quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
sometimes you´ll walk alone
A derrota em Braga veio avisar os benfiquistas (desavisados) de que não há, nem nunca houve, uma equipa invencível capaz de golear consecutivamente durante todo o campeonato. A derrota em Braga veio lembrar os desavisados de que, mesmo jogando bem (e o Benfica fê-lo), nem sempre será possível, por esta ou aquela razão, vencer. Esta é uma lição que se espera bem aprendida por todos, começando nos jogadores - aliás, espera-se não só o seu entendimento como a capacidade de encaixe, porque uma equipa não pode ir abaixo mentalmente por perder um jogo; ou, pelo menos, uma grande equipa, como é hoje a equipa do Benfica.
A maioria dos adeptos dará nova hipótese de voo aos jogadores mas haverá quem já tenha o assobio guardado para qualquer eventualidade. Mais um ou dois jogos sem pontuar e Jesus perderá o estado de graça em que se viu inundado.
E é por isso que amanhã, em Liverpool, eu só espero uma vitória categórica. Pelo Benfica europeu mas, sobretudo, pelo Benfica campeão nacional 2009/2010.
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Orgásmico!
Obrigado por me terem devolvido o Benfica!
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Festival!
Não sei quanto tempo mais vai durar, mas neste momento não sinto inveja de nenhum outro adepto do mundo...
quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
O clube dos jornalistas
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
I miss you already, i miss you all day
sábado, 19 de Setembro de 2009
Venho aqui dizer que não tenho nada a dizer.
segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Sublime 2
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Dou-te oito doces em troca de um melão salgado
Quero destacar 4 momentos da noite:
- Aimar, com o Setúbal em posse de bola à saída da sua área, antecipa um erro de um jogador setubalense e, sempre em velocidade e voltado para a baliza, ganha a bola, fá-la voar sobre o último adversário, recebe-a na coxa, depois ampara-a no pé como veludo e, à saída do guarda-redes, um toque ligeiro devolvendo a bola à sua pátria, a baliza. Aimaravilhoso.
- No mesmo lance, Saviola, que assistia a tudo não como jogador mas como adepto - como se apenas ali estivesse porque pagou bilhete mais caro, para a zona do relvado -, vendo o seu espaço, que era de fora-de-jogo, invadido pelo tsunami aimaresco, recusou o brinde e abriu alas ao protagonista. Saviolúcido.
- Saviola, em momento de delírio, finta 3 jogadores como fintava há uns anos as crianças do bairro argentino onde vivia e, de frente para o guarda-redes, decide rematar em vez de passar a bola a dois jogadores isolados. Má opção, porque o golo estaria sempre mais perto através do passe e não do remate. Mas quantos de nós, em peladinhas, depois de deixarmos 3 gajos para trás, passamos a bola? Há na vertigem da jogada perfeita o dilúvio do egoísmo. E, estando já 6 bolas no saco, aceitamos a teimosia, Javier. Da próxima, passa a bola.
- Jorge Jesus, a ganhar por 6-0, via-se no banco como que enfurecido, exigente, louco, sedento de golos, mais golos, de jogadas de ataque, de futebol. Começa no treinador a impressão digital da equipa. Quando, dentro de campo, a ganharem por 6 ou 7, os jogadores vêem o seu técnico na linha lateral a barafustar e a exigir mais, fica mais fácil a uma equipa tornar-se melhor. E este Benfica é-o, de facto. Muito pela qualidade dos jogadores que tem, evidentemente, mas inequivocamente pela qualidade do treinador que tem. E isso, para alguns que faziam a análise não ao seu trabalho mas à sua gramática, espero que esteja a ser um bom sapo de engolir. Ou oito sapos, se quiserem.
terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Sublime!
terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Da parvoíce sem fim
Face a isto, a esta análise extremamente rigorosa, competente, séria e de uma inteligência sem par, nós, os crentes na qualidade do plantel e da equipa técnica, devemos falar baixo e evitar as frases reveladoras de burrice e optimismo exacerbado tais como: "apesar do empate, esta equipa mostrou em campo que tem qualidade mais do que suficiente para lutar pelo campeonato até ao fim" ou "o Benfica mereceu ganhar o jogo; não o ganhou, é certo, mas, do ponto de vista da evolução do jogo encarnado, estamos certos de que vimos trilhando o carreiro do sucesso e do bom futebol" ou ainda "talvez seja cedo para, na primeira jornada, e tendo nós tido uma avalanche de oportunidades de golo, deitarmos a inteligência ao chão".
Meus caros, não sejam burros. Com este pindérico ao leme, nem à Europa vamos. Despeça-se quanto antes o pária.
segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Déja Vú...
"1 - Ainda durante o reinado de Quique Flores tentámos a contratação do GR titular da selecção argentina. Depois veio Jorge Jesus e abandonámos a ideia. Não entendo.
2 - Na pré época o "mestre da táctica" quis ver em acção os guarda redes do Benfica. Se conhece assim tão bem o futebol português não devia ser preciso. Mais estranho ainda é ter concedido a titularidade ao GR que mais golos sofreu na pré-época. Não entendo.
3 - Não vi erros defensivos suficientes do Shaffer que justificassem o seu afastamento do onze inicial. Curiosamente JJ colocou reservas aos dois jogadores contratados antes da sua chegada. Não entendo.
4 - Patric não serve. Certo! E Luis Filipe serve? Não entendo.
5 - Dispensa-se Sepsi e Ruben Lima sem assegurarmos primeiro um jogador para essa posição. O escolhido é Cesar Peixoto. Não entendo.
6 - Gasta-se 7 milhões num trinco. E depois não ha mais dinheiro para outras posições carenciadas. Não entendo.
7 - JJ concorda com 2 anos de renovação do capitão. Depois chegam Saviola, Keirrison e Weldon para juntar a Cardozo e Mantorras num total de 6 avançados. Não entendo.
8 - Escolhe-se o losango como modelo de jogo que implica laterais ofensivos para destruir os autocarros colocados á frente das balizas. Depois deixa-se Shaffer no banco para jogar David Luiz. Não entendo.
9 - Cardozo é o homem ideal para rebentar com as defesas compactas. Passa o jogo todo sentado numa cadeira e é Weldon quem abana com a defesa contrária e nos permite chegar ao golo. Não devia ser ao contrário? Não entendo.
10 - Fabio Coentrão jogou sempre bem em todos os jogos da pré-época. A titularidade no entanto é concedida a Di Maria que ainda ha bocado passou aqui em frente a minha secretária a fintar com os cornos enfiados no chão ... Não entendo.
11 - A equipa terá de jogar o dobro e depois de ter assumido que estava surpreendido pelos indices de qualidade apresentados nesta altura da época, a equipa entra a passo e com a mesma atitude dos anos anteriores. Não entendo.
Resumindo: Quem não consegue entender 11 coisas no futebol (Tantas quantos os jogadores da equipa) o melhor que tem a fazer é pedir pra cagar e sair que é que vou fazer!
domingo, 2 de Agosto de 2009
segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Love is in the air?
FORÇA RAPAZES, DEVOLVAM A GLÓRIA AO MAIOR CLUBE DO MUNDO!!!
domingo, 19 de Julho de 2009
Previsões (venham de lá esses euros, se os tiverem no sítio)
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Pandemia
Existe uma pandemia sazonal, para além da gripe A, que anda a contagiar o pessoal. Não há razões para alarme. Acontece todos os anos e não causa vítimas mortais. É a gripe Benfica H09N10, numa nova estirpe que surge neste defeso e que está associada a falta de memória desportiva e tem a sua origem, essencialmente, em tridentes atacantes fantasistas oriundos da América Latina. É uma doença divertida; deixe-se contagiar – se quiser eu espirro-lhe para cima – eu já apanhei o bichito!
O principal veículo de contágio são os jornais e as suas capas infecciosas. Lançam frases acutilantes como quem cospe perdigotos, com consequências letais. Dou exemplos:
Capa da bola de ontem:
“JESUS NÃO LHES DÁ DESCANSO”
“Treinador vive e pensa o futebol 24 horas por dia”
“Palestras convocadas à última hora e em momentos inesperados”
“Exercícios repetidos até à exaustão”
Estas frases são um atentado sanitário, e têm uma consequência devastadora no adepto Benfiquista. Em linguagem benfiquista, esta é praticamente a descrição de uma orgia. Aliás, a conotação sexual é evidente: “não lhes dá descanso”, “24 horas por dia”, “à última hora e em momentos inesperados”, “repetidos até à exaustão”!
E pronto, lá fica o Benfiquista todo excitado, com uma grande fezada em gloriosas e fartas pinadelas (leia-se vitórias) com muitos golos.
Vamos embora! Viva o Benfica!! Aaattchimmm....
quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Não, não somos uma família...
Este texto começou por ser um comentário ao pertinentíssimo texto do Ricardo, com o qual concordo plenamente, mas achei que a coisa ganhava mais amplitude se saltasse para fora da caixa de comentários. Foi interessante a intensa troca de ideias que o Sr. Joseph Lemos desencadeou na dita caixa.
De facto, penso que todos os que aqui escrevem, bem como os que vociferam apaixonadamente por cafés e tascos deste país, gostariam de pertencer a esta maravilhosa irmandade: “Uma verdadeira família é una e indivisível e a manutenção desta harmonia só se consegue com a discussão e resolução dos seus problemas no interior do seu próprio seio”. Seria um privilégio. Eu próprio gostaria de ter participado naquele jantar onde LFV convenceu os órgão sociais a demitirem-se em bloco, provocando eleições antecipadas. Gostaria de ter debatido com ele a minha concepção de comportamento e ética a que o presidente do Benfica está vinculado. Talvez um de nós tivesse mudado de ideias!
Mas tal não é possível. E, por favor, deixem-se de sentimentalismos hiperbólicos quando as coisas são sérias. É óbvio que o Benfica não é uma família. Quando o Sr. Joseph Lemos o diz está, ingénua ou maliciosamente, a corroborar um disparate. Mesmo eu já devo ter proferido esse sentimentalismo, mas nunca quando o assunto é sério e racional. Repito, é óbvio que não somos uma família. Por mais que nos una um amor comum, família poderíamos ser se fossemos uns 20 ou 30 sócios e adeptos, se fôssemos um clube da terra. Como qualquer um entenderá, é impossível almejar um comportamento familiar quando nos aproximamos de duas centenas de milhar de sócios, milhões em simpatizantes. Nesta realidade não há debate em família, nem em privado. Tudo será, forçosamente, público. Por ser inconcebível LFV explicar-se em privado a cada um de nós, deve ter um comportamento irrepreensível, que não suscite as dúvidas que não poderá esclarecer. É como a mulher de César: não lhe basta ser séria, tem que parecer.
E isto é que deveria ser A QUESTÃO. Eu já nem quero saber se LFV é sério ou não. Já tenho como garantido que não o parece! Enveredar, junto com os órgãos sociais, por um caminho judicialmente dúbio ao mesmo tempo que opta por privar os sócios de outros candidatos à presidência é demasiado para a minha boa vontade, é mau demais!
Como o Ricardo, não compreendo este ataque endémico de miopia, que beneficiando, ou não, da falta de opositores credíveis ou da aversão dos sócios pelo voto em branco, permitiu resultados que sugerem uma acefalia generalizada. Mas sei que o discurso truculento e pouco escrupuloso de um presidente particularmente indecoroso neste capítulo, permitiu que a multidão perdesse noção do que se discutia verdadeiramente. Afinal, expressões que invocam o ataque à família, a tentativa de roubo do Benfica aos sócios e outras demonizações infantis da oposição servem apenas como cortina de fumo e vil engodo na tentativa de camuflar um último mandato muitíssimo aquém do prometido e exigível, bem como uma série de tomadas de posição e atitudes pouco dignificantes do nosso clube e sua história.
sábado, 4 de Julho de 2009
O Templo do Povo
sexta-feira, 26 de Junho de 2009
"Com este não vamos lá..."
Cada vez tenho mais certo que o que falta aos benfiquistas é capacidade e conhecimento futebolísticos. Vão atrás de ilusões, de incompetentes que parecem muito amantes do Benfica ou muito bem vestidos e detestam os portugas do povo, os gajos que dizem asneiras, têm uma atitude desleixada. Não interessa se estes últimos são, do ponto de vista da análise da sua competência, os melhores. O que interessa é que no Benfica "os portugueses não ganham" ou "os portugueses não têm o mesmo espaço de manobra". O irónico disto é que quem diz e defende estes conceitos é o mesmo que comete o pecado. E então criticam: antes de ser contratado, dizem cobras e lagartos do homem; quando é consumada a sua vinda, dizem coisas como "agora é o treinador do Benfica, defendo-o até à morte", ainda que sempre gozando com as suas gaffes e deixando subliminares mensagens de que este não é o treinador certo para o Benfica; depois de uns jogos, começam a dizer mal por tudo e por nada; depois de 3 meses defendem a sua saída; quando finalmente é demitido regozijam-se, viram-se uns para os outros e dizem "eu não disse? este gajo não serve!", chamam-lhe nomes, arranjam epítetos engraçados e curiosos com que o vão tratar nos próximos 10 anos; e, depois, quando o treinador que se sucedeu ao ódio de estimação mostra que é incompetente e estrangeiro, vêm para a rua com ar triste, mas sempre negando que o outro realmente é que tinha qualidade - isto porque o benfiquista não gosta de admitir que estava errado. Mas alguns, poucos, vêm para a blogosfera dizer: "admito que cometi um erro".
Pois cometeste: falaste sobre o que não conheces. Achaste-te no direito de falar, da poltrona, sobre o que serve e não serve o Benfica, sem capacidade para analisar a competência de um treinador. Mostraste a tua ignorância e preconceito, supostamente em nome de um passado sem portugueses ou a moralidade dos estrangeiros em detrimento dos outros, os broncos. E o bronco, no fundo, és tu.
domingo, 21 de Junho de 2009
José Torres, o Bom Gigante
Visto que a Fundação Benfica - que serve, essencialmente, para ajudar quem precisa mas parece não servir para dar a mão a um dos maiores símbolos da nossa História - não tem tido a atitude que dela se espera, proponho-vos o seguinte, na sequência de uma ideia que este blogue defende e que passa, em linhas gerais, pela aglutinação e dinâmica dos próprios adeptos em redor de causas benfiquistas:
- Combinamos um jantar em que cada benfiquista, no fim do mesmo, dará a ajuda que achar justa ou que puder disponibilizar. O dinheiro recolhido será entregue em mãos à família de José Torres. Sem abrirmos contas nem enviarmos o dinheiro para intermediários. Nós próprios, adeptos, faremos chegar o dinheiro à família do Bom Gigante.
O que acham?
Além de podermos contribuir para uma causa que devia ser tratada de forma mais digna por quem nos dirige, parece-me uma boa oportunidade de unirmos benfiquistas em torno da nossa causa maior, o nosso clube.
