terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Por uma blogosfera benfiquista mais bonita (1):

«Cu» não tem acento.

Jesus e o paranormal

Felizmente, Jorge Jesus poderá estar no banco. Uma boa notícia numa fase em que precisamos de todos a rumar para o mesmo lado.

Uma nota para os benfiquistas paranóicos (que não são assim tão poucos) que acham que a Via Láctea está contra o Benfica: se na jornada anterior ao Benfica-Sporting o treinador dos leões fosse expulso e pudesse estar no banco no dérbi, quantos textos do paranormal escreveriam vocês? Dediquem-se a exigir competência e trabalho e deixem de ser tontos.

domingo, 24 de Agosto de 2014

Uma vitória com sinais preocupantes



Exibição muito pobre e preocupante contra a pior equipa do campeonato. Se, como é expectável, Enzo sair, vamos ter de melhorar muito se quisermos ser bicampeões.


Classificação após a 2ª jornada:

1º Sporting - 4 pontos
2º Porto - 6 pontos
18º Benfica - 6 pontos

Boavista - 2, Benfica - 3; época 1992/93, extraordinária finalização de Isaías. A única vez na História do Futebol em que um jogador marcou um golo a nadar.


O outro nome do Benfica é amor

O benfiquismo desafia a morte. É uma ideia tão suprema, tão superlativa, tão cheia de sentimentos dentro que não é passível de explicação evidente. O benfiquismo existe como a água existe, como existem os grandes oceanos, as ondas do mar, as areias, as montanhas, o amor. 

O benfiquista é tão benfiquista que se chateia com outros benfiquistas - no Benfica não há formas nem fórmulas nem verdades universais. Há muitos benfiquistas e há muitos benfiquismos, nenhum deles o mais certo porque ainda não foi encontrado o molde que represente o que é o Benfica. Como dar nomes, outros nomes, àquela onda que nasce do vento e das forças interiores do mar que vem desaguar, mansinha, junto ao nossos pés? Como explicar a formação de uma montanha que tem milénios de lambidelas de Sol, ar, tempestades, chuvas, nuvens e movimentos de peixes?

No Benfica tudo é difícil porque é fácil ser do Benfica. Uns porque foram levados pelos pais, outros porque se apaixonaram pela cor das camisolas, uns ouviram dizer, outros falaram no Benfica. Cada um, todos, à espera de mais uma jogada, a seguir de um golo, no fim de uma vitória que nunca se fecha numa vitória porque logo a seguir há que vencer outra vez. E outra vez. E outra vez. E depois vencer mais um jogo. E ainda outro. E sempre ganhar. Amanhã é para ganhar. E depois de amanhã também.

Nós não somos do Benfica por decreto divino ou escolha evolutiva essencial. Somos do Benfica porque é fácil e é difícil ser do Benfica. Somos do Benfica porque não há outra forma de existência. Ninguém nos mandou ser do Benfica; fomos lançados para ser do Benfica e somo-lo com todo o orgulho e amor do mundo. Porque o Benfica é vermelho. O Benfica é vermelho e branco. Porque isso nos envaidece. E porque somos um clube lutador. Somos do Benfica antes de sermos do Benfica. Já éramos do Benfica e ainda nem sequer sabíamos que éramos do Benfica. Somos do Benfica porque é bom dizer Benfica e festejar um golo do Benfica e ver, de olhos em lágrimas aquela jogada que promete um golo do Benfica. Vem o fim do jogo, o apito final soa do relvado para as bancadas, e então somos do Benfica aos abraços e aos beijos, uns para os outros, uns com os outros, uns nos outros, todos. 

O Benfica - e que bem que fica! - é este universo que junta planetas, astros, nuvens de cor, dunas infinitas, lugares de ternura. Encontramos Benfica no deserto de Atacama, nas praias australianas, no frio da Sibéria, nos glaciares da Patagónia, em cima dos Campos Elísios, nos canais de Amesterdão, naquela lareira que fuma enchidos, dá fermento ao pão, que aquece pimentos. Que bem que fica o Benfica quando as bandeiras e os cachecóis voam nas mãos dos benfiquistas e pelo céu vermelho ecoa o Hino do Benfica. Ben-fi-ca, Ben-fi-ca, Ben-fi-ca, as goelas de línguas vermelhas soltam os gritos milenares do assombro de uma paixão que não é explicável, não tem teor científico, não apresenta prova corroborada além daquela que os corações aos saltos, os corpos em desvario, as mãos no ar, os pés voando vão soltando pelo Estádio, pelos cafés, pelas casas, pelas ruas, pelo espaço. 

O Benfica não é Benfica porque é universal - e é universal; o Benfica é Benfica porque nos aparece no sítio mais estranho, no lugar impensável, no último segundo do mundo, no respirar de um rio ou no salto de uma nuvem. O Benfica é Benfica porque junta o recém-nascido com o quase-morto numa espiral de tempo que encontra velhos, novos e semi-novos todos de mão no peito à espera do golo. E o golo existe. O golo vai ser golo. O golo já foi golo e volta a ser golo porque depois de um golo há outro e ainda mais um golo e no fim o golo de mais uma vitória. Uma vitória à Benfica. Uma vida à Benfica.

Quando morre um benfiquista o Benfica leva uma cicatriz no peito e uma papoila na orelha direita para lançar rumo ao Quarto Anel onde aterra em cheiro, som e glória para se despedaçar em pétalas que cobrem o relvado na hora do golo do Benfica.


sábado, 23 de Agosto de 2014

Peres Bandeira, o histórico olheiro do Benfica, decidiu ir de viagem. É mais uma Bandeira do Glorioso no 4º Anel.


Uma Candeia mal iluminada II



“Deste final de época, para além do triplo triunfo e consequentes festejos, sobra ainda a contratação do jogador Candeias, pertença do Nacional da Madeira.

