quinta-feira, 17 de Abril de 2014

A noite que pode ter mudado o futebol português

Calma. Este não é mais um texto de um benfiquista tão cheio da habitual pesporrência benfiquista que, após rara vitória sobre o Porto, descobre um futuro radioso. Não, temos a noção das coisas: nos últimos 20 anos, o Benfica venceu 3 campeonatos, este ano vencerá o 4º. Taças de Portugal? Há 10 anos que não ganhamos uma, histórico recorde negativo em 110 anos de Sport Lisboa e Glorioso Benfica. Mas há qualquer coisa, algo que..., há um não-sei-quê que promete. Fiquemos assim: há uma promessa grande neste Benfica. Houve, na noite de ontem, um cheiro a futuro. E como foi bom cheirar, ouvir, deglutir, comer, tocar, ver Benfica. 

Há pena naquela expulsão. Um vermelho que surge de uma certa capacidade histriónica de Siqueira para a estupidez - já em Barcelos o tínhamos notado, e ao vivo, claro, que o Benfica é para comer ao vivo, não na internet empunhando espadas StarTrek, mexendo no aro dos óculos ou contando cartas de Magic (seja lá o que isso for). É pena porque estava a ser de tal maneira dominante o nosso jogo que o impensável era não acabarmos a primeira parte com um 3-0, um 4-0, provavelmente um 33-0. Claro, falar-se-á em Proença e na sua malvadez contra o Benfica. Permitam-me que discorde: Siqueira é expulso porque é burro, apesar de ser bom jogador - oxímoro fascinante que, não explicando nada, explica tudo. E ficámos com o menino nas mãos.

Como este não é um texto de análise sequencial sobre o jogo, deixem-me que recorde algo importante e anterior ao mesmo: o onze. Jorge Jesus tem uma tendência natural para inventar nos jogos contra o Porto. Não é embirração minha - até porque ustedes sabem que gosto do bípede -, é um facto. Ontem decidiu inventar André Gomes a médio-defensivo; ideia que, se andarem atentos a este blogue, tinha sido explorada por mim há pouco mais de uma semana, talvez duas. A questão é que, como também vinha nesse meu texto, para explorar o nosso puto nessa posição era preciso que ele fosse sendo testado e não atirado aos dragões sem mais nem menos. O resultado foi uma primeira parte em que vimos Gomes tão deslocado do centro do jogo - puxado pela movimentação dos portistas, sobretudo de Fernando e Quaresma; o primeiro porque sabe muito de futebol, o segundo porque instintivamente, mesmo sem saber, causa feridas e fossas e crateras e fissuras - que chegámos a pensar que André seria extremo, lateral ou até treinador Jesus - que, como também sabemos, às vezes entra em campo mesmo com a bola a rolar. Facto é que Gomes foi crescendo durante o jogo e só não me adianto mais em elogios ao rapaz porque já está vendido ao fundo do Jorge Mendes. Obrigado, no entanto, por aquele golo tão cheio de talento que deu futuro ao Benfica e pode mesmo ter mudado o futebol português.

E assim chegamos a 17 de Abril com o Campeonato no bolso, na final do Jamor, nas meias-finais da Taça da Liga (mais um belo jogo contra o Porto - vamos ao Dragão, camaradas? Ou ficamos todos a empunhar uma espada de Game of Thrones?) e a dois jogos da final da Liga Europa. Uma equipa que joga assim 70 minutos com menos um jogador contra o Porto - mais fraco, muito mais fraco, do que o habitual, mas ainda assim... o Porto -, pode e DEVE ambicionar ganhar tudo. Fantástico trabalho de Jorge Jesus, pois claro, que todos os anos leva sarrafadas da estrutura, fica sem jogadores, dizem-se barbaridades, cometem-se exageros linguísticos, inventam-se novas formas de estragar o Benfica, e ainda assim lá continua o homem da Reboleira a descobrir bons jogadores em medíocres, excelentes em bons, geniais em excelentes. E a pergunta persiste: o que seria do Benfica de Jorge Jesus se tivéssemos... estrutura?

