quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Álbum lançado em vinyl "Benfica, o Maior!" pelo Conjunto «Os Benfiquistas».




Músicas (autor/compositor):

Benfica É O Maior (Eugénio Pepe/Álvaro Vaz) - Benfica De Todos Nós (Eugénio Pepe/Álvaro Vaz) - O Benfica É Portugal (Eugénio Pepe/Álvaro Vaz) - Campeão Dos Campeões (Eugénio Pepe/Álvaro Vaz)


terça-feira, 22 de Julho de 2014

E nem uma trafulhicezinha...

Praticamente um mês depois da transferência de Garay por 6 milhões de euros, duas teorias veiculadas por alguns benfiquistas caíram por terra: a primeira, de que os 6 milhões de euros corresponderiam à parcela que o Benfica detinha do passe do argentino, foi desmentida em comunicado oficial do Clube à CMVM, onde foi esclarecido que os ditos 6 milhões eram pela totalidade do passe e que desse montante apenas 2,4 milhões entrariam nos cofres encarnados; a segunda, de que o Zenit pagaria um montante absurdamente inflacionado por um qualquer jogador encarnado de forma a "contornar" o facto de o Real Madrid ser detentor de metade do passe de Garay e assim caber uma fatia financeira maior ao Benfica na soma de ambos os negócios, parece cada vez mais improvável dado que quatro semanas depois não há sinais vindos da Rússia de interesse em jogadores do Benfica.

Desta forma, muitos benfiquistas estão tristes e desapontados com o facto de não termos conseguido um encaixe financeiro mais significativo com a venda de um central que é, neste momento, indiscutivelmente, top 10 a nível mundial. Com tantas negociatas com que Luís Filipe Vieira nos tem brindado ao longo dos anos, é caso para perguntar: "Então e desta vez, senhor presidente? Nem uma trafulhicezinha?"

Vieira tem de explicar este negócio. Não cabe na cabeça de ninguém vender Garay pelo preço que se vendeu. Nem se aceitam as pseudo-explicações que a guarda pretoriana do presidente tem vindo a debitar quase todos os dias seja em diários desportivos, fóruns e blogs, ou mesmo no veículo de propaganda do clube, agora denominado de BTV. 

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Benfica-Sporting: segundo raio-X

Nem o Benfica dava sinais de ir conquistar todos os títulos do ano após a vitória sobre o Estoril, nem o Benfica parece agora, depois da derrota contra o Sporting, que está prestes a iniciar uma época desastrosa. São 15 dias de preparação, muitos jogadores novos, capacidade física alterada, um adversário que ontem jogou muito mais próximo do onze com que irá entrar na maior parte dos jogos oficiais do ano. Após estes dois jogos, há sinais positivos, outros negativos. Há dúvidas ainda, há algumas certezas. Compararei os sinais que este jogo me trouxe com as primeiras impressões que escrevi após o jogo com o Estoril:

1) Uma inesperada (pelo parco tempo de preparação) sintonia entre os jogadores e uma boa assimilação da filosofia de Jorge Jesus: sa saída de bola, vimos o médio defensivo baixar para os centrais abrirem; vimos a compensação do extremo na subida do lateral; vimos a procura de alternar entre o jogo interior e a busca pela verticalidade dos extremos; vimos os movimentos de aproximação ao miolo por parte do avançado; tentativa de combinação em triângulos: «extremo, médio, avançado» ou «lateral, médio, extremo», consoante a zona do campo em que procurávamos a construção de jogo; compensação do médio-defensivo à subida dos laterais; procura (ainda difícil) de sintonia entre o médio defensivo e o médio de transição; movimentos de ruptura de um dos avançados, procurando deixar o terreno livre para a entrada ou do extremo em diagonal ou do outro avançado, com espaço aclarado; pressão alta e orientada para os espaços exteriores para logo "sufocar" o portador de bola com dois e três jogadores; trabalho nas bolas paradas. 


Não há muito a acrescentar ao que escrevi há dois dias atrás. A equipa está, de facto, surpreendentemente bem rotinada após tão pouco tempo e esse é um mérito indiscutível do homem que, compreensivelmente, vem dizer que "só trabalho não chega; tem de haver qualidade". É incrível como esta Direcção tem minado o trabalho de Jorge Jesus, este ano chegando ao cúmulo do ridículo, destruindo por completo uma equipa campeã nacional. Por outro lado, Jorge, este será o ano em que terás plantéis com a qualidade com que os teus antecessores tiveram de trabalhar. Vais poder mostrar que és melhor do que Fernando Santos, Koeman, Trapattoni, Quique e Camacho. Pelo menos é isso que esperamos de ti. 

2) Luís Felipe entra directamente para a Wall of Cepos. Todos os anos, por alguma estranha razão, o Benfica decide contratar um mau jogador. Não é possível acreditar que Jorge Jesus ou a equipa de prospecção do clube tenham vislumbrado qualidade em Luís Felipe, tão mau é o rapaz; logo, temos duas hipóteses para esta contratação: deu alguma comissão ao treinador, ao Presidente ou a outro gajo qualquer; é importante ter nos treinos uma referência no sentido de o mister poder explicar como não se joga futebol - «olhem para o Luís Felipe, aquilo é tudo aquilo que vocês não podem fazer!». Luís Felipe entra assim na Wall of Cepos, continuando a saga que se iniciou com Emerson e teve continuidade com Cortez. Se o primeiro ficou absurdamente uma época inteira a titular, contribuindo para não ganharmos o título, já o segundo ia ficando não fora termos emendado a mão no último segundo de Agosto. Espera-se que Luís Felipe possa seguir as pisadas de Cortez e ficar já encostado para sair em Janeiro. A diferença é que Cortez veio emprestado e este, se ficar os 5 anos ligado ao clube, custar-nos-á 2 milhões de euros. Só 400.000 a menos do que... Garay.

Há pessoas que não têm nem talento nem conhecimento do jogo para analisar rapidamente um jogador. Por isso pedem tempo, "é preciso esperar para ver", etc, etc. Na verdade, saber ver talento num jogador é mais difícil do que saber ver que ele é um mau jogador. E Luís Felipe, para quem sabe e quer ver, é de facto um mau jogador. E para isso não são precisos 3 meses de visualizações; bastam três ou quatro jogadas. 2 jogos depois, os sinais que a primeira jogada do Benfica-Estoril me deu continuam perfeitamente vivos. É o cepo do ano, como já é tradição com esta Direcção. Convinha assumir o erro - tal como com Cortez o ano passado - e contratar um lateral-direito que dê garantias. Fica, no entanto, a pergunta: como é possível alguém dentro do Benfica achar que um jogador mau como Luís Felipe tem atributos para ser contratado?

