terça-feira, 24 de abril de 2018

O Futebol raptado por grunhos



É muito provável que esta imagem não escandalize a maior parte dos adeptos - os sportinguistas porque até acham graça; os benfiquistas porque provavelmente, se fosse ao contrário, não lhe veriam mal nenhum. A mim, enoja-me. O facto de, na televisão do clube, não poder passar o nome completo do adversário (para além da diferença de tamanho dos símbolos) diz-me tudo o que tenho de saber sobre Bruno de Carvalho e a sua sociopatia, a demência, a obsessão, a pequenez. A imagem conta-me tudo o que tenho de saber sobre o sentimento de inferioridade do Presidente do Sporting. Sinais que anunciam ditadores, que poderiam evitar guerras mundiais, crimes, violências mas que só são entendidos pela maioria muito depois das bombas caírem sobre os corpos.

O futebol é um desporto maravilhoso, um jogo genial, uma arte física, emocional e cerebral em constante movimento. Infelizmente, nos últimos 40 anos foi raptado por grunhos.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Mas qual foi a novidade?

Após a derrota de ontem, muitas têm sido as criticas a Rui Vitória, sendo que, valha a verdade, poucas delas são realmente justas.

Escuso-me a referir o que penso da (in)competência de Rui Vitória, já o fiz por enumeras vezes, não vou falar no mesmo. Este é um assunto mais do que debatido e esmiuçado.

De ontem sobram críticas à forma como procedeu às mexidas de nomes durante o jogo e até à atitude passiva da equipa na segunda parte.

Sobre as substituições, lamento, mas o Benfica não perde o jogo por ter entrado quem entrou, nem por ter saído quem saiu. Das substituições, retiro apenas uma mensagem de desnorte completo traduzido na colocação de um médio de maior contenção aos 70 minutos de jogo para, volvidos 15 minutos, trocar um médio por um avançado, sem que o resultado tivesse sofrido qualquer alteração sequer. A incoerência de pensamento subjacente a este par de substituições chega a ser ridícula.

Quanto ao que se jogou na segunda parte, pergunto: Qual foi a novidade daquilo? Desafio, seja quem for, a dar-me um jogo em que a nossa primeira fase de construção tenha sido pressionada e que, mesmo assim, tenhamos conseguido sair com qualidade de forma colectiva. A minha resposta é imediata: NENHUM!

O Benfica de Rui Vitória é assim, joga o que o adversário deixa. O que realmente me surpreende é a quantidade de adversários que ainda não perceberam que a melhor possibilidade de vitória sobre o Benfica reside na pressão que podem ou não fazer à construção do Benfica.

A esmagadora maioria dos adversários internos opta, tal como o Porto na 1ª parte de ontem, por não o fazer. E quando isso acontece, facilmente a bola entra em Pizzi, Zivkovic (ou Krovinovic enquanto jogou) ou Jonas que criam jogo como poucos no nosso campeonato. Uma vez a bola nestas unidades, haja ou não espaço, com a qualidade que têm, fazem sempre fluir o nosso jogo e com isso criam oportunidades de finalização.

Sempre que o adversário não deixa que a bola entre “limpa” nas nossas unidades criativas, a solução é do mais básico que há: Bola na frente! Foi, é e será sempre assim. É aflitivo, patético e revelador do que vale Rui Vitória e os seus processos (pausa para rir) colectivos.

Não obstante, o lance do golo em si, pouco revela sobre a culpa de Rui Vitória no resultado de ontem. Uma serie de ressaltos, um corte defeituoso e um remate espantoso nunca podem dizer o que quer que seja de um treinador, seja sobre o que perde, seja sobre o que ganha.

O problema de Rui Vitória não é o resultado, nem tão pouco o jogo de ontem. É muito mais vasto e profundo que isso mas, valha a verdade, sempre foi e não deixou de ser campeão, logo, fazem pouco sentido as críticas que agora lhe lançam. O que é dito hoje, poderia ter sido dito no dia em que foi apresentado, no final da primeira época, no final da segunda época ou no final da inenarrável fase de grupos da Liga dos Campeões da presente temporada.

P.S. O que melhor define Rui Vitória é a forma como fez o melhor plantel do nosso campeonato parecer equivalente ao plantel do FC Porto, nisso foi brilhante e está de parabéns!

terça-feira, 10 de abril de 2018

O pontapé de bicicleta do Jonas

Passámos a última semana a falar (e bem!) do pontapé de bicicleta de Cristiano Ronaldo. Mas, no último jogo do Benfica, também assistimos a um "pontapé" desses. Daqueles que, nos relatos, fazem a voz hesitar no momento de escolher a palavra certa para o descrever. Corria o minuto 92 quando Raúl Jiménez arrancou rumo ao golo. O mundo parou. O país ficou em silêncio. Alguns fecharam os olhos. Outros deram as mãos. Golooooooo.

Os jogadores saltaram as barreiras publicitárias e correram em direção aos adeptos. No entanto, foi fora do relvado, naquele pequeno camarote, que o jogo foi ganho. Jonas, embora lesionado e fora das quatro linhas, esbracejava e festejava aquele golo como se ele houvesse sido, mais uma vez, "o culpado do costume". Não foi. 

A verdade é que aquela comemoração foi mais do que isso. Foi mais do que um golo. Aquela comemoração foi igual à tua, que estavas no estádio e que abraçaste um desconhecido. Ou à tua, que, em casa, sozinho, apenas na companhia da tua televisão, gritaste até não teres voz. Ou à minha, que, no meio de um café cheio de gente e barulho, dei por mim aos saltos, agarrado ao meu pai. Jonas não marcou. Mas deu-nos isto. A certeza de que o Benfica é, acima de tudo, uma família. E este título, venha o que vier, já ninguém nos tira.

André.



O Barros já não mora cá. Levou a sua Gloriosa Barba para o Quarto Anel.






domingo, 8 de abril de 2018

6 curtas notas sobre um Óptimo Fim



1) Ruben Dias é demasiado impetuoso, demasiado fraco a posicionar-se, demasiado medíocre com bola. Não tem qualidade para ser titular numa equipa como a nossa.

2) Raul não é um génio, longe disso, mas é um elemento fulcral neste plantel. Mais do que os golos, é mesmo um de nós. Um adepto que teve a sorte de entrar no relvado e jogar pelo Benfica.

3) Pizzi fez o seu pior jogo desde que está no Benfica. Perdoa-se, mas precisamos do outro, do Iniesta de Bragança e não do Tavares transmontano.

4) Com a entrada de Seferovic por Rafa, afastando Zivkovic das zonas em que a sua criatividade poderia fazer estragos, Rui Vitória meteu a equipa a segunda parte quase toda a jogar como o Real Massamá. Sem Jonas, com Pizzi em modo Salvio, decide encostar o único dos 3 jogadores com talento acima da média nos pés e na cabeça. De génio, professor.

5) Jonas, a Velha de Ouro, é maravilhoso. Aquelas imagens dizem tudo sobre o melhor jogador glorioso dos últimos 25 anos.

6) Há, de facto, um polvo benfiquista. O Pentacular.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

A loucura mexicana



Neste momento de ternura entre o Raúl e a bola - olham-se mutuamente, rindo muito, por no mundo só eles e o Jonas saberem o que vai acontecer -,  o mexicano já sentiu onde está o brasileiro e já sentiu onde estará o brasileiro daqui a 2 segundos para fazer o golo. A bola, o Raúl e o Jonas estão os três ligados entre eles e desligados de tudo o resto. Só eles viram a loucura a nascer, a crescer, a tornar-se adulta, a ser real, a maravilhar, a dar alegria aos olhos infantis de todos os adeptos que viram aquele golo. Uma loucura que é o futebol no seu estado de sangue. Uma loucura impossível de enfiar num gráfico, numa estatística, num quadro de ensinamentos sobre o jogo.