Dependendo da adesão que mostrarem na caixa de comentários, seguiremos (ou não) com esta ideia para a frente. Digam de vossa justiça.
sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Vão dar banho ao cão!
Estive uns dias valentes longe das notícias do futebol. Seguiu-se uma reentrada na atmosfera futebolística turbulenta, com o forte impacto astronómico do regresso da constelação galáctica, ou a libertação do homem de longos e multi-coloridos cabelos por parte do Salvador, fazendo Jesus o prometido caminho rumo à Catedral. Deram-se ainda outras minudências, do foro dentário, que rasgam sorrisos saudáveis nos adeptos que não têm mais nada por que sorrir.
Mas quero confessar a minha desilusão por algo que se passou entretanto. Confesso-me profundamente desiludido com LFV, com o Benfica, com os seus sócios e adeptos, e, surpreendentemente, com a blogosfera benfiquista, que julgava com mais capacidade crítica. Preferia levar 10 vezes 7 secos do Celta, a ter que passar pela humilhação de ver um presidente protagonizar (com o apoio dos seus - não me ocorre outra palavra - lacaios) um golpe de teatro que evidencia o mais assustador apego ao poder, uma coisa digna de um qualquer líder birmanês. A humilhação continua: O principal adversário deste pobre de espírito já não pode concorrer porque não tem os anos de sócio. O quê? Isto é mesmo verdade? Eu não quero ser conservador ou retrógrado, mas convenhamos que é completamente despropositado que um benfiquista de 4 anos e meio seja uma opção válida. Se calhar (!), ainda não deu provas para lhe entregarmos o clube, não é? Vamos ter um bocadinho de decoro, ou não? A humilhação suprema surge de malta estar conivente. Chateada mas conivente. Os argumentos do LFV convenceram alguém? Foi isso? Com esta decisão provou falhar num critério eliminatório na escolha de um líder – pôr o Benfica à frente dos interesses pessoais. Vão todos dar banho ao cão - se me querem convencer que eleições agora, e de um momento para o outro, é melhor que em Outubro...vão dar banho ao cão...para não dizer outra coisa...
O Sr. Luís Filipe Vieira é, a partir de agora, e para mim, uma mancha na história do clube. Considero que os benfiquistas se deviam mobilizar na discussão de uma forma de extirpar LFV do cargo que ocupa e, eventualmente, de sócio do Benfica. Parece radical, não é? Mas pensem bem...é o mínimo que se pode fazer a um ditador: exilá-lo da sociedade (benfiquista).
P.S.: Partilho, integralmente, da opinião e ilusão (todo o benfiquista já usa este termo neste contexto) do meu amigo Ricardo pelo senhor Moniz, expressa no texto abaixo. Por isso esta minha fúria, expressa acima. É que, a julgar pelas palavras de Moniz, LFV, com o seu golpe, conseguiu privar-me do meu candidato. Isso é estrondosamente grave. Muito mais grave do que a pueril reacção dos benfiquistas dá a entender e, repito, devia ser impedido a todo custo e de forma implacável.
Isso, dêem mais 3 anos ao gajo, que ele merece...
Será demasiado lírico, tudo isto? Talvez, mas serão os demasiadamente longos anos a ter de ouvir e lidar com Vieira que nos transportam para a ilusão sempre que vemos alguém dizer aquilo que sentimos. Um alguém que é competente naquilo que faz, que imaginamos poder construir uma equipa vencedora para o Benfica, um alguém que, mesmo tendo sido convidado pelo Movimento, soube demarcar-se do mesmo e prometer para o futuro uma ideia diferente, com pontos em comum mas distante de certas personagens que o Movimento chamou para as suas fileiras.
Talvez até por isso o Movimento perdeu fulgor. Não soube nunca distinguir quem são os que interessam e os que nem ao menino... Jesus interessam um bocadinho. Construiu uma ideia confusa entre uma amálgama de notáveis credíveis, antigos jogadores de quem todos gostamos juntos com aberrações e abutres, todos reunidos numa esquizofrénica dança de vingadores contra Vieira, egos desmoralizados e gente boa, que só quer o melhor para o clube. Talvez por isso o Movimento tenha saído tão fragilizado no fim. Porque não soube criar uma linha ideológica, não soube construir uma equipa de, e peço desculpa pela expressão mas é como a sinto, "verdadeiros benfiquistas", e nunca foi capaz de gerar no seu seio o lançamento de um candidato credível a tempo e horas. Bagão não quis, Moniz não quis e agora resta ao Movimento aquilo que, no fundo, é o mais importante: continuar a promover a discussão benfiquista. Não se esgota o projecto na ausência de candidato a estas eleições. Mas retirem lições da realidade. Comecem por ser correctos moralmente - Damásio a aplaudir o Movimento, Damásio no Movimento? Nem Bruno Carvalho se lembraria dessa! - e tenho a certeza de que muito boa gente que ali anda poderá no futuro ajudar o Benfica.
Quanto a Moniz, agradeço-lhe, ainda assim, o facto de ter evitado o facilitismo de se lançar numa candidatura a 2 semanas das eleições. Agradeço-lhe o ter dito o que disse, como o disse e para quem o disse.
A partir de ontem, o Benfica ganhou um candidato credível e competente à Presidência do Benfica.
Até lá, apoiemos Jesus, Costa e todos os atletas. O Vieira, esse, estará cada vez mais só no seu umbiguismo. Mesmo ganhando.
terça-feira, 9 de Junho de 2009
Sou do Benfica e isso me envaidece
Era uma camisola quente, com uma marca que não era a oficial e o próprio símbolo parecia estar a cair, meio descosido com a águia parecendo em voo para o céu, com os olhos virados para cima, para mim. Às vezes baixava a cabeça e olhava-a nos olhos, só para ver se ela continuava no meu peito. E depois corria com a bola nos pés, com as asas que ela me dava. Na parte de trás, o meu pai coseu-lhe um número, o 10, e lembro-me de vê-lo a recortar o pano, a pintar no pano os números e, no fim, coser na camisola o orgulho do número mágico, o número do Diamantino e depois do Valdo.
Antes de sair de casa, fazia como eles faziam: puxava os calções brancos para cima, ajeitava as meias e metia a camisola para dentro. Os calções brancos brilhavam, como os do Nené, e as meias encarnadas esperavam a luta de uma tarde contra a terra e o suor, descaindo ao longo do osso sempre que uma jogada mais vibrante as fazia querer o recolhimento junto às chuteiras.
Na plateia principal - que eram os bancos do parque -, o meu Pai e o meu Avô aplaudiam as jogadas de sonho que eu fazia rente à erva; uma finta a uma pinha, um remate contra o pote de resina do pinheiro, duas ou três cabeçadas por entre os ramos de uma oliveira e o público extasiava-se, queria mais. E eu fazia-lhes a vontade, sempre com aquele ar de orgulho de levar no corpo o manto sagrado. O que eles não sabiam é que só fisicamente eu lutava por entre oliveiras e pinheiros; na cabeça, brilhava em todo o esplendor por um relvado a 150 quilómetros de distância, um relvado sem pinhas nem caruma, com adversários às listas verdes e brancas, e um estádio cheio, de sangue colorido. Aquelas grandes árvores que serviam de balizas, dentro de mim eram postes brancos com redes e um guardião à espera de uma bola difícil - era por isso que sempre que me aproximava da área adversária, e mesmo não havendo quem a defendesse, eu procurava colocar a bola no cantinho junto à resina, não fosse o imaginário guardião gigante negar-me o golo.
Pelo Benfica, terei marcado uns 345.000 golos e terei dado a marcar não menos do que duas centenas de milhar de oportunidades de golo, que às vezes eram desperdiçadas porque os meus colegas imaginários (às vezes árvores decepadas) não tinham a qualidade de remate que eu evidenciava. Fui capitão do Benfica praticamente em todos os jogos e só não o fui em circunstâncias muito especiais, como as vezes em que a braçadeira estava na lavandaria ou aquela outra - que ainda hoje recordo como um dos mais negros dias da minha vida - em que o cão decidiu brincar aos capitães da areia, vestindo a braçadeira nos dentes. Joguei, contabilizando jogos no pátio, na estrada, na rua, na cozinha, no corredor, no parque, no pinhal, na eira, na ponte, no ervado e, mais tarde e mais a sério, no pelado e no relvado, cerca de 3 milhões de vezes, quase sempre de encarnado e quase sempre com a camisola do Benfica vestida.
Porém, tempos houve, e peço desde já desculpa a todos os que seguiram a minha carreira, em que vesti de verde. Foi no tempo em que em Abrantes não havia Benfica para os mais novos e eu ingressei no Sporting da cidade. Sim, assumo a heresia. Mas quem de vós o não teria feito se, no contrato, vos oferecessem aquilo que me ofereceram - hipótese de jogar num pelado enorme, a sério, com balizas que não eram pinheiros, marcas brancas direitas no campo, pedras que não as iguais às que vivem junto às pinhas (mas igualmente dolorosas), adversários que não árvores sem cabeça e público, umas 80 ou 90 pessoas?
Se ainda não estão convencidos, digo apenas isto e espero ser declarado inocente em tribunal: no fim de cada jogo, davam-me duas sandes de queijo e um trina de laranja. I rest my case.
segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Sucessor de LFV?
Havia 4 hipóteses para Rui e pelos vistos ele vai pela 1ª. Já percebi que os projectos de Rui Costa valem tanto como os do seu antecessor, ou seja nada.
quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Aí está o primeiro logo da nossa campanha!!!
terça-feira, 2 de Junho de 2009
Pobreza de espírito
O Benfica e a luta interna pelo poder. O LFV teve uma fantástica passagem pelo Benfica e, houve um momento, alguns anos atrás, em que poderia ter preparado uma saída, argumentar que tinha cumprido a sua missão e partir. Teria sido um ciclo marcante e teria ganho, com certeza, um lugar de destaque na história do clube. Talvez um busto em bronze, nunca se sabe! Mas não, tinha que se armar em político e fazer daquilo carreira. Para mim, um presidente do Benfica será alguém que se destacou dos demais no cumprimento da sua vida profissional e pública, e que, aliado ao seu benfiquismo de uma vida, vê esses louváveis atributos reconhecidos pelos seus pares, assumindo o lugar mais alto na hierarquia encarnada com o genuíno orgulho e motivação de servir o Benfica, e saindo antes de se servir dele. Um presidente deve chegar quando o clube precisa dele e não o contrário. Veiga e Vieira revelam-se ambos aquém deste perfil, pobres de espírito incapazes dessa nobre e desinteressada generosidade de que falo. São antes dois bêbados cambaleantes, sedentos dessa vertigem de poder que brota, embriagante, do trono benfiquista.
O Sporting. Bettencourt ainda me enganou durante uns dias, mas essa de que os treinadores de prestígio não fazem pré-acordos, entre outros sinais de arrogância, já vieram garantir mais do mesmo no futebol português. Pergunto-me se continuará com essa pobreza de espírito de ser a dama de companhia do Porto. Deve ser formidável ficar em segundo. Lembra-me a rapariga que era amiga da menina popular, que mandava recadinhos da amiga popular ao rapaz giro e que, no final, ficava com o amigo narigudo e baixo do rapaz giro...
O Porto. Clube com duas décadas praticamente sem par no mundo do futebol dos mais pequenos. Pinto da Costa, esse dirigente mítico, que alcançou num clube o que, julgo, poucos imitaram. E, ainda assim, quando vem ao estádio nacional para conquistar o troféu número trinta e sete mil, oitocentos e quarenta e dois do seu reinado, não se contém e vomita que gostaria de jogar na Luz para nós podermos ver bom futebol. Lindo! O gajo não consegue. É quase cómico. É, também, divinamente irónico. Essa mentalidade tacanha, mesquinha mas tenaz, esse orgulho de minoria, tão salazarista, é, ao mesmo tempo, o segredo do sucesso portista e a derradeira barreira para a sua grandeza. Por isso, o PC chega ao Jamor com uma irritabilidade menstrual, soltando bocas flatulentas e ressabiadas, evidenciando uma incapacidade para atingir o êxtase, a satisfação, a tranquilidade esperada após tudo o que conquistou. A razão é simples: na sua pobreza de espírito é incapaz de encontrar dimensão para ser grande, magnânimo, por uma vez que seja!
domingo, 31 de Maio de 2009
No comments...
A SAD do Benfica comunicou hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) um resultado líquido negativo de 18 milhões de euros correspondentes aos primeiros nove meses da época 2008/09, segundo os resultados do terceiro trimestre.O passivo da SAD encarnada aumentou 20,48 por centoASF O comunicado enviado à CMVM refere que os 18.450.273 euros negativos contrapõem aos 3.684.109 positivos registados no mesmo período da época 2007/08, resultados justificados pelo aumento dos custos (41,5 milhões) e pela quebra das receitas (36,5 milhões contra 41,9 no ano passado).O passivo da SAD do Benfica totaliza agora 150.663.794 euro!!!