A mesma estrutura que terá de responder a várias questões, a principal esta: e para o ano? Vamos calar o bico, perceber que estamos, bem, a afundar o Porto num equívoco do qual só sairá se o deixarmos? Ou vamos ao Barbas, faremos mais umas entrevistas ranhosas armados em chulos do Bairro Alto e prometeremos finais da Champions? Conseguiremos trabalhar no silêncio e aprofundar o declínio portista com competência ou vamos desculpar daqui a uns meses a má entrada no campeonato com coisas tão absurdas como "andámos a festejar em demasia"? Ou, ainda pior, "não devíamos ter sido campeões"? Às vezes tudo isto parece tão irreal. 

Mas deixem-me que vos diga uma coisa: Ontem, Glorioso Sport Lisboa e Benfica, vi-te no Estádio da Luz.



Mais que um Clube


Foram mais as vezes que este clube, o meu clube, me fez chorar de tristeza que de alegria. Nem vale a pena enumerar os múltiplos episódios. Hoje, o que se viveu na Luz foi absolutamente mágico. É difícil pôr em letras aquilo que sinto hoje enquanto benfiquista. Somos mais que um clube. A vitória de hoje, nas condições em que foi conseguida, tem um carácter tão épico que parece uma daquelas histórias que se contam às crianças em que o Bem triunfa sobre o Mal. 

Hoje tive a sensação de aquilo que me foi tirado durante os últimos 20 anos estava a ser reposto. Todas as alegrias, todos os troféus roubados estavam ali a cair perante os meus olhos. Tudo devolvido ao Benfica sob a forma de uma vitória que assumiu contornos de uma surrealidade sádica digna de um quadro de Dali. Uma alegria e um sentimento de pertença a uma família gigante que não conhecemos mas que acarinhamos que são difíceis de descrever.

A tal hegemonia do futebol português conquista-se assim. Com vitórias épicas e títulos conquistados dentro de campo. Com emoção e paixão fora dele. A Mìstica do Benfica é isto. Este grupo está a escrever uma das mais belas páginas da história centenária deste clube. A nós, adeptos, cabe-nos ajudar a escrevê-la. Vamos a isso?

P.S. Os pêsames, sinceros, ao presidente Luís Filipe Vieira nesta hora difícil. Independentemente de desavenças futebolísticas, mãe é mãe. Nas vitórias e nas derrotas.

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Épico

Um grande abraço aos incansáveis adeptos benfiquistas que hoje marcaram presença na Luz. Aos que não foram por preferirem ir à anunciada festa de domingo, os meus sentimentos. Perderam a oportunidade de ver ao vivo o jogo e, muito provavelmente, o golo do ano.

Ao intervalo

Filho da puta.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

O futuro é amanhã



Encher o Estádio da Luz amanhã é tão ou mais importante do que enchê-lo no domingo. Este Fcp - o pior Fcp de que há memória em largos anos - tem que levar martelada do Benfica. E martelada da grossa. Há aqui uma oportunidade de ouro para inverter um ciclo, afastar fantasmas, acabar com traumas, matar borregos (e outros clichés que não me ocorrem de momento mas que são perfeitamente aplicáveis a esta situação), que não sabemos quando voltaremos a ter. Aproveitemo-la, pois então.


Afastar o Fcp da Taça de Portugal é o primeiro passo. Se o fizermos com uma exibição segura e dominadora, tanto melhor. Ficará então o Fcp agarrado a uma Taça da Liga como tábua de salvação (olha outro cliché tão bonitinho), taça esta declaradamente menosprezada por eles mas que este ano será encarada como uma Champions League à Portuguesa. Portanto, ir ao seu antro eliminá-los desta competição é o segundo passo. Não é tarefa que se adivinhe fácil, até porque há embates complicados com a Juventus pelo meio, mas não é de todo impossível. E aviar corruptos portugueses pode até ser um excelente tónico para despachar de seguida corruptos italianos. Por sua vez, despachar os corruptos italianos só pode motivar-nos para depois aviarmos novamente os corruptos portugueses. O único grande perigo que há aqui é entrarmos em loop e ficarmos tão viciados em dar tareias a corruptos que no próximo campeonato só fazemos 6 pontos.


A modos que é mais ou menos isto que quero dizer-te, companheiro: se tiveres de optar, vai amanhã à Catedral e deixa a festa de domingo para aqueles que não se importam de festejar campeonatos de 5 em 5 anos. Tu, que queres um Benfica à Benfica; tu, que ainda não perdeste a esperança de ver o teu clube ganhar 3, 4 ou até mesmo - loucura do caralho! - 5 campeonatos seguidos, sabes bem da importância deste jogo.

