quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

ROBERT ENKE, O Nº1

Pensarei em ti quando formos Campeões.

Descansa em paz.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

sometimes you´ll walk alone

Da euforia à depressão, uma viagem tantas e tantas vezes feita pelos benfiquistas, bipolares crónicos. Se a equipa vence, sobem montanhas atrás dela; se vence, goleia e joga um futebol de sonho, ganham asas e voam com ela; se perde, atiram-lhe pedras e abandonam-na numa esquina qualquer.
A derrota em Braga veio avisar os benfiquistas (desavisados) de que não há, nem nunca houve, uma equipa invencível capaz de golear consecutivamente durante todo o campeonato. A derrota em Braga veio lembrar os desavisados de que, mesmo jogando bem (e o Benfica fê-lo), nem sempre será possível, por esta ou aquela razão, vencer. Esta é uma lição que se espera bem aprendida por todos, começando nos jogadores - aliás, espera-se não só o seu entendimento como a capacidade de encaixe, porque uma equipa não pode ir abaixo mentalmente por perder um jogo; ou, pelo menos, uma grande equipa, como é hoje a equipa do Benfica.
A maioria dos adeptos dará nova hipótese de voo aos jogadores mas haverá quem já tenha o assobio guardado para qualquer eventualidade. Mais um ou dois jogos sem pontuar e Jesus perderá o estado de graça em que se viu inundado.

E é por isso que amanhã, em Liverpool, eu só espero uma vitória categórica. Pelo Benfica europeu mas, sobretudo, pelo Benfica campeão nacional 2009/2010.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Orgásmico!

“Com o Everton é que vai ser mais a sério…” “Não, agora com o Nacional é que vamos ter um teste real…” Acreditem, não é o momento, não é sorte, não é conjugação de factores cósmicos. O Benfica joga mesmo muito, a sério! Eu próprio estava descrente, não queria acreditar, era bom demais para ser verdade, mas estou rendido. Ninguém pára o Benfica! As goleadas podem até deixar de ser tão frequentes, é certo. Podemos perder uns pontinhos por aí, o que já duvido um pouco. Mas o inegável é que esta equipa tem um querer, um alento, uma áurea especial… E depois, claro, tem 50 mil nas bancadas a delirar, a não acreditarem no que os seus olhos vêem, a ficarem emocionados, a exteriorizarem um benfiquismo tantas vezes adormecido, mas que agora saí à rua sorridente, confiante, sem fantasmas.
Obrigado por me terem devolvido o Benfica!

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Festival!

O ano passado via os jogos do Barcelona e com uma pontinha de inveja pensava "Será que algum dia terei o prazer de ir à Luz e deleitar-me com futebol deste nível"?
Não sei quanto tempo mais vai durar, mas neste momento não sinto inveja de nenhum outro adepto do mundo...

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Podem vir algumas derrotas, certamente que se irão cometer erros, mas para já só posso agradecer a todos, desde LFV, passando por Rui Costa, Jesus, os jogadores, e todos os elementos ligados ao futebol, terem voltado a devolver a honra e a glória ao MANTO SAGRADO!!!

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

O clube dos jornalistas

Já se sabe que em matéria de futebol toda a gente tem uma opinião. Pode ser mal fundamentada, mentirosa, credível, inteligente ou apenas um "isto assim não vai lá", mas toda a gente, sem excepção, diz o que quer, quando quer, como quer e ainda bem que assim é - não faria sentido a exigência de um mestrado sempre que alguém se decidisse a opinar sobre uma bola.
Mas, se a esta liberdade tecemos loas, a verdade é que não podemos deixar passar em claro a eterna fuga de opinião (ou semi-opinião) que os jornalistas desportivos a toda a hora cumprem. Escudando-se sob a camuflagem do direito da escolha pessoal, estes, questionados sobre a sua preferência clubística, preferem responder que são do Amiais de Baixo ou do Merelinese, dizendo em tom jocoso ser o "clube lá da terra". Ora, se a preferência por emblemas que militam pelos distritais do nosso futebol não deixa de ser louvável, visto que revela neles uma aguçada e extremamente criteriosa sensibilidade pelos mais precários clubes, causa alguma estranheza que, num universo de, digamos, 50 jornalistas que têm funções de destaque, nenhum sofra por um dos três grandes do futebol nacional. Há-de ser, quero acreditar, uma coincidência cósmica, uma improbabilidade estatística no país onde a estatística nem sempre bate certo. E, sendo assim, causa ainda mais incredulidade que o Merelinense, tendo em conta o seu grupo de apoio, não ganhe consecutivamente 10 campeonatos nacionais da primeira Liga.
Esta atitude, normalmente associada a um "jornalismo independente e imparcial", mais não é do que a repercussão equívoca de um país cujas fronteiras da independência moral e individual ainda não foram totalmente transpostas. É que pode parecer um assunto insignificante mas, a nosso ver, é um dos obstáculos à transparência exigível nos meandros da bola para a frente. Custaria assim tanto a um jornalista assumir-se benfiquista, sportinguista ou portista? E, se o fizesse, teria forçosamente a sua carreira em risco? Não me parece.
Casos há em que o clubismo é conhecido e nem por isso a objectividade e o profissionalismo são postos em causa por quem os lê, vê ou ouve. Dou como exemplo Fernando Correia, um jornalista inequestionavelmente talentoso, sério e, dentro das suas funções, imparcial. É sportinguista, assume-o e eu gosto disso. Com essa sua escolha, evitou que todas as semanas a sua clubite, aos olhos do público, mudasse, consoante uns e outros olhos o vissem. Mostra-se tal como é, diz ao que vem e, dito isso, deixa espaço para o mais importante: a sua função de jornalista. Não diz que é do Alandroal ou do Nelas, não se esconde sob a capa do "homem que dedicou a sua carreira ao futebol mas, estranhamente, não tem clube". Será assim tão impossível que outros lhe sigam as pisadas?

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

I miss you already, i miss you all day

O futebol português está virado de pernas para o ar: umbrasileiro do Sporting marcou pela Selecção no Estádio da Luz e foi aplaudido; o seleccionador português entra em campo e é assobiado; o Ronaldo, depois de uma monumental caralhada há uns anos (e consequente monumental assobiadela recebida), sai sob um caloroso aplauso; o Liedson beijou as quinas na camisola; o Simão não festejou um golo marcado no Estádio da Luz; o Ronaldo saiu de campo aos 20 minutos de jogo e não reclamou.
A lista é interminável. Mas o mais estranho disto tudo é não vermos uma goleada do Benfica há um porradão de tempo. Há exactamente 9 dias. Calculo que, não jogando, seja de todo impossível golear mas, ainda assim, essa merda deixa-me deveras chateado.

sábado, 19 de Setembro de 2009

Venho aqui dizer que não tenho nada a dizer.

Com o início de época, os benfiquistas partiram-se em vários grupos opinantes (os que-já-sabiam-que-o-Jesus-era-o-maior-e-esperam-goleadas-todas-as-semanas, os muito-surpresos-mas-optimistas, os prudentó-optimistas, os assim-assim, os que-estam-à-espero-do-regresso-à-normalidade, os que-esperam-o-cataclismo-final, etc...). Não sei onde me inserir. Nem sequer sei bem o que sentir.
A minha vida de adepto benfiquista está, infelizmente, manchada por constantes e tortuosos falhanços do clube nos momentos cruciais, às vezes antes. Por isso, precisarei de vários anos a ganhar regularmente para acreditar sem desconfiar.
Estou naquela fase em que, se por estapafúrdio lógico o plantel e equipa técnica fossem trocados com os do Barcelona, eu ainda estaria aqui com receio do futuro e com dúvidas em torno da capacidade de Messi manter um rendimento constante, ou de Iniesta desequilibrar num jogo contra o Porto. Eu sei que não tem sentido, mas são muitos traumas no lombo, é mesmo assim.
Mas também não quero estar aqui a ignorar todos os sinais positivos. Um gajo não se deixar contagiar por aquela vibração feita de esperança, que anima um adepto ainda longe do campeonato estar garantido, é como comer um robalo de mar no Furnas do Guincho com uma mola no nariz e só a tirar para a última garfada. É uma boçalidade do tamanho do défice do Sporting e tira a graça (quase) toda à coisa.
...e eu não quero ser boçal. Não quero correr o risco de sermos campeões e eu ter passado o campeonato todo de máscara cirúrgica anti-euforia nas fuças e a lavar as mãos com desinfectante depois de cada goleada.
Os sinais de melhoria estão aí. Vocês já os conhecem e caso contrário, há aí gente melhor habilitada para vos elucidar! A extensão dessas melhorias, duvido que alguém saiba, pois até Deus, se existisse, andaria aparvalhado com a deslobotomia que fizeram ao Di Maria, ou mesmo ao Coentrão, tentado pela diabólica fantasia de Aimar, incrédulo com a força de veludo do Queniano, ou mesmo invejoso da omnipresença de Javi Garcia…
Pronto! Calma...Calma que um campeão não se faz assim. Não é num ano, é preciso estabilidade, estrutura...ainda há-de chegar uma batalha ingrata onde havemos de perder estes sebastiões todos…
O que é que eu estou para aqui a dizer? Nada! Eu nada! Não tenho nada a dizer; vão jogando, vão jogando...que estarei a torcer - e já agora, porque não - a acreditar!

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Sublime 2

Obrigado a todos os intervenientes que me proporcionaram um final de tarde de pleno deleite em Belém...

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Dou-te oito doces em troca de um melão salgado

Do jogo, já quase tudo foi dito. Uma viagem grátis e fabulosa ao Benfica, com direito a hotel de 8 estrelas e visita guiada a um futebol desarmante, explosivo e louco. Obrigado.

Quero destacar 4 momentos da noite:

- Aimar, com o Setúbal em posse de bola à saída da sua área, antecipa um erro de um jogador setubalense e, sempre em velocidade e voltado para a baliza, ganha a bola, fá-la voar sobre o último adversário, recebe-a na coxa, depois ampara-a no pé como veludo e, à saída do guarda-redes, um toque ligeiro devolvendo a bola à sua pátria, a baliza. Aimaravilhoso.

- No mesmo lance, Saviola, que assistia a tudo não como jogador mas como adepto - como se apenas ali estivesse porque pagou bilhete mais caro, para a zona do relvado -, vendo o seu espaço, que era de fora-de-jogo, invadido pelo tsunami aimaresco, recusou o brinde e abriu alas ao protagonista. Saviolúcido.

- Saviola, em momento de delírio, finta 3 jogadores como fintava há uns anos as crianças do bairro argentino onde vivia e, de frente para o guarda-redes, decide rematar em vez de passar a bola a dois jogadores isolados. Má opção, porque o golo estaria sempre mais perto através do passe e não do remate. Mas quantos de nós, em peladinhas, depois de deixarmos 3 gajos para trás, passamos a bola? Há na vertigem da jogada perfeita o dilúvio do egoísmo. E, estando já 6 bolas no saco, aceitamos a teimosia, Javier. Da próxima, passa a bola.

- Jorge Jesus, a ganhar por 6-0, via-se no banco como que enfurecido, exigente, louco, sedento de golos, mais golos, de jogadas de ataque, de futebol. Começa no treinador a impressão digital da equipa. Quando, dentro de campo, a ganharem por 6 ou 7, os jogadores vêem o seu técnico na linha lateral a barafustar e a exigir mais, fica mais fácil a uma equipa tornar-se melhor. E este Benfica é-o, de facto. Muito pela qualidade dos jogadores que tem, evidentemente, mas inequivocamente pela qualidade do treinador que tem. E isso, para alguns que faziam a análise não ao seu trabalho mas à sua gramática, espero que esteja a ser um bom sapo de engolir. Ou oito sapos, se quiserem.

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Sublime!

Obrigado a todos os intervenientes que me proporcionaram uma noite de pleno deleite na Catedral...

terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Da parvoíce sem fim

Entre ódios ao cabelo do novo técnico - escondendo uma aversão de grau maior e que se caracteriza facilmente por uma aversão a treinadores feios e portugueses no comando do clube - e a usual desculpabilização com as arbitragens, uma parte dos benfiquistas já decidiu, após o empate à primeira (!) jornada, que este campeonato já era. Não temos hipóteses nenhumas, o Benfica assim fica em 10º lugar. Resta-nos suspirar por algo de inequivocamente divino, capaz de levar a equipa a um delírio futebolístico, um milagre, que permita uma época acima das nossas possibilidades e, assim, quem sabe, talvez consigamos uma qualificação para uma taça europeia no próximo ano.

Face a isto, a esta análise extremamente rigorosa, competente, séria e de uma inteligência sem par, nós, os crentes na qualidade do plantel e da equipa técnica, devemos falar baixo e evitar as frases reveladoras de burrice e optimismo exacerbado tais como: "apesar do empate, esta equipa mostrou em campo que tem qualidade mais do que suficiente para lutar pelo campeonato até ao fim" ou "o Benfica mereceu ganhar o jogo; não o ganhou, é certo, mas, do ponto de vista da evolução do jogo encarnado, estamos certos de que vimos trilhando o carreiro do sucesso e do bom futebol" ou ainda "talvez seja cedo para, na primeira jornada, e tendo nós tido uma avalanche de oportunidades de golo, deitarmos a inteligência ao chão".

Meus caros, não sejam burros. Com este pindérico ao leme, nem à Europa vamos. Despeça-se quanto antes o pária.

segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Déja Vú...

Ontem lá fui com a minha Maria à bola e saí de lá fodido com o empate. Passei o dia a pensar nisso, a lamentar os erros, em grandes disucssões com muitos benfiquistas, até que finalmente um me fez rir com um comentário em tom jocoso, mas muito certeiro, sobre o nosso Benfica. Uma vénia ao Elvecchio do SerBenfiquista:

"1 - Ainda durante o reinado de Quique Flores tentámos a contratação do GR titular da selecção argentina. Depois veio Jorge Jesus e abandonámos a ideia. Não entendo.
2 - Na pré época o "mestre da táctica" quis ver em acção os guarda redes do Benfica. Se conhece assim tão bem o futebol português não devia ser preciso. Mais estranho ainda é ter concedido a titularidade ao GR que mais golos sofreu na pré-época. Não entendo.
3 - Não vi erros defensivos suficientes do Shaffer que justificassem o seu afastamento do onze inicial. Curiosamente JJ colocou reservas aos dois jogadores contratados antes da sua chegada. Não entendo.
4 - Patric não serve. Certo! E Luis Filipe serve? Não entendo.
5 - Dispensa-se Sepsi e Ruben Lima sem assegurarmos primeiro um jogador para essa posição. O escolhido é Cesar Peixoto. Não entendo.
6 - Gasta-se 7 milhões num trinco. E depois não ha mais dinheiro para outras posições carenciadas. Não entendo.
7 - JJ concorda com 2 anos de renovação do capitão. Depois chegam Saviola, Keirrison e Weldon para juntar a Cardozo e Mantorras num total de 6 avançados. Não entendo.
8 - Escolhe-se o losango como modelo de jogo que implica laterais ofensivos para destruir os autocarros colocados á frente das balizas. Depois deixa-se Shaffer no banco para jogar David Luiz. Não entendo.
9 - Cardozo é o homem ideal para rebentar com as defesas compactas. Passa o jogo todo sentado numa cadeira e é Weldon quem abana com a defesa contrária e nos permite chegar ao golo. Não devia ser ao contrário? Não entendo.
10 - Fabio Coentrão jogou sempre bem em todos os jogos da pré-época. A titularidade no entanto é concedida a Di Maria que ainda ha bocado passou aqui em frente a minha secretária a fintar com os cornos enfiados no chão ... Não entendo.
11 - A equipa terá de jogar o dobro e depois de ter assumido que estava surpreendido pelos indices de qualidade apresentados nesta altura da época, a equipa entra a passo e com a mesma atitude dos anos anteriores. Não entendo.

Resumindo: Quem não consegue entender 11 coisas no futebol (Tantas quantos os jogadores da equipa) o melhor que tem a fazer é pedir pra cagar e sair que é que vou fazer!

domingo, 2 de Agosto de 2009

Love is in the air 2

Confirma-se, a jogar assim Jesus no final da época será promovido a Deus.

segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Love is in the air?

Quem me conhece da blogosfera, ou até dos poucos posts publicados aqui sabe que sou daqueles benfiquistas fanáticos, mas ao mesmo tempo extremamente críticos, algo que já me valeu insultos de muitos artistas por aí. E apesar de continuar a achar que LFV já devia ter ido à vida dele, de ter sérias dúvidas sobre a capacidade de Rui Costa como Director Desportivo, de achar que Jesus poderá vacilar perante a exigência do cargo, e de muitas outras dúvidas que tantos anos de desgraça me fazem ter todos os anos, há algo de diferente no ar nesta pré-época, tenho visto neste Benfica uma atitude que não via anteriormente. Não sei se é o voltar da mística, se é estofo de campeão, ou se é apenas resultado das tremendas pissadas que Jesus lhes deve andar a dar, mas parece-me que podemos ter uma época de 2009-2010 cheia de alegrias. Espero sinceramente que o mês de mercado que falta não vá levar nenhum destes jogadores, porque a equipa parece-me ter tudo o que é necessário para vencer. E eu apesar de ter chegado mais uma vez ao fim da época completamente desapontado, não resisti a renovar os meus 2 cativos, razão pela qual lá estarei a levar os meninos ao colo até ao título.

FORÇA RAPAZES, DEVOLVAM A GLÓRIA AO MAIOR CLUBE DO MUNDO!!!

domingo, 19 de Julho de 2009

Previsões (venham de lá esses euros, se os tiverem no sítio)

Vivemos tempos estranhos. Parece que agora um jogador de 27 anos é um velho em final de carreira, acabado para o futebol. Mesmo quando passou 7 ou 8 dos 9 anos da sua (longa?) carreira a marcar golos de todas as maneiras e a dar outros de maneiras várias. Mesmo quando esse jogador, o tal velho perigosamente a caminho dos 28, se mostrou ser um privilegiado para a arte de afagar a redondinha. Mesmo quando, de velho, só tem em si a cultura ancestral dos que nascem com jeito para o futebol. Porque é disso, ou desse, que se trata: capacidade intrínseca - muito além do treino e da procura por rotinar movimentos ao longo da sua carreira - para pensar o jogo e executar mais rápido que os outros, os normais ou medíocres.
Este ano poderemos ver pelos campos portugueses um jogador que, há um ano atrás, seria uma miragem para qualquer um dos clubes que disputam o principal campeonato do nosso país. Um ano depois, é, para alguns mentecaptos, um velho em final de carreira. Este ano poderemos ver, isso sim, um jogador experiente, a meio da sua viagem pelos campos de futebol, mostrar aos que nunca o entenderam (a ele e ao próprio desporto) que velhos são os que procuram, a cada momento e conforme as situações e desesperos, a crítica acéfala e pouco fundamentada.
Previsão para a época de Javier Saviola em 2009/2010: no mínimo, fará 10 golos e 10 assistências. No mínimo.
Aos que vêem nesta previsão uma demência própria de benfiquista boçal estupidamente esperançado com mais uma promessa de pré-época, proponho que se cheguem à frente. E com dinheiro envolvido. Que é para que a opinião, à míngua de fundamento, tenha, pelo menos, a possibilidade de ser totalmente desfeita. E com um preço.

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Pandemia

Existe uma pandemia sazonal, para além da gripe A, que anda a contagiar o pessoal. Não há razões para alarme. Acontece todos os anos e não causa vítimas mortais. É a gripe Benfica H09N10, numa nova estirpe que surge neste defeso e que está associada a falta de memória desportiva e tem a sua origem, essencialmente, em tridentes atacantes fantasistas oriundos da América Latina. É uma doença divertida; deixe-se contagiar – se quiser eu espirro-lhe para cima – eu já apanhei o bichito!

O principal veículo de contágio são os jornais e as suas capas infecciosas. Lançam frases acutilantes como quem cospe perdigotos, com consequências letais. Dou exemplos:

Capa da bola de ontem:

“JESUS NÃO LHES DÁ DESCANSO”

“Treinador vive e pensa o futebol 24 horas por dia”

“Palestras convocadas à última hora e em momentos inesperados”

“Exercícios repetidos até à exaustão”

Estas frases são um atentado sanitário, e têm uma consequência devastadora no adepto Benfiquista. Em linguagem benfiquista, esta é praticamente a descrição de uma orgia. Aliás, a conotação sexual é evidente: “não lhes dá descanso”, “24 horas por dia”, “à última hora e em momentos inesperados”, “repetidos até à exaustão”!

E pronto, lá fica o Benfiquista todo excitado, com uma grande fezada em gloriosas e fartas pinadelas (leia-se vitórias) com muitos golos.

Vamos embora! Viva o Benfica!! Aaattchimmm....

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Não, não somos uma família...

Este texto começou por ser um comentário ao pertinentíssimo texto do Ricardo, com o qual concordo plenamente, mas achei que a coisa ganhava mais amplitude se saltasse para fora da caixa de comentários. Foi interessante a intensa troca de ideias que o Sr. Joseph Lemos desencadeou na dita caixa.

De facto, penso que todos os que aqui escrevem, bem como os que vociferam apaixonadamente por cafés e tascos deste país, gostariam de pertencer a esta maravilhosa irmandade: “Uma verdadeira família é una e indivisível e a manutenção desta harmonia só se consegue com a discussão e resolução dos seus problemas no interior do seu próprio seio”. Seria um privilégio. Eu próprio gostaria de ter participado naquele jantar onde LFV convenceu os órgão sociais a demitirem-se em bloco, provocando eleições antecipadas. Gostaria de ter debatido com ele a minha concepção de comportamento e ética a que o presidente do Benfica está vinculado. Talvez um de nós tivesse mudado de ideias!

Mas tal não é possível. E, por favor, deixem-se de sentimentalismos hiperbólicos quando as coisas são sérias. É óbvio que o Benfica não é uma família. Quando o Sr. Joseph Lemos o diz está, ingénua ou maliciosamente, a corroborar um disparate. Mesmo eu já devo ter proferido esse sentimentalismo, mas nunca quando o assunto é sério e racional. Repito, é óbvio que não somos uma família. Por mais que nos una um amor comum, família poderíamos ser se fossemos uns 20 ou 30 sócios e adeptos, se fôssemos um clube da terra. Como qualquer um entenderá, é impossível almejar um comportamento familiar quando nos aproximamos de duas centenas de milhar de sócios, milhões em simpatizantes. Nesta realidade não há debate em família, nem em privado. Tudo será, forçosamente, público. Por ser inconcebível LFV explicar-se em privado a cada um de nós, deve ter um comportamento irrepreensível, que não suscite as dúvidas que não poderá esclarecer. É como a mulher de César: não lhe basta ser séria, tem que parecer.

E isto é que deveria ser A QUESTÃO. Eu já nem quero saber se LFV é sério ou não. Já tenho como garantido que não o parece! Enveredar, junto com os órgãos sociais, por um caminho judicialmente dúbio ao mesmo tempo que opta por privar os sócios de outros candidatos à presidência é demasiado para a minha boa vontade, é mau demais!

Como o Ricardo, não compreendo este ataque endémico de miopia, que beneficiando, ou não, da falta de opositores credíveis ou da aversão dos sócios pelo voto em branco, permitiu resultados que sugerem uma acefalia generalizada. Mas sei que o discurso truculento e pouco escrupuloso de um presidente particularmente indecoroso neste capítulo, permitiu que a multidão perdesse noção do que se discutia verdadeiramente. Afinal, expressões que invocam o ataque à família, a tentativa de roubo do Benfica aos sócios e outras demonizações infantis da oposição servem apenas como cortina de fumo e vil engodo na tentativa de camuflar um último mandato muitíssimo aquém do prometido e exigível, bem como uma série de tomadas de posição e atitudes pouco dignificantes do nosso clube e sua história.

sábado, 4 de Julho de 2009

O Templo do Povo

Um dos grandes mistérios da humanidade reside no entendimento da noção de idolatria por parte das massas em redor de um indivíduo. São vários os exemplos do passado a iluminar esta realidade e, embora os mais atentos estejam cientes dos constantes sinais de despotismo que os tiranos, desde muito cedo, alimentam, nem por isso a história se reescreve com novos capítulos nem com diferentes percepções dos indícios que perigosamente adivinham o futuro. É-me difícil assistir à cegueira generalizada das massas em função do seu líder tirano sem que, de dentro de mim, avancem aos tropeções cães raivosos em busca de um motivo, um só motivo que me faça explicar e entender a razão pela qual as pessoas, com ou sem olhos, sofrem de miopia no cérebro.
Assistindo ao discurso formatado de Vieira, na tomada de posse de mais um mandato no trono benfiquista, lembrei-me de um tal de Jim Jones, o homem que levou ao suicídio colectivo, em delírio e de livre vontade, um milhar de pessoas. Pessoas como nós, crentes e descrentes no mundo, pais, filhos, primos como nós, uns aos outros atirados, gente. O cerebelo engaiolado de milhares de pessoas na ideia de um homem e das suas loucuras.
Jim Jones convenceu o povo de que o caminho era ele que o conhecia e, com isso, permitiu-se todos os delírios que o mundo ainda estava para adivinhar: violência mental, violação física, humilhação, aniquilamento, desprezo e homicídio - tudo de forma perfeitamente natural e quase sem contestação (alguns, no fim da crença, desconfiaram do homem mas já seria demasiado tarde). Gente como nós. Pessoas como nós, que religiosamente seguiram aquele homem até à própria morte, desterrados na Guiana, entregues ao cultivo dos alimentos e ao desaparecimento da consciência e do pensamento próprio. No fim, devotados à causa, devotaram-se à morte e entregaram-se-lhe livres, inteiros e preenchidos por, com aquele gesto, seguirem viagem para o lado de lá com o seu líder. Entender isto? Não sei. Explicá-lo? Menos ainda. Só a certeza da incompreensão por tamanho delírio colectivo.
Ao ver o pavilhão da Luz repleto de benfiquistas em louca e desenfreada euforia, gritando "O Benfica é nosso até morrer", idolatrando em êxtase o tirano, não pude, não consegui, deixar de ver naqueles que gritavam a mesma alma de pedra daqueles que um dia foram ao encontro da sua própria demência, cruzando o canal do Panamá.
Ontem, 91,7 por cento dos benfiquistas votantes entregaram o Benfica a quem o desprezou, o humilhou e o desrespeitou. Ofereceram ao líder, de livre e espontânea vontade, a crença na obra feita - a obra dos terceiros e quartos lugares no campeonato (haverá tetra para a medalha de bronze?), a obra da mentira, do enxovalho, da contradição, da falsidade, da injustiça, da desvalorização do que é, ou do que foi?, este clube.
E o líder subiu ao palanque. Não riu porque os líderes não riem, não precisam. Leu o texto que o súbdito lhe escreveu e, ditas as banalidades que o povo queria ouvir, abandonou o local em ombros (mas cuidado com as intimidades), seguro de si e do seu próprio ego. Estava concluída a sessão.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

"Com este não vamos lá..."

