quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Um vazio no centro do terreno



Às vezes dá-me para pensar no Super Barça.
Valdés, Dani Alves, Pique, Mascherano, Abidal, Busquets, Xavi, Fabregas, Iniesta, Pedro, Messi.

Um meio-campo a servir toda a equipa, da defesa ao ataque.

Que nostalgia cá dentro.

Semana europeia em antevisão ao jogo na Rússia

A semana europeia não começou nada bem para o Benfica.
Depois do desaire da equipa B em Inglaterra, hoje assistimos a uma derrota expressiva dos sub-19 frente aos miúdos do Zenit.

Cabe à equipa principal inverter a tendência desta semana daqui a umas horinhas. E bem que precisamos de uma vitória, é o único resultado que nos interessa tanto enquanto Benfica como para servir a ambição europeia.

Hoje vamos precisar de um Benfica muito mais forte do que aquele que temos visto toda a época. Hoje a equipa tem de dar o salto qualitativo que todos ansiamos. Hoje tem de ser o inicio de um ciclo com rotinas e sistema de jogo a carburar a alto nível.

Não há espaço para erros tácticos, para a exposição de jogadores de qualidade questionável para este nível nem para facilitismos ou medo.

A um ataque cheio de liberdade e qualidade criativa, é necessário criar o entrosamento perfeito entre os seus membros. Não dá para ter um dos 4 jogadores a aparecer a espaços. Jogando o Talisca, está na hora de este começar a participar com mais vivacidade no jogo ofensivo da equipa.

A uma defesa comandada exemplarmente pelo capitão da equipa, é necessário acabar com os erros de casting. Está na hora de a defesa se tornar coesa e eficaz nos seus processos. Nesta altura já não se aceitam as barracas do Jardel nem os buracos do Eliseu. Jogará o Almeida? Tem de defender melhor do que aquilo que tem feito e talvez evitar grande envolvências ofensivas.

A tudo isto é crucial o meio-campo, para mim a zona mais desequilibrada das ideias de Jorge Jesus. Esta zona de terreno tem sido somente uma zona de passagem, com a equipa a depender da qualidade de quem ataca para chegar ao golo e de quem defende para não sofrer. A um nível de Champions é essencial um meio-campo coeso, dominador e capaz de gerir os equilíbrios da equipa. Pede-se um meio-campo que saiba construir, que saiba fazer as compensações defensivas, que saiba fechar e que saiba libertar elementos para o envolvimento ofensivo.

Mas hoje há algo que merece ainda mais atenção do que estas questões técnico-tácticas.
É a postura. Hoje exige-se um Benfica campeão, um Benfica com estofo. Uma equipa sem medos.
É que aquele benfica borrado já é uma presa comum tanto para o Hulk como para o Villas-Boas. Hoje não lhes podemos facilitar o trabalho. Hoje temos de ser Benfica.

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Somos um bom cliente dos bancos

Pelos vistos um clube europeu, ali da zona da Alemanha e mais especificamente Munique, cometeu o amadorismo de saldar a sua divida relativamente à construção do seu estádio.
Pagar atempadamente? Aliás, pagar antecipadamente? Ser bom pagador? Preocupação em liquidar as dividas? Seriedade e responsabilidade? Puro amadorismo.

Hoje em dia ser um bom cliente dos bancos é tão ou mais importante do que ganhar títulos.
Quanto mais milhões de juros pagarmos aos bancos mais motivos temos para nos orgulhar e gabar.

Estes bávaros estão loucos mas o Maior Clube do Mundo é o nosso e o título de Clube Melhor Cliente dos Bancos está bem encaminhado.


http://www.record.xl.pt/Futebol/Internacional/alemanha/interior.aspx?content_id=915851

terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Tango de Nico em ciganice portuguesa

Como no futebol tudo pode mudar numa questão de segundos.

Depois do jogo mediano com a Arménia no Algarve, Portugal conseguiu uma exibição pobre em Manchester. O Fernando Santos entrou com a estrelinha na nossa selecção. Longe ainda de ter conseguido formar uma equipa e um fio de jogo, longe ainda de ter melhorado o nível relativamente à selecção de Paulo Bento, o Fernando Santos está a ser recompensado pela coragem e competência para começar a alterar os erros do seu antecessor.

A nossa exibição foi pobre. Jogámos demasiadamente recolhidos. Faltou-nos capacidade para atacar, o que é natural se virmos o modo como facilmente tínhamos 10 jogadores a defender na nossa área.

Não houve falta de entrega nem de dignidade. Simplesmente os argentinos são também mais fortes nesta característica.

O jogo em si foi pouco interessante, muito morno e com pouca emoção. A Argentina com melhores jogadores e mais equipa foi naturalmente superior. Isto apesar de também ter estado longe de fazer uma boa exibição.