A bola vai sair, o pé esquerdo não tem grande arte, o pé direito talvez se fantasie de pé esquerdo mas vai precisar de um voo, de um passe de dança, de um mergulho para o ar, para fora do pé,  do joelho, da perna, do mundo. A bola vai sair e é preciso dar-lhe um toque de ternura. É preciso um poema.

domingo, 1 de abril de 2018

TAMBÉM SOU RAÚL JIMÉNEZ



Devo ter bebido o primeiro copo de vinho tinto quando tinha uns nove ou dez anos. A minha mãe levou-me a uma apanha da uva, nas vinhas de uma cooperativa vinícola, algures no meu querido Alentejo. Insistia em proporcionar-me experiências que me pudessem enriquecer e fazer perceber melhor o mundo (obrigado, mãe). Mas eu decidi improvisar, como sempre fazia, e resolvi enriquecer-me com algo diferente. Ao fim de cinco minutos de apanha, como tinha as mãos pegajosas, comecei a refilar como se não houvesse amanhã. Talvez por isso, e sem que a minha mãe visse, foi-me oferecido o meu primeiro copo de vinho tinto. Aliás, para ser honesto, e mais preciso, perguntaram-me antes se eu o queria. Para ajudar na tarefa, disseram-me. E eu respondi imediatamente que sim. Perguntaram-me ainda se já tinha bebido vinho tinto alguma vez. E eu menti imediatamente que sim. Veio de lá então um copo de plástico, que hoje imagino vermelho, a transbordar de néctar. Embora tenha detestado o primeiro golo, não quis dar parte de fraco. E assim detestei o segundo, também. E depois detestei o terceiro, o quarto, o quinto... Com tanta gente a olhar para mim, já não havia como recuar! Fui detestando como podia, com o intuito de chegar rapidamente ao fim. Eu era um puto franzino, que estava sempre doente, mas, pelos relatos da minha mãe, acho que tinha um feitio tramado de vergar. E nem foi preciso. Ao fim de pouco tempo, quando o nível do vinho baixou a metade do copo, comecei a ver as coisas de uma outra forma. O desagrado deu lugar a uma sensação de euforia e felicidade, sem par até então. Acabei mesmo por passar o resto do tempo a contar anedotas aos trabalhadores, que se riam às gargalhadas, é certo, mas do estado ébrio com que assassinava o conteúdo das piadas. Outros tempos, definitivamente.

E o Raúl, no meio disto tudo? Para mim, Raúl foi como o vinho tinto. Eu não suportava sequer ouvir o seu nome na Luz (desculpa, Raúl). Não tinha nada contra a pessoa, claro. Mas era pelo valor exagerado que nos custou o seu passe, um valor que tresandava a maroscas e favores. Porque Raúl mal tinha jogado, em Madrid. Porque não é o típico goleador. Porque não é aquele ponta de lança que esperas ver marcar muitos golos, valorizar, e vender o passe pelo dobro. Porque parece um bocado tosco e desconjuntado, quando joga. Porque Raúl é um jogador que falha aqueles golos que todos marcariam. Certo? E isso exasperava-me.
Mas Raúl também é o jogador que marca aqueles golos que mais ninguém marca. Os golos de Raúl são como os que dei no vinho. Quase sempre inesperados, mas fundamentais e decisivos. São também alegres, e têm o condão de me salvarem o dia. É sabido que, com o génio a bombar, e no 4-3-3 vigente, o mexicano é sempre suplente, por sistema. Joga cerca de vinte minutos em cada jogo. E, mesmo assim, não se queixa nem refila. Nunca. E marca. Quase sempre! Marca por nós, por todos os benfiquistas. Marca pelos que estão no estádio, e que acabaram de o insultar no último falhanço de golo evidente. E marca também pelos que estão em casa, a bradar aos céus pelo seu desposicionamento sistemático.

Aprendi a gostar de vinho por aquilo que acrescenta a uma boa refeição. Quando bem escolhido, um bom vinho melhora radicalmente um bom prato de comida. Tal como Raúl melhora radicalmente a equipa do Benfica, desde que chegou. Hoje eu já aprendi o que precisava, sobre o vinho. E sobre o Raúl também. Adoro o mexicano! E adoro-o para lá dos golos decisivos e saborosos que marca. Adoro-o para lá do golo ao Bayern. Adoro também Jiménez porque o mexicano nos representa um pouco a todos, quando entra em campo. Sabes aqueles dias em que, por uma ou outra razão, te calha ir para a baliza, mesmo que não gostes? E vais, porque queres é jogar? Porque queres é estar ali e fazer parte daquilo tudo, daquela jogatana num campo de futebol improvisado, cheio da terra onde vais esfolar os joelhos e sujar-te para lá do razoável? És puto, e sabes poucas coisas ainda. Mas sabes bem que queres estar sempre com os teus amigos, onde quer que haja uma bola. E Raúl é isto tudo. Mandou o aldrabão enfiar os milhões do chineses pelo ganancioso rectum acima, porque aquilo que quer é jogar. Quer entrar em campo com um sorriso, de orelha a orelha, sempre bem disposto, sempre a servir os colegas e a dar 300%, mesmo que acabe magoado. Quer dar sempre o máximo, chegando a expor-se corajosamente a possíveis lesões, quando salta e cabeceia a dez centímetros da trave da baliza adversária, para assistir um colega. Ou quando remata, completamente no ar, entre dois ou três adversários, com os quais choca, um décimo de segundo depois de ter rematado para o golo num ângulo impossível, ganhando um momento angular que o faz rodar perigosamente, e nos faz, a nós, rezar pela sua integridade. Ou ainda quando dá tudo para se esticar e fazer uma gloriosa assistência de letra, maravilhosa e totalmente desconjuntada, expondo-se a uma lesão tramada. E depois, no final do jogo, sou um puto, outra vez. Olho as minhas mãos esfoladas e os teus joelhos em sangue, e pergunto-me porque é que, depois disto, não resta mais nada para perguntar a mim mesmo. Estou só feliz, neste momento. Todo partido, mas feliz. E é neste sentido que posso afirmar que eu também sou Raúl Jiménez.


quarta-feira, 14 de março de 2018

O pontapé de canto em balão é um aristocrata falido



O perigo num pontapé de canto é sobrevalorizado. Por a bola estar parada, acha-se que o lance é mais perigoso do que um qualquer cruzamento em bola corrida quando tanto um como outro são geralmente lances desinteressantes do ponto de vista ofensivo. É evidente que se tivermos superioridade numérica na área adversária ou especificamente um jogador da nossa equipa sozinho em zona de finalização não será má solução assisti-lo através de cruzamento mas, regra geral, estar a atirar balões para uma catrefada de jogadores é deixar o destino não às mãos de uma maior probabilidade de êxito mas apenas à sorte (um ressalto, um mau posicionamento adversário, um erro individual). É mais religião e menos futebol.

O canto pode ser interessante se usarmos o facto de ele ser desinteressante para nós mas interessante para a equipa adversária. Ou seja, jogar com o facto de o adversário levar muito a sério isto dos cantos. E então surpreendê-lo com saídas de bola estudadas e organizadas para usar o posicionamento da outra equipa. O Barcelona de Guardiola, por exemplo, desprezava constantemente a bola alta só porque é canto; saía com 3 e 4 jogadores pelo chão, entrando na area adversária pela surpresa de movimentos, criando novos perigos, novos caminhos para o golo.

