quarta-feira, 21 de junho de 2017

O segredo do Penta



"Tenho o objetivo de ir ao Mundial'2018 e é para isso que trabalho todos os dias. Quero fazer melhor a cada ano para captar a atenção de Tite"

Se fosse preciso mais alguma coisa para querer manter Jonas mais uma época - como se o facto de um génio usar a Gloriosa não fosse suficiente -, ela aqui está: a motivação que o Pistolas tem para chegar ao Mundial. Jonas este ano fará a melhor época da sua carreira.

Vieira e Vitória, deixem lá os números e os milhões e os 433 e as mudanças tácticas. Querem o Penta? Mantenham Jonizzi e Grimejsa.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Em@il

Cerca de duas semanas depois de o caso dos emails ter vindo a público pela mão do director de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, após a pálida reacção do Benfica e depois de lidas e discutidas diversas opiniões, a minha própria ideia encontra-se formada e até ver é tão desinteressante e sensaborona como este caso dos emails.

Em toda a história, parece-me da mais elementar importância saber se aquilo com que somos confrontados é, em primeiro lugar, real e não uma "inventona". Dada a ausência categórica de resposta em contrário por parte do Benfica, nomeadamente sob a forma de comunicado ou pela voz do seu incompetentíssimo e inábil director de comunicação, Luís Bernardo, parece-me seguro afirmar que a troca de correspondência electrónica efectivamente existiu. Se foi adulterada ou não, parcial ou totalmente, parece-me mais questionável. E vindo de quem vem, é uma suspeita a ter sempre em conta. Não acreditem em tudo o que vêem na televisão ou lêem na internet.

Igualmente interessante parece-me ser o conteúdo dos emails. Especialmente porque aquilo que nos tem sido vendido por parte da comunicação do FC Porto como uma grande teia de corrupção desportiva (olhem quem) não parece ser, nem de perto nem de longe, aquilo que os azuis-e-brancos queriam e gostavam que fosse. A linguagem utilizada e as frases tornadas públicas parecem apenas demonstrar que o esquema que dominou o futebol luso durante as últimas três décadas terminou em definitivo graças à acção de Luís Filipe Vieira (o "primeiro-ministro"). Não há evidência segura de corrupção activa, de ofertas de prostitutas a árbitros, de depósitos em contas de fiscais de linha (ou mesmo o afastamento de Vítor Pereira da UEFA). Há isso sim, uma queixa de uma nota atribuída a um árbitro cujo processo pelo qual foi conduzida a queixa deixa antever que as coisas podem efectivamente não ter sido efectuadas pelas vias legais ou, mesmo sendo, de forma pouco ética. Coacção? Sim, talvez. Da mesma forma que a coacção continua a ser exercida pelos outros grandes do futebol português, bastando ver as ameaças dirigidas pelo director desportivo do FC Porto, Luís Gonçalves, ao árbitro do último SC Braga x FC Porto ("a tua carreira vai ser curta") e que por acaso culminou com a descida do dito juiz à segunda categoria, ou as ameaças diárias oriundas do reino da oligofrenia verde-e-branca, onde presidente, director para o futebol, treinador, director de comunicação e comentadores do canal de televisão do clube perseguem e incitam persistente e diariamente ao ódio contra árbitros, rivais e dirigentes do futebol português.

Será, necessariamente, do interesse público e igualmente dos benfiquistas com escrúpulos que este caso seja investigado. Com celeridade e honestidade. Para já, as "provas" apresentadas parecem ser pólvora seca disparada no contexto do desespero pelos resultados desportivos e financeiros apresentados bem como uma tentativa de condicionar decisões futuras dos árbitros nos jogos do Benfica. E precisamente numa altura de enorme ruído e de estratégia de intoxicação da opinião pública, apareceu o Sporting com aquele que, em tempo de suspeita, pode ser um aliado do Benfica no caso de ser prejudicado em face deste clima: o vídeo-árbitro. Seria de uma sublime ironia.


domingo, 18 de junho de 2017

Os jogadores festejam, depois esperam. Depois metem, depois tiram. Depois festejam. O vídeo-árbitro é o golo interrompido.