3) João Teixeira. Uma surpresa no onze e uma boa surpresa em campo, embora não tenha feito um jogo exemplar. Cometeu alguns erros compreensíveis pela natural ansiedade em mostrar serviço de um puto que tem qualidade: bolas perdidas em zonas cruciais, alguns erros no passe, nem sempre mantendo o equilíbrio posicional aquando das subidas dos laterais. Positivo: muito boa antecipação dos lances, entrando em desarmes que denotam concentração e capacidade para antever o jogo adversário; disponibilidade física; agressividade positiva, disputando cada lance com o espírito competitivo que se exige a um jogador do Benfica; visão de jogo, encontrando boas e inesperadas soluções mesmo quando estava pressionado; a procura pelo jogo vertical interior - quase sempre para Talisca ou Derley - dá bons indícios sobre a forma como interpreta o jogo. 


Não mudo uma vírgula das primeiras impressões. Acrescentaria apenas: com este plantel com tão pouca qualidade e quantidade no miolo, não integrar João Teixeira será um erro dos grandes. Se for preciso, mudem-lhe o nome. Muito bom jogador, John Texas.


Visto o segundo jogo destes dois reforços, mantenho uma dúvida - Benito - e ganho uma certeza - César. 

Sobre o primeiro, preciso apenas de confirmar o seu jogo contra uma equipa diferente do Sporting; ou seja, uma equipa que privilegie um ataque continuado e não, como os leões ontem fizeram, um jogo de contenção e cinismo. O Ajax será um bom teste para avaliar se as preocupações que tenho com Benito são reais ou se o jogador consegue ser um bom reforço. Defeitos: mau posicionamento em situação defensiva, não antecipando os movimentos do adversário e caindo excessivamente na "queima" que ou o faz perder o lance e deixar o extremo ficar isolado ou o força a um jogo demasiado faltoso; nas bolas paradas, Benito hesita muito e é várias vezes apanhado fora do seu espaço, deixando o adversário com tempo para executar; com bola, procura pouco o jogo interior e as combinações com os médios - recorrentemente dá no extremo, ao longo da linha, o que mostra uma compreensão deficiente do que é o jogo. Virtudes: compensa bem o lado contrário da defesa, sempre que a equipa está descompensada; mostra tranquilidade e segurança no seu jogo; boa condição física, subindo e descendo sem dificuldades e sem ficar com as costas desguarnecidas; boa eficácia de cruzamento; consegue ser desequilibrador quando se aventura em zonas ofensivas. Em resumo, não me parece ser o lateral titular de que o Benfica precisa. 

Sobre César, julgo que estamos perante uma boa contratação. Bom jogo nas alturas; excelente a antecipar os lances - pelo ar ou pelo chão -; forte no desarme; percebe bem a necessidade de ser fiel à linha defensiva; tem segurança com bola quando sai com ela ou passa para o miolo, sem dificuldades; lançado em velocidade com o adversário, mostra-se rápido e eficaz na procura do espaço que lhe garanta o desarme. Deve procurar menos os passes de risco para o lateral, quando este está pressionado - a equipa tem de ter mecanismos que o protejam dessa opção, mas o jogador deve também saber defender-se e defender o perigo para a equipa de uma perda de bola em zonas perigosas. Resumindo, tecnicamente capaz, atleticamente forte, tacticamente inteligente, César é já, se Lisandro sair, o segundo melhor central do Benfica e o previsível titular, se não contratarmos ninguém para a posição.


Nada acrescento a "talento puro" e "cabe a Jesus burilar este diamante.

6) Derley deixava água na boca no Marítimo e ontem confirmou todas as expectativas. Sendo titular ou vindo do banco, será uma das figuras da época 2014/2015. Tem golo; tem presença física; sabe deslocar os defesas para a entrada dos colegas; combina muito bem com os extremos, não raramente mudando de posição com eles; de fora para dentro é perigosíssimo, tanto em diagonais dentro da área como aparecendo à entrada da área para finalizar um cruzamento; sabe recuar, tabelar, abrir jogo e rapidamente procurar a bola no espaço; nas recuperações de bola em transição, é óptimo porque sai rápido e decide geralmente bem. Não é um 9 puro, é mais um Rodrigo. O que quer dizer que, se Cardozo sair ou se mantiver lesionado, o Benfica precisa de ir ao mercado para ter uma opção mais "posicional" no ataque.

Nada acrescento a "será uma das figuras da época".


Nada acrescento a "fica a ideia para o nosso mister reflectir" e "Luís Felipe é um feliz contemplado na Wall of Cepos".

8) Bernardo Silva não pode entrar só a 10 minutos do fim, para uma posição que não é a dele e depois concluir-se que "não serve". Se o Jesus quer desperdiçar talento puro de um puto que é benfiquista até ao tutano, pode dizê-lo publicamente; isto assim é que não. Se quer desculpas, arranje outras. Não vale é fingir que se aposta quando na verdade está-se a apostar em não apostar. 


Diz mesmo tudo. 



As minhas primeiras impressões

Após dois jogos, um golo marcado e outro sofrido, uma vitória e uma derrota, o mundo B(enfiquista) começa a entrar em ebulição.

Constatando a enorme diferença de valores entre o actual plantel e o passado, a preocupação adensa-se e já nem o treinador esconde o seu desconforto.

Não sou, nem hei-de ser, fã de Jorge Jesus, mas se há coisa que lhe reconheço é a parca propensão para o queixume. O treinador do B(enfica) nunca demonstrou publicamente tamanho desagrado com a construção dos sucessivos planteis que teve ao dispor. Pelo contrário, sempre procurou encarar as saídas com naturalidade e sempre se apressou a chamar pelos "Maneis" desta vida. Se desta vez não se inibe de expressar esse desagrado, é porque a coisa vai mal... Pior do que eu próprio imaginava.

Neste momento Jorge Jesus vê-se na possibilidade de ter um plantel ao nível dos que foram colocados à disposição de Fernando Santos ou Trapattoni. Se o plantel definitivo for realmente este, ou próximo, teremos aqui uma boa base de comparação entre treinadores.