Percebendo que se trata de um negócio de ocasião, por se tratar de um jogador em final de contrato, não consigo encontrar nesta aquisição uma lógica desportiva facilmente entendível. Candeias é um jogador interessante – não mais que isso – que se encontra próximo do seu limite evolutivo. Não vejo no extremo Português uma capacidade para evoluir muito mais do que conseguiu até ao momento, logo, não me é previsível que venha a ter um nível competitivo suficiente para assumir um lugar indiscutível no 11 do Benfica. Naturalmente que é um jogador com qualidade e capacidade para fazer parte do plantel, numa lógica de 2ª linha, mas não mais que isso.

Não obstante, jogadores para constituírem uma 2ª linha do plantel do Benfica já o clube tem sob contrato como Pizzi e/ou Ola John, para lá de Ivan Cavaleiro a quem é preciso dar competição, seja por via de oportunidades na equipa principal, seja por via de um empréstimo a um clube de primeira liga onde se possa impor como escolha principal.

Perspectivando as mexidas naturais do mercado de verão, e na pior das hipóteses, há a considerar as possíveis saídas de Gaitan e Markovic, ou seja, dois jogadores de classe e qualidades inegáveis. Perdendo estes dois fica a pergunta: Candeias é capaz de suprir alguma destas saídas do 11? Obviamente que não. Nem Candeias nem sequer Pizzi, Ola John ou sequer Cavaleiro.

O melhor que consigo prever para Candeias no Benfica é ser o Hugo Vieira ou Steven Vitória do próximo plantel, isto é, contratação para adepto ver (Hugo Vieira) sendo emprestado em seguida ou contratação para preencher uma das vagas na lista a enviar para a UEFA como jogador formado localmente (Steven Vitória).

Em suma, não há em Candeias nada que o diferencie positivamente dos jogadores que já se encontram contratualmente ligados ao clube.

E se a ideia era a de contratar um jovem português para as alas do ataque que pudesse ir evoluindo e conquistando o seu espaço, havia em Ricardo Horta uma solução muito mais promissora, até porque Candeias já conta com 26 anos. Não, não é um “velho”, mas está próximo do máximo que poderá dar, bem diferente do jovem extremo do Vitória de Setúbal e que já pertenceu ao Benfica.”

Este post foi por mim escrito no passado dia 23 de Maio, depois de ver confirmada a contratação de Candeias por parte do Benfica. Os comentários a este post foram muitos e variados, dos quais destaco:

“Quem és tu para falar num jogador que não conheces, quando ignoras tudo sobre futebol, quando falas contra decisões tomadas por especialistas de futebol (Rui Costa e JJ), ignorante dos processos estratégicos que estão por detrás destas decisões?
Os talibans já começam a tentar destabilizar, dar a sua opinião ignorante sobre tudo o que mexe no Benfica. Para ajudar os pasquins que lambem os beiços de satisfação.”

Qual o meu objectivo com isto? Vangloriar-me por ter razão antes do tempo? Passar uma imagem de entendido? Não, longe disso. O objectivo é puro e simples: Demonstrar como um simples adepto como eu, entre milhões, conseguiu perceber o que os PROFISSIONAIS do Benfica não conseguiram.

E são os “Candeias” da vida do Benfica que nos fazem ter dezenas e dezenas de jogadores sob contrato e mesmo assim não conseguimos iniciar a competição com um plantel claramente definido e com lacunas completamente colmatadas. É este o tipo de organização que reina no Benfica e são casos como Candeias, Djavan, Luís Filipe, Vitor Andrade, Fariña, Eder Luis, Rojas, Andrés Diaz, Cortez, Emerson, Roberto, Hugo Vieira e tantos, mas tantos outros que nos custam a afectação de verbas importantes e que geram endividamento escusado e desmesurado. Talvez um dia saibamos a história completa.  

quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Júlio César



E é já depois do arranque da época oficial e da (quase) redenção de Artur que o Benfica anuncia o homem que se pretende que seja o dono da baliza mais Gloriosa do Mundo: Júlio César.

O internacional canarinho, mais que um grande guarda-redes, é hoje em dia, um grande nome. O seu currículo fala por si e faz-se pagar. E o seu valor salarial deve-se exactamente ao seu enorme passado e não tanto ao seu mediano presente e futuro.

Júlio César foi, nos tempos do Inter Campeão Europeu de Mourinho, quase unanimemente considerado o melhor guarda-redes do Mundo. Não acho que tenha chegado realmente a esse patamar, mas é indesmentível que sob o treino de Silvino chegou bem alto na hierarquia mundial.

Após a saída do técnico Português do clube Italiano, o guarda-redes Brasileiro foi paulatinamente descendo de nível, chegando à quase ruina desportiva. Não desistiu e teve em Scolari o seu maior e melhor aliado para renascer das cinzas e voltar à ribalta mundial com a titularidade da baliza Brasileira.

Não, não acho que Júlio César seja, neste momento, um enorme guarda-redes, conforme o enorme encargo financeiro (para os padrões do Benfica) que a sua chegada representa. Não quero com isto dizer que Júlio César é mau guarda-redes ou, tão pouco, inferior a Artur, apenas considero existirem atletas com o mesmo nível desportivo por preços bem mais em conta.

Não obstante, acho que o guardião Brasileiro dará bem conta do recado que lhe é confiado e que, sem qualquer dúvida, ainda é um guarda-redes superior a Artur.

Em suma, podíamos estar melhor servidos, mas Júlio César é solução para o problema que tínhamos, coisa que Romero não seria.

Bem-vindo sejas à família.

