordado da avó Constança, apelavam ao mais animalesco dos sentidos - embora Martim comesse sempre, como lhe ensinaram em criança, de boca fechada e de mãozinha em concha em frente aos lábios -, na sala ia acompanhando com os primos as incidências do Vitória-Porto.

Um jogo bastante chato, tanto pelo futebol praticado como pelos nomes dos intervenientes. Martim gostava era de ver ou o Sporting - para vibrar com o Tanaka! - ou o Benfica - para insultar pela televisão o árbitro, demonstrando assim aos outros familiares que ele era mesmo anti-lampião. Dizia mesmo: «galinha» e usava, em vez do nome do clube, outro nome mais bem aceite entra as suas gentes: «Carnide». Adorava ver os olhos de aceitação do Tio Tó Vaz de Britto sempre que dizia «Carnide». As pessoas lá em casa até parecia que ficavam mais felizes, que se alegravam mais, que se tornavam mais simpáticas e acolhedoras sempre que Martim dizia «Carnide». Depois repetia muito, galhofeiro, que Martim, apesar da boa-educação que lhe deram, também sabe ser popular e dizer umas larachas mais ordinarecas.
O jogo é que de facto não valia grande coisa. Não dava para odiar o clube que estava a jogar; isso, parecendo que não, tirava bastante interesse à tarde desportiva. O Carnide, esse, tinha despachado o Gil Vicente em Barcelos por 5-0. Claro, com dois ou três penalties por assinalar contra as «galinhas do Carnide» e uma arbitragem que, ao nível do critério disciplinar, deixou muito a desejar.

Esta última frase Martim havia ouvido à prima Kikas Meirelles, uma vez em Alvalade. Martim gostou do tom daquilo: «ao nível do critério disciplinar deixou muito a desejar» e passou a usar ele próprio como se tivesse sido ele a inventar a frase. Depois adaptava, consoante os jogos. Nos do Carnide, deixava sempre, ao nível disciplinar, a desejar a favor do Carnide; nos do seu Sporting, ao nível disciplinar o Sporting ficava sempre a desejar que não o roubassem tanto. Era uma fórmula que tinha para explicar os empates e derrotas que via acontecerem ao seu clube e as consecutivas vitórias do outro clube rival, o das galinhas de Carnide.

A certa altura, há um jogador do Porto que com o braço ajeita a bola. Martim teve um instinto estranho: virou-se logo para outro lado e começou a falar com o primo Chico Menezes da Silveira, mas o primo Chico, que já estava bêbado, não tirava os olhos da televisão: «Isso não é nada, siga!». Martim teve curiosidade em rever o lance. Aproveitou a única repetição que a Sport TV mostrou do mesmo e, para dentro - para fora, não!, que ainda alguém lhe dava uma educada reprimenda! -, percebeu: foi penálti. Depois lembrou-se de que, apesar de não odiar o Porto, também não gostava lá muito que eles fossem beneficiados.

Passados uns minutos, já no intervalo do jogo, pensou ainda mais profundamente naquilo: aquele penálti beneficiava o Porto e prejudicava o Sporting. O que era estranho era o silêncio naquela casa sobre um lance que, se tivesse sido na área do Benfica, teria dado para ver rissóis de camarão contra os quadros da Maluda, as empadas e os croquetes atirados da janela para a Marginal, as garrafas de vinho teriam caído sobre os panos e as mantinhas da Vó Mimi e a gritaria teria sido insuportável sobre os ouvidos de Martim, que já por várias vezes teve de levar com os mais indecorosos insultos por não ser ele próprio insultuoso contra os de Carnide.
A mãe dizia-lhe sempre: «ó filho, quando for para insultar essa gente, não se acanhe, tire a barriguinha de misérias», mas Martim mantinha ainda a inocência daqueles que acham que as pessoas devem ser um bocadinho civilizadas, apesar de tudo e dos cortes de cabelo a que o obrigavam desde que havia nascido.

No final do jogo, na sala bateram-se algumas palmas pelo golo do Jackson. Martim não percebeu aquilo ou se calhar não quis perceber e foi para o computador escrever sobre o assunto no seu blogue - Martim é moderno e tem um blogue sobre o Sporting que abriu quando Bruno de Carvalho chegou ao poder. No mesmo, está sempre a fazer posts de apoio!, de incentivo!, a dar moral!, a dar força aos leões! Martim considera que a internet serve para apoiar os seus jogadores, técnicos e dirigentes e para dizer mal do Carnide.