Ter o adversário todo enfiado à frente da baliza pode ser uma vantagem crucial para criar desequilíbrios assim que se procure a zona da bola. São jogadores que estão com espaço, com algum tempo e sobretudo de frente para a baliza, observando todo o movimento das partículas dentro da área adversária. As soluções aparecem, diagonais, mudança de flanco, passe de ruptura, até o remate. Mas, antes do perigo, o essencial: não atirando uma bola para o acaso da maralha, a posse continua nossa. A bolinha, a pelota, continua jogada pelos nossos pés. Com ela poderemos fazer o que bem entendermos em vez de a desprezarmos pelos céus; se a atiramos assim dessa forma tão leviana sabe-se lá o que o destino lhe terá reservado. Pelo sim pelo não, melhor tentar ir pela relva. É no chão que a redonda gosta de rolar.

terça-feira, 6 de março de 2018

Seriedade

Desde há muitos anos a esta parte, com maior ou menor disponibilidade laboral e pessoal para expressar as minhas ideias, que uma das batalhas que venho travando é a luta pela existência de um conjunto de figuras idóneas, sérias e honestas a dirigir os destinos do Sport Lisboa e Benfica. E se em várias ocasiões não me coibi de apontar o dedo a Luís Filipe Vieira e à trupe da qual se rodeou, foi precisamente por não confundir quem está a servir (ou a servir-se) (d)o Benfica daquilo que é a matriz e os valores do maior clube português.

E se a presunção de inocência é um direito importante que assiste a todos os indivíduos, não é por existir que nos devemos esconder atrás dela para não analisar criticamente os indícios preocupantes de actividades ilícitas praticadas por este conjunto de pessoas pouco recomendáveis que dirigem o Sport Lisboa e Benfica. Infelizmente, é mesmo assim: o Benfica é dirigido por um grupo de pessoas pouco recomendáveis, em nada melhores ou moralmente superiores aos dirigentes de Sporting ou FC Porto.

O Benfica, o meu Benfica, não é e não pode ser o refúgio ou protecção para a prática de actos ilegais. Que sejam investigados até ao tutano. E que se forem culpados, que seja a Justiça a fazer aquilo que os adeptos do Benfica já deviam ter feito há muito tempo: correr com esta gente que arrasta o nome do Benfica para a lama.

domingo, 4 de março de 2018

Da Seriedade ao jogo com o Estoril

Há um grave problema de seriedade no Futebol.

É sentido com maior importância do que realmente tem e discutido como se não importasse para nada.

Sentimo-lo de forma demasiado séria mas discutimo-lo sem ponta de seriedade.
Um mundo à parte. Um mundo onde paixões e fanatismos originam comportamentos individuais incompatíveis com os comportamentos sociais.

Uma dictomia pessoa/adepto.

No outro dia ouvia Ricardo Araújo Pereira e só podia concordar. O estádio é o local onde o adepto tem de ferver. É o local onde a boçalidade, a paixão, o irracional e a loucura têm de extravasar. Mas assim que esse irreconhecível louco sai do recinto, deve voltar a assumir controlo o cidadão, a educação, a honestidade, o respeito e a seriedade.

Não acontece. Não acontece porque as pessoas vibram mais com as rivalidades do que com o jogo jogado. Os estádios multiplicam-se. O Facebook é um estádio. Cada programa televisivo é um estádio. O nosso sofá é um estádio. A nossa mesa de almoço. O café ali da esquina. Um constante estádio de alma.

Imaginemos que realmente o Jorge Jesus traiu o Benfica na hora da sua saída. A razão do clube seria um facto e nunca uma justificação.
Contudo rapidamente se perde foco da verdadeira acusação e se desperdiça a razão em guerras de barulho, em circos de não-verdades.

Assim a vitima rapidamente se confunde com o culpado. Olho por olho e todos ficam cegos, uma guerra cega onde realmente ninguém já vê nada. 

Esta foi a guerra recente com o Sporting. Depois de 2 anos de barulho, acabou antes sequer de ter começado.

Agora estamos perante a uma guerra com o Porto. Uma guerra que começou com a divulgação dos mails.

Admitamos que existe um comportamente menos ético do nosso clube e que esse fere a legalidade da nossa posição no futebol português. Admitamos.

O que fez o Porto com essa razão? Esbardalhou-a em ódios. Sem qualquer auto-controlo deixou-se levar pela ânsisa de atacar o seu inimigo.
Enterrou o seu bom argumento num circo de novelas. Juntou barulho onde deveria haver precisão.

Alimentou uma discussão de bruxarias, de compras de jogadpres, de relacionamentos com jogadores do próprio clube, de facilitismos dos adversários. Perderam-se no rídiculo.

E o Benfica que anunciou uma estratégia calculista e certeira, rapidamente colocou os seus agentes a ripostar com barulho e mais barulho.

Acusações idiotas de um lado e do outro. Acusações ruidosas sem fundamentação.
Uma urgência irracional de abdicar do sentido de justiça e envergar por uma competição louca de manipulação da opinião pública.

E é nesta toada que chegamos ao dia de hoje.

Na sequência de acusações e insinuações de um lado e do outro, chegamos ao jogo do Estoril - Porto.

Começa a suspeição com o adiamento prolongado do jogo? Poderia ser de outra forma? Talvez. Mas a ninguém interessa realmente analisar essa possibilidade.

Tanto tempo depois, com a segunda-parte a arrancar com o Porto a perder e com uma situação classificativa onde o Porto estava a 2 mas podia ficar a 5pts, ninguém conseguiu aceitar a reviravolta no marcador.

Começou-se por apontar ao árbitro. Depois ao VAR porque tinha sido advogado no processo Apito Dourado. Depois apareceu um Cesar Boaventura a falar de malas. Mais tarde surgiu a acusação que o Porto tinha pago. Depois afinal tinha sido um pré-pagamento.

Quem tem acompanhado esta sequência desesperada de acusações, fica com a clara noção que isto provavelmente é só mais um episódio.
Surge numa altura em que o debate "futebolistico" está num nivel extremamente reles. Um debate onde sem qualquer pudor se acusa os jogadores de facilitarem em troco de dinheiro. 

É assim que agora vamos olhar para a Liga Portuguesa? É assim que agora vamos encarar qualquer jogo menos ou muito conseguido de um grande?

Este Cesar Boaventura não será só mais um Peão Guerra no combate ao Francisco J. Marques?

É tanto lixo que nos servem...

Voltando ao Estoril.

A situação é estranha e no Futebol Clube do Porto não há santinhos. A podridão não desaparece só porque as escutas não foram aceites como prova em tribunal.

Por isso, e para bem da minha sanidade, resolvi desligar-me do barulho propangadista e fui analisar os factos. Enfiei a cara nos Relatórios e Contas do Futebol Clube do Porto dos últimos quatro exercícios. 

Começando pela questão dos dinheiros.

Nos Relatórios e Contas do FCP é possível verificar que em Junho/15 estes deviam 705mil euros ao Estoril. Posteriormente, em Julho/15, o Porto vendeu o Carlos Eduardo.

No documento seguinte, consta que o Porto nada deve ao Estoril a Junho/16.
Entretanto na rúbrica "Outros Passivos Correntes/não Correntes - Acréscimo de gastos - Encargos com transacção  de "passes" de jogadores, não vencidos" aparece um valor consequente da venda do Carlos Eduardo.