sábado, 30 de Maio de 2009
Rambla pa'qui, rambla pa´llá, esa es la rumba de Barcelona
quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Quique, o mágico
Na pré-época houve coisas que me desagradaram logo. Todo o mundo teve oportunidade de treinar (até Edcarlos e Luís Filipe) mas houve pelo menos 3 que me pareceram um pouco postos de lado: Zoro, Petit e Adu. Se em relação ao primeiro nem me aqueceu nem arrefeceu, os outros 2 eram dos meus favoritos, e por isso a facilidade com que Petit saiu, e a vontade de despachar Adu não me agradaram nada. Claro que fica por saber se foi decisão sua ou superior, mas se um treinador aceita tudo sem se impor é um banana e não serve, se foi decisão sua ter que ver com os seus próprios olhos cepos como os que viu e nem sequer exigir uns treinos para o Adu, então é um nabo. Também decidiu não contar com Diamantino e Chalana. Decisão legítima, mas tem que abarcar com as consequências. Se eu for trabalhar para a China, se a empresa me colocar um tradutor à disposição e eu recusar, a partir daí não me posso desculpar por não perceber chinês. Infelizmente, por alguns banhos tácticos que Quique levou, deu para perceber que ele não fazia a mínima ideia de como o adversário jogava, ao contrário deles que conheciam o nosso futebol previsível de trás para a frente. Como se isto não fosse suficiente, veio a guerra com o Maradoninha, outro dos meus preferidos. Logo aí, se eu mandasse, entre Quique e Léo eu sei bem quem escolhia…
Passando ao futebol, apesar de alguns lampejos contra a lagartada e o Nápoles, o futebol apresentado não me entusiasmou. Começava-se a ver que seria um futebol razoavelmente eficaz contra equipas que assumissem o jogo, mas inconsequente contra quem não o fizesse, ou seja quase todas as equipas em Portugal. E mesmo algumas equipas que o assumiam conseguiam vulgarizar completamente a nossa equipa, como foram os casos do Gala e do Olympiakos. Entre os milhentos pecados que foi cometendo, vou tentar lembrar-me dos que lhe fui apontando, e resumi-los aqui:
- Filosofia de jogo muito à base da contenção e de transições rápidas, completamente contra-natura com o que o Benfica tem de ser;
- Total ineficácia na gestão da baliza, conseguiu passar a época sem dar confiança a nenhum dos GR;
- A dispensa de Leo conjugada com a titularidade primeiro do Jorge Ribeiro e depois do David Luíz fizeram com que passássemos grande parte da época debilitados no flanco esquerdo com a agravante de sacrificarmos o que podia (e pode) vir a ser um grande central;
- A aposta em Amorim na direita foi uma imbecilidade que nos custou o nosso melhor médio centro, e como se viu pelos jogos do Urreta tínhamos uma solução. Aliás, até teríamos outras, num Benfica mais atacante podiam jogar o Reyes ou o Di Maria no flanco direito. E goste-se ou não, houve um reforço escolhido por ele para esse lugar, se esse jogador falhou então ele será muito culpado;
- O duplo pivot para funcionar tem de ter 2 jogadores muito completos. Para mim só havia 2 no plantel (ou 3, no máximo) que podiam desempenhar bem o lugar: Amorim e Katsouranis. O 3º que me parece ter características para o lugar é o Felipe Bastos. Yebda é limitadíssimo no passe e no remate, Carlos Martins é fraquíssimo na ocupação de espaços, e Bynia está ao nível do Yebda. Perderam-se meses em que não se rotinou a melhor dupla, e isso podia-nos ter trazido mais pontos. E em certos jogos, certos momentos em que tínhamos de arriscar tudo por tudo, acredito que Aimar também podia ocupar uma das posições;
- As declarações sobre Reyes foram completamente inoportunas e a partir daí o rendimento do nosso jogador mais decisivo foi uma sombra do que vinha sendo. Reyes apesar de alguns alheamentos fez uma primeira metade da época em que se mostrou batalhador, motivado, o que conjugado ao seu incrível talento resolveu alguns jogos. Mas Quique é capaz de ter tido inveja de algum jogador aparecer mais nas capas do que ele, e com aquelas declarações parvas no Restelo perdeu um jogador, e que jogador;
- Aimar. Incrível como um ex-nº10 da Selecção Argentina pode ser um problema, mas Quique conseguiu. No seu esquema de 4-4-2 parece-me que Aimar só poderá funcionar num dos lugares do duplo pivot (perdendo-se alguma capacidade defensiva) ou numa das alas, desde que tenha alguma liberdade para flectir para o centro e exista um lateral com muita qualidade ofensiva. Mas Quique fiel ao seu esquema e à sua teimosia insistiu com Aimar a avançado. Foi triste ver o argentino no meio de jogadores corpulentos que o neutralizaram com alguma facilidade, vê-lo a finalizar mais (e mal) que a construir, conseguiu não tirar rendimento dele e queimar um lugar que tanto jeito teria dado a Cardozo;
- Suazo. O que disse a Aimar aplica-se a Suazo, se bem que por motivos diferentes. Este jogador podia ter feito uma dupla de sonho com Cardozo, mas Quique decidiu quase sempre jogar com ele e Aimar, fazendo com que Suazo tivesse que suportar quase todas as despesas de área. Quando nos víamos a ganhar era frequente ver Aimar recuar no terreno e a táctica era biqueiro para a frente para a corrida do Suazo, era deprimente ver o hondurenho completamente rebentado por andar o jogo todo a correr quase meio campo sozinho. E depois já se sabia, estivesse a 100% ou a 30%, ele era a primeira opção, Cardozo a segunda, o que tendo em conta que um é nosso o outro é do Inter, ainda se torna mais estúpido;
- Cardozo. Mesmo com todos os equívocos já referidos de Quique, uma coisa ficou provada neste final de época: com o Tacuara em campo as possibilidades de marcarmos golos e consequentemente ganharmos aumentam exponencialmente. Infelizmente Quique não descobriu isso, a lesão de Suazo é que o possibilitou. Nem quando foi assobiado por substituí-lo percebeu que era para ele;
- Mantorras. É coxo, não aguenta os 90 minutos, blá, blá, blá. Como o Trap percebeu mesmo com estas condicionantes todas Mantorras ainda pode valer ouro. Ou alguém duvida que em meia dúzia daqueles finais complicados de jogos com ele em campo havia sempre a hipótese de golo? Viu-se que Quique ficou surpreendido no último jogo da época, isso diz tudo.
Ainda podia falar do total desaproveitamento de Felipe Bastos e Urreta, mas o post já vai longo. E escusam de vir com a lenga-lenga de “no fim é fácil apontar os erros” porque quem me conhece e segue os meus comentários sabe que eu fazia estas críticas quando ainda liderávamos a Liga, não fui na “ilusión” tão publicitada.
Resumindo, quanto do descalabro foi culpa de Quique? Deve ele continuar?
Respondendo à primeira pergunta, muito. Apesar de reconhecer que hoje em dia no Benfica qualquer técnico se arrisca a ser queimado e não campeão, há uma série de erros de Quique que não têm nada a ver com as (in)competências de LFV e do Rui. Cometeu uma série de erros inadmissíveis, e mesmo num clube extremamente bem organizado corria o sério risco de fazer uma má época. E fez, aliás fez uma péssima época, a “sorte” dele foi como já referi entrar após uma época que roçou o ridículo, logo não era difícil melhorar um bocadinho, se bem que ele se esforçou. E não podemos esquecer que ele não sofreu com a saída de nenhum titular da época anterior, e ainda viu entrarem 10 jogadores que custaram mais de 2 dezenas de milhões de euros ao clube.
Quanto à segunda pergunta, defendo há muitos meses que as eleições deviam ser em Junho/Julho. Se fossem e tivéssemos um novo Presidente, defendi sempre que o Rui e o Quique deviam pôr o lugar à disposição, para que o novo Presidente pudesse escolher sem pressões financeiras. Caso fosse decidido dar um segundo ano a Quique por iniciativa do novo Presidente e o do Rui, tentando mostrar que os problemas do nosso futebol derivavam todos do LFV, eu iria aceitar respeitosamente a posição apesar de achar sinceramente que não ia funcionar. Acho Quique um fraco treinador, com graves problemas em termos motivacionais, e que revelou total ignorância sobre o futebol português, daí preferir a sua saída.
Por mim “vaya com dios” fazer companhia ao Nélson, não deixa nenhumas saudades.
segunda-feira, 25 de Maio de 2009
O nosso Rui Costa...
Por uma questão hierárquica, começo pelo posto mais alto, o do Maestro Rui Costa.
Apesar de tornar este post (ainda mais) secante, obrigo-me a fazer um enquadramento histórico: Rui Costa foi o meu primeiro ídolo do futebol. A primeira camisola autografada que obtive é o nº10 da Selecção assinada amavelmente pelo Rui. Chorei inclusivamente algumas vezes com ele, como foi o caso do golo marcado contra nós na Luz. Torci pela Fiorentina e pelo Milão. Numas férias que fiz em Itália, quando passei por Florença, não desisti enquanto não descobri os transportes para chegar ao Artemio Franchi, apesar de estar a chover “cats and dogs” nesse dia, só porque sonhei ter a sorte de chegar lá e ver um treino do Rui (e do Nuno que também lá estava na altura). Não vi nada, não vi nenhum dos 2, mas era fã a esse ponto. E o “era” nem é um passado muito distante, ainda o ano passado, no final de mais uma época degradante, o Benfica fazia o último jogo em casa e eu já tinha jurado que não voltava a pôr os pés na Catedral naquela época, no entanto não resisti, lá convenci a namorada que já quase morria de tédio nos jogos a ir à Luz para nos despedirmos do Rui. Fui, quase vomitei quando vi fazer-se a onda num campeonato que terminávamos em 4º, mas pelo Rui tudo vale (valia?) a pena.
Tudo isto para dizer o quanto eu admirei o jogador Rui Costa. Pela sua classe, pelo seu talento, pela correcção demonstrada, pelo quase romantismo com que vivia o futebol foi um caso único de paixão futebolística. Mas a partir do momento em que passa para Director Desportivo, aí doa a quem doer tem de ser avaliado pelos resultados, seja o Rui, seja o Veiga, seja a minha Mãe, se desempenhar um cargo de responsabilidade no Benfica serei implacável na análise.
Tinha expectativas altas para o Rui. Julgava-o uma pessoa integra, benfiquista, e com alguns skills, pelo que pensei que muita coisa ia mudar na Luz. Confesso que este sentimento foi algo abalado quando alguém que conhece o Rui há largos anos me disse que ele era um vaidoso de primeira que se ia colar ao lugar como uma lapa, tal como o Vieira, e que nada ia mudar, o entreposto de jogadores e comissões na Luz ia continuar. Não quis acreditar, e continuo a acreditar que Rui põe o Benfica acima dos seus interesses pessoais. Daí eu ter esperado uma alteração radical da política desportiva do Benfica, acreditei que íamos começar a fazer 3 a 4 contratações cirúrgicas, apostar nos jovens da cantera, e tentar conservar a todo o custo aqueles jogadores que podiam transmitir alguma mística, já que foi assim que me parece que se construiu um Benfica vencedor, tão diferente deste Benfica que actualmente vemos a definhar. Para ajudar à festa, no início do seu trabalho teve mais de 20 milhões de euros para gastar, algo que aumenta as suas responsabilidades.
Dito o que esperava, vou dizer o que vi acontecer: a mesma merda de sempre. Voltou-se a deixar sair jogadores importantes (Petit e depois Léo), voltou-se a ignorar os jovens, voltou-se a fazer uma dezena de contratações, agravadas com o show-off de chegarem as estrelas em jactos privados a Tires como se de D. Sebastião se tratassem. Contratou-se um daqueles típicos técnicos “moderno, jovem, tacticamente evoluído”, mas que bem espremido nunca tinha ganho nada. Falou-se uma vez mais em “ano 0”, em “projecto de 2 anos”, e quase todos engoliram e bateram palmas porque era Rui que o dizia, logo era lei, como quase tudo o que ele diz. Infelizmente o campeonato não se ganha em Agosto, nem o trabalho do DD termina aí, por isso quando começou a bola a rolar assistimos a mais uma sequela de filmes já bem conhecidos, a gestão ridícula do caso Léo, o encostar de Diamantino e Chalana, a choradeira da arbitragem, a equipa desgarrada que ia jogando cada vez pior, e o triste fim de época em que ficamos sempre com a sensação que se a Liga durasse mais uns meses até a UEFA estaria em risco. Acaba-se mais uma época em depressão, e os resultados são cruelmente frios: 3º lugar, vergonhosa prestação europeia, e apenas a taça da cerveja para disfarçar.
É possível achar bom o trabalho do DD que com mais de 20 milhões para gastar está à frente da equipa que obtém estes resultados? Não vejo como, aliás penso que se em vez de Rui Costa fosse outro qualquer já estava na forca há muito tempo. Mas tenho a certeza que mais de metade dos benfiquistas acham que o Rui esteve muito bem e que “só” errou ao escolher o treinador. Infelizmente esse “só” custará uns milhões largos e mais um ano perdido. Eu não adopto essa teoria, porque é uma escapatória à Vieira, e a última coisa que quero ver é o Rui tornar-se igual a ele. Ou seja, chega ao fim do ano, corre com quem está abaixo dele, e tudo fica bem, o responsável maior passa incólume e continua. É o que Vieira tem feito durante anos e espero que Rui se desmarque já. Porque para mim só existem 4 cenários:
- Ou aceita mudo e calado que se corra com o Quique, contratando-se outro treinador nas suas costas, começando já o novo ciclo a gastar milhões em jogadores novos, e aí está a ser cúmplice de Vieira tornando-se farinha do mesmo saco;
- Ou assume publicamente que errou ao contratar Quique, assume todos os seus restantes erros, e mostra-se confiante que este ano pode ser diferente explicando em que é que consiste a mudança;
- Ou assume que o seu projecto era com Quique, e demite-se com ele, admitindo que as coisas no Benfica actual não funcionam como ele gostaria, e coloca-se à disposição para voltar a colaborar com o clube no futuro, caso outras pessoas com outra forma de pensar tomem conta do clube, e aí ganhará todo o meu respeito;
- Ou então, num cenário que me parece quase impossível, consegue a manutenção de Quique, defende o projecto de 2 anos publicamente, e aí apesar de eu achar que não trará grandes resultados, ganhará o meu respeito pela coerência demonstrada, e pela inversão de estratégia em relação ao Benfica de Vieira.
Resumidamente, ao fim dum ano não estou minimamente satisfeito com o trabalho de Rui Costa. Agora o que não sei é o quanto é responsabilidade dele, e o quanto está acima dele, mas duma coisa tenho a certeza: se ele continua caladinho ao lado de LFV, Paulo Gonçalves, e restantes elementos responsáveis no clube, então será julgado com eles, e com eles sairá em ombros, ou corrido pela porta pequena. Por tudo o que o Rui Costa jogador e homem representou, por mim espero que saia pelo seu próprio pé e volte a entrar pela porta grande, podendo na estrutura certa ajudar o nosso clube a voltar a ser o Glorioso que todos conhecemos. Rui, está na hora de mostrar se és um dos nossos, todos queremos acreditar que sim, e ainda estás perfeitamente a tempo de o fazer.
domingo, 24 de Maio de 2009
Bipolaridades
Tenho um amigo lagarto que acusa os benfiquistas de serem bipolares. Sem querer concordar, experimento alguma inquietude face à classe evidenciada por Quique, especialmente nos últimos dias. Sabem quando um gajo acaba (se é que isso acontece) com uma gaja chata, mas dotada? Aquela coisa do “A gaja era burra, mas será que não estou armado em esquisito?” – sensação de arrependimento futuro, apesar do acerto da decisão, sensação de que estamos a mandar embora algo de que vamos sentir (muita) falta...estão ver? Se calhar não...
P.S.(para os menos esclarecidos): Estou só a tentar ilustrar uma sensação, não quero com esta analogia dizer que o Quique tem mamas fixes, ou que é bom a falar ao microfone – o que, por acaso, até é! Estão a ver... sensação lixada...
sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Este blogue vai a votos!
terça-feira, 19 de Maio de 2009
Tiro aos pratos
- Já está. O Benfas foi mesmo o terceiro a cortar a meta e acabou por demorar mais uma jornada para chegar ao inglório final. Até o LFV diz que não ganhámos nada, ficando a sensação que a Taça da Liga é um troféu mais metafísico do que real no nosso futebol.
- Depois de uma semana a clamar pelo Salvador, este foi traído pelo judas bronzeado e - como é exemplo a votação aqui a decorrer – já há malta pronta a crucificar a possibilidade anunciada.