Mas ontem Martim queria era dizer mal do penálti que ficou por marcar e desses dois pontos que podiam ter aproximado o seu Sporting do Porto. Já tinha até escrito uma piadola com «colinho» mas desta vez relacionado com os portistas e fazendo uma alusão a uma outra simbologia mais traseira que o Presidente do Sporting havia feito uns meses atrás. Nádegas, isto e aquilo, colinho para as nádegas. Uma coisa muito gira que infelizmente não pôde ser publicada porque o Pai do Martim apareceu e leu o que ali estava escrito. Levou uma bolachada certeira e ainda a promessa: «se voltas a defender os lampiões, nunca mais te levo a Alvalade!».

Martim compreendeu então que era de um clube cuja maioria de adeptos odiava mais outro clube do que amava o seu próprio. Ontem, Dia da Mãe, foi um dia triste para Martim Telles Pereyra.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A lição que o professor não aprendeu



Rui Vitória não percebeu nada do que se passou nos últimos 3 anos - por isso estas ridículas recentes conferências de imprensa (que ainda eram o melhorzinho que ele tinha como... treinador de futebol). Gaba-se de títulos que são sobretudo da responsabilidade de uma série de grandes jogadores que o Benfica foi tendo e da desorganização dos rivais.

No ano em que Vieira decide dar o título ao Porto, entregando-lhe um plantel com grandes talentos do meio-campo para a frente (quase todos desaproveitados pelo professor) mas totalmente desequilibrado atrás, o pecúlio do homem que acredita que voltas à rotunda antes do jogo são fundamentais para o resultado final do mesmo foi este:

- afastado da Taça de Portugal em Dezembro pelo Rio Ave;
- afastado da Taça da Liga em Dezembro num grupo com Portimonense, Vitória de Setúbal e Braga;
- afastado da Champions League em Novembro num grupo com Basileia, CSKA e Manchester United - 0 pontos em 6 jogos, 0-5 com o Basileia (0-7 nos dois jogos), 1-14 em todos os jogos. A mais vergonhosa época europeia da História do Benfica.
- a lutar apenas pelo Campeonato desde Dezembro, consegue perdê-lo na Luz contra um Porto medíocre num jogo em que, além da falta de qualidade colectiva que é a imagem de marca das suas equipas, decide acrescentar mudanças vindas do banco de nível inferior a Luís Campas  (que, já agora, parece estar próximo de ingressar no Benfica - que dupla seria um Professor Vitória-Campas).

O adeus ao Penta, o sonho da Nação Gloriosa - por evidentes incompetência e mediocridade da Direcção e do treinador, respectivamente - parece, no entanto, não angustiar o homem para o qual o melhor álbum de sempre é o Aqualung dos Jethro Tull, o melhor filme o Aquarius, a melhor música Águas de Março, o melhor perfume Acqua di Giò, o melhor jogador da Liga Inglesa o DrinkWater e a grande referência como treinador o Raúl Águas.

Não, o professor está sereno. De tal forma que, quando lhe acenam com uma proposta do deserto das arábias (era só o que faltava, ir trabalhar para um sítio com escassez de recursos hídricos!), ele revela logo o extraordinário plano que tem não para a próxima pré-época mas para a seguinte: um Hotel de luxo para meter muita água.

Porque joga o Benfica




Há quem ingenuamente pense que o Estádio da Luz é um estádio, um lugar para apoiar a equipa, ver o Benfica, esquecer os problemas do trabalho. Falso. O Estádio da Luz é essas três coisas mas é muitas mais: é uma nave espacial, é um Oceano de Sangue, um poema, uma ponte universal, um mapa.

O Estádio da Luz é um mapa que define as coordenadas de todos os benfiquistas. Uma referência na cidade. A referência da cidade. Em dia de jogo, Lisboa existe apenas para fingir que existe, que aparece, que tem coisas a acontecer. Lisboa, no dia do jogo do Benfica, serve para embelezar o Estádio da Luz. Para que os turistas não pensem que o único monumento realmente importante é aquela nave de betão com arcos vermelhos e um fumo suspeito a levantar voo do relvado e das bancadas para o céu de Lisboa.