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

O menino d´ouro



De entre tudo o que deu ao desporto, realço o melhor não-golo da História do Futebol - só comparável ao outro melhor não-golo da História do Futebol; aquele lance do Pelé no qual ele deixa a bola passar por um lado do guarda-redes e vai buscar no outro: a jogada notável contra a Alemanha, em que finta 5 dos melhores defesas e médios do mundo e só não consegue ultrapassar o Kopke. Como benfiquista, tenho vergonha de que este jogador tenha sido escorraçado do meu clube. Como amante do futebol, só posso agradecer os anos de pura e rara magia. Parabéns, menino d´ouro.

domingo, 17 de Agosto de 2014

Regresso a casa



Sol na Luz, amigos, copos e uma vitória à 1ª jornada. É bom viver no Benfica.

Classificação após a 1ª jornada:

1º Sporting - 1 ponto
2º Porto - 3 pontos
18º Benfica - 3 pontos







Vai à Luz, larga a internet.



Hoje é para matar o borrego de anos e ganhar na primeira jornada rumo ao mágico 34º. Como consegues tu, companheiro benfiquista, que o teu clube tenha sucesso e ganhe títulos? Apoiando. Na internet, dizendo "sim" a tudo? Não, no estádio. É lá que o teu apoio conta. Larga a internet, vai à Luz.

sábado, 16 de Agosto de 2014

Entrevista a Carlos Daniel - Segunda Parte

Luís Filipe Vieira tem afirmado por diversas vezes que o objectivo do clube passaria por ter cada vez mais jogadores oriundos da formação no plantel principal. Tomando esta ideia por absolutamente sincera, considera Jorge Jesus a escolha certa para o fazer?
Hoje parece-me uma evidência que essa ideia é apenas um slogan vazio, ao qual verdadeiramente não tem sido dada sequência nenhuma, treinador incluído.

O que acha de João Teixeira? Considera-o mais um 6 ou um 8? Vê nele potencial para um futuro titular do clube?
Sem dúvida um bom jogador e com potencial para isso. Mais um 8, parece-me, mas sem capacidade para ser, no imediato, o 8 que também é 10, no sistema  de Jesus. Lucraria com um terceiro médio criativo à frente. 

Nelson Oliveira, Bernardo, Ivan, Dawidowicz, Joao Teixeira, Cancelo merecem ou não estar na equipa A em detrimento de Luis Filipe, Sidnei, Jara, Artur? Ou seja, tendo em conta o desinvestimento claro por parte da Direcção do clube, não faria sentido apostar na evidente qualidade dos jovens da formação ao invés de continuar a confiar em jogadores que ou não o têm ou parecem não estar interessados em mostrar o seu valor?
É sempre simpático responder que sim a isso, qualquer que seja o clube mas a qualidade tem de prevalecer e os jogadores têm de saber aproveitar as oportunidades. Creio que foi tardia e receosa a aposta em André Gomes e que Bernardo Silva justificava mais oportunidades. Já quanto a Nelson Oliveira desaproveitou todas as que teve, Cancelo tem desaproveitado e de Dawidowicz ainda não se pode dizer nada. Ivan Cavaleiro não consigo explicar porque foi aposta e deixou de ser.

Talisca tem aparecido, nesta pré-época, a titular indiscutível na posição "8". Quais as mais-valias que tem em relação a, por exemplo, João Teixeira ou até Bernardo Silva (que é um jogador mais ofensivo)?
Promete muito como médio de transição (que Bernardo não é), com qualidade de passe indiscutível e muito potencial a desenvolver. Não me parece que algum dia vá ser um bom segundo avançado, como acaba de ser testado. É a melhor contratação do Benfica até agora, com Bebé a seguir.

É possível ao campeonato português ganhar competitividade sem perder a capacidade de fazer boas prestações na Europa? O campeonato holandês, por exemplo, antes desta fase do Ajax, ganhou competitividade, mas as suas equipas desapareceram das fases mais adiantadas a nível europeu.
É possível, sem dúvida, isso depende das receitas dos clubes mas não apenas, também de uma maior qualidade no trabalho da formação e num melhor aproveitamento dos valores nacionais.

Vislumbra a entrada de capital russo ou árabe e transformar o Benfica num Chelsea ou PSG?
Não me parece mas não consigo prever se vai acontecer ou não.

Se fosse Presidente do Benfica, e todos estivessem disponíveis nas mesmas condições, quem escolheria para treinar o Benfica: Leonardo Jardim, Fernando Santos, Jorge Jesus, Vilas Boas ou Marco Silva?
São todos competentes e, num determinado momento, todos poderiam treinar qualquer grande em Portugal, como já treinam ou treinaram aliás. (Sim, fugi à pergunta, que era boa). Atenção: não é fácil substituir Jesus no Benfica, pode haver mais um ou dois além dos citados (gosto muito também de José Peseiro e Vítor Pereira, tenho expectativa sobre a evolução de Nuno Espírito Santo) mas a elite fica por aí (com mais um ou dois).

Para além da óbvia necessidade de conquistar títulos de forma consecutiva, o que falta ao Benfica para conseguir quebrar a hegemonia do FC Porto?
Também depende dos adversários, que têm a mesma legitimidade de querer ganhar, mas diria que a ambição de ganhar é decisiva e o Porto tem-na tido em doses superiores às do Benfica ao longo dos anos.

Neste momento, e tendo em conta a preparação e organização dos plantéis, vendas e contratações, qual é a equipa favorita a ser Campeão Nacional?
Vai depender das entradas e saídas deste mês mas Benfica e Porto estão mais próximos este ano. O Benfica tem todas as condições para voltar a formar uma equipa forte e competir com o Porto que se reforçou muito bem, em qualidade e quantidade. O Sporting tem a vantagem de manter a estrutura, até ver, e de ter um excelente treinador mas continua atrás dos rivais.

Se pudesse mudar alguma coisa no futebol português, por onde começava?
Pela obrigatoriedade de os clubes das competições profissionais terem todos os escalões de formação, pela melhoria obrigatória da qualidade dos relvados (sob pena de ter de se jogar em casa emprestada) e pela definição de uma política global, e constante, em relação a preços de bilhetes (com promoção do futebol como jogo de toda a família).