Falou-se muito de um duelo Messi vs Cristiano e felizmente o jogo não andou à volta disso. Contudo, infelizmente tivemos pouco de ambos. Messi tentou fazer a diferença na zona de construção e de ataque argentino mas faltou-lhe a inspiração. O Cristiano tentou fazer a diferença em uma ou duas jogadas individuais, perdendo demasiado tempo em show e pecando na sua melhor qualidade - eficácia.

A segunda parte deu-nos o Nico e o Raphael Guerreiro. O benfiquista fez uma boa exibição e mostrou que a selecção é o seu espaço por direito. O sub-21 marcou posição na equipa A, tanto neste jogo como no anterior. Também tivemos Quaresma. Contudo mais valia não termos tido até ao último minuto do jogo. Quaresma entrou mal, jogou mal, apresentou-se lento e previsível, não ganhou uma bola. Depois mais uma vez ao cair do pano lá voltou a ser decisivo em mais uma vitória por 1-0 da nossa selecção.

Bem, Portugal ganhou à Argentina. Tem pouco valor mas não deixa de ter algum.
Em um minuto tudo mudou. Aos 88 tudo o que havia para referir era um jogo português pobre, uma péssima exibição do Quaresma e uma Argentina superior. Depois dos 89 o que vai ficar é o pé quente do Quaresma, a vitória de Portugal e o sonho tornado realidade do menino Guerreiro. As capas dos jornais rapidamente mudaram os seus teus cinzentos para tons vermelhos em marcha contra os canhões.

Para o Fernando Santos sobra ainda muito trabalho. A ideia das três flechas ofensivas é interessante mas exige mais dos laterais e do meio-campo. Além das rotinas é também preciso perceber que o Danny tem qualidade mas longe de ser um jogador que faça a diferença neste contexto. Este meio-campo também não é o mais indicado, é preciso escolher dois entre o Gomes, Moutinho e Tiago. Penso que a equipa funcionaria melhor com um pêndulo defensivo e dois médios mais soltos, tanto para integrar o ataque como para compensar nas alas. Por fim é crucial perceber que o B.Alves está a anos luz do R.Carvalho, principalmente quando é necessário a capacidade de estar tanto no meio como a cobrir a lateral.

O Beto como uma exibição normal foi o melhor português em campo. Cumpriu em todos os lances obrigatórios de cumprir.
O Raphael merece o reconhecimento pelas boas exibições. Não podendo delegar o Coentrão, pode facilmente encostar o Eliseu e também meter o Antunes a trabalhar muito mais para voltar aos convocados.

Depois destes 4 jogos o Seleccionador Nacional tem vários meses para começar a resolver várias destas equações. A abertura da Selecção a qualquer português que mostre qualidade é um incentivo determinante para melhores exibições dos portugueses no nosso campeonato (e não só).

Qual o próximo passo Fernando?
Não posso responder, na minha cabeça já só está a ida à Luz para ver o Benfica em mais uma eliminatória da taça.

Atenções voltadas para o Moreirense e tudo a saltar!

segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Relação com o BES/NB



O Benfica foi informado sexta-feira que os cerca de 8% de acções que o BES detinha na SAD passam automaticamente para o Novo Banco. Apesar de expectável que assim fosse, não deixa de ser uma boa notícia no mar de duvidas em que se encontram as relações com o Novo Banco.

O Benfica encontra-se, conforme expliquei no meu anterior Post relativo ao Relatório e Contas da SAD, bastante dependente da Relação que tem com a Banca, sendo que a tendência continua a ser a de aumento da exposição e não de diminuição.
No entanto, face aos problemas que ocorreram no BES e que levaram à cisão do Banco em duas entidades distintas levantam-se inúmeras questões que neste momento parecem não ter ainda qualquer explicação.

Na entrevista dada recentemente ao Jornal Record, Domingos Soares de Oliveira, referia que existem dois empréstimos obrigacionistas que estão para se vencer entre Outubro e Dezembro, sendo que a meados de Setembro ainda não existiria qualquer conclusão quanto ao que vai acontecer relativamente a estes valores. O Administrador Financeiro da SAD, refere que a renovação depende da conversa com a entidade gestora do fundo.
Quero acreditar que o facto de no final de Setembro ainda não se saber muito bem o que vai acontecer seja apenas uma forma de DSO não querer revelar para já por precaução como estão a correr as negociações com o Banco e não porque não sabe de facto o que se vai passar.
Os empréstimos obrigacionistas ascendam a 85M€ (35M€ e 50M€ respectivamente - ver Nota Empréstimos Obtidos no Anexo ao Balanço e Demonstração dos Resultados).
Como é óbvio parece-me que nunca existirá forma do Benfica regularizar estes empréstimos na data prevista, pelo menos os dois, pelo que terá sempre que passar por um acordo ou pela emissão de nova divida para pagar a que se vence, algo que começa a ser prática comum.