Os benfiquistas sabem disto mas fecham-se em copas. Deixam que os demais o não percebam. Não comentam, não se descosem. Limitam-se a fazer o que lhes compete: ruminar longamente a olhar para o relógio, ligar para os outros benfiquistas, enviar cúmplices mensagens sobre o sítio no mapa aonde irão encontrar o seu lugar no mundo.

- Às cinco no Manelito?
- Combinamos na Estátua do Eusébio. Não te demores.
- Vou estar no Terceiro Anel com o Rui das Finanças.
- Almoçamos na Catedral da Cerveja?
- Olha, afinal vamos para as rulotes do lado do Cosme Damião. Desculpa só dizer agora.
- Tenho de ir à Loja comprar um tapete de rato para o meu filho.
- Depois liga. Estaremos na Adidas.
- Quando chegares ao viaduto, diz coisas.
- Antes ainda vou ver o Andebol.

Um mapa. Um mapa da cidade que é o Benfica. Que é o Estádio da Luz. E dentro do mapa, outro mapa.

- Já chegaste? Foda-se, estou no Manelito e não te vejo!
- Pá, estivemos no Eusébio meia-hora. Já entrámos.
- Não te vi mas encontrei o Rui das Finanças. Já ia bonito!
- Almoçamos mas antes tenho de ir buscar o novo cartão. 5 euros ó caralho!
- Na boa. Ainda vou no autocarro a ouvir o onze. O Jonas não joga?!?!?!
- Compra antes uma garrafa de champanhe do Benfica.
- Não te metas nisso. A Adidas em dia de jogo parece o Santuário de Fátima.
- Já cá estou. Passou agora o autocarro!
- Nós vamos ao basquetebol. Encontramo-nos lá dentro, então.

Um mapa dentro de um mapa dentro de um mapa que é o próprio adepto. O benfiquista tem um GPS natural e glorioso que o faz seguir, esteja onde estiver, em direcção ao Estádio no dia de jogo.

Acorda às 5 da manhã em Chaves, sai do trabalho na Amadora uma hora antes, fecha a loja do Montijo e põe um cartaz: “ausente por motivos de excesso de Luz”, não vê os últimos minutos daquele intenso Portimonense-Farense em escolinhas com o filho sentado no banco de suplentes, vem da Terceira em executiva horas antes do jogo, enche de farnel o Comboio do Benfica, falta a casamentos, a jantares de Natal, a despedidas de solteiro, à dissertação do amigo, ao aniversário da sogra, às votações caseiras do Festival da Canção, à missa, ao velório, ao nascimento do primeiro bebé da aldeia nos últimos 20 anos.

Porque joga o Benfica.

domingo, 29 de abril de 2018

Luisão


O jogo de ontem foi o epílogo da carreira de Luisão ao serviço do Benfica. O capitulo final de um livro bonito, com alguns episódios tristes pelo meio e que na verdade já estava acabado há pelo menos dois anos.

Em Novembro de 2015, com 34 anos, na sequência da fractura de um antebraço após empurrão de João Pereira num jogo para a Taça de Portugal em Alvalade, Luisão perdeu a titularidade e dessa forma o Benfica pôs fim a um ciclo de resultados negativos e de golos sofridos nos quais o zagueiro não tinha estado em bom plano. Daí para a frente, na época 2015/2016, a história é a que se conhece: o Benfica estabilizou com Jardel coadjuvado por Lisandro primeiro e Lindelof depois e conquistaria o tricampeonato. Luisão ainda voltaria para uma tosca aparição a final da Taça da Liga frente ao Marítimo (2-6).

Na temporada seguinte, a sua reinclusão num quarteto defensivo onde encontrou jogadores com qualidade inquestionável como Nelson Semedo, Lindelof ou Grimaldo, protegidos por Ederson, permitiu colmatar as fragilidades do capitão encarnado, nomeadamente no que à velocidade e mobilidade diz respeito e assim passar incólume por entre os pingos da chuva.