Há matéria para trabalhar nos novos reforços, como nos casos de Talisca, César ou até mesmo Benito. Acredito que JJ consiga fazer daqui jogadores, no mínimo, razoáveis. O problema é que nenhum deles parece preparado para assumir a titularidade de uma equipa que se quer capaz de defender o titulo conquistado.

A situação mais grave, mais uma vez, está na lateral esquerda. Se nos restantes casos (a manterem-se os actuais principais jogadores) haverá tempo para que o treinador os trabalhe e os prepare para as exigências do clube, no caso de Benito a única alternativa que existe é Djavan, outro jogador que necessita de trabalho táctico e que, por isso, seria de todo conveniente ter um lateral capaz de assumir a titularidade desde já e com qualidade.

Mas nem tudo são más notícias, há que destacar a qualidade apresentada por João Teixeira (ainda que tenha que nascer mais 9 vezes), mostrando ser um valor interessante para fazer parte do plantel e ir aparecendo, ainda que não seja adequado que assuma a titularidade absoluta nesta fase.

Ainda nos jovens há a destacar Bernardo Silva, mas não pelos melhores motivos. A qualidade do jovem B(enfiquista) é inegável para quem lhe conhece o trajecto no clube, mas tem parecido demasiado ansioso nos parcos minutos que lhe foram dados nestes dois jogos. Talvez esteja a sentir a pressão de ter que mostrar serviço para assim segurar um lugar no plantel e isto pode indiciar alguma relutância em apostar no jogador por parte do treinador. Mas aguardemos para ver.


João Cancelo continua a demonstrar qualidade técnica inversamente proporcional à capacidade mental e de entendimento de fundamentos básicos do jogo, características já evidenciadas na equipa secundária. Ou seja, neste momento está longe do nível exigível para o plantel e, por isso, considero que lhe fosse favorável um empréstimo a uma equipa de primeira liga onde possa jogar e melhorar os aspectos tácticos que, claramente, não domina. É no fundo, o nosso Luís Felipe, mas magro e com maior capacidade técnica.


P.S 1 - Agora sem qualquer sarcasmo, a ideia de mudar o nome da BenficaTv para BTV é pouco mais que ridícula. Entendo que haja a intenção de aproximar o canal dos adeptos não afectos ao clube, até pela necessidade de rentabilizar os conteúdos pelas assinaturas, mas como pode o canal descolar-se do Benfica quando 99% dos seus conteúdos são, e bem, relacionados com o Benfica? Quando, naturalmente, os comentadores e analistas são Benfiquistas e, também naturalmente, algo (ou muito) tendenciosos?

P.S. 2 - Calado, já agora, porque não faz jus ao nome?


Canto inferior direito da B(enfica)TV


domingo, 20 de Julho de 2014

Recados para serem ouvidos por quem tiver orelhas grandes


"Aquilo que eu posso prometer é aquilo que tenho prometido ao longo dos 5 anos, é trabalho, qualidade do trabalho, tentar valorizar o máximo possível a equipa em títulos, jogadores e isso só se consegue com trabalho. Mas só trabalho, só trabalho isso não chega, tem de haver qualidade."

Jorge Jesus, no final do jogo


sábado, 19 de Julho de 2014

O poder e a influência dos fundos


Um dos melhores jornalistas e comentadores que por aí anda dá pelo nome de Rui Pedro Braz. Análises isentas, imparciais, bastante perspicazes e sem necessitar de se colocar em bicos de pés. Dizia Rui Pedro Braz aqui há uns dias que o grande problema dos fundos e de alguns empresários é, além de não se saber muito bem de onde vem, para onde vai e por onde circulou o dinheiro, a capacidade que os fundos têm de "decidir" os campeonatos através da vontade que têm de ver um jogador específico num determinado clube, o que acarreta uma necessária viciação de resultados. Se um fundo com alguns jogadores de grande qualidade decidir colocar esses mesmos atletas no clube X, não fica muito mais fácil a esse mesmo clube ser campeão sem investir o próprio dinheiro?

Basta ver o que se passou no ano passado com o Benfica e o que se está a passar este ano com o Porto para percebermos quem é que fez all in sem usar as próprias fichas. É assim que se ganham campeonatos. Ou acham que há petróleo no Beato?

Benfica-Estoril: primeiro raio-X

O primeiro jogo da pré-época nunca pode servir de motivo de depressão ou de euforia. Os jogadores têm apenas 15 dias de preparação, procuram ainda a melhor forma de interpretar a ideia de jogo que o treinador tem e entender os restantes colegas e seu tipo de jogo. É, portanto, apenas e só um gerador de primeiras impressões que necessitarão de mais base que as sustente. Sendo assim, vamos ao primeiro raio-X de 2014/2015:

1) Uma inesperada (pelo parco tempo de preparação) sintonia entre os jogadores e uma boa assimilação da filosofia de Jorge Jesus: sa saída de bola, vimos o médio defensivo baixar para os centrais abrirem; vimos a compensação do extremo na subida do lateral; vimos a procura de alternar entre o jogo interior e a busca pela verticalidade dos extremos; vimos os movimentos de aproximação ao miolo por parte do avançado; tentativa de combinação em triângulos: «extremo, médio, avançado» ou «lateral, médio, extremo», consoante a zona do campo em que procurávamos a construção de jogo; compensação do médio-defensivo à subida dos laterais; procura (ainda difícil) de sintonia entre o médio defensivo e o médio de transição; movimentos de ruptura de um dos avançados, procurando deixar o terreno livre para a entrada ou do extremo em diagonal ou do outro avançado, com espaço aclarado; pressão alta e orientada para os espaços exteriores para logo "sufocar" o portador de bola com dois e três jogadores; trabalho nas bolas paradas. 

Alguns dos pressupostos que orientam a filosofia de Jorge Jesus estiveram bem nítidos neste primeiro jogo. Ainda faltam alguns, os que mais dificilmente são explicáveis a jogadores que chegaram há 3 semanas e começaram a treinar há 2. No entanto, é positivo que tanto trabalho esteja a ser compreendido pelos atletas. É uma das grandes mais-valias do nosso técnico: em termos de treino, é dos melhores do mundo.