- A verdade é que o peso do banco benfiquista já se fez sentir: Jesus já começa a parecer menos competente, e Quique, mais. Já nem é preciso um contrato para se começar a escolher a cova no cemitério encarnado.
- Sim, porque Jesus foi arrogante. Esquecendo o azar que teve no jogo, ficou patente que o treinador do Braga resolveu ignorar a receita, por todos conhecida, para contrariar o Benfica, e tirou da cartola uns truques e baldrocas que fizeram do Braga um dos adversários que mais se pôs a jeito às parcas armas do onze encarnado.
- Mas Quique não é bestial, e assinou mais umas quantas besteiras. Tantas alterações na penúltima jornada, com jogadores a trocar, regressar ou alternar de lugar, mesmo que acertadas, só sublinham o desnorte ou, pelo menos, a falta de estabilidade que marcou esta época.
- Quem vê Jorge Ribeiro a actuar no lugar que já foi de Léo, automaticamente recorda as palavras de Quique, remoendo os 90 minutos nessa paulada intelectual de que o brasileiro tinha a aprender com o português.
- Revelo-vos a palavra mais panisga da gíria futebolística: “acarinhar”. Começa por ser curioso como povoa o másculo léxico dos que giram em torna do futebol, mas fica tudo esclarecido ao ver o que um pouco de carinho fez ao Cardozo; é bonito...
- A incompetência e genérica falta de classe dos nossos árbitros é frequentemente subestimada. A arbitragem na pedreira de Braga, com amarelos a torto e a direito, conseguindo expulsar, por acumulação, um jogador em 12 minutos (nem que tenha sido o estouvado Yebda) é formidavelmente estapafúrdia. Ainda para mais, quando não mostrou amarelo no único lance violento de que resultou uma lesão (Katsouranis). Genialmente estapafúrdia, já que nesse lance ainda conseguiu amputar o Rúben Amorim ao último jogo da época. E eu digo que é subestimada porque se o jogo fosse outro, qualquer um duvidaria das intenções do árbitro. Desta vez, só pode mesmo ter sido falta de jeito, ainda que seja difícil de acreditar e, para o árbitro, mais humilhante!
- Mas foi mesmo a noite de Quique. Depois de levar na corneta toda a semana, de assistir à oficialização da descrença geral nas suas capacidades, eis que o espanhol prega com três castanhadas que deixaram Jesus de braços abertos, a barafustar com a equipa. E para coroar a noite, na conferência de imprensa ainda lhe perguntam pelo Atlético de Madrid: “Eu nunca falo com outros clubes quando tenho contrato (...)” – Olé!!
- Mas que venha o Jesus, que venha, VEM JESUS! Primeiro por que ando verdadeiramente intrigado com as estonteantes madeixas do senhor – tenho que ver aquilo mais de perto e de forma mais sistemática. Segundo, o nome é mesmo formidável e dar-me-ia um prazer monumental passar um ano inteiro a fazer trocadilhos rascas com o Senhor!!
sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Vários estádios
terça-feira, 12 de Maio de 2009
Agora Escolha!
O reinado de Quique parece estar perto do fim. Com a anunciada saída ficarão por responder algumas das questões mais pertinentes sobre o espanhol: Ele frequentava solários ou conseguia aquele tom de pele só à base de creme cenoura? Considerará o seu trabalho ao leme do clube encarnado livre de mácula, ou, no seu íntimo, já terá admitido a enorme arrogância com que encarou o futebol português? Nunca saberemos...
Entretanto, aproxima-se o sucessor. Esbatidos pela bruma Sebastianista vislumbram-se dois vultos a cavalo: Jesus e Scolari.
Sabe-se que ambos não desdenham o cargo. Quando entrevistado pelo repórter do Ontem Vi-te, Jesus foi igual a si mesmo: “Há muito que os méritos das minhas qualidades têm sido despreteridos pelos agentes do futebol e penso que com a humildade de mim mesmo e dos jogadores poderemos ganhar muitas vitórias para o clube! Estou disponível para ir viver para a cidade de Sport e trabalhar muito p’rá prole do clube!”. Quanto ao Sargentão, e quando questionado se gostaria de se sentar no banco benfiquista: “Claro qui sim. Eu gosto do banco benfiquista, e se para mim banco é caixa, a verdadji é que o centro de treinos do Benfica é Caixa, logo eu acho qui está certo. Agora há qui difender os mininos, há qui apoiá! Quem si considera benfiquista tem qui pôr uma bandeira do Benfica na janela, e tem qui ter uma águia como animal di estimação. Tem qui ser – só assim irei pró Benfica!”
Como no mítico programa da RTP2: Agora Escolha! No entretanto, um defeso quase tão empolgante como os episódios de "O Justiceiro" que animavam a votação...
quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Obrigado, futebol.
sábado, 2 de Maio de 2009
D. Rui Costa
Compete-nos, no entanto, repensar este sebastianismo: que provas irrefutáveis sobre a evidência de que Rui Costa é o homem certo para o clube terão estes adeptos para tão grande demonstração de afinidade religiosa? Os 5 anos em que foi jogador profissional, os 12 anos em que, de longe, jurava amor incondicional a um clube que definhava em estádios vazios, goleadas sofridas por terras galegas e arranha-céus de jogadores medíocres que, por passarem perto do Estádio, eram logo apelidados de novos Eusébios? Compete-nos, não deixando nós de sermos, como qualquer homem de coração aquilino, ideólogos do RuiCostismo, entregar a emoção nas mãos do diabo e questionar: que caralho fez mais Rui Costa pelo Benfica que Chalana, Humberto Coelho, Veloso, Eusébio, Simões, Torres, José Augusto, João Pinto (esse mesmo), Nené ou Bento? A menos sabemo-lo bem: passeou aquela camisola pelos relvados menos dois séculos do que qualquer um destes. A menos sabemo-lo bem: gritava benfiquismo a partir de terras transalpinas enquanto os dessa lista falavam dentro de campo a língua do Benfica.
Urge, portanto, relativizar tudo isto e entender o sentimento dos caros adeptos benfiquistas como uma necessidade, em tempos de crise, de uma crença. Uma crença possível, a única crença, aquela que nasce de um país em ruínas, perdido entre a gloriosa memória e a entediante actualidade. Um país onde qualquer bípede que não seja conotado com outras fronteiras é tido de imediato como o grande e possível rei de toda a nação. Sem que se reflicta, sem que haja, do ponto de vista dos neurónios, mais actividade do que aquela existente em jogos no estádio do Sporting. Mas, tal como nos jogos no Alvalade XXI, as cadeiras às cores podem originar grandes ilusões de óptica.
sexta-feira, 1 de Maio de 2009
quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Só um porquê:
Porque é que uns são castigados no imediato e outros dizem tudo o que querem, indignam-se que nem putos malcriados a quem o chupa lhes foi roubado e não lhes acontece nada?
Obrigado e bom dia.
quarta-feira, 22 de Abril de 2009
O mito da recuperação financeira...
Pontos prévios:
Esta não é uma análise extensiva, é uma análise simplista que pretende focar apenas alguns pontos para que todos percebam o que na minha opinião é essencial;
Do que apurei LFV tomou posse a 3/11/03, pelo que a minha análise resultará da comparação entre o Relatório e Contas da Benfica SAD em 2003/2004, e o último que se conhece, ou seja o 1º semestre de 2008/2009.
No final da época poderei fazer uma análise mais completa com as contas anuais.
Principais dados dos Balanços:
O Balanço reflecte a posição duma entidade num determinado momento. Conforme o que referi em cima, a comparação vai ser entre 31/07/03 (uns meses antes da chegada de LFV, mas mais próximo que no final da época), e 31/12/08:
Total do Activo
31/07/03: 110.732.672
31/12/08: 161.059.599
Aumento de aproximadamente 51 milhões, dos quais 28 milhões são um aumento na rubrica “Plantel de Futebol”, e 16 milhões no Imobilizado Corpóreo, maioritariamente devido à construção do nosso Campus.
Total do Passivo
31/07/03: 83.966.121
31/12/08: 147.382.449
Aumento de aproximadamente 64 milhões (com as consequências que se verão a seguir), dos quais 45 milhões é um aumento das dívidas relacionadas com operações bancárias (que geram custos financeiros, como é evidente). Registe-se que em Janeiro foi feita a emissão do papel comercial no valor de 40 milhões, sendo que apenas 28 são para pagar empréstimos já existentes, pelo que se prevê um aumento relacionado com estas dívidas.
Total do Capital Próprio
31/07/03: 26.766.551
31/12/08: 13.677.150
Metade do que existia foi “comido”. Acrescente-se o facto do capital social da SAD serem 75 milhões para se perceber em que estado estão as nossas finanças. Aqui, valha a verdade que a maior “delapidação” é anterior a LFV, mas o facto de metade do capital que existia aquando da sua chegada ter ido ao ar não abona muito a seu favor. O Benfica tem preparada uma fusão com a Benfica Estádio para contabilisticamente resolver este problema, mas é disso que se trata, uma mera operação contabilística entre sociedades do grupo, nada mais.
Principais dados das Demonstrações de Resultados:
A DR reflecte a performance duma entidade num determinado período, que no nosso caso corresponde à época desportiva. A comparação vai ser entre a época 2003/2004 que apanha a chegada de LFV, e os 6 meses da época 2008/2009 que se conhecem.
Custos com pessoal:
2003/2004 (12 meses): Aproximadamente 26 milhões
2008/2009 (6 meses): Aproximadamente 17 milhões
A manterem-se os valores para a segunda metade da época (tendo em conta a poupança em prémios, á natural que seja semelhante), chegaremos aos 34 milhões, o que representa um aumento de 30% em 4 anos e meio, ou seja acima do crescimento médio de salários em igual período. E não me parece que a qualidade do plantel tenha crescido 30%, mas isso já será conversa para outra análise.
Custos Financeiros:
2003/2004 (12 meses): Aproximadamente 3.4 milhões
2008/2009 (6 meses): Aproximadamente 2.8 milhões
Iremos para os 5.6 milhões, mas tendo em conta que o passivo bancário aumentou mais que o dobro, este valor é “normal”, apesar de não deixar de ser muito preocupante ter aproximadamente 500.000€/mês de custos financeiros.
Prestações de Serviços:
2003/2004 (12 meses): Aproximadamente 35 milhões
2008/2009 (6 meses): Aproximadamente 24 milhões
Chegando aos 48 milhões não há dúvidas que se nota uma evolução nestas receitas, a que não é estranho o aumento de sócios, quotizações, cativos, etc. Infelizmente o Relatório de 2003/2004 não desenvolve muito este proveitos, pelo que não dá para fazer uma análise mais profunda.
Finalmente um rácio que considero vital, custos com pessoal/proveitos operacionais:
2003/2004 (12 meses): Aproximadamente 70%
2008/2009 (6 meses): Aproximadamente 66%
Este rácio ilustra quantos dos nossos proveitos operacionais, ou seja os “normais” em que se exclui venda de jogadores, por exemplo, são absorvidos pelos custos com pessoal. É um indicador chave, não é por acaso que quase todas as empresas em momento de crise atacam os custos com pessoal. A própria Deloitte, no brilhante estudo que fez sobre as finanças no futebol, salientou o evidente, são os elevados ordenados pagos que estrangulam completamente as finanças dos clubes. Seria positivo registar a ligeira evolução, mas na minha opinião este indicador nunca pode estar acima dos 50%, daí eu criticar tão veemente a inversão nesta área que aconteceu esta época, bem ao jeito de “fuga para a frente” típica do último ano de mandato de qualquer governante. É que em igual período da época 2007/2008, este indicador estava nos 48%, valor que considero excelente no nosso futebol.
Por esta e por todas as razões apresentadas é que não engulo o mito da recuperação financeira. Em alguns aspectos estamos piores que quando LFV chegou, noutros estamos mais ou menos na mesma. E temo sinceramente que o pior ainda se esteja para descobrir.
terça-feira, 21 de Abril de 2009
Andrés
quarta-feira, 15 de Abril de 2009
O meu nome é Sérgio e hoje torço pelo Manchester
O meu nome é Sérgio e hoje torço pelo Manchester!
Torcer contra uma equipa portuguesa num jogo europeu é sinal de tacanhice e pequenez, fraqueza moral e patriotismo ambíguo. Apoiar os portugueses na Europa é sinal de sensibilidade, responsabilidade e nobreza de quem o pratica, é (quase) sinal de evolução antropológica, afastando o protagonista de grunhos neandertais que mais não vêm que o próprio clube.
Eu cá discordo. Acho uma parvoíce. Passamos os dias da vida a racionalizar o mundo: racionalizamos dinheiro, trabalho, trânsito, crises, decisões e confusões e nem no escape do fim-de-semana, no futebol, se cansam de racionalizar. Não digo a gestão ou a organização da coisa; digo as duas horas passadas no estádio, ou em frente à televisão, digo essa patetice de se meter a razão em assuntos do coração.
Pergunto: mas vocês torcem mesmo pelo porto? Ou sporting? É que um gajo para torcer tem que gostar, querer! Não entendo isso! A mim o Manchester nem aquece nem arrefece, mas o porto? Epá, o meu coração mirra assim que os tripeiros sobem ao relvado...
A sociedade é dura, eu sei. Também eu já me armei em evoluído. Lembro-me perfeitamente do dia em que o fiz pela última vez: jogavam os mesmos porto e Manchester, em Manchester. Estava com amigos e o porto ia perdendo por um golo, e com ele as hipóteses de seguir em frente. Eu, ia dizendo alarvidades do tipo: “Ah e tal, coitado do porto, até merecia passar, que os ingleses são uns merdosos...” e nisto o camelo do costinha marca golo. Caíram-me os colhões ao chão e fiquei uns segundos a fitar o ecrã e os festejos – merda! Jogadores do porto a festejar?! Foda-se. Esta merda está errada! - É óbvio que passei os restantes minutos a torcer pelo M.U. mas o mal estava feito, e os gajos acabaram a ganhar a Liga dos Campeões. Nunca mais me perdoei...
Agora esforço-me por manter as coisas simples. Torcer pelo porto, qualquer que seja o atenuante, é como casar por dinheiro. É uma prostituição. É açaimar o sentimento, aparelhar o coração e encavalitar-lhe a razão em cima, feita bem maior, feita pontos da UEFA ou prestígio nacional. Há quem o faça, mas não é para mim; não tenho jeito. Durante aquelas duas horas dou o comando à alma benfiquista e ao coração escarlate e só chamo a razão em instâncias derradeiras, para prevenir males maiores. Dou um exemplo: Este Sábado via o Benfica no Grogs no Bairro Alto, e nisto o árbitro anula um golo encarnado, iludido por não sei o quê mais o teatro do guarda-redes da académica; o meu coração gritou-me logo: “Vamos já a correr ao estádio e espancamos até à exaustão árbitro e jogador!” – já vestia eu o casaco, interveio a razão: “Calma! Olha que isto a pé até ao estádio é um grande esticão. Quanto ao carro, está bem estacionado e quando voltarmos do espancamento o Bairro vai estar um pandemónio, não vai haver lugar. Além disso, acabaram de nos servir mais uma imperial e quando regressarmos vai estar pior que mijo. É melhor não ir.” - E fiquei.