Concerto de Aranguiz


Aranguiz faz parte de um lote raro de jogadores que, sendo extraordinários a jogar futebol, não recebem sobre eles o foco mediático. Fazem um jogo tão simples na qualidade, tão solidário, combinativo, tão generosamente aproximando a equipa do golo a cada acção no relvado, que passam ao lado do olhar menos atento da generalidade dos adeptos.

O futebol de Aranguiz é fluido, é luminoso, é belo. Mete na boca três pastilhas gorila, mastiga-as até ganharem a consistência certa e depois cola-as entre a bola e os restantes jogadores. Inventa elásticos para o golo. Faz ligações para trás,  para o lado, para a frente, entre os adversários. Põe o jogo todo dentro de um balão gigante a cheirar a laranja. Um futebol para acompanhar com vinho chileno e Paco de Lucia.

 https://m.youtube.com/watch?v=e9RS4biqyAc

sexta-feira, 16 de junho de 2017

"Barulho"

Os últimos dias trouxeram notícias bem diferentes daquelas a que nos habituámos nestes tempos de conquistas. Mas, não esqueçamos, o sucesso não atrai apenas mais vitórias. Não. O sucesso atrai o medo alheio. Quero acreditar que este "barulho" todo é apenas isto: medo alheio. Medo desta grandeza que enche estádios, move milhões.

O Sport Lisboa e Benfica é muito mais do que este "barulho" todo. É muito maior do que todo o medo alheio. Por isso e porque sou incapaz de acreditar que alguém que se diga benfiquista faça mal ao nosso clube, escrevo, sem hesitações: não ousemos desistir de defender a nossa história que se escreve a cada dia. Este silêncio faz mal e deixa dúvidas. E o Benfica, o nosso Benfica, é feito de certezas. Acabemos, então, com este silêncio.

Não foi este o tema com que sonhei para a minha primeira publicação. Mas... Porra... Defendamos o Benfica. Sempre.

André.


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Uma honra ser deste nosso Benfica



Quero dizer-vos que, se o Benfica fosse este blogue, o Glorioso estaria defendido de gatunos. Uma lição, aquela que a maioria dos benfiquistas aqui veio dar a todos os portistas que desvalorizaram o Apito Dourado, a todos os sportinguistas que fingiram não saber dos actos de Paulo Pereira Cristóvão e sobretudo uma lição a todos os benfiquistas que só vêem orelhas à frente. Lição de integridade e decência.

Por muito menos - mas muito menos! - do que ouvimos no Apito Dourado ou soubemos de um Vice-Presidente do Sporting, a maioria gloriosa deste blogue mostra-se indignada com o que tem saído. É uma honra ter-vos como leitores. É um prazer defender este nosso Benfica.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Pedro Fernando dos Santos Alves Guerra



Como Jesus, Pedro Guerra passou de herói a pária numa semana.

Verdadeiro domador de multidões, Guerra passeava-se pelo Estádio, pelas rulotes, pelos pavilhões recebendo gritos de incentivo

- Força,  Doutor! Continue a defender o Benfica!!!

abraços, amassos, selfies. Nas redes sociais, bastava aparecer alguém a avisar

- Cuidado, que esse tipo não vale nada!

e logo a horda ululante nos caía em cima, indignada:

- O Guerra é que nos defende, abutre! Não podemos ser anjinhos! O Guerra vai para a guerra por nós! O Guerra faz mais pelo Benfica do que vocês,  seus papagaios!

E a gente divulgava vídeos do Guerra a ligar para a BenficaTV com a mão no nariz fingindo ser outra pessoa, mas nem assim. Que aquele não era o Guerra!, que nós estávamos a inventar, usado um programa especial de adulteração de vozes, NASA metida ao barulho e tudo. E se fosse o Guerra?