Qual o jogador mais sobrevalorizado da época transata? E o que menos foi valorizado?
Não é fácil dizer mas o mais sobrevalorizado talvez tenha sido Lucho, que já não estava na plenitude e o Porto (de Paulo Fonseca) também perdeu por esperar dele o que já não podia dar. Um dos menos valorizados foi Rojo, que é o melhor defesa do Sporting e jogador de qualidade indiscutível, além de fazer dois lugares de modo muito competente.

Qual o 11 do ano do Campeonato Português da época passada?
Oblak; Danilo, Luisão, Garay, Siqueira; Enzo, William Carvalho; Markovic, Rodrigo, Gaitán; Jackson.

Quais os 3 melhores jogadores que viu jogar?
São quatro: Maradona, Ronaldo “Fenómeno”, Cristiano Ronaldo e Messi.

E em Portugal, quais os 3 melhores jogadores que passaram pelos relvados nacionais?
São muito mais que 3. Por épocas: Madjer, Chalana e Futre, primeiro; Figo, Rui Costa e João Pinto depois; Deco, Cristiano Ronaldo, Falcao, Aimar. E devo ter-me esquecido de alguns óbvos.

Num 442 à Jesus, escolha o melhor 11 de sempre do campeonato português (portugueses e estrangeiros).
Juntando todos é impossível, e mesmo assim incluo alguns suplentes. Separo estrangeiros e portugueses, se me permitem, mudo para 1x4x3x3 que acaba por ser mais fácil,… e mesmo assim devo ter-me esquecido de algum óbvio.
Portugueses: Vítor Baía; João Pinto (Veloso), Humberto Coelho, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão; Rui Costa (Oliveira), Paulo Sousa, Chalana; Figo, Cristiano Ronaldo (Jordão ou Fernando Gomes) e Futre.
Estrangeiros: Preud´Homme; Maxi Pereira, Mozer, Ricardo Gomes (Aloísio), Branco; Deco (Valdo) Matic, Aimar (Lucho); Madjer (Hulk), Falcao (Jardel) e Di María.


Guardiola é o melhor treinador do Mundo?
É, tem sido nos últimos anos, pela qualidade do futebol e pelos resultados também.

Qual o contributo indirecto de Guardiola no título de Campeão Mundial por parte da Alemanha?
Grande, ao nível de um jogar em que a bola está muito menos vezes com o adversário e em que a equipa não se precipita mas não deixa de atacar. Não será dele o maior mérito mas não é por acaso que a Espanha e a Alemanha ganham com as equipas dele como base. Como o Porto de Mourinho serviu Portugal em 2004 e o misto Juve-Milan favoreceu o título Mundial da Itália em 2006.

Diga-nos os 5 melhores treinadores de sempre e os 5 que podiam substituir Jesus no Benfica sem perder qualidade.
É impossível apenas 5, que houve Vittorio Pozzo, duplo campeão do mundo em 34 e 38 e Hugo Meisl, que criou o Wunderteam austríaco na mesma década; Jimmy Hogan, um inglês de quem se fala pouco mas que esteve na génese dessa grande Áustria e depois da Grande Hungria (de Gustav Sebes) e Herbert Chapman, do Arsenal, que inventou o WM e revolucionou a táctica; Boris Arkadiev, professor de Valeri Lobanovsky e mais este, o czar do futebol científico soviético; Béla Guttman e Otto Glória, na década de ouro do Benfica e de Portugal; Rinus Michels, o inventor do futebol total e Stefan Kovacs, que lhe desenvolveu o conceito no grande Ajax; Johan Cruijff e Pep Guardiola na linhagem do Barça que adora a bola; Helenio Herrera (símbolo do melhor futebol defensivo que ficou como marca em Itália e criador dos mind games)  e Arrigo Sacchi (com ele o conceito zona triunfou, associado ao pressing); Bob Paisley, que ainda melhorou o Liverpool criado por Bill Shankly, e Brian Clough, o da impossível promoção do Nottingham Forest, das divisões inferiores inglesas ao topo da Europa; César Mennoti, porque o futebol também é poema e sonho; Alex Ferguson, pela vontade de querer ganhar e de querer saber sempre mais, José Mourinho, porque sabe tudo de futebol e ganhou como quase nenhum outro. E faltam muitos. Qualquer destes, dos que estão vivos, podia substituir Jesus sem perder qualidade. Não é mau acabar com um sorriso, pois não?

«o Atlético Madrid desmente de forma rotunda as afirmações do presidente do Benfica»

Nem 48 horas passaram e já temos malandros espanhóis a querer engrossar a vasta lista de mentiras do nosso grande Presidente? Será que daqui a 4 meses vamos perceber que a entrevista de Quinta teve uma percentagem de 70 a 80 por cento de aldrabices? Não quero, não posso, não devo e não vou acreditar em quem só pretende desestabilizar um clube que caminha rumo ao sucesso liderado por um homem honesto, frontal, sério, competente e sobretudo empenhado em defender os interesses do clube sobre interesses pessoais.

E o presidente falou



A entrevista da passada Quinta, tão aguardada pelo universo benfiquista, pouco mais serviu do que para alimentar aquele pássaro tão conhecido nas hostes benfiquistas. E não, não me refiro aos famosos abutres mas sim aos barulhentos papagaios.
Um minuto depois do termo da mesma já era possível assistir aos comentários dados com ar de grande pensador mas vociferados pura e simplesmente com base na repetição.
Pelo menos este sucesso está sempre garantido.

Sobre a entrevista em si.

É verdade que o Hélder Conduto fez grande parte das perguntas que se impunham e até insistiu num assunto sensível e que à primeira vista até deixava o presidente algo desconfortável. Infelizmente uma entrevista não é um debate e o jornalista não pode ultrapassar certos limites. As perguntas foram feitas, os assuntos abordados e as respostas foram dadas. Quando o entrevistado responde a tudo (ou quase tudo), por mais que as respostas façam pouco ou nenhum sentido, o entrevistador pouco pode fazer, principalmente num canal onde a idoneidade do presidente não pode ser colocado em causa.