Ontem, quatro meses e meio depois da última aparição com a camisola encarnada, Luisão, aos 37 anos, apresentou-se ao nível que os ex-jogadores costumam exibir nos encontros das velhas glórias encarnadas, estando em plano de destaque nos três golos sofridos: falta de velocidade no primeiro, perda de bola aérea com um adversário 10 cm mais baixo no segundo e dureza extrema de rins no terceiro.

O percurso de Luisão enquanto jogador do Benfica deveria ter terminado no final da época 2015/2016. A sua perpetuação foi um acto de caridade no qual o aspecto desportivo foi esquecido. E prolongar o contrato a Luisão após a presente temporada, como se equaciona actualmente para os lados da Luz, deveria fazer repensar o nome do clube para Sport Lisboa e Amigos.

sábado, 28 de abril de 2018

Parabéns, FC Porto


O FC Porto prepara-se para quebrar um jejum de quatro temporadas sem conquistar o campeonato nacional, período nunca antes visto sob liderança de Pinto da Costa, pondo também fim a um ciclo (e não hegemonia) de triunfos do Benfica. Vencerá o campeonato e com toda a justiça.

Não que a época dos azuis-e-brancos tenha sido exemplarmente preparada, pelo contrário. O treinador foi escolhido e contratado de forma pouco ortodoxa e o plantel apresenta lacunas importantes inclusivamente em posições para as quais os titulares são jogadores cuja qualidade fica a desejar para quem quer ser campeão. Mas tal como a nossa própria experiência recente nos mostrou, não é só de qualidade em bruto que se fazem os campeões. E este Porto foi bem trabalhado. Prova disso são as retumbantes vitórias europeias no Mónaco ou com o Leipzig, a exibição em Alvalade para o campeonato, o jogo que fez (e que merecia ganhar, com erro grosseiro da arbitragem) frente ao Benfica no Dragão e a vitória decisiva que alcançou na Luz.

Resumindo, o Porto venceu porque foi melhor dentro de campo. Nas quatro linhas. Não foi por Francisco J. Marques, por Pedro Bragança, pela arbitragem, pela imprensa, pela sorte, o azar, as estrelas, as constelações, os astros. Há demérito do Benfica, naturalmente, pela forma absolutamente amadora como preparou a época e pela incapacidade crónica do seu treinador em extrair o melhor dos jogadores que tinha (algo que Sérgio Conceição fez com mestria exímia). Mas há sobretudo mérito do FC Porto. E enquanto andarmos preocupados com fait divers em vez de arrumarmos em definitivo a nossa casa e de reconhecer o mérito de quem ganhou com justiça, mais longe andaremos de voltar a ganhar.

O jogo que segue empobrecendo

Por vezes, sem que nos demos conta, acontecem-nos coisas na vida para as quais não temos explicação. Por muito que vasculhemos, por muito que estudemos cada passo dado, continuaremos sem entender o que acabou de suceder.

Fatalismos, dizem uns, sorte ou azar, dizem outros. O certo é que poucos saberiam explica-lo racionalmente e ainda menos entenderiam as suas explicações.

A teoria do caos diz-nos que o simples bater de asas de uma borboleta pode desencadear um furacão do outro lado do planeta, através de uma sucessão de acontecimentos em dominó, que se vão tornando maiores a cada segundo, a cada centímetro, qual bola de neve a rolar montanha abaixo.

Assim foi com ele, a cada suspiro, a cada passo, a cada toque, a cada passe, corresponderia sempre um acontecimento maior, único, inesquecível, inexplicável. Para uns era sorte, para outros fatalismo, para muitos não chegava a ser alguma coisa, para poucos… uma borboleta.

No final dos tempos, o jogo saberá que ele passou por si mas, qual ladrão sem rosto, não saberá quando ou como, porque não o deixaram ficar nos seus registos.

Com ele soubemos que teríamos um novo termo para designar os Génios, com ele soubemos que Da Vinci, Galileu, Beethoven, Einstein ou Stephen Hawking foram… Iniesta.

O Rei das Assistências para as Assistências



O primeiro jogo de Andrés pelo Barcelona foi com o Benfica (na foto, João Pereira atrás do génio insurge-se contra Deus pela injusta distribuição de talento).