- Quero lá saber. Ele defende-nos. O Guerra defende-nos. Não podemos ser anjinhos! Olho por olho, dente por dente!

Mas agora o Guerra foi apanhado a ter uma conversa idiótica com um ex-árbitro. Agora a BenficaTV pôs gente a falar mal do Guerra. Agora o Presidente disse aos sócios:

- Não falem no que o Guerra fez!

Agora o Guerra está na miséria. O Guerra já é insultado no Estádio da Luz. O Guerra foi para a TVI24 com um ar acabado, praticamente falecido. Mas o Guerra não vai ser expulso do Benfica por valores morais; o Guerra foi contratado precisamente por não ter escrúpulos nenhuns, que era para ficar em sintonia com os restantes dirigentes do Benfica.

O Guerra vai ser queimado em lume brando na BenficaTV, no facebook dos cartilheiros marinhos, em declarações mais ou menos veladas. Dirão, fingindo:

- Não se aproveitem do momento. Não falem no assunto. Temos de estar unidos!,

enquanto vão deixando pistas nos textos que fomentem o ódio ao Guerra. E a horda ululante, por mais que o Ontem vi-te no Estádio da Luz avise, não vai sequer perceber que foi direccionada para odiar o Guerra, tal como foi com Jesus. E, se preciso for, será direccionada para odiar o Rui Vitória, o Rui Costa,  o Eusébio. O que importa é não direccionar a raiva para o verdadeiro culpado.

sábado, 10 de junho de 2017

Um treinador chamado Vítor Manuel



É muito curioso como deixamos que percepções às vezes tão ténues, tão baseadas em coisas sem corpo, possam crescer e dêem lugar a certezas erradas sobre os outros. A minha percepção sobre o Vítor Manuel era a de qualquer adepto que tenha passado os anos 80 e 90 a ver futebol e o tenha visto em vários bancos de várias equipas da Primeira Liga: um gajo de voz rouca que gesticulava muito e pouco mais. Havia em mim uma certa arrogância que é típica de um adepto de equipa grande, menorizando ou não querendo perceber o que estaria sob a capa mágica de mister. Afinal, quem seria Vítor Manuel?

Ultimamente tenho acompanhado o Vítor n'A BOLATV e no melhor programa de histórias de futebol - Bar Sportv. Confesso-me apaixonado pela personagem carismática, pelo discurso sereno e louco ao mesmo tempo,
pela bondade, pelo conhecimento que tem do jogo, pela inteligência emocional. E depois pergunto-me sobre tantos treinadores que desapareceram da ribalta ali por volta da aparição de Mourinho, muitos tidos como "atrasados tacticamente", "ultrapassados", "de visão curta", etc. Pergunto-me porque tenho a certeza, bastando para isso ouvir o Vítor Manuel a falar de futebol, que ele poderia treinar uma equipa da Primeira Liga e fazer muito melhor do que tantos, velhos e novos, que por aí andam.

Se conhecerem o Vítor Manuel, dêem-lhe um abraço por mim.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O Túnel da Luz



Os mais novos talvez tenham lido o título e pensado que vinha aí uma crónica sobre estranhos pontapés de Hulk em stewards na Nova Luz, mas não é nada disso. Podem sair daqui e voltar para o Hugo Gil, Pedro Guerra ou Guachos Vermelhos onde certamente verão um benfiquismo orelhístico de grande monta. Não, o túnel da Luz é outra coisa.

O Túnel da Luz estava à nossa espera em dia de jogo. Jibóia de betão que já antecipava a chegada do Povo Glorioso vindo de Bragança, de Chaves, de Braga, de Coimbra, de Faro, de Beja, de Castelo Branco. Já sabia que os benfiquistas do Porto viriam, que os benfiquistas de Peniche chegariam, que os benfiquistas de Elvas haviam de voltar. O país encontrava-se no Túnel da Luz e cantava.