Quem não assistiu ao que se passou naquela hora na BTV, pouco perdeu. Como sempre, o actual presidente do Benfica utilizou do populismo, da superficialidade de argumentos e da ignorância (maioritariamente condicional) de muitos dos benfiquistas. A táctica é a de sempre: empurrar os problemas e assuntos para a frente.
Quem procurou aliviar as suas dores para os picanços com adeptos rivais, ficou satisfeito. Quem procurou perceber o momento do Benfica, ficou ainda mais assustado, não devido ao presente do clube mas sim devido à postura do presidente.



Antes de mais nada vou fazer um destaque de algumas informações (ou afirmações) que o LFV nos deixou.


O Benfica não tem qualquer problema de tesouraria.
A relação entre o presidente e o treinador está saudável e está na mesa a possibilidade de renovação com o JJ mas sempre nas mesmas condições contratuais que as presentes.

O Karnezis está perto de ser garantido.

As relações institucionais com o Real Madrid estão salvaguardadas.

Quando o Markovic foi contratado veio com 2 cláusulas, uma de preferência para o Chelsea e uma de rescisão de 25 milhões.
Antes do jogo em Turim com a Juventus, ficou apalavrado um potencial contrato para o Siqueira, contudo o seu empresário nos dias seguintes aumentou as exigências contratuais para números que o Benfica não está disposto a suportar.
Na venda, por 45M, do A.Gomes e Rodrigo, ficaram também definidas 3 cláusulas. Uma de 25% das mais valias de uma futura venda do André e outras duas de 5M por objectivos relacionados com o desempenho do Rodrigo, 10M que o Benfica conta receber já nos próximos dois anos.

O Enzo e o Nico só saiem pela cláusula.

Não há qualquer proposta da Juventus pelo Luisão e o jogador vai terminar a carreira na Luz.

O Benfica só tem urgência na contratação de um trinco. Definiu dois alvos sendo que um falhou e o outro está a ser negociado.

O Nélson e o Pizzi vão ficar no plantel.
O Sílvio é uma incógnita e o Atl.Madrid até já requisitou o seu certificado internacional.

O Bernardo, o Ivan e o Cancelo foram emprestados e não vendidos. Os 45M foram desmentidos.

O grande objectivo da época é o campeonato.

Foi feito um apelo aos adeptos para uma maior participação na vida no clube. Por outras palavras, a empresa precisa de mais clientes.

O presidente concordou com o seu vice quanto à questão da desigualdade de tratamento por parte do BES para com o Benfica e Sporting. Penso que esta situação é delicada demais para ser abordada nestes termos. É preciso contextualizar as situações.

E ainda houve tempo para um pequeno drama sobre um chover de praça.




Deixo agora aqui alguns excertos da entrevista:


HC – O Benfica está a fazer um desinvestimento no futebol, isto tem a ver com o BES?

LFV – Não. Primeiro deixe-me dizer que responderia por três fases. A primeira é que o Benfica por opção própria só desinvestiu em dois jogadores, concretamente no Garay e Cardozo. Foi uma opção própria do Benfica que tinha de o fazer e fez.
Em segundo lugar o Benfica não desinvestiu, dir-lhe-ia que o Benfica não investiu aquilo que investiu na época passada. Por diversas circunstâncias. Nós tínhamos a final da Liga dos Campeões na nossa casa, nós tínhamos feito uma época anterior fantástica mas infelizmente com resultados negativos porque não ganhámos nada. E então foi uma opção que nós tivemos foi nessa altura investir. Investimos e bem como bem se lembram, tivemos resultados e investimos também por uma situação que tinha muito a ver com a final da liga dos campeões no nosso estádio, tinha a ver com o sonho que todos tínhamos, tinha a ver um pouco com o Eusébio também. Penso eu que os resultados foram bastante positivos porque ganhámos tudo o que tínhamos para ganhar em Portugal e infelizmente na liga Europa não conseguimos fazer mais do que aquilo que fizemos.


HC – Mas neste momento qual é o grau de disposição do Benfica em relação aos riscos que o Benfica corre da crise do BES?

LFV – Não. Dir-lhe-ia que o Benfica é uma grande empresa que factura 100M de euros, aproximadamente, fora a venda dos jogadores, e tem endividamento natural por isso mesmo. Digo-lhe que toda a divida do Benfica nunca serviu para pagar custos operacionais ou custos de divida ou a divida em si, foi sempre para projectos estruturados que o Benfica investiu. Agora para um clube que cumpriu sempre com essa instituição não vejo porque vem sempre a história do BES para cima da mesa. Por ter mudado uma administração? Para quem cumpriu sempre, é um bom cliente, eu não estou a ver que vá mudar qualquer tipo de politica.


HC – Está a desmentir a notícia que foi cancelada a conta caucionada?

LFV – Estou a desmentir mesmo a noticia. Nunca foi cancelada nenhuma conta caucionada. Um cliente como o Benfica que paga nos últimos 10 anos 200M de euros de juros, acha que é um mau cliente? O banco precisa de um cliente como este.


HC – O presidente do Benfica está a explicar que investiu para criar a obra que já foi destacada. Mas os seus críticos dizem que não é investimento, que é endividamento.

LFV – Se toda a gente dissesse bem de mim e concordasse comigo eu ia-me já embora. Já houve algumas críticas que me fizeram aprender alguma coisa mas há outras que não aceito.
Há uma coisa que lhe garanto. Quando cheguei ao Benfica não havia memória do Benfica, hoje posso-me ir embora que vai haver memória sempre.