 

Ser o Benfica a privar o Fcp de conquistar qualquer título esta temporada é garantir desde já um bocadinho de um futuro risonho.

Os nossos meninos



“Onde vais ver o jogo?” Foi assim que os meus amigos Benfiquistas se dirigiram a mim na sexta e segunda-feira passadas. Não, a equipa principal não jogava. Não, não nos juntamos para vermos o jogo do título de campeão nacional de futebol. Não, não íamos ver a meia-final da Liga Europa. Mas sim, sim queríamos ver os nossos meninos a erguerem bem alto o nome que lhes está confiado, o nome do Benfica. E não saímos defraudados.

Parabéns aos nossos pequenos grandes campeões que não o foram. Foram grandes, foram Benfica. Não venceram, mas convenceram. Não conquistaram, mas encantaram. E tudo isto nascendo apenas uma vez. Obrigado.

Sempre defendi, e continuo a defender, que as vitórias da formação não se medem em títulos, mas sim na capacidade da mesma em fazer chegar atletas à equipa principal do clube do qual faz parte.

É claro que as vitórias desportivas, sejam em que provas forem, são importantes, pois são parte importante do processo de formação em si, mas também porque chamam a atenção de adeptos e dirigentes para a qualidade que pode estar ali, concorrendo assim para um aumento da pressão exercida para que as jovens estrelas venham a ser integradas na equipa de futebol profissional.

Não obstante, nenhuma vitória desportiva nos escalões de formação terá qualquer significado se não se traduzir em formação efectiva de jogadores com capacidade e qualidade para chegarem ao topo do clube e, talvez, internacional.

Esta prestação da nossa juventude na Youth League tem o condão de demonstrar que a nossa “prata da casa” está ao nível das melhores europeias, assim haja vontade. Esta prestação tem ainda como consequência o novo aumento de pressão sobre dirigentes e equipa técnica para uma maior aposta nos jovens formados internamente, limitando assim as compras externas ao estritamente necessário.

Qual será a desculpa agora? Naturalmente que ninguém pede e/ou pensa que aquela equipa seja transportada para o escalão sénior tal qual está. Obviamente que a maioria daqueles jogadores não atingirá o nível exigível para se afirmarem no clube como jogadores de plantel principal. Uns porque não têm qualidade intrínseca para tal, outros porque, embora tendo, não conseguirão coloca-la em prática e se perderão no processo.

Mas é absolutamente exigível que daquele grupo alguém chegue ao patamar principal do clube. É imperioso que o clube saiba fazer jogadores de um grupo que tem talentos como o João Nunes, o Estrela, o Guzzo, o Rochinha, o Nuno Santos, o Hildeberto Pereira ou o Baldé

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Marrocos benfiquista saúda os triceiros portistas

O ontiano Ricardo Chaves vive em Tavira. O Ricardo tem amigos portistas. Os amigos portistas do Ricardo foram visitá-lo a Tavira. E o Ricardo foi recebê-los com toda a cordialidade. Assim:


Mais um Estádio da Luz


Ambiente fabuloso em Aveiro. Vimos e vivemos Benfica.

Classificação após a 27ª jornada:
1º Sporting - 63 pontos;
2º Benfica - 70 pontos;
3º Porto - 55 pontos.

sábado, 12 de Abril de 2014

Deste país beato

Gerou-se a polémica entre uma maioria de benfiquistas: o jogo com o Olhanense será no Domingo de Páscoa - esquecendo-se que mais importante do que ir comer bolo a casa de um familiar é o interesse de calendário da equipa.

O Benfica é um clube místico, universal, transversal, por definição e ideologia anti-prisões do espírito. Já chega que o Estado não cumpra a sua função de ser neutral em relação às religiões; já chegam televisões, rádios e jornais numa claríssima tendência para a propaganda católica.

O Benfica é do Cosmos, o Benfica não vê senhoras em cima de árvores ou acredita que um homem morreu e ressuscitou logo de seguida. O Benfica não acredita em Deus, o Benfica é Deus.

Este é o vosso vídeo, ontianos.

Obrigado pelo Benfiquismo que com orgulho envergam. Ontem, hoje, amanhã e sempre, vemo-nos no Estádio da Luz.


sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Jorge Jesus e a Juventus



O nosso treinador tem revelado alguns progressos na forma como vai comunicando com o exterior. Aqui e ali não resiste em resvalar para o seu habitual, mas de uma forma geral, está hoje incomparavelmente melhor do que estava há um ano atrás.