Mas antes comia e bebia onde agora é o Colombo. Deixava o Túnel em descanso à espera. Comíamos e bebíamos naqueles terrenos à solta. Gente que acendia fogueiras, gente sentada em bancos de madeira em redor de barracas de onde saíam cheiros de chouriças e caldo verde. As carnes na brasa, a gordura a pingar para as camisas, a entremeada a entremear a viagem e o jogo de bola. Um puto trouxe uma bola e deu-lhe 100 toques sem deixar cair na lama onde hoje é a Bershka. Um Pai abraçava o Pai, os dois com copos de vinho nas mãos onde hoje é a Worten. Mulheres davam beijos aos netos onde hoje é a Fnac. Três cães vestidos à Benfica farejavam cadelas onde hoje é a Portugália.

O túnel ali esperava, em coração de cimento, alcatrão, luzes e areia. Os benfiquistas iam percorrendo-o a conta-gotas, vindos da gastronomia benfiquista. Ia enchendo. Já se viam fumos a sair do Estádio, os cânticos da Luz já ecoavam, a Mística fazia a sua mezinha, hipnotizando o Povo Glorioso em direcção ao Benfica. Íamos por dentro dele e cantávamos.

Depois, o jogo.  A noite europeia ou a goleada nacional. Às vezes, a desilusão, a tragédia, a tristeza. Mas nem assim o Túnel da Luz desistia. Ganhando (quase sempre) ou perdendo (quase nunca), saídos da Luz ansiávamos por aquela acústica. Mas custava chegar. O Povo Glorioso com o seu exército de 100.000 pessoas demorava-se a chegar ao Túnel. Pais punham os filhos nos ombros como se eles fossem óculos de submarino. Nós, putos, rodávamos a 360 e dávamos as coordenadas aos pais sobre o tráfego glorioso. Ainda faltava uma hora para o Túnel da Luz. Preenchíamo-la com discussões técnico-tácticas e críticas às substituições do treinador mesmo que tivéssemos ganhado por 6-0.

Finalmente, o Glorioso Túnel da Luz. Um orgasmo. A acústica sem limites para aguentar milhares de benfiquistas a cantar músicas do Benfica. Dois orgasmos. 1904 orgasmos juntos a estalar o betão. O Benfica é a mais maravilhosa maluqueira do mundo.


terça-feira, 6 de junho de 2017

SuperSérgio



Não faz sentido nenhum tentar contratar Jorge Jesus e Marco Silva, não conseguir e ir buscar o Sérgio Conceição. Os perfis são tão distintos que revelam uma navegação errante por parte de quem decide. Não foi possível chegar à competência, altera-se o rumo e tenta-se o "Somos Porto" do Espírito Santo, versão hardcore?

O problema para o Porto é que os anos 80 e 90 já passaram; já não é possível construir vitórias apenas sustentadas em murros na mesa, caras de maus, ameaças aos árbitros e uma comunicação entre a espionagem aos rivais,um discurso provinciano e uma paranóia generalizada.

É certo que Conceição e Francisco Marques incendiarão o futebol português: não ouviremos falar no jogo mas ser-nos-āo servidas doses massivas de queixas sobre os árbitros, suspeitas sobre os vídeo-árbitros, teorias mirabolantes sobre as motivações dos jornalistas desportivos e, claro, um ódio permanente ao Benfica.

Por mim, óptimo. Fica mais perto o Penta com um rival que tem um treinador que ainda vive da motivação física, dos calduços nos jogadores e no bafo de Guarda Abel sobre a comunicação social. Mas fica a pergunta:

O Porto está a contratar um treinador ou um SuperDragão?