Infelizmente nem com a constante destruição do plantel o passivo e o passivo bancário inverte a sua tendência de aumento anual.

Penso ainda que em relação a este ponto não podemos estar minimamente descansados, tanto quanto sei as relações com o Novo Banco estão muito complicadas para qualquer entidade, principalmente pela própria falta de liquidez do Banco, pelo que uma possível tentativa de redução de posição (ou mesmo de travagem no financiamento) por parte do banco teria consequências nefastas para o Benfica. O NB participa na esmagadora maioria dos empréstimos da Benfica Sad, que ultrapassam os 325M€ (teve este ano um aumento de 38M€ face ao exercício anterior).

Para piorar a situação, o Benfica tem, para além dos já referidos 85M€, uma conta de curto prazo com o NB que ascende a 90M€, sendo que esta conta é renovável a cada 3 meses, podendo por isso o NB a qualquer altura exigir o pagamento da mesma.
Atenção, Não acredito que o vá fazer, mas situações de dependência tornam-se sempre desconfortáveis mais tarde ou mais cedo, principalmente quando estamos totalmente agarrados a uma instituição em situação altamente delicada, sem liquidez e que pelo que me tem sido dado a perceber, não continua a financiar as empresas com quem trabalha com a mesma "facilidade" com que fazia antes (sendo que no caso do Benfica detém 8% de participação, o que também já tem algum peso).

Dado que Outubro já passou podemos pelo menos deduzir que o Benfica conseguiu chegar a acordo relativamente ao empréstimo obrigacionista de 35M€. Isto poderá ser uma boa noticia de curto prazo, sendo que não melhora em nada a imagem de longo prazo que se perspectiva das contas da Benfica SAD.
Não consegui contudo encontrar qualquer noticia sobre este assunto, em qualquer jornal ou televisão, seja ligada ao clube ou não. Talvez isto se deva ao facto do clube agora ser gerido por dentro, como se apregoa, e eu estou sempre a esquecer-me que os sócios estão na parte de fora.

Deixo ainda uma nota para todos aqueles que se apressaram a vir defender que as vendas de metade da equipa este verão foi forçada pelo BES. Abram os olhos e habituem-se, o Benfica continuará a vender e não o fará apenas por força do BES/NB.


  


ISAÍAS MARQUES SOARES - O HOMEM-MIURA (Parabéns, CAMPEÃO!)


Quando o Isaías se meteu ao saltos com as mãos a fazer corninhos em Alvalade, eu acho que já era uma pessoa. Não ainda completa, porque faltava o Helder e a sua evocação papal para o público. Era assim: uma passada larga, tranquila, e as mãos cheias de golos. O Helder fez de papa para a plateia e os adeptos rezaram sob a chuva. Imagem que nem os mais católicos podem alguma vez ter visto em Fátima, porque em Fátima não há golos nem este nível de religiosidade divina.

Na confusão dos mitos sobre remates para o terceiro anel, o Isaías foi passando entre os pingos e quase que é mais um. O Isaías não é, não pode ser, mais um. Aquele toque de bola, a recepção para a frente - hoje pelos intelectuais considerada "orientada" -, o cavalgar pelo meio-campo feito um Tsubasa sem relvado Himalaia, a finta curta e curva, sem circo - só, como os grandes, um bamboleio de anca e olhos enganadores. O Isaías fintava como o Camarón de la Isla cantava: era só ilusão de machismo; na verdade, era um sentimentalão. Punha a chuteira sobre a bola, o dorso de toiro virava primeiro para a esquerda e depois avançava os olhos, os pés e o coração pela direita enquanto o adversário, por despeito, ficava a escrever enormes tratados contra as touradas.




Tenho o Isaías na alma. Levo-o quando lembro um golo no último minuto. A Luz estava desesperada, desesperavam os adeptos, as pessoas já não acreditavam, havia gente descendo as escadas desde o Terceiro Anel, pessoas passando pelo túnel, quando o Isaías marcou o golo do empate contra o Leverkusen. Houve um grande grito orgástico de todo o estádio e a demência dos que perderam aquilo. Não sei, porque não percebo como pode alguém abdicar de um segundo sequer de Benfica no relvado, mas imagino um Pai a tentar explicar ao seu pequeno benfiquista que tinha cometido um erro, enquanto o meu Pai e eu nos levantávamos sobre o estádio, quase flutuando, com aquele golo que, diziam os deuses, haveria de ser a nossa salvação.