Iniesta é o meu jogador preferido, é o jogador que mais prazer me deu, que mais me ensinou sobre o jogo, que mais fez evoluir a minha percepção sobre o que é fundamental no futebol. Chamo-lhe o Rei das Assistências para as Assistências porque é ele que sonha sempre o golo e o constrói e depois deixa que outros apareçam nas capas e nas estatísticas. Um homem com um corpo, uma cara e um ar banais, de vendedor de raspadinhas num quiosque ou de entregador de pizas, com a alma de um Deus. Depois de ti, Andrés, o jogo nunca mais será o mesmo.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Espiral de destruição interna


As explicações para os vários anos de hegemonia do FC Porto no futebol nacional são várias, das mais conspirativas às mais cândidas, e para todos os gostos. No entanto, para mim, a mais completa e evidente – não única – era a forma como os Portistas conseguiam dominar o mercado de jogadores.

As saídas das suas melhores individualidades no final de cada época sucediam-se e, quase à mesma velocidade, apareciam novos jogadores capazes de substituir com qualidade – e não raras vezes, até com ganhos – os que partiam.

Com uma política de aquisições essencialmente baseada no mercado sul-americano era, de facto, incrível a capacidade que o Porto tinha para regenerar as suas perdas de matéria-prima, reutilizando os ganhos provenientes das joias polidas.

Goste-se ou não, o domínio do Porto começava e acabava no campo. E lá, eles conseguiam ser melhores, porque tinham, sucessivamente, os melhores interpretes.

No Benfica, demoramos bastante tempo até conseguir compreender que o caminho para voltar aos títulos era, primeiro que tudo, o de conseguir ter os melhores. E para termos os melhores, havia que dominar o mercado. E para dominar o mercado, sem ter poder económico, só o poderíamos fazer com conhecimento!

E esse tem sido o nosso maior e melhor segredo: o conhecimento. Hoje em dia, é notório o nosso domínio de mercado. Nenhum dos nossos rivais tem sequer metade da nossa capacidade para ir substituindo os jogadores que, inevitavelmente, vão saindo.
Não têm essa capacidade financeira, é verdade, mas sobretudo não têm essa capacidade de conhecimento que levou anos e anos a ser construída.

Para quem tiver dúvidas que faça um pequeno exercício de memória e compare as realidades de ambos os clubes nos seus momentos mais pujantes. Compare a primeira década deste século do FC Porto e o que está cumprido nesta segunda década por parte do SL Benfica. Faça ainda uma retrospetiva e perceba o declínio do FC Porto na prospeção, deteção e aquisição de talento face ao Benfica, e transporte isso para os títulos ganhos por um e outro desde a época 2009/2010. Recue ao último título do FC Porto e reveja um 11 repleto de qualidade, mas um banco quase risível face ao que tínhamos. Resultado disso? Um tetra, que até pode ser penta, para nós e uma capacidade incrível de regeneração de qualidade.

Pois bem, a folha de jornal que se anexa ao que escrevo, resume em meia-dúzia de linhas o que se prepara para se fazer no Benfica, isto é, a acreditar nas várias notícias que têm saído nos últimos tempos sobre José Boto, preparamo-nos para perder um dos melhores scouts do mundo e o que fazemos para o substituir? Contratamos uma empresa externa ao universo do clube; Perderemos alguém com um conhecimento incrível sobre o jogo e o que realmente interessa na qualidade de um jogador e o que fazemos? Confiamos nos critérios de quem se rege por um pensamento completamente contrário do que é o jogo e o talento; Ficaremos sem um quadro importantíssimo no que diz respeito à recolha e tratamento de informação sobre o mais importante que há no futebol – os jogadores – e confiamos em bases de dados de alguém cujo maior e único interesse é servir os seus próprios interesses; Perdemos exclusividade de conhecimento e preferimos seguir o conhecimento disponível a qualquer clube através da mesma fonte; Deixamos de ter um critério único e completamente definido para estarmos dependentes dos critérios de terceiros que nem sequer sabemos como os analisam. Brilhante! 