Kentucky fried entremeada
sexta-feira, 10 de Abril de 2009
Arte
Há uma arte no futebol a que o mundo da bola dá pouco relevo. É a arte de dar porrada.
Verdadeiros caceteiros pretendem, geralmente, duas coisas – meter medo e castigar. Serve o mesmo propósito pedagógico. A arte passa por conseguí-lo sem que o árbitro ou a televisão testemunhem. Uma grande referência é o Jorge Costa. Um senhor na arte de aviar. Do seu reportório destaco a arte de saber tropeçar no adversário quando este se preparava para escapar. E com isto evitar um amarelo. No Benfica, não há um único jogador que saiba fazer faltas. Talvez o menos mau seja o Katsouranis.
Mas existe um sucessor. Na minha opinião, já superou o mestre. Primeiro, porque é fisicamente mais capaz. O Jorge era lento e não conseguia levantar a perna acima da cintura e, como tal, não conseguia cravar pitons acima da cintura dos adversários atingindo-os a velocidades baixas. O Bruno não. Consegue elevar o pé à altura da goela do opositor e sendo mais ágil é também muito mais fluído – todo o lance se transforma num movimento homogéneo e plástico em que corre, projecta-se, corta a bola e aterra com uma zona dura numa parte frágil do adversário. Aquele lance, no último clássico, em que tenta pontapear o Suazo na sua área após ter sido pressionado pela bola exalta uma elegância que um bailarino de Conservatório não desdenharia. O seu domínio das Leis de Newton, fundamentalmente da Inércia e a sua aplicabilidade à arte de atingir articulações após disputas aéreas envergonha muito doutorado em Física Clássica.
O Bruno, nos últimos quatro anos a jogar em Portugal tem visto um cartão a cada 8 (8!) jogos (691 minutos). O caceteiro-mor do panteão benfiquista, Petit, um bípede, na minha opinião, muito menos mau, demorava 3 jogos (260 minutos). Entre os jogadores mais violentos/incumpridores encontram-se Suazo, Quim, Moreira, Aimar ou Reyes (Benfica) ou os carniceiros colegas Hulk, Lucho, Benitez (com apenas 4 jogos), entre outros...É ou não é arte?
Para os interessados (www.zerozero.pt):
Bruno Alves (todas as competições):
2005/2006 - F.C. Porto - 668 minutos (2 A / 1 V)
2006/2007 - F.C. Porto - 3185 minutos (7 A)
2007/2008 - F.C. Porto - 3360 minutos (3 A)
2008/2009 - F.C. Porto - 3150 minutos (2 A)
Petit (todas as competições):
2005/2006 - Benfica - 3832 minutos (17 A)
2006/2007 - Benfica - 2808 minutos (8 A)
2007/2008 - Benfica - 2293 minutos (9 A)
2008/2009 - F.C. Koln - 2229 minutos (9 A)
P.S.: É engraçado como sempre ouvi que o Petit era protegido em Portugal. Afinal, também é protegido na Alemanha. É preciso ter influência!
terça-feira, 7 de Abril de 2009
Para contar aos filhos em noites macabras
sábado, 4 de Abril de 2009
Como é que se pode ser portista?
E pronto. A gente aceita. Porque é isso, porque está tudo dito. Por uma vez, senti-me portista. Eu acrescentaria: por uma vez, senti-me QUASE portista. É que, de facto, fomos, no geral, beneficiados. Mas não gostámos. E não fingimos.
Ainda estou para perceber como é que se pode fingir.
sábado, 28 de Março de 2009
Morram todos!
Morram esses deuses que nos condenaram a ser uma selecção de remates a rasar poste e barra e adeptos de calculadora na mão;
Morram os Suecos e a sua patética concepção de futebol baseada unicamente na utilidade de serem uma cambada de troncos-com-olhos grandes como a merda;
Morra o Cristiano Ronaldo e a sua incapacidade para ajudar Portugal, quanto mais desequilibrar;
Morram os jogadores-poetas Portugueses e as suas exibições com 20765 remates e ZERO golos, por serem jogadores que no seu código genético têm gravada a vocação para jogar à bola com a ingenuidade, elegância e inocência com que a Heidi passeia pela montanha;
Morra o Carlos Queiroz por transportar a selecção para o passado (e cada vez me convenço mais que o faz inconscientemente e não por doutrina) e para este reino do jogo bonito mas tão eficaz como o Danny, esse fantasma do futebol português dos anos 80/90...
Viva o Deco que em meia hora salvou o que podia ser salvo do meu serão futebolístico!
P.S.: Só para dizer que estas mortes todas são metafóricas, digamos que ao desejar morte estou a invocar o Luís de Matos para fazer desaparecer a coisa em causa, menos no caso dos deuses - que eu sou ateu.
Escabeche
Não entendo bem o escabeche que a turma dos lagartos, sejam eles jogadores, treinadores, massagistas, armazenistas, motoristas e -istas por aí adiante até chegar a dirigentes, sócios, sócios com cotas em atraso e simpatizantes de lagartagem andam a fazer com o penalti roubado que os atirou para os penaltis e daí para à derrota na Taça da Liga às mãos do Quim. Até o panisga do Lucílio pediu desculpa!
Na verdade, o que é estranho neste clássico do futebol português não é ter havido um erro grosseiro do árbitro que adulterou o resultado final. Isso é habitual. Acontecerá, direi eu, em (mais de) metade dos casos. ESTRANHO, é o alarido, a gritaria histérica, os pedidos de desculpa despropositados e a genérica verborreia que se tem aventado a propósito.
Acalmem-se lá lagartos, foram roubados, foi só isso – dói um bocadinho mas depois passa, acontece a todos (ou quase)!
A Cruz de David
O David não teve estrelinha. Esse exótico hondurenho, que assim que vi marcar aquele golo contra o Guimarães (o da rabona do Aimar) me cheirou a melhor marcador do campeonato, espatifou o menisco e com ele selou a passagem pelo Benfica.
Acreditei que seria o, agora manco, Suazo que agitaria as turvas águas em que se conserva o último troféu de melhor marcador do campeonato com a camisola escarlate, apadrinhado pelo saudoso Rui. Na verdade, a relação não funcionou, mas se isto fosse uma sitcom americana o nosso Benfica sempre poderia dizer, antes do abraço de despedida:
- It’s not you, it’s me…domingo, 15 de Março de 2009
Futuro...
Contrariamente ao que dizia o nosso presidente há uns anos, não me parece que esteja no futuro próximo do Glorioso pertencer à lista dos 5 maiores clubes da Europa. Ainda assim, pela vitalidade que demonstra mesmo em época de vacas magras, creio que o nosso Benfas facilmente alcançaria uma posição temível na Europa, e, implicitamente, dentro de portas - um exemplo que me ocorre é o Lyon, mas há mais.
E o que é que nos separa desse futuro? Na verdade, acho que nem estamos assim tão longe, falta pouco - mas falta um pedaço importante!
Gostando-se ou não, a verdade é que desde o Vilarinho, mas essencialmente com LFV, o Benfica iniciou um processo que o atirou para o século XXI. Trata-se agora de uma empresa, cotada em bolsa, com credibilidade, com capacidade de gerar receitas em grande escala e um potencial de negócio e de rentabilidade sem par em Portugal. Lamentavelmente, a frieza da gestão empresarial não chegou ao futebol profissional e apenas atingimos algum sucesso no reinado do “desaparecido” José Veiga, esse senhor bem penteado e de pronúncia saloia que não vestia bem com as nossas cores e que, sinceramente, me agrada ver longe, bem longe.
E então, e o futebol? Pois, o problema mantém-se. Tenho sido acusado de pessimismo, aliás, admito um certo pessimismo, mas insisto que na génese do mesmo estão sinais bem preocupantes... Como ando a ver Dr. House em doses substanciais, arrisco uma metáfora:
Se o nosso Benfica for o doente, o que lhe receitar? Um treinador novo?
Concordo que não. Já testámos esse tratamento e o paciente continuou a agonizar.
Melhores jogadores?
Sim, claro que sim, mas o investimento desta vez até foi feito e os sinais vitais não melhoraram...
O director para o futebol, o nosso Rui?
Não! Nem todo o meu pessimismo me vai fazer virar baterias contra o Rui, pelo menos não nos próximos 50 anos. O Rui é um clássico, é como a aspirina, só faz bem!
Antes de continuar, até porque não sei onde isto vai dar, recuo um pouco. O treinador até pode não ser parte do problema, mas também não está a ser parte da solução. O meu pessimismo alimenta-se aqui. Neste dilema. Não devo despedir mais um treinador, apesar de não estar a funcionar. Não há solução, só deixar andar. E sim, eu sei que temos que lhe dar mais tempo - tenho a certeza que todos nós lhe vamos dar mais tempo e se o Quique quiser cá ficará por mais um ano, pelo menos. Mas uma coisa fique clara, ele não é parte da solução. Não é ele que vai criar uma nova equipa, como fez o Camacho da primeira vez que por cá passou. O que se está a assistir é a um treinador que apesar de mexer com a maneira como a equipa se posiciona e movimenta não altera a sua personalidade, e isso será essencial para o salto que todos esperamos para o Benfica. A diferença que vai do porto para o sporting (na champions) é de personalidade, tem a ver com a psique do grupo. E se no porto tal não tem necessariamente a ver (só) com o treinador, na generalidade dos casos essa identidade é passada ao grupo pelo treinador.
O que eu tento dizer é, esta primeira época do Quique não soa ao começo de nada, apenas a uma continuação - e do que tem sido o nosso passado recente não vale a pena assistir a mais sequelas.
Mas vamos acreditar e dar mais um ano ao homem, afinal não nos resta mais nada e eu, secretamente, estou sempre à espera que seja no próximo jogo que vamos fazer o Barcelona parecer uma cambada de tropeços!
segunda-feira, 9 de Março de 2009
Regresso
Acabo de regressar de 2 meses de viagem. Com esta frase simples mas cheia, pretendo explicar a minha ausência deste tasco, mas também introduzir o texto que se segue.
Estive longe e sem vontade de acompanhar o dia-a-dia neste cantinho à beira-mar plantado. Claro que cumpri com o básico e li tudo o que foi escrito neste blogue! Tive também curiosidade de investigar os resultados dos derbies e... pouco mais.
Ciente da minha ignorância em relação ao que se terá passado na liga sagres, proíbo-me de fazer qualquer juízo de valor. Ignoro se o Benfica ultrapassou o Barcelona na qualidade de futebol jogado, se tivemos a maior onda de lesões da história do futebol moderno ou se o Maxi Pereira foi eleito o melhor jogador da liga em Janeiro. Repito, não pretendo avaliar nada nem ninguém; mas deixem-me sublinhar o óbvio, baseado em parcas informações e na segunda parte do jogo de ontem:
Nestes últimos 2 meses nada mudou! Nada!
Eu substancio:
- Levámos na boca do Porto na Luz, e até parece que o senhor do apito molhou a sopa;
- Levámos na boca do Liedson, que se jogasse todas as semanas contra o Benfica era, seguramente, o melhor jogador do Mundo;
- Encontro-nos, sensivelmente, com o habitual desempenho estatístico (aqui sublinho o facto de ser quase impossível, para o Benfica de hoje, ter um melhor marcador no campeonato!)
- Não jogamos uma beata! Temos dificuldade em impor o nosso futebol quanto estamos a ganhar, mas também quando estamos a perder ou empatados.
- Não consigo ver ao fim-de-semana o fruto do que deve ser uma semana de trabalho; desta vez até temos um dez talentoso e não sei mais o quê e quem, mas jogar à bola é que ‘tá quieto!
- (Eu sei que o ponto 4 e o 5 são a mesma coisa, mas precisava de espaço para explanar a minha indignação frustrada com os espectáculos que nos têm sido oferecidos!)
- As outras equipas perderam muito do respeito que tinham por nós. Jogar com o Benfica é mesmo uma oportunidade para ganhar.
- Os árbitros portugueses são a maior nódoa e acumulam erro atrás de erro. E ontem nem fomos propriamente prejudicados, se calhar a Naval até teria algo a dizer nesse capítulo - pelo menos eu sei que teria, se tivesse sido ao contrário (lance do 2º golo).
Resumindo, não é sem algum desânimo que regresso para uma realidade de crise, desemprego e Sócrates, depois de embalado por aventuras de mochila às costas. Poderia, contudo, haver recantos acolhedores onde me ambientar, o velho clube de sempre, essa camisola encarnada que veste a minha paixão pelo futebol poderia bem sê-lo! Mas não! Nada disso... Nem Rui Costa, nem Quique, nem Suazo, nem mesmo o Aimar souberam botar a bola p’rá frente e tirar o Benfica desta apatia crónica que o envolveu e para a qual não consigo vislumbrar antídoto.
terça-feira, 3 de Março de 2009
A estranha forma das flores
Vejamos: será possível conciliar numa mesma matéria de corpo e cérebro um discurso coerente e razoável com a opção, ao longo de uma certa fase do campeonato, de pôr o Binya a titular? Outra: conseguiremos nós, adeptos em busca de sinais tranquilizadores, acreditar num homem que evita meter o Amorim ao centro e, simultaneamente, quando é prejudicado, diz que não fala em arbitragens? Isto é real? Tem sentido? Propaga-se, é contagiante, faz morrer? É que eu não estou habituado a isto. Tudo o que não for um treinador a dizer mal dos árbitros, (desculpem lá, mas...) causa-me urticária aos neurónios. E, portanto, prefiro pensar que ele é mentiroso e falso a achar que estamos perante alguém capaz de, sem merdas, optar por falar em futebol.
Para quando, Flores, a tua revelação? Decide-te, homem: ou falas apenas e só em futebol - o que, enfim, repito, é estranho mas estou disposto a aceitar bizarrias -, mas percebes de futebol ou então metes os jogadores certos nas posições certas e, de tempos a tempos, fazes figura de José Mota*. Se não puseres mais o Binya a titular, sou rapazinho capaz de aceitar de ti um "isto é uma vergonha, fomos escandalosamente roubados", um "temos de levantar a cabeça", ou até um belíssimo "existiram situações neste jogo que deviam ser investigadas".
segunda-feira, 2 de Março de 2009
No comments...
Esta evolução está “significativamente influenciada pela diminuição dos proveitos gerados com a alienação de direitos desportivos de atletas, pela não participação na edição da Liga dos Campeões da presente época e pelo investimento realizado no reforço do plantel principal”.