Bom exemplo disso é a forma como tem lidado com a especulação em torno do seu futuro no pós-época. Ainda que a sua primeira abordagem ao assunto não tenha sido a melhor, foi positiva a forma como afirmou que os interesses do clube se sobrepunham a qualquer decisão a ser tomada no final desta época relativa à sua continuidade ou não, tendo ontem rematado com o facto de ter um ano mais de contrato.

Considero que esta última abordagem ao assunto é a mais correcta, por ser a que melhor pode acalmar a espiral especulativa que já se vinha adensando. Não obstante, a ideia subjacente a ambas as abordagens parece-me ser positiva e a mais correcta, ou seja, este não é o momento para se abordar esse tema, este é o momento de concentrar atenções no que falta jogar e ganhar. Este é o Jorge Jesus que os adeptos querem, um homem completamente focado nos interesses desportivos mais imediatos. Até pode não ser essa a realidade pura, mas é importante passar a mensagem de que assim é. Importante para adeptos e comunicação social (comunicação exterior), mas ainda mais importante para o grupo de trabalho (comunicação interna).

Ainda assim, há uma questão em que Jorge Jesus teima em cometer erros básicos, falo na questão Liga Europa e os seus sorteios. Já aquando da eliminatória e sorteio anteriores, o técnico do Benfica havia afirmado, de forma algo veemente até, que pretenderia evitar a Juventus. Nesse sorteio as bolinhas da UEFA fizeram-lhe a vontade. Não satisfeito, ontem no final do jogo, reiterou o incómodo que o campeão Italiano lhe causaria caso fosse esse o resultado do sorteio de hoje, sendo que, desta vez, o destino quis contrariar a vontade e desejo de Jorge Jesus.

Para todos sabermos que a Juventus é a equipa mais forte deste restrito leque de equipas, não era necessário que Jorge Jesus o afirmasse. Todos sabemos da qualidade individual de jogadores como Buffon, Chieellini, Pirlo, Pogba, Vidal, Marchisio, Tevez ou Llorente. Todos seremos conhecedores da capacidade colectiva de uma Juventus que caminha tranquilamente para mais um scudetto. Ou seja, se o objectivo de Jesus era alertar para a qualidade da vecchia signora, trata-se de um acto falhado.

Tais afirmações veementes e repetidas podem passar a mensagem errada para o plantel, isto é, uma mensagem de subserviência e de inferioridade quando, do meu ponto de vista, havia que passar uma mensagem de confiança e auto-afirmação nesta fase da competição, fosse qual fosse o adversário.

Alertas deste tipo são uteis quando, no plano teórico e numa questão de estatuto competitivo, defrontamos um adversário que nos é inferior, como medida de alerta à navegação, procurando evitar facilitismos, bem ao estilo do que fez António Conte em relação ao Benfica.

Fazer este exercício perante adversários teoricamente superiores, pode induzir comportamentos inibidores no plantel. Entrarão em campo sabendo que o adversário lhes é tão superior que o seu líder o teme ao ponto de o querer evitar a todo o custo.

Passar esta mensagem é errado do ponto de vista motivacional, mas também é errado do ponto de vista qualitativo, pois o nível competitivo de ambos os conjuntos não me parece ser assim tão desfasado, ainda que seja favorável aos Italianos.

O Benfica-sem-medo


4-0 ao Real Madrid. Quatrozeroaorealmadrid. Sim, 4 batatas ao Real Madrid. Que o mesmo espírito de Benfica-sem-medo inunde a equipa principal contra a Juventus. O Benfica, quando não tem temores, pode vencer e vence qualquer adversário. Parabéns, putos! Segunda é para trazer o caneco para o Museu!

Vingar-vos-emos, malta de 93.


Em dois jogos será sempre mais difícil ultrapassar a Juventus do que apenas num (mesmo que esse fosse no seu estádio). 60-40 para os italianos. Vai depende quase tudo do jogo da Luz - convinha não sofrer golos, mesmo que seja em 0-0. Aqueles nossos heróis de 93 merecem uma vingança condigna. E nós todos merecemos Turim... na final. 