2) Luís Felipe entra directamente para a Wall of Cepos. Todos os anos, por alguma estranha razão, o Benfica decide contratar um mau jogador. Não é possível acreditar que Jorge Jesus ou a equipa de prospecção do clube tenham vislumbrado qualidade em Luís Felipe, tão mau é o rapaz; logo, temos duas hipóteses para esta contratação: deu alguma comissão ao treinador, ao Presidente ou a outro gajo qualquer; é importante ter nos treinos uma referência no sentido de o mister poder explicar como não se joga futebol - «olhem para o Luís Felipe, aquilo é tudo aquilo que vocês não podem fazer!». Luís Felipe entra assim na Wall of Cepos, continuando a saga que se iniciou com Emerson e teve continuidade com Cortez. Se o primeiro ficou absurdamente uma época inteira a titular, contribuindo para não ganharmos o título, já o segundo ia ficando não fora termos emendado a mão no último segundo de Agosto. Espera-se que Luís Felipe possa seguir as pisadas de Cortez e ficar já encostado para sair em Janeiro. A diferença é que Cortez veio emprestado e este, se ficar os 5 anos ligado ao clube, custar-nos-á 2 milhões de euros. Só 400.000 a menos do que... Garay.

3) João Teixeira. Uma surpresa no onze e uma boa surpresa em campo, embora não tenha feito um jogo exemplar. Cometeu alguns erros compreensíveis pela natural ansiedade em mostrar serviço de um puto que tem qualidade: bolas perdidas em zonas cruciais, alguns erros no passe, nem sempre mantendo o equilíbrio posicional aquando das subidas dos laterais. Positivo: muito boa antecipação dos lances, entrando em desarmes que denotam concentração e capacidade para antever o jogo adversário; disponibilidade física; agressividade positiva, disputando cada lance com o espírito competitivo que se exige a um jogador do Benfica; visão de jogo, encontrando boas e inesperadas soluções mesmo quando estava pressionado; a procura pelo jogo vertical interior - quase sempre para Talisca ou Derley - dá bons indícios sobre a forma como interpreta o jogo. 

João Teixeira, juntamente com Rúben Pinto, Bernardo Silva ou outros jovens da formação, não deve nada a putos que chegam vindos do estrangeiro. A única razão para não serem aposta prende-se com uma estratégia errada de modelo de gestão. No Benfica, pensa-se sempre em fazer lucro, mesmo que no saldo entre compras e vendas na era Vieira o prejuízo seja assinalável. Olhem para os putos, dêem-lhes reais oportunidades, que vão ver brotar daquele Seixal muito titular e muito "activo" que poderá ser vendido no futuro, além do contributo desportivo. Agora, é mesmo se apostarem neles e não se lhes derem um ou outro jogo de pré-época para logo serem encostados quando chegarem mais uns estrangeiros tipo... Luís Felipe.

4) Benito e César - ficam para outras núpcias. Tanto mostraram qualidades como defeitos. Prefiro ver o jogo de amanhã para não ter dúvidas sobre se são de facto reforços ou se estaremos perante jogadores medíocres.

5) Ola John. Um talento puro. É um dos meus jogadores preferidos e no qual tenho muita confiança. Espero poder ver este ano o Ola John de sempre com um acrescento em termos motivacionais e de espírito combativo. A qualidade que este miúdo tem merece ter consequência no relvado. E nós merecemos ter um Ola John a brilhar de águia ao peito. Cabe a Jesus burilar este diamante. 

6) Derley deixava água na boca no Marítimo e ontem confirmou todas as expectativas. Sendo titular ou vindo do banco, será uma das figuras da época 2014/2015. Tem golo; tem presença física; sabe deslocar os defesas para a entrada dos colegas; combina muito bem com os extremos, não raramente mudando de posição com eles; de fora para dentro é perigosíssimo, tanto em diagonais dentro da área como aparecendo à entrada da área para finalizar um cruzamento; sabe recuar, tabelar, abrir jogo e rapidamente procurar a bola no espaço; nas recuperações de bola em transição, é óptimo porque sai rápido e decide geralmente bem. Não é um 9 puro, é mais um Rodrigo. O que quer dizer que, se Cardozo sair ou se mantiver lesionado, o Benfica precisa de ir ao mercado para ter uma opção mais "posicional" no ataque.

7) Candeias. Imaginando que Gaitán fica (o que não é, de todo, expectável), para as alas teremos o argentino, Salvio, Ola John, Pizzi e Candeias. Não será injusto dizer que o último será a última opção. Tendo em conta que Maxi pode não ficar ou mesmo ficando tem, como teve sempre, problemas posicionais, que Cancelo não é opção para Jesus e que Luís Felipe é, enfim, mais um feliz contemplado na Wall of Cepos, diria que Candeias poderia dar um bom lateral. Fica a ideia para o nosso mister reflectir.

8) Jara - 5,5 milhões de euros - não é nenhum cepo, mas também não justifica ficar no plantel tendo em conta que temos Lima, Cardozo e Derley (e Nelson?). Vendia o gajo. 2 milhões seria um negócio implacável.

9) Aparecer de 5 em 5 minutos a cara do Presidente é uma coisa asquerosa. Esta lobotomia aos benfiquistas - que tem resultado - é demasiado degradante. Numa campanha de angariação de sócios, a escolha para ter como figura da mesma a cara do Presidente diz tudo de quem temos a desgovernar o nosso clube.

10) Calado se estivesse calado era um bom poeta calado. A Benfica TV tem um principal requisito: ser lambe-botas do Presidente, do treinador e de tudo o que se faz no clube. Mas também não exagerem. Nada justifica tanto melão.





sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Ode a Margarida Prieto

Como eu não sou religioso, tenho tempo para pensar. Se eu andasse a planear roubar a caixa de esmolas da Igreja, a inventariar a vida dos outros, a estudar exaustivamente os livros que dizem que Deus existe porque o filho dele escreveu um livro, em rezas ou idas à missa, restar-me-ia pouquíssimo tempo para o resto. E o resto é absurdamente desgastante. Cansa muito pensar, consomem-se dias nisto e não se chega a conclusão nenhuma. Se ao menos Deus existisse para desinventar os que nele não crêem. Se ao menos.

Como tudo seria mais fácil se eu acreditasse que, morrendo, viveria e não esta estúpida ideia que não me sai da cabeça de que, morrendo, morro. Uma luz que me chegasse de fininho, me iluminasse e me criasse crente. Não precisava de ser cinematográfico; um toque no ombro, um pentear de cabelos, uma mão sobre a minha, dois cubos de gelo sobre a mesa, qualquer coisa que me ensinasse o dom da fé sem questões. Mas mantenho teimosamente esta luta comigo próprio, este absurdo necessitar de provas, de coisas tangíveis e claras. Se ao menos Deus existisse e me chamasse pelo nome. Às vezes estou na cozinha a olhar o horizonte nublado, requisitando absolvições divinas e oiço uma voz. "Ricardo, Ricardo" e não sei se é do gin se do adiantado do mundo mas entra-se-me uma esperança de eterno que logo é miseravelmente destruída pela realidade: afinal não é Deus nem Nosso Senhor nem sequer a Fátima que gostava de comer azeitonas em cima de uma árvore. É a vizinha que traz o quotidiano: "podes passar-me as cuecas do meu filho que caíram no teu estendal?". Se ao menos Deus fosse uma dona de casa. Se ao menos.