O FCP aí explica que esta rúbrica é referente a valores devidos a terceiros ainda não facturados e decorrentes de transacções de jogadores.
Também indica alguns jogadores que estão integrados no montante dessa rúbrica - o Carlos Eduardo é um deles.

Em Junho/17 a situação mantém-se. O Porto não apresenta qualquer dívida ao Estoril mas indica dever a terceiros montantes resultantes da venda do Carlos Eduardo, estando ainda à espera que esses valores sejam facturados.

Portanto até aqui não temos nada de anormal nas contas do FCP.
Deviam X ao Estoril, esse valor foi liquidado. Venderam um jogador e registaram o valor que deviam a terceiros como um montante que aguardava factura. E assim se manteve tudo durante dois exercicios.

No último documento, o Porto já indica uma dívida ao Estoril com o valor de 784 mil euros. Portanto em Dez/17 o Porto deve Y ao Estoril.

A dívida de Jun/15 e a de Dez/17 são montantes independentes. Havia uma dívida, foi paga e dois anos depois contraiu-se outra dívida.

De onde surge a dívida existente em Dez/17? O FCP refere ter sido facturado em Nov/17 pelo Estoril relativamente a valores devidos de transferências, valores onde se incluem os da venda do Carlos Eduardo - que anteriormente estavam na rúbrica de valores por facturar.

Sinceramente não há ponta por onde possamos pegar nestas Contas apresentadas pelo FCP.

Podemos colocar 3 questões:

1. Porque é que o Estoril demororou mais de 2 anos a cobrar estes valores? É estranho sim mas será relevante para o assunto em causa? Se realmente tiver cobrado em Nov/17 então é irrelevante para a questão do jogo com o Porto.

2. A factura apresentada pelo Porto é veridica? A justiça facilmente irá averiguar a veracidade daquele documento. Na minha opinião o Porto deveria apresentar o documento original e não o fazendo deveria explicar os motivos para não o fazer. Não há qualquer obrigação de o clube trazer a público documentos privados, contudo ficaria bem para a imagem dos intervenientes junto da opinião pública.

3. O timing do pagamento é estranho. No minimo apresenta uma enorme falta do bom senso. Será só isso? Basta provarem que ficou acordado o pagamento no decorrer de Março e basta provarem que, tal como informaram, fizeram pagamentos também a outros clubes. Portanto, foi uma liquidez do momento que só serviu para liquidar contas com o Estoril?

Percebido que a factura é real e que as contas todas batem certo, falta comprovar que o Porto se comprometeu a liquidar a dívida naquela data. Outra possibilidade seria o Porto se ter recusado a reconhecer aquele valor até... dar jeito reconhecer dependendo de uma outra contrapartida. 

Para se evitar estas polémicas, não deveriam os clubes comunicar à Liga estas situações com a devida antecedência?

A menos que se prove que a factura apresentada pelo Francisco J. Marques é falsificada, para mim tudo o que aqui há é uma tremenda estupidez de toda a gente envolvida no processo e no barulho.

Além da situação do tal pagamento, também tem havido muita polémica quanto à utilização dos jogadores.

Vou ser sincero, há muita gente a emprenhar pelos ouvidos. Se eu me fiasse no que tenho ouvido e lido, andaria bem longe da realidade.

A polémica tem surgido à volta da não utilização do central Pedro Monteiro e do lateral Abner.

Comecemos pelo lateral. 
Este foi emprestado pelo Castilla ao Estoril. Mal foi utilizado a época toda. Foi titular frente ao Porto devido aos muitos indisponiveis para o jogo. De seguida foi terminado o seu empréstimo e o jogado foi devolvido.

Segundo o presidente do Estoril, o jogador já tinha pedido para ser devolvido porque tinha mercado no Brasil e no Estoril não jogava. Foi pedido ao jogador para ficar pelo menos no jogo com o Porto porque não havia mais soluções para a titularidade. O jogador aceitou, fez esse jogo, insistiu em ser devolvido e foi.

Quanto ao Pedro Monteiro.
O central começou a época como titular ao lado do Paulão. O brasileiro lesionou-se e o Halliche assumiu a titularidade ao lado do Monteiro. Em Janeiro o Estoril contratou o Dankler. A dupla de centrais passou a ser Dankler e Halliche. Quando se realizou a segunda parte do jogo com o Porto (21 de Fevereiro) o Monteiro não saía do banco já há vários jogos. Nesse jogo teve de ser titular com o Halliche.
No jogo seguinte o Paulão, titular antes da lesão, recuperou e voltou ao convocados. A dupla de centrais titulares manteve-se e o Paulão foi o suplente - Monteiro na bancada. No jogo seguinte (ontem) o Paulão relegou o Halliche para o banco e assumiu a titularidade.

Como podemos ver, tanto um caso como o outro são extremamente lógicos e normais.
Num contexto de suspeição claro que iremos questionar tudo, afastar cortinas à procura de qualquer monstro ou monte de pó.

Terá o Porto pago ao Estoril e a direcção deste terá se dirigido aos dois jogadores dizendo "Olhem, vocês já perceberam que não têm lugar na equipa mas vão ter de jogar com o Porto. Então o que me dizem, já que vão desaparecer dos convocados e dos holofotes, de facilitarem e receberem um bónus extra antes do adeus?"

Não é impossível mas é rebuscado.

Eu não acredito. 

Vejo um mau jogo de um Estoril muito condicionado. Vejo uma entrada em força de um Porto, ao seu estilo. Vejo um desespero pelo alargamento da distância pontual. Vejo uma tremenda falta de ética. E vejo uma total falta de bom senso quanto ao timing do pagamento da dívida. 

Que seja feita a investigação necessária.

E que de uma vez por todas os dirigentes deixem de querer manipular aqueles que são cegos de paixão pelas suas cores. 

PS: Há muita gente que comenta nos jornais, na televisão e no facebook, gente responsável, inteligente e respeitável. Essa gente tinha obrigação de trazer alguma seriedade ao ambiente que se vive no nosso Futebol. A superficialidade com que falam sobre a questão o bruxo da Guiné, sobre os descontos do Capela e sobre o dinheiro do Paulo Pereira Cristóvão, é de uma irresponsabilidade repugnante.


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Obscuridade que me Revolta na Convicção

O Futebol é um mundo à parte.

Apesar de fazer parte de uma sociedade que se rege por leis e valores e onde a ética é um Bem maior.

Se na sociedade vai reinando a impunidade dos crimes dos ricos e poderosos, no Futebol isso é ainda mais gritante.

O Futebol vive de emoções. Vive da paixão que cada cidadão tem pelo seu clube. Uma paixão cega e que tudo perdoa.

Enquanto na sociedade vai havendo alguma vergonha na cara, no Futebol é tudo à descarada. Os poderosos são intocáveis pelos organismos que regem o jogo. Os poderosos estão protegidos pelas cores que representam. E essas cores cegam.

Enquanto no nosso dia a dia vamos vivendo como cidadãos que acreditam na Verdade e se orgulham dos seus valores, cidadãos respeitáveis e que abominam a mentira e apelam à seriedade.

No Futebol somos meros adeptos. Cegos de amor pela cor e por quem ela enverga, cegos de ódio por aqueles que não se cobrem no nosso manto. Nós contra eles numa luta onde vale tudo.

Os nossos valores que nos identificam ao clube que amamos, aqui não têm importância.

Os nossos valores, a ética e a verdade. Armas de arremesso contra os outros. Não um modo de estar.