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

O insondável mistério

Além de

- não ter graça nenhuma
- ter um som estúpido
- não servir para nada
- não contribuir para nenhum apoio à equipa
- ser perigoso para as pessoas
- gerar multas ao clube todas as semanas
- poder obrigar o Benfica a jogar umas meias-finais de uma competição europeia sem público no estádio

alguém consegue explicar para que serve um petardo?

Esqueçam o Basileia, queremos ir à Andaluzia comer o Sevilha e o Pata Negra.


Prognósticos

Juventus 3-1 Lyon
Valência 1-0 Basileia
Sevilha 2-0 Porto
Benfica 33-0 AZ Alkmaar

quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Aquele Benfica de 1998

Um companheiro benfiquista mostrou-me este vídeo e eu não podia deixar de tentar que muitos de vós o vissem - sobretudo os mais novos, os que nunca foram à antiga Luz. O vídeo podia ser de um Benfica muito mais forte; nem sequer é o caso: passávamos pelo período mais negro da nossa História, com um Presidente ridículo, treinador fraco, jogadores medíocres. No entanto, o que isto é - e é isso que interessa aqui focar - é ainda um resquício do Benfica dos outros tempos, do Benfica dos adeptos, do Benfica antes de ser uma empresa, embora fosse já um clube destruído - primeiro, por Damásio; logo a seguir por Vale e Azevedo. Atentemos em alguns pormenores neste verdadeiro Documentário de 27 minutos sobre a Catedral (e que pena não haver muitos mais):

- O caminho até ao Estádio;
- As horas inacreditáveis que passávamos dentro do templo antes de começar o jogo;
- A imensidão da Luz - numa primeira fase, despida; depois, já perto do jogo, bem composta, embora longe dos tempos em que abarrotava;
- O placard electrónico e os ponteiros que pareciam parados, enquanto esperávamos pelo jogo;
- O homem do bombo;
- A volta ao campo da águia nas mãos do Paixão, o alentejano apaixonado;
- O populismo de Vale e Azevedo, levando até ao relvado o sócio número 1 sob grandes aplausos (notaram? há sempre uma mesma maioria que "apoia" o Presidente em funções, seja ele uma esfregona, um poste de electricidade ou uma moreia);
- Golos de Deane, Poborsky e Tahar;
- Apesar de vermos clareiras, bastantes até, se pegássemos naquela gente e a transportássemos para a Nova Luz, teríamos de deixar gente de fora. Isto a uma 32ª jornada contra um Porto que já era tetracampeão;
- Desde este jogo - Maio de 1998 -, nunca mais ganhámos, para o Campeonato, por 3 ou mais golos ao Porto. Na Luz ou fora. Já lá vão 16 anos;
- Grande confusão entre Souness e Paulinho Santos (quem mais?);
- Os adeptos que iam pisar o relvado no final do jogo;
- O treino logo a seguir ao apito final;
- Pringle e Souness - medo;
- O plantel medíocre do Benfica;
- Um estádio que já tinha os dois primeiros anéis com cadeiras e o Terceiro ainda só com betão;
- A tradição de esperar a equipa junto à entrada da Catedral - no princípio e no fim do jogo;

Era bom que houvesse um Documentário deste género mas anterior ao terrível ano de 1994, altura em que o Benfica começou a definhar e ainda não se recompôs do trambolhão. Este vídeo dá-nos alguns elementos que trazem muita saudade, mas já nos mostra um Benfica a cair num equívoco tremendo. No entanto, é História. E, imagino, para quem nunca entrou no Estádio da Luz, talvez seja interessante e bonito de espreitar.



segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Colocar uma pedra no assunto com muita magia à mistura


- O tal jogo perigoso de que falámos à tarde afinal revelou ser dos mais fáceis. Por uma principal razão: o Benfica jogou muito mas muito à bola. Provavelmente, a melhor exibição da época, tanto em qualidade como em quantidade. Foi o jogo todo a espalhar classe.

- Gaitán é de outro mundo. Quando engrena, não há muitos jogadores nos principais campeonatos europeus que o superem. Esta é a melhor época do argentino desde que chegou ao Benfica.

- Cardozo bisou. Quebrado o mau-olhado, que ganhe confiança para os últimos 12 jogos que ainda temos pela frente (4 para o Campeonato; 4 para a Liga Europa; 2 para a Taça de Portugal; 2 para a Taça da Liga). Vamos precisar de armas cirúrgicas vindas do banco.