No outro dia, visitaram-me. Abri a porta e uma senhora muito bem composta com o seu deficiente mental de estimação atrás dela, de óculos muito grandes, vítreos e profundos, umas mãos pequenas e uns olhos que me perscrutavam as pontas dos pés. A senhora de cabelo apanhado, casaquinho de malha, ombros caídos sob a presença do etéreo e uns livrinhos de que, tem a certeza, eu vou gostar muito de ler. Não são bem livros, antes folhetos, páginas a azul e branco com propaganda jeová. "Já leu as crónicas do Dr. Abraham Milzenovky Tratcher Viktus?", "Com imensa pena minha, não li", "Pois é, as pessoas hoje em dia dedicam-se a outras coisas", "De facto", "O que tem a dizer sobre a religião?", "Talvez caia melhor com chourição", "É crente?", "Apenas no que vejo e no Benfica", "Vê este pobre coitado aqui perto de mim?", "Se os olhos não me enganam...", "Foi salvo por Deus", "Tem provas?", "Não são necessárias", "Nem para ele próprio?", "O rapazinho não tem capacidade para isso", "Porquê?", "Tem uma deficiência mental profunda", "Compreendo", "Já leu a Bíblia?", "Aos soluços", "E o que retirou dos ensinamentos?", "Pouca coisa, quase nada, um adultério aqui, uma traição acolá, uns crimes de fraco teor artístico, pão, vinho e pouco mais", "Não se brinca com coisas sérias.", "Precisamente o que sinto", "Então sabe que Deus existe e nos ama a todos?", "Não sei, nunca o conheci barba com barba", "Tem dúvidas sobre a existência de Deus?!?!?", "Todas e mais algumas", "Mas se está escrito no livro..."

De modo que penso, a espaços. Relaciono coisas. Por exemplo: no outro dia vi uma foto do tirada na Suíça que me mostrava um jogo de xadrez gigante, com pessoas em volta. Faz todo o sentido. O que peca no jogo é precisamente a diminuta visão que podemos ter dele, quando num tabuleiro ou, pior, na internet, com as pecinhas todas espalmadas e nós a vermos-lhes os cocurutos. Para o jogo de xadrez, é necessária visão e dimensão espacial. Para imaginarmos os ângulos, o jogo de vai e volta, o futuro das peças, a morte ou sobrevivência consoante as várias escolhas do agora. Fosse o xadrez um enorme campo de ténis e o desporto teria outra popularidade entre as gentes. E, no fundo, xadrez, ténis, bilhar, futebol, o jogo da parede ainda no velhinho ZXSpectrum são de um agnosticismo desarmante. Não chega crer, há que ir crendo, aos poucos, em ângulos, devagarinho, ganhando centímetros, teimando, desistindo, escolhendo vias, pondo em causa, acertando. 

A religião é um bocadinho como aquele ser, muito de Cascais, que um dia conheci em estágios futebolísticos e que tinha como conceito de vida o limpar o rabo um número, reduzido e sempre igual, de vezes: o acaso escatológico ficava a cargo de Deus.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Alguns blogues benfiquistas que gostamos de ler:


- A Mão de Vata
- Cabelo do Aimar
- Ai Vale Bujas?
- Mágico SLB
- Ndrangheta
- Benfica Eclético
- NovoGeraçãoBenfica
- Em Defesa do Benfica 
- Gordo Vai à Baliza



Quais os vossos preferidos, aqueles que todos os dias lêem?

Sem rumo

Djuricic muito próximo de sair do clube. É este o problema: falta de estratégia, ausência de coordenação entre as ideias do técnico e as compras efectuadas. Avançámos 8 milhões de euros num excelente jogador que, pelas características que tem - é potenciado a «10», nunca a segundo avançado ou encostado numa ala -, não se enquadra no modelo de Jorge Jesus.

Agora irá de empréstimo para nunca mais voltar. Sidnei-Sete-Milhões e Ola John-Nove-Milhões conhecem o conceito. E tantos outros que, somados, mostram o porquê de o Benfica estar endividado até ao pescoço. Enquanto se enganam os adeptos e se destrói uma equipa campeã, enquanto se justifica esta absurda sangria com o endividamento (do qual os dirigentes são os únicos responsáveis), temos enterrados milhões de euros em jogadores emprestados. 

Já só apoia isto quem ou é muito cego ou tem algum interesse pessoal. 

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

O tempo explicará



Desde o início do presente ano civil, o Benfica já anunciou a alienação dos direitos económicos e desportivos de 6 jogadores (Matic, Rodrigo, André Gomes, Garay, Markovic e Oblak), por valores, no mínimo, assinaláveis – falo, naturalmente, de jogadores de relevo do plantel, já que, o clube também já cedeu outros jogadores “secundários”.

Ainda que o Benfica não detivesse a totalidade dos passes de cada jogador, tudo junto dá uma bela “pipa de massa”.

No plano estritamente desportivo, esta debanda só pode dar mau resultado ou, pelo menos, não deixará o plantel mais forte. Há quem justifique esta venda compulsiva com as pressões de cada jogador para sair e também há que veja esta situação como a face mais visível das dificuldades financeiras que o Benfica poderá estar a atravessar.

Estando por fora de todo e qualquer processo, será sempre difícil acertar com exactidão nas razões que levam a tamanho desmantelamento de um plantel vitorioso. Porém teremos sempre um aliado… o tempo.

O tempo será responsável por nos explicar a razão da saída em cardume de tanta “truta”. E este defeso será fulcral para nos dar essa explicação.

Caso o clube seja capaz de atacar o mercado de transferências em força e revelando aquisições de monta para o plantel, poderemos inferir que o dinheiro encaixado com as vendas servirá para pagar compromissos financeiros, mas também para reinvestir no plano desportivo, reinventando o plantel, já que, falamos realmente de muito dinheiro.