As frases que mais tenho ouvido ultimamente são:

“Não podemos ser anjinhos”
Porque ser honesto é ser anjinho.

“No futebol para ganharmos temos de ser iguais aos outros”
Dito por todos. Seja qual for a cor. Todos arranjam “nos outros” uma desculpa para aceitar a prevaricação.

Somos a voz da justiça quando os outros estão em foco. Somos um mar de desculpas quando o foco são os nossos.

Dito isto e porque sou do Benfica,

A mim enche-me de revolta aquilo que nos governa, aquilo que lidera o nosso clube.

São casos atrás de casos. O presidente do Benfica está envolvido em mais de uma mão cheia de casos estranhos e possivelmente criminosos.

Eu tenho a minha convicção. Não posso fazer acusações. Não posso afirmar certezas. Mas posso ter a minha convicção. E a minha convicção é que somos presididos por um criminoso.

Somos presididos por um criminoso que utiliza o nosso clube mafiosamente para servir o seu ego, carteira, poder e interesses.

Tenho pena de ver um clube tão maravilhoso, com uma história tão valiosa e uma vitalidade guiada tanto pelo talento como pela ética, nas mãos de gente que não se coíbe de o meter nos caminhos mais obscuros.

Na sociedade não há lugar para as ilegalidades.
No Futebol não deveria haver lugar para o crime.
No Benfica certamente não há lugar para criminosos. O Benfica é lindo demais para ser envolvido com gente e actos desse calibre.

Infelizmente a paixão cega, amolece o coração e nos faz agir como nunca imaginámos agir. Tolda o pensamento e baralha razões.

Tenho a minha convicção. Uma convicção alimentada todos os anos por situações estranhas que vão surgindo, negócios que se vão fazendo e palavras que vão sendo proferidas.
Uma convicção com mais de uma dezena de anos que vem sendo reforçado dia após dia.

É a minha convicção.
A minha revolta.

Não há vitória nem derrota, não há título nem vergonha europeia, que me acalmem a revolta de ver esta gente nas cadeiras de poder do nosso clube.

Nosso Clube.

Clube.

É a minha convicção. E no Benfica somos todos coniventes.


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Indiana Jonas - em busca da baliza perdida



A expressão que faz o título deste texto é do Nuno Matos e não podia ser a melhor forma de começar a falar em Jonas porque o brasileiro é, ao mesmo tempo, um aventureiro pelos relvados e um descobridor de segredos perdidos. Às vezes parece que só ele tem o mapa que nos levará à baliza; a chave que abrirá a porta sagrada do golo.

Jonas é elegância em estado puro. Veja-se o porte altivo, pescoço estendido, cabelo arrumado, olhar aquilino. Movimenta-se pelo campo como se seguisse uma rota só sua, diferente dos demais - aquela que sabe poder chegar às redes adversárias. Jonas encontra o caminho da baliza por estradas invisíveis aos olhos dos mortais, rotas silenciosas, troços da realidade que só ele vê, que só ele sente, que só ele conhece.

O golo acontece a um determinado minuto mas na verdade o golo já aconteceu muitos segundos antes, quando Jonas correu para a bola e a recebeu e desenhou mentalmente o futuro da jogada e o presente da bola nas redes. Jonas joga futebol de 11 como se estivesse num pavilhão a jogar futsal. Trocas simples de bola, em movimento vertical recua ou sobe consoante a harmonia da harmónica colectiva. Faz de pivot, de placa giratória que tudo mete em movimento.

Nené com sotaque, nunca se despenteia, não se suja, não perde tempo com ninharias estatísticas - está ali para jogar futebol, não para fazer a maratona. Parece até alheado do jogo. Julgamos que Jonas estará pensando no que fará a seguir, se comerá peixe ou carne, que filme ver, qual a série que estará a dar na televisão. Quando a bola está em Luisão ou em Júlio César, é possível que Jonas, enfiado entre os centrais, vá dissertando sobre a maravilhosa poética na escrita de Guimarães Rosa, lembrando o não menos maravilhoso «Manuelzão e Miguilim» sob o olhar surpreendido de uma dupla de defesas que ainda não se apercebeu que a bola vai estar dentro da baliza exactamente daqui a 37 segundos.

Jonas já sabe que vai ser golo. Por isso vemo-lo agora a dizer as últimas palavras sobre o escritor brasileiro e a dirigir-se tranquilamente para a linha lateral, onde vai tabelar com o extremo, voltar para a grande área, dar um toque de calcanhar que vai isolar o médio em frente ao guarda-redes e depois simplesmente, já com a baliza perdida finalmente encontrada, agarrar na arca cheia de golos de ouro e distribuí-los pelo público. Vemos Jonas lançar para cada adepto um golo como se todos os adeptos de futebol merecessem um golo só seu. É esse o grande destino do nosso herói: inventar todos os dias um golo novo para oferecer aos benfiquistas. Porque é ele o centro do Universo do golo do Benfica.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018



1) Surpreendentes os dois acontecimentos: a boa primeira parte do Benfica e a má primeira parte do Sporting. De futebol curto, muito retraído e quase só à espera de espaços nas costas da nossa defesa, o Sporting foi uma sombra de si próprio - muito pouco para quem quer ser campeão 16 anos depois. De futebol largo, bem pensado por Pizzi, Jonas e Krovinovic e com um Fejsa a fazer de placa giratória e Grimaldo a criar os desequilíbrios por dentro enquanto Cervi abria na esquerda, o Benfica criou jogo e oportunidades suficientes para chegar ao intervalo a ganhar folgadamente. No entanto, no ecrã dizia 0-1. Só mais um exemplo de que o resultadismo é ciência que não encaixa no futebol.

2) Krovinovic, de longe o melhor em campo. Toda a melhoria que o futebol do Benfica vai apresentando de tempos a tempos deve-se à entrada deste miúdo no onze e a forma como Pizzi e Jonas ganharam uma nova vida para voltarem a fazer aquilo que sabem fazer bem: bom futebol. É sobre este trio de craques que a esperança no 37 assenta. Claro, com Grimaldo e Fejsa a acompanhar a orquestra.

3) Incompreensível a substituição de Rui Vitória aos 55 minutos. Retirar Pizzi quase sempre será um erro, já que é um dos melhores que temos para praticar futebol de qualidade, mas, mesmo aceitando a decisão, não se percebe a escolha por Raul. O Benfica vinha de uma primeira parte de domínio territorial, controlava perfeitamente o jogo na segunda, começava a voltar a criar situações de perigo e o que faz o treinador do Benfica? Parte a equipa, estica-a à espera de correrias e rasgões. Não é por termos 10 avançados que marcamos mais golos, professor. Já que Pizzi nao servia (não se sabe bem porquê, estava a fazer um bom jogo), João Carvalho,  por exemplo, poderia ter servido de moeda de troca mantendo a riqueza da posse de bola e do jogo inteligente do nosso lado.

4) A insegurança do Sporting. Nos últimos 36 anos, o Sporting venceu 2 campeonatos. Isso nota-se quase sempre nestes jogos entre rivais, tal é o medo que os sportinguistas têm de perder. Em vantagem no marcador, a equipa limitou-se a tentar defender bem e a abrir bolas nos extremos em contra-ataque. De equipa pequena. Já na segunda parte, após a má substituição de Vitória aos 55 minutos, um treinador com outra visão teria aproveitado o erro de xadrez do professor e atacado o miolo do Benfica, provavelmente marcando mais um e acabando com o jogo. Pela primeira vez, Jesus borrou-se na Luz como treinador do Sporting.