HC – Deixe-me recuperar a notícia do expresso. Diz que o Benfica precisa de realizar em transferências de jogadores 200M euros para pagar obrigações até ao final do ano. Isto é verdade? O Benfica precisa de um encaixe desta natureza para cumprir os pagamentos dos empréstimos obrigacionistas e não só?

LFV – Não, repare, o Benfica já se venceu outros empréstimos obrigacionistas e conseguiu-os liquidar, é verdade renovando-os praticamente. Não há razão nenhuma para esta nova administração do banco novo estar preocupada com a situação do Benfica.

HC – Portanto não está a vender jogadores para pagar os tais cerca de 200M?

LFV – Eu não vendi jogadores, não está a compreender.

HC – Mas os jogadores saíram e o Benfica encaixou dinheiro.

LFV – Está bem encaixou, o dinheiro está cá.

HC – Esse dinheiro vai servir para pagar estes empréstimos?

LFV – Não sei se vai ser ou não mas o Benfica vai cumprir.

HC – O Benfica vai renegociar os empréstimos obrigacionistas ou vai reembolsar?

LFV – Vamos fazer o que fazemos sempre. Vamos liquidar. Vamos liquidar mas podemos contrair outros empréstimos.


LFV – Ainda hoje vinha uma notícia num jornal de que o Danilo está perto do Benfica. Como é que é possível um jogador que abandonou o Benfica, o Benfica querê-lo dentro da nossa casa. Comigo não é possível.




HC – Há muita gente que diz que o Benfica fez um mau planeamento da pré-época.



LFV – Não. A pré-época é a pré-época. Foi uma opção técnica do treinador. Se calhar até foi bom os resultados porque com a euforia que havia foi bom voltarmos à realidade, ter os pés bem assentes na terra, voltarmos a ser humildes e o nossos jogadores perceberem que não se ganha só pela euforia. Isso já foi muito mau para nós.





HC – Muitos críticos também disseram que o Benfica demorou muito tempo para encontrar substitutos para os jogadores importantes que saíram. Nomeadamente para o guarda-redes Oblak, para o meio-campo depois da lesão de Fejsa… Porque é que o Benfica tem demorado tanto tempo…



LFV – O Oblak nunca pensámos que fugisse novamente. Foi uma surpresa, não tenho de ficar desiludido mas curiosamente já nos foi oferecido novamente.





HC – Mas também pegando aquilo que tem sido dito sobre a preparação da época do Benfica, tem sido dito que o Benfica já contratou muita gente mas que não são reforços. O Benfica tem contratado mal?



LFV – Acho que não, o Benfica não contrata mal. Mas se nós fossemos bruxos todos de certeza que não havia falhas. O caso do Oblak, contratámos foi emprestado. O caso do Enzo, chegou em Julho e saiu logo em Dezembro. E outros mais.



HC – O Benfica contratou Luís Felipe, Djavan, Farina, Candeias… Porque é que o Benfica faz estes negócios se depois os jogadores não ficam no plantel principal?



LFV – Então repare se não fizesse o negócio do Enzo não valia a pena, se não fizesse o negócio do Oblak não valia a pena, mesmo o caso do Djuricic que foi agora emprestado tem mais qualidade… não está é devidamente integrado no Benfica.

No caso do Luís Felipe, voltou para o Brasil. Esteve cerca de 6 meses parado mas temos esperanças que dentro de um ano ele regresse. No caso do Djavan, o Benfica não saiu prejudicado financeiramente e ficou com direito de opção sobre o jogador.
Entendemos que havia um determinado jogador que era português, o Eliseu, o qual preferimos e tivemos de fazer uma operação para o jogador ir para o Braga.



HC – O Eliseu era um namoro antigo mas o Benfica não apanhou esse jogador disponível quando estava a custo zero porquê?



LFV – Olhe porque há coisas que nos escapam também mas o custo do jogador para o Benfica não é nada que possamos estar a dizer que o Benfica foi muito penalizado.





HC – Em relação ao mercado de transferências. Começando pelo Garay. Como é que o Benfica vende um jogador que é vice-campeão do mundo e teve o currículo que teve no Benfica, é verdade que estava no último ano de contrato, por 6M de euros?
 
LFV – Deixe-me fazer outra pergunta. Eu explico o negócio todo do Garay.
Quando veio para o Benfica foi na altura que vendemos o Coentrão e ficámos 50% do Garay, que era para sair no ano seguinte de imediato pois tinha um salário muito elevado. Assim colocámos uma cláusula de rescisão muito baixa de 20M. Ao longe destes anos nunca tivemos nenhuma proposta e ele também não queria sair.
Apareceu uma oferta concreta de 15M em Janeiro e comunicámos ao Garay que não o podíamos deixar sair naquele momento mas que falávamos no final da época.
Sabendo o contrato que ele ia ter, nós não podíamos competir nem ele podia recusar uma oportunidade destas.
Não havia sequer hipótese de renovação pois isso só seria possível com redução salarial.
 
HC – Portanto não dá este como um mau negócio?
 
LFV – Eu acho que face às circunstâncias que tivemos e à motivação dele próprio não tínhamos outro caminho a seguir nem espaço para discutir porque o Garay em Janeiro estava livre. Não valia pena estar a contrariar o Garay, aí sim era uma situação delicada para nós, um jogador em final de contrato ficar mais uns meses para em Janeiro assinar…



HC – E não ponderou esperar até ao final do Mundial por outra proposta melhor?
 
LFV – Não porque havia um acordo entre nós. 48 Horas antes de começar o Mundial tinha de estar tudo resolvido.





HC – Quando o Markovic aterrou em Lisboa há um ano, já havia um compromisso para ele sair no final da temporada?



LFV – Não. Havia duas cláusulas no contrato, uma que dava direito de preferência ao Chelsea e outra de outro montante que era de 25M. As pessoas podem perguntar porque é que era 25M de euros? Isto dá para os dois lados quer dizer, se o Markovic chegasse e não jogasse era uma cláusula bastante elevada.