A SAD do Benfica salienta, no entanto, que “as receitas televisivas atingiram neste semestre um montante de 6,1 milhões de euros, o que representa um aumento superior a 2 milhões de euros face ao período homólogo anterior”.
“Esta variação devesse ao facto da rubrica ter sido positivamente influenciada pela não participação na Liga dos Campeões, dado que a Benfica SAD teve oportunidade de comercializar directamente os seus direitos de transmissão”, facto ao qual “acresce a criação da Benfica TV, que reforçou o poder negocial do Benfica no sector audiovisual”.
O passivo da Benfica SAD atingiu os 147 milhões de euros, aumento “justificado pelo reforço efectuado no plantel principal através da aquisição de direitos desportivos de atletas e pelo aumento da respectiva massa salarial, aliado ao facto das receitas operacionais terem decrescido pela ausência da Liga dos Campeões”.
“Por contrapartida do aumento do passivo, observa-se nos valores do activo um crescimento de 13 milhões de euros”, tendo os capitais próprios diminuído “para um montante de 13,7 milhões de euros, condicionados pelo resultado líquido negativo alcançado no presente semestre”.
sábado, 28 de Fevereiro de 2009
Estatísticas II
Suazo
5/0 - 5 (1508 minutos - 17 jogos)
Cardozo
7/4 - 11 (1432 minutos - 16 jogos)
N. Gomes
7/4 - 11 (1252 minutos - 14 jogos)
Aimar
1/5 - 6 (1377 minutos - 15 jogos)
Reyes
4/6 - 10 (1800 minutos - 20 jogos)
C. Martins
1/7 - 8 (1328 minutos - 14 jogos)
sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Crise económica, BPN, Freeport, casamento homossexual, eutanásia? Hã? Vem aí mais um derby, pah!...
quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
Estádio da Luz
quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
O Debate Quinzenal
terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
8, 44 ou 80?
Esta escolha é curiosa e releva bem os pontos deixados em cima da mesa há uns tempos atrás. Lembro o texto de Novembro em que, baseado na feroz votação em apoio a Quique Flores, neste poiso se pedia alguma paciência e disponibilidade para aceitar algum insucesso que chegasse no decorrer da época. Desde então ficámos sem Taça de Portugal e sem UEFA, continuamos na Taça da Liga e, no campeonato, perseguimos o Porto por um ponto e mantemos intactas as hipóteses de sermos campeões.
Olhando para a realidade actual, parece-me que a votação se baseia, mais do que na desilusão de vermos duas competições fugirem-nos, na bipolaridade, esquizofrenia e, muitas vezes, numa acentuada teimosia que Quique Flores demonstra ter nas opções que faz. O espanhol não parece querer abdicar da sua busca incessante por rotinar o 442 (que é, na prática, um 424), não vendo (ou não querendo ver) que, seguindo esse caminho, estará sempre mais perto do insucesso. Por altura desse texto, Quique emendou a mão e procurou dar solidez ao sistema, tornando-o num não-sistema. Quando se coloca Amorim à direita, dificilmente poderemos chamar aquilo de 442 clássico pelo simples facto de que aquilo não é um 442 clássico. Esta opção, elogiada por todos nós e, antes, pedida à exaustão por todos nós, deu frutos e tornou a equipa mais sólida, menos permissiva às ofensivas adversárias mas, e aqui está tudo na mesma, muito pouco capaz de desequilibrar nas áreas contrárias. Quando as duas únicas soluções do Benfica são o passe longo do Luisão para os avançados ou o passe para o Reyes e ele que se desemerde, constatamos facilmente que ao Benfica, muito mais do que um treinador, bons jogadores ou árbitros competentes, falta uma ideia. Ela simplesmente não existe, não se vêem jogadas recorrentes, movimentações repetidas, espaços procurados, triangulações ensaiadas, rotinas, dinâmicas - aquilo a que, nos anos 90, o Toni chamava de "automatismos". Não há automatismos nesta equipa, Toni. Em 9-1, 8-1-1, 7-2-1, 1-9, 1-1-8, 1-2-7 ou 442 clássico, é preciso ter automatismos.
Não é, no entanto, impossível que eles apareçam. Não sei se esta época, que está mais direccionada para um contínuo sofrimento e necessidade de títulos, mas nas próximas. Esquecendo por uns segundos a questão da importância ou não de sermos campeões, é importante, a meu ver, que não esqueçamos o passado recente e que não entremos (como a votação perigosamente parece anunciar) mais uma vez na espiral louca da mudança de treinador. Dar ao espanhol o benefício da dúvida e esperar pelo final da época parecem-me opções bastante mais razoáveis do que, de repente, pormos tudo em causa e, então aí sim, definitivamente perdermos a hipótese (que é muito real) de renovarmos o título de 2005.
No texto de Novembro pedia que o 80 não se tornasse em 8. Ainda não se tornou. Mas temo que.
sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Ontem li-te na Futebolista
quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
Não digam que eu não avisei...
http://www.futebolfinance.com/novas-regras-para-transferencias-e-salarios-de-jogadores
Para quem não conseguir abrir a notícia, ou não estiver com paciência, destaco uma parte:
"De acordo com um alto responsável da UEFA, a proposta dos maiores clubes Europeus sugere que apenas seja permitido aos clubes gastar 51% das suas receitas na aquisição de novos jogadores e nos seus salários."
Agora, o que eu escrevi aqui, no dia 13 de Janeiro:
"A Deloitte fez um brilhante relatório que apresentou a solução para o futebol português, mas poucos lhe ligaram, porque entre outras coisas obrigava a uma drástica diminuição dos custos com pessoal, o que obrigaria por sua vez a apostar no formação e em jovens baratos, em vez de se poder fazer aquelas magníficas comprinhas de 3 milhões de euros em que rodam comissões para todos. Há um rácio que atrofia(va) quase todos os clubes portugueses que é custos com pessoal/proveitos totais, um rácio que tinha de se encurtar drasticamente para desafogar as finanças dos nossos clubes. O que é que se fez em 2008/2009 quando sabíamos de antemão que ia haver uma diminuição nas receitas correntes (devido à ausência da Champions)? Aumentou-se os custos com pessoal."
Andam a brincar, em breve o Benfica vai pagar e bem...
quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Os animais que nós somos OU Fora o árbitro, caralho!
Com o tempo, fui desenvolvendo no aficionado que sou a herética ideia de que o touro, apesar de mauzão, era bem capaz de não ser o máximo culpado pela má preparação e técnica dos toureiros encarnados e, assim, afastando-me inequivocamente da grande maralha que me rodeava, cheguei a chatear-me com um outro aficionado quando, tendo o touro assinalado uma perfeita e justa marca na areia com as patas (contra a vontade dos nossos toureiros!), o benfiquista desatou aos gritinhos histéricos, querendo a morte do animal, sem julgamento nem direito a advogado, acusando a mãe do miura de todas as patifarias, putarias e pornografias jamais vistas nas lezírias do sul da Ibéria. Não era justo!, gritei, deixem o animal em paz!, pedi, e, vendo que o animal que podia ficar morto na arena era eu, decidi-me por defender o touro em silêncio, não fosse o meu benfiquismo jorrar-se-me directamente do pescoço e acabar ali a minha performance de aficionado.
quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Estatísticas
GOLOS/ASSISTÊNCIAS - TOTAIS (MIN. JOGADOS)
Suazo
5/0 - 5 (1262)
Cardozo
5/2 - 7 (1024)
N. Gomes
6/4 - 10 (1051)
Aimar
0/5 - 5 (770)
Reyes
3/4 - 7 (1357)
C. Martins
1/7 - 8 (1020)
É curioso verificar que os menos utilizados (Cardozo, Nuno Gomes e Carlos Martins), para além de Aimar, têm números iguais ou superiores a Suazo e reyes. Nuno Gomes, então, é um caso de estudo. Com 6 golos marcados e 4 assistências - e tendo em conta que, além de menos minutos, tem sido quase sempre suplente utilizado (ou seja, mais difícil é de entrar no jogo) - é o mais produtivo jogador do meio-campo para a frente, se olharmos friamente para a totalidade dos números (10). Suazo, com muitos minutos, apenas 5 golos e nenhuma assistência, não deixa de constituir, ainda que muito útil à equipa, uma semi-desilusão.
Uma referência especial para o C. Martins que, tendo jogado menos que outros, já fez 7 assistências.
Os números não explicam tudo, como é evidente, mas podem ser sinais a estudar por Quique Flores.
terça-feira, 13 de Janeiro de 2009
Finanças
- Será o facto de devido ao último jogo e à nojenta campanha feita pela imprensa eu saber que o Benfica vai passar o resto do ano a ser roubado?
- Será o facto de eu ver que a equipa em vez de evoluir vai regredindo e que em Janeiro joga um futebol que nem como adepto da Académica me agradaria?
- Será o facto de actualmente ir à Luz ver bola dar-me o mesmo prazer que ir ao dentista?
- Será o facto de eu reconhecer que é pouco provável ganhar o euromilhões esta semana (desculpem, esta não tem nada a ver com o Benfica, mas pode servir de introdução ao tema do post)?
Não, nenhuma das anteriores. O que mais me preocupa no Benfica é a ruinosa operação financeira aprovada ontem na AG dos accionistas. Vamos voltar atrás até Agosto de 2008:
Era o final dum lindo Verão e a nação benfiquista estava a ter orgasmos múltiplos. O Deus Rui finalmente mandava no nosso futebol, tinha contratado o Mourinho espanhol e o melhor preparador físico de todos os tempos, e era ver as vedetas a chegar de jacto a privado, desde Aimar a Balboa (não resisti à piadola fácil de considerar o estafeta uma vedeta), passando por Yebda e Suazo, estava-se a construir uma máquina de futebol e tudo o resto que se lixasse. Eu, por defeito de profissão pensava para mim: “Ora a economia mundial está em recessão, o futebol também, não temos Chamipons, não vendemos ninguém de jeito, será que há dinheiro para isto?”. Timidamente escrevia isto em alguns blogs, quase me batiam, chamavam-me de estúpido, infiltrado ou Jaco, diziam que “o Rui é que sabe”, quem era eu para duvidar da gestão financeira imaculada do Benfica. Mantive a minha e disse que antes do fim da época ou teríamos vendas extraordinárias ou não teríamos dinheiro. Alguns continuaram a rir a tentar perceber quem era a próxima estrela que aterrava em Tires, eu tentei esquecer convicto que podia estar a ser pessimista e que o futebol de luxo ia compensar esta despesa parva.
Nada disto aconteceu. O futebol é o que se sabe (nem vou analisar agora essa parte), e sendo assim chegados a Dezembro o que aconteceu: marca-se uma AG e endivida-se o clube em 40 milhões, pagável em 5 anos (quem vier que feche a porta, sff). Ainda apareceram alguns acéfalos a argumentar “epá isso é para uma bomba tipo museu ou Messi, o clube continua bem, ou então é mais uma genial jogada financeira renegociando os prazos do nosso passivo conseguindo taxas mais baixas, ou vamos rasgar o contrato com a Olivedesportos”. Pois. Era bom, não era? Mas aí valhe-se a clareza da informação, foi dito logo que 12 milhões era para gestão corrente, basicamente é o mesmo que vocês terem um empréstimo de 100.000 para pagar uma casa ao banco e passados uns anos em vez de terem amortizado a coisa irem pedir um novo empréstimo de 150.000, sendo que 50.000 são para novas despesas que vocês criaram entretanto e não conseguiram pagar.
Não é preciso ser um génio para perceber o que está a acontecer. Esta Direcção pode sair em breve e quer sair em grande, um pouco como aqueles políticos que constroem tudo no último ano de mandato e depois deixam a Câmara endividada até aos colhões para o seu sucessor. A Deloitte fez um brilhante relatório que apresentou a solução para o futebol português, mas poucos lhe ligaram, porque entre outras coisas obrigava a uma drástica diminuição dos custos com pessoal, o que obrigaria por sua vez a apostar no formação e em jovens baratos, em vez de se poder fazer aquelas magníficas comprinhas de 3 milhões de euros em que rodam comissões para todos. Há um rácio que atrofia(va) quase todos os clubes portugueses que é custos com pessoal/proveitos totais, um rácio que tinha de se encurtar drasticamente para desafogar as finanças dos nossos clubes. O que é que se fez em 2008/2009 quando sabíamos de antemão que ia haver uma diminuição nas receitas correntes (devido à ausência da Champions)? Aumentou-se os custos com pessoal. Quais as soluções? Enganar alguém com o Di Maria (até essa sorte tivemos mas não aproveitámos), ou endividar mais, já que o nosso plantel tem poucos jogadores que rendam milhões, a maior parte dos reforços já desta época estão desvalorizados.
Na minha opinião ontem foi o primeiro prego no nosso caixão, até porque ninguém explicou (nem vão explicar) quais as garantias que o Benfica deu para esta operação. Desconfio que mais receitas futuras poderão estar hipotecadas (já não seriam as primeiras), o que juntando ao facto de não podermos negociar transmissões durante alguns anos leva a que eu até tenha medo de ver as nossas contas se e quando mudarmos de Direcção.
Tenho dito.
sábado, 10 de Janeiro de 2009
Mais que um Clube
sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Miguel Góis
Ontem, sentei-me à frente da televisão, algo contrariado por estar prestes a assistir ao V. Guimarães-Benfica e não a um treino no Seixal, que é onde o Quique diz que a equipa joga bom futebol. À partida, o esquema defensivo dos vimaranenses era simples. Suazo era vigiado por Gregory, Di María marcado por Andrezinho, e Aimar manietado pela pubalgia. Escusado será dizer que o púbis do número 10 encarnado foi eleito, no final da partida, como o melhor defesa dos minhotos, ainda que a espaços tenha permitido ao argentino um ou outro pormenor genial.
A grande novidade no onze acabou por ser a inclusão de Balboa, um jogador – ninguém me tira esta da cabeça - cujo rendimento aumentaria exponencialmente se entrasse em campo vivo. Penso até que seria pertinente, já que o jogador tem apelido de boxeur, dar-lhe a cheirar antes de entrar em campo aquela substância que os treinadores de boxe aproximam das narinas dos lutadores quando os querem espicaçar. Mas, em vez de um frasquinho, teria que se recorrer a um jerrican, porque o estado de espírito de Balboa é aquele que um monge budista deseja alcançar quando entra para um convento.
Por fim, eis que chegou aquela que ao longo da época (excepção feita às partidas com o Sporting e o Nápoles na Luz) tem sido invariavelmente a melhor parte dos jogos do Benfica: a conferência de imprensa de Quique Flores. Há umas semanas, ouvi pela primeira vez na minha vida um jornalista da TSF a dizer que iam prolongar um pouco mais a transmissão respeitante ao Benfica-Nacional uma vez que a conferência de imprensa de Quique estava a ser “espectacular”. De uma maneira ou de outra, acaba por haver espectáculo na Luz, isso é que é importante.»