Nesses anos, era assim: empatávamos no último minuto e acreditávamos naquela gente. Sabíamos que eles iriam aproveitar aquele golo para um orgulho estrangeiro e dar-nos mais uma eternidade. O Isaías não morre porque foi um homem que era homem e toiro. Tudo o que fazia tinha arte e força; coragem e elegância; vontade e compromisso. Tinha um sinal na cara que de certeza nasceu quando vestiu pela primeira vez a camisola do Benfica. A gente olhava o Isaías e dizia: és dos nossos. E ele respondia sem palavras, correndo pelo campo, não muito mas bem, dando rotas aos passes ou perseguindo, como se a vida dele disso dependesse, os adversários. Era carraça e sombra e fantasma. A bola se não estava nos pés dos que levavam uma águia ao peito tinha de sentir a vergonha e desistir. O Isaías galgava terreno não como um estafeta mas como um prestidigitador: pés e mãos a adivinhar o próximo passo, o próximo passe. Levantava a cabeça como um garboso miura, subia as golas da camisola e ia recolher bolas que estavam perdidas. Dava-as macias e voltava a correr para ir marcar golo.



Sou suspeito: gosto muito do Isaías. Fez-me feliz tantas vezes que ainda hoje levanto um sorriso no meio de um dia qualquer e sinto que parte dele é uma mistura de golos e passes e corridas e afectos que o Isaías me deu. Também aprendi a chorar com o Isaías: choro mais e mais intenso. E ainda hoje sinto que aquele golo em curva pelo chão na lama levantando o pé para as redes é aquilo que eu sou e quero do Benfica.

Coerência guerrista à la President

Fernando Guerra Santos disse na BTV que o José Fonte é um exemplo de um grande jogador que teve de sair do país para acreditarem e apostarem no seu valor e que algo ou alguém falhou cá em Portugal mas que não vai fazer acusações.

Quando um telespectador refere que no Benfica não parece que se trabalhe do modo tão perfeito como o Pedro Santos Guerra diz e outro lembra que o José Fonte passou pelo Benfica e não teve hipóteses, Pedro Fernando responde algo como "Não, não. No Benfica tudo se tem feito bem! O jogador simplesmente estava tapado e portanto não tinha espaço! Já viu os centrais que tínhamos no Benfica? Temos sempre centrais de grande calibre."

Foi mais ou menos isto.

Como o Fernando Pedro deixou uma pergunta no ar, irei eu aqui tentar responder só para ajudar.

Portanto, este grande central que infelizmente teve de sair do país para mostrar o seu valor devido à incompetência de alguém no futebol português que continua a permitir estas situações, que não os profissionais do Benfica apesar de ter sido no nosso clube que ele não foi aproveitado, foi tapado pela qualidade excepcional e indiscutível de:

No primeiro ano - Luisão, Anderson, R.Rocha, Alcides.
No segundo ano - Luisão, Anderson , R.Rocha, Alcides, D.Luiz.
No terceiro ano - Luisão, D.Luiz, Zoro, Edcarlos e M.Vitor.
No ano que saiu - Luisão, D.Luiz, Sidnei, M.Vitor.

Se tivermos em conta que o D.Luiz só no quarto ano referido é que começou a jogar com mais regularidade...

Realmente o Guerra Santos tem razão.

domingo, 16 de Novembro de 2014

Asterónimo Araújo, o astronauta glorioso

Asterónimo Araújo é nome de astronauta, de viajante espacial, de meteoro glorioso pelo Cosmos. Enquanto segues a alta velocidade pelo espaço sideral rumo ao Planeta Vermelho do Quarto Anel, lembra-te do nosso uivo milenar em agradecimento por tudo o que fizeste pelo Benfica. Voa, Asterónimo, VOA!

sábado, 15 de Novembro de 2014

Mediático golo à Arménia

Aos 71 minutos o Nani à entrada da área descobre o Quaresma com um grande passe. Quaresma recebe a bola e isolado desfere um mau remate permitindo uma defesa fácil ao guarda-redes. A bola sobrou para um defesa da Arménia. O Nani correu a pressionar o homem com a bola e consegue ganhá-la. A bola sobra para o Cristiano que se encontra perto da linha de golo e que no meio de uma confusão de ressaltos consegue colocá-la dentro da baliza, apontando o golo da vitória.

Não se trata de desprezar a importância de quem marcou nem a importância de quem participou. Trata-se de valorizar o trabalho de quem mais fez.

Desde o golo até hoje, tudo o que ouvimos é falar do salvador de Portugal, de Cristiano Ronaldo como a grande figura que resolve todos os problemas da selecção. Mas não só de Cristiano se fala. Também Quaresma tem um enorme destaque. É a nova coqueluche mediática. Afastado por Paulo Bento da selecção e sem estatuto de titular no Porto com Lopetegui, cada toque de Quaresma na bola passou a ser noticia, cada movimento de Quaresma pela Selecção é tratado como se de um regressado D.Sebastião se tratasse (alguma vez o Quaresma foi realmente influente na selecção antes de P.Bento?).