Por outro lado, se daqui a té ao início de Setembro o clube mantiver a actual política de aquisição, ou seja, comprar o mais baratinho e desconhecido possível, aí sim, teremos a prova provada de um possível falhanço do actual modelo de gestão.

Verificando-se a segunda hipótese, poderemos sempre argumentar com o eventual realismo do presidente, face aos dias que vivemos, mas será pouco credível que Luís Filipe Vieira e a sua direcção tenham invertido tão bruscamente o caminho que seguiram na última década.

Atlético anuncia Oblak

"El Atlético de Madrid y el Benfica han alcanzado un acuerdo para el traspaso de Jan Oblak a nuestra entidad, pendiente del correspondiente reconocimiento médico y la posterior firma de contrato por parte del jugador."

 
Então mas o jogador não tinha já feito os testes médicos há uma semana atrás?

O jogador ao agir em má fé não viu um processo disciplinar a ser-lhe instaurado?

O Atlético ao agir em má fé não ficou com as relações institucionais com o Benfica deterioradas?

O Benfica ao sentir-se prejudicado por jogos de bastidores não avançou com uma queixa contra a situação?

 

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Carta ao Excelentíssimo Senhor Presidente

Exº Sr. Presidente,

Sou um bom cliente do Benfica (quotas em dia, redpass, camisolas, cuecas, canetas etc..), até compro mais coisas do Benfica do que do Pingo Doce veja lá! Mas vamos ao que interessa. Sei bem da minha responsabilidade enquanto cliente desta grande instituição, a de não afectar negativamente o prestígio da marca Benfica por este mundo fora (e que grande Clube é o nosso!) mas tenho umas questões para si, que tentarei manter em sigilo para não alimentar velhos do restelo (…da Luz) que vão aparecendo tipo pop-up’s por esta internet fora.

Tenho uma camisola com escudo de campeão (do tempo em que eram umas belas quinas na manga esquerda) e na altura o Sr. Presidente prometeu-me muitos títulos e que eu teria uns 299.999 outros clientes com os quais partilhar experiências, nomeadamente aquelas em que dávamos uma coça ao Real Madrid (assim tipo uns 5-0!), o dito Clube que era suposto termos ultrapassado como colosso europeu há uns 2 ou 3 anos. Eu percebo o facto de entretanto ainda não termos chegado lá, afinal há que ser ambicioso, uma das regras do bom marketing é a capacidade de vender o sonho, e afinal de contas desde essa altura já chegámos a duas finais europeias! Assim sim, estruturas fortes ganham clientes! Mas para a próxima não nos faça sofrer tanto, pode ser Sr. Presidente? 

Seguindo o trilho do bom Marketing, agradeço que não nos esclareça nada acerca do mercado de transferências porque como sabe, um cliente quer resultados ou neste caso títulos, o caminho para lá chegar não nos interessa. É como explicar como é que se fermenta cerveja a uma pessoa que só quer beber uma bjeca. Um pequeno aparte para agradecer o fúcsia (é uma cor) da actual camisola alternativa, afinal já há vermelho e branco que chegue na camisola principal, acaba por fartar. E lá está...há que vender à malta que sabe o que é estar na moda! Porque o resto pode mudar de clube que não estão cá a fazer nada, certo Sr. Presidente? 

Voltando ao que interessa (raios parta esta minha mania de divagar!), e por falar de moda: Eu sou um bocado hipster, portanto gosto de valores à antiga e foi por isso que me tornei cliente do benfica. O meu Pai sempre me disse que o Benfica é um Clube de verdade, sem trapalhices e bonito por natureza, da mesma forma que à partida sabemos que uma paisagem à beira-mar é bonita. Até ao momento em que lá construímos um hotel e aí torna-se também rentável...bonito e rentável! Este sim é um benfica à séria. No meio disto tudo só estou com um pequeno problema que, se Deus quiser, será só do meu teclado...Se o Sr. Presidente perceber alguma coisa de informática peço que me explique: porque é que eu não consigo escrever este benfica com letra maiúscula? 
Aquele abraço!

P.S: Resumindo, hoje em dia há que ser forte e manhoso o suficiente porque isto é um mundo-cão e ninguém chega a lado nenhum a ser "bonzinho". Eu sei que o Sr. Presidente é mais virado para o futuro e por isso o escolhemos para nosso grande líder. Vou confessar uma coisa: Votei em branco nas últimas eleições, peço desculpa pelo bloqueio mental que tive dia 26/10/2012, mas é que tínhamos sido campeões dois anos antes e a alegria afectou-me o lado racional do cérebro. Mas pronto, menos mal. Acho que os 17% que se enganaram deviam ser exonerados, é um bocado duro mas é o que dá ser seu fã. Continuarei a assobiar quem assobia, em sua honra! Viva o benfica (chiça, é que nem com caps lock vou lá…)

Um Ontiano/Benfiquista/Sócio do Glorioso

Benfiquistas, olho aberto: há uma União Nacional Anti-Benfica!


segunda-feira, 14 de Julho de 2014

O adeus de Oblak à la Matic

Já nem tentam disfarçar.
Vamos continuar todos a acreditar no conto de fadas?

Matic: «Sim, foi o meu último jogo. Quero agradecer a todas as pessoas do clube e a todos os adeptos. O Benfica ficará para sempre no meu coração. Joguei aqui dois anos e meio, dei o meu melhor em cada treino, em cada jogo, e agora é o momento certo para sair. Quero melhorar, quero ir para uma liga melhor e quero ir para o Chelsea, clube do qual também gosto. Agradeço também ao presidente do Benfica, fez tudo o que podia para eu ficar aqui, mas fui eu que insisti para sair. Respeito o esforço que fez para me manter no clube, tanto ele como todas as pessoas do Benfica foram muito boas para mim, fizeram-me feliz, mas repito que insisti em sair por entender que é o momento certo»

Oblak: «Fui eu que quis sair para o Atlético Madrid. Desde miúdo que sempre sonhei jogar na Liga espanhola, que é melhor que a portuguesa. Este era um novo desafio que queria agarrar. O Benfica queria que continuasse e o presidente tudo fez para que não saísse, mas a minha vontade era de assinar pelo Atlético Madrid»

Brasil 2014 - A Alemanha ganhou e a solução é o Amor


domingo, 13 de Julho de 2014

Brasil 2014 - Uma canarinha sem cérebro (só rezas e amuletos)


Entre as meias-finais e o jogo do 3º lugar (um jogo que devia simplesmente desaparecer), o Brasil levou 10-1. O futebol tal como a vida não depende de fé e crenças religiosas, mas de inteligência, lógica e trabalho.

sábado, 12 de Julho de 2014

Adeus, Lazar. Foi um genuíno prazer.