E assim, com uma tirada genial que é a assumpção de que mexe cordelinhos no sistema português e pretende alargar poderes, Bruno de Carvalho conseguiu destruir a estratégia comunicacional sportinguista dos últimos 4 anos.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

JONIZZI, O MONSTRO DE 4 PERNAS E DOIS GLORIOSOS CÉREBROS 



1h12m55s. Excelente corte de Luisão, recuperação, bola em Salvio, passe falhado de Salvio, Vitória recupera, Luisão - imperial - volta a cortar. Bola para o Benfica. Repare-se no que vai acontecer e na importância fulcral de ter não só jogadores extraordinários como Jonas e Pizzi pelo valor dos dois individualmente mas pela forma como os dois funcionam entre si. Jonizzi, o monstro com duas cabeças, 4 pernas, 4 braços e cérebros gigantes, garante títulos atrás de títulos porque é mais inteligente e mais criativo do que todos os outros.

1h13m07s. Semedo, bem, mete no meio em Samaris que procura Pizzi. Pizzi vai meter no Jonas não para uma transição rápida mas para dar tempo à equipa de ir subindo - usa o fio invisível do passe vertical mas sabe que é só um engano. Fá-lo para trás, para o lado? Não, usa o apoio frontal que lhe dá Jonas, que vai, com toda a sua técnica e brilhantismo, meter de primeira em Samaris já com a equipa devidamente posicionada de frente para o jogo e distribuída para poder ser letal. Eis o segredo fundamental: fazer transição sem histeria. Poder chegar à baliza adversária rapidamente mas sem pressas. Porquê? Porque vai ser mais fácil encontrar o caminho do golo pela rota menos óbvia do que se começarem todos a correr desalmadamente para a frente. O caminho que nenhum jogador do Vitória poderia imaginar. Xadrez no Jamor.

1h13m15s. Segue bola pelo corredor lateral. Salvio percebe que não pode entrar,  excelente Jiménez a deixar Jonas na profundidade para ir ele dar apoio ao argentino. A equipa compreende que tem de recriar. Voltar atrás, criar de novo, ir pelo centro. Excelentes, Samaris, Pizzi e Luisão a criar um triângulo à volta de Marega enquanto o golo já se está despir lá mais à frente. No Vitória ainda ninguém percebeu o que se prepara para fazer Jonas. Mas Semedo percebeu e foi correndo sorrateiramente pela linha. Salvio viu o lateral a subir e atirou-se, qual carteirista de Buenos Aires, para a zona da molhada, criando o caos na área vitoriana. E agora, senhores, silêncio que Jonizzi, esse monstro de talento desmesurado, vai planar pelo relvado.

1h13m30s. Ver dezenas de vezes o que Jonizzi acaba de fazer. Ver, rever, ver, rever porque no futebol há muito poucos monstros como Jonizzi. É uma diagonal perfeita, tão maravilhosamente traçada que, apenas com um passe extraordinário de Pizzi e uma fabulosa movimentação de Jonas, destrói a organização do Vitória, criando condições ideais para o cheque-mate (repare-se na movimentação de Celis que, perdido, dá um passe para o lado contrário). Aquele passe só sai porque Pizzi sabe que Jonas vai para ali. Pizzi não vê Jonas ali porque ainda não está lá mas Pizzi é a única pessoa que compreende o génio de Jonas e por isso passa-lhe a bola para o sítio onde ele há-de estar - o monstro Jonizzi a criar futebol que nunca aparecerá numa estatística ou na percepção geral do adepto que olha mas não vê.

1h13m36s. Tecnicamente perfeito, o passe chega a Jonas que já tem o golo na cabeça há 30 segundos mas ainda tem de resolver um problema: retirar Celis do caminho, que vem desalmado pelo nó cerebral que o passe de Pizzi lhe havia criado. Jonas a dar lição de paciência na construção do golo: não procurou rodar para a esquerda, não quis rematar ou forçar o caminho central. Jonas já sabia o que tinha a fazer a partir do momento em que saiu da zona dos centrais: abrir o corredor. É isso que faz: um ligeiro toque retira Celis para a berma da rota definida, depois o passe cheio de mel que Semedo recebe e o aproveita com um cruzamento como mandam as leis matemáticas do jogo. O carteirista Salvio, aproveitando os solavancos e confusões de uma defesa vitoriana já totalmente à deriva, rouba todas as carteiras com um cabeceamento perfeito. Louco, abraça-se a Jonas e começam a correr pelo relvado a cantar Gardel: "esta noche me emborracho".