O sentimento, a emoção e a análise do golo de ontem foi tudo à base do circo mediático.
O jogador que mais fez na jogada do golo nem nunca foi referido. Uma injustiça para com o Nani.

Ronaldo o Salvador. Quaresma a Arma Secreta. Comentários chavões. Capas populistas. E onde fica o Futebol?

terça-feira, 11 de Novembro de 2014

"O penálti de Tozé faz-nos bem à cabeça"

Um árbitro da AF Porto assinalou um penalty contra o FC Porto sofrido por um jogador emprestado pelo Porto e que foi concretizado pelo mesmo quando o resultado não era favorável aos azuis-e-brancos. É um daqueles acontecimentos que acontece com a mesma frequência que a passagem de determinados cometas pelo planeta Terra. De qualquer das maneiras, aconteceu, foi bonito e serviu para o Benfica reforçar a liderança no campeonato, que é o que mais importa.

Mas importa também ler isto (link). Diz Nuno Madureira que "o penálti de Tozé faz-nos bem à cabeça", entre outras coisas para acabar com uma série de mitos e crenças que existem, esquecendo-se (ou não) do facto (e facto é uma palavra que merece ser sublinhada) de ter havido jogadores que foram aliciados para falharem golos, realizar más exibições e até para cometerem grandes penalidades para favorecer um certo clube. Eu compreendo que haja jornalistas que queiram ver o mundo em tons de cor-de-rosa e outros que sejam puramente mal intencionados, mas há uma coisa que um jornalista não pode esquecer e que é a famosa "verdade dos factos". É que por cada história de um jogador que é efectivamente aliciado e alvo de tentativa de corrupção para falsear a verdade desportiva, outros 10 ou 20 há que não se conhece a história. E um artigo como o que Nuno Madureira escreveu mais parece uma tentativa de passar uma esponja sobre o assunto, uma tentativa de esquecer ou apagar a história, de a varrer para debaixo do tapete de vergonhas do futebol português. Se há coisa em que o jornalismo desportivo português é fraco e pobre é no campo da investigação. E se tanto há para investigar, se tantas histórias há que poderiam ser descobertas. Mas não, preferem escrever textos moralistas onde fingem esquecer o passado e até mesmo o presente, como os abusos que houve no túnel do António Coimbra da Mota protagonizados por Rui Barros, Nelson Puga e sabe-se lá mais quem ao jovem Tozé.

O penalty de Tozé fez-me bem à cabeça. Fez-me recordar que apesar de tantas histórias podres que existem no futebol português, pouquíssimos jornalistas querem mexer nestes assuntos. Arautos da moral e dos bons costumes, na verdade são cúmplices de mais de trinta anos de mentira. Que lhes sirva de algo.

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Um Sporting que não consegue amadurecer





Não sei se por historicamente sempre ter estado mais ligado ao Sporting ou se por ter nos seus quadros principais uma maioria de sportinguistas, o jornal «Record» continua, semana após semana, a ilibar culpas próprias da equipa de Marco Silva procurando passar uma (falsa) ideia de que o Sporting tem sido mais prejudicado pelas arbitragens do que os restantes clubes.

É possível que, atraído pela emoção e clubismo, quem faz capas absurdas como a de hoje não se aperceba do fenómeno, mas a verdade é que o jornal «Record», ao contrário do que pretende, está a atacar o clube de Alvalade. Enquanto continuarem a desculpabilizar os males próprios com as arbitragens - e é algo infelizmente já bastante tradicional neste histórico clube que nos últimos 30 anos venceu 2 Campeonatos Nacionais -, o Sporting não vai aumentar os níveis de exigência, concentração e competência.

E é pena, porque tem um óptimo treinador e um Presidente que, apesar do seu lado circense, gosta do clube. Falta é definitivamente descalimerizarem.

Fora de Jogo de Alvalade


Desde o momento do lance que não tenho qualquer dúvida sobre o fora-de-jogo ao Slimani no "golo" do Montero.

A contestação leonina aparece de forma natural e expectável.

O que me move para este post nada tem a ver com picardias clubisticas ou como resposta aos sportinguistas.

Após ler e ouvir tanto sobre a suposta inexistência de fora-de-jogo no tal lance, muitas opiniões fundadas em uma imagem explicativa da FIFA, não consigo evitar vir clarificar essa questão.

A imagem que tem sido divulgada pouco tem a ver com o lance em questão. Essa imagem é um slide de uma apresentação que tem outros slides que convém também apresentar.