HC – E há cláusulas de opção de compra dos passes do Cavaleiro, Bernardo Silva e Cancelo para lá dos empréstimos.
 
LFV – As cláusulas estão lá nos jogadores. Imagine que aparece uma proposta de 15M de euros por um jogador que nunca jogou na equipa principal do Benfica, nós não podemos ignorar.
 
HC – Mas acha que são os clubes certos para (o Cavaleiro, Cancelo e Bernardo Silva) crescer?
  
LFV – Oiça, o Rui Costa quando apareceu foi crescer para o Fafe. O Ivan vi-o agora a jogar no Corunha e fiquei muito feliz por o ver a titular. O Bernardo foi para o Mónaco e o Cancelo para o Valência. Todos os anos vão sair jogadores do Benfica para ser emprestados. É natural que um ou outro caso possam ficar no Benfica e outros vão seguir a sua fase de crescimento com hipótese de regressar ao Benfica.




HC – O Sr. Luís Felipe Vieira já apresentou um projecto que é um Benfica made in Benfica. Isto não é uma inversão nessa estratégia?
 
LFV – E vamos lá chegar. Não é inversão nenhuma. Então nós íamos deixar os nossos jogadores dentro de casa. Repare, o A. Gomes e o Ivan já estiveram na nossa equipa principal. O Ivan não tinha espaço na equipa A do Benfica, nem o Cancelo ou B. Silva, não íamos pô-los na equipa B do Benfica. Foram crescer para grandes clubes. Como outros vão seguir o mesmo percurso.

Nós cada vez mais vamos apostar nos nossos jogadores.





HC – Ivan Cavaleiro disse que dificilmente volta ao Benfica se o JJ for o treinador. Não há aqui um contra-senso.
 
LFV – Não o Ivan… depende das circunstâncias onde foi. Foi no Corunha e estavam lá jornalista portugueses que o provocaram para essa situação.
 

HC – Mas está a ver o Benfica com JJ no comando e ter no plantel e a jogar B. Silva, J. Cancelo e Ivan Cavaleiro?
 
LFV – Não vai ter alternativa, não vai ter alternativa.
 

LFV – As pessoas têm memória curta. Há 9 anos não havia nada, não havia formação nenhuma, não existia e então andavam com a mala às costas.




HC – Há uma frase que é permanentemente ligada a LFV, foi quando disse que o Benfica tem como objectivo ganhar a LC. Será que é possível manter esse objectivo ou acha que face às circunstâncias é preciso dizer aos benfiquistas que futuramente isso não é possível?

                                

LFV – Nós provámos este ano que isso é possível. Fomos manifestamente infelizes da maneira como fomos afastados pelo Olympiakos.



HC – Prefere chegar aos quartos da LC ou ganhar a LE?



LFV – Ganhar um título europeu é muito mais importante do que chegar aos Quartos de finais.





HC – Muito se pergunta sobre as contas da BenficaTv. Que lucro é que dá? Quando é que gasta? Quanto é que recebe? É possível adiantar alguma coisa?



LFV – A única coisa que podemos dizer é que é um projecto inovador, somos pioneiros no Mundo, estamos felizes com o que podemos e temos alcançado.





LFV – Recebi uma carta de um sócio do Benfica a dizer que as minhas opções estavam a colocar em causa a mística do Benfica. Eu penso que pelo contrário nada existia, não existia mística alguma.




LFV – Eu vi nos últimos dois meses coisas que fiquei boquiaberto e preocupado. Eu vi jovens com faixas ofensivas, não digo só a mim… quando falo ofensivas a mim falo ofensivas ao Benfica. Até mesmo palavras impróprias aos profissionais do Benfica porque a pré-época não estava a ser boa. E são jovens que não têm memória curta, não se lembram minimamente o que se passou há 14 anos.



HC – Isso fá-lo repensar a sua ligação e tarefas que tem no Benfica?



LFV – Não. Eu já disse que estou numa missão e não abandono as coisas a meio. Mas faltam poucas coisas para fazer. Tenho mais dois anos de mandato e sei o que tenho para fazer nesses anos. Também não é menos verdade que á não se pode exigir muito mais. As pessoas não podem andar exigir, exigir, exigir, exigir porque a obra está cá, está feita, foi feita com o objectivo de não voltarmos a cometer os erros que cometíamos.







Muitas das respostas e afirmações do presidente Luís Felipe Vieira falam por si (e se falam…). Quanto a essas nada mais é necessário acrescentar. Contudo outras não podem passar sem um comentário.
 
O presidente LFV nesta entrevista diz claramente que o clube nada tinha a dizer sobre a venda do Markovic e do Oblak pois os valores das cláusulas de rescisão foram pagos. Com tanta negociação que houve custa acreditar nessa realidade. È que é preciso lembrar que tal só acontece quando o valor é pago totalmente no imediato e dificilmente, por todo o processo que decorreu, foi isto que aconteceu.



O presidente vem também confirmar que afinal o clube sempre investiu a pensar na final da Liga dos Campeões. Nesta visão descabida, e só nesta visão descabida mesmo, os resultados da época passada ficaram aquém do exigível. Um pouco contraditório com o que é dito por LFV.
No meio desta conversa toda é metido o nome do Eusébio ao barulho, dizendo que o Rei foi um dos motivos para tamanho investimento. Não sei qual foi o objectivo deste argumento mas sei que ficou muito mal ao presidente esta referência.



De seguida quero referir a insistência do LFV em se referir ao clube Sport Lisboa e Benfica como uma empresa. Só quero mesmo fazer esta pequena referência.


O assunto “BES” foi sem dúvidas o momento mais negro de toda esta entrevista. As voltas que o presidente deu com a sua revolta sobre o assunto só não foram cómicas porque estamos a falar do Benfica.