- André Almeida não teve muito trabalho mas voltou a responder de forma eficaz. Os plantéis também são compostos por jogadores assim: polivalentes, sempre aptos a substituir  com competência os lesionados ou castigados, humildes, com espírito colectivo, confiantes.

- Morreu um adepto após os festejos do golo de Rodrigo. Se temos de morrer e essa é uma realidade incontornável, que seja dentro de um golo do Benfica. 

- Jorge Jesus acaba de bater o recorde de Janos Biri: completou 60 jogos do Campeonato sempre a marcar. Não é nenhum título, mas é sem dúvida um feito que demonstra a qualidade que tem.

- O Porto já não pode matematicamente ganhar o Campeonato, mas tem ainda grandes possibilidades de ganhar sífilis no Calor da Noite.

- Classificação após a 26ª jornada:

1º Sporting - 60 pontos;
2º Benfica - 67 pontos;
3º Porto - 52 pontos.

Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto

1) Sem Fejsa e Amorim, sobra Almeida e... André Gomes. Muito curioso o texto do Nuno sobre o William Carvalho; penso que o André Gomes poderia perfeitamente ter um percurso semelhante e potenciar o seu talento numa posição mais recuada.

2) Este jogo com o Rio Ave é o jogo mais perigoso que teremos até ao final do campeonato. Uma equipa que tem capacidade e qualidade para se organizar defensivamente não no estilo autocarro mas sempre numa contenção que está preparada para a recuperação e rápido gatilho rumo à baliza adversária - cuidado com o espaço deixado nas costas do nosso médio defensivo. É a última grande prova. Ultrapassando-a, poderemos apostar em força nas outras competições. 

3) Não concordo com a teoria de que, se eliminarmos o AZ ALkmaar, para nós será melhor enfrentar logo a Juventus para não apanhar a equipa italiana na final e no seu estádio. Por duas razões:

Parece-me que ao Benfica interessará, antes de mais, conseguir chegar ao último jogo, que é sempre, como o ano passado pudemos sentir ao vivo e a cores em Amesterdão, uma festa maravilhosa de futebol e convívio entre adeptos. Lá chegando, é para ganhar. Mais do que disputar, é para ganhar. Já chega de finais perdidas - temos 5 finais perdidas na Taça dos Clubes Campeões Europeus (63, 65, 68, 88, 90), uma na Taça UEFA (83) e uma na Liga Europa (2013). E, ao contrário do que se diz, não temos 2 finais ganhas; temos 3. Uma na Taça Latina (50) e duas na TCCE (61, 62). Para um clube com a nossa grandeza, não vencer nenhuma competição europeia há mais de 50 anos é triste; é tempo de finalmente acabar com a seca. 

Por outro lado, ninguém nos garante que a Juventus não será eliminada até à final. É pouco provável, mas não impossível. Nesse sentido, quero um Benfica-Basileia para as meias-finais, caso passemos a equipa holandesa. E um Sevilha-Juventus para o outro jogo. 

4) A entrada de Nuno Gomes no Benfica é um clássico de Vieira. Numa fase crucial da época, decide inventar um cargo (ninguém sabe o que aquilo é; vai fazer companhia ao Rui Costa a olhar para as bolas dos sorteios?) para um jogador que tem uma péssima relação com o treinador. Resta saber se Vieira é mesmo completamente incompetente ou se faz de propósito - qualquer uma não nos serve. Benfiquistas competentes no clube? Sim, é o que defendemos; tachos a benfiquistas sem qualquer razão para isso? Não, não é o que defendemos. Um sinal de que Jorge Jesus deverá estar mesmo de saída. 

5) Há quem garanta, nesses sombrios corredores da informação privilegiada, que Marco Silva está já contratado para a próxima época. Se for o caso, é uma boa escolha. Saindo Jesus, não vejo nenhuma outra alternativa ao catedrático da Reboleira do que o treinador do Estoril. A conversa sobre a "experiência que ainda não tem" é uma treta sem sentido. Quando há qualidade, quando há competência, quando há coerência e evolução no trabalho de um treinador, só precisa que lhe dêem um plantel de qualidade, que ele fará o resto. 