Sempre defendi Jesus como uma opção certa para o Benfica, defendo-o agora e defenderei no futuro, desde que ele mostre tudo aquilo que eu dele espero. É importante falarmos sobre as nossas convicções. Principalmente, antes. Que é para depois não assistirmos a mudanças de rumo nas opiniões ou arrependimentos forçados, depois de o mal estar feito.

Cada vez tenho mais certo que o que falta aos benfiquistas é capacidade e conhecimento futebolísticos. Vão atrás de ilusões, de incompetentes que parecem muito amantes do Benfica ou muito bem vestidos e detestam os portugas do povo, os gajos que dizem asneiras, têm uma atitude desleixada. Não interessa se estes últimos são, do ponto de vista da análise da sua competência, os melhores. O que interessa é que no Benfica "os portugueses não ganham" ou "os portugueses não têm o mesmo espaço de manobra". O irónico disto é que quem diz e defende estes conceitos é o mesmo que comete o pecado. E então criticam: antes de ser contratado, dizem cobras e lagartos do homem; quando é consumada a sua vinda, dizem coisas como "agora é o treinador do Benfica, defendo-o até à morte", ainda que sempre gozando com as suas gaffes e deixando subliminares mensagens de que este não é o treinador certo para o Benfica; depois de uns jogos, começam a dizer mal por tudo e por nada; depois de 3 meses defendem a sua saída; quando finalmente é demitido regozijam-se, viram-se uns para os outros e dizem "eu não disse? este gajo não serve!", chamam-lhe nomes, arranjam epítetos engraçados e curiosos com que o vão tratar nos próximos 10 anos; e, depois, quando o treinador que se sucedeu ao ódio de estimação mostra que é incompetente e estrangeiro, vêm para a rua com ar triste, mas sempre negando que o outro realmente é que tinha qualidade - isto porque o benfiquista não gosta de admitir que estava errado. Mas alguns, poucos, vêm para a blogosfera dizer: "admito que cometi um erro".

Pois cometeste: falaste sobre o que não conheces. Achaste-te no direito de falar, da poltrona, sobre o que serve e não serve o Benfica, sem capacidade para analisar a competência de um treinador. Mostraste a tua ignorância e preconceito, supostamente em nome de um passado sem portugueses ou a moralidade dos estrangeiros em detrimento dos outros, os broncos. E o bronco, no fundo, és tu.

domingo, 21 de Junho de 2009

José Torres, o Bom Gigante

O nosso grandão dos anos 60 tem uma doença degenerativa há já uns bons anos e a família tem tido dificuldades em arranjar condições financeiras para poder responder, da forma mais digna, aos requisitos que a própria doença exige.

Visto que a Fundação Benfica - que serve, essencialmente, para ajudar quem precisa mas parece não servir para dar a mão a um dos maiores símbolos da nossa História - não tem tido a atitude que dela se espera, proponho-vos o seguinte, na sequência de uma ideia que este blogue defende e que passa, em linhas gerais, pela aglutinação e dinâmica dos próprios adeptos em redor de causas benfiquistas:

- Combinamos um jantar em que cada benfiquista, no fim do mesmo, dará a ajuda que achar justa ou que puder disponibilizar. O dinheiro recolhido será entregue em mãos à família de José Torres. Sem abrirmos contas nem enviarmos o dinheiro para intermediários. Nós próprios, adeptos, faremos chegar o dinheiro à família do Bom Gigante.

O que acham?

Além de podermos contribuir para uma causa que devia ser tratada de forma mais digna por quem nos dirige, parece-me uma boa oportunidade de unirmos benfiquistas em torno da nossa causa maior, o nosso clube.

Dependendo da adesão que mostrarem na caixa de comentários, seguiremos (ou não) com esta ideia para a frente. Digam de vossa justiça.

sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Vão dar banho ao cão!

Estive uns dias valentes longe das notícias do futebol. Seguiu-se uma reentrada na atmosfera futebolística turbulenta, com o forte impacto astronómico do regresso da constelação galáctica, ou a libertação do homem de longos e multi-coloridos cabelos por parte do Salvador, fazendo Jesus o prometido caminho rumo à Catedral. Deram-se ainda outras minudências, do foro dentário, que rasgam sorrisos saudáveis nos adeptos que não têm mais nada por que sorrir.

Mas quero confessar a minha desilusão por algo que se passou entretanto. Confesso-me profundamente desiludido com LFV, com o Benfica, com os seus sócios e adeptos, e, surpreendentemente, com a blogosfera benfiquista, que julgava com mais capacidade crítica. Preferia levar 10 vezes 7 secos do Celta, a ter que passar pela humilhação de ver um presidente protagonizar (com o apoio dos seus - não me ocorre outra palavra - lacaios) um golpe de teatro que evidencia o mais assustador apego ao poder, uma coisa digna de um qualquer líder birmanês. A humilhação continua: O principal adversário deste pobre de espírito já não pode concorrer porque não tem os anos de sócio. O quê? Isto é mesmo verdade? Eu não quero ser conservador ou retrógrado, mas convenhamos que é completamente despropositado que um benfiquista de 4 anos e meio seja uma opção válida. Se calhar (!), ainda não deu provas para lhe entregarmos o clube, não é? Vamos ter um bocadinho de decoro, ou não? A humilhação suprema surge de malta estar conivente. Chateada mas conivente. Os argumentos do LFV convenceram alguém? Foi isso? Com esta decisão provou falhar num critério eliminatório na escolha de um líder – pôr o Benfica à frente dos interesses pessoais. Vão todos dar banho ao cão - se me querem convencer que eleições agora, e de um momento para o outro, é melhor que em Outubro...vão dar banho ao cão...para não dizer outra coisa...

O Sr. Luís Filipe Vieira é, a partir de agora, e para mim, uma mancha na história do clube. Considero que os benfiquistas se deviam mobilizar na discussão de uma forma de extirpar LFV do cargo que ocupa e, eventualmente, de sócio do Benfica. Parece radical, não é? Mas pensem bem...é o mínimo que se pode fazer a um ditador: exilá-lo da sociedade (benfiquista).

P.S.: Partilho, integralmente, da opinião e ilusão (todo o benfiquista já usa este termo neste contexto) do meu amigo Ricardo pelo senhor Moniz, expressa no texto abaixo. Por isso esta minha fúria, expressa acima. É que, a julgar pelas palavras de Moniz, LFV, com o seu golpe, conseguiu privar-me do meu candidato. Isso é estrondosamente grave. Muito mais grave do que a pueril reacção dos benfiquistas dá a entender e, repito, devia ser impedido a todo custo e de forma implacável.

Isso, dêem mais 3 anos ao gajo, que ele merece...

O dia de ontem trouxe-nos a aparição de um homem que, dias antes, não passava de um jornalista que subiu a pulso e mostrou competência quando ressuscitou a TVI. Talvez nem soubéssemos que Moniz era Benfica. Mas ontem vimos um homem sair da área do jornalismo e sentar-se do outro lado a falar como benfiquista. E qualquer coisa mudou, talvez irremediavelmente, na forma como os benfiquistas entendem o futuro deste clube. Qualquer coisa mudou porque gostámos de ver um homem a definir claramente o que deve ser a realidade do Benfica, a ser frontal, a não ser omisso nem mentiroso, a aproximar-se daquilo que, nos nossos corações, sentimos como nosso e daquilo que queremos para o Benfica.

Será demasiado lírico, tudo isto? Talvez, mas serão os demasiadamente longos anos a ter de ouvir e lidar com Vieira que nos transportam para a ilusão sempre que vemos alguém dizer aquilo que sentimos. Um alguém que é competente naquilo que faz, que imaginamos poder construir uma equipa vencedora para o Benfica, um alguém que, mesmo tendo sido convidado pelo Movimento, soube demarcar-se do mesmo e prometer para o futuro uma ideia diferente, com pontos em comum mas distante de certas personagens que o Movimento chamou para as suas fileiras.

Talvez até por isso o Movimento perdeu fulgor. Não soube nunca distinguir quem são os que interessam e os que nem ao menino... Jesus interessam um bocadinho. Construiu uma ideia confusa entre uma amálgama de notáveis credíveis, antigos jogadores de quem todos gostamos juntos com aberrações e abutres, todos reunidos numa esquizofrénica dança de vingadores contra Vieira, egos desmoralizados e gente boa, que só quer o melhor para o clube. Talvez por isso o Movimento tenha saído tão fragilizado no fim. Porque não soube criar uma linha ideológica, não soube construir uma equipa de, e peço desculpa pela expressão mas é como a sinto, "verdadeiros benfiquistas", e nunca foi capaz de gerar no seu seio o lançamento de um candidato credível a tempo e horas. Bagão não quis, Moniz não quis e agora resta ao Movimento aquilo que, no fundo, é o mais importante: continuar a promover a discussão benfiquista. Não se esgota o projecto na ausência de candidato a estas eleições. Mas retirem lições da realidade. Comecem por ser correctos moralmente - Damásio a aplaudir o Movimento, Damásio no Movimento? Nem Bruno Carvalho se lembraria dessa! - e tenho a certeza de que muito boa gente que ali anda poderá no futuro ajudar o Benfica.

Quanto a Moniz, agradeço-lhe, ainda assim, o facto de ter evitado o facilitismo de se lançar numa candidatura a 2 semanas das eleições. Agradeço-lhe o ter dito o que disse, como o disse e para quem o disse.

A partir de ontem, o Benfica ganhou um candidato credível e competente à Presidência do Benfica.

Até lá, apoiemos Jesus, Costa e todos os atletas. O Vieira, esse, estará cada vez mais só no seu umbiguismo. Mesmo ganhando.

terça-feira, 9 de Junho de 2009

Sou do Benfica e isso me envaidece

A minha primeira camisola do Benfica não estava preparada para evitar o suor que os braços e o peito em chamas destilavam, enquanto eu corria por entre o musgo e as ervas ou rematava de forma perfeita para as balizas que eram pinheiros que só podiam ser defendidas por guarda-redes gigantes.
Era uma camisola quente, com uma marca que não era a oficial e o próprio símbolo parecia estar a cair, meio descosido com a águia parecendo em voo para o céu, com os olhos virados para cima, para mim. Às vezes baixava a cabeça e olhava-a nos olhos, só para ver se ela continuava no meu peito. E depois corria com a bola nos pés, com as asas que ela me dava. Na parte de trás, o meu pai coseu-lhe um número, o 10, e lembro-me de vê-lo a recortar o pano, a pintar no pano os números e, no fim, coser na camisola o orgulho do número mágico, o número do Diamantino e depois do Valdo.
Antes de sair de casa, fazia como eles faziam: puxava os calções brancos para cima, ajeitava as meias e metia a camisola para dentro. Os calções brancos brilhavam, como os do Nené, e as meias encarnadas esperavam a luta de uma tarde contra a terra e o suor, descaindo ao longo do osso sempre que uma jogada mais vibrante as fazia querer o recolhimento junto às chuteiras.

Na plateia principal - que eram os bancos do parque -, o meu Pai e o meu Avô aplaudiam as jogadas de sonho que eu fazia rente à erva; uma finta a uma pinha, um remate contra o pote de resina do pinheiro, duas ou três cabeçadas por entre os ramos de uma oliveira e o público extasiava-se, queria mais. E eu fazia-lhes a vontade, sempre com aquele ar de orgulho de levar no corpo o manto sagrado. O que eles não sabiam é que só fisicamente eu lutava por entre oliveiras e pinheiros; na cabeça, brilhava em todo o esplendor por um relvado a 150 quilómetros de distância, um relvado sem pinhas nem caruma, com adversários às listas verdes e brancas, e um estádio cheio, de sangue colorido. Aquelas grandes árvores que serviam de balizas, dentro de mim eram postes brancos com redes e um guardião à espera de uma bola difícil - era por isso que sempre que me aproximava da área adversária, e mesmo não havendo quem a defendesse, eu procurava colocar a bola no cantinho junto à resina, não fosse o imaginário guardião gigante negar-me o golo.
Pelo Benfica, terei marcado uns 345.000 golos e terei dado a marcar não menos do que duas centenas de milhar de oportunidades de golo, que às vezes eram desperdiçadas porque os meus colegas imaginários (às vezes árvores decepadas) não tinham a qualidade de remate que eu evidenciava. Fui capitão do Benfica praticamente em todos os jogos e só não o fui em circunstâncias muito especiais, como as vezes em que a braçadeira estava na lavandaria ou aquela outra - que ainda hoje recordo como um dos mais negros dias da minha vida - em que o cão decidiu brincar aos capitães da areia, vestindo a braçadeira nos dentes. Joguei, contabilizando jogos no pátio, na estrada, na rua, na cozinha, no corredor, no parque, no pinhal, na eira, na ponte, no ervado e, mais tarde e mais a sério, no pelado e no relvado, cerca de 3 milhões de vezes, quase sempre de encarnado e quase sempre com a camisola do Benfica vestida.
Porém, tempos houve, e peço desde já desculpa a todos os que seguiram a minha carreira, em que vesti de verde. Foi no tempo em que em Abrantes não havia Benfica para os mais novos e eu ingressei no Sporting da cidade. Sim, assumo a heresia. Mas quem de vós o não teria feito se, no contrato, vos oferecessem aquilo que me ofereceram - hipótese de jogar num pelado enorme, a sério, com balizas que não eram pinheiros, marcas brancas direitas no campo, pedras que não as iguais às que vivem junto às pinhas (mas igualmente dolorosas), adversários que não árvores sem cabeça e público, umas 80 ou 90 pessoas?
Se ainda não estão convencidos, digo apenas isto e espero ser declarado inocente em tribunal: no fim de cada jogo, davam-me duas sandes de queijo e um trina de laranja. I rest my case.

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Sucessor de LFV?

http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/FR24250.pdf

Havia 4 hipóteses para Rui e pelos vistos ele vai pela 1ª. Já percebi que os projectos de Rui Costa valem tanto como os do seu antecessor, ou seja nada.

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Aí está o primeiro logo da nossa campanha!!!

Campanha SLB










Não se espantem se virem cartazes iguais a este no Marquês.





* Obrigado ao criativo da campanha, Paulo Cb, pelo trabalho desenvolvido.

terça-feira, 2 de Junho de 2009

Pobreza de espírito

O Benfica e a luta interna pelo poder. O LFV teve uma fantástica passagem pelo Benfica e, houve um momento, alguns anos atrás, em que poderia ter preparado uma saída, argumentar que tinha cumprido a sua missão e partir. Teria sido um ciclo marcante e teria ganho, com certeza, um lugar de destaque na história do clube. Talvez um busto em bronze, nunca se sabe! Mas não, tinha que se armar em político e fazer daquilo carreira. Para mim, um presidente do Benfica será alguém que se destacou dos demais no cumprimento da sua vida profissional e pública, e que, aliado ao seu benfiquismo de uma vida, vê esses louváveis atributos reconhecidos pelos seus pares, assumindo o lugar mais alto na hierarquia encarnada com o genuíno orgulho e motivação de servir o Benfica, e saindo antes de se servir dele. Um presidente deve chegar quando o clube precisa dele e não o contrário. Veiga e Vieira revelam-se ambos aquém deste perfil, pobres de espírito incapazes dessa nobre e desinteressada generosidade de que falo. São antes dois bêbados cambaleantes, sedentos dessa vertigem de poder que brota, embriagante, do trono benfiquista.

O Sporting. Bettencourt ainda me enganou durante uns dias, mas essa de que os treinadores de prestígio não fazem pré-acordos, entre outros sinais de arrogância, já vieram garantir mais do mesmo no futebol português. Pergunto-me se continuará com essa pobreza de espírito de ser a dama de companhia do Porto. Deve ser formidável ficar em segundo. Lembra-me a rapariga que era amiga da menina popular, que mandava recadinhos da amiga popular ao rapaz giro e que, no final, ficava com o amigo narigudo e baixo do rapaz giro...

O Porto. Clube com duas décadas praticamente sem par no mundo do futebol dos mais pequenos. Pinto da Costa, esse dirigente mítico, que alcançou num clube o que, julgo, poucos imitaram. E, ainda assim, quando vem ao estádio nacional para conquistar o troféu número trinta e sete mil, oitocentos e quarenta e dois do seu reinado, não se contém e vomita que gostaria de jogar na Luz para nós podermos ver bom futebol. Lindo! O gajo não consegue. É quase cómico. É, também, divinamente irónico. Essa mentalidade tacanha, mesquinha mas tenaz, esse orgulho de minoria, tão salazarista, é, ao mesmo tempo, o segredo do sucesso portista e a derradeira barreira para a sua grandeza. Por isso, o PC chega ao Jamor com uma irritabilidade menstrual, soltando bocas flatulentas e ressabiadas, evidenciando uma incapacidade para atingir o êxtase, a satisfação, a tranquilidade esperada após tudo o que conquistou. A razão é simples: na sua pobreza de espírito é incapaz de encontrar dimensão para ser grande, magnânimo, por uma vez que seja!

domingo, 31 de Maio de 2009

No comments...

http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/PCT24157.pdf

A SAD do Benfica comunicou hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) um resultado líquido negativo de 18 milhões de euros correspondentes aos primeiros nove meses da época 2008/09, segundo os resultados do terceiro trimestre.O passivo da SAD encarnada aumentou 20,48 por centoASF O comunicado enviado à CMVM refere que os 18.450.273 euros negativos contrapõem aos 3.684.109 positivos registados no mesmo período da época 2007/08, resultados justificados pelo aumento dos custos (41,5 milhões) e pela quebra das receitas (36,5 milhões contra 41,9 no ano passado).O passivo da SAD do Benfica totaliza agora 150.663.794 euro!!!

sábado, 30 de Maio de 2009

Rambla pa'qui, rambla pa´llá, esa es la rumba de Barcelona

Este blogue agradece o futebol de rua visto na passada Quarta-feira, com a ligeira diferença de ser numa rua esverdeada dentro de um coliseu cheio com uns milhares a assistir, e vem proclamar o apoio ao melhor jogador do Mundo: Andrés Iniesta.




quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Quique, o mágico

Quique Flores. Mais um nome que fez manchetes, que encheu de esperança a nação benfiquista. Após uma época ridícula em que tivemos 2 treinadores e o Chalana, o cargo de treinador do Benfica tinha algo de bom, era difícil fazer pior, talvez por isso se explique o inacreditável apoio que o Quique teve quase até ao final da época. Treinador espanhol, jovem, não tinha grandes feitos no seu passado mas tinha conseguido resultados bastante razoáveis no Valência, o que a juntar à sua postura charmosa, ao seu bem falar, fizeram com que grande parte da nação benfiquista começasse ali a ver um potencial novo Mourinho. A mim confesso que desde o início a quantidade de vezes que ele repetiu a palavra “ilusión” me deixou na dúvida se teríamos o próximo Mourinho ou o próximo Luís de Matos, mas naturalmente que lá dei o benefício da dúvida como sempre.

Na pré-época houve coisas que me desagradaram logo. Todo o mundo teve oportunidade de treinar (até Edcarlos e Luís Filipe) mas houve pelo menos 3 que me pareceram um pouco postos de lado: Zoro, Petit e Adu. Se em relação ao primeiro nem me aqueceu nem arrefeceu, os outros 2 eram dos meus favoritos, e por isso a facilidade com que Petit saiu, e a vontade de despachar Adu não me agradaram nada. Claro que fica por saber se foi decisão sua ou superior, mas se um treinador aceita tudo sem se impor é um banana e não serve, se foi decisão sua ter que ver com os seus próprios olhos cepos como os que viu e nem sequer exigir uns treinos para o Adu, então é um nabo. Também decidiu não contar com Diamantino e Chalana. Decisão legítima, mas tem que abarcar com as consequências. Se eu for trabalhar para a China, se a empresa me colocar um tradutor à disposição e eu recusar, a partir daí não me posso desculpar por não perceber chinês. Infelizmente, por alguns banhos tácticos que Quique levou, deu para perceber que ele não fazia a mínima ideia de como o adversário jogava, ao contrário deles que conheciam o nosso futebol previsível de trás para a frente. Como se isto não fosse suficiente, veio a guerra com o Maradoninha, outro dos meus preferidos. Logo aí, se eu mandasse, entre Quique e Léo eu sei bem quem escolhia…

Passando ao futebol, apesar de alguns lampejos contra a lagartada e o Nápoles, o futebol apresentado não me entusiasmou. Começava-se a ver que seria um futebol razoavelmente eficaz contra equipas que assumissem o jogo, mas inconsequente contra quem não o fizesse, ou seja quase todas as equipas em Portugal. E mesmo algumas equipas que o assumiam conseguiam vulgarizar completamente a nossa equipa, como foram os casos do Gala e do Olympiakos. Entre os milhentos pecados que foi cometendo, vou tentar lembrar-me dos que lhe fui apontando, e resumi-los aqui:

- Filosofia de jogo muito à base da contenção e de transições rápidas, completamente contra-natura com o que o Benfica tem de ser;

- Total ineficácia na gestão da baliza, conseguiu passar a época sem dar confiança a nenhum dos GR;

- A dispensa de Leo conjugada com a titularidade primeiro do Jorge Ribeiro e depois do David Luíz fizeram com que passássemos grande parte da época debilitados no flanco esquerdo com a agravante de sacrificarmos o que podia (e pode) vir a ser um grande central;

- A aposta em Amorim na direita foi uma imbecilidade que nos custou o nosso melhor médio centro, e como se viu pelos jogos do Urreta tínhamos uma solução. Aliás, até teríamos outras, num Benfica mais atacante podiam jogar o Reyes ou o Di Maria no flanco direito. E goste-se ou não, houve um reforço escolhido por ele para esse lugar, se esse jogador falhou então ele será muito culpado;

- O duplo pivot para funcionar tem de ter 2 jogadores muito completos. Para mim só havia 2 no plantel (ou 3, no máximo) que podiam desempenhar bem o lugar: Amorim e Katsouranis. O 3º que me parece ter características para o lugar é o Felipe Bastos. Yebda é limitadíssimo no passe e no remate, Carlos Martins é fraquíssimo na ocupação de espaços, e Bynia está ao nível do Yebda. Perderam-se meses em que não se rotinou a melhor dupla, e isso podia-nos ter trazido mais pontos. E em certos jogos, certos momentos em que tínhamos de arriscar tudo por tudo, acredito que Aimar também podia ocupar uma das posições;

- As declarações sobre Reyes foram completamente inoportunas e a partir daí o rendimento do nosso jogador mais decisivo foi uma sombra do que vinha sendo. Reyes apesar de alguns alheamentos fez uma primeira metade da época em que se mostrou batalhador, motivado, o que conjugado ao seu incrível talento resolveu alguns jogos. Mas Quique é capaz de ter tido inveja de algum jogador aparecer mais nas capas do que ele, e com aquelas declarações parvas no Restelo perdeu um jogador, e que jogador;

- Aimar. Incrível como um ex-nº10 da Selecção Argentina pode ser um problema, mas Quique conseguiu. No seu esquema de 4-4-2 parece-me que Aimar só poderá funcionar num dos lugares do duplo pivot (perdendo-se alguma capacidade defensiva) ou numa das alas, desde que tenha alguma liberdade para flectir para o centro e exista um lateral com muita qualidade ofensiva. Mas Quique fiel ao seu esquema e à sua teimosia insistiu com Aimar a avançado. Foi triste ver o argentino no meio de jogadores corpulentos que o neutralizaram com alguma facilidade, vê-lo a finalizar mais (e mal) que a construir, conseguiu não tirar rendimento dele e queimar um lugar que tanto jeito teria dado a Cardozo;

- Suazo. O que disse a Aimar aplica-se a Suazo, se bem que por motivos diferentes. Este jogador podia ter feito uma dupla de sonho com Cardozo, mas Quique decidiu quase sempre jogar com ele e Aimar, fazendo com que Suazo tivesse que suportar quase todas as despesas de área. Quando nos víamos a ganhar era frequente ver Aimar recuar no terreno e a táctica era biqueiro para a frente para a corrida do Suazo, era deprimente ver o hondurenho completamente rebentado por andar o jogo todo a correr quase meio campo sozinho. E depois já se sabia, estivesse a 100% ou a 30%, ele era a primeira opção, Cardozo a segunda, o que tendo em conta que um é nosso o outro é do Inter, ainda se torna mais estúpido;

- Cardozo. Mesmo com todos os equívocos já referidos de Quique, uma coisa ficou provada neste final de época: com o Tacuara em campo as possibilidades de marcarmos golos e consequentemente ganharmos aumentam exponencialmente. Infelizmente Quique não descobriu isso, a lesão de Suazo é que o possibilitou. Nem quando foi assobiado por substituí-lo percebeu que era para ele;

- Mantorras. É coxo, não aguenta os 90 minutos, blá, blá, blá. Como o Trap percebeu mesmo com estas condicionantes todas Mantorras ainda pode valer ouro. Ou alguém duvida que em meia dúzia daqueles finais complicados de jogos com ele em campo havia sempre a hipótese de golo? Viu-se que Quique ficou surpreendido no último jogo da época, isso diz tudo.
Ainda podia falar do total desaproveitamento de Felipe Bastos e Urreta, mas o post já vai longo. E escusam de vir com a lenga-lenga de “no fim é fácil apontar os erros” porque quem me conhece e segue os meus comentários sabe que eu fazia estas críticas quando ainda liderávamos a Liga, não fui na “ilusión” tão publicitada.