5) O público bipolar do Benfica. De repente, os adeptos do Benfica odeiam Rui Vitória. Bastou parar de ganhar para que o professor passasse a "pior treinador de sempre". Nas bancadas os insultos são muitos, os pedidos de demissão, as boçalidades. Quantos destes seres não andavam no Verão a dizer que "o Vitória arranja substitutos para as saídas, confiem na estrutura e no nosso grande treinador!"? O professor é fraco? É. Mas não começou a ser fraco há 4 meses. Sempre o foi.

6) O Penta. A derrota provavelmente teria destruído o nosso sonho - não só pela diferença pontual (a 6 pontos dos dois), mas pela carga emocional e pela contestação ao treinador. Com o golo de Jonas, ficando a 5 do Porto e a 3 do Sporting, marcando nos últimos minutos de um jogo em que fomos claramente superiores, acredito que temos uma Luz à nossa espera. Com a qualidade individual deste plantel poderemos ganhar todos os jogos até ao fim. Basta que os jogadores acreditem no Penta como nós acreditamos.

VIVÓ BENFICA!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Chegado o Mercado de Inverno

É altura de tomar decisões.

Faltam 2 jornadas para acabar a primeira volta, os próximos 3 jogos do campeonato são de risco altíssimo (Sporting, ir a Moreira de Cónegos e ir a Braga), estamos a 3 pontos do Porto e Sporting, estamos fora de todas as restantes competições, fizemos uma campanha europeia ruinosa e estamos a praticar um futebol fraco e sem sentido.

Queremos o Penta, queremos inverter o caminho desta temporada. Queremos festejar e honrar a nossa grandeza.

Para isso temos de tomar decisões. E já.

Muito se fala que o presidente do Benfica está à espera do jogo com o Sporting para decidir a abordagem ao mercado.

Porquê?

As necessidades que o plantel tem deixará de as ter caso ganhemos ao Sporting?
Se perdermos o derby vão surgir lacunas ainda não são visíveis?

Não faz sentido.

A menos que o presidente queira ainda perceber a melhor forma de se safar.

Aquela ideia que se vencermos é porque afinal somos muita bons mas que se perdermos o salvador aparece com reforços para dar a volta.

A única decisão a ser tomada é a da manutenção ou não do treinador.
Mantendo-se o actual é obrigatório reforçar o plantel.

Se não sobrevivermos às próximas 3 jornadas sou um defensor absoluto em prosseguir o que restar da época com um treinador interino – movido por um amor glorioso e sem os vícios do professor.

Sendo o Vitória o treinador para a época então a luta pelo título fica totalmente dependente de reforços, os quais têm de chegar já. Ontem.

O guarda-redes Vlachodimos tem de começar a treinar no Seixal no dia 2 de Janeiro. Adiar a sua ingressão para Julho seria gestão danosa. Se é este o guardião escolhido então tem de assumir já. O Varela não tem qualidade suficiente e o Svilar não está ainda preparado.

É também crucial um defesa central com qualidade para assumir já o lugar do Luisão ao lado do Rúben Dias. O Lisandro não é esse central e portanto já passou da hora de ir ao mercado.

Um defesa direito a sério também é necessário. O André Almeida não pode passar uma época inteira sem concorrência. Desenrasca mas não faz a diferença. Ir ao mercado buscar quem possa aos poucos ir roubando a titularidade do Almeida.

Um André Horta. Sim. Precisamos de um substituto para o Pizzi. Já o tivemos, já não o temos. Estamos a jogar num 4-3-3 onde nenhum dos dois médios de apoio tem substituto. O banco precisa de um médio, o Pizzi precisa de um concorrente e o Benfica precisa de um 10 a grande nível.

Por fim talvez um ponta de lança. Se o Vitória optar por regressar à formula mais fácil, ao 4-4-2 de repelões e balões para a frente, é essencial ter um ponta de lança. Um avançado forte que jogue entre os centrais adversários. Era o Mitroglou. Não é o Raúl nem o Seferovic. Muito menos o Jonas.

Apostar no Vitória é assumir a necessidade de atacar o mercado de Inverno em força.

Bem sei que é no de Verão que se deve fazer este tipo de investimentos mas foi opção da Super-Estrutura adiar tudo para Janeiro.

Queremos o Penta. Precisamos de Reforços. Mexam-se. Para Ontem. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A TI, ADEPTO DA INTERVENÇÃO QUE TERMINA SEMPRE EM "...mas depois vais festejar para o Marquês"

(adaptado de um post que fiz ontem, num grupo fechado do FB)

Gostava de te dizer, adepto da frase do Marquês, que esse famoso comentário é absolutamente insultuoso, para alguém que goste de pensar. Pensar nas coisas, pensar no que se diz e no que se faz. E é insultuoso na medida em que aquilo que propões é que toda a gente esteja calada, em todas as ocasiões. E, sobretudo, que nunca pense pela própria cabeça. Aliás, que nunca pense mesmo, e use apenas umas frases feitas, que é só a forma mais jumenta e asinina de se dizer seja o que for. É abdicares daquilo que queres realmente dizer para assumir os ditos de outro, por procuração. É a total descontextualização da mensagem.
E ainda assim, com esse fim de frase mal amanhado, propões que não existam críticas. Mas que, se existirem, sejam feitas da forma que tu achas que devem ser feitas, não é assim? E propões que LFV até pudesse ser o maior ladrão da história da humanidade, desde que nos levasse muitos anos ao Marquês. Propões que possa cuspir na história do clube, que se possa estar nas tintas para os sócios, que possa não querer investir na equipa porque quer andar com umas construções para a frente, construções essas que vão dar encaixe de mais uns milhões aos amigos das obras, que depois o ajudam a aumentar exponencialmente a sua fortuna. Como o faz desde que é presidente do SLB, valendo-se desse privilégio, que o mesmo considera como um estatuto vitalício. LFV é das maiores fortunas de Portugal, à custa do nosso clube, e tu achas isso bem. Propões que estejamos contentes porque esse sócio do Sporting e do FCPorto, esse desconhecedor total de Futebol, esse personagem que se enfada com o Jogo, e que não o sente nem sofre como nós, é, em última análise, o tipo que nos tem levado ao Marquês. Propões que abracemos e aceitemos e agradeçamos a esse tipo, que se está a cagar para o emblema, e que só pensa na vaidade e no proveito próprio. Alguém que achou que, ao fim de quatro anos de sucessos, já tinha comprado um número suficiente de sócios atrasados mentais, que preferem que lhes caguem na boca e lhes matem a memória de um clube maravilhoso, desde que os levem para o Marquês. Para festejar, não é isso? E agora pergunto-te eu. O que é que tu vais festejar no Marquês, quando ganhamos um campeonato? Festejas, exatamente, o quê? O facto de teres um presidente que não é benfiquista? Festejas o facto de teres um presidente que "desvia" camiões alheios? Ou festejas o facto de teres um treinador que é um yes man incompetente, escolhido por LFV por ter, exatamente, esse perfil de protozoário? Festejas a saída de Bernardo Silva? Festejas a forma como a nossa formação é vendida, a preço de saldo? Festejas os sucessos financeiros do Jorge Mendes, é isso? Ou dos outros comissionistas? Festejas o empurrão a Guedes, numa altura em que o puto não queria sair, porque festejas sempre o facto de vendermos jogadores por valores que parecem ótimos, nas gordas de um qualquer jornal, mas que, no fim das contas, são ótimos negócios para todos os comissionistas que encontram pelo caminho. Ótimos negócios para todos menos para o clube. Ou talvez festejes o facto de poderes gozar com os teus amigos do Sporting e do FCPorto, em vez de serem eles a gozar contigo.
É disto que se trata? Ganhar mais do que os outros, para poderes mandar mais bocas do que os outros, lá na oficina ou no escritório? Para não te "foderem a cabeça"? Festejas porque odeias os outros clubes, é assim? E também talvez festejes o facto de JJ perder mais um campeonato, porque merece perder tudo, a partir do momento em que te abandonou, não? Pobrezinho do bebé, como se fosses um ex namorado ressabiado, trocado por outro gajo que achas mais feio e mais gordo que tu. É isso? É que eu nem percebo aquilo que festejas, com a crítica e subjacente proposta que fazes.
Eu, quando festejo os campeonatos ou as vitórias do Benfica, nem vou para o Marquês, vê lá bem. O Marquês é o carnaval onde se junta tudo, desde malta de outros clubes até àquele pessoal que lá vai só para gamar e para fazer merda. O Marquês foi transformado numa lixeira a partir do momento em que decidiram profissionalizar a festa e matar a espontaneidade de um coletivo. Eu festejo tudo o que tenho que festejar com amigos e família, em casa ou na rua, no estádio ou à porta dele. Numa qualquer roulote manhosa, a cheirar a ranço, onde bebo jolas e como aquela bifana que me poderá fazer cagar fininho durante dois dias. Festejo em cada esquina onde haja outro benfiquista a festejar. E nem que já esteja todo fodido, em etílicos cantos gregorianos, abraçamo-nos por esse amor comum. Festejo com os meus colegas de bancada de anos e anos e anos, que são também os meus colegas das vitórias e das derrotas. Colegas dos maus e dos bons treinadores, do riso e do choro, dos berros lancinantes e dos insultos cabeludos aos árbitros e suas famílias. Colegas daquelas bocas espontâneas, que tantas vezes partilhamos por audição comum, e que metem filas inteiras a rir. Festejo com esses colegas, os parceiros das grandes noites europeias, é certo, mas também companheiros daqueles jogos onde já não há nada para ganhar. Sim, estivemos lá, no Basileia. E sim, estou sempre lá, sejam jogos de apresentação ou com os rivais diretos, sejam jogos da taça da liga ou jogos a feijões. O Benfica é parte integrante da minha vida, e eu amo o Benfica muito para além das circunstâncias. E, tal como amo os meus filhos, que são o meu amor maior, e como os critiquei nas alturas que achei serem as certas, assim o faço com tudo o que amo de verdade. Sendo duro, muitas vezes. É o que faço com os meus alunos também. Garanto-te que nunca os assobiaria, como nunca assobio o manto sagrado. Qualquer jogador que vista a camisola do Benfica merece a minha consideração e o meu respeito, desde que a respeite como eu. Sei exatamente o que festejo, porque o festejo, onde o festejo e com quem o faço. E nem tu, nem ninguém, serão alguma vez donos dos meus festejos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