Record
terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
É só um cheirinho
segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
100%
Feliz Natal a toda a família benfiquista (e que logo tenhamos a prenda que todos desejamos e merecemos) e como primo pelo fair play, os votos são extensíveis a todos os loosers que vêm atrás de nós, mesmo aqueles que mostraram o seu espírito natalício ao agredir o desgraçado do motorista que por azar conduzia o namorado da Inês Simões.
quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
Opção (muito) discutível
- o Benfica ainda tem uma hipótese de passar à fase seguinte. É certo que muito remota mas real. Isto, só por si, devia ser razão suficiente para que entrassem em campo os melhores. A ideia de que desistimos de um objectivo (mesmo que ele seja praticamente impossível) antes de esse mesmo objectivo ser impossível, causa-me apreensão. O Benfica não pensa em impossíveis. Muito menos quando eles não são, apesar de tudo, impossíveis.
- Depois da eliminação na Taça de Portugal, seria importante uma vitória. Se possível, da forma mais clara que conseguíssemos. Ora, não é a meter as reservas que temos mais probabilidades de conquistar essa vitória. É fundamental evitar empates ou mesmo derrotas. Neste sentido, acho que é arriscar demasiadamente num plano que, se não der certo, deixará todos (jogadores, adeptos, dirigentes) ansiosos e pouco libertos para o jogo que tem de ser para ganhar frente ao Nacional.
- Se é para aproveitar este jogo para testar soluções (tanto na observação de alguns jogadores como na mudança de modelo de jogo), não se pode mudar mais de meia equipa. Ninguém testa nada mudando 6 ou 7 jogadores, isso está mais que visto em futebol. No máximo 3, um em cada posição, para ver como reagem os jogadores à equipa e não o contrário. Num ambiente colectivo mais forte, é mais fácil um jogador conseguir singrar e mostrar valor. Num ambiente em que se mudam, como dizem os jornais, Binya por Maxi, M. Victor por Sidnei, Bastos por Katsouranis, Balboa por Amorim, Urreta por Reyes, Gomes por Aimar e Cardozo por Suazo, para além de não se conseguir perceber onde a equipa melhora (se melhorar) corre-se o risco de ver em campo uma equipa desligada e de queimar, aos olhos dos adeptos, jogadores que, num ambiente mais favorável (com menos mexidas na estrutura-base da equipa), poderiam ser reais mais-valias.
Por mim, era meter a carne toda no assador e ir em busca dos 8 golos. Nem mais nem menos. E, se fosse para poupar jogadores, poupava os 3 mais utilizados. Não é razão falar-se na poupança de mais de metade da equipa quando o nosso jogo é só na Segunda-Feira. O Porto não jogou ontem? Não joga no Domingo? Os jogadores não são profissionais de futebol? Não ganham o que nós nunca ganharemos e não sabem que têm de jogar, por vezes, 2 e 3 vezes por semana? Essa conversa da poupança já chateia. Acho que até tem um efeito mais negativo que positivo metermos os titulares a descansar. Para além de terem perdido a eliminatória para a Taça, perdem ritmo de jogo e fome de vitória para esquecer o último resultado. Hoje seria o cenário perfeito para acabar com essa fome e preparar, com dinâmica de vitória, o jogo contra o Nacional.
Por tudo isto, discordo totalmente da opção de Quique.
Se já era quase impossível darmos 8, com a equipa que está escalada para jogar hoje, pergunto-me se conseguiremos sequer ganhar. E isso é arriscar em demasia.
segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
Não, afinal quero ser jogador de futebol...
Mais tarde no campo do Matuzarense, eu de barquinho ao peito, electricista de coração, chegava na Casal de 4 e treinava no pó ou na lama, com amigos da mesma idade e alguns com habilidade para a coisa… Jogos no fim de semana, flatulências nauseabundas nas carrinhas e passear gloriosamente pelo distrito. E nem aí fui descoberto! Porque é que não abri o livro, como se diz na gíria, num jogo em que havia alguém importante a ver? Chamavam-me e diziam: “Vens para tal sítio assim assim, pagamos-te um balúrdio e tu só tens que jogar à bola todos os dias…”
Jogar à bola todos os dias e ter uma conta bancária volumosa… Que mais se pode querer?
Quando era pequeno e assistia a jogos do Benfica e quando corriam mal, uma das formas que tinha de me confortar era pensar para mim: “Não há problema, quando eu for grande, vou jogar para lá e ganhamos sempre…” Era com a maior das naturalidades que acreditava nisto. Porém cedo o sonho se foi desvanecendo e a percepção das minhas qualidades futebolísticas limitadas ajudou. Ok, não há problema, sou bom na escola, hei-de arranjar aí um curso que me pareça bom e ter uma profissão... Bom, agora que tenho o curso e a profissão, jogo à bola de vez em quando e não tenho uma conta bancária volumosa. Pois é…
Um dia destes estava num bar aqui em Vilamoura e vejo chegar um carro fenomenal: um Maserati não sei quantos com matrícula italiana… Quem é que salta lá de dentro enfiado numas calças coiso e tal, numa camisa xpto e com um relógio reluzente, portanto caro? O bronzeado Rui Costa, esse mago da bola, esse poeta dos relvados, para não lhe chamar maestro que isso toda a gente chama.
Ora eu, que não tive a fortuna de ser jogador da bola ali estava, a beber o meu cafezito, depois de um dia de trabalho num contentor de uma obra, a olhar preocupado para o galgar dos minutos, subtraindo mentalmente cada um que passava ao número de horas que me restava de sono. E o Rui Costa feliz, de férias, sendo que as férias dele, basicamente, são não jogar à bola por um período.
Foi depois disto e de ter cumprimentado o simpático e acessível artista que pensei: “Não, afinal quero ser jogador da bola… Ah, não, já não dá… Ok, amanhã às nove na obra!”
quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
Fim de carreira
Apesar da desilusão por ter perdido em dias seguidos duas finais dos Campeões Europeus, sabia que o meu trajecto como jogador estava, ainda assim, muito acima do que era esperado. Tinha vencido por 5 vezes o troféu mais ansiado por todos, tinha sido considerado o melhor jogador de todas as 7 finais que havia disputado. Estava na hora de arrumar as botas.
Nesse dia em que a sorte não quis nada comigo, enquanto das varandas dos prédios as pessoas me aplaudiam de pé, enquanto o cão vinha pedir uma festa e consolar-me, no meio do pátio, em cima da linha de meio-campo, eu agradecia aquele apoio incansável ao longo de duas longas semanas àquele público fantástico, agradecia especialmente à senhora que bebia suminhos de laranja na varanda do topo sul, agradecia o apoio incansável daquela empregada que esticava a roupa na varanda da Central e, emocionado, abandonava o campo com o sentido de dever cumprido.
Abandonava o futebol já veterano. Sentia que a minha altura tinha chegado. Os meus 12 anos não me permitiam manter o nível exibicional que até ali tinha deliciado a plateia. Saía triste por abandonar o futebol, mas feliz por tudo o que o futebol me tinha dado. Tive propostas para jogar em campeonatos menores, como o campeonato semanal em Vale de Rãs e o 24 horas no pavilhão do Pego, mas achei, na altura, que o pão com chouriço e o sumol de laranja com que me acenavam para prolongar a minha carreira eram insuficientes. Apesar de tentadores, não os achei suficientes para que a bola continuasse a rodar sob os meus pés. Além disso a família pedia-me encarecidamente que voltasse. Que voltasse a casa. E eu acedi. O jantar já estava frio.
[Este texto já tinha sido postado no meu outro blogue, Um Homem Não Chora, mas achei que fazia sentido recuperá-lo para um lugar mais futebolístico. Qualquer queixa que queiram fazer, façam o favor de se dirigirem ao Paquete de Oliveira deste blogue, que não existe mas que, ainda assim, receberá com agrado e dedicação as vossas palavras.]
terça-feira, 9 de Dezembro de 2008
Talvez porque foi fácil...
(Mais tarde veio o post do Americano, mas que não se refere à vitória de Domingo…)
É estranho como reagimos com tanta naturalidade a uma vitória por seis a zero. Eu falo por mim… Pelo contrário, cada vez que os gregos marcavam mais um no outro dia, era uma faca que me espetavam no peito. A dor crescia a cada golo e quando o jogo acabou fiquei numa tristeza profunda, pelo menos durante umas horas. Mas agora, cada vez que dávamos mais uma ao Marítimo, não regozijava proporcionalmente à tristeza que acumulava, quando encaixava mais uma dos gregos… Visto do lado do goleador, pareceu-me tudo muito normal. E pensava calmamente: “o futebol é assim e tal, os gajos também tiveram azar e a gente sorte, na volta ainda levam outro…”
Será que reajo assim por ser benfiquista? E porque, mesmo que nos últimos anos não tenha tido muitos motivos para celebrar, exista uma qualquer áurea de vitória, associada a este estádio evolutivo, que me leve a interpretar com naturalidade uma vitória por 6-0? Não, deve ser porque gosto de coisas difíceis…
Líder
sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
A frio...
quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008
Qualquer coisa...
Esperava poder estrear-me em melhor hora e aguardava por isso mesmo, que esses bons tempos regressassem para poder explanar aqui o meu futebol de letras (e aqui letras são mesmo letras e não aquela espécie de arte que o Aimar executa).
Já deve haver quem pense: “Pois, este é daqueles que só quando as coisas vão bem é que apoia e se manifesta, quando corre mal não sai da toca (ou ninho para nós aves de rapina).” Não é isso, é que ao contrário de certos poetas que procuram a melancolia e sentimentos soturnos para se inspirarem, a minha inspiração é mesmo a glória do Glorioso. E não havendo essa fonte, seco também…
Depois desta introdução descontraída, talvez para amenizar o clima tenso que se vive por aqui, gostaria então de concordar com o Ricardo e com o seu post anterior. De facto, a equipa e o treinador precisam de tempo… Sim, é verdade que se podem enumerar algumas situações pontuais em que claramente se verificaram erros de Quique na análise ao jogo e de determinadas escolhas goradas. Mas na minha opinião, resultaram exactamente do facto deste ainda se encontrar num estágio de aprendizagem e/ou habituação da peculiar realidade que é o futebol português.
Depois de esfriados os ânimos (ou desânimos) que estes últimos desaires nos provocaram, acho que podemos e devemos continuar a depositar esperanças neste grupo. Sim Sérgio, quando dizes que já não acreditas e falta qualquer coisa, compreendo perfeitamente (talvez no momento em que li, a identificação com tal posição fosse total), mas pergunto: que qualquer coisa é essa que leva o Quim a abrir a capoeira ou o árbitro a não apitar e apitar e a bola na baliza e o golo sem valer, ou os Gregos irem lá ao 4º minuto e molharem a sopa e em 4 remates, 4 golos, etc.. Essa qualquer coisa é o que torna isto do futebol engraçado, que não tem graça nenhuma quando nos toca no osso…
Vou então continuar esperançado num bom desfecho, pelo menos até que não me dê um vipe autofagico inerente à minha condição de benfiquista quase acéfalo…
Ultras!
Assim é que não: o gajo tem patilhas que parecem suíças!
Já vi este filme em tantas ocasiões que acho que desta vez prefiro ficar no café do cinema a beber gin-tónico e a fumar cigarros. E, se ligarem a televisão, a meio de um gole, começarei a ver golos dos outros, ininterruptamente, enquanto uns palhaços na bancada assobiam e dizem "eu não disse? eu avisei que este Benfica assim começava a perder" nunca entendendo que foram eles uma das principais razões para que uma ideia colectiva, um projecto, não tivessem podido subsistir e sobreviver à crítica acéfala de grande parte dos que amam (amam?) este clube. E esses palhacinhos estariam na linha da frente, se necessário fosse, já daqui a uns meses, quando o Manuel José ou o Luís Campas começassem a "inventar" onzes e a empatar jogos em casa. E nessa altura eles teriam, claro, toda a legitimidade e toda a força para a crítica (os palhacinhos acham sempre que têm legitimidade para a crítica, mesmo que ela seja inspirada pela ingestão de uma dose grande de mata-cérebros logo pela manhã).
Então eu abstenho-me de falar em equipa nova, técnico novo, direcção desportiva nova, de um facto que não interessa para nada que é a realidade de virmos de um 4º lugar, de uma época horrível, de precisarmos de tempo (sim, de tempo, senhores, as equipas novas, com treinadores novos, com dirigentes novos, depois de horríveis épocas, precisam de tempo, essa palavra que vos causa urticária mas que define tudo quando se pensa e analisa a nossa situação) e de, e é aqui que eu desisto porque simplesmente na lógica bipolar autofágica de muitos benfiquistas esta palavra não tem sentido, apoio. Apoio nas horas más (ou, no caso, nas horas assim-assim, que, acho eu, ainda estamos a um ponto do primeiro e à frente dos rivais directos, acho), meus caros, apoio nas horas más, já tinham ouvido falar neste conceito? Ah foram formatados para dizer que o Benfica é o maior e que vamos ser campeões, como acontecia há uma semana (não foi há 1 mês sequer, foi há uma semana), e agora estão formatados para dizer mal de tudo e que assim acabamos a época em posições de descida, como agora acontece? Então força nisso! Aquele Suazo já te parece andar a falhar golos a mais, não parece? Na próxima ida ao Estádio, a ver se lhe mandas umas caralhadas e uns apupos jeitosos, pá! Não sentes falta de poder soltar a tua estupidez latente? O cabrão do espanhol, com tanto apoio que tinha concentrado nele e na sua equipa, não te estava a deixar libertar e aliviar as frustrações, que é, afinal, para isso que vais ver o Benfica.
O Gin-Tónico estava razoável. Na televisão, entrevistavam um adepto do Benfica. Parece que com o Campas o Benfica não vai a lado nenhum. Era bom era que o Quique voltasse.
segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
A quente...
Alergia ao 1º lugar???
Inadmissível que uma equipa que joga bem como jogou dos 45 aos 60 minutos passe o resto do jogo a ver o adversário a trocar a bola.
quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
2ª feira...
2 notas apenas:
- David Luíz vem duma lesão, não tem nenhuma experiência com Sidnei, porque o Miguel Vitor não teve uma oportunidade, ele que com Sidnei já tinha secado os calimeros?