Resumindo, quanto do descalabro foi culpa de Quique? Deve ele continuar?

Respondendo à primeira pergunta, muito. Apesar de reconhecer que hoje em dia no Benfica qualquer técnico se arrisca a ser queimado e não campeão, há uma série de erros de Quique que não têm nada a ver com as (in)competências de LFV e do Rui. Cometeu uma série de erros inadmissíveis, e mesmo num clube extremamente bem organizado corria o sério risco de fazer uma má época. E fez, aliás fez uma péssima época, a “sorte” dele foi como já referi entrar após uma época que roçou o ridículo, logo não era difícil melhorar um bocadinho, se bem que ele se esforçou. E não podemos esquecer que ele não sofreu com a saída de nenhum titular da época anterior, e ainda viu entrarem 10 jogadores que custaram mais de 2 dezenas de milhões de euros ao clube.

Quanto à segunda pergunta, defendo há muitos meses que as eleições deviam ser em Junho/Julho. Se fossem e tivéssemos um novo Presidente, defendi sempre que o Rui e o Quique deviam pôr o lugar à disposição, para que o novo Presidente pudesse escolher sem pressões financeiras. Caso fosse decidido dar um segundo ano a Quique por iniciativa do novo Presidente e o do Rui, tentando mostrar que os problemas do nosso futebol derivavam todos do LFV, eu iria aceitar respeitosamente a posição apesar de achar sinceramente que não ia funcionar. Acho Quique um fraco treinador, com graves problemas em termos motivacionais, e que revelou total ignorância sobre o futebol português, daí preferir a sua saída.

Por mim “vaya com dios” fazer companhia ao Nélson, não deixa nenhumas saudades.

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

O nosso Rui Costa...

Terminou mais uma época e é tempo de balanço. Farei um post para o Director Desportivo, outro para o treinador, e outro para os jogadores. Deixo de fora o Presidente por várias razões, por um lado acho que nem merece o tempo gasto, por outro vai haver eleições e cada um vota em quem quer, respeito a democracia.

Por uma questão hierárquica, começo pelo posto mais alto, o do Maestro Rui Costa.

Apesar de tornar este post (ainda mais) secante, obrigo-me a fazer um enquadramento histórico: Rui Costa foi o meu primeiro ídolo do futebol. A primeira camisola autografada que obtive é o nº10 da Selecção assinada amavelmente pelo Rui. Chorei inclusivamente algumas vezes com ele, como foi o caso do golo marcado contra nós na Luz. Torci pela Fiorentina e pelo Milão. Numas férias que fiz em Itália, quando passei por Florença, não desisti enquanto não descobri os transportes para chegar ao Artemio Franchi, apesar de estar a chover “cats and dogs” nesse dia, só porque sonhei ter a sorte de chegar lá e ver um treino do Rui (e do Nuno que também lá estava na altura). Não vi nada, não vi nenhum dos 2, mas era fã a esse ponto. E o “era” nem é um passado muito distante, ainda o ano passado, no final de mais uma época degradante, o Benfica fazia o último jogo em casa e eu já tinha jurado que não voltava a pôr os pés na Catedral naquela época, no entanto não resisti, lá convenci a namorada que já quase morria de tédio nos jogos a ir à Luz para nos despedirmos do Rui. Fui, quase vomitei quando vi fazer-se a onda num campeonato que terminávamos em 4º, mas pelo Rui tudo vale (valia?) a pena.

Tudo isto para dizer o quanto eu admirei o jogador Rui Costa. Pela sua classe, pelo seu talento, pela correcção demonstrada, pelo quase romantismo com que vivia o futebol foi um caso único de paixão futebolística. Mas a partir do momento em que passa para Director Desportivo, aí doa a quem doer tem de ser avaliado pelos resultados, seja o Rui, seja o Veiga, seja a minha Mãe, se desempenhar um cargo de responsabilidade no Benfica serei implacável na análise.

Tinha expectativas altas para o Rui. Julgava-o uma pessoa integra, benfiquista, e com alguns skills, pelo que pensei que muita coisa ia mudar na Luz. Confesso que este sentimento foi algo abalado quando alguém que conhece o Rui há largos anos me disse que ele era um vaidoso de primeira que se ia colar ao lugar como uma lapa, tal como o Vieira, e que nada ia mudar, o entreposto de jogadores e comissões na Luz ia continuar. Não quis acreditar, e continuo a acreditar que Rui põe o Benfica acima dos seus interesses pessoais. Daí eu ter esperado uma alteração radical da política desportiva do Benfica, acreditei que íamos começar a fazer 3 a 4 contratações cirúrgicas, apostar nos jovens da cantera, e tentar conservar a todo o custo aqueles jogadores que podiam transmitir alguma mística, já que foi assim que me parece que se construiu um Benfica vencedor, tão diferente deste Benfica que actualmente vemos a definhar. Para ajudar à festa, no início do seu trabalho teve mais de 20 milhões de euros para gastar, algo que aumenta as suas responsabilidades.

Dito o que esperava, vou dizer o que vi acontecer: a mesma merda de sempre. Voltou-se a deixar sair jogadores importantes (Petit e depois Léo), voltou-se a ignorar os jovens, voltou-se a fazer uma dezena de contratações, agravadas com o show-off de chegarem as estrelas em jactos privados a Tires como se de D. Sebastião se tratassem. Contratou-se um daqueles típicos técnicos “moderno, jovem, tacticamente evoluído”, mas que bem espremido nunca tinha ganho nada. Falou-se uma vez mais em “ano 0”, em “projecto de 2 anos”, e quase todos engoliram e bateram palmas porque era Rui que o dizia, logo era lei, como quase tudo o que ele diz. Infelizmente o campeonato não se ganha em Agosto, nem o trabalho do DD termina aí, por isso quando começou a bola a rolar assistimos a mais uma sequela de filmes já bem conhecidos, a gestão ridícula do caso Léo, o encostar de Diamantino e Chalana, a choradeira da arbitragem, a equipa desgarrada que ia jogando cada vez pior, e o triste fim de época em que ficamos sempre com a sensação que se a Liga durasse mais uns meses até a UEFA estaria em risco. Acaba-se mais uma época em depressão, e os resultados são cruelmente frios: 3º lugar, vergonhosa prestação europeia, e apenas a taça da cerveja para disfarçar.

É possível achar bom o trabalho do DD que com mais de 20 milhões para gastar está à frente da equipa que obtém estes resultados? Não vejo como, aliás penso que se em vez de Rui Costa fosse outro qualquer já estava na forca há muito tempo. Mas tenho a certeza que mais de metade dos benfiquistas acham que o Rui esteve muito bem e que “só” errou ao escolher o treinador. Infelizmente esse “só” custará uns milhões largos e mais um ano perdido. Eu não adopto essa teoria, porque é uma escapatória à Vieira, e a última coisa que quero ver é o Rui tornar-se igual a ele. Ou seja, chega ao fim do ano, corre com quem está abaixo dele, e tudo fica bem, o responsável maior passa incólume e continua. É o que Vieira tem feito durante anos e espero que Rui se desmarque já. Porque para mim só existem 4 cenários:

- Ou aceita mudo e calado que se corra com o Quique, contratando-se outro treinador nas suas costas, começando já o novo ciclo a gastar milhões em jogadores novos, e aí está a ser cúmplice de Vieira tornando-se farinha do mesmo saco;

- Ou assume publicamente que errou ao contratar Quique, assume todos os seus restantes erros, e mostra-se confiante que este ano pode ser diferente explicando em que é que consiste a mudança;

- Ou assume que o seu projecto era com Quique, e demite-se com ele, admitindo que as coisas no Benfica actual não funcionam como ele gostaria, e coloca-se à disposição para voltar a colaborar com o clube no futuro, caso outras pessoas com outra forma de pensar tomem conta do clube, e aí ganhará todo o meu respeito;

- Ou então, num cenário que me parece quase impossível, consegue a manutenção de Quique, defende o projecto de 2 anos publicamente, e aí apesar de eu achar que não trará grandes resultados, ganhará o meu respeito pela coerência demonstrada, e pela inversão de estratégia em relação ao Benfica de Vieira.

Resumidamente, ao fim dum ano não estou minimamente satisfeito com o trabalho de Rui Costa. Agora o que não sei é o quanto é responsabilidade dele, e o quanto está acima dele, mas duma coisa tenho a certeza: se ele continua caladinho ao lado de LFV, Paulo Gonçalves, e restantes elementos responsáveis no clube, então será julgado com eles, e com eles sairá em ombros, ou corrido pela porta pequena. Por tudo o que o Rui Costa jogador e homem representou, por mim espero que saia pelo seu próprio pé e volte a entrar pela porta grande, podendo na estrutura certa ajudar o nosso clube a voltar a ser o Glorioso que todos conhecemos. Rui, está na hora de mostrar se és um dos nossos, todos queremos acreditar que sim, e ainda estás perfeitamente a tempo de o fazer.

domingo, 24 de Maio de 2009

Bipolaridades

Tenho um amigo lagarto que acusa os benfiquistas de serem bipolares. Sem querer concordar, experimento alguma inquietude face à classe evidenciada por Quique, especialmente nos últimos dias. Sabem quando um gajo acaba (se é que isso acontece) com uma gaja chata, mas dotada? Aquela coisa do “A gaja era burra, mas será que não estou armado em esquisito?” – sensação de arrependimento futuro, apesar do acerto da decisão, sensação de que estamos a mandar embora algo de que vamos sentir (muita) falta...estão ver? Se calhar não...

P.S.(para os menos esclarecidos): Estou só a tentar ilustrar uma sensação, não quero com esta analogia dizer que o Quique tem mamas fixes, ou que é bom a falar ao microfone – o que, por acaso, até é! Estão a ver... sensação lixada...

sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Este blogue vai a votos!

De há uns tempos a esta parte, este blogue tem sido alvo de ferozes comentários anónimos insurgindo-se contra aquilo que esses dignos comentadores acham que é uma forma subversiva de escrever textos. Na mente desses iluminados, a ideia geral que perpassa é a de que os membros desta tasca trazem consigo uma agenda própria e muito estudada no sentido de defenderem x, y ou z através de mecanismos subliminares de fino recorte artístico mas desvendáveis sob a luz que irradia dos focos dos cérebros anónimos. Argumentar a esses fiéis conspiradores que não passamos de 4 gajos que gostam de um clube chamado Benfica e dizer-lhes que o que nos move é tão-só o amor, a dedicação e a pornografia carnal pela cor vermelha é, já se viu, totalmente inconsequente. Não vale a pena persistirmos no erro de nos justificarmos perante tamanha exibição de clarividência anónima. Resta-nos, portanto, inventar novas motivações que justifiquem a razão de aqui estarmos para ver se, mesmo que os não convençamos, ao menos isto nos dê para rir mais um bocadinho já que a época foi de levar lágrimas aos olhos, mais uma vez.
E é assim que, na sequência de várias leituras de conspirações e conspiradores, eu, blogger Ricardo, representando o quarteto do Ontem Vi-te no Estádio da Luz, anuncio em primeira mão e em diferido ("on-liner", como diz o nosso putativo treinador, para quem nos quiser seguir via satélite de planetas só imaginados por Isaac Asimov) a candidatura destes quatro bípedes à Presidência do Benfica.
As linhas gerais desta equipa são simples e eficazes. Passo a esclarecer os sócios votantes para que nos não julguem parcos em ideias e estéreis em atitudes:
- O nosso treinador será sempre, ao longo do nosso mandato, um treinador português. Porque é mais barato (razão nada despicienda no momento de crise que o Universo atravessa), porque conhece todos os cantos deste bairro degradado que é o futebol português, porque terá a tendência para chamar jogadores portugueses de qualidade com quem trabalhou, porque o Benfica necessita de gente que saiba o que é o Benfica real e ao mesmo tempo conheça o que foi e o que pode vir a ser o Benfica glorioso, porque um treinador português será mais fácil de convencer quando quisermos ir beber copos, porque estamos fartos de estrangeiros medíocres (entenda-se: espanhóis com a mania da superioridade nacional esquecidos já da carga de porrada que, em tempos, levaram dos nossos que os fizeram sair daqui com o rabinho entre as pernas).
- O nosso Director Desportivo será sempre, ao longo do nosso mandato, um gajo que perceba de futebol. Ainda é cedo para lançarmos o nome mas garantimos aos honrosos benfiquistas que temos em carteira um nome consensual que trará ao Benfica não só o conhecimento profundo de todas as áreas ligadas ao futebol como também a noção de que só à batatada é que isto lá vai. Mentimos, temos já o nome: Rui Costa.
- Um cargo diferente, nunca antes visto em clubes de futebol, será inaugurado por esta equipa: o Prospector Universal. Alguém apaixonado por este desporto que domina, do Sudão às Maldivas, todos os campeonatos do Planeta Terra. Alguém capaz de, no domínio maravilhoso da prospecção, reconhecer num campo pelado da Suazilândia aquele trinco fabuloso que o clube precisa, a custo zero (ou, vá lá, a custo de uma feijoada e um jarro de tinto para o seu agente) e sem prejuízos para o nosso clube. Este cargo será ocupado por duas mentes que respiram, mesmo quando dormem, a arte de encontrar bons jogadores: Luís Freitas Lobo e Carlos Azenha. Perguntar-se-ão: "e ordenados para esses gajos?" Está já tratado. No contrato que temos assinado com eles, caso ganhemos as eleições, estão lá muito bem explicadinhos todos os termos: 500.000 vídeos de jogos entre o Burkina Faso e o Togo, desde as camadas jovens aos jogos puramente anónimos como são os que se passaram entre duas minas pelos locais ávidos de uma bola de trapos. Convencemo-los ainda quando lhes explicámos que podiam fazer as análises (com gráficos fabulosos!) aos jogos que se passam diariamente na Cidade Universitária, com o acrescento benéfico de nos descobrirem também aí algum lateral-direito que sobressaia.
- Um director de Comunicação que não seja careca, que não seja parvo e que não tenha a ideia estúpida de ir gozar com os nossos adversários para as conferência de imprensa. Muito menos um que leve uma Taça ganha com um erro do árbitro e que com ela ache que está a fazer um grande serviço ao clube. Temos esse homem: João Vieira Pinto. Não que seja um mestre na oralidade mas aqui pensamos mais no conhecimento de futebol e menos na eloquência verbal. Com JVP, teremos alguém a explicar correctamente a razão das tomadas de decisão do clube. Não está descartada a hipótese - está ainda em negociação, portanto não o afirmamos assertivamente mas quase podemos jurar - de Marisa Cruz ser a acompanhante em todas as conferências de imprensa.
- Uma equipa de futebol! É verdade: iremos ter uma equipa de futebol! Sim, um plantel, 22 jogadores! É aqui que sentimos que fazemos a diferença para as demais candidaturas. Procuraremos, portanto e no limite das nossas capacidades, conseguir uma equipa de futebol e com ela ganharmos coisas. Sim, achamos que é importante ganhar coisas.
Estas são as primeiras ideias que divulgamos. No futuro, outras serão lançadas para a mesa no sentido de todos os benfiquistas ficarem a conhecer todo o nosso projecto. Admitimos, neste momento, a agenda que fez este blogue nascer e, fazendo um mea culpa geral, esperamos que os nossos queridos benfiquistas compreendam que se o não fizemos antes foi por pura especulação, falta de respeito, egoísmo, estupidez e muito medo de que o Senhor Vieira nos chamasse de abutres. O senhor Vieira e todos os cães vieiristas que viessem atrás. Hoje sentimos que o nosso projecto é inatacável. Porque tem boas ideias e porque oferece a todos os que votem em nós 100 quilos de carnes argentinas - não falamos obviamente do Dí Maria que esse não dá nem para entrada.
Votem em nós! Especialmente os anónimos.

terça-feira, 19 de Maio de 2009

Tiro aos pratos

  1. Já está. O Benfas foi mesmo o terceiro a cortar a meta e acabou por demorar mais uma jornada para chegar ao inglório final. Até o LFV diz que não ganhámos nada, ficando a sensação que a Taça da Liga é um troféu mais metafísico do que real no nosso futebol.
  2. Depois de uma semana a clamar pelo Salvador, este foi traído pelo judas bronzeado e - como é exemplo a votação aqui a decorrer – já há malta pronta a crucificar a possibilidade anunciada.
  3. A verdade é que o peso do banco benfiquista já se fez sentir: Jesus já começa a parecer menos competente, e Quique, mais. Já nem é preciso um contrato para se começar a escolher a cova no cemitério encarnado.
  4. Sim, porque Jesus foi arrogante. Esquecendo o azar que teve no jogo, ficou patente que o treinador do Braga resolveu ignorar a receita, por todos conhecida, para contrariar o Benfica, e tirou da cartola uns truques e baldrocas que fizeram do Braga um dos adversários que mais se pôs a jeito às parcas armas do onze encarnado.
  5. Mas Quique não é bestial, e assinou mais umas quantas besteiras. Tantas alterações na penúltima jornada, com jogadores a trocar, regressar ou alternar de lugar, mesmo que acertadas, só sublinham o desnorte ou, pelo menos, a falta de estabilidade que marcou esta época.
  6. Quem vê Jorge Ribeiro a actuar no lugar que já foi de Léo, automaticamente recorda as palavras de Quique, remoendo os 90 minutos nessa paulada intelectual de que o brasileiro tinha a aprender com o português.
  7. Revelo-vos a palavra mais panisga da gíria futebolística: “acarinhar”. Começa por ser curioso como povoa o másculo léxico dos que giram em torna do futebol, mas fica tudo esclarecido ao ver o que um pouco de carinho fez ao Cardozo; é bonito...
  8. A incompetência e genérica falta de classe dos nossos árbitros é frequentemente subestimada. A arbitragem na pedreira de Braga, com amarelos a torto e a direito, conseguindo expulsar, por acumulação, um jogador em 12 minutos (nem que tenha sido o estouvado Yebda) é formidavelmente estapafúrdia. Ainda para mais, quando não mostrou amarelo no único lance violento de que resultou uma lesão (Katsouranis). Genialmente estapafúrdia, já que nesse lance ainda conseguiu amputar o Rúben Amorim ao último jogo da época. E eu digo que é subestimada porque se o jogo fosse outro, qualquer um duvidaria das intenções do árbitro. Desta vez, só pode mesmo ter sido falta de jeito, ainda que seja difícil de acreditar e, para o árbitro, mais humilhante!
  9. Mas foi mesmo a noite de Quique. Depois de levar na corneta toda a semana, de assistir à oficialização da descrença geral nas suas capacidades, eis que o espanhol prega com três castanhadas que deixaram Jesus de braços abertos, a barafustar com a equipa. E para coroar a noite, na conferência de imprensa ainda lhe perguntam pelo Atlético de Madrid: “Eu nunca falo com outros clubes quando tenho contrato (...)” – Olé!!
  10. Mas que venha o Jesus, que venha, VEM JESUS! Primeiro por que ando verdadeiramente intrigado com as estonteantes madeixas do senhor – tenho que ver aquilo mais de perto e de forma mais sistemática. Segundo, o nome é mesmo formidável e dar-me-ia um prazer monumental passar um ano inteiro a fazer trocadilhos rascas com o Senhor!!

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Vários estádios

- Numa altura em que os benfiquistas carpem as mágoas de mais uma época decepcionante, o treinador do "novo ciclo" está escolhido: Jorge Jesus. Esquecendo as razões calculistas e interesseiras da actual Direcção com esta escolha e a vontade de, contratando um técnico promissor com boa receptividade junto dos adeptos, ganhar mais umas eleições, diria que é, das opções avançadas e possíveis, uma das que mais agrada. Jesus é competente, é ambicioso, espera ardentemente a possibilidade de demonstrar num grande as qualidades que julga (julgamos?) ter e conhece como poucos a realidade tão específica do lamaçal que é o campeonato português. Por tudo isto, Jesus aparece aos meus olhos como a solução certa para treinar a equipa principal do Benfica. Mas não deixo de ter, bailando, dançando e sapateando, uma dúvida: por quanto tempo a massa benfiquista aceitará um treinador português? Outra dúvida: se Fernando Santos, que fez um excelente trabalho no clube, nunca teve os adeptos do seu lado, será Jesus capaz de operar um milagre na mentalidade daqueles néscios que assobiam jogadores, acenam lenços brancos, cospem na inteligência e comem doses massivas de boçalidade ao pequeno-almoço? Tenho dúvidas, mas está na altura de o Benfica não ecoar infinitamente sob as vozes da tacanhez de espírito. Está na altura de filtrar as opiniões. Que Jesus possa ter um eterno descanso. O descanso que os santos não tiveram. Que Jesus veja a Luz que Santos não viu. E prometo que esgoto aqui os parvos trocadilhos. Mas não juro pelos jornais desportivos.
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- Um benfiquista para cada boa acção que vê na direcção do Benfica vê logo outra má. Não há como enganar. Desta vez, depois da boa escolha de treinador, são as contratações de jogadores sem que o técnico tenha voto na matéria. Não sei quem é Álvaro Pereira, desconheço se é craque ou se é mais um Balboa (parece que custa os mesmos 4 milhões de euros), mas de uma coisa tenho a certeza: contratar jogadores antes de ouvir o novo técnico é um erro crasso na construção de um plantel. Erro que persiste ad eternum. Já vamos com dois laterais. Quantos mais virão antes de Jesus chegar pela primeira vez à Caixa Futebol Campus?
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- Quique sai pela porta pequena. Confesso que acreditei neste homem. Mais pela sua qualidade de discurso do que pela sua qualidade como técnico. No fundo, acreditei que a sua postura inteligente seria capaz de inundar a forma como o espanhol via e vê o futebol. Infelizmente, enganei-me, enganou-se, enganou-me. Quique nunca conseguiu demonstrar no Benfica ser capaz de ver o futebol através dos olhos universais, antes fechando-se na sua concepção de forma autista, teimosamente egocêntrica e nada condizente com a realidade. Não foi humilde, não quis aprender e com isso ganhou um bilhete de volta a Espanha. Acho bem. A estabilidade é um conceito que só pode rimar com competência e essa Quique provou desconhecer ao longo do tempo.
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- Na votação ali ao lado, Veiga domina a intenção de voto dos benfiquistas. Acho curioso, no mínimo. Há dois meses os resultados seriam tão diferentes que, tal como fico curioso com a votação, fico espantado com a força crescente da blogosfera. "Bastaram" uns textos do José Marinho no Mágico SLB para que a opinião pública benfiquista, de repente e sem aviso, tenha encontrado no homem do capacho do Luxemburgo a poção mágica de Panoramix para a debilidade benfiquista. Nem tanto ao mar, meus companheiros. Vieira não será seguramente o presidente eleito por este blogue, mas julgamos manter todos a desconfiança típica dos que se julgam inteligentes. Aqui, Veiga ainda não convenceu ninguém. E terá de penar muito para que algum dia o faça. Entretanto - e julgo que falo pelos meus caros colegas do Ontem... -, sabemos uma coisa: queremos mudar de pneus.

terça-feira, 12 de Maio de 2009

Agora Escolha!

O reinado de Quique parece estar perto do fim. Com a anunciada saída ficarão por responder algumas das questões mais pertinentes sobre o espanhol: Ele frequentava solários ou conseguia aquele tom de pele só à base de creme cenoura? Considerará o seu trabalho ao leme do clube encarnado livre de mácula, ou, no seu íntimo, já terá admitido a enorme arrogância com que encarou o futebol português? Nunca saberemos...

Entretanto, aproxima-se o sucessor. Esbatidos pela bruma Sebastianista vislumbram-se dois vultos a cavalo: Jesus e Scolari.

Sabe-se que ambos não desdenham o cargo. Quando entrevistado pelo repórter do Ontem Vi-te, Jesus foi igual a si mesmo: “Há muito que os méritos das minhas qualidades têm sido despreteridos pelos agentes do futebol e penso que com a humildade de mim mesmo e dos jogadores poderemos ganhar muitas vitórias para o clube! Estou disponível para ir viver para a cidade de Sport e trabalhar muito p’rá prole do clube!”. Quanto ao Sargentão, e quando questionado se gostaria de se sentar no banco benfiquista: “Claro qui sim. Eu gosto do banco benfiquista, e se para mim banco é caixa, a verdadji é que o centro de treinos do Benfica é Caixa, logo eu acho qui está certo. Agora há qui difender os mininos, há qui apoiá! Quem si considera benfiquista tem qui pôr uma bandeira do Benfica na janela, e tem qui ter uma águia como animal di estimação. Tem qui ser – só assim irei pró Benfica!”

Como no mítico programa da RTP2: Agora Escolha! No entretanto, um defeso quase tão empolgante como os episódios de "O Justiceiro" que animavam a votação...

quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Obrigado, futebol.