O Benfica é uma maravilhosa maluqueira


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cronologia do Maior Roubo da Mística



1) Jorge Jesus, que quer ser o responsável pela "potenciação" de jogadores escolhidos por ele nas madrugadas a olhar para o Brasileirão, despreza o talento de um génio formado no Benfica desde criança, um miúdo completamente apaixonado pelo clube que é avistado várias vezes nas rulotes, nas bancadas, na Luz ou em qualquer estádio por onde passe o Benfica.

2) Vieira, perante a pouca utilização do génio por parte do Catedrático, empresta o jogador ao Mónaco. Na comunicação aos sócios e adeptos, o negócio é apresentado apenas como empréstimo porque Vieira, sempre o maior populista, sabe que os benfiquistas conhecem o talento do génio e não aceitam que o jogador seja despachado. A maioria benfiquista, sempre maravilhada com o negociador implacável, aplaude o empréstimo.

3) Vieira, numa entrevista posterior, introduz uma frase bem no seu registo, assim como quem não quer a coisa: "há para lá umas cláusulas". Ou seja, a maior parte dos benfiquistas, sempre maravilhada com o Grande Presidente, não ligou para aquela pequena frase, dizendo que estava tudo controlado - o jogador era nosso e continuaria a ser. Os que ligaram e escreveram sobre isso, alertando para o perigo que a frase anunciava, foram insultados de tudo. Uns abutres que só sabem é dizer mal e não apoiam, naturalmente.

4) Meses depois, o Benfica anuncia a venda de Bernardo Silva por 15 milhões de euros. Os abutres passam-se com O Maior Roubo da Mística, relembram o que já tinham dito aquando da famosa frase "há para lá umas cláusulas". A maioria benfiquista, sempre maravilhada com o Extraordinário Líder e tudo o que ele faz em todos os segundos, clama: "grande venda! Um miúdo da formação que nem jogou na equipa principal vendido por estes valores! Obrigado, Vieira!". Mas não só Vieira. A maioria benfiquista, sempre de acordo com todas as decisões de todos os funcionários do clube - desde as opções do roupeiro às opções do Presidente - concorda com o grande mister Jesus: "o miúdo ainda estava muito verdinho". Pedro Guerra, na Benfica TV, passa semanas a difundir esta mesma mensagem: a miudagem da formação não tinha qualidade suficiente para jogar na equipa principal. A malta, que adora cheirar as cuecas do Maior Representante do Bairro das Furnas, concordava, naturalmente.

5) O Benfica tenta despachar Jorge Jesus para as arábias. Jorge Jesus recusa e aceita conversar com o Sporting. Vieira arrepende-se e tenta recrutar Jesus de novo. Jesus não atende o telemóvel, é apresentado no Sporting. Ventoinha, o Maior Presidente do Benfica que o bairro já viu, envia a máquina propagandística atacar de todas as formas o Mestre da Cátedra. Entre as várias mensagens a difundir na Benfica TV para denegrir o ex-treinador, a cartilha diz: "Jorge Jesus só usava Bernardo Silva a lateral-esquerdo!". Os comentadores da BenficaTV, que nos 6 anos anteriores passaram os dias a venerar o Pastilhas da Reboleira, inclusivamente insultando os abutres que se aventuravam a criticar o Grande Treinador - quem não se lembra do escabroso episódio em Londres, com Jesus a empurrar o Senhor Shéu, os abutres a defender o Senhor Shéu e a maralha, sempre ávida de snifar as meias de todos os funcionários do clube, a vociferar contra os abutres? -, passam a atacar vergonhosamente o Catedrático em todos os programas. Dois anos depois, ali continuam eles a ler a cartilha no canal do clube e em programas em outras estações, com a lata própria de quem não tem vergonha na cara nem espinha onde assentar a dignidade.