- Jogámos num inferno grego, que poucos já conheciam. Não teria dado jeito o único jogador que conhece aquele ambiente???
quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Cuspidelas
Fico sempre maravilhado quando um qualquer dos nossos jornais desportivos, perfeitamente em transe com uma qualquer (magra) vitória (quase sempre do glorioso), e na vertiginosa possibilidade de não ter muito mais a dizer para além de: “o clube X facturou uma batatinha e ganhou” - empreende uma demente fuga para o desconhecido e decide fazer capa com aquilo a que eu chamo de facto do siso. E facto do siso porque, geralmente há uma loucura latente e, principalmente, porque estamos perante uma facto (não poucas vezes uma estatística) arrancado(a) a ferros, mas FERROS mesmo! Já viram onde tento chegar?
Pois:
SIDNEI ENTRA NA HISTÓRIA COM 3 GOLOS NAS PRIMEIRAS 7 PARTIDAS (Exclusivo Record)
“NÃO VOU FICAR POR AQUI”
Primeiro que tudo, há aqui uma pérola, logo dada de barato quando se chama a isto um exclusivo…
É uma grande capa e o desenvolvimento no interior não lhe fica atrás! Algures encontramos um quadro com os defesas goleadores da história do Benfica, encabeçado pelo grande Humberto Coelho com 56 golos. Grande não sei…é que quando vou a ver, o pé frio do Humberto Coelho, à 8ª jornada da primeira época no clube não tinha um único golo…nada…nada de nada. Que vergonha. Não há dúvida, o Sidnei vai ser o defesa mais goleador da história do Benfica, é só dar-lhe tempo!
Estas estatísticas são mesmo fantásticas e ajudam-nos a entender melhor o jogo. É por isso que acho que ainda há trabalho a fazer neste capítulo. Penso, aliás, que o que se tem feito até aqui é de um amadorismo arrepiante. Temos que levar a estatística do jogo mais além, aprofundar a análise e chegar aos dados que realmente interessam.
Tenho uma proposta: Monitorize-se, mas com meios, as cuspidelas que um jogador dá durante o jogo, de jogo para jogo, de competição para competição. Compile-se os dados e chamem-se os estudiosos para interpretar. Dúvidas? Eu dou um lamiré:
A cuspidela é uma realidade essencial para entender o estado físico e anímico do jogador. Provavelmente todos vocês já jogaram à bola, sabem como surge essa saliva “seca” enquanto se joga, sabem como está relacionada com o cansaço, os nervos, etc. Gostaria de ver um jornal de grande tiragem a estudar a fundo o número de vezes que o Nuno Gomes cospe nos primeiros 3 jogos de cada temporada, e assim melhor podermos avaliar o preparador físico.
Já estou a imaginar a malta no café, comentando:
- Viste? O Aimar ontem só cuspiu 13 vezes durante os 90 minutos face às 17 do jogo de domingo passado...Está mesmo em crescendo de forma!
- Vi, vi! E o Miguel Victor, 31 cuspidelas...o puto estava nervoso, mas para o fim a cadência já só estava em 1 cuspidela por cada 7,5 minutos, já estava a ficar mais entrosado.
Isto sim, seria jornalismo e claro, o adepto agradeceria – provavelmente até treinadores! Por enquanto, teremos que nos contentar com o que temos e esperar que os nossos 3 grandes jornais vão crescendo e aprofundando esse inolvidável talento e queda para a estatística.
terça-feira, 18 de Novembro de 2008
A possibilidade de o Benfica voltar a ser Benfica
sábado, 15 de Novembro de 2008
Da Amadora, com fome.
terça-feira, 11 de Novembro de 2008
Dá-me lume
sexta-feira, 7 de Novembro de 2008
segunda-feira, 3 de Novembro de 2008
Aii..Aii..Aii..Aii..Aii Aimar...Cucurrucucu Suazo...
Acho que sonhei com um passe de primeira - de letra - em que a bola saía aí uns 30 e tal metros por cima de um defesa e apanhava o avançado em corrida
terça-feira, 28 de Outubro de 2008
A puta da simetria OU serei obsessivo-compulsivo?
sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
Hertha 1 – 1 SLB
Antes de tudo mais:
- Acho estúpido perder a fé num treinador em Outubro. Ainda mais estúpido o é na actual conjuntura benfiquista, em que é imperativo crescer, deixar de voltar repetidamente à estaca zero.
- Vi este jogo na área de serviço de Aveiras, no regresso do emprego.
Sento-me à mesa. Bom lugar. A televisão tem som alto. Estou próximo q.b. Ok.
O Jornalista lê a ficha de jogo. Comento, mentalmente, com o outro adepto benfiquista que tenho dentro de mim e vê todos os jogos comigo: “Este 4-4-2 do Quique não soa um bocadinho anacrónico? Sei lá, pouco sofisticado; como que saído dos anos oitenta. Parece que hoje em dia, a ser 4-4-2, é sempre qualquer coisa com uma figura geométrica não-rectangular incorporada (tipo losango)?”.
Olha! Na transmissão dizem que joga o Binya e não o Yebda. “Quique! Não! Quique, não! O Binya não… Chiça penico. Ainda para mais com este 4-4-2. Epá, então mais vale tirar um dos avançados e pôr o Carlos Martins. Sempre compensa. Sempre ficam 2 gajos no miolo a saber o que é uma bola. Quique! Nãoooooo!
O jogo começa.
(A meio do 1º tempo) – Pois e tal que o Cardozo é um grande valor. Grande pé esquerdo. Sim… Mas olha lá: O gajo é pastelão como o camandro, mas à força toda…e fino, também! O gajo não curte muito disputar bolas, e quando o faz fá-lo sempre com visível enfado. E com o insucesso daí decorrente. E depois há aquele talento indiscutível, que partilha com o Nuno Gomes, de estar sempre exactamente no sítio para onde o GR não chutou, ou o defesa, ou mesmo para onde o ressalto quis que a bola não fosse. E quando vai na direcção dele (ou do NG), bate ligeiramente à frente dele e passa-lhe por cima. Lindo!
Minuto 39 – Bynia acerta um passe a 3 metros, apesar de o companheiro não conseguir dominar o esférico à primeira.
Minuto 41 – Binya tenta receber uma bola, escapasse-lhe e acaba por ir parar aos pés de um jogador do Benfica.
Intervalo – Estes gajos são fraquinhos, equipa macia. Estaria tão ao nosso alcance…
2ª Parte – Suazo por Cardozo. Obrigado.
Existe uma desalentada resignação (futebolística) quando, após 45 minutos de Binya, o vemos voltar a subir ao relvado. Só experimento sensação igual naquelas noites em que, já bem tarde, e com uma fome descomunal, se olha para aquele pacote de bolachas manhosas e bafientas, que resistiram à última década fechadas num pote na despensa, e se resolve comer aquilo, sem água sem nada, que só há da torneira e sabe a lixívia.
O jogo recomeça. Suazo, de facto, é outra coisa.
Minuto 51 – Golo de Di Maria (exibição inconsequente, até aqui e até final). Ia falhando... Mas isto está bom…podemos marcar mais destes, em contra-ataque. Reyes ou Suazo vão fazer estragos. Quiçá o Nuno.
Minuto 66 – Carlos Martins junto à linha lateral. Boa! Vamos tratar de ter mais bola que isto está a começar a escapar. Fortalecer o meio-campo, gosto…Carlos Martins por Katsouranis. Não! Quique, não! Isso não. Não Quique! Tira o NG, o Reyes, o Di Maria…Porra, tira o Suazo…o Katsouranis não! Não é por ele! É que Binya e Carlos Martins sozinhos aí no meio…não pá! Não Quique!
Minuto 74 - …
Fim do Jogo. Punheta! 17º Jogo em território Germânico sem ganhar…e este esteve bem ao alcance. Levanto-me. Vou à casa de banho. Passagem pelo urinol, lavar as mãos…Sabonete, carregar no botão, água e upa…fechou-se. Carrego no botão e menos de um segundo depois a torneira volta a secar. Agora pressiono o botão durante alguns instantes…largo e…foda-se…a úlcera que terei aos 40 dá os primeiros passos…então mas a puta da torneira não se mantém aberta? Vou ter que lavar as mãos vez à vez? Suspiro…
Eu tenho um sonho…Eu sonho com dia em que a civilização humana, mais evoluída e cultivada, se reúna em torno de si mesma, e do mais singelo dos consensos surja a convicção plena de que um ser humano qualquer, a uma distância de uma simples casa de banho pública, possa ter uma torneira, com um manípulo para a abrir e a fechar…a seu belo prazer! AH! E QUE A NOSSA EQUIPA FAÇA SENTIDO…TAMBÉM SONHO COM ISSO!
quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
"O Burro"
- 12 jogos, 9 vitórias e 3 empates, 28 golos marcados e 3 sofridos!!!
- Liderança na Premier e no grupo da Champions
Podem dizer, "no Chelsea também eu", mas lembro que isto foi obtido quase sem Drogba, quase sem Essien, e ainda com lesões em Joe e Ashley Cole, Ricardo Carvalho, Ballack e Deco, obrigando a dar minutos ao Di Santo e a fazer de Belletti um médio bem razoável.
Uns pedem tempo, outros conquistam-no...
P.S. - Este post é oportuno por 2 razões: primeiro o Benfica joga hoje, pelo que logo à noite isto já deve ter descido na página. Segundo o Chelsea joga este fim de semana com o Liverpool e o registo pode piorar. Mas fique bem claro, acredito que Scolari vai limpar os reds, pena não ter lá o Simão para ajudar!!!
terça-feira, 21 de Outubro de 2008
Prémio Cepo da História do Benfica
- King - 4 votos (12 %)
- Manuel Damásio - 6 votos (18 %)
- Artur Jorge - 19 votos (57 %)
- Pinto da Costa - 4 votos (12 %)
Ganhou o suspeito do costume, nada de novo. Enquanto alguns preferiram esquecer dirigentes e técnicos e dedicar o seu voto aos que, de facto, chutam (no caso do King, tentam chutar) a bola, outros - a grande maioria - optaram por apontar chumbadas aos que decidem por fora. Se, para mim, a fraca votação em Damásio constitui alguma surpresa, visto ser este, aos meus olhos, o responsável máximo da degradação pós-94 do nosso clube (ainda mais do que Artur Jorge, sim), já a votação em Pinto da Costa, entre a ironia, o humor e, talvez, a luta pela verdade desportiva, está nos valores esperados.
O prémio fica, assim, atribuído ao "coisas bonitas" e também está muito bem. Ainda que custe a muitos, a verdade é que há uma grande parte dos benfiquistas que inveja o leão Sá Pinto. Eu invejo.
segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
Nightmare...
Era para escrever sobre o jogo(?!) de ontem, mas como não sei se o site é só para maiores de 18, e também não sei como pôr bolinha no canto superior direito do ecrã, é melhor não.
No entanto, tenho de deixar uma palavrinha para o regresso do "meu" nº1:
Obrigado Moreira, espero que tenha sido a primeira de muitas titularidades!!!
sábado, 18 de Outubro de 2008
(Chego um pouco atrasado – tive uma mialgia de esforço e passei a semana em trabalho de ginásio, só ontem comecei a fazer corrida – será recorrente, primazia ao fim de semana para, domingo a domingo, dar o meu melhor de mim em prol da equipa!)
Bom… - pega numa mini Sagres e gira os dedos em torno do gargalo, introduz o polegar na garrafa, roda novamente e retira-o produzindo um som tamponado. Finalizado o ritual com resultados satisfatórios, dá dois goles consecutivos e arrebanha alguns amendoins da taça ao centro da mesa. – Bom, junto-me aos escribas aqui ao lado embriagado pelo benfiquismo com que começamos; é galvanizante e sabe bem. Está-se bem aqui! Venho para ficar, Benficar.
Sou um benfiquista autodidacta. O meu pai não gostava de futebol, nunca me levou à bola. Mas havia qualquer coisa. Tenho a perfeita noção da cor preferida ser o vermelho, bem cedo. Deve ter havido influências externas, admito, mas conservo a firme convicção que era inevitável, que não poderia ser de outra forma! Encontrei o Benfica, ou o Benfica encontrou-me, e começou essa viagem que a partir de agora partilharei, o mais possível (na medida certa?), convosco. Parte da viagem já foi partilhada com o Ricardo, o bípede com quem mais discuti o Benfica (basta dizer que fui pela primeira vez ao estádio – o antigo – com ele e com o pai dele, que não bastando ter iniciado o filho a ver o Benfas fez o mesmo pelo filho do próximo, há que realçar a nobreza da acção!). Hoje orgulho-me do telefonema que o meu pai me faz após os jogos do Glorioso, para dividir a desilusão ou partilhar a ilusão feita de fintas e golos de encher o olho – é fã daquele espanhol, o Reyes – “o tipo tem um bom remate!”.
Fica o compromisso de seguir o trajecto Encarnado de perto, ensaiando umas análises à Luís Freitas Lobo… – Olha o gajo, já armado ao pingarelho! Não, não é nada disso, é uma maneira de dizer. Eu quando tentei triplo salto também o fiz à Nelson Évora, enchi o peito, inclinei as costas para trás e corri, corri, saltei e aterrei três passadas depois e a 3,47m da tábua, apesar de não ter conseguido homologar o resultado. É que o meu vizinho da frente disse que o vento estava a favor e acima da velocidade regulamentar. Foi pena.
quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
O meu primeiro post
Fica bem um gajo apresentar-se no primeiro post, certo? Então cá vai disto:
Sou o Americano, um maluco que o Ricardo conheceu na blogosfera, e que resolveu convidar (provavelmente sob o efeito de álcool ou drogas) para contribuir para este blog, que como é óbvio se vai dedicar muito ao GRANDE, ENORME E GLORIOSO BENFICA!
Resolvi escrever já porque daqui a pouco joga a Portugal, e não me quero desconcentrar...
Como disse sou “o” Americano, benfiquista fanático, sócio, accionista (comprei 100 contos de acções numa altura em que o meu ordenado era 80 contos!) e dono dum cativo desde que existe a nova Luz. Curiosamente não nasci benfiquista, até porque nasci nos EUA, e quando cheguei cá em 85 nem sabia o que era futebol. Felizmente tenho um primo mais velho que me explicou rapidamente que aqui não havia football, basketball, ou baseball, apenas o nosso futebol e que acima do futebol estava o nosso Benfica. Era daqueles que tinha o quarto cheio de posters daqueles jogadores que na altura me pareciam um bando de labregos de bigodaça, mas que rapidamente aprendi serem símbolos do maior clube do Mundo. Interiorizei os ensinamentos, e por ironia do destino ele foi viver mais tarde para os EUA, mas eu por cá fiquei para dar continuidade ao legado da família.
Para finalizar, aviso novamente que sou fanático benfiquista, por isso se de vez em quando for algo rude na defesa das minhas posições, não levem a mal, o Benfica liberta o melhor e o pior que há em mim. Prometo que a partir de agora só voltarei a escrever quando houver algo de jeito para comentar, espero que seja para comentar as centenas, milhares de vitórias que o nosso clube nos vai proporcionar.
Saudações benfiquistas!!!