6) O título é do excelente livro do excelente escritor que é Mário de Carvalho.

domingo, 6 de Abril de 2014

Parabéns ao Sporting Clube de Portugal pela excelente época que está a realizar

A prova de que não há que temer pela mudança quando os clubes estão desgovernados por incompetentes. Em meses, com um Presidente sportinguista e de suficiente competência, passaram do 7º lugar para a luta pelo título. Nenhum grande clube deve ou pode não saber evoluir por pânico de fantasmas. Que os benfiquistas mais medrosos aprendam definitivamente essa lição.

Rosario Central - Boca Juniors. A Polícia fechou as entradas, os adeptos fizeram montanhismo.


sábado, 5 de Abril de 2014

Esta noche me emborracho

A caminho de Valparaíso, pedaço de mundo em devoção ao mar e a Pablo Neruda, vindo do Peru, aterrei sem aviso nem asas numa espécie de autocarro em Antofagasta, no Chile. Primeira impressão: sem impressão. A terra igual ao Redondo em Janeiro, o mesmo sol do Alandroal, havia água e montanhas como em Sintra. Não fossem os Andes ao longe com neve aos solavancos quase caíam do céu azeitonas e poejos. 

Mas é diferente ver o mundo por um vidro encardido de impressões digitais ou cair com os pés no chão. Encostei o meu corpo à gravidade chilena e o que até ali tinham sido árvores e roupa e gente e hortas e vida em movimento feita corrimão de existência passou a ser cheiro e som e pessoas em três dimensões. Primeira ideia na estação de Antofagasta: ir a pé com malas, sono e resquícios peruanos até à próxima cama mais barata e ali alojar os destroços, humanos e desumanos, para voltar a respirar com tempo. 

Cem metros depois, estamos, eu e a brasileira companheira de viagem, com três chilenos no radar num surpreendente descampado andino. Não parecem guias de turismo nem voluntariosos mirins rezando ao deus Baden Powell. Os olhos não anunciam solidariedade ibero-americana e há neles uns gestos que, parece-nos, talvez queiram dizer: foge. Fugimos. Corremos. Ao som da luz. À velocidade do som. À velocidade da luz, que ali - temos de contar, de dedo salivado ao vento, com os ares húmidos e torrenciais dos Andes - foi, numa tradução científico-naturalista, um sprint colina acima até ao encontro de alguma coisa que aparecesse - carro, animal, gente até. Apareceu um táxi (que desígnios, Senhor?), onde entrámos com a vontade de sede de dois meses, a fome de sobreviventes e a dúvida de não estarmos demasiado ganzados a imaginar coisas no coração do mundo.

Atrelámos no centro de Antofagasta. Estradas de terra, uma rua principal, carros e ruas mas gente, muita gente. Alguma gente. Entrámos na primeira espelunca razoável que servia os nossos bolsos - um prédio antigo, feito de túneis e claustros, poeira de espanhóis no Pacífico de 2007. Um quase-palácio feito casa de putas e lugarejo de turistas em quase-desespero. Perguntámos o preço, gostámos do preço e levámos, putas, as nossas malas mais altas do que nós para camas com cheiro a mofo, peixe frito, fruta e outros símbolos que não importa descodificar nesta história. Estava uma santa em cima de uma mesa, tinha uma inscrição em latim, qualquer coisa como «Eu vos absolvo» e é possível, não dou certezas, que aquilo me tenha inspirado a revolver o colchão em busca de provas, como um tesouro à espera não de putas mas de curiosos e intrincados turistas. No canto inferior esquerdo do colchão, onde o golo é mais bonito, 200 reais estatelados contra umas molas enferrujadas. «Vamos beber!», disse o vosso narrador, como se não fosse beber de qualquer forma, com ou sem miríficas descobertas. 

Nas ruas de casas baixas, passeios que são a continuação da estrada embora tenham um pequeno declive da altura de uma moeda porque é preciso conhecer o princípio e o fim das coisas, gente bonita e feia consoante as consoantes, entradas de casas de repasto e cartazes, em triângulo e a tinta de pintar paredes como manda a tradição (não, isto não é sítio de pub), apaixonámo-nos por uma voz que cantava Gardel em karaoke desalinhado e suspeita legendagem. Como dizer o primeiro olhar? Entra-se num lugar que cheira a batatas assadas, a carne ensopada, legumes gelatinados numa redoma de refogado com especiarias, o vinho chama-nos das mesas, há pessoas a rir e a comer, dias quotidianos cheios de horas e gente que se conhece há demasiado tempo, antes de termos chegado, antes de o mundo ter chegado. Atrás do balcão, uma mulher canta "Esta noche me emborracho", uma mulher cheia de alma canta Gardel junto às latas de Cola e aos pequenos fritos andinos que sabem a qualquer coisa que ainda não provaste. Grita? Não, canta aos volumes, enche o ar do sítio com uma voz rouca-cristalina de vinho e uísque e noites a olhar as estrelas e insónias que fizeram pontes e abriram sóis e dias e camas mal-dormidas e homens mal-feitos e cigarros demasiado cigarros. É aqui que queremos estar.