20 anos de idas ao Estádio da Luz


7 de Dezembro de 1997. O Benfica recebia o saudoso Salgueiros em jogo a contar para a 12ª jornada do campeonato nacional. Um jogo como tantos outros. O meu primeiro jogo. Pela mão do meu pai, adepto moderadamente fervoroso, encorajado pelo meu tio João, residente na freguesia salgueirista de Paranhos, cidade do Porto, mas benfiquista desde sempre e sócio com quotas em dia mesmo vivendo na Invicta e com a companhia da minha prima Ana Rita, assim foi, naquela noite fria de 1997, que me estreei presencialmente no velhinho gigante de betão.

O jogo foi como tantos outros da década de 90. Partindo em 4º lugar, atrás de Rio Ave e Vitória de Guimarães e já a 8 pontos do líder FC Porto, aquele Benfica onde coabitavam génios como João Vieira Pinto e Michael Preud'homme com jogadores de qualidade sofrível (chamemo-los assim, para sermos simpáticos) como Tahar, El-Hadrioui, Panduru ou Taument, empatou a duas bolas com Salgueiros.

As memórias sobre esse dia e desse jogo, pese embora os 20 anos que me separam da data e o facto de ter apenas 7 anos de idade à altura, são mais que muitas. Desde a meia volta que tive de dar ao recinto para conseguir entrar na porta certa, para me sentar no topo norte (cadeira ou cimento?) até ao assoberbamento pela dimensão do Estádio e pelo ambiente. Sentia-me em casa. Tantas vezes tinha pedido para ir ao Estádio da Luz e finalmente, com sete anos e meio, o sonho tornava-se realidade. Havia uma felicidade em estar ali que ainda hoje sinto.

Dali para a frente, mais duas idas à Luz nessa temporada. Para assistir a um empate com o Estrela da Amadora numa tarde chuvosa (bis de... Martin Pringle!) e a primeira vitória, numa tarde solarenga de primavera, por 3-1 contra o Desportivo de Chaves. Historias de jogos a que fui e de jogos aos quais não marquei presença. Uma noite de chuva torrencial na qual, semi-abrigado no túnel de acesso à bancada, vi o Benfica, após estar a perder 0-2 ao intervalo com o Varzim, virar para 3-2. Aquela tarde em que recebemos a Fiorentina de Nuno Gomes para jogo de apresentação com o Estádio à pinha. E o que chorei por não ter ido ao derradeiro jogo da Catedral contra o Santa Clara.

Não são muitas as recordações da antiga Luz. Nem o tempo em que as vivi corresponde a um período perto de ser positivo na História do Benfica. Ainda assim, é com muita saudade que recordo o tempo em que a inocência de uma criança permitia acreditar que uma equipa composta maioritariamente por marretas seria capaz de ganhar jogo após jogo até à conquista de um campeonato que escapava há demasiado tempo.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Por mim. Pelo Futebol em Portugal

Há alguns anos atrás comecei a seguir pontualmente os vários programas “desportivos” que passavam na televisão.

Havia menos canais, havia menos programas e havia mais futebol.


Durou pouco tempo essa minha assiduidade. Rapidamente me fartei. O número de programas aumentou (já eram uns 5!) e a desonestidade intelectual, a clubite aguda e as arbitragens tomaram conta do tempo de antena.

Tomei uma decisão. Chega! Não ia mais dar àquele peditório nem continuar a permitir que certas pessoas criassem curto-circuitos no meu cérebro com as suas desargumentações.


Seleccionei 2 programas de televisão e um de rádio e passou a ser somente essa minha rotina semanal. Longe de polémicas inventadas e mais próximo da bola.

O tempo passou, a polémica aumentou, mais casos e casinhos assaltaram o Futebol português e o jogo começou cada vez mais a disputar-se nos canais televisivos.


Principalmente nos últimos 3 anos houve uma grande mudança de paradigma no futebol português. As exibições passaram para segundo plano. Os resultados dos jogos passaram a servir somente como pedras de arremesso e auxiliares de argumentação.
A impressão que passa é que o verdadeiro campeonato é disputado por comentadores, cartilheiros, directores de comunicação e funcionários das televisões dos clubes.


Ao ter sido convidado a escrever neste espaço, senti um crescer da responsabilidade de saber tudo sobre tudo o que se ia falando à volta do fenómeno do futebol.
A minha consciência obriga-me a estar totalmente informado para poder opinar com autoridade sobre qualquer assunto.


Nesse sentido, para poder responder aos que me procuram e aos que aqui comentam, desatei a ver diariamente todos (ou praticamente todos) os programas “desportivos”.

E assim tem sido.