Contar Carneirinhos e outras histórias da Formação do Benfica

O Benfica assinou um protocolo com o Barnsley, equipa relegada esta época à 3ª divisão inglesa, que visa principalmente a troca de jogadores entre as equipas principais e de formação dos dois clubes.

Confesso que tenho alguma dificuldade em compreender o que é que uma equipa da League One inglesa (repito, 3º escalão!) nos tem para oferecer em termos de equipa principal. Mais difícil ainda fica entender qual o propósito desta parceria se a intenção for colocar jogadores do Benfica a ganhar experiência num campeonato da qualidade dos nossos distritais, onde se disputam encontros com a mesma qualidade da dos pelados da saudosa Liga dos Últimos.

E em termos de escalões jovens? A formação inglesa não é conhecida por ser propriamente de grande qualidade. Na verdade, até é conhecida por formar dezenas de cepos. Ainda se estivéssemos a falar de um clube com alguma tradição neste campo, como o Southampton, perceberia, mas… o Barnsley?! No Barnsley o Gary Charles e o Steve Harkness seriam craques! Não no Benfica. Se a formação do Barnsley de pouco ou nada serve ao Benfica, servirá a formação do Benfica ao Barnsley? Sim, sem dúvida. Os nossos jovens têm mais que qualidade para se impor naquele meio. Mas o que ganham os nossos jovens e, por conseguinte, o Benfica? Pouco ou nada. A experiência competitiva no estrangeiro até poderia ser uma mais-valia, mas nunca num meio onde a qualidade competitiva é perto de nula. A quem é que isto poderia ser útil? Só mesmo a jovens made in Seixal sem qualidade para lá andarem e que por lá se mantêm por serem filhos ou familiares de quem são. Exemplos? Rômulo Santos, sobrinho de José Eduardo dos Santos, ou talvez Pedro Carneiro, filho do Coordenador da Formação encarnada, Armando Jorge Carneiro.


Na imagem encontra-se Pedro Carneiro, médio da formação encarnada, vencedor de uma espécie de Erasmus em Barnsley que lhe permitirá acrescentar esta experiência ao curriculum vitae. Foi com esta imagem que o jornal Record apresentou a notícia da parceria. Aliás, o conteúdo da notícia original era bem diferente da que agora se encontra acessível no site do diário desportivo, como podem verificar (à esquerda o "antes" e à direita o "depois"):


O jornal Record "corrigiu" a notícia. Uma "afinaçãozinha" apenas. Não convém dizer tudo. Certamente que alguém levou uma reprimenda ou recebeu uma chamadinha por publicar informação que não devia.

Fica a pergunta: o Benfica quer fazer um trabalho sério e credível a nível da formação ou ser o trampolim para os filhos dos altos quadros irem ganhar curriculum vitae no estrangeiro?

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Descubra as diferenças

“O guarda-redes esloveno tinha autorização para se apresentar uma semana mais tarde que o resto do plantel, depois de ter representado a sua seleção, mas não o fez, confirmou o Maisfutebol, pelo que o clube considera que está a faltar sem justificação desde segunda-feira.

Seguem-se os trâmites legais associados a um processo disciplinar.”

Este texto escrito no site do maisfutebol, desde 12 de Julho de 2013, poderia ter sido publicado num qualquer dia desta semana não fosse um pequeno pormenor... O processo disciplinar.

Na época passada, na sequência da ausência do guarda-redes esloveno, o Benfica instaurou, e bem, um processo disciplinar ao jogador.

Um ano volvido, a situação repete-se, mas muito da diferença das duas ausências e do conhecimento ou falta dele por parte do Benfica sobre as mesmas pode ser explicada pela diferença de reação do clube.


Duas ausências, dois procedimentos. Deve ter sido por esquecimento, estou certo.

BRASA, a mistura solúvel



«Brasa» era um composto em PÓ que se adicionava à água ou ao leite FAZENDO-SE PASSAR por uma espécie de café. E o jingle dizia assim:

- Parece que é! - Mas não é!
- Que gosto, que satisfação!
- Brasa é a bebida que aquece o coração!
- Cevada, chicória e centeio, é a sua composição…
- Brasa é a bebida que aquece o coração!
- Brasa é a bebida que aquece o coração!

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Saudades do Estádio da Luz

Acordou em Julho com saudades do Estádio da Luz. Na torrada viu a cara de um jogador do Benfica, na chávena de café o reflexo de um golo de Enzo Pérez. Ligou a televisão e viu o resumo da meia-final do Mundial, um tal Argentina-Holanda sem golos, decisão nos penalties, lembrou-se de Turim, entristeceu, desligou, desligou-se. No banho, olhava a água escorrendo pelos braços e fazia jogadas na pele em transições ofensivas: «Matic, bola para Enzo, dá na ala em Gaitán, sobe, finta um, entra para o meio, mete em Rodrigo que dá em Lima, golo!». E a bola seguia pela mão até cair em abismo no ralo que logo rodopiava, qual golo quase-golo, bate-no-poste e entra. 

Ao espelho, olhava-se por dentro e via 65.000 pessoas atrás, como se estivessem todas empoleiradas dentro da banheira. Cantava: «Nascido na Farmácia Francoooooooo...» e os benfiquistas que se engalfinhavam todos uns nos outros saltavam para as suas costas. Correu pela casa, transportando-os. Ouvia ao longe o bater de uma águia que esvoaçava pela janela em círculos e logo enfiava o bico pela sala como se estivesse esperando o som do apito inicial. Saiu para a rua.

Enquanto caminhava, pareceu-lhe ver umas rulotes naquele descampado por onde passava todos os dias e que todos os dias era um descampado sem rulotes, sem Benfica, sem golo, sem nada. Mas hoje estavam ali todas - Zeca Diabo, Manelito, Nunes, Caçamba, Zé das Bifanas, Litos, Pontapé na Bola. Aproximou-se de uma, pediu uma cerveja e uma entremeada. Enquanto esperava, viu chegar os amigos, abraçou-os com aquele abraço cúmplice que só os benfiquistas têm quando abraçam os outros amigos benfiquistas. Havia um sorriso, uma espécie de comunhão eterna de afectos, sem ser preciso abrir a boca ou levantar os lábios. À Benfica.