Sentámo-nos na mesa principal, aquela que estava vaga à espera de alguém que nunca vem - na América do Sul há muitas mesas de fantasmas, aqueles que hão-de chegar. Fantasmámos e pedimos vinho (como não, no Chile ou noutro lado qualquer?). Ao nosso lado, Pai e Filho discutiam futebol. O Pai com 70, o Filho nuns parecidos 50 - somos da idade que nos dão. Eu queria queijo, pão e fritos aconchegados pelas mamas da cantora; ela queria a voz de um som junto ao balcão e legumes impronunciáveis na língua dos índios. Estávamos a meio do debate que não era debate quando alguém do outro lado da mesa lança o dardo: «Portugueses?». 

Ela calou-se dentro de um colonialismo de fêmea e deixou-me mentir dizendo a verdade: «Portugueses». Os olhos do velho brilharam, chamou-nos para a sua mesa e esperou que nos sentássemos para contar tudo o que sabia do Benfica, do Eusébio, do Coluna e dos jogos e histórias que viu e ouviu de uma estranha equipa vestida «À Chile» que ganhou a duas equipas espanholas. Coisas que o vinho, a memória e a vontade de preservar no meu coração não permitem que conte porque demorariam o tempo das vossas vidas e da minha mais o tempo das distâncias entre um país-língua do Pacífico e uma Europa de 60. Conto os olhos a brilhar, o orgulho de Pai e Filho chilenos naquela Antofagasta com som de Gardel de uma mulher que servia vinhos e comidas e um restaurante que não era restaurante por onde passou e viveu o Benfica horas a fio até fechar. Sim, nessa noite perdemos o autocarro para Valparaíso e para o Pablo Neruda.


Há mosquitos por cordas



O jogo de quinta-feira veio demonstrar algo que já se percebia há algumas semanas a esta parte, o problema entre Jorge Jesus e Cardozo não está resolvido.

Por muitas desculpas que Cardozo tenha pedido, ou não, a Jorge Jesus, em público ou privado, aquele tipo de episódio deixa marcas tão profundas que dificilmente são ultrapassadas rapidamente. Um episódio daqueles não acontece por acaso nem desaparece por outro acaso.

Já tinha sido visível a indignação do Paraguaio aquando do episódio entre o técnico e Shéu, bem como “azia” de Cardozo quando foi substituído na 2ª mão da eliminatória disputada com o Tottenham. A expressão carregada e o olhar fulminante de Tacuara para o banco, foram indisfarçáveis, mas pouco notadas ou, tão só, pouco empoladas. Porém, essa atitude existiu.

Será natural que Cardozo não ande satisfeito da vida com a mais recente condição de suplente a que tem sido relegado. Mas Cardozo faria tanta questão de tomar este tipo de atitudes se fosse outro treinador que não Jorge Jesus?

Se fazer o que fez a Jorge Jesus demonstra ingratidão, já que, goste-se ou não, o treinador do Benfica sempre foi o primeiro e maior defensor de Cardozo, a atitude do Paraguaio na Holanda demonstra pouco sentido colectivo ao não ser o primeiro a admitir a sua má forma desportiva.

Na Luz como na Holanda, Cardozo foi bem substituído. No Dragão ficou por ser bem substituído, sendo Rodrigo o sacrificado ou, como dirá Jorge Jesus, o poupado. O certo é que o rendimento do sul-americano não tem correspondido ao estatuto que conquistou no plantel. Seja por alteração dos processos colectivos da equipa, seja por incapacidade individual do jogador.

O facto é que outro “Jamor” pode estar ao virar de uma qualquer substituição ou derrota, cabendo a Jorge Jesus lidar com um problema que não lho souberam resolver em devido tempo.