Basicamente insistiu na ideia que a troca de administração de um banco não afecta a sua relação com uma empresa cumpridora, com um excelente cliente. Acho que todos sabemos que o que aconteceu no BES não foi uma troca de administração mas sim uma quase falência. Será possível qualquer cliente achar que a quase falência de um banco não vai ter qualquer implicação só porque o mesmo sempre cumpriu os seus compromissos com o banco? Ainda por cima falando de um cliente que não é cumpridor no pagamento da divida mas sim dos juros da mesma. Será que alguém pode, em consciência, afirmar que a quase falência de uma instituição bancária não vai alterar as suas politicas?
Relativamente ao assunto BES, estivemos presente uma prestação no mínimo vergonhosa por parte do presidente do Benfica. Nem se pode considerar um “atirar areia para os olhos” porque a mesma foi atirada em direcções sem qualquer sentido. Foi o simples empurrar o problema para a frente e fingir que está tudo bem e que a grave crise do BES em nada afecta o Benfica. Um triste momento.



200M de juros ao BES em 10 anos. Sim ouvimos bem.
 
Será que ser um bom cliente para os bancos é a nova bandeira desta direcção?


Ainda sobre a dívida ao BES, ficámos a saber que o plano passa por continuar a pagar divida com mais divida, por aumentar o endividamento. E este plano é mais uma vez traçado ignorando o momento do Bes/Novo Banco.



A conversa sobre o Danilo só não pega porque o presidente do Marítimo também falou. Isto mais parece um típico caso de empoleiramento após uma nega. Como quando um rapaz diz que nunca quis nada com uma rapariga depois de ter levado uma grande tampa.



A liderança do clube e da equipa ficou também exposta nesta entrevista. Esta é tão competente que são necessários maus resultados para os jogadores serem humildes e assentarem os pés na terra.



Quanto à novela Oblak só há a dizer que a mesma já cheira mal. Se é só para isto então mais vale nem se tocar mais no assunto. Infelizmente neste assunto o Hélder Conduto fez as perguntas que se impunham para desmontar todo este episódio.



Sobre o negócio Eliseu o presidente do Benfica, por outras palavras, lá admitiu que se tratou de pura incompetência dos responsáveis do nosso clube (sim eu disse clube).


Interessante também a comparação da situação do L.Felipe e Farina (e mais uma dezena de outros) com a do Oblak e a do Enzo. Faltou ao Hélder Conduto explicar ao presidente que o Enzo não foi emprestado por falta de qualidade ou más prestações mas sim devido a questões disciplinares e que o Oblak chegou ao Benfica com 17 anos, tendo desde sempre mostrado o potencial que acabou por comprovar.
 
Sobre o Garay há um amontoado de ideias que é preciso desmontar. A história foi longa mas em momento algum foi explicado como é que o mercado somente ofereceu 6M pelo jogador. Ficou esclarecido que o jogador queria sair e que o Benfica tinha intenção de o vender. Ficou esclarecido que o Zenit apresentou uma proposta de 6M pelo argentino e que o Benfica tinha de responder antes do início do Mundial. O que não ficou esclarecido foi o porquê de aceitar 6M por um jogador como o Garay, o qual estava prestes a começar um Mundial como titular pela Argentina. Também a justificação para a cláusula de rescisão não faz qualquer sentido, a menos que um jogador não possa ser vendido abaixo do valor da mesma. E já agora, alguém que explique ao presidente do Benfica que mesmo que um jogador em final de contrato assine por outro clube em Janeiro, continuará a ser jogador do clube até Julho.
 
Depois sobre o Markovic voltamos à história da cláusula de rescisão mas desta vez de uma forma ainda mais descabida. Portanto, o que nos foi dito foi que o sérvio só não tinha uma cláusula de rescisão superior porque depois as pessoas podiam comentar que a mesma era demasiado alta para o valor do jogador.
Infelizmente foi mesmo isto que o presidente do Benfica disse.



Mais à frente, no meio de um gaguejo, pareceu que o presidente do Benfica lá disse que os três jovens do Benfica foram emprestados com cláusula de aquisição. Também não se alongou muito neste assunto. Contudo, conseguiu ainda foi comparar o Fafe com o Deportivo, Mónaco e Valência.



A conversa sobre o Benfica made in Seixal já só ilude quem quer ser iludido. Será assim muito difícil perceber que os jogadores da formação só vão ter espaço no plantel quando quem manda contar com eles na elaboração do mesmo? Ou se deixa espaço os miúdos integrarem o lote de 25 jogadores ou então o Benfica made in Benfica nunca vai passar de um slogan bonito mas populista e oco. Como é que se pode insistir nesta ideia quando todos os verões contratamos mais de uma dezena de jogadores?
Isto que se está a fazer ou é mentir ou é não se perceber minimamente daquilo que o processo exige.



Quanto às declarações do Ivan sobre o Jorge Jesus, as quais são idênticas às de vários outros jogadores, ficámos a saber que tudo não passou de uma provocação dos jornalistas portugueses. Ok, é isso.



Aquela conversa sobre vencer a Liga dos Campeões e sobre a preferência entre chegar aos Quartos desta ou vencer a Liga Europa, merece algum tipo de comentário? Até o Hélder Conduto se engasgou com a resposta do presidente.



E sobre os lucros da BenficaTv…





“Nas horas da derrota é que temos de ser muito fortes, não é na derrota que temos de criticar, é quando estamos a ganhar que nos têm de criticar.”


“Se toda a gente dissesse bem de mim e concordasse comigo eu ia-me já embora.”





A primeira afirmação vem para confundir os fanáticos do “apoia”. A segunda vem para confundir aqueles que não concordam com a política da actual direcção do Benfica. Será que…
 
Felizmente esta entrevista coincidiu com a estreia dos Expendables e assim deu para aliviar momentaneamente muita da tensão acumulada durante aquela hora.