Sei que ter o conhecimento é muito diferente de participar no circo mediático. Oiço mas não falo. Dou a minha opinião quando me perguntam mas não entro em polémicas nem em prostituições intelectuais.

Sei que não sou um participante activo neste clima mas está na hora de também não ser um participante passivo.

As estações de televisão perderam a vergonha. Permitem que os clubes definam quem eles contratam. Ignoram a importância do serviço público. Só se importam com as audiências.

Portanto decidi fazer a minha parte e não mais ser um incremento desse indicador.

Já o tinha decidido fazer, e comunicado ao meu circulo de discussão, no inicio da semana passada. O pós-clássico só veio acelerar a concretização.

Quem quer uma mudança e uma limpeza no futebol português não se pode ficar pelas palavras. Pelas palavras ficam os dirigentes dos nossos clubes.

Temos de fazer a nossa parte e isso não se resume à nossa postura perante o jogo. Temos de reduzir os programas televisivos ao que têm sido – lixo.


Apelo à greve dos telespectadores. Ignorem todos os programas que sejam apenas uma arena de interesses e um divulgador sensacionalista de pequenas podridões.

Os portistas terão sempre um filtro azul. Os sportinguistas um filtro verde. Os benfiquistas um filtro vermelho. Esse nunca será o problema. Hoje vai é tudo muito além disto.

Eu vou fazer a minha parte. Cada um que faça aquilo que sentir na consciência dever fazer.

Voltarei a remeter-me a 2 ou 3 programas semanais, todos escolhidos a dedo. Quero mais Futebol. Quero menos curtos circuitos. Quero sentir o cheiro da relva enquanto vejo televisão. Quero parar de deixar que me tentem fazer de idiota.

Quero programas a falar de bola. E apelo a que os apaixonados pelo jogo acordem pois há muito mais a discutir do que os 3 grandes.

A massa associativa do Guimarães não merecerá que se fale mais no seu clube?
O crescimento do Braga nos último 10 anos não terá direito a um maior espaço mediático?
O que o Rio Ave tem conseguido com bom futebol, ano após ano, não merecerá maior discussão?
A segunda liga irá continuar a não existir para o telespectador?


Quando se começar a discutir menos as polémicas, quando se cortar o tempo de antena às mentiras e aos mentirosos, irá sobrar tempo para trazer o Jogo ao comentário.


Começarei a minha nova rotina esta Quinta com o exemplar Grande Área. 




sábado, 2 de dezembro de 2017

Olhar sobre o Clássico

Entrada de águia. Entrada à Benfica.

Bom 11, boa atitude e boa preparação.

Uma equipa equilibrada, a fazer uma pressão em bloco e com os criativos sempre a dar e a procurar as linhas de passe.

Foi assim que entrámos no Dragão.

Assumimos a bola. Fomos para cima deles. Partimos a equipa portista que não conseguiu ter a bola controlada para começar jogadas de ataque.

5 minutos. 10 minutos. Uns 15 minutos de grande Benfica. Um arranque de jogo onde podiamos ter marcado.

Pena ter durado só um quarto de hora, um 1/6 do tempo regulamentar.

O entusiasmo inicial passou e o Porto começou a reagir. Inicialmente só com bolas bombeadas para o Marega - um poço de força e velocidade - que pela linha deixava todos para trás. Contudo o maliano - também um deficitário em técnica - se ia atrapalhando depois dos piques.

Mas estes arranques foram dando moral ao Porto e foram expondo aos poucos as nossas deficiências de jogo, algo que foi fazendo a equipa caminhar para as exibições comuns desta primeira metade da época. 

O Salvio bem marcado não teve espaço para as suas correrias. Desapareceu.

O Grimaldo perdeu liberdade para subir. É um ala esquerdo e nunca o defesa esquerdo. Perdeu ele e perdeu o Cervi. 

O Jonas começou cada vez a ficar mais sozinho. O Pizzi limitou-se a trabalhos defensivos. Só o Krovinovic parecia poder trazer alguns desiquilibrios no nosso ataque.

O Porto foi crescendo na primeira parte. Começou a ter mais bola, o Herrera pôde falhar sem consequências, o Sérgio Oliveira começou a ter mais bola para pensar, o Brahimi apareceu mais e o Aboubakar começou a jogar.

Uma primeira parte sem grande história, muita luta e com o Benfica a começar melhor mas com o Porto a terminar por cima.

Sobre a segunda parte quase prefiro não falar. Não falaria por me custar mas nunca pode ser esquecida. Porque sim, o Benfica sai pontualmente vivo do Dragão mas pareceu morto durante aqueles últimos 50 minutos.

Minutos fáceis de resumir.
O Sérgio Conceição voltou à fórmula do inicio de época ao colocar o Otávio no lugar do Sérgio Oliveira. O Rui Vitória achou que a equipa não jogava por falta de força no meio-campo e por isso lançou, ineficazmente, o Samaris. O Sérgio Conceição a desesperar por marcar de certeza que se arrependeu de ter tirado o Aboubakar. O Porto esmagou e, com toda a facilidade, criou várias oportunidades de golo. O Varela esteve concentradissimo e mostrou que entre os postes é bastante bom. O Marega foi um desastre, primeiro na condução e depois na finalização. O Benfica não atacou e não sabe defender. O Porto foi para cima e o Benfica simplesmente não jogou.

Foi algo muito pobre e totalmente inaceitável aquilo que fizemos na segunda parte. Espero que o Rui Vitória tenha noção e que trabalhe sobre isso, deixando-se de ilusões e de chavões de auto-ajuda.

Este Benfica esteve morto até o apito do Jorge Sousa nos ressuscitar com um empate que nos mantém a 3 pontos da liderança. Mas e agora? Seremos Benfica ou uma sombra de nós próprios?

Sobre as polémicas:

Percebo que um árbitro tenta desenvolver um plano de arbitragem durante os 90 minutos. Há o Bom Senso e esse protege o espectáculo. Contudo erros são erros.

Amarelo por mostrar ao Filipe logo no inicio do jogo. Penalty do Luisão a fechar a primeira parte. Fora-de-jogo mal tirado ao Porto numa jogada de muito provável golo do Herrera. Falta e amarelo por mostrar ao Alex Telles por mão na bola.
Já o Zivkovic foi bem expulso.

O Benfica fará figura triste se andar a falar sobre a arbitragem deste jogo. É respirar de alivio pelo empate e focar na pobreza que foi aquela segunda parte.

O Porto tem total razão em se queixar da arbitragem. Passar a semana a falar disso será só desespero. Deviam preocupar-se mais com a qualidade exibida pelo Marega, com o desaparecimento do Óliver, com os desempenhos do Herrera, com as inseguranças do José Sá e com a falta de banco de qualidade em termos de soluções de ataque.

Quanto à situação do adepto não espero nada menos que um jogo no Dragão à porta fechada. 

Depois da vergonha europeia, este mês vai decidir a nossa continuação na Taça - jogo em Vila do Conde - e na Taça da Liga - recepção ao Portimonense e jogo no Bonfim, numa disputa acesa com o Braga.
Além disto, vai também definir como chegamos ao Derby na Luz.

Benfica - Estoril
Boavista - Sporting
Setúbal - Porto

Tondela - Benfica
Sporting - Portimonense
Porto - Maritimo

Cinco vitórias crucias e uma vitória, com o Basileia, pela honra do manto.
Portanto, que Benfica iremos ter? Um Benfica lançado ao Penta ou um Benfica moribundo?
Passo a palavra ao Rui e a bola aos jogadores.

Isto sem nunca esquecer o quanto lindo é vermelho e branco.