6. Bernardo é vendido para o City por 60 e tal milhões de euros. O dinheiro que, bastando ter um Presidente benfiquista, o Benfica deveria estar hoje a receber. Mas não. A culpa é só do Jesus, que antes era muita bom e até podia empurrar o Senhor Shéu e agora é o Diabo na Terra.

7. O Maior Roubo da Mística passou com uma cagança tal que, para a maralha sempre prontinha a deitar-se no chão para deixar passar o Rei dos Pneus, em 26 de Maio de 2017 se resume a um boçal "grande venda por um lateral-esquerdo!!!! loooooooooooooooooooooooooool"

domingo, 21 de maio de 2017

Sport Norte e Benfica



As pessoas que não conhecem o Benfica cometem um pecado muito grave que é o de achar que o nosso clube é mero património de Lisboa ou do Sul. É por isso que dizem coisas imbecis como chamar "tripeiros" aos portistas achando que os estão a insultar sem perceber que estão a insultar todos os portuenses benfiquistas.

O Sport Norte e Benfica é tremendo. Beiras, Douro, Minho e Trás-os-Montes. Um universo de uma paixão gloriosa que se incendeia e dá amor eterno sem pedir nada em troca. Gente que sai de Bragança,  de Caminha, de Chaves, do Porto, de Famalicão,  de Guimarães,  de Braga, de Viseu,  de Paredes, de Mirandela, de Aveiro. Gente que de manhã leva o sonho de ir ajudar o Benfica à Luz e chega a casa de madrugada quando duas ou três horas depois tem de acordar para o trabalho.

Benfiquistas ignorantes, respeitem o Sport Norte e Benfica.  Respeitem o Sport Mundo e Benfica. Há mais benfiquistas na cidade do Porto do que há portistas. Não sejam grunhos. O Benfica tem todos os sotaques no seu símbolo.  O Benfica é universal. BIBÓ BENFICA!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Os 4 Indispensáveis



Todas as saídas de todos os bons jogadores são tristes; este ano não será excepção. Lá veremos alguns craques serem vendidos para o estrangeiro a troco de umas dezenas de milhões - ou nem isso.

Compreendendo que, no Benfica e ao contrário do que diz desde 2009 o sportinguista que manda nas contas do clube, todos os anos é essencial fazer duas ou três grandes vendas, consigo aceitar - apesar da tristeza - as saídas de Ederson, Semedo e Lindelof. Se possível, apenas dois deles, já que se os três saírem teremos de reformular mais de metade da zona mais recuada da equipa, o que é naturalmente um perigo.

Depois há jogadores de qualidade que poderão sair, embora o preço de venda não valha a sua saída: Júlio César, Lisandro, Samaris, Salvio, Carrillo, Cervi, Horta, Rafa, Mitroglou, Jiménez. Seria importante manter esta fornada porque, não sendo insubstituíveis, são jogadores experientes e muito importantes para criar e manter um plantel capaz de lutar em todas as frentes.

Por fim, os 4 indispensáveis. Tivesse eu orelhas grandes, bigode e três cartões de sócio dos três grandes na minha carteira, não venderia de maneira nenhuma estes 4 génios: Grimaldo, Fejsa, Pizzi e Jonas. Porque podem ter a certeza: com tanta qualidade, talento, inteligência e criatividade em campo, só por milagre o Penta escaparia.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A Bendição de Eusébio e Coluna

Fala-se muito na Maldição de Guttmann mas ainda ninguém percebeu que o Benfica foi mergulhado na Bendição de Eusébio e Coluna - desde que os dois voaram para o 4° Anel, o Glorioso só sabe ganhar. É muito provável que nunca mais ganhemos uma final europeia e nunca mais percamos um Campeonato.


sábado, 13 de maio de 2017

Dia de entrar na História


O centenário Benfica, clube mais laureado no futebol nacional, prepara-se para um feito histórico. Ao longo dos seus mais de cem anos de vida e dos trinta e cinco títulos de campeão nacional conquistados, de campanhas nacionais históricas, de noites europeias mágicas com duas taças dos campeões europeus conquistadas e oito finais perdidas, de homens como Eusébio, Coluna, José Augusto, Toni, Humberto, Chalana e tantos outros, faltava a conquista de um quarto campeonato nacional consecutivo. Essa espera, meus amigos, está prestes a acabar.