Encharcado de golos, seguiu pelo caminho de cachecol ao pescoço, camisola vestida, cartão de sócio no bolso. Passou por um viaduto e fingiu para si mesmo que era a ponte que do outro lado via deparar-se-lhe o Estádio. No ucraniano que lhe pedia moedas imaginou ver a senhora que vendia cachecóis e gritava «Cinco euros, freguês, é a 5 euros!» e acabou, por saudades, comprando um cachecol cinzento ao homem que estava encostado à paragem à espera do 53. Sentado no autocarro, viu o motorista começar uma onda que se alastrava pela senhora da frente, passava pela menina que ouvia música, pelo estudante que lia um livro e se preparava para exame, pelo senhor engravatado que fingia ver no telemóvel a ausência de solidão. Quando a onda se aproximou, primeiro fez «oooooooooooooooooooooooooooooh» e depois levantou-se e abriu os braços e disse «ooooooooooolé» e bateu compassadamente com os pés no chão, enquanto sorria de puro prazer. 

Saído do autocarro, caminhou para o emprego e já sentia a adrenalina do jogo subir-lhe pelas veias. Entrou no prédio, imaginava a equipa: «Oblak, Maxi, Luisão, Garay, Siqueira, Fejsa, Enzo, Markovic, Gaitán, Rodrigo e Lima». Depois questionava-se, enquanto saía no 2º andar aquela morena que todos os dias via mas não sabia ou não podia ou sabe-se lá o quê que o impedia de dizer mais do que um «Bom dia» ou um «Boa Tarde»: «se calhar hoje não joga o Rodrigo, mete-se o Cardozo que é jogo para o Tacuara». Ficou nisto até o elevador fazer um «plim» e abrir a porta para o corredor que o levava ao emprego.

Quase chegado à entrada, viu a Águia sobrevoar-lhe a cabeça em círculos. Deixou-a rodopiar e pousar, suave, em cima do cinzeiro alto junto à máquina do café. Sabia que quando a águia pousava assim, tão suave e perfeita, o Benfica só podia ganhar. Caminhou triunfante pela porta, cumprimentou os seus colegas de sector e gritou, agarrado ao cachecol: «BENFICA, BENFICA, BENFICA!». 


quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Onde vais Mori?



No Verão de 2012 optámos por emprestar o Rodrigo Mora ao River Plate, clube onde também actuava o Funes Mori.
Os meses passaram e se o Mora assumiu a totalidade e os golos na equipa argentina, já o Mori tornou-se o patinho feio da mesma.
Em Julho de 2013 o Rodrigo Mora regressou a Portugal, apresentou-se no Seixal e participou nos primeiros amigáveis da equipa principal. Mostrou qualidade, teve bons desempenhos e os adeptos observaram o jogador como sendo alguém com potencial para integrar a equipa na época que estava para começar.

Contudo, numa jogada de mestre, o Benfica acordou com River uma troca de jogadores. O Mora voltou para a Argentina e o Seixal recebeu o Mori.
Certamente alguém viu ali qualidades que mais ninguém ainda tinha visto.

Hoje o que podemos dizer desta negociata?
Vimos partir um jogador que parecia ter qualidade para acrescentar algo ao Benfica e ficámos perante um jogador que nunca mostrou qualquer sinal de poder alguma vez jogar no nosso Benfica. O Mori chegou, arrumou com o Nélson da formação para França e com o Mora para a Argentina, foi colocado na equipa B, teve escassas e fracas aparições na equipa A e agora foi despachado para o Eskisehirspor, 12º classificado do campeonato turco.

No Benfica moderno os títulos são poucos e os milhões ainda menos mas de fantasias e histórias estamos recheados.

Oblak



O folhetim em volta do guarda-redes que há um ano não servia para o Benfica, mas que foi factor importante nas conquistas da época passada, já vai longo e  ameaça a náusea.

Pouco ou nada se sabe por vias oficiais, mas muita e contraditória tem sido a informação oficiosa, parecendo certo duas coisas: 1 – Oblak não se encontra a treinar com o plantel; 2 – Dificilmente nos voltará a dar o prazer da sua presença na defesa das nossas redes.

Entre estes dois factos, ou seja, entre o início e fim de toda esta história há uma densa e difusa névoa que teima em adensar-se.

A versão oficiosa mais difundida e, já bastante enraizada, é a de que o jovem Esloveno, qual mercenário de guerra, se terá eximido às malhas de controlo do clube e esfumado rumo a um qualquer lugar recôndito deste planeta.

Do lado espanhol da fronteira, dizem-nos que Oblak se encontra em Madrid e que já terá feito exames médicos pelo campeão espanhol em título.

Ou seja, Oblak é apenas mais um dos que força o Benfica a vender. Oblak é apenas mais um jogador tenebroso que consegue colocar o Benfica entre a espada e parede. Maquiavélica esta rapaziada.

Em tudo isto há algo que me intriga: Será possível que o Benfica aceite de bom grado que um jogador seu preste testes médicos num outro clube sem o seu consentimento e não se sinta lesado ao ponto de não dar conhecimento do ocorrido à FIFA? Será possível que o campeão espanhol e vice-campeão europeu se exponha a este risco? Será entendível que o Atlético de Madrid coloque em causa as relações institucionais e comerciais que tem mantido com o Benfica?

Tomando por boa a informação de que Oblak se encontra em Espanha e que, de facto, já realizou testes médicos no Atlético de Madrid só existem duas opções: 1 – O jogador encontra-se no país vizinho à revelia do clube e o Benfica deve seguir até às últimas circunstâncias junto das entidades competentes; 2 – O jogador encontra-se em Espanha com o devido conhecimento e consentimento do clube e tudo isto não passa de uma farsa para justificar mais uma venda sem apresentar as reais razões para que ela aconteça.

No Benfica que eu conheci, a esta altura clube havia reagido de forma oficial para defender sua imagem perante um jogador que lhe está a ser desleal ou esclarecendo que o clube conhece e autoriza a presença do seu jogador em Espanha, evitando assim o assassínio de caracter que tem sido feito a um assalariado seu na imprensa nacional e, mais importante ainda, junto dos adeptos do clube. Mas talvez isto seja pedir demais ao actual Benfica.

P.S. Ao Senhor António Simões: O Senhor António Simões tem, por mérito próprio, direito a um lugar de destaque nas mais belas páginas da história desta instituição centenária. Por isso, por si, pelo que representa, por todos os que, como eu, têm em si uma referência, faça o favor de não se prestar a esse papel.