Uma folha de jornal, uma simples folha de jornal demonstra cruelmente o processo de destruição interna que está em marcha no Benfica. Uma simples folha de jornal demonstra a total incompreensão das razões que nos levaram às vitórias nos últimos anos. Uma simples folha de jornal revela que quem não deve tem cada vez mais influência nas políticas que não lhe deveriam dizer qualquer respeito. Parabéns!

terça-feira, 24 de abril de 2018

O Futebol raptado por grunhos



É muito provável que esta imagem não escandalize a maior parte dos adeptos - os sportinguistas porque até acham graça; os benfiquistas porque provavelmente, se fosse ao contrário, não lhe veriam mal nenhum. A mim, enoja-me. O facto de, na televisão do clube, não poder passar o nome completo do adversário (para além da diferença de tamanho dos símbolos) diz-me tudo o que tenho de saber sobre Bruno de Carvalho e a sua sociopatia, a demência, a obsessão, a pequenez. A imagem conta-me tudo o que tenho de saber sobre o sentimento de inferioridade do Presidente do Sporting. Sinais que anunciam ditadores, que poderiam evitar guerras mundiais, crimes, violências mas que só são entendidos pela maioria muito depois das bombas caírem sobre os corpos.

O futebol é um desporto maravilhoso, um jogo genial, uma arte física, emocional e cerebral em constante movimento. Infelizmente, nos últimos 40 anos foi raptado por grunhos.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Mas qual foi a novidade?

Após a derrota de ontem, muitas têm sido as criticas a Rui Vitória, sendo que, valha a verdade, poucas delas são realmente justas.

Escuso-me a referir o que penso da (in)competência de Rui Vitória, já o fiz por enumeras vezes, não vou falar no mesmo. Este é um assunto mais do que debatido e esmiuçado.

De ontem sobram críticas à forma como procedeu às mexidas de nomes durante o jogo e até à atitude passiva da equipa na segunda parte.

Sobre as substituições, lamento, mas o Benfica não perde o jogo por ter entrado quem entrou, nem por ter saído quem saiu. Das substituições, retiro apenas uma mensagem de desnorte completo traduzido na colocação de um médio de maior contenção aos 70 minutos de jogo para, volvidos 15 minutos, trocar um médio por um avançado, sem que o resultado tivesse sofrido qualquer alteração sequer. A incoerência de pensamento subjacente a este par de substituições chega a ser ridícula.

Quanto ao que se jogou na segunda parte, pergunto: Qual foi a novidade daquilo? Desafio, seja quem for, a dar-me um jogo em que a nossa primeira fase de construção tenha sido pressionada e que, mesmo assim, tenhamos conseguido sair com qualidade de forma colectiva. A minha resposta é imediata: NENHUM!

O Benfica de Rui Vitória é assim, joga o que o adversário deixa. O que realmente me surpreende é a quantidade de adversários que ainda não perceberam que a melhor possibilidade de vitória sobre o Benfica reside na pressão que podem ou não fazer à construção do Benfica.

A esmagadora maioria dos adversários internos opta, tal como o Porto na 1ª parte de ontem, por não o fazer. E quando isso acontece, facilmente a bola entra em Pizzi, Zivkovic (ou Krovinovic enquanto jogou) ou Jonas que criam jogo como poucos no nosso campeonato. Uma vez a bola nestas unidades, haja ou não espaço, com a qualidade que têm, fazem sempre fluir o nosso jogo e com isso criam oportunidades de finalização.

Sempre que o adversário não deixa que a bola entre “limpa” nas nossas unidades criativas, a solução é do mais básico que há: Bola na frente! Foi, é e será sempre assim. É aflitivo, patético e revelador do que vale Rui Vitória e os seus processos (pausa para rir) colectivos.

Não obstante, o lance do golo em si, pouco revela sobre a culpa de Rui Vitória no resultado de ontem. Uma serie de ressaltos, um corte defeituoso e um remate espantoso nunca podem dizer o que quer que seja de um treinador, seja sobre o que perde, seja sobre o que ganha.

O problema de Rui Vitória não é o resultado, nem tão pouco o jogo de ontem. É muito mais vasto e profundo que isso mas, valha a verdade, sempre foi e não deixou de ser campeão, logo, fazem pouco sentido as críticas que agora lhe lançam. O que é dito hoje, poderia ter sido dito no dia em que foi apresentado, no final da primeira época, no final da segunda época ou no final da inenarrável fase de grupos da Liga dos Campeões da presente temporada.

P.S. O que melhor define Rui Vitória é a forma como fez o melhor plantel do nosso campeonato parecer equivalente ao plantel do FC Porto, nisso foi brilhante e está de parabéns!