O futebol é um desporto maravilhoso. Tem tudo o que os outros só têm em parte. O jogo de ontem entre Chelsea e Barcelona veio mais uma vez, se fosse preciso, confirmar esta ideia. Para quase todos, os catalães iam passear classe, futebol apoiado e lances de génios para o relvado de Stamford Bridge. Para quase todos, o Chelsea ia suar para não ser goleado. Depois o que se viu foi um jogão sem mácula dos de Londres, capazes de aniquilarem na perfeição o jogo rendilhado do Barça, defendendo de forma sublime (sim, também se defende de forma sublime) e em bloco todas as investidas dos espanhóis. Mas talvez até isto fosse ainda previsível. Quase todos não contavam era com a capacidade de, defendendo mais alto, o Chelsea ter sido sempre, repito: sempre, a equipa mais perigosa em campo. Do minuto 1 ao minuto 93, o Chelsea deu um banho de bola não à equipa do Barcelona em si mas à ideia que o mundo tinha da equipa do Barcelona. E não foi preciso recorrer a medidas drásticas: "bastou" fazer daquele jogo um jogo de concentração total, possuir médios capazes de entenderem, a cada segundo, os momentos do jogo e as movimentações excelentes dos catalães. O Barça nem se pode dizer que jogou mal, não jogou, procurou fazer aquilo que faz sempre; o problema esteve no adversário que ontem encontrou, sublime a antecipar passes rasgados, perfeito na forma como os alas (principalmente Malouda no lado de Messi) recuavam em apoio aos laterais, cirúrgicos Essien, Ballack e Lampard na ocupação dos espaços, na teia que ia tecendo em redor dos médios do Barça - houve fases do jogo em que eu juro que vi Busquets, Keita e Xavi todos presos por um fio invisível mas forte toldando-lhes os movimentos. Se em Barcelona a estratégia não resultou (resultou no resultado mas falhou na tentativa de aniquilar o futebol do Barça e também na procura de ser mais incisiva em transição), em Londres o futebol apresentado foi de excelência e de... espectáculo. Espectáculo não é só ver o Messi a fintar 10 jogadores numa cabine telefónica; espectáculo é também, e principalmente, ver uma equipa, como colectivo, como uma entidade una com 22 patas a mover-se em campo, como um bicho de engrenagens mecânicas, dominar cada pedacinho de relvado. O Chelsea ia chamando os jogadores do Barça para a sua zona de acção e depois enrolava-o, como uma cobra, no seu viscoso corpo, abria a boca, metia-os entre os dentes afiados e ia degustando calmamente cada ofensiva barcelonista. No tempo certo, lançava os alas, insistia com os médios pelo meio, fazia recuar Anelka ou Drogba para meter nas costas da defesa os jogadores do miolo. E o Barcelona assistia, incrédulo, a tudo aquilo, incapaz de acreditar que tudo aquilo era possível, orgulhoso que estava de uma viagem recente a Madrid. É certo que Guardiola optou (mal) por retirar Henry de campo. Optou mal por duas razões principais: perdeu a capacidade inigualável do francês nas diagonais, no último passe e no remate mas acima de tudo abdicou do melhor do Mundo (Iniesta) na posição em que ele é o melhor do Mundo. Ainda assim, o melhor do Mundo viria a resolver a eliminatória.

sábado, 2 de Maio de 2009

D. Rui Costa

Basta percorrer as linhas de vários livros que vão sendo escritos nos blogues encarnados para nos darmos conta de que ao Benfica pode faltar tudo mas não falta um D. Sebastião. Rui Costa, para os adeptos benfiquistas, é Deus na Terra e coitado daquele que se digne a dizer o contrário. Para estes, todo e qualquer projecto futuro do clube há-de ter a mão misericordiosa do maestro, há-de ser não a via que em seus fins procurará o apogeu do Benfica mas a poltrona óbvia e sucessória que acomodará o actual Director Desportivo no trono da liderança.
Compete-nos, no entanto, repensar este sebastianismo: que provas irrefutáveis sobre a evidência de que Rui Costa é o homem certo para o clube terão estes adeptos para tão grande demonstração de afinidade religiosa? Os 5 anos em que foi jogador profissional, os 12 anos em que, de longe, jurava amor incondicional a um clube que definhava em estádios vazios, goleadas sofridas por terras galegas e arranha-céus de jogadores medíocres que, por passarem perto do Estádio, eram logo apelidados de novos Eusébios? Compete-nos, não deixando nós de sermos, como qualquer homem de coração aquilino, ideólogos do RuiCostismo, entregar a emoção nas mãos do diabo e questionar: que caralho fez mais Rui Costa pelo Benfica que Chalana, Humberto Coelho, Veloso, Eusébio, Simões, Torres, José Augusto, João Pinto (esse mesmo), Nené ou Bento? A menos sabemo-lo bem: passeou aquela camisola pelos relvados menos dois séculos do que qualquer um destes. A menos sabemo-lo bem: gritava benfiquismo a partir de terras transalpinas enquanto os dessa lista falavam dentro de campo a língua do Benfica.
Urge, portanto, relativizar tudo isto e entender o sentimento dos caros adeptos benfiquistas como uma necessidade, em tempos de crise, de uma crença. Uma crença possível, a única crença, aquela que nasce de um país em ruínas, perdido entre a gloriosa memória e a entediante actualidade. Um país onde qualquer bípede que não seja conotado com outras fronteiras é tido de imediato como o grande e possível rei de toda a nação. Sem que se reflicta, sem que haja, do ponto de vista dos neurónios, mais actividade do que aquela existente em jogos no estádio do Sporting. Mas, tal como nos jogos no Alvalade XXI, as cadeiras às cores podem originar grandes ilusões de óptica.

sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Siameses




quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Só um porquê:

Olá, vinha só fazer uma perguntinha aqui, como é que se diz, à blogoesfera:

Porque é que uns são castigados no imediato e outros dizem tudo o que querem, indignam-se que nem putos malcriados a quem o chupa lhes foi roubado e não lhes acontece nada?

Obrigado e bom dia.

quarta-feira, 22 de Abril de 2009

O mito da recuperação financeira...

Como este blog já andava a ficar com muitos textos inteligentes e engraçados do Ricardo, venho espetar aqui uma seca sobre contas para verem o que é bom para a tosse :)

Pontos prévios:
Esta não é uma análise extensiva, é uma análise simplista que pretende focar apenas alguns pontos para que todos percebam o que na minha opinião é essencial;
Do que apurei LFV tomou posse a 3/11/03, pelo que a minha análise resultará da comparação entre o Relatório e Contas da Benfica SAD em 2003/2004, e o último que se conhece, ou seja o 1º semestre de 2008/2009.
No final da época poderei fazer uma análise mais completa com as contas anuais.

Principais dados dos Balanços:

O Balanço reflecte a posição duma entidade num determinado momento. Conforme o que referi em cima, a comparação vai ser entre 31/07/03 (uns meses antes da chegada de LFV, mas mais próximo que no final da época), e 31/12/08:

Total do Activo
31/07/03: 110.732.672
31/12/08: 161.059.599

Aumento de aproximadamente 51 milhões, dos quais 28 milhões são um aumento na rubrica “Plantel de Futebol”, e 16 milhões no Imobilizado Corpóreo, maioritariamente devido à construção do nosso Campus.

Total do Passivo
31/07/03: 83.966.121
31/12/08: 147.382.449

Aumento de aproximadamente 64 milhões (com as consequências que se verão a seguir), dos quais 45 milhões é um aumento das dívidas relacionadas com operações bancárias (que geram custos financeiros, como é evidente). Registe-se que em Janeiro foi feita a emissão do papel comercial no valor de 40 milhões, sendo que apenas 28 são para pagar empréstimos já existentes, pelo que se prevê um aumento relacionado com estas dívidas.

Total do Capital Próprio
31/07/03: 26.766.551
31/12/08: 13.677.150

Metade do que existia foi “comido”. Acrescente-se o facto do capital social da SAD serem 75 milhões para se perceber em que estado estão as nossas finanças. Aqui, valha a verdade que a maior “delapidação” é anterior a LFV, mas o facto de metade do capital que existia aquando da sua chegada ter ido ao ar não abona muito a seu favor. O Benfica tem preparada uma fusão com a Benfica Estádio para contabilisticamente resolver este problema, mas é disso que se trata, uma mera operação contabilística entre sociedades do grupo, nada mais.

Principais dados das Demonstrações de Resultados:

A DR reflecte a performance duma entidade num determinado período, que no nosso caso corresponde à época desportiva. A comparação vai ser entre a época 2003/2004 que apanha a chegada de LFV, e os 6 meses da época 2008/2009 que se conhecem.

Custos com pessoal:
2003/2004 (12 meses): Aproximadamente 26 milhões
2008/2009 (6 meses): Aproximadamente 17 milhões

A manterem-se os valores para a segunda metade da época (tendo em conta a poupança em prémios, á natural que seja semelhante), chegaremos aos 34 milhões, o que representa um aumento de 30% em 4 anos e meio, ou seja acima do crescimento médio de salários em igual período. E não me parece que a qualidade do plantel tenha crescido 30%, mas isso já será conversa para outra análise.

Custos Financeiros:
2003/2004 (12 meses): Aproximadamente 3.4 milhões
2008/2009 (6 meses): Aproximadamente 2.8 milhões

Iremos para os 5.6 milhões, mas tendo em conta que o passivo bancário aumentou mais que o dobro, este valor é “normal”, apesar de não deixar de ser muito preocupante ter aproximadamente 500.000€/mês de custos financeiros.

Prestações de Serviços:

2003/2004 (12 meses): Aproximadamente 35 milhões
2008/2009 (6 meses): Aproximadamente 24 milhões

Chegando aos 48 milhões não há dúvidas que se nota uma evolução nestas receitas, a que não é estranho o aumento de sócios, quotizações, cativos, etc. Infelizmente o Relatório de 2003/2004 não desenvolve muito este proveitos, pelo que não dá para fazer uma análise mais profunda.

Finalmente um rácio que considero vital, custos com pessoal/proveitos operacionais:
2003/2004 (12 meses): Aproximadamente 70%
2008/2009 (6 meses): Aproximadamente 66%

Este rácio ilustra quantos dos nossos proveitos operacionais, ou seja os “normais” em que se exclui venda de jogadores, por exemplo, são absorvidos pelos custos com pessoal. É um indicador chave, não é por acaso que quase todas as empresas em momento de crise atacam os custos com pessoal. A própria Deloitte, no brilhante estudo que fez sobre as finanças no futebol, salientou o evidente, são os elevados ordenados pagos que estrangulam completamente as finanças dos clubes. Seria positivo registar a ligeira evolução, mas na minha opinião este indicador nunca pode estar acima dos 50%, daí eu criticar tão veemente a inversão nesta área que aconteceu esta época, bem ao jeito de “fuga para a frente” típica do último ano de mandato de qualquer governante. É que em igual período da época 2007/2008, este indicador estava nos 48%, valor que considero excelente no nosso futebol.

Por esta e por todas as razões apresentadas é que não engulo o mito da recuperação financeira. Em alguns aspectos estamos piores que quando LFV chegou, noutros estamos mais ou menos na mesma. E temo sinceramente que o pior ainda se esteja para descobrir.

terça-feira, 21 de Abril de 2009

Andrés

Bola no meio campo, um anão com o pé em cima dela, 21 jogadores a correrem em direcção a pontos diferentes do relvado, uns mais do que outros, e os olhos do anão a ver aquilo tudo. Quase arrogante, o anão segue, pé ante pé, olhar ante olhar, fingindo ser difícil a arte de ver o que mais ninguém vê. A bola, no entanto, não precisa de óculos, fica ali, debaixo, de lado, à frente dos pés do anão e ele, como um oráculo, antecipa-lhe a dança. De repente, ainda os outros dançarinos continuam a correria sem fim, o anão aplica na bola um passe de linha recta (todos os passes do anão são em linha recta, mesmo quando são curvos) que encontra um dos outros que correm e, surpreendido este, atira para golo. Nas bancadas, louvam-se a ciência e o toque mortífero do marcador, os jogadores festejam junto à bandeirola de canto e o anão vai, saltitando, recolher o abraço de agradecimento. Ali agradece-se não só o passe mas o nível de q.i., não só a visão mas a superioridade moral para passear em campo. O anão tem direito a estar em campo porque ele é, mais do que os outros, o dono da verdade. Ele não é grande nem é forte, não é rápido nem sabe driblar 5 jogadores numa cabine de peep show; mas é ele quem, no fim, sai de campo com tristeza. Porque queria mais. Mais duas horas de jogo, mais tempo para lançar os dados, ver as cartas, rir-se do bom que é jogar futebol.
Como em tudo, há os medíocres, os bons, os muito bons e os melhores do Mundo. O anão faz parte daqueles que nunca será o melhor do Mundo. Porque é tão bom que o Mundo não teve tempo de olhar para ele.

quarta-feira, 15 de Abril de 2009

O meu nome é Sérgio e hoje torço pelo Manchester

AVISO: Se só tem tempo para um texto e quer ler algo com qualidade, cheio de Benfica nas linhas, passe de imediato para o post seguinte: “Kentucky fried entremeada”.


O meu nome é Sérgio e hoje torço pelo Manchester!
Torcer contra uma equipa portuguesa num jogo europeu é sinal de tacanhice e pequenez, fraqueza moral e patriotismo ambíguo. Apoiar os portugueses na Europa é sinal de sensibilidade, responsabilidade e nobreza de quem o pratica, é (quase) sinal de evolução antropológica, afastando o protagonista de grunhos neandertais que mais não vêm que o próprio clube.
Eu cá discordo. Acho uma parvoíce. Passamos os dias da vida a racionalizar o mundo: racionalizamos dinheiro, trabalho, trânsito, crises, decisões e confusões e nem no escape do fim-de-semana, no futebol, se cansam de racionalizar. Não digo a gestão ou a organização da coisa; digo as duas horas passadas no estádio, ou em frente à televisão, digo essa patetice de se meter a razão em assuntos do coração.
Pergunto: mas vocês torcem mesmo pelo porto? Ou sporting? É que um gajo para torcer tem que gostar, querer! Não entendo isso! A mim o Manchester nem aquece nem arrefece, mas o porto? Epá, o meu coração mirra assim que os tripeiros sobem ao relvado...
A sociedade é dura, eu sei. Também eu já me armei em evoluído. Lembro-me perfeitamente do dia em que o fiz pela última vez: jogavam os mesmos porto e Manchester, em Manchester. Estava com amigos e o porto ia perdendo por um golo, e com ele as hipóteses de seguir em frente. Eu, ia dizendo alarvidades do tipo: “Ah e tal, coitado do porto, até merecia passar, que os ingleses são uns merdosos...” e nisto o camelo do costinha marca golo. Caíram-me os colhões ao chão e fiquei uns segundos a fitar o ecrã e os festejos – merda! Jogadores do porto a festejar?! Foda-se. Esta merda está errada! - É óbvio que passei os restantes minutos a torcer pelo M.U. mas o mal estava feito, e os gajos acabaram a ganhar a Liga dos Campeões. Nunca mais me perdoei...
Agora esforço-me por manter as coisas simples. Torcer pelo porto, qualquer que seja o atenuante, é como casar por dinheiro. É uma prostituição. É açaimar o sentimento, aparelhar o coração e encavalitar-lhe a razão em cima, feita bem maior, feita pontos da UEFA ou prestígio nacional. Há quem o faça, mas não é para mim; não tenho jeito. Durante aquelas duas horas dou o comando à alma benfiquista e ao coração escarlate e só chamo a razão em instâncias derradeiras, para prevenir males maiores. Dou um exemplo: Este Sábado via o Benfica no Grogs no Bairro Alto, e nisto o árbitro anula um golo encarnado, iludido por não sei o quê mais o teatro do guarda-redes da académica; o meu coração gritou-me logo: “Vamos já a correr ao estádio e espancamos até à exaustão árbitro e jogador!” – já vestia eu o casaco, interveio a razão: “Calma! Olha que isto a pé até ao estádio é um grande esticão. Quanto ao carro, está bem estacionado e quando voltarmos do espancamento o Bairro vai estar um pandemónio, não vai haver lugar. Além disso, acabaram de nos servir mais uma imperial e quando regressarmos vai estar pior que mijo. É melhor não ir.” - E fiquei.

Kentucky fried entremeada

Ali, onde agora vive um senhor mamarracho de nome Colombo, era um baldio de terras aos solavancos, couves, armaduras de príncipes antigos e casas da idade do Fernando Pessoa. Ali, onde a esta hora senhoras elegantes e meninas petulantes encontram mais uma fantástica bugiganga para encher a vaidade dos quartos e salas de estar, foi, um dia, um parque arcaico de estacionamento, um caminho tortuoso até à catedral e uma enorme sala de repasto benfiquista. Ao ar livre, como tinha de ser.
O carro estacionava-se a 2 quilómetros do Estádio e a partir daí punham-se galochas e enfrentava-se o lamaçal. Antes de chegarmos ao repasto, deliciava-nos todo aquele benfiquismo em forma de gente: grupos de 10, 15 pessoas faziam círculos imperfeitos em volta de uma fogueira, de um fogareiro e de uma panelona digna de reis que no seu interior aquecia e amparava um bruto cozido à portuguesa ou, para os mais sensíveis às vicissitudes das transformações gástricas, um belo de um caldo verde, recheadinho com chouriço do melhor que podia haver; para beber, tinto, que era a cor e bebida naturais de quem, por dentro, levava acesa a chama imensa.
Normalmente, eram homens, pais e filhos, poucas mulheres e ainda menos filhas. No entanto, a equipa feminina de cada família tinha também o seu ofício, visto que vinham das mãos delas os repastos que tanto aconchegavam o estômago e o coração dos seus mais-que-tudo. A fome e a sede, ali, naquele sítio onde hoje ardem galinhas de Kentucky e carnes do Sr. MacDonald, não eram mais do que a medida certa para o impulso de noites de glória. Começava com o ritual de comer e beber; acabava em goles de golos.
Para quem não levava metade da casa atrás, esta era uma visão que aproximava e apaixonava e servia de entrada ao que viria a ser a refeição, sentados que ficávamos em banquinhos corridos de madeira rodeando as casas de repasto, quase sempre entregues a famílias inteiras. O ritual era simples: fazia-se um rectângulo de balcões, em volta bancos para os benfiquistas não comerem de pé e lá dentro era uma festa de cerveja, vinho e cheiros de carnes com muita gordura. Para os meninos, trina de laranja, para os pais, vinho em barda, que a noite era uma criança. Nos entretantos, enquanto se trinchavam pedaços de entremeada, febras e as sopas iam ao lume, e regados, bem regados, a cerveja, a tinto, a branco e, para os mais friorentos, a abafadinho, discutiam-se onzes, dizia-se mal do treinador (sim, já na altura acontecia) e ansiava-se pela hora da visão gloriosa de um relvado iluminado por 4 focos de luz. Os pais faziam a sua pedagogia, perguntando aos filhos o nome dos 11 heróis que iriam entrar em campo, os filhos acertavam em 3 ou 4 jogadores mais conhecidos e de tempos a tempos até aparecia um que falava no nome de um jogador de um rival nacional. O pai não gostava, batia com o copo com força na madeira e gritava: "esse é lagarto, filho!" e o filho, que nunca se tinha apercebido de que os homens tinham a capacidade de se metamorfosear em répteis, bebia mais um gole de trina enquanto dizia para dentro que nunca mais abria a boca para dizer o nome daquele jogador.
E o mais bonito de tudo era quando, na mesma mesa, se juntavam avô, pai e filho. E todos eles, ali sentados em redor de um objectivo, apesar das idades, a sentirem o mesmo: a pulsação acelerada, a ansiedade, o nervosismo, a paixão. Todos eles com o coração da mesma idade.

sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Arte

Há uma arte no futebol a que o mundo da bola dá pouco relevo. É a arte de dar porrada.

Verdadeiros caceteiros pretendem, geralmente, duas coisas – meter medo e castigar. Serve o mesmo propósito pedagógico. A arte passa por conseguí-lo sem que o árbitro ou a televisão testemunhem. Uma grande referência é o Jorge Costa. Um senhor na arte de aviar. Do seu reportório destaco a arte de saber tropeçar no adversário quando este se preparava para escapar. E com isto evitar um amarelo. No Benfica, não há um único jogador que saiba fazer faltas. Talvez o menos mau seja o Katsouranis.

Mas existe um sucessor. Na minha opinião, já superou o mestre. Primeiro, porque é fisicamente mais capaz. O Jorge era lento e não conseguia levantar a perna acima da cintura e, como tal, não conseguia cravar pitons acima da cintura dos adversários atingindo-os a velocidades baixas. O Bruno não. Consegue elevar o pé à altura da goela do opositor e sendo mais ágil é também muito mais fluído – todo o lance se transforma num movimento homogéneo e plástico em que corre, projecta-se, corta a bola e aterra com uma zona dura numa parte frágil do adversário. Aquele lance, no último clássico, em que tenta pontapear o Suazo na sua área após ter sido pressionado pela bola exalta uma elegância que um bailarino de Conservatório não desdenharia. O seu domínio das Leis de Newton, fundamentalmente da Inércia e a sua aplicabilidade à arte de atingir articulações após disputas aéreas envergonha muito doutorado em Física Clássica.

O Bruno, nos últimos quatro anos a jogar em Portugal tem visto um cartão a cada 8 (8!) jogos (691 minutos). O caceteiro-mor do panteão benfiquista, Petit, um bípede, na minha opinião, muito menos mau, demorava 3 jogos (260 minutos). Entre os jogadores mais violentos/incumpridores encontram-se Suazo, Quim, Moreira, Aimar ou Reyes (Benfica) ou os carniceiros colegas Hulk, Lucho, Benitez (com apenas 4 jogos), entre outros...É ou não é arte?

Para os interessados (www.zerozero.pt):

Bruno Alves (todas as competições):

2005/2006 - F.C. Porto - 668 minutos (2 A / 1 V)

2006/2007 - F.C. Porto - 3185 minutos (7 A)

2007/2008 - F.C. Porto - 3360 minutos (3 A)

2008/2009 - F.C. Porto - 3150 minutos (2 A)

Petit (todas as competições):

2005/2006 - Benfica - 3832 minutos (17 A)

2006/2007 - Benfica - 2808 minutos (8 A)

2007/2008 - Benfica - 2293 minutos (9 A)

2008/2009 - F.C. Koln - 2229 minutos (9 A)


P.S.: É engraçado como sempre ouvi que o Petit era protegido em Portugal. Afinal, também é protegido na Alemanha. É preciso ter influência!

terça-feira, 7 de Abril de 2009

Para contar aos filhos em noites macabras

Não importa para aqui, embora importe para todo e qualquer outro sítio que não este, as razões que levaram Camus a escrever uma pérola literária chamada "A Queda". Mas o título da obra aplica-se, em boa verdade, ao Benfica dos últimos 15 anos e, especificamente, a este desta época, que acaba por ser uma excelente metáfora de todos os outros.
É uma queda que acontece sem que alguém tenha sequer conseguido entender de onde é que se caiu, visto que, em orgulhos de altitude, esta águia pugnou sempre pela modéstia nos seus voos. No entanto, orgulhosa ainda que intermitente, ela ainda esvoaçou por cima dos céus de Nápoles, naquela que se poderá considerar a noite em que mais alto sonhou chegar e em que mais alto fez sonhar quem nela aposta todos os limites do coração. Mas era um voo sem futuro, um voo para aguiazinhas em começo de existência, muito pouco capaz de ditar leis no mundo natural e selvagem e logo a águia, esventrada por tiro de caçador furtivo, voltou aos naturais voos baixos de uma sobrevivência medíocre e sem alma. A queda, embora de fraco pendor dramático, fazia assim a sua aparição inequívoca e definitiva.
Caía-se de um sítio que se desconhecia e assim, no meio da bizarria do comportamento animal, ninguém - nem o próprio humano! - entendeu para que lugar se queria ir. Foi assim que, da queda, a águia passou ao segundo momento: a inacção, que, em linhas gerais, se baseou no facto de, como o próprio nome indica, ficar pregada ao solo a ver os outros animaizinhos fazerem pela vida.
A águia não se importou. Era maior, melhor e mais poderosa do que todos os outros seres que por ali pululavam. Se os outros eram espertos e dinâmicos, a águia tinha do seu lado a grandiosidade e a história de todas as águias antepassadas para fazer valer o estatuto de superioridade moral sobre todos os seres e sobre todas as coisas.
Pena é que, ao perder penas, a águia tenha ficado depenada.

sábado, 4 de Abril de 2009

Como é que se pode ser portista?

Ainda o Martins estava a rematar e já eu estava a pensar naquilo que viria a ser um post (mesmo que atrasado). Logo de imediato me veio, como besta selvagem e instintiva, a frase: "por uma vez, senti-me portista" e estive para escrevê-la ainda que me custasse, mesmo que de forma irónica e sardónica, dizer tal coisa. Como não tive oportunidade de começar o texto (porque, no fundo, no fundinho de tudo, o texto é o seu princípio; o resto é o reflexo da ideia primeira), deixei que a ideia tivesse direito a desaparecer. Não desapareceu. Isto porque, entre várias fusões cerebrais, na Sexta-feira, no "Governo Sombra", na rádio, o Ricardo Araújo Pereira começa a sua intervenção assim: "por uma vez, senti-me portista".

E pronto. A gente aceita. Porque é isso, porque está tudo dito. Por uma vez, senti-me portista. Eu acrescentaria: por uma vez, senti-me QUASE portista. É que, de facto, fomos, no geral, beneficiados. Mas não gostámos. E não fingimos.

Ainda estou para perceber como é que se pode fingir.

sábado, 28 de Março de 2009

Morram todos!