Por cinco ocasiões na sua história, todas elas no tempo em que as vitórias valiam apenas dois pontos, o Benfica estava à beira de conquistar esse feito. Em 1938/39, num plantel onde já se encontravam os históricos Francisco Ferreira e Espírito Santo, orientados pelo magiar Lippo Hertzka, o campeonato foi perdido por apenas dois pontos para o FC Porto, com um empate na deslocação ao campo dos azuis-e-brancos na última jornada; em 1965/66, sob a batuta do regressado Bela Guttmann, Eusébio, Coluna e companhia baquearam na recta final do campeonato, quando seguiam na liderança, terminando a prova um ponto atrás do Sporting; em 1969/70, novo ciclo de três campeonatos interrompido por vitória leonina, num Benfica onde pontificavam Eusébio, José Torres e Jaime Graça; em 1973/74, no fim de ciclo de Jimmy Hagan, com jogadores como António Simões, Toni ou Humberto, foi novamente o Sporting a superiorizar-se e a impossibilitar a conquista do tetra; por fim, em 1977/78, na segunda época de John Mortimore ao leme, o Benfica termina o campeonato invicto, em igualdade pontual com o Porto, com vantagem no confronto directo, mas perde o campeonato para os dragões na diferença de golos, critério utilizado à altura para definir quem ficava melhor classificado nas situações de igualdade pontual.

E mesmo a forma como aqui chegámos, sobretudo o modo de como esta aventura começou, dá contornos de epopeia a esta história. O tetra que a esta hora poderia ser penta começou na bota de Kelvin, com um golo que fez a nação benfiquista ir do céu à depressão num ápice. Teve compensação numa final europeia perdida no último minuto e prolongamento numa final da Taça de Portugal na qual o treinador foi publicamente arrasado por um jogador. Ainda assim, com o mesmo núcleo duro que tudo havia perdido nessa temporada, o Benfica conquistou o primeiro campeonato. Revalidou-o numa luta ombro-a-ombro com o Porto de Lopetegui até à última jornada. E conquistou, passados quase 40 anos, o tricampeonato contra o treinador que ajudou a conquistar os dois primeiros e que lançou, em conjunto com o seu presidente e com o apoio do outro rival, uma campanha vil, recheada de insinuações torpes e sem fundamento, cujo objectivo era impedir, a todo o custo, a conquista de um feito histórico.

E aqui chegamos. 13 de Maio de 2017. Um dia que pode e tem de ficar na História. Façam História. Inscrevam os vossos nomes no panteão onde figuram, por direito próprio, Francisco Ferreira, Espírito Santo, Rogério Pipi, José Águas, Costa Pereira, Cavém, Mário Coluna, José Torres, Germano, Cruz, José Augusto, Eusébio, António Simões, Toni, Jaime Graça, Nené, Toni, Vítor Baptista, João Alves, José Henrique, Shéu, Bento, Pietra, Carlos Manuel, Humberto, Chalana, Diamantino, Veloso, Otto Glória, Bela Guttmann, Mário Wilson, Jimmy Hagan, John Mortimore, Sven-Goran Eriksson, Ferreira Bogalho, Fezas Vital, Maurício Vieira de Brito, Adolfo Vieira de Brito, Ferreira Queimado, Borges Coutinho, Fernando Martins, João Santos e Jorge de Brito. Leiam estes nomes e sintam o peso da História. Façam o que ainda não foi feito. E o vosso nome juntar-se-á a estes na galeria dos imortais do Sport Lisboa e Benfica.