quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Orgulho Benfiquista na Luz

Hoje com o AEK na Luz não há nada a ser disputado. Pontos insípidos. Posições definidas. Um AEK já conformado com a eliminação e focado nas competições internas. Um Benfica desiludido mas conformado com a relegação para a Liga Europa.

Contudo hoje está muito mais em jogo que a competição em si.

Não, não iremos lutar por nada mais do que aquilo que já temos. Iremos jogar por aquilo que somos e precisamos.

Assim defino 3 objectivos para hoje:

- Os milhões. É o menos importante do que podemos retirar deste jogo. Temos obrigação de ir recolher pelos menos mais estes 2,7M.

- O momento da equipa. Jogamos pouco mas é com vitórias que, pelo menos na vertente psicológica, conseguimos afastar-nos de maus momentos. Vencer hoje o AEK é um reforço para o momento de vitórias que temos tido nos últimos 3 jogos.

- O orgulho benfiquista. Este para mim é o mais importante. Hoje, despedida da maior competição de clubes que existe, é obrigatório elevar o símbolo que todos carregamos ao peito. Vencer, jogar bem e mostrar um Benfica bem vivo nos relvados da Luz. É o retribuir aos adeptos e à nossa história.

Bem sei que este jogo não pode ter a mesma importância da deslocação ao Estádio dos Barreiros que aí vem. Mas é um jogo que tem de nos orgulhar.

Neste contexto de necessária gestão, recuperação e glória, lançaria o seguinte 11:

Na baliza o Svillar. O miúdo já acalmou. Está mais maduro. Menos louco. Espero é que não tenha perdido toda a sua loucura. Toda a sua coragem. Nas últimas aparições vi um Svillar mais sereno mas também demasiado escondido. Crescer não é abdicar das suas melhores qualidades. Isso não é evoluir. Precisa de jogo, precisa de competir. Precisa de ser colocado à prova. Hoje é um bom jogo para isso.

No centro da defesa lançaria o Conti com o Jardel. Não abdicaria nunca de ambos os centrais titulares. O Rúben merece o descanso e o Jardel tem jogado menos que o miúdo. Além disso, pela sua experiência e posição no centro da defesa, o Jardel é o jogador indicado para integrar e orientar o Conti. No argentino ou temos central ou não temos. Que jogue e nos convença que temos.

A equipa precisa de uma solução para o lado direito da defesa. O Almeida é o Almeida. No seu melhor consegue dar-nos uma exibição segura. Temos o Corchia, um jogador com maior potencial que o André. Lançaria o francês. Uma boa oportunidade de ganhar ritmo e crescer exibicionalmente. Uma boa oportunidade para começar a ganhar o lugar.

Na esquerda mantinha o Grimaldo. O craque espanhol não tem substituto e nesta altura em que também o Rui Vitória viu a Luz - Zivkovic - acho importante continuar a cimentar as rotinas entre o espanhol e o sérvio.

O meio-campo é onde tenho mais dúvidas. Gostava de poder descansar o Fejsa mas o sérvio não tem substituto. O Alfa não tem qualidade nem para o Benfica dos anos 90 e o Samaris anda encostado há tanto tempo que neste momento não consigo esperar nada de bom dele. Assim, colocaria o Fejsa no apoio ao Krovinovic e ao Félix. Estes dois precisam de crescer com jogo. Um com maior leitura táctica e outro com maior criatividade. Os dois bem sustentados pelo Fejsa têm a oportunidade de explorarem o seu futebol e se soltarem no meio-campo. O Félix tem jogado mais pela linha mas penso que pode fazer a diferença na construção de jogo e nos apoios centrais ao avançado.

Na esquerda já referi que manteria o Zivkovic. Mais um craque que tem de crescer com jogo.

Na direita, não havendo Salvio para descansar o Rafa, lançaria o ex-bracarense. O Rafa está com a corda toda e pode ser importante continuar a alimentar o seu bom momento.

O maior de todos os craques deveria poder jogar sempre. Aliás, por mim na BTV eram jogos diários do Jonas. O brasileiro poderia jogar em todos os escalões e até em amigáveis com a produção ou adeptos. Infelizmente fisicamente o Jonas não dá para tanto. Hoje dar-lhe-ia a pausa merecida.

O seu substituto óbvio é o Ferreyra. Ferreyra ou Seferovic. Contudo gostava de ver o argentino em acção. Muito poderia ganhar este Benfica se a sua equipa técnica conseguisse tirar proveito deste jogador. Ferreyra a receber o Zivko, Grimaldo, Rafa, Félix e Krovinovic. A recebê-los, a sustentá-los e a beneficiar dos seus apoios.

Um 11 para ganhar, para jogar e para nos fazer crescer.


A única oposição a Vieira chama-se Ontem vi-te no Estádio da Luz



O principal problema da crítica gratuita e infundada é o de minar o caminho da verdade e libertação do clube. Sempre que a oposição - ou pseudo-oposição porque a única real oposição a Vieira chama-se Ontem vi-te no Estádio da Luz - ataca sem razão as pessoas da estrutura do clube, mais difícil se tornará a saída do actual Presidente. Em vez de tiros certeiros que abalem a ditadura vierista, estes ataques fazem ricochete e acabam como armas para quem desgoverna o Sport Lisboa e Benfica.

Quando este programa foi para o ar, imagino que há mais de 10 anos, defendi publicamente Ricardo Palacín. Na altura, muitos dos que hoje com ele partilham os estúdios e programas da BTV atacaram o actual director da televisão do clube porque "isto é uma vergonha", porque "nenhum benfiquista usaria esta t-shirt", porque "há que respeitar a dignidade do Benfica!".

Na verdade, aquilo tinha sido uma brincadeira, uma mera aposta. E claro que qualquer benfiquista com cérebro, sentido de humor e cumpridor das suas apostas teria usado aquela t-shirt. Basta não ser grunho e estar bem com a vida para poder usar uma t-shirt assim.

Claro que é giro ver agora toda essa gente que insultou Palacín de tudo e mais alguma coisa andar pela BTV a lamber-lhe as botas para manterem os seus lugares nos programas onde só defendem o Presidente e atacam os benfiquistas que não comem na gamela do carneirismo. Mas esse é outro assunto para outro dia.

Ricardo Palacín faz mal ao Benfica. Não por não ser benfiquista, não por usar esta t-shirt. Faz mal ao Glorioso porque é o Director da Propaganda, o Director do veículo televisivo que envergonha e humilha o Benfica por não ser mais do que uma televisão de louvores a Vieira e de perseguição aos benfiquistas com cérebro.

Com tanto para criticar na BTV, achar nesta imagem razão para atacar Palacín é fraco, é pobre, é insuficiente, é a razão pela qual Vieira se passeia há 15 anos sem verdadeira oposição. É dar razões aos vieiristas para continuarem a votar no único Presidente ilegítimo da História do Benfica. E isso é que não é nada benfiquista.

Um Presidente à Benfica


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O Benfica entregue aos bichos.

Imaginem que estão em 1985, acordavam, iam ao Estádio da Luz e alguém vos dizia que:
- o Presidente agora era um tipo que é sócio dos três clubes;
- o n°2 é sportinguista;
- o n°2 usa o clube para pagar o casamento da filha.
No dia a seguir, estavam Presidente e n°2 no olho da rua. No Benfica de Vieira, para os vieiristas está tudo bem. Foi apenas um... "adiantamento".

Um Presidente à Benfica


domingo, 9 de dezembro de 2018

Príncipe Grimaldo, o junta-peças


O talento de um jogador não tem medidas nem quadros nem matemáticas; não fica irrefutavelmente provado nem a Ciência consegue publicar um estudo que demonstre, A+B+C, a indesmentível qualidade de um futebolista. É por isso que 1 milhão de pessoas pode achar o Pizzi "um craque" e o outro milhão achá-lo "um cepo". Tudo depende da percepção que cada um tem do jogo.

Eu gosto sobretudo de jogadores que, a cada acção, estejam pensando e executando o quadro geral: o golo. Pode o jogador estar na defesa e já demonstrar ter visto a bola nas redes segundos antes de ela lá chegar. É o caso de Grimaldo nesta e em quase todas as jogadas em que intervém.

Antes de receber na linha já fez sinal a Zivkovic, anunciando o 2-1. O sérvio, outro talento inato, percebeu o que o espanhol quer e foi-lhe fiel. Aqui o que Grimaldo procura e sonha, ainda antes de receber do central, é ter espaço aberto pelo meio. Já se imaginou a correr pelo corredor central sem muita oposição. E é isso que acontece após a combinação com Zivkovic: miolo aberto, os jogadores do Vitória a terem de ir recuando lentamente e Grimaldo com várias opções. É aqui que, apesar de a Ciência não o poder provar, é possível distinguir os craques dos cepos.

Quando recebe à entrada do meio-campo adversário e se vê com espaço, o craque, 99 em 100 vezes, não pensa em passar de imediato a bola (mesmo que tenha duas ou três opções abertas). O cepo sim, destruindo a possibilidade de aproveitar o espaço e criar outros. O craque vai seguir com a bola enquanto os seus milhares de radares frontais e laterais vão interpretando o movimento colectivo dos dois corpos gelatinosos: o movimento da equipa adversária e o movimento da sua própria equipa.

O craque neste instante não pensa individualmente, não procura meter a bola num jogador específico só porque sim. O craque junta-peças no meio. Aproveita o natural movimento da equipa que defende - movimento de recuo e de aproximação ao centro - enquanto vai esperando o movimento natural da equipa que ataca - vários movimentos laterais e de profundidade.  O craque vai esperar pelo segundo certo em que um dos elementos do adversário não aguentar mais aquele passeio pelo relvado e destruir toda a sua própria organização colectiva. É o que acontece quando o lateral-direito do Vitória sai da sua posição e deixa o espaço nas costas.

O craque já estava à espera porque era isso que ele, provocador, vinha a procurar desde que recebeu de Zivkovic. O cepo, quando recebesse de Zivkovic, teria metido imediatamente na profundidade que Gedson estava a pedir, acabando por criar uma jogada sem qualquer vantagem numérica nem espaços para criar desequilíbrios.

Juntar peças no meio, provocar o desposicionamento de uma peça específica, para um cheque-mate pelas alas. Não é para todos. É só para os craques. Craques como o Príncipe Grimaldo.

 https://m.youtube.com/watch?v=mX1g1lQeInQ

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Viver 3 anos na ignorância


Foi hoje publicada uma entrevista feita pelo “Conversas à Benfica” ao treinador Rui Vitória. Antes de entrar no conteúdo da mesma, gostaria de elogiar a disponibilidade do treinador do Benfica para este tipo de entrevista/conversa que sai completamente do registo habitual e que, por isso, permite abordar temas diferentes dos habituais e, mais do que isso, aborda-los de forma diferente. Por isso, parabéns a Rui Vitória e ao “Conversas à Benfica”!

A entrevista foi vasta e variada, mas gostaria de me debruçar mais sobre os momentos em que o treinador aborda os aspectos mais concretos do jogo, começando pelo processo de jogo da equipa:

A dada altura é questionado o porquê de o processo de jogo ter sido alterado do 4x4x2 para o 4x3x3. Se é natural que o entrevistador cometa este tipo de lapso, é absolutamente inadmissível que um treinador, seja de que escalão for, não consiga corrigir de imediato a pergunta, porque processo de jogo é uma coisa e sistema tactivo outra, podendo ou não depender um do outro. Por aqui se entende o que pensa Rui Vitória sobre o processo colectivo das equipas que treina. Cada um que retire daqui as suas próprias conclusões;

A conversa vai fluindo e na justificação das escolhas que faz, nomeadamente para as alas, Rui Vitória refere, por exemplo, que “Cervi tem um bom entrosamento com Grimaldo”. Mais uma vez, o treinador do Benfica observa as escolhas partindo do individual, isto é, determinados jogadores desenvolveram naturalmente um bom entrosamento, então as escolhas vão por ali e não porque o treinador tenha uma ideia maior para todo o conjunto, fazendo escolhas em função dessa ideia maior, em função do plano colectivo, não. As escolhas partem do individual somando-se umas às outras;

Há ainda a justificação para o pouco rendimento de Ferreyra: O treinador do Benfica justifica esse menor rendimento (e não falo de golos) com factores emocionais e sociais. Em momento algum é capaz de fazer uma análise futebolística ao jogador e à forma como se enquadra ou não nas ideias colectivas. Ou seja, Rui Vitória faz depender o rendimento do jogador de factores que são absolutamente incontroláveis por si, não sabendo explicar quais os factores que dependem do treinador e que podem ou não ajudar Ferreyra a ter um enquadramento competitivo melhor. Sabemos assim, pela boca do próprio, que se Ferreyra render algo antes de sair (a ideia que fica é que Janeiro será o limite para a estada do Argentino no clube), tal acontecerá por completa aleatoriedade, como quase tudo o que acontece em campo na equipa do Benfica, diga-se;

Por fim (ainda que não tenha sido esta a ordem cronológica da conversa) Jonas. Rui Vitória reduz a participação do melhor jogador do Benfica ao momento/gesto da finalização, Rui Vitória acha que o jogador mais completo do plantel participa apenas no momento mais reduzido do jogo, Rui Vitória ignora por completo a infinidade de coisas que Jonas dá à equipa para lá dos golos que concretiza e/ou assiste, Rui Vitória não vê a quantidade de jogo interior que Jonas produz (e que se esgota nele, percebendo-se aqui o porquê), Rui Vitória nunca percebeu a qualidade de decisão com e sem bola que génio Brasileiro aporta ao jogo colectivo do Benfica. No fundo, Rui Vitória não faz ideia do que é e do que vale o seu melhor jogador, mesmo que trabalhe com ele há mais de 3 épocas desportivas. Se é normal/compreensível que o adepto resuma o jogo de Jonas aos golos/assistências, ver o seu treinador faze-lo é simplesmente absurdo e aterradoramente revelador.

Um treinador à Benfica


domingo, 2 de dezembro de 2018

A (des)Confiante Goleada

"Na primeira parte desgastámos o adversário, na segunda foi uma dinâmica muito forte. Quem viu o jogo sentiu essa confiança e vai mais satisfeito para casa."

São estas coisas que me assustam. A certeza que o treinador do Benfica acredita mesmo nisto.

Vamos lá pensar um pouco o jogo de ontem.

Rui Vitória olha para os primeiros 45 minutos e vê uma estratégia de desgaste do adversário. E acredita nisso.

Não. Não houve nada a funcionar naquela primeira parte. Não houve uma estratégia a funcionar. Não houve. Foi simplesmente miserável. Equipa desligada, sem alma e sem futebol. Não houve qualquer desgaste do adversário. Um jogo ofensivo lento e com espaço para o adversário ir no seu tempo tentando aproximações à nossa área. Sem desgaste.

Agora sim, nos segundos 45 minutos houve uma dinâmica muito superior. Mas também aqui o treinador não se pode iludir. O resultado é logo desbloqueado no arranque pelo gênio do Jonas. Boost de confiança encarnado e quebra anímica do adversário. Mais 3 golos, 3 oferendas do adversário.

Assusta-me que o treinador do Benfica pense que por ter convocado só 18 que tudo já ficou resolvido. Assusta-me que ache que já está tudo operacionalizado.

Assusta-me que ele, e só mesmo ele, tenha sentido toda aquela confiança e que esteja plenamente satisfeito com a exibição da equipa.

Agora, apesar da miserável primeira parte e de 4 golos muito sui generis , é justo e até refrescante ver a pujança da equipa na segunda parte.
A equipa entrou muito rápida e principalmente muito agressiva ofensivamente. Agressiva na pressão alta e principalmente agressiva no momento pós recuperação da bola. E nesta mudança de postura há sem dúvidas mérito do treinador.

Contudo não me parece que dê para ganharmos muitas vezes dependendo somente deste futebol de agressão ofensiva. Até porque este estilo não parece poder durar sequer 60 minutos.

Além do resultado a melhor noticia é sem dúvidas a titularidade do Zivkovic.

Um trio ofensivo com o genial Jonas, com o craque maravilhoso que é o Rafa e com este talento sérvio que precisa jogar muito mais, servido pelo base Pizzi, o melhor jogador para criar os apoios aos talentos da equipa, é sem dúvidas um poço de talento a libertar nas defesas adversárias.

Com jogadores destes até parece batota, até parece fácil.

Mas como ele já nos disse, se fosse fácil não era para ele.


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O ECLIPSE DE RUI COSTA



Quando pensamos em Rui Costa, pensamos em Benfica. Parece-me indesmentível que, enquanto jogador, foi um dos nomes mais míticos da grandiosa História do Sport Lisboa e Benfica. Porém, esta imagem (quase) imaculada do nosso antigo Maestro, foi feita refém assim que assumiu funções directivas na Estrutura do nosso querido Clube.

O Benfica está, neste momento, a passar por uma fase muito conturbada ao nível desportivo e parece que nenhum dos elementos da Estrutura tem oportunidade, voz ou poder para demover Luis Filipe Vieira dos seus devaneios. E se, para mim, não é surpresa nenhuma que a esmagadora maioria dos elementos preocupa-se mais consigo próprio e com o seu posto  do que com o Sport Lisboa e Benfica (ou não tivessem muitos deles mudado radicalmente de posição em relação ao que achavam de Vieira num passado recente), o que é facto é que Rui Costa tem-se revelado uma profunda desilusão.

Tal como acontece com os restantes elementos da Estrutura, é um facto que Rui Costa parece impotente. Afinal, deve ser muito difícil fazer parte da mesma equipa directiva de um Clube em que o líder pouco se importa com as opiniões dos seus vices e administradores, bem como dos próprios sócios e adeptos. Mas é imperdoável que não se tenha já afastado e trabalhado para se tornar numa oposição forte e credível – sem qualquer dúvida, a melhor e mais importante de todo o “reinado” de Vieira. Pelo contrário, Rui Costa continua na sombra, agarrado ao poder como todos os outros que pouco se importam com o bem-estar do Clube.

É muito difícil encarar a actual figura do antigo internacional português. É inegável que a melhor contribuição que Rui Costa teve foi quando pendurou as chuteiras e assumiu a pasta de Director Desportivo. Aqui sim, o seu trabalho foi bastante bom. A partir do momento em que entrou para a Administração da SAD, vimos um Rui Costa afastado das decisões, pouco importante para o Clube. E aqui continua, fiel ao seu presidente e igual aos demais.

O Benfica está doente. Vieira está a arrasar o Clube e Rui Costa assiste a esse filme, impávido e sereno, como se nada se passasse. Já por várias vezes (e principalmente nas AG), os adeptos abordaram-no e pediram-lhe que interviesse. Quando houve a confusão das cadeiras pelo ar, Rui Costa estava a um canto da sala, a ver a casa a arder, enquanto os adeptos o chamavam à razão. Rui Costa via a ditadura que foi aquela AG e que se tornou o Benfica e não toma uma decisão em prol do Clube. Rui Costa vê o Benfica a deteriorar-se a cada temporada que passa e não toma uma decisão em prol do Clube. Rui Costa não é capaz de descer do seu cómodo posto e tomar uma decisão em prol do Clube.

Há uns anos, houve uma publicidade de angariação de sócios em que Rui Costa dava o seu testemunho, recordando o dia em que marcou um golo ao Benfica, em pleno Estádio da Luz e enquanto estava ao serviço da Fiorentina, dizendo que “quem ama assim tanto um clube, assume-o”.

Palavras leva-as o vento e, afinal, Rui Costa não ama assim tanto o Sport Lisboa e Benfica.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

OS FILHOS DA PUTA, OS GRUNHOS E UM FAROL CHAMADO ONTEM VI-TE NO ESTÁDIO DA LUZ



"Este filho da puta está agarrado ao tacho".

É assim que uma maioria de benfiquistas mimoseia o (ainda) treinador do Benfica. Uma maioria que, há não muito tempo, mimoseava de filhos da puta quem fizesse, mesmo que de forma muito leve, uma crítica a Rui Vitória. É o problema dos grunhos: como não conseguem ver nada à frente, reagem por impulsos. Quando Vitória ganhava, era o melhor do mundo e ai desses filhos da puta que o achavam mau treinador; quando deixou de ganhar, passou ele a "filho da puta agarrado ao tacho".

É claro que, como grunhos que são e continuarão a ser, não percebem que Rui Vitória tem todo o direito a exigir o dinheiro que lhe devem. Sobretudo, porque viu o seu contrato renovado há poucos meses e viu o Presidente dizer, há um mês!, que ele era o treinador para o projecto. Como grunhos que são, não compreendem que o verdadeiro filho da puta não é Rui Vitória, não são os adeptos que criticam Rui Vitória, nem sequer são os próprios grunhos. Como grunhos que são, continuarão a apoiar o filho da puta-mor e a chamar filhos da puta a todos os que o criticarem.

Da minha parte, vejo com satisfação a saída do treinador do Benfica pela simples razão de que o acho um treinador medíocre. Como sócio do Benfica, é meu dever lutar pela excelência no clube e não pela mediocridade. Por isso, desde 2015, quando se soube que Rui Vitória viria para o Glorioso, escrevi centenas de textos a explicar o porquê da mediocridade do técnico; saíram no meu blogue vários vídeos a mostrar o medíocre futebol que a equipa apresentava.

Isto não aconteceu há um mês; aconteceu com Rui Vitória campeão, depois bicampeão, até hoje. A minha análise ao jogo não depende de resultados e por isso está sempre sujeita à ira dos grunhos que nada vêem à frente dos olhos. Fui e fomos (no blogue que partilho com uma equipa de benfiquistas de luxo) insultados, ameaçados, chamados de portistas, apelidados de inimigos do clube. O costume em grunhos que infelizmente, pela sua pobreza de espírito, ajudam a fazer do Benfica um clube liderado por incompetentes. Houvesse mais lucidez, mais conhecimento, mais seriedade, mais educação, mais frontalidade, mais dignidade, mais inteligência, mais benfiquismo, e o Glorioso Sport Lisboa e Benfica poderia ser tudo aquilo que sonhasse ser.

Assim, com esta maioria de gente que vive de impulsos, populismos e mentiras presidenciais, ver-nos-emos sujeitos à total ignomínia: contratar um treinador que, há 3 anos e meio, foi atacado pelo Presidente do Benfica por supostamente ser um traidor da pior espécie. A propaganda de croquetes da BTV logo se apressara a anunciar a grande medida: iríamos receber 14 milhões de euros de indemnização - dizia Vieira: "um euro por cada adepto do Benfica traído". A reentrada de Jesus no Benfica, a acontecer, será o Presidente a enfiar o dedo no cu de todos os benfiquistas. E os grunhos vão gostar.

No meio disto tudo, de uma Ditadura vieirista que faz lavagens cerebrais aos grunhos e uma pseudo-oposição que ou não existe ou se bamboleia entre interesses pessoais, incoerências,  apoios e desapoios a Vieira consoante as marés, só uma luz no universo benfiquista resiste. Um blogue que ilumina, antecipa, avisa, propõe, demonstra, defende, não se vende, dá luz ao Sport Lisboa e Benfica. O Ontem vi-te no Estádio da Luz é o farol glorioso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

11 GLORIOSO PARA O NOVEMBER FEST



Ulisses
Almeida, Conti, Dias, Grimaldo
Fejsa
Zivkovic, Pizzi, Rafa
Jonas, João Félix

Sejam Gloriosos



Nunca, na História dos dois clubes, o Benfica teve uma oportunidade tão flagrante de poder ir vencer a Munique. A máquina demolidora tem tido graves problemas na engrenagem, deixando aos nossos craques uma possibilidade real de fazer muitos estragos.

Um plantel que tem Grimaldo, Fejsa, Gabriel, Pizzi, Zivkovic, Krovinovic, Rafa, Salvio, Jonas, Ferreyra, Seferovic e João Félix pode sempre ter uma noite gloriosa e aproveitar o mau momento do Bayern.

Sim, mesmo sem treinador acredito que amanhã seremos felizes.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Onze anti-aéreo

Svilar 
Corchia, Conti, Dias, Grimaldo 
Gabriel 
Zivkovic, Pizzi, Rafa 
Félix, Jonas 

O JORGE NÚNCIO



Há muitos muitos muuuuuuitos anos, nascia na Cedofeita um rapaz raquítico, de porte frágil, orelhas estranhas e uma verruga no coração. Os médicos atentaram no pormenor verruguento com cuidada atenção: nunca antes tinham visto tal coisa e decidiram, após profunda e demorada entabulação com o prior da freguesia, logo aconselhar os pais do rebento que o melhor, para evitar fúrias demoníacas e vulcões do demo, seria dar-lhe um nome de padreco ou pelo menos fazer uma referência, mesmo que sigilosa, à verruga consubstanciando-a num título religioso, para ver se Deus - nem sempre de bom humor com verrugas, quistos e outras deficiências - deixava passar este fenómeno sem iras divinas nem achaques nervosos.
Algo despeitados, os pais da criança lá acabaram por anuir aos desejos celestiais do padre de serviço. Estava em causa a sobrevivência do menino Jorge; tudo o que servisse para acalmar as forças do Eterno seria parco, até porque havia outras questões ainda por definir no seio do lar, como as recorrentes cagadelas da mãe nos lençóis brancos e a estranha mania do pai de ludibriar os clientes vendendo, não raras vezes (e disto o Senhor estava a par, com toda a certeza), água da torneira por águas finas da França. O casório deu em divórcio, naturalmente - nenhum Deus, por Santo que seja, aceita observar tais fracas virtudes nos seus apaniguados, menos ainda quando se misturam, em simultâneo, os pecados da badalhoquice com os do furto. Caramba, até para o Criador há limites.

Não interessa, no entanto, explorar este tão mal paridinho casamento. Detenhamo-nos em Jorge, agora já baptizado (não se sabe se a água dos canos se a Perrier) de Jorge Núncio de Lima Tinto da Encosta. Um nome que afinal, esqueçamos o título de embaixador do Papa que ali aparece em segundo lugar para não levantar grandes suspeitas, até revelava algum charme portuense. O "Lima", sempre tão agraciado pelos habitantes da Invicta, nome de ascendências históricas e nobrezas mil. O "Tinto" que funciona como os "Smith" ou os "Silva" da Cedofeita - nome popular, é certo, mas digno. E, é lógico, o "Encosta", que leva já milénios idiossincráticos no lombo, nome de marqueses e ladrões, feirantes, putas, prestidigitadores e seminaristas - no fundo, tudo da mesma cepa, apesar dos apesares.
 As professoras na escola ou os vizinhos nas montras dos devedores de fiados liam o nome: Jorge Núncio de Lima Tinto da Encosta e não podiam deixar fugir um "apre, quisto é nome de tripeiro, carago!", sempre entoando o "tripeiro" com mais força, mais veemência, mais orgulho, porque nisto dos nomes e das origens os corações batem sempre mais depressinha.

Jorge Núncio fez escola entre os seus pares: costumava apalpar os rabinhos dos colegas quando eles não estavam a ver e depois ria-se muito (malandro!) com aquele ar de espertalhaço que a verruga no coração sempre lhe deu. Tinha algumas dificuldades de aprendizagem, demorou dois anos para aprender a tabuada do 1 - via sempre mais à frente, Jorge Núncio; enquanto os colegas viam num 1x2 um 2 eles juntava sempre o x e respondia 1x2, que era o que ele tinha posto no Totobola sobre um emocionante Cedofeita-Madalena.
 Devido a estes episódios menos brilhantes, os amigos jocosamente apelidavam Jorge Núncio de "génio", denominação que ele levou no sentido literal e por isso repetia vezes sem conta sempre que chegava a casa. Pena a mãe estar aos peidos em cima do sofá e o pai a encher garrafas de PerrIer com água do Douro - a falta que não faz um harmonioso lar para o crescimento das crianças. "Papá, mamã, dizem que eu sou um génio, papá? mamã?", e o pobre Núncio num aflitivo e solitário pesar, não tendo a quem contar a sua evidente genialidade. Havia uns irmãos que por ali andavam aos caídos, um fazendo-se de macaco - "coitado", dizia o senhor prior, "é anormal" - e outros dois que passavam as horas sentados a contar os peidos da mãe, numa estereofónica sucessão de orquestra, perdendo-se, no entanto, na contagem, tal era a produtividade da progenitora - "mamã, vamos em 532 ou 533? Com molho ou sem?".

É triste, de facto, pensar no que Jorge Núncio teve de passar para chegar a homem. Tantas provações, privações, privados, parvoíces. O rapaz até tinha algum talento (belíssimo a preparar ramos de flores, por exemplo), mas a vida sempre a rebaixá-lo à condição humana do esgoto existencial. O padre da freguesia costumava dizer de Jorge Núncio aos vizinhos que "o rapaz até possui qualidades, mas quem patina em tais destroços tarde ou nunca se embeleza", mesmo que, nas tardes-noites, depois da missa, explorasse a beleza de orelhas estranhas, porte frágil e verruga no coração do menino Jorginho com deleite e mal-disfarçada desfaçatez, obrigando-o a horas extraordinárias a ajeitar as vestes dos santinhos, a cantarolar cançonetas de fraco teor bíblico e - Deus nos perdoe a confissão - a rezar em silêncio (ou quase, a saliva às vezes desnorteia-se), de joelhos na fria mármore do altar da gloriosa Igreja Paroquial de São Martinho da Cedofeita. São pecados que os santos não vêem porque não têm nem coração nem verrugas mas que as gentes, mesmo do lado de fora, pressentem.

Porém, a vida nem sempre se mantém neste patamar excremental. A muito custo - e tanto que Jorge Núncio pediu -, os pais acabaram por ouvir as suas preces (não há peidos que sempre durem nem água suja que nunca acabe): vinha aí o Colégio das Caldinhas, antro de luxo de uns jesuítas loucos por novas contratações de Inverno. Foi feliz, Jorge Núncio, em Santo Tirso. Comia duas ervilhas ao almoço, ao jantar sopa da panela - uma nhanha de água da canja com restos de ossos a preceito coada para dentro de um copo. Tinha brincadeiras e tudo - corria atrás de um pneu horas a fio, enroscava-se nas árvores, descobria o amor: um esbelto cigano que assentou tendas no descampado junto ao Colégio. Com ele descobriu a virtude do engano. Adorava andar às cavalitas do feirante, roçando a verruga nas costas largas do vendedor de putas. Conheceu putas, belíssimas mulheres que alimentavam o seu desejo intestinal de maternidade. Jorge era feliz em Santo Tirso - exceptuando as noites e as surpreendentes visitas de estudantes teológicos à procura da absolvição das almas, tinha uma razão para viver, quase não chorava quando ia dormir, possuía verdadeiro amor na verruga e já estava quase-quase pronto a ser um homenzinho.

Havia, no entanto, algo que Jorge Núncio ambicionava e não podia cumprir: ver o Bi-Campeão Europeu ao vivo. As tardes e noites que passou de transístor ao ouvido, com um padre em cima, a deleitar-se com os golos do José Águas, do Simões, do Torres, do Eusébio; momentos que o marcaram, enquanto fechava as pernas de espanto e desejava ser feliz num emprego mais próximo do Estádio da Luz. Infelizmente, diziam-lhe que essa era a terra dos mouros, que não podia aproximar-se, que eles comiam crianças ao pequeno-almoço, que era preciso ter cuidado - e desavergonhadamente lembravam-lhe a verruga no coração e a necessária devoção aos santos, não fossem eles conspurcar-lhe a existência. Inventaram-lhe um ofício num banco, puseram-lhe uma gravata ao pescoço e disseram-lhe que a partir daquele momento devia esquecer o Benfica: era portista e ponto final!, era do clube dos seminaristas e dos padrecos, dos governantes do Regime e dos pidescos, dos necrófilos e dos sem-lar. Era, no fundo, da equipa de Deus. Com camisola listada azul e branca e sentimento azul e bronco.

Sofreu muito, Jorge Núncio, com o trauma. Mas, como "génio" que era, rapidamente desenvolveu as suas maiores qualidades advindas dos traumatizados: bem patrocinado pelo chefe - homem de grandes contactos na região, empresário de sucesso e ilustre banqueiro -, não demorou a fazer de Núncio uma visita regular na sua casa da Madalena - anos mais tarde, Jorge Núncio também cumpriria esse sonho de possuir imóvel na zona, fazendo de GPS a árbitros e outros aconselhamentos matrimoniais  que nos escusamos a explicar não vamos ser presos, no lugar do famigerado terapeuta, por não estarem as provas suficientemente validadas pela Justiça Portuguesa.
Núncio comia e bebia como nunca: autênticos banquetes, já não de ervilhas e sopas da panela mas de latagões atraentes, musculados, bem oleados por vaselinas de castas da região (a manifesta qualidade reconhecida que há no Douro); Núncio vomitava muito: normal, o organismo de verruga e o cérebro de ervilha não tinham ainda aquela finesse que viria a adquirir quando se tornasse dirigente do Futebol Clube do Porto e transpusesse todos os conhecimentos que foi adquirindo ao longo da vida em bordéis, cerimónias, casas de empresários, seminários, igrejas, paróquias e demais empreendimentos turísticos, alguns no Brasil, que conhece de lés a lés, entre o calor da noite e as noites cheias de calor. Jorge Núncio tinha finalmente atingido o patamar da degeneração humana: queria ser grande e foder o mundo por o mundo o ter fodido.

Não podemos, nesta história, passar um pano sobre a importância que o povo portista, macerado por uma existência de infertilidade de sucessos, teve para a elevação de Jorge Núncio a herói regional. E, claro, não há como esquecer aqueles seres que pululam pelos jornais e televisões, sempre tão preparados para o elogio da loucura. Erasmo, uns séculos antes, falou deles todos. O problema é que ninguém lê.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

O melhor treinador que vi no Benfica


O Logo de Sonho


Abrimos hoje aos nossos ontianos um concurso que visa encontrar um novo logo para este blogue. Pedimo-vos que puxem por toda a vossa criatividade e façam os logos mais gloriosos que conseguirem. O único requisito é o de ter o nome Ontem vi-te no Estádio da Luz; o resto - estilo, imagem de fundo escolhida, tipo de letra, etc - é convosco.

Receberemos os vossos logos (enviem por mensagem) até Sexta-feira, 23 de Novembro. Depois criaremos eliminatórias entre logos até encontrarmos o logo final.

Obrigado e VIVÓ BENFICA!