Morram esses deuses que nos condenaram a ser uma selecção de remates a rasar poste e barra e adeptos de calculadora na mão;

Morram os Suecos e a sua patética concepção de futebol baseada unicamente na utilidade de serem uma cambada de troncos-com-olhos grandes como a merda;

Morra o Cristiano Ronaldo e a sua incapacidade para ajudar Portugal, quanto mais desequilibrar;

Morram os jogadores-poetas Portugueses e as suas exibições com 20765 remates e ZERO golos, por serem jogadores que no seu código genético têm gravada a vocação para jogar à bola com a ingenuidade, elegância e inocência com que a Heidi passeia pela montanha;

Morra o Carlos Queiroz por transportar a selecção para o passado (e cada vez me convenço mais que o faz inconscientemente e não por doutrina) e para este reino do jogo bonito mas tão eficaz como o Danny, esse fantasma do futebol português dos anos 80/90...

Viva o Deco que em meia hora salvou o que podia ser salvo do meu serão futebolístico!

P.S.: Só para dizer que estas mortes todas são metafóricas, digamos que ao desejar morte estou a invocar o Luís de Matos para fazer desaparecer a coisa em causa, menos no caso dos deuses - que eu sou ateu.

Escabeche

Não entendo bem o escabeche que a turma dos lagartos, sejam eles jogadores, treinadores, massagistas, armazenistas, motoristas e -istas por aí adiante até chegar a dirigentes, sócios, sócios com cotas em atraso e simpatizantes de lagartagem andam a fazer com o penalti roubado que os atirou para os penaltis e daí para à derrota na Taça da Liga às mãos do Quim. Até o panisga do Lucílio pediu desculpa!

Na verdade, o que é estranho neste clássico do futebol português não é ter havido um erro grosseiro do árbitro que adulterou o resultado final. Isso é habitual. Acontecerá, direi eu, em (mais de) metade dos casos. ESTRANHO, é o alarido, a gritaria histérica, os pedidos de desculpa despropositados e a genérica verborreia que se tem aventado a propósito.

Acalmem-se lá lagartos, foram roubados, foi só isso – dói um bocadinho mas depois passa, acontece a todos (ou quase)!

A Cruz de David

O David não teve estrelinha. Esse exótico hondurenho, que assim que vi marcar aquele golo contra o Guimarães (o da rabona do Aimar) me cheirou a melhor marcador do campeonato, espatifou o menisco e com ele selou a passagem pelo Benfica.

Acreditei que seria o, agora manco, Suazo que agitaria as turvas águas em que se conserva o último troféu de melhor marcador do campeonato com a camisola escarlate, apadrinhado pelo saudoso Rui. Na verdade, a relação não funcionou, mas se isto fosse uma sitcom americana o nosso Benfica sempre poderia dizer, antes do abraço de despedida:

- It’s not you, it’s me…

domingo, 15 de Março de 2009

Futuro...

Contrariamente ao que dizia o nosso presidente há uns anos, não me parece que esteja no futuro próximo do Glorioso pertencer à lista dos 5 maiores clubes da Europa. Ainda assim, pela vitalidade que demonstra mesmo em época de vacas magras, creio que o nosso Benfas facilmente alcançaria uma posição temível na Europa, e, implicitamente, dentro de portas - um exemplo que me ocorre é o Lyon, mas há mais.

E o que é que nos separa desse futuro? Na verdade, acho que nem estamos assim tão longe, falta pouco - mas falta um pedaço importante!


Gostando-se ou não, a verdade é que desde o Vilarinho, mas essencialmente com LFV, o Benfica iniciou um processo que o atirou para o século XXI. Trata-se agora de uma empresa, cotada em bolsa, com credibilidade, com capacidade de gerar receitas em grande escala e um potencial de negócio e de rentabilidade sem par em Portugal. Lamentavelmente, a frieza da gestão empresarial não chegou ao futebol profissional e apenas atingimos algum sucesso no reinado do “desaparecido” José Veiga, esse senhor bem penteado e de pronúncia saloia que não vestia bem com as nossas cores e que, sinceramente, me agrada ver longe, bem longe.


E então, e o futebol? Pois, o problema mantém-se. Tenho sido acusado de pessimismo, aliás, admito um certo pessimismo, mas insisto que na génese do mesmo estão sinais bem preocupantes... Como ando a ver Dr. House em doses substanciais, arrisco uma metáfora:

Se o nosso Benfica for o doente, o que lhe receitar? Um treinador novo?

Concordo que não. Já testámos esse tratamento e o paciente continuou a agonizar.

Melhores jogadores?

Sim, claro que sim, mas o investimento desta vez até foi feito e os sinais vitais não melhoraram...

O director para o futebol, o nosso Rui?

Não! Nem todo o meu pessimismo me vai fazer virar baterias contra o Rui, pelo menos não nos próximos 50 anos. O Rui é um clássico, é como a aspirina, só faz bem!


Antes de continuar, até porque não sei onde isto vai dar, recuo um pouco. O treinador até pode não ser parte do problema, mas também não está a ser parte da solução. O meu pessimismo alimenta-se aqui. Neste dilema. Não devo despedir mais um treinador, apesar de não estar a funcionar. Não há solução, só deixar andar. E sim, eu sei que temos que lhe dar mais tempo - tenho a certeza que todos nós lhe vamos dar mais tempo e se o Quique quiser cá ficará por mais um ano, pelo menos. Mas uma coisa fique clara, ele não é parte da solução. Não é ele que vai criar uma nova equipa, como fez o Camacho da primeira vez que por cá passou. O que se está a assistir é a um treinador que apesar de mexer com a maneira como a equipa se posiciona e movimenta não altera a sua personalidade, e isso será essencial para o salto que todos esperamos para o Benfica. A diferença que vai do porto para o sporting (na champions) é de personalidade, tem a ver com a psique do grupo. E se no porto tal não tem necessariamente a ver (só) com o treinador, na generalidade dos casos essa identidade é passada ao grupo pelo treinador.

O que eu tento dizer é, esta primeira época do Quique não soa ao começo de nada, apenas a uma continuação - e do que tem sido o nosso passado recente não vale a pena assistir a mais sequelas.

Mas vamos acreditar e dar mais um ano ao homem, afinal não nos resta mais nada e eu, secretamente, estou sempre à espera que seja no próximo jogo que vamos fazer o Barcelona parecer uma cambada de tropeços!

segunda-feira, 9 de Março de 2009

Regresso

Acabo de regressar de 2 meses de viagem. Com esta frase simples mas cheia, pretendo explicar a minha ausência deste tasco, mas também introduzir o texto que se segue.

Estive longe e sem vontade de acompanhar o dia-a-dia neste cantinho à beira-mar plantado. Claro que cumpri com o básico e li tudo o que foi escrito neste blogue! Tive também curiosidade de investigar os resultados dos derbies e... pouco mais.


Ciente da minha ignorância em relação ao que se terá passado na liga sagres, proíbo-me de fazer qualquer juízo de valor. Ignoro se o Benfica ultrapassou o Barcelona na qualidade de futebol jogado, se tivemos a maior onda de lesões da história do futebol moderno ou se o Maxi Pereira foi eleito o melhor jogador da liga em Janeiro. Repito, não pretendo avaliar nada nem ninguém; mas deixem-me sublinhar o óbvio, baseado em parcas informações e na segunda parte do jogo de ontem:


Nestes últimos 2 meses nada mudou! Nada!

Eu substancio:


  1. Levámos na boca do Porto na Luz, e até parece que o senhor do apito molhou a sopa;
  2. Levámos na boca do Liedson, que se jogasse todas as semanas contra o Benfica era, seguramente, o melhor jogador do Mundo;
  3. Encontro-nos, sensivelmente, com o habitual desempenho estatístico (aqui sublinho o facto de ser quase impossível, para o Benfica de hoje, ter um melhor marcador no campeonato!)
  4. Não jogamos uma beata! Temos dificuldade em impor o nosso futebol quanto estamos a ganhar, mas também quando estamos a perder ou empatados.
  5. Não consigo ver ao fim-de-semana o fruto do que deve ser uma semana de trabalho; desta vez até temos um dez talentoso e não sei mais o quê e quem, mas jogar à bola é que ‘tá quieto!
  6. (Eu sei que o ponto 4 e o 5 são a mesma coisa, mas precisava de espaço para explanar a minha indignação frustrada com os espectáculos que nos têm sido oferecidos!)
  7. As outras equipas perderam muito do respeito que tinham por nós. Jogar com o Benfica é mesmo uma oportunidade para ganhar.
  8. Os árbitros portugueses são a maior nódoa e acumulam erro atrás de erro. E ontem nem fomos propriamente prejudicados, se calhar a Naval até teria algo a dizer nesse capítulo - pelo menos eu sei que teria, se tivesse sido ao contrário (lance do 2º golo).


Resumindo, não é sem algum desânimo que regresso para uma realidade de crise, desemprego e Sócrates, depois de embalado por aventuras de mochila às costas. Poderia, contudo, haver recantos acolhedores onde me ambientar, o velho clube de sempre, essa camisola encarnada que veste a minha paixão pelo futebol poderia bem sê-lo! Mas não! Nada disso... Nem Rui Costa, nem Quique, nem Suazo, nem mesmo o Aimar souberam botar a bola p’rá frente e tirar o Benfica desta apatia crónica que o envolveu e para a qual não consigo vislumbrar antídoto.

terça-feira, 3 de Março de 2009

A estranha forma das flores

Se ninguém avança, atiro-me eu: não sei o que pensar de Quique Flores. Tanto pode ser um homicida como um voluntário em missão de apoio aos mais carenciados. Não sei. É o ar dele que me confunde, são as suas opções que me desnorteiam. Se, por um lado, vejo nele um bípede capaz de ajudar uma velhinha a quem tenha caído a dentadura no passeio, por outro, e isto é que castiga, dói e faz comichão, há nele qualquer coisa de subversivo e de louco.

Vejamos: será possível conciliar numa mesma matéria de corpo e cérebro um discurso coerente e razoável com a opção, ao longo de uma certa fase do campeonato, de pôr o Binya a titular? Outra: conseguiremos nós, adeptos em busca de sinais tranquilizadores, acreditar num homem que evita meter o Amorim ao centro e, simultaneamente, quando é prejudicado, diz que não fala em arbitragens? Isto é real? Tem sentido? Propaga-se, é contagiante, faz morrer? É que eu não estou habituado a isto. Tudo o que não for um treinador a dizer mal dos árbitros, (desculpem lá, mas...) causa-me urticária aos neurónios. E, portanto, prefiro pensar que ele é mentiroso e falso a achar que estamos perante alguém capaz de, sem merdas, optar por falar em futebol.

E o problema está aqui: eu prefiro mas, como qualquer gajo que se preze, não consigo. Há em mim, como em qualquer gajo que se digne, a piolhosa tendência para a esperança. E eu tenho-a, confesso. Inequivocamente, vive em mim a vontade de crer nestas coisas estapafúrdias e surreais. E é então que, crendo no senhor Flores, crendo na sua indomável tendência para gostar de futebol, eu fico ainda mais descrente, porque se um treinador é capaz de passar ao lado dos discursos bacocos, das invejas mesquinhas e das atitudes desprezíveis e, mesmo assim, mete o Binya a titular, o Amorim a apanhar laranjas na direita do meio-campo, o Cardozo invariavelmente a ouvir anedotas porcas do Martins no banco e acha que o Balboa algum dia será capaz de ser jogador de futebol, eu só posso perder a fé e lançar-me de foguetão rumo ao ateísmo.

Para quando, Flores, a tua revelação? Decide-te, homem: ou falas apenas e só em futebol - o que, enfim, repito, é estranho mas estou disposto a aceitar bizarrias -, mas percebes de futebol ou então metes os jogadores certos nas posições certas e, de tempos a tempos, fazes figura de José Mota*. Se não puseres mais o Binya a titular, sou rapazinho capaz de aceitar de ti um "isto é uma vergonha, fomos escandalosamente roubados", um "temos de levantar a cabeça", ou até um belíssimo "existiram situações neste jogo que deviam ser investigadas".

Não aceito mais do que estas duas possibilidades. Tudo o que sair disto é provocação clara aos benfiquistas e aos outros todos. O mundo da Liga Sagres não está preparado para um homem da tua estirpe, isso é mais do que certo, mas ao Benfica interessa um treinador que, além de gostar de futebol, o saiba compreender. Sem mais floreados.
___________
* para quem não está familiarizado com o termo, e depois de uma investigação aprofundada a todos os dicionários e enciclopédias referentes ao fenómeno futebolístico:
"fazer figura de José Mota" - fazer cara de parvo e de chateado, sem razão aparente; labrego; armar-se em Mourinho com chapéu de trolha e talento de rolha; parolo; dizer mal do Benfica de qualquer forma; não dizer mal do Porto de qualquer jeito; fazer figura de otário.

segunda-feira, 2 de Março de 2009

No comments...

“O primeiro semestre do exercício de 2008/2009 apresentou um resultado consolidado negativo de 9,35 milhões de euros e um resultado operacional consolidado negativo próximo dos 7 milhões de euros, os quais representam em ambos os casos um decréscimo face ao período homólogo anterior”, refere o comunicado.

Esta evolução está “significativamente influenciada pela diminuição dos proveitos gerados com a alienação de direitos desportivos de atletas, pela não participação na edição da Liga dos Campeões da presente época e pelo investimento realizado no reforço do plantel principal”.

A SAD do Benfica salienta, no entanto, que “as receitas televisivas atingiram neste semestre um montante de 6,1 milhões de euros, o que representa um aumento superior a 2 milhões de euros face ao período homólogo anterior”.

“Esta variação devesse ao facto da rubrica ter sido positivamente influenciada pela não participação na Liga dos Campeões, dado que a Benfica SAD teve oportunidade de comercializar directamente os seus direitos de transmissão”, facto ao qual “acresce a criação da Benfica TV, que reforçou o poder negocial do Benfica no sector audiovisual”.

O passivo da Benfica SAD atingiu os 147 milhões de euros, aumento “justificado pelo reforço efectuado no plantel principal através da aquisição de direitos desportivos de atletas e pelo aumento da respectiva massa salarial, aliado ao facto das receitas operacionais terem decrescido pela ausência da Liga dos Campeões”.

“Por contrapartida do aumento do passivo, observa-se nos valores do activo um crescimento de 13 milhões de euros”, tendo os capitais próprios diminuído “para um montante de 13,7 milhões de euros, condicionados pelo resultado líquido negativo alcançado no presente semestre”.

sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Estatísticas II

GOLOS/ASSISTÊNCIAS - TOTAIS (MIN. JOGADOS - Nº DE JOGOS QUE OS MINUTOS REPRESENTAM)

Suazo
5/0 - 5 (1508 minutos - 17 jogos)

Cardozo
7/4 - 11 (1432 minutos - 16 jogos)

N. Gomes
7/4 - 11 (1252 minutos - 14 jogos)

Aimar
1/5 - 6 (1377 minutos - 15 jogos)

Reyes
4/6 - 10 (1800 minutos - 20 jogos)

C. Martins
1/7 - 8 (1328 minutos - 14 jogos)



Os números, já o admitimos, valem o que valem. Mas ainda valerão alguma coisa ou o que conta, em futebol, poderá estar inequivocamente à margem destes frios e distantes números que, afixados num qualquer quadro de parede de Quique Flores, pouco ou nada dizem ao espanhol?
Não podendo perguntar directamente ao Flores, deixo a caixa de comentários a quem queira dissertar sobre o que aqui é apresentado. Digam de vossa (in)justiça.

sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Crise económica, BPN, Freeport, casamento homossexual, eutanásia? Hã? Vem aí mais um derby, pah!...

Reformulo: vem aí o derby! Quem é que se vai lembrar de questões menores agora? Mais importante do que saber quem é que o PSD vai desenterrar para a presidência de Lisboa é saber se vai jogar o Suazo ou o Cardozo. E o Yebda, que foi poupado, vai jogar, não vai?
Desde que comecei a escrever este texto já devem ter sido despedidos mais uns cinquenta mil portugueses, as acções de uma grande construtora já desceram mais 40% e o número de casos de raiva em Angola já duplicou, mas o que é que isso interessa? Com que laterais irá jogar o Paulo Bento? Grimi, Abel, Pedro Silva, Miguel Veloso, Caneira… E o Patrício, será que a prótese já chegou? Joga ele, ou será que temos Tiago (dá-se bem contra o Benfica…).
Jorge Ribeiro e André Luiz? Maxi? Epah, difícil… Quantos Magalhães terá o Sócrates entregue desde que estou a escrever isto?
E o Di Maria? Afinal como é que é? Afinal também marca golos brilhantes quando o Maradona não está na bancada? Joga ou não? Há o cigano, que até gosta de jogos grandes, há o Ruben, que já devia ter ido para o meio há algum tempo… Então e outro puto de treze anos? Afinal é ou não é o pai da criança?
Na Austrália os incêndios não dão tréguas aos soldados da paz daquele país e na Venezuela confirma-se que haverá ditadura até o outro querer. Então mas e na frente, Paulo? Levezinho, Derlei, Vuck, Postiga… Quem? Que dupla, o que é que te passa por essa cabecinha tão bem ornamentada?!
Mas achas que os gajos deviam poder adoptar também? Mas já o fazem, ou não sabes que podes adoptar um puto sem seres casado? Não, naquele meio campo tem de haver Katso, Yebda e Aimar… Ou arriscas Ruben no meio? Ou Carlos Martins? Esse não, pois não Quique?
Fecharam mais 34 fábricas e o ministro japonês bebe gins. O outro fuma ganzas… Então mas é um puto como os outros, ou não? Ganhou umas quantas medalhas e tal, submeteu-se aos testes todos, estava limpo…. Qual é a espiga, Bob? Não, o Veloso não deve calçar… E o Yannick? Nem convocado, às tantas… O Moutinho sim, esse está em grande forma. Esse e o Russo dos tiques no pescoço, que às vezes dá ares de grande jogador de bola… Como é que ele se chama?
Seja como for, para bem da nação e independentemente de quanto é que os administradores do BPN receberam por fora, temos um derby este fim de semana! Quem quer que jogue, que seja um grande espectáculo, que dignifique o futebol português… Epah, mas quem sou eu? O Sócrates? OPaulo Portas? Que demagogia… Eu quero é que o Benfica ganhe, nem que seja com um penalty como o outro…

quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Estádio da Luz

É provável que ainda ninguém tenha percebido mas, dentro do Estádio da Luz, há outro: o Estádio da Luz. Coincide, com uma forma oval a que na escola primária dávamos o nome de conjunto, com este em metade e foge dele, para o Alto dos Moinhos, com outra metade. É um Estádio grande, enorme, tem 3 anéis, é duro, insistente, provocativo. Sempre que vou ver o Benfica lembro-me dele. E sinto saudades.
Das portas estreitas, dos corredores imensos, do barulho dentro dele, da sua imponência. Aquilo não era um estádio, era a Arca de Noé; não era um projecto de arquitectura moderna, era um templo antigo. Nele, gregos ensaiaram as primeiras noções de teatro, romanos construíram impérios, medievos lutaram de espada em riste por mais uma mão de território. Não se abria aos olhos do adepto de forma fácil, era preciso entendê-lo, percorrer-lhe as entranhas anos a fio, milénios a fio, ir de barco navegando pelos seus mares.
Para uma criança, era um Adamastor que adorávamos e temíamos. O que estaria do outro lado, passado o túnel de acesso? Um mar, um rio, ilhas e sereias, domadores de leões, artistas, raparigas de brinco de pérola? E que cores traria? Que imensidões, que coordenadas, que belezas anunciava? De mão dada com o meu Pai, de cachecol maior do que eu ao pescoço, timidamente avançava por entre o túnel, enquanto ouvia um borbulhar em êxtase, um som antigo de milhões de anos vociferar e que ninguém sabia ao certo como e de onde vinha.
Não se via o relvado, como agora. Era preciso, primeiro, beber-lhe o sangue. As bancadas eram muros para quem chegava. Antes da beleza, como uma obra de arte, vinha a incompreensão, a dificuldade em chegar perto. Depois, sim, ultrapassadas todas as barricadas, todas as intempéries, todas as gangrenas e escorbuto da navegação marítima, o sol, a luz, as indígenas semi-nuas dançando ao ritmo do batuque, da forma, da cor. Do maravilhamento.
Dentro do Estádio da Luz, há um Estádio. Lembro-me dele. E sinto saudades. Em todos os jogos, em todos os segundos, em todos os momentos em que vejo o Benfica, sentado confortavelmente num lugar sem chuva, sem gente a vender as coisas mais inacreditáveis para as necessidades de quem vê um jogo de futebol, sem pancadaria, sem homens de rádio ao ouvido, sem placards electrónicos sujos, enormes e frios, sem o sentimento de estar verdadeiramente em casa, lembro-me dele e tenho saudades.
Tenho saudades do Benfica.

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

O Debate Quinzenal

A tarde estava triste. Não chorava mas envolvia-nos com aquele bafo frio de nuvens densas, a que é costume chamar-se de "um dia de merda". As pessoas, no entanto, pareciam não estar preocupadas. Afinal, o dia era de Debate quinzenal! Logo muito cedo começaram a chegar à Praça de São Bento os costumeiros vendedores de cachecóis com as famosas imagens da Assembleia e as bandeiras a vermelho, com a cara do melhor jogador da casa: José Sócrates, exímio driblador de questões incómodas e maestro na arte de, no semi-círculo de discussão, falar mais no que as equipas adversárias não fizeram no passado do que debater os assuntos da sua própria equipa - um génio com a gravata ao colarinho.
Confesso que estava nervoso. Era a minha primeira experiência na "Casa da Democracia" e tinha sérias dúvidas sobre as prestações de António Pereira Coelho e de Ribeiro Cristóvão. Sobre o primeiro, a minha inquietação maior residia em saber se seria capaz de servir de tampão às transições económicas a que, muito provavelmente, estaria sujeito por parte da bancada adversária; já sobre o segundo, questionava-me se seria homem capaz de funcionar, em apoio, com profundidade na hora de assistir o nosso grande goleador. Para acabar com o nervosismo, eu e uns amigos, empolgados pela multidão eufórica e por uma sede indesmentível, estacionámos ao pé de uma barraca de cerveja e ali ficámos, em alegre cavaqueira, até perto do início da contenda. Estava um ambiente algo conturbado: viam-se, ao longe, os primeiros adeptos socialistas e, não fosse a imediata intervenção da autoridade, teríamos saído dali todos à batatada - continuo a dizer que as Juventudes em nada dignificam a Política, são bandos de delinquentes sempre em busca de motivos para a violência. É certo que apoiam, que gritam muito, que têm barba e que têm megafones, é certo também que, na arte da demagogia e ignorância mais suja e mais baixa, eles são peritos - afinal, estão bem instruídos desde muito novos, logo que entram nas faculdades. Por mim, deixava a política entregue aos adeptos, apenas e tão-somente aos adeptos apaixonados pelas causas; os que se sentam nas tribunas do Parlamento, não gritam e são civilizados.
Quando faltava meia-hora para o debate, acabámos a cerveja de um trago e dirigimo-nos para a entrada. Como tínhamos bilhete, estávamos tranquilos e não havia motivos para preocupações, certo? Errado. Hoje em dia, já não se pode ir à política sem que sejamos apalpados por todos os lados e olhados com descrença por energúmenos de coletes fluorescentes, como se fôssemos alguns criminosos que decidiram ir ver política, sem outro intuito que a violência gratuita. Senti-me indignado! Para além da normal apalpadela, ainda me retiraram dos bolsos um isqueiro que o PSD de Abrantes me tinha dado há mais de 10 anos, o mp3 que tinha uma música cubana sobre o "Comandante" e a fita no cabelo por revelar - nas palavras do energúmeno e cito - "razões suficientes para uma batalha campal, devido à cor alaranjada". Bom, lá entrei sem isqueiro, sem mp3 e com o cabelo desgrenhado, na esperança, porém, que o debate valesse a pena e pudesse esquecer mais uma atribulada entrada no semi-círculo do poder.
Chegados, o mesmo de sempre: alguém estava sentado na minha cadeira. Blá, blá, blá, "o seu lugar é na tribuna em cima do Luís Fazenda", "não é nada, é perto do Portas", "é sim, veja, A 22, lugar 18, tribuna bloquista". Lá saiu o barbudo, com cara de quem não comia, não dormia e não f... ingia há uns bons meses e eu, finalmente, pude encostar-me e esperar o espectáculo. Meus amigos, e que deprimente foi! Sócrates, na zona central, felizmente não fez um único passe a rasgar a bancada da direita; sempre em movimentos circulares, atirava para trás, grunhia para a frente, voltava a meter a bola no passado, chegava-se à entrada do semi-círculo direito mas logo recuava e voltava a empatar o jogo. Do lado da nossa equipa, um jogo de cintura assinalável; muita táctica, muito empolgamento, muito sorriso irónico, mas política... nem vê-la. Parecia que nenhuma das duas equipas queria ganhar. Absurdo!
O mais interessante da contenda foi observar como anda o "Sistema" por estes dias em Portugal. Meus amigos, a arbitragem foi escandalosa, do princípio ao fim! Jaime Gama, que já me estava atravessado desde aquela ida a um mercado, em que não beijou nenhuma das peixeiras, foi igual a si mesmo: gritante desigualdade de critérios, autoritário em demasia com os nossos e caseirinho como sempre. Há um lance no debate que não deixa dúvidas a ninguém: quando Pedro Santana Lopes se preparava para rematar contra a baliza de Manuel Pinho, atirando-lhe com um remate em "os portugueses não têm dinheiro para comer", aparece Pedro Silva Pereira, já na primeira bancada à entrada para o átrio, que ceifa o nosso líder parlamentar com um "não diga mentiras, pá!". Punições? Nada! Nem um "Ministro da Presidência, estamos na Assembleia da República", quanto mais um "Pedro Silva Pereira, faça o favor de abandonar o Parlamento e ir tomar banho mais cedo". Escandaloso! Mais tarde no debate, já perto do fim, outro lance em que Jaime Gama, arguido no processo "Apito socrático", mostrou toda a sua tendência para a equipa da casa: estava Alberto Martins a gastar tempo, tecendo loas infinitas ao goleador José Sócrates, quando do seu lado direito um seu companheiro de bancada se vira e diz: "muito bem, muito bem", aplaudindo, meus amigos, aplaudindo! O que fez Jaime Gama? Fingiu não ouvir nada e foi complacente: "faça o favor de terminar, deputado Alberto Martins". Se isto não é um roubo de Parlamento, então não sei o que é! Muito triste. Assim não vale a pena vir à política. Se é para isto que sofremos e gastamos dinheiro, quando podíamos ter ficado em casa, confortavelmente a ver o debate pela televisão, então não vale a pena.
Quando acabou o debate, ficámos algum tempo a olhar no vazio - com aquela cara anestesiada de quem acaba de ver um debate de merda e não ganhou - e à espera que os adeptos da casa saíssem. Para meu espanto vejo, no interior do semi-círculo, Sócrates e Santos Silva numa galhofeira pegada sacarem de um cigarro e começarem a fumar em pleno terreno de debate. Eu, que tinha ficado sem isqueiro e farto de andar a fumar ao frio, sempre que me decido a sair de casa e quero - veja-se a heresia - ir comer fora, questionei o segurança que, com um ar sábio e algo arrogante, me respondeu: "Devem ter fretado a Assembleia". E eu tudo bem.

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

8, 44 ou 80?

Segundo os nossos caríssimos leitores, o Benfica não está em primeiro porque o Quique "percebe tanto disto como o Homer de cerveja sem álcool" - escolha que passou pela meta em primeiro, embora logo atrás (a um voto de distância) viessem as usuais desculpas de mau pagador, "fomos escandalosamente roubados".

Esta escolha é curiosa e releva bem os pontos deixados em cima da mesa há uns tempos atrás. Lembro o texto de Novembro em que, baseado na feroz votação em apoio a Quique Flores, neste poiso se pedia alguma paciência e disponibilidade para aceitar algum insucesso que chegasse no decorrer da época. Desde então ficámos sem Taça de Portugal e sem UEFA, continuamos na Taça da Liga e, no campeonato, perseguimos o Porto por um ponto e mantemos intactas as hipóteses de sermos campeões.

Olhando para a realidade actual, parece-me que a votação se baseia, mais do que na desilusão de vermos duas competições fugirem-nos, na bipolaridade, esquizofrenia e, muitas vezes, numa acentuada teimosia que Quique Flores demonstra ter nas opções que faz. O espanhol não parece querer abdicar da sua busca incessante por rotinar o 442 (que é, na prática, um 424), não vendo (ou não querendo ver) que, seguindo esse caminho, estará sempre mais perto do insucesso. Por altura desse texto, Quique emendou a mão e procurou dar solidez ao sistema, tornando-o num não-sistema. Quando se coloca Amorim à direita, dificilmente poderemos chamar aquilo de 442 clássico pelo simples facto de que aquilo não é um 442 clássico. Esta opção, elogiada por todos nós e, antes, pedida à exaustão por todos nós, deu frutos e tornou a equipa mais sólida, menos permissiva às ofensivas adversárias mas, e aqui está tudo na mesma, muito pouco capaz de desequilibrar nas áreas contrárias. Quando as duas únicas soluções do Benfica são o passe longo do Luisão para os avançados ou o passe para o Reyes e ele que se desemerde, constatamos facilmente que ao Benfica, muito mais do que um treinador, bons jogadores ou árbitros competentes, falta uma ideia. Ela simplesmente não existe, não se vêem jogadas recorrentes, movimentações repetidas, espaços procurados, triangulações ensaiadas, rotinas, dinâmicas - aquilo a que, nos anos 90, o Toni chamava de "automatismos". Não há automatismos nesta equipa, Toni. Em 9-1, 8-1-1, 7-2-1, 1-9, 1-1-8, 1-2-7 ou 442 clássico, é preciso ter automatismos.

Não é, no entanto, impossível que eles apareçam. Não sei se esta época, que está mais direccionada para um contínuo sofrimento e necessidade de títulos, mas nas próximas. Esquecendo por uns segundos a questão da importância ou não de sermos campeões, é importante, a meu ver, que não esqueçamos o passado recente e que não entremos (como a votação perigosamente parece anunciar) mais uma vez na espiral louca da mudança de treinador. Dar ao espanhol o benefício da dúvida e esperar pelo final da época parecem-me opções bastante mais razoáveis do que, de repente, pormos tudo em causa e, então aí sim, definitivamente perdermos a hipótese (que é muito real) de renovarmos o título de 2005.

No texto de Novembro pedia que o 80 não se tornasse em 8. Ainda não se tornou. Mas temo que.

sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Ontem li-te na Futebolista

Há quem nasça com o cu virado para a lua e quem nasça sujeito aos delírios laboriosos de sol a sol. Na blogosfera, não é diferente. Enquanto uns trabalham de forma séria, responsável, com qualidade, outros passeiam-se pelos textos, quais vagabundos, como cães vadios em busca das traseiras de um restaurante italiano.
É por isso que, quando a fama chega, chega só para alguns. Destaque-se uma Tertúlia Benfiquista - cujos membros discutem e bem o benfiquismo em directo e a cores na Benfica TV -, um Mágico SLB - que, além de ter sido considerado o "blogue da semana" no Jornal do Benfica, não raras vezes vê o seu nome escarrapachado no Jornal de Notícias -, uma Ilíada Benfiquista, um Eterno Benfica, eu sei lá mais quantos, todos bons e todos verdadeiros corredores de fundo. Autênticas máquinas de gerar comentários.
No nosso caso, a fama terá de ser sempre relativizada. Um comentário aqui, outro ali, e vemo-nos logo lançados no limite máximo a que este blogue aspirou (se aspirou a alguma coisa). Repare-se na forma espartana como a casa está construída, fracos acabamentos, materiais duvidosos, peças soltas, fios em perigo de matar alguém, torneiras que não fecham e, pior do que isto tudo, uma voz que fala muito pausada e intermitentemente. Este blogue não luta pelo título, é bem verdade, nem sei se luta pela Europa, mas é honesto, ah isso é, e, caso lhe chamem nomes, é até bem capaz de dizer "apre" e ficar chateado durante uns 2 minutos. Depois passa-lhe, porque não está para chatices.
Isto tudo vem a propósito de quê? Vem na sequência de termos lido a entrevista dada à Futebolista pelo companheiro Ricardo Cunha, do Catenaccio (já agora, mais um daqueles que merece todos os elogios possíveis), que, entre explicações justas e inteligentes sobre o blogue e sobre futebol, decidiu enlouquecer metendo-nos na sua lista diária de escolhas bloguísticas. Ora, agradecendo a referência, aconselhamos o companheiro Ricardo a procurar um terapeuta porque algo pode estar a falhar nos critérios decisórios do companheiro. Não merecemos tão grandes elogios e honras. Mas, como cães danados por um ravioli, aceitamo-los com um sorriso nos lábios.

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Não digam que eu não avisei...

Assunto importante:

http://www.futebolfinance.com/novas-regras-para-transferencias-e-salarios-de-jogadores

Para quem não conseguir abrir a notícia, ou não estiver com paciência, destaco uma parte:
"De acordo com um alto responsável da UEFA, a proposta dos maiores clubes Europeus sugere que apenas seja permitido aos clubes gastar 51% das suas receitas na aquisição de novos jogadores e nos seus salários."

Agora, o que eu escrevi aqui, no dia 13 de Janeiro:

"A Deloitte fez um brilhante relatório que apresentou a solução para o futebol português, mas poucos lhe ligaram, porque entre outras coisas obrigava a uma drástica diminuição dos custos com pessoal, o que obrigaria por sua vez a apostar no formação e em jovens baratos, em vez de se poder fazer aquelas magníficas comprinhas de 3 milhões de euros em que rodam comissões para todos. Há um rácio que atrofia(va) quase todos os clubes portugueses que é custos com pessoal/proveitos totais, um rácio que tinha de se encurtar drasticamente para desafogar as finanças dos nossos clubes. O que é que se fez em 2008/2009 quando sabíamos de antemão que ia haver uma diminuição nas receitas correntes (devido à ausência da Champions)? Aumentou-se os custos com pessoal."

Andam a brincar, em breve o Benfica vai pagar e bem...

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Os animais que nós somos OU Fora o árbitro, caralho!

Devia ter uns 7 anos quando me apercebi pela primeira vez de que os homens de preto que entravam no relvado não eram homens, mas animais. Seres repugnantes que serviam, quais touros em arenas, para o grande momento da tarde no Estádio: o assobio uníssono de 120.000 gargantas. Neste particular, destaco a excelente capacidade de alguns colegas de bancada para o som estridente, conseguido através de uma estrutura perfeita de dedos na goela, procurando, tacteando, entre o céu da boca e a língua o ângulo perfeito para o grito ensurdecedor que inundava o animal de apito de vergonha e os meus tímpanos de zumbidos até ao intervalo. Com o Sol sobre a minha cabeça, espantava-me aquela demonstração de ferocidade e dramatismo, em oposição à festa e pornografia de cachecóis, bandeiras, luzes e rolos de papel higiénico sempre que onze deuses entravam de manto vermelho sagrado vestido. Era como se assistisse, primeiro, à entrada do Touro e, depois, ao despontar pela arena de 11 toureiros, sedentos de tornear, humilhar e, finalmente, deixar cair no chão, de rastos, o animal que vinha de preto para o Estádio. Com o apito ao pescoço, o touro fazia a sua presença tilintar por todo o relvado, como se fosse uma vaca pelos campos abertos da Andaluzia. E eu, olhando o meu pai gritar obscenidades que me proibia em casa, imitava-lhe as palavras, naquilo que me parecia ser a única forma de tratar um animal como aquele (afinal, se o touro vinha à Luz, era com toda a certeza para nos fazer mal e nos dar uma cornada nas partes baixas do benfiquismo heróico!).
Com o tempo, fui desenvolvendo no aficionado que sou a herética ideia de que o touro, apesar de mauzão, era bem capaz de não ser o máximo culpado pela má preparação e técnica dos toureiros encarnados e, assim, afastando-me inequivocamente da grande maralha que me rodeava, cheguei a chatear-me com um outro aficionado quando, tendo o touro assinalado uma perfeita e justa marca na areia com as patas (contra a vontade dos nossos toureiros!), o benfiquista desatou aos gritinhos histéricos, querendo a morte do animal, sem julgamento nem direito a advogado, acusando a mãe do miura de todas as patifarias, putarias e pornografias jamais vistas nas lezírias do sul da Ibéria. Não era justo!, gritei, deixem o animal em paz!, pedi, e, vendo que o animal que podia ficar morto na arena era eu, decidi-me por defender o touro em silêncio, não fosse o meu benfiquismo jorrar-se-me directamente do pescoço e acabar ali a minha performance de aficionado.

quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Estatísticas

Alguns dados que tenho vindo a apontar sobre alguns jogadores do meio-campo e ataque do Benfica:

GOLOS/ASSISTÊNCIAS - TOTAIS (MIN. JOGADOS)

Suazo
5/0 - 5 (1262)

Cardozo
5/2 - 7 (1024)

N. Gomes
6/4 - 10 (1051)

Aimar
0/5 - 5 (770)

Reyes
3/4 - 7 (1357)

C. Martins
1/7 - 8 (1020)


É curioso verificar que os menos utilizados (Cardozo, Nuno Gomes e Carlos Martins), para além de Aimar, têm números iguais ou superiores a Suazo e reyes. Nuno Gomes, então, é um caso de estudo. Com 6 golos marcados e 4 assistências - e tendo em conta que, além de menos minutos, tem sido quase sempre suplente utilizado (ou seja, mais difícil é de entrar no jogo) - é o mais produtivo jogador do meio-campo para a frente, se olharmos friamente para a totalidade dos números (10). Suazo, com muitos minutos, apenas 5 golos e nenhuma assistência, não deixa de constituir, ainda que muito útil à equipa, uma semi-desilusão.
Uma referência especial para o C. Martins que, tendo jogado menos que outros, já fez 7 assistências.

Os números não explicam tudo, como é evidente, mas podem ser sinais a estudar por Quique Flores.

Ontem os Deuses viram-se no Estádio da Luz

terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Finanças

Qual é o assunto que mais me preocupa no Benfica actual, perguntam vocês (ou pergunto eu, para o caso não interessa)?
- Será o facto de devido ao último jogo e à nojenta campanha feita pela imprensa eu saber que o Benfica vai passar o resto do ano a ser roubado?
- Será o facto de eu ver que a equipa em vez de evoluir vai regredindo e que em Janeiro joga um futebol que nem como adepto da Académica me agradaria?
- Será o facto de actualmente ir à Luz ver bola dar-me o mesmo prazer que ir ao dentista?
- Será o facto de eu reconhecer que é pouco provável ganhar o euromilhões esta semana (desculpem, esta não tem nada a ver com o Benfica, mas pode servir de introdução ao tema do post)?

Não, nenhuma das anteriores. O que mais me preocupa no Benfica é a ruinosa operação financeira aprovada ontem na AG dos accionistas. Vamos voltar atrás até Agosto de 2008:
Era o final dum lindo Verão e a nação benfiquista estava a ter orgasmos múltiplos. O Deus Rui finalmente mandava no nosso futebol, tinha contratado o Mourinho espanhol e o melhor preparador físico de todos os tempos, e era ver as vedetas a chegar de jacto a privado, desde Aimar a Balboa (não resisti à piadola fácil de considerar o estafeta uma vedeta), passando por Yebda e Suazo, estava-se a construir uma máquina de futebol e tudo o resto que se lixasse. Eu, por defeito de profissão pensava para mim: “Ora a economia mundial está em recessão, o futebol também, não temos Chamipons, não vendemos ninguém de jeito, será que há dinheiro para isto?”. Timidamente escrevia isto em alguns blogs, quase me batiam, chamavam-me de estúpido, infiltrado ou Jaco, diziam que “o Rui é que sabe”, quem era eu para duvidar da gestão financeira imaculada do Benfica. Mantive a minha e disse que antes do fim da época ou teríamos vendas extraordinárias ou não teríamos dinheiro. Alguns continuaram a rir a tentar perceber quem era a próxima estrela que aterrava em Tires, eu tentei esquecer convicto que podia estar a ser pessimista e que o futebol de luxo ia compensar esta despesa parva.
Nada disto aconteceu. O futebol é o que se sabe (nem vou analisar agora essa parte), e sendo assim chegados a Dezembro o que aconteceu: marca-se uma AG e endivida-se o clube em 40 milhões, pagável em 5 anos (quem vier que feche a porta, sff). Ainda apareceram alguns acéfalos a argumentar “epá isso é para uma bomba tipo museu ou Messi, o clube continua bem, ou então é mais uma genial jogada financeira renegociando os prazos do nosso passivo conseguindo taxas mais baixas, ou vamos rasgar o contrato com a Olivedesportos”. Pois. Era bom, não era? Mas aí valhe-se a clareza da informação, foi dito logo que 12 milhões era para gestão corrente, basicamente é o mesmo que vocês terem um empréstimo de 100.000 para pagar uma casa ao banco e passados uns anos em vez de terem amortizado a coisa irem pedir um novo empréstimo de 150.000, sendo que 50.000 são para novas despesas que vocês criaram entretanto e não conseguiram pagar.

Não é preciso ser um génio para perceber o que está a acontecer. Esta Direcção pode sair em breve e quer sair em grande, um pouco como aqueles políticos que constroem tudo no último ano de mandato e depois deixam a Câmara endividada até aos colhões para o seu sucessor. A Deloitte fez um brilhante relatório que apresentou a solução para o futebol português, mas poucos lhe ligaram, porque entre outras coisas obrigava a uma drástica diminuição dos custos com pessoal, o que obrigaria por sua vez a apostar no formação e em jovens baratos, em vez de se poder fazer aquelas magníficas comprinhas de 3 milhões de euros em que rodam comissões para todos. Há um rácio que atrofia(va) quase todos os clubes portugueses que é custos com pessoal/proveitos totais, um rácio que tinha de se encurtar drasticamente para desafogar as finanças dos nossos clubes. O que é que se fez em 2008/2009 quando sabíamos de antemão que ia haver uma diminuição nas receitas correntes (devido à ausência da Champions)? Aumentou-se os custos com pessoal. Quais as soluções? Enganar alguém com o Di Maria (até essa sorte tivemos mas não aproveitámos), ou endividar mais, já que o nosso plantel tem poucos jogadores que rendam milhões, a maior parte dos reforços já desta época estão desvalorizados.
Na minha opinião ontem foi o primeiro prego no nosso caixão, até porque ninguém explicou (nem vão explicar) quais as garantias que o Benfica deu para esta operação. Desconfio que mais receitas futuras poderão estar hipotecadas (já não seriam as primeiras), o que juntando ao facto de não podermos negociar transmissões durante alguns anos leva a que eu até tenha medo de ver as nossas contas se e quando mudarmos de Direcção.

Tenho dito.

sábado, 10 de Janeiro de 2009

Mais que um Clube

Eu gosto tanto do Benfica que se fosse gostar de um outro clube estrangeiro qualquer acho que rebentava pelas costuras as costuras do coração. Transbordava-se-lhe sangue pelas vísceras. Não é imaginável que, algum dia, num demente dia, eu possa afirmar, como vejo por aí, que, em Portugal, sou do Benfica, em Espanha, do Barcelona, em Itália, do Milan, em Inglaterra, do Liverpool, no Brasil, do Flamengo e na Letónia, do Skonto Riga. Para ser desses, ia ser menos do Benfica, e isso, claro, não está nos planos de ninguém, muito menos nos meus, que acho sempre que gosto mais do Benfica do que todos os outros benfiquistas, ainda que saiba, ou imagine, que o amor pelo Benfica é transversal a uns 4000 milhões de outros bípedes.
Dito isto, dizer que gosto do Barcelona. Não é um amor, não é uma paixão, é um fraquinho. Não ando por aí a dizer que, em Espanha, o meu clube é o Barcelona, porque, em Espanha, em França ou na Nova Zelândia, o meu clube é o Benfica, vírgula e, agora, ponto final. Mas há algo no Barcelona que eu reconheço como Benfica ou qualquer coisa no Benfica que eu identifico no Barcelona, não sei reconhecer qual das duas a mais correcta, provavelmente nenhuma. Sempre que oiço o hino tocado e cantado no Nou Camp, parece que imagino o Estádio da Luz antigo nas décadas de 60 e 70, sinto que é a mesma coisa, sendo uma coisa diferente. No fundo, assistir aos jogos do Barcelona e ver o público catalão é como se fosse a minha única oportunidade de cheirar as bancadas da Luz, quando entravam Eusébio e a companhia vermelha toda por aquele relvado preto, branco e cinzento, que é como eu vejo as imagens desses tempos, ainda que saiba, ou imagine, que, na realidade, o relvado era verde e as pessoas não estavam todas como se fossem figurantes de um filme de Chaplin. Anacronica e esquizofrenicamente, amo o Benfica antigo no Barcelona contemporâneo, acho que é isto, e talvez pudesse seguir esta comparação, para alguns absurda, por mais umas linhas, mas acho que já está tudo dito, ou quase.
Veio-me esta ideia à cabeça enquanto via imagens de um Messi a destroçar um Atlético de Madrid no Calderón e, no fim, coisa tão linda, o público colchonero, de pé, a aplaudir o argentino. São coisas que comovem, não dá para explicar além disto. E a ideia que chegou logo a seguir, de mãos dadas com a comoção das imagens, de que, no Barcelona, há uma fonte inesgotável de talento para recuperar continuamente aquilo que o clube é e faz por ser: um clube de triunfos. Ao longo dos anos vimos assistindo a grandes equipas barcelonistas sucedidas por desaires que parecem levar o clube para o mais fundo dos buracos fundos mas, logo a seguir, há qualquer coisa, uma força, um momento, uma mística?, que os faz levantarem-se do chão, arranjar a camisola, sacudir os bocados de relva dos calções e continuar a correr. Sempre para as vitórias.
O que eu gostava, gostava mesmo, era de poder reconhecer o Benfica antigo quando estivesse num estádio cheio a ouvir o hino dessa equipa e reconhecesse nessa equipa a equipa e o clube que eu amo e que revejo no Camp Nou. Eu gostava que, um dia, essa equipa anacrónica deixasse de ser anacrónica. Eu gostava, gostava mesmo, de rever o Benfica no Benfica.

sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Miguel Góis

«SOB PRESSÃO

Ontem, sentei-me à frente da televisão, algo contrariado por estar prestes a assistir ao V. Guimarães-Benfica e não a um treino no Seixal, que é onde o Quique diz que a equipa joga bom futebol. À partida, o esquema defensivo dos vimaranenses era simples. Suazo era vigiado por Gregory, Di María marcado por Andrezinho, e Aimar manietado pela pubalgia. Escusado será dizer que o púbis do número 10 encarnado foi eleito, no final da partida, como o melhor defesa dos minhotos, ainda que a espaços tenha permitido ao argentino um ou outro pormenor genial.

A grande novidade no onze acabou por ser a inclusão de Balboa, um jogador – ninguém me tira esta da cabeça - cujo rendimento aumentaria exponencialmente se entrasse em campo vivo. Penso até que seria pertinente, já que o jogador tem apelido de boxeur, dar-lhe a cheirar antes de entrar em campo aquela substância que os treinadores de boxe aproximam das narinas dos lutadores quando os querem espicaçar. Mas, em vez de um frasquinho, teria que se recorrer a um jerrican, porque o estado de espírito de Balboa é aquele que um monge budista deseja alcançar quando entra para um convento.

Por fim, eis que chegou aquela que ao longo da época (excepção feita às partidas com o Sporting e o Nápoles na Luz) tem sido invariavelmente a melhor parte dos jogos do Benfica: a conferência de imprensa de Quique Flores. Há umas semanas, ouvi pela primeira vez na minha vida um jornalista da TSF a dizer que iam prolongar um pouco mais a transmissão respeitante ao Benfica-Nacional uma vez que a conferência de imprensa de Quique estava a ser “espectacular”. De uma maneira ou de outra, acaba por haver espectáculo na Luz, isso é que é importante.»

Record

terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Obrigado, Sá Pinto!

É só para dizer que isto não é bom. É melhor.

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

É só um cheirinho

Esta coisa de passar duas semanas sem ver o Benfica a jogar não deve ser lá muito saudável para a saúde, sabendo, no entanto, que o contrário - o que quer dizer: ver o Benfica a jogar - também é altamente repudiado por qualquer médico de reputação minimamente razoável. Há um comprimido que ajuda a passar a dor: estamos em primeiro no campeonato. Outro (mais forte): não estávamos em primeiro há 15 anos. Tudo isto deveria fazer de mim um doente feliz, com direito a visitas dos palhaços e cantorias mais ou menos esquisitas cantadas por pessoas mais ou menos esquisitas com manias de voluntariados e sorrisos colgates a cada virar de esquina. Não é, porém, o que se passa neste quarto de hospital. Há algo em mim que não consegue ser feliz - o que até não seria novidade, se abordássemos o tema do ponto de vista filosófico e metafísico mas não é bem por aí que esta conversa quer ir; não consigo ser feliz porque tenho medo do vazio, esse buraco insondável onde cabem Janeiro, Fevereiro, Março, Abril e Maio e uma intuição qualquer de treinador de bancada de rua que pensa que vai continuar a ver no relvado um Binya ou um Balboa, um Quique a procurar, contra tudo, todos e a própria realidade, um entendimento possível por parte dos seus jogadores sobre aquela espécie de táctica em que insiste e insiste e insiste ininterrupta e estupidamente como se não houvessem no mundo outras formas de mandar os homens estarem em campo. O gajo, quando andava na escola de futebol, a tirar cursos nível 1, alínea 3, ponto 4, versículo 6º do 9º salmo do novo testamento, deve ter passado os dias a atirar papelinhos com cuspo para o tecto. A única vez em que se dignou a ouvir alguém naquela escola foi uma vez em que um tipo qualquer falava em duas linhas de 4, desconcertante conversa que o interessou, tendo em conta que se falava que o tipo que abordava o tema costumava ser um gajo sério e não ratava muito. Os ouvidos do Flores ouviram e o cérebro pensou: "duas linhas de 4? A este preço, não nego!". E foi assim que, querendo comprar droga, o espanhol acabou a ouvir a única dissertação táctica de todo o curso. Aquilo ficou-lhe na cabeça de tal forma que ainda hoje julga que o 442 é a única maneira de jogar futebol. O meu avô é que me costumava dizer: "larga a droga, filho". Como eu não era seu filho, decidia não acatar o conselho. Pelos vistos, o Quique também não.

segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

100%

Pois é, este blog foi criado em 2008, e pela primeira vez em 15 anos o Benfica vai passar o Natal à frente. Acreditam em coincidências? Eu não.

Feliz Natal a toda a família benfiquista (e que logo tenhamos a prenda que todos desejamos e merecemos) e como primo pelo fair play, os votos são extensíveis a todos os loosers que vêm atrás de nós, mesmo aqueles que mostraram o seu espírito natalício ao agredir o desgraçado do motorista que por azar conduzia o namorado da Inês Simões.

quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Opção (muito) discutível

Gostava de dizer, ANTES DO JOGO, que não concordo minimamente com esta opção de Quique em deixar os melhores jogadores de fora e dar tempo e oportunidades a outros. Por várias razões:

- o Benfica ainda tem uma hipótese de passar à fase seguinte. É certo que muito remota mas real. Isto, só por si, devia ser razão suficiente para que entrassem em campo os melhores. A ideia de que desistimos de um objectivo (mesmo que ele seja praticamente impossível) antes de esse mesmo objectivo ser impossível, causa-me apreensão. O Benfica não pensa em impossíveis. Muito menos quando eles não são, apesar de tudo, impossíveis.