Para começar, na lei temos:

"Um jogador na posição de fora de jogo só deve ser penalizado se, no momento em que a bola toca ou é jogada por um colega de equipa, o jogador, na opinião do árbitro, toma parte ativa do jogo:
• interferindo no jogo ou
• influenciando um adversário ou
• tirando vantagem dessa posição"

Se mesmo assim não fica claro então temos uma imagem ilustrativa.

A diferença entre a imagem que partilhamos e a imagem que tem sido divulgada está na existência de uma abordagem defensiva ao lance. A questão não é o Slimani se ter feito ao lance mas sim essa sua acção ter condicionado a acção do defesa.


sábado, 8 de Novembro de 2014

A linha que separa Futebol da Sociedade

Pedro Proença em entrevista ao Jornal Record:

"Fora do futebol as pessoas entendem-se."


Não venho aqui fazer juízos de valor ou de competências sobre este árbitro/cidadão.

O meu objectivo é o de simplesmente expor esta mentalidade que a tantos afecta.
Dirigentes, jogadores, treinadores, árbitros e adeptos. Todos são afectados por esta mentalidade que nada mais faz do que rebaixar o futebol.

Há muito esta mania de se olhar e viver o Futebol de um modo totalmente diferente daquele que se vive em sociedade.
Quantos não são os estudiosos, grandes empresários, gente de opinião ponderada e de grande grau de inteligência que quando chegam às bancadas deste desporto começam a disparatar as mais atrozes parvoíces? Movidos por ódios e amores as pessoas agem de modo diferente no Futebol daquele que agem na sua vida.

Uma coisa é o Futebol e outra é a Sociedade. Como se fossem duas realidades distintas que não interagem entre si. Assim se menoriza este Desporto.
Há muito a ideia de que se pode dizer tudo e mais alguma coisa, que se pode fazer tudo e mais alguma coisa, quando o assunto é bola pois não teremos repercussões na nossa vida.

Quantos não são os cidadãos exemplares que fazem reciclagem, ajudam "velhinhas" a atravessar a passadeira e distribuem sopas aos pobres mas que depois aparecem no estádio a encher tudo e todos de insultos, a provocar a policia e a arremessar cadeiras?

Não pode haver esta separação fantasiosa que muitos gostam. O que fazemos dentro do Futebol deve fazer sentido com o modo como vivemos a nossa vida, deve ter consequências na nossa vida social e deve fazer parte da nossa identidade, não da de algum alter-ego.

Um crime cometido em ambiente de jogo é um crime social. Quem o comete deve ser tratado como um criminoso, seja no estádio, seja na rua ou seja em colóquios sobre arbitragem.

WWE é teatro. Futebol não devia ser.



http://www.record.xl.pt/Entrevistas/interior.aspx?content_id=913774


quinta-feira, 6 de Novembro de 2014

Considerações sobre o futebol do Benfica


Olhando para o jogo com o Mónaco na passada Terça-Feira, analisando o que ia acontecendo tanto em termos colectivos como individuais, teci várias considerações. Algumas já ditas perante jogos anteriores e outras confirmadas durante este último jogo europeu.
Os próximos cinco pontos que vou apresentar aparecem como uma consolidação da análise que ontem fiz do jogo.

- Ficou claro que o Benfica precisa ter no banco uma solução para as alas na qual o treinador acredite e aposte. Com o Pizzi a ser trabalhado para ser 8 e com o Ola John lesionado e mais vocacionado para a esquerda, sobram o Sulejmani, Tiago e Guedes. Para mim seria um all-in no miúdo. Não sendo esta a escolha então que se comece a dar competição ao Sulejmani.

- Com avançados de trabalho mas sem golo no pé, quem tem aparecido é o goleador Talisca. O brasileiro está com o pé quentíssimo. Quando se espera que um ponta de lança finalize e um segundo avançado, ou 9,5, construa, o que temos visto no centro do ataque benfiquista é uma inversão desses papéis.

Antes de falar do Talisca deixo já esclarecido que não dava nada por ele até há um mês e agora já lhe reconheço mais qualidades apesar de estar longe de me convencer. Ainda não vejo no brasileiro um jogador com qualidade e potencial para ser titular num Benfica de grandes voos.
Pé esquerdo com talento, confiança com a bola, bom arranque e uma boa capacidade de, sem bola, ler os processos ofensivos da equipa. Além disso tem também grande humildade no seu jogo.
O rapaz marca imenso mas ainda não fez um jogo que me permita dizer “ganda joga do Taliscão”. Aparece a espaços, isso quando aparece. É um jogador de momentos e que necessita de espaço para jogar.

No processo defensivo da equipa desaparece, não mostra capacidade para participar nos equilíbrios do meio-campo e durante 90 minutos facilmente se deixa ofuscar pela qualidade dos nossos alas.

Estes desaparecimentos também são muita culpa do Jorge Jesus. O Talisca é um 10 que veio para jogar a 8 e que acabou por ser adaptado ao 9,5 do JJ. Andando a rodar entre duas posições que não são a sua, é normal que o jogador se sinta perdido em campo e que só quando reunidas determinadas condições consiga dizer presente.
Este jovem brasileiro precisa de espaço para desenvolver as jogadas, rende jogando de frente para a baliza e liberto de responsabilidades defensivas. Tem também uma grande capacidade de finalização.
A 8 fica demasiadamente longe da sua zona e com pouco espaço. A 9,5 fica condicionado na sua progressão e é obrigado a jogar mais de costas para a baliza.

Veio rotulado de especialista em bolas paradas, contudo tem sido uma desilusão nessa vertente. É a sua veia goleadora, desconhecida dos seus descobridores, que tem feito a diferença.

Deixo uma pergunta. Será que com um jogador que apresente um maior rendimento colectivo, a equipa não ganhará mais do que com os golos do Talisca?

- A questão quente esta época tem sido na posição 6, com o Samaris longe de mostrar ser a solução.
O problema é que no plantel só temos um jogador com características para esse lugar, o sérvio Fejsa que só volta aos treinos em Janeiro depois de 7 meses parado. Sem o sérvio sobra o André Almeida, um jovem regular, um jogador útil e que neste Benfica é o bombeiro de serviço.
A equipa-tipo de Jorge Jesus necessita de um 6 como o Javi ou o próprio Fejsa. Um 8 naquela posição desequilibra a equipa e condiciona o Enzo. O Matic brilhou ali mas não podemos comparar enormes com bons médios. Mesmo com o Matic a equipa jogava em desequilíbrio mas tinha muito mais talento.
Quem não se lembra da péssima primeira metade de época do Enzo em 2013-14?

- Sobra falar sobre o maior dilema dos 6 anos de Jorge Jesus. De César Peixoto a André Almeida, a lateral esquerda tem sido quase um constante problema.
Numa época para a qual não quisemos negociar com o Siqueira, para a qual não vimos talento na formação e para a qual contratámos 3 laterais esquerdinos, a melhor solução para a posição 3 é sem dúvidas o destro centro-campista André Almeida.

- Por fim a abordagem ao mercado. Desastrosa na minha opinião.
Vendas foram muitas. Saíram vários jogadores cruciais. A formação não foi, mais uma vez, um “mercado” a ter em conta. A planificação dos reforços foi simplesmente pobre.

Chegaram bons jogadores mas também vários jogadores sem lugar neste nível.

Júlio César, Samaris, Cristante, Talisca, Jonas e Derley trazem qualidade à equipa mas são também o espelho da má planificação. Uns chegaram para a posição errada, outros tarde demais, outros por valores inaceitáveis e outros como solução somente para o imediato.

Bebé, Benito, César, Eliseu, Candeias, L.Felipe e Djavan falam por si.

Neste momento ainda temos uma parte do plantel em pré-época, temos o nosso ponto forte (alas ofensivas) a caminho da exaustão e continuamos sem uma solução clara para a vaga no centro da defesa, na lateral esquerda e na posição 6.

Análise Financeira Benfica SAD


Hoje o Benfica aparenta estar dividido naquilo onde é mais forte, nos sócios e adeptos. Nunca como hoje me recordo de ver ataques, por vezes pessoais, entre associados, apenas pelas diferentes ideias ou diferentes visões para o futuro do clube.
Eu não sou Vieirista ou anti-Viera, não sou taliban e não sou abutre. Sou Benfiquista (e isso me envaidece) e como tal o meu objectivo tem que ser apenas e só um, o superior interesse do Sport Lisboa e Benfica.
O Benfica tem que ser mais do que uma pessoa. Tem que ser mais do que o grupo de pessoas que o dirige a determinado momento. O Benfica tem que ter Orgulho no seu passado, tem que ser forte no seu presente e tem que ter visão na construção do seu futuro.
E é esse que me preocupa hoje, o Futuro do Benfica.
Segundo palavras do Presidente do Benfica, o clube é hoje gerido como uma empresa. Quer se goste ou não dessa expressão e dessa visão para o nosso clube, há uma coisa que eu tenho a certeza, o Benfica não está a ser gerido como uma empresa, ou pelo menos, não como uma boa empresa.
Uma boa empresa é sustentável operacionalmente, sem necessitar de proveitos extraordinários, neste caso vendas de jogadores, para conseguir honrar os seus compromissos. Uma boa empresa não tem o seu Capital Próprio Negativo. Uma boa empresa não deixa que o seu Passivo Financeiro aumente todos os anos da última década, sem que consiga colocar travão a essa dependência.
Mas analisemos os factos mais gerais que me causam desconforto em relação às contas da Benfica SAD que o Benfica disponibilizou na ultima sexta-feira aos sócios (Deixarei para futuros Posts analises mais particulares como a Benfica Tv, a Relação com o BES/NB e outros...):

1) Resultados Operacionais e sustentabilidade operacional

Explicando de forma simplificada, os resultados relativos a um ano de um clube dividem-se nas seguintes grandes rubricas:
- Resultados Operacionais – Os proveitos (Direitos Televisivos, Bilheteira, Loja...) e custos (Salários, Água, Luz, Manutenção...) que decorrem da operação normal de um clube.
- Resultados com atletas
- Juros da dívida: Juros gerados pelas dívidas bancárias

Ou seja, qualquer leigo consegue facilmente perceber que para que um clube não seja dependente da constante venda de jogadores e da consequente reconstrução de um plantel, os seus resultados operacionais têm que ser suficientes para pagar os Juros gerados pelos seus empréstimos e o seu serviço da divida caso se vença algum empréstimo.
O grande problema é que os resultados operacionais do Benfica são constantemente negativos ou insuficientes para pagar os juros da divida. Este ano o resultado operacional da Benfica Sad, sem vendas de jogadores, ascendeu a cerca de 4M€ negativos, algo que torna impossível a sua sustentabilidade.
Dado esse recorrente deficit operacional, o Benfica depende de duas coisas para suportar o pagamento dos juros ou do serviço da divida à banca:
      1)      Vender jogadores e delapidar constantemente o plantel que vai construindo;
      2)      Endividar-se mais para conseguir pagar o serviço que já tem de divida e o seu passivo financeiro continua a aumentar regularmente.

Assim sendo o Benfica tem que suportar numa base anual quer os seus juros, que este ano ascenderam a 19,6M€, quer os seus resultados operacionais negativos (este ano de 4M€), com os resultados de vendas de jogadores (Vendas - Compras) em valores pelo menos superiores a estes (e isto se não se vencerem empréstimos).
Os números não deixam margem para uma segunda interpretação e se o Benfica fosse de facto gerido como uma empresa isto já teria sido explicado anteriormente aos sócios e adeptos, para que os mesmos fossem de facto chamados para decidir o futuro que querem para o nosso Clube.
Este modelo não é único em Portugal, aliás, nenhum dos clubes grandes é de facto sustentável operacionalmente para aguentar não vender jogadores sempre que há uma proposta elevada. O que choca mais no caso do Benfica, é que também sabemos que somos os únicos que temos dimensão e capacidade de gerar proveitos para não estarmos tão dependentes das transacções de jogadores.
Assim, quando a direcção do clube vos disser que os resultados operacionais do clube são 34M€ positivos, vamos todos lembrar-nos que estão a considerar os resultados com transacções de jogadores no valor de 38M€.  
Mais preocupante são as declarações do nosso Presidente há cerca de um ano, quando referiu que seria o último ano em que o Benfica precisaria vender jogadores por questões financeiras, o que me deixa com as seguintes interrogações:
    -          O Presidente do Benfica mentiu aos sócios e adeptos do clube?
    -          O Presidente do Benfica desconhece os números do próprio clube?
    -          O Presidente do Benfica equivocou-se?
    -          Será que o presidente do Benfica consegue hoje fazer mais alguma afirmação deste género?

Queria deixar apenas uma referência à entrevista de Domingos Soares de Oliveira que referiu que os gastos com salários do Benfica, por termos chegado longe em todas as competições ajudaram a piorar os resultados. Será que o Benfica chegará a um ponto em que terá que perder para ser sustentável?

2) Análise de Balanço (Activo, Passivo e Capital Próprio)

A análise do Passivo é a mais exaustiva em todos os jornais e televisões, levando muitas vezes a análises incorrectas e até disparatadas.
As comparações entre clubes sucedem-se mesmo quando os critérios apresentados são diferentes e parecem olhar exclusivamente para esta rubrica como se uma empresa (ou clube) enorme devesse ter o mesmo passivo que a mercearia da esquina da rua.
Neste ponto estou portanto de acordo com o Domingos Soares de Oliveira, que referiu que toda a gente olha para o Passivo, deixando de parte o activo.
O único senão é que o Benfica não tem hoje activos liquidos suficientes para pagar o seu passivo.
Alguém tem que lembrar o Dr. DSO que a Autonomia Financeira do Benfica (Rácio que mede a Solvabilidade Financeira, ou seja, a capacidade de uma entidade fazer face aos seus compromissos) é Negativa. O Capital do Sport Lisboa e Benfica Sad Consolidado é Negativo!