- Depois da eliminação na Taça de Portugal, seria importante uma vitória. Se possível, da forma mais clara que conseguíssemos. Ora, não é a meter as reservas que temos mais probabilidades de conquistar essa vitória. É fundamental evitar empates ou mesmo derrotas. Neste sentido, acho que é arriscar demasiadamente num plano que, se não der certo, deixará todos (jogadores, adeptos, dirigentes) ansiosos e pouco libertos para o jogo que tem de ser para ganhar frente ao Nacional.

- Se é para aproveitar este jogo para testar soluções (tanto na observação de alguns jogadores como na mudança de modelo de jogo), não se pode mudar mais de meia equipa. Ninguém testa nada mudando 6 ou 7 jogadores, isso está mais que visto em futebol. No máximo 3, um em cada posição, para ver como reagem os jogadores à equipa e não o contrário. Num ambiente colectivo mais forte, é mais fácil um jogador conseguir singrar e mostrar valor. Num ambiente em que se mudam, como dizem os jornais, Binya por Maxi, M. Victor por Sidnei, Bastos por Katsouranis, Balboa por Amorim, Urreta por Reyes, Gomes por Aimar e Cardozo por Suazo, para além de não se conseguir perceber onde a equipa melhora (se melhorar) corre-se o risco de ver em campo uma equipa desligada e de queimar, aos olhos dos adeptos, jogadores que, num ambiente mais favorável (com menos mexidas na estrutura-base da equipa), poderiam ser reais mais-valias.

Por mim, era meter a carne toda no assador e ir em busca dos 8 golos. Nem mais nem menos. E, se fosse para poupar jogadores, poupava os 3 mais utilizados. Não é razão falar-se na poupança de mais de metade da equipa quando o nosso jogo é só na Segunda-Feira. O Porto não jogou ontem? Não joga no Domingo? Os jogadores não são profissionais de futebol? Não ganham o que nós nunca ganharemos e não sabem que têm de jogar, por vezes, 2 e 3 vezes por semana? Essa conversa da poupança já chateia. Acho que até tem um efeito mais negativo que positivo metermos os titulares a descansar. Para além de terem perdido a eliminatória para a Taça, perdem ritmo de jogo e fome de vitória para esquecer o último resultado. Hoje seria o cenário perfeito para acabar com essa fome e preparar, com dinâmica de vitória, o jogo contra o Nacional.

Por tudo isto, discordo totalmente da opção de Quique.

Se já era quase impossível darmos 8, com a equipa que está escalada para jogar hoje, pergunto-me se conseguiremos sequer ganhar. E isso é arriscar em demasia.

segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Não, afinal quero ser jogador de futebol...

Na senda do magnifico texto anterior, resolvi também recuperar um texto meu, mais ou menos da altura em que o Ricardo escreveu o dele. Aliás, chegamos a comentar a coincidência de termos escrito sobre quase a mesma matéria praticamente em simultâneo...
Ctrl V
Decididamente devia ter sido jogador da bola. Porque é que não fui bafejado por um talento fenomenal e descoberto por um olheiro de um clube grande quando esbanjava magia nos improvisados campos do Largo da Feira? Dias inteiros ao sol e à chuva, na lama ou no pó, por entre calhaus e estendedouros de roupa, com bolas mais ou menos boas, normalmente más. Com amigos com idades compreendidas entre os 5 e os 12 anos, gordos, magros, com fome, asseados e menos limpos, ciganos e de outras etnias, para quê???
Mais tarde no campo do Matuzarense, eu de barquinho ao peito, electricista de coração, chegava na Casal de 4 e treinava no pó ou na lama, com amigos da mesma idade e alguns com habilidade para a coisa… Jogos no fim de semana, flatulências nauseabundas nas carrinhas e passear gloriosamente pelo distrito. E nem aí fui descoberto! Porque é que não abri o livro, como se diz na gíria, num jogo em que havia alguém importante a ver? Chamavam-me e diziam: “Vens para tal sítio assim assim, pagamos-te um balúrdio e tu só tens que jogar à bola todos os dias…”
Jogar à bola todos os dias e ter uma conta bancária volumosa… Que mais se pode querer?
Quando era pequeno e assistia a jogos do Benfica e quando corriam mal, uma das formas que tinha de me confortar era pensar para mim: “Não há problema, quando eu for grande, vou jogar para lá e ganhamos sempre…” Era com a maior das naturalidades que acreditava nisto. Porém cedo o sonho se foi desvanecendo e a percepção das minhas qualidades futebolísticas limitadas ajudou. Ok, não há problema, sou bom na escola, hei-de arranjar aí um curso que me pareça bom e ter uma profissão... Bom, agora que tenho o curso e a profissão, jogo à bola de vez em quando e não tenho uma conta bancária volumosa. Pois é…
Um dia destes estava num bar aqui em Vilamoura e vejo chegar um carro fenomenal: um Maserati não sei quantos com matrícula italiana… Quem é que salta lá de dentro enfiado numas calças coiso e tal, numa camisa xpto e com um relógio reluzente, portanto caro? O bronzeado Rui Costa, esse mago da bola, esse poeta dos relvados, para não lhe chamar maestro que isso toda a gente chama.
Ora eu, que não tive a fortuna de ser jogador da bola ali estava, a beber o meu cafezito, depois de um dia de trabalho num contentor de uma obra, a olhar preocupado para o galgar dos minutos, subtraindo mentalmente cada um que passava ao número de horas que me restava de sono. E o Rui Costa feliz, de férias, sendo que as férias dele, basicamente, são não jogar à bola por um período.
Foi depois disto e de ter cumprimentado o simpático e acessível artista que pensei: “Não, afinal quero ser jogador da bola… Ah, não, já não dá… Ok, amanhã às nove na obra!”
(Quem quiser falar sobre a taça de Portugal esteja à vontade... Que não pareça isto uma fugida com o rabo à seringa , what ever that means..)

quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Fim de carreira

Provavelmente nunca contei isto a ninguém, mas eu já ganhei por 5 vezes a Champions League. Mentira: a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Perdi duas finais também, mas isso deveu-se ao acumular na barriga de pães com tulicreme e manteiga, levando-me a falhar os penalties decisivos por clara dor de estômago e desconcentração na hora de apontar por duas vezes (e em dias consecutivos!) os lances capitais do jogo. A bola não quis dar-me a alegria das 6ª e 7ª taças por capricho: na primeira, saiu alta demais, esvoaçando por cima do muro, indo rebolar pela barreira abaixo, apenas parando lá no fundinho, onde o Zé Careira vivia com os dez cães; na segunda vez, eu estava avisado, e decidi – no penalty que decidia tudo – bater a bola a meia altura, com efeito para o lado esquerdo, para que ela não subisse – saiu perfeita, longe do alcance do guarda-redes, mas, infelizmente, vi-a esbarrar-se no vaso com orquídeas. “ao poste!”, gritou o guardião, e eu fiquei na zona de penalty marcado com uma bola branca de cal no chão a olhar o prédio em frente: estava perdida a segunda final da minha vida.
Apesar da desilusão por ter perdido em dias seguidos duas finais dos Campeões Europeus, sabia que o meu trajecto como jogador estava, ainda assim, muito acima do que era esperado. Tinha vencido por 5 vezes o troféu mais ansiado por todos, tinha sido considerado o melhor jogador de todas as 7 finais que havia disputado. Estava na hora de arrumar as botas.
Nesse dia em que a sorte não quis nada comigo, enquanto das varandas dos prédios as pessoas me aplaudiam de pé, enquanto o cão vinha pedir uma festa e consolar-me, no meio do pátio, em cima da linha de meio-campo, eu agradecia aquele apoio incansável ao longo de duas longas semanas àquele público fantástico, agradecia especialmente à senhora que bebia suminhos de laranja na varanda do topo sul, agradecia o apoio incansável daquela empregada que esticava a roupa na varanda da Central e, emocionado, abandonava o campo com o sentido de dever cumprido.
Abandonava o futebol já veterano. Sentia que a minha altura tinha chegado. Os meus 12 anos não me permitiam manter o nível exibicional que até ali tinha deliciado a plateia. Saía triste por abandonar o futebol, mas feliz por tudo o que o futebol me tinha dado. Tive propostas para jogar em campeonatos menores, como o campeonato semanal em Vale de Rãs e o 24 horas no pavilhão do Pego, mas achei, na altura, que o pão com chouriço e o sumol de laranja com que me acenavam para prolongar a minha carreira eram insuficientes. Apesar de tentadores, não os achei suficientes para que a bola continuasse a rodar sob os meus pés. Além disso a família pedia-me encarecidamente que voltasse. Que voltasse a casa. E eu acedi. O jantar já estava frio.

[Este texto já tinha sido postado no meu outro blogue, Um Homem Não Chora, mas achei que fazia sentido recuperá-lo para um lugar mais futebolístico. Qualquer queixa que queiram fazer, façam o favor de se dirigirem ao Paquete de Oliveira deste blogue, que não existe mas que, ainda assim, receberá com agrado e dedicação as vossas palavras.]

terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Talvez porque foi fácil...

Ganhamos este fim-de-semana! É curioso, estive sem acesso à net durante o fim-de-semana e pensei: “A malta lá do blogue de certeza que vai escrever sobre esta retumbante vitória, devem estar excitados com isto…” Chego aqui… E nada!
(Mais tarde veio o post do Americano, mas que não se refere à vitória de Domingo…)
É estranho como reagimos com tanta naturalidade a uma vitória por seis a zero. Eu falo por mim… Pelo contrário, cada vez que os gregos marcavam mais um no outro dia, era uma faca que me espetavam no peito. A dor crescia a cada golo e quando o jogo acabou fiquei numa tristeza profunda, pelo menos durante umas horas. Mas agora, cada vez que dávamos mais uma ao Marítimo, não regozijava proporcionalmente à tristeza que acumulava, quando encaixava mais uma dos gregos… Visto do lado do goleador, pareceu-me tudo muito normal. E pensava calmamente: “o futebol é assim e tal, os gajos também tiveram azar e a gente sorte, na volta ainda levam outro…”
Será que reajo assim por ser benfiquista? E porque, mesmo que nos últimos anos não tenha tido muitos motivos para celebrar, exista uma qualquer áurea de vitória, associada a este estádio evolutivo, que me leve a interpretar com naturalidade uma vitória por 6-0? Não, deve ser porque gosto de coisas difíceis…

Líder

Não podia deixar o nosso blog passar em claro a primeira liderança desde que existimos. Aliás acredito que a partir de hoje, e em homenagem ao "Ontem vi-te no Estádio da Luz", o Benfica não mais sairá desta posição, se for o caso encontramo-nos todos no Marquês, ou na Catedral, ou em ambos...

sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

A frio...

Com tudo o que se tem passado nos últimos dias, com tudo o que se tem dito, queria deixar bem claro que, na minha opinião, o Benfica só tem um caminho a seguir: Continuar! E nisso em tudo subscrevo e faço coro com o que disseram os meus caros colegas de blogue. São, de facto, gajos formidavelmente inteligentes e perspicazes!

Mas existe um mas. Existe quase sempre, não é?

E o meu mas é o seguinte: É que um gajo tem olhos na cara. Um gajo já assistiu a três ou quatro épocas de futebol cá do burgo. Sem que isto retire um grama ao apoio que me merecem dirigentes e equipa técnica, há este mas: Era possível fazer melhor...
Qualquer um de vocês já viu fazer melhor. Sim, com estes jogadores e esta conjuntura, vocês todos têm que concordar que era possível fazer melhor, e não é preciso invocar nomes de gente especial. Isto também não quer dizer que o Quique seja incompetente, ou que não tenha qualidade para o nosso Benfas – não, não é isso, é futebol, é simplesmente futebol. Mas, era possível fazer melhor. E isso dói. Dói que se farta, por exemplo a mim, que escondia no discurso prudente a angústia inocente de um coração que acreditava nas vitórias do clube que carrega dentro dele. E como eu não falo em nenhum programa de televisão, e como não escrevo em nenhum jornal e como as minhas palavras só têm eco entre nós, vou ter que gritar sempre que as facas se espetarem na carne, é visceral, é humano.
Agora não me venham dizer que não era possível fazer melhor. Era! É! Aliás, é essa a minha esperança. Esta equipa não precisava de ter passado (e nós por arrasto) pelo que passou. E a culpa não morre solteira. Muita dela tem o nome do espanhol patilhudo. Muita mesmo. Naturalmente, tal não me vai impedir de continuar a aplaudi-lo. E à minha equipa. 

Agora uma coisa é certa: o Benfica de Trapattoni dava na boca a este (só por 1-0, com golo de Mantorras)... e isso não deixa de ser, como dizer, desagradável.

quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Qualquer coisa...

O leitor mais atento já se deve ter interrogado:”Então mas supostamente há mais um gajo que escreve e nunca vi nada dele?!” Tem razão, ou tinha até há instantes. Esse outro gajo é este que vos vem maçar pela primeira nesta bela taberna.
Esperava poder estrear-me em melhor hora e aguardava por isso mesmo, que esses bons tempos regressassem para poder explanar aqui o meu futebol de letras (e aqui letras são mesmo letras e não aquela espécie de arte que o Aimar executa).
Já deve haver quem pense: “Pois, este é daqueles que só quando as coisas vão bem é que apoia e se manifesta, quando corre mal não sai da toca (ou ninho para nós aves de rapina).” Não é isso, é que ao contrário de certos poetas que procuram a melancolia e sentimentos soturnos para se inspirarem, a minha inspiração é mesmo a glória do Glorioso. E não havendo essa fonte, seco também…
Depois desta introdução descontraída, talvez para amenizar o clima tenso que se vive por aqui, gostaria então de concordar com o Ricardo e com o seu post anterior. De facto, a equipa e o treinador precisam de tempo… Sim, é verdade que se podem enumerar algumas situações pontuais em que claramente se verificaram erros de Quique na análise ao jogo e de determinadas escolhas goradas. Mas na minha opinião, resultaram exactamente do facto deste ainda se encontrar num estágio de aprendizagem e/ou habituação da peculiar realidade que é o futebol português.
Depois de esfriados os ânimos (ou desânimos) que estes últimos desaires nos provocaram, acho que podemos e devemos continuar a depositar esperanças neste grupo. Sim Sérgio, quando dizes que já não acreditas e falta qualquer coisa, compreendo perfeitamente (talvez no momento em que li, a identificação com tal posição fosse total), mas pergunto: que qualquer coisa é essa que leva o Quim a abrir a capoeira ou o árbitro a não apitar e apitar e a bola na baliza e o golo sem valer, ou os Gregos irem lá ao 4º minuto e molharem a sopa e em 4 remates, 4 golos, etc.. Essa qualquer coisa é o que torna isto do futebol engraçado, que não tem graça nenhuma quando nos toca no osso…
Vou então continuar esperançado num bom desfecho, pelo menos até que não me dê um vipe autofagico inerente à minha condição de benfiquista quase acéfalo…
Ultras!

Assim é que não: o gajo tem patilhas que parecem suíças!

E, com dois resultados negativos, instalou-se a descrença; os adeptos começam a pedir cabeças, ninguém naquele clube vale um chavo, outras soluções técnicas (nunca se fala em nomes ou, quando se fala, são nomes absurdos como Manuel José ou Carvalhal) estão já em plena destilação cerebral nos crânios polidos e brilhantes de grande parte dos adeptos. Meus amigos, este Benfica, estes jogadores, este espanhol é que não!!! Arranjem alguém competente, se fazem favor.

Já vi este filme em tantas ocasiões que acho que desta vez prefiro ficar no café do cinema a beber gin-tónico e a fumar cigarros. E, se ligarem a televisão, a meio de um gole, começarei a ver golos dos outros, ininterruptamente, enquanto uns palhaços na bancada assobiam e dizem "eu não disse? eu avisei que este Benfica assim começava a perder" nunca entendendo que foram eles uma das principais razões para que uma ideia colectiva, um projecto, não tivessem podido subsistir e sobreviver à crítica acéfala de grande parte dos que amam (amam?) este clube. E esses palhacinhos estariam na linha da frente, se necessário fosse, já daqui a uns meses, quando o Manuel José ou o Luís Campas começassem a "inventar" onzes e a empatar jogos em casa. E nessa altura eles teriam, claro, toda a legitimidade e toda a força para a crítica (os palhacinhos acham sempre que têm legitimidade para a crítica, mesmo que ela seja inspirada pela ingestão de uma dose grande de mata-cérebros logo pela manhã).

Então eu abstenho-me de falar em equipa nova, técnico novo, direcção desportiva nova, de um facto que não interessa para nada que é a realidade de virmos de um 4º lugar, de uma época horrível, de precisarmos de tempo (sim, de tempo, senhores, as equipas novas, com treinadores novos, com dirigentes novos, depois de horríveis épocas, precisam de tempo, essa palavra que vos causa urticária mas que define tudo quando se pensa e analisa a nossa situação) e de, e é aqui que eu desisto porque simplesmente na lógica bipolar autofágica de muitos benfiquistas esta palavra não tem sentido, apoio. Apoio nas horas más (ou, no caso, nas horas assim-assim, que, acho eu, ainda estamos a um ponto do primeiro e à frente dos rivais directos, acho), meus caros, apoio nas horas más, já tinham ouvido falar neste conceito? Ah foram formatados para dizer que o Benfica é o maior e que vamos ser campeões, como acontecia há uma semana (não foi há 1 mês sequer, foi há uma semana), e agora estão formatados para dizer mal de tudo e que assim acabamos a época em posições de descida, como agora acontece? Então força nisso! Aquele Suazo já te parece andar a falhar golos a mais, não parece? Na próxima ida ao Estádio, a ver se lhe mandas umas caralhadas e uns apupos jeitosos, pá! Não sentes falta de poder soltar a tua estupidez latente? O cabrão do espanhol, com tanto apoio que tinha concentrado nele e na sua equipa, não te estava a deixar libertar e aliviar as frustrações, que é, afinal, para isso que vais ver o Benfica.

O Gin-Tónico estava razoável. Na televisão, entrevistavam um adepto do Benfica. Parece que com o Campas o Benfica não vai a lado nenhum. Era bom era que o Quique voltasse.

segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

A quente...

É mesmo a quente... mas tem que sair!

Esqueçam os árbitros, arrumem as violas, fechem os blogues e queimem os rabiscos tácticos...O Benfica não vai ganhar nada este ano. Estes gajos não têm o que é preciso!

P.S. (Na sequência de comentários do post anterior):

Americano - Tens toda a razão, em Dezembro já tem que haver mais crescimento para "apalpar".

Algarviu - Tens toda a razão, eu e as minhas teorias de panisga com o crescer e o pró ano e o raio que o parte! Seria legítimo pedir o campeonato este ano. Sinceramente, já não acredito! - ... pelo menos até à próxima vitória retumbante...

Alergia ao 1º lugar???

Quando o Benfica voltar, alguém me avise, se faz favor.
Inadmissível que uma equipa que joga bem como jogou dos 45 aos 60 minutos passe o resto do jogo a ver o adversário a trocar a bola.

quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

2ª feira...

Paguem com juros a vergonha que nos fizeram passar hoje!!!

2 notas apenas:

- David Luíz vem duma lesão, não tem nenhuma experiência com Sidnei, porque o Miguel Vitor não teve uma oportunidade, ele que com Sidnei já tinha secado os calimeros?

- Jogámos num inferno grego, que poucos já conheciam. Não teria dado jeito o único jogador que conhece aquele ambiente???

quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Cuspidelas

Fico sempre maravilhado quando um qualquer dos nossos jornais desportivos, perfeitamente em transe com uma qualquer (magra) vitória (quase sempre do glorioso), e na vertiginosa possibilidade de não ter muito mais a dizer para além de: “o clube X facturou uma batatinha e ganhou” - empreende uma demente fuga para o desconhecido e decide fazer capa com aquilo a que eu chamo de facto do siso. E facto do siso porque, geralmente há uma loucura latente e, principalmente, porque estamos perante uma facto (não poucas vezes uma estatística) arrancado(a) a ferros, mas FERROS mesmo! Já viram onde tento chegar?

Pois:

SIDNEI ENTRA NA HISTÓRIA COM 3 GOLOS NAS PRIMEIRAS 7 PARTIDAS (Exclusivo Record)

NÃO VOU FICAR POR AQUI

Primeiro que tudo, há aqui uma pérola, logo dada de barato quando se chama a isto um exclusivo…

É uma grande capa e o desenvolvimento no interior não lhe fica atrás! Algures encontramos um quadro com os defesas goleadores da história do Benfica, encabeçado pelo grande Humberto Coelho com 56 golos. Grande não sei…é que quando vou a ver, o pé frio do Humberto Coelho, à 8ª jornada da primeira época no clube não tinha um único golo…nada…nada de nada. Que vergonha. Não há dúvida, o Sidnei vai ser o defesa mais goleador da história do Benfica, é só dar-lhe tempo!

Estas estatísticas são mesmo fantásticas e ajudam-nos a entender melhor o jogo. É por isso que acho que ainda há trabalho a fazer neste capítulo. Penso, aliás, que o que se tem feito até aqui é de um amadorismo arrepiante. Temos que levar a estatística do jogo mais além, aprofundar a análise e chegar aos dados que realmente interessam.

Tenho uma proposta: Monitorize-se, mas com meios, as cuspidelas que um jogador dá durante o jogo, de jogo para jogo, de competição para competição. Compile-se os dados e chamem-se os estudiosos para interpretar. Dúvidas? Eu dou um lamiré:

A cuspidela é uma realidade essencial para entender o estado físico e anímico do jogador. Provavelmente todos vocês já jogaram à bola, sabem como surge essa saliva “seca” enquanto se joga, sabem como está relacionada com o cansaço, os nervos, etc. Gostaria de ver um jornal de grande tiragem a estudar a fundo o número de vezes que o Nuno Gomes cospe nos primeiros 3 jogos de cada temporada, e assim melhor podermos avaliar o preparador físico.

Já estou a imaginar a malta no café, comentando:

- Viste? O Aimar ontem só cuspiu 13 vezes durante os 90 minutos face às 17 do jogo de domingo passado...Está mesmo em crescendo de forma!

- Vi, vi! E o Miguel Victor, 31 cuspidelas...o puto estava nervoso, mas para o fim a cadência já só estava em 1 cuspidela por cada 7,5 minutos, já estava a ficar mais entrosado.

Isto sim, seria jornalismo e claro, o adepto agradeceria – provavelmente até treinadores! Por enquanto, teremos que nos contentar com o que temos e esperar que os nossos 3 grandes jornais vão crescendo e aprofundando esse inolvidável talento e queda para a estatística.

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

A possibilidade de o Benfica voltar a ser Benfica

Na última sondagem deste blogue a resposta com mais votos ("Quique Flores? Passa por ele a possibilidade de o Benfica voltar a ser Benfica" - 70 %) foi tão avassaladoramente maioritária em relação às demais que eu confesso a minha preocupação. Não que eu não goste ou não acredite no trabalho do espanhol, mas a crença evidenciada por grande parte dos que aqui votaram faz-me pensar nas consequências de uma desilusão, mesmo que parcial, lá mais para a frente deste campeonato. Sabemo-lo bem: a massa benfiquista tem tanto de crente - quando as coisas tendem a correr bem - como de acérrima e destruidora crítica - quando aparecem os primeiros infortúnios. Louva-se a entrega a este projecto, claro, admira-se nos benfiquistas a capacidade inequívoca e indesmentível de ir crescendo exponencialmente no apoio quando, em campo, a equipa ganha jogos mas teme-se a queda, ou o trambolhão pequenino, quando por qualquer motivo a bola bater no poste mais vezes do que as desejadas. O meu medo é que esta onda vermelha suba, suba, suba ao sabor dos golos e fantasias dos artistas que finalmente vemos de camisola vermelha para cair a pique caso os artistas decidam ter um dia de má figadeira. Medo, mas medo real, porque, se houve conclusão a tirar destes últimos miseráveis 15 anos, a mais importante, e auto-destrutiva, foi a de que no Benfica a autofagia é uma realidade incontornável; os adeptos têm muita pressa e algumas vezes, muitas vezes, poucos neurónios para entenderem que os projectos têm e devem ter uma continuidade, que as equipas não se constroem num mês e que as equipas vencedoras são o resultado de um ambiente tranquilo que preserva e favorece a qualidade do trabalho de técnicos, dirigentes e, claro, jogadores. Enquanto esta ideia de tranquilidade, respeito e ponderação não fizer parte do dia-a-dia de todos os que sofrem pelo clube, o Benfica nunca voltará a ser Benfica. Importa, portanto, acreditar. Sempre. Mas convém, quando a crença abalar e um ou mais resultados não aparecem aos nossos olhos como verdades vencedoras, mais do que tudo sobreviver à desilusão. E apoiar, se virmos no projecto uma ideia de futuro que não se resume a um jogo, dois ou dez, mas a uma ideia maior de um trabalho sustentado na qualidade e no profissionalismo (que hoje, me parece, temos), na compreensão do que este clube representa e na forma como, dentro dele e por ele, chegar ao sucesso que é, afinal, a sua genética. Por isso, amigos, fico muito feliz que 70 por cento dos votantes acreditem com todas as forças em Quique Flores e na sua ideia para o Benfica. E espero ver semelhante votação quando, por qualquer motivo, o guarda-redes adversário fizer o jogo da sua vida.

sábado, 15 de Novembro de 2008

Da Amadora, com fome.

Amanhã, no Estádio da Luz, iremos assistir ao embate entre dois grupos distintos de jogadores: de um lado, os da casa, com dinheiro suficiente no banco para contratarem todas as mulheres que forem ver o jogo e lhes lamberem os cheques sem cobertura (os delas); do outro, gajos que não vêem um euro na continha suburbana há mais de três meses. Fico a ruminar sobre o que pensará um jogador do Estrela quando entra naquele Estádio, ao lado dos ricos, com a mulher e o filho em casa a comerem comida do gato e a tentarem forjar um rádio a pilhas para ouvirem o marido e pai a jogar. É possível que apeteça ganhar. Só pelo gozo. Só porque sim. Só para, no fim do jogo, pedirem orgulhosamente as camisolas do Reyes, do Suazo, do Aimar e do Cardozo e as venderem na feira da ladra da semana seguinte. Há qualquer coisa de obsceno nisto e eu não sei bem o que é nem me apetece pensar muito no caso, porque amanhã, quando estiver sentado na cadeirinha vermelha, não me vai apetecer ter a consciência de que aqueles gajos de encarnado, com contas milionárias no banco, mal entrem no relvado já têm uma vantagem pornográfica sobre os outros, os pobrezinhos da Reboleira. Portanto, se empatarem ou perderem, ao menos façam o favor de ir ao Lidl comprar 300 latas de comidinha de gato para oferecer aos heróis. É o mínimo.

terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Dá-me lume

Encontro-me ligado à máquina. Os fios que me envolvem e me ligam - dizem eles, os entendidos! - à vida encontram-se quase desligados. Disseram no outro dia (eu sei porque os ouvi, falando em cima da minha cama, apesar de eu estar em coma) que o Benfica ia ser campeão. Eu acreditei, acredito sempre. Faz parte de mim acreditar que os outros têm razão. É verdade: souberam da última? O Maxi Pereira fez um bom jogo - uma fatalidade! A sério!!! O Maxi Pereira, aquele cepo que é pior do que eu, o outro e todos os outros amigos que eu conheço e - atenção! - eu já estou a contar com aquele outro bípede que raramente vai jogar connosco e que fica no banco a fingir que está a atar as chuteiras até ao final do jogo. Eu se não estivesse em coma acreditava nestas merdas todas; estando, acredito ainda mais. O uruguaio fez um bom jogo. Pá, juro, não precisam de insultar um gajo, caralho! O man fez bons passes, bons cruzamentos, decidiu bem, cortou bolas, ajudou os centrais e ainda teve coragem de ir lá à frente marcar um golo. Ãn? Não digas isso, foda-se! "O Maxi Pereira é incapaz de jogar bem"? Eh pá tu não percebes nada de bola, é o que eu te digo! O Maxi fez alto jogo. Jogou bem contra o Aves! Sim, em casa, contra o Aves, e depois? Não me digas que é um jogo menor, ó filho de uma porca com o cio? É um grande jogo, pá! O gajo esteve apertado pelo Zé Diogo, pelo Manel e pelo Quim das Aves! Sim, mesmo estando frente a frente com o Jaquim da Trigueira ele conseguiu marcar golo! Não é espectacular? Eu acho. Agora vou morrer, se fazem favor. Quando acordar juro que o Maxi Pereira vai ser o cepo que ele é. Eh pá mas eu juro! A sério, sem brincadeiras. E vão todos ali ver se eu já pago impostos, que eu não tenho tabaco e puta que pariu fazia-me falta um cigarro.

sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

A puta da simetria fodeu-nos.

segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Aii..Aii..Aii..Aii..Aii Aimar...Cucurrucucu Suazo...

Tão lindo...
Daqueles lances que hei-de repetir mentalmente milhares de vezes...( o golo 5000!)

P.S.1: O Cardozo é mesmo mole.
P.S.2: O Mini tentou, em tudo, corroborar as palavras do Ricardo.
P.S.3: O Xistra é parvo...para não dizer violador de ovelhas...ou bacilo de batráquio..ou...

Acho que sonhei com um passe de primeira - de letra - em que a bola saía aí uns 30 e tal metros por cima de um defesa e apanhava o avançado em corrida

Só uma coisa: o que vimos ontem no primeiro golo foi a assistência mais fabulosa que já vi fazer em campos de futebol. A sério, sem benfiquismos estúpidos. A melhor de todas. Primeiro, porque é genial, depois porque é uma assistência. É que, além de o Aimar saber o quão bom o Suazo é, há também o facto de o Suazo saber o quão bom o Aimar é. E ainda temos o facto - nada despiciendo! - de que a partir do momento em que um gajo faz aquela coisa absurda de passe, o gajo que apanha a redondinha só pode fazer uma coisa: metê-la no buraco. É que só assim é que este lance vai ser eternizado. Pena o João Pinto não ter tido o mesmo respeito pelo João Pinto, naquela vez em que o João Pinto quando estava em frente ao GR alemão não se lembrou que o João Pinto só tinha mamado o Reuter, o Sammer, o Eilts e o Kohler. O João Pinto nunca gostou muito do João Pinto!

terça-feira, 28 de Outubro de 2008

A puta da simetria OU serei obsessivo-compulsivo?

Serei, mas não estamos aqui para falar de mim. Falo de uma lista infindável de seres que de alguma forma têm as suas existências ligadas ao futebol. Do mais simples e dedicado jogador de CM ao mais reconhecido treinador de topo num campeonato de ultra-qualidade europeia há uma característica que parece ser transversal e comum: a puta da simetria na hora de pensar no posicionamento dos jogadores em campo - há excepções, como o Cajuda, o Luís Campos ou o treinador do Monte Abraão mas esses não entram nestas contas porque eu não quero. Se eu ando por ali a contratar e a dispensar jogadores, a ver de bípedes que me proporcionem fantásticas épocas na segunda divisão regional no Abrantes, isso é irrelevante; a verdade e a relevância vão todas para aquele momento em que me deparo com o rectângulo verde e começo a escolher jogadores. Depois de escolhidos, a regra impõe-se-me como se não pudesse viver sem aquelas setas ridículas (eu acredito mesmo que se puser o lateral a subir até à zona dos stewards, o gajo vai fazer cruzamentos e remates do melhorzinho que o CM alguma vez já viu) e aquela filha da puta da simetria começa aos gritinhos, histérica, como que insinuando que sem ela eu vou perder os jogos todos. No futebol profissional acontece o mesmo. O treinador quando está no balneário em prelecções interessantíssimas sobre as basculações, os triângulos invertidos e as pressões altas, não perde a oportunidade de realizar a sua mais veemente fantasia: colocar num quadro as posições dos jogadores que ele quer ver preenchidas, enquanto eles coçam os tomates ou lêem o Financial Times e discorrem sobre a problemática financeira actual e como isso influi nas suas contas pornográficas no final do mês - alguns, por exemplo, não poderão comprar o novo Bugatti nos próximos minutos, o que é, está bem de ver, uma chatice das grandes. Há em cada técnico a cuequinha molhada da simetria em campo. Se na direita o mister tem um gajo que pode fazer a ala com mais interioridade e menos profundidade, avança logo o treinador para outra solução porque, sejamos sérios, uma equipa sem simetria não funciona e lá entra o gajo que é mau mas que fornece ao quadro a giz aquela perfeição de olhar, aquele quadro organizado e feliz que se define por ver dois extremos tão bonitos encostados na ala, dois médios no miolo, juntinhos, à mesma distância do "10" e lá na frente, claro e simétrico, curtando ângulos iguais para os extremos, para o médio ofensivo e para a baliza adversária, o ponta-de-lança.
Tudo isto a propósito, já compreenderam, do Benfica. Andava a ruminar sobre o nosso 11 e deparei-me com problema antigo: aquele caralho daquele jogador que nos falta e que tem de jogar na direita do meio-campo. Está mais que visto, revisto, estudado, pensado e leccionado em Harvard que o Benfica não pode jogar com um Reyes 2 na ala direita. Concluída esta aprendizagem (que Quique demorou a apreender), uma nova disciplina intromete-se: que tipo de jogador pode completar na perfeição, simultaneamente equilibrando a equipa nos processos defensivos e dando profundidade ofensiva, a táctica de pirilau do espanhol? Eu respondo: um tipo de jogador que seja a antítese de Reyes, embora possa ser Reyes naquilo que em Reyes há de muito bom. Eu diria, assim de repente e completamente em delírios masturbatórios: um Simão!, um gajo que ajudasse esta besta mitológica que é o Maxi Pereira, que fizesse diagonais a cada 2,34 segundos de cada partida, que rematasse como vem nos livros, que fizesse cruzamentos como quem lê um poema e que, em transições defensivas, soubesse "fechar" muitas vezes ao meio, em ajuda aos dois médios do miolo. Se isto fosse o CM, lá entrávamos nós na aventura de ir à procura de um gajo desses; na vida real, sempre menos efusiva e espectacular, temos o Balboa, essa espécie de jogador que nem é jogador nem é de espécie alguma. Mas há algo nele que entusiasma: dá simetria ao esquema! com Reyes na esquerda, Katsouranis e Yebda no meio, Martins a médio ofensivo, um Balboa traz toda uma panóplia orgástica ao conceito de simetria - basta colocá-lo na direita, com uma setinha para cima e temos o esquema mais bonito da Liga Sagres! O problema, e há sempre problemas nestas coisas, é que o Balboa é uma nulidade como extremo-direito. Dirão: mas o que é que isso interessa, Ricardo, se podemos construir a mais bela arquitectura posicional que a história do Benfica já conseguiu? Direi: vão para a puta que vos pariu, o Balboa ali nem que a vaca tussa! A simetria perde, é bem verdade, mas sempre dá para ganharmos jogos, o que até vai sendo engraçado.
No entanto, não pensem que sou o típico benfiquista que votou o flop do ano ao insucesso, apenas dizendo mal e "queimando" o jogador. Nada disso. Tenho a solução que ninguém ainda sequer pensou e que parece ser de uma genialidade assinalável, até para mim que, como se sabe, sou um gajo capaz de fazer do Vila Franca um clube semi-finalista da Champions League. Pensem só nisto e atentem na capacidade Chalanística que eu demonstro: Balboa a lateral-direito! Por um lado, tínhamos um preto na direita da defesa, o que seria a sequência lógica de um historial recente com laterais de tez mais escura: de um tímido Armando, passando por um eléctrico Miguel a um bipolar Nélson, chegaríamos à síntese de todos, sem perder a cor nem a vivacidade requeridas para um lugar desta importância; depois, já se percebeu que o ex-Madrid é melhor a defender do que a atacar e que, se há esperança para a vertente ofensiva do homem, ela estará na disponibilidade de aparecer de trás e não tão junto à zona ofensiva. A velocidade, a propensão para o drible q.b. e o cabelo fariam o resto. E matem-me se isto for mentira: qualquer gajo do plantel faz melhor do que o Maxi Pereira naquele lugar. Mas eu sou obsessivo-compulsivo e não estamos aqui para falar de mim.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Hertha 1 – 1 SLB

Antes de tudo mais:

  1.  Acho estúpido perder a fé num treinador em Outubro. Ainda mais estúpido o é na actual conjuntura benfiquista, em que é imperativo crescer, deixar de voltar repetidamente à estaca zero.
  2. Vi este jogo na área de serviço de Aveiras, no regresso do emprego.

Sento-me à mesa. Bom lugar. A televisão tem som alto. Estou próximo q.b. Ok.

O Jornalista lê a ficha de jogo. Comento, mentalmente, com o outro adepto benfiquista que tenho dentro de mim e vê todos os jogos comigo: “Este 4-4-2 do Quique não soa um bocadinho anacrónico? Sei lá, pouco sofisticado; como que saído dos anos oitenta. Parece que hoje em dia, a ser 4-4-2, é sempre qualquer coisa com uma figura geométrica não-rectangular incorporada (tipo losango)?”.

Olha! Na transmissão dizem que joga o Binya e não o Yebda. “Quique! Não! Quique, não! O Binya não… Chiça penico. Ainda para mais com este 4-4-2. Epá, então mais vale tirar um dos avançados e pôr o Carlos Martins. Sempre compensa. Sempre ficam 2 gajos no miolo a saber o que é uma bola. Quique! Nãoooooo!

O jogo começa.

(A meio do 1º tempo) – Pois e tal que o Cardozo é um grande valor. Grande pé esquerdo. Sim… Mas olha lá: O gajo é pastelão como o camandro, mas à força toda…e fino, também! O gajo não curte muito disputar bolas, e quando o faz fá-lo sempre com visível enfado. E com o insucesso daí decorrente. E depois há aquele talento indiscutível, que partilha com o Nuno Gomes, de estar sempre exactamente no sítio para onde o GR não chutou, ou o defesa, ou mesmo para onde o ressalto quis que a bola não fosse. E quando vai na direcção dele (ou do NG), bate ligeiramente à frente dele e passa-lhe por cima. Lindo!

Minuto 39 – Bynia acerta um passe a 3 metros, apesar de o companheiro não conseguir dominar o esférico à primeira.

Minuto 41 – Binya tenta receber uma bola, escapasse-lhe e acaba por ir parar aos pés de um jogador do Benfica.

Intervalo – Estes gajos são fraquinhos, equipa macia. Estaria tão ao nosso alcance…

2ª Parte – Suazo por Cardozo. Obrigado.

Existe uma desalentada resignação (futebolística) quando, após 45 minutos de Binya, o vemos voltar a subir ao relvado. Só experimento sensação igual naquelas noites em que, já bem tarde, e com uma fome descomunal, se olha para aquele pacote de bolachas manhosas e bafientas, que resistiram à última década fechadas num pote na despensa, e se resolve comer aquilo, sem água sem nada, que só há da torneira e sabe a lixívia.

O jogo recomeça. Suazo, de facto, é outra coisa.

Minuto 51 – Golo de Di Maria (exibição inconsequente, até aqui e até final). Ia falhando... Mas isto está bom…podemos marcar mais destes, em contra-ataque. Reyes ou Suazo vão fazer estragos. Quiçá o Nuno.

Minuto 66 – Carlos Martins junto à linha lateral. Boa! Vamos tratar de ter mais bola que isto está a começar a escapar. Fortalecer o meio-campo, gosto…Carlos Martins por Katsouranis. Não! Quique, não! Isso não. Não Quique! Tira o NG, o Reyes, o Di Maria…Porra, tira o Suazo…o Katsouranis não! Não é por ele! É que Binya e Carlos Martins sozinhos aí no meio…não pá! Não Quique!

Minuto 74 - …

Fim do Jogo. Punheta! 17º Jogo em território Germânico sem ganhar…e este esteve bem ao alcance. Levanto-me. Vou à casa de banho. Passagem pelo urinol, lavar as mãos…Sabonete, carregar no botão, água e upa…fechou-se. Carrego no botão e menos de um segundo depois a torneira volta a secar. Agora pressiono o botão durante alguns instantes…largo e…foda-se…a úlcera que terei aos 40 dá os primeiros passos…então mas a puta da torneira não se mantém aberta? Vou ter que lavar as mãos vez à vez? Suspiro…

Eu tenho um sonho…Eu sonho com dia em que a civilização humana, mais evoluída e cultivada, se reúna em torno de si mesma, e do mais singelo dos consensos surja a convicção plena de que um ser humano qualquer, a uma distância de uma simples casa de banho pública, possa ter uma torneira, com um manípulo para a abrir e a fechar…a seu belo prazer! AH! E QUE A NOSSA EQUIPA FAÇA SENTIDO…TAMBÉM SONHO COM ISSO!

quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

"O Burro"

Antes de começarem a refilar (os nossos 3 leitores podem tornar-se agressivos de vez em quando), aviso já que este post não é sobre o Benfica, e é sobre um ódio de estimação de alguns, mas um ídolo meu. É sobre um treinador, mais conhecido como o "burro", que nunca se vai livrar da fama de ser um brazuca que não percebe nada de futebol, e que só vai ganhando alguma coisa porque é bom na motivação, tem sorte, e tem uma santa protectora. Ora, concluída que está a primeira dúzia de jogos no Chelsea, são estes os números de Scolari:

- 12 jogos, 9 vitórias e 3 empates, 28 golos marcados e 3 sofridos!!!
- Liderança na Premier e no grupo da Champions

Podem dizer, "no Chelsea também eu", mas lembro que isto foi obtido quase sem Drogba, quase sem Essien, e ainda com lesões em Joe e Ashley Cole, Ricardo Carvalho, Ballack e Deco, obrigando a dar minutos ao Di Santo e a fazer de Belletti um médio bem razoável.

Uns pedem tempo, outros conquistam-no...

P.S. - Este post é oportuno por 2 razões: primeiro o Benfica joga hoje, pelo que logo à noite isto já deve ter descido na página. Segundo o Chelsea joga este fim de semana com o Liverpool e o registo pode piorar. Mas fique bem claro, acredito que Scolari vai limpar os reds, pena não ter lá o Simão para ajudar!!!

terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Prémio Cepo da História do Benfica

À pergunta "Quem é o maior cepo da História do Benfica?" os nossos estimados visitantes responderam assim:

- King - 4 votos (12 %)
- Manuel Damásio - 6 votos (18 %)
- Artur Jorge - 19 votos (57 %)
- Pinto da Costa - 4 votos (12 %)

Ganhou o suspeito do costume, nada de novo. Enquanto alguns preferiram esquecer dirigentes e técnicos e dedicar o seu voto aos que, de facto, chutam (no caso do King, tentam chutar) a bola, outros - a grande maioria - optaram por apontar chumbadas aos que decidem por fora. Se, para mim, a fraca votação em Damásio constitui alguma surpresa, visto ser este, aos meus olhos, o responsável máximo da degradação pós-94 do nosso clube (ainda mais do que Artur Jorge, sim), já a votação em Pinto da Costa, entre a ironia, o humor e, talvez, a luta pela verdade desportiva, está nos valores esperados.
O prémio fica, assim, atribuído ao "coisas bonitas" e também está muito bem. Ainda que custe a muitos, a verdade é que há uma grande parte dos benfiquistas que inveja o leão Sá Pinto. Eu invejo.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Nightmare...

Caros leitores (partindo do princípio que temos),

Era para escrever sobre o jogo(?!) de ontem, mas como não sei se o site é só para maiores de 18, e também não sei como pôr bolinha no canto superior direito do ecrã, é melhor não.

No entanto, tenho de deixar uma palavrinha para o regresso do "meu" nº1:
Obrigado Moreira, espero que tenha sido a primeira de muitas titularidades!!!

sábado, 18 de Outubro de 2008

(Chego um pouco atrasado – tive uma mialgia de esforço e passei a semana em trabalho de ginásio, só ontem comecei a fazer corrida – será recorrente, primazia ao fim de semana para, domingo a domingo, dar o meu melhor de mim em prol da equipa!)

Bom… - pega numa mini Sagres e gira os dedos em torno do gargalo, introduz o polegar na garrafa, roda novamente e retira-o produzindo um som tamponado. Finalizado o ritual com resultados satisfatórios, dá dois goles consecutivos e arrebanha alguns amendoins da taça ao centro da mesa. – Bom, junto-me aos escribas aqui ao lado embriagado pelo benfiquismo com que começamos; é galvanizante e sabe bem. Está-se bem aqui! Venho para ficar, Benficar.

Sou um benfiquista autodidacta. O meu pai não gostava de futebol, nunca me levou à bola. Mas havia qualquer coisa. Tenho a perfeita noção da cor preferida ser o vermelho, bem cedo. Deve ter havido influências externas, admito, mas conservo a firme convicção que era inevitável, que não poderia ser de outra forma! Encontrei o Benfica, ou o Benfica encontrou-me, e começou essa viagem que a partir de agora partilharei, o mais possível (na medida certa?), convosco. Parte da viagem já foi partilhada com o Ricardo, o bípede com quem mais discuti o Benfica (basta dizer que fui pela primeira vez ao estádio – o antigo – com ele e com o pai dele, que não bastando ter iniciado o filho a ver o Benfas fez o mesmo pelo filho do próximo, há que realçar a nobreza da acção!). Hoje orgulho-me do telefonema que o meu pai me faz após os jogos do Glorioso, para dividir a desilusão ou partilhar a ilusão feita de fintas e golos de encher o olho – é fã daquele espanhol, o Reyes – “o tipo tem um bom remate!”.

Fica o compromisso de seguir o trajecto Encarnado de perto, ensaiando umas análises à Luís Freitas Lobo… – Olha o gajo, já armado ao pingarelho! Não, não é nada disso, é uma maneira de dizer. Eu quando tentei triplo salto também o fiz à Nelson Évora, enchi o peito, inclinei as costas para trás e corri, corri, saltei e aterrei três passadas depois e a 3,47m da tábua, apesar de não ter conseguido homologar o resultado. É que o meu vizinho da frente disse que o vento estava a favor e acima da velocidade regulamentar. Foi pena.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

O meu primeiro post

Hello blogosfera!!!

Fica bem um gajo apresentar-se no primeiro post, certo? Então cá vai disto:

Sou o Americano, um maluco que o Ricardo conheceu na blogosfera, e que resolveu convidar (provavelmente sob o efeito de álcool ou drogas) para contribuir para este blog, que como é óbvio se vai dedicar muito ao GRANDE, ENORME E GLORIOSO BENFICA!
Resolvi escrever já porque daqui a pouco joga a Portugal, e não me quero desconcentrar...

Como disse sou “o” Americano, benfiquista fanático, sócio, accionista (comprei 100 contos de acções numa altura em que o meu ordenado era 80 contos!) e dono dum cativo desde que existe a nova Luz. Curiosamente não nasci benfiquista, até porque nasci nos EUA, e quando cheguei cá em 85 nem sabia o que era futebol. Felizmente tenho um primo mais velho que me explicou rapidamente que aqui não havia football, basketball, ou baseball, apenas o nosso futebol e que acima do futebol estava o nosso Benfica. Era daqueles que tinha o quarto cheio de posters daqueles jogadores que na altura me pareciam um bando de labregos de bigodaça, mas que rapidamente aprendi serem símbolos do maior clube do Mundo. Interiorizei os ensinamentos, e por ironia do destino ele foi viver mais tarde para os EUA, mas eu por cá fiquei para dar continuidade ao legado da família.

Para finalizar, aviso novamente que sou fanático benfiquista, por isso se de vez em quando for algo rude na defesa das minhas posições, não levem a mal, o Benfica liberta o melhor e o pior que há em mim. Prometo que a partir de agora só voltarei a escrever quando houver algo de jeito para comentar, espero que seja para comentar as centenas, milhares de vitórias que o nosso clube nos vai proporcionar.

Saudações benfiquistas!!!

terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Nome de número

Hoje fiz-me sócio do Benfica. Comprei o kit, preenchi o formulário, entreguei uma foto e a fotocópia da minha identidade de bípede benfiquista (ainda continuo sem compreender como é que o BI não possui um espaço em que possamos dizer que somos do Benfica) e, antes de respirar duas vezes, lá estava a minha cara num cartão vermelho. Uma delícia. Sou o 187.955, número tremendamente superior (mais do dobro, bem mais) ao que tive entre os meus 3 e 15 anos. Na altura, eu era um benfiquista que ia de mão dada com o pai e via, 4 horas antes do jogo, gente a beber garrafões de 5 litros de vinho, a comer feijoada, cozidos à portuguesa e pães com presunto dentro do estádio. A ida a um jogo do Benfica não era como agora, em que se chega 5 minutos antes da bola começar a rolar: era como uma peregrinação a um santuário. Começava na estrada, em que os 150 km de Abrantes a Lisboa eram festejados com cachecóis apertados entre os vidros das janelas do carro e sinfonias de buzinadelas, sempre que alguém ao nosso lado fazia a sua viagem religiosa da mesma forma e com o mesmo sentimento. Acho que começou aí (antes ainda de me espantar pela primeira vez com um gigante de betão onde cabiam 130.000 pessoas) o fascínio por esta espécie de seita que ninguém consegue explicar. É impossível provar, cientificamente, a razão de ser de ser-se benfiquista. Talvez procurar nessa empatia de ver milhares de pessoas dentro de carros, felizes e sorrindo-nos, como se fôssemos seus irmãos, talvez encontrar num grito milenar a céu e sol abertos, coroando 11 indivíduos de vermelho que entravam no relvado, entre sons, buzinas, cores, fumos, papéis e sol, muito sol, sempre. Quando a equipa do Benfica entrava no tapete verde, o puto de 10 anos que eu era ficava estarrecido a ouvir o bruááá de pés a chocalhar no betão e de gritos de loucura, quase demencial, que eram todo o ruído que o mundo conseguia ter naqueles minutos. Em 1988, agarraram-me no ar como uma bola, quando um gajo - filho de outro gajo dos nossos - decidia resolver a situação com dois golos e uma ida directa para Estugarda, sem que Bela Guttmann o adivinhasse (e o quisesse?); em 1990, quase me lançaram de felicidade para dentro do relvado, quando um outro dos nossos decidiu que o destino só seria moldado à chapada - uma chapada na bola, a melhor chapada na bola que alguém, algum dia, deu, bem melhor do que o toque paneleiro do Maradona. Não, não foram estes os melhores momentos, porque todos eles faziam nascer em mim a certeza de pertencer a algo grandioso que eu não sabia descrever. O orgulho de levar relva para a escola no dia a seguir ao campeonato de 94; a vez em que, sob um sol aterrador, alguém decidiu ganhar meio metro de cimento aos rabos que se amontoavam e comprimiam, só para que eu me deitasse ("abram alas para o miúdo, pá, não vêem que o puto está mal-disposto?", consigo ainda ouvir nos ecos abertos de uma memória de um estádio que não desaparece). Ser do Benfica não requer um cartão nem uma identidade mas, confesso, hoje senti-me de regresso à minha natural condição. Como se me tivesse traído estes 12 anos por não ter a minha cara associada à palavra "sócio". O meu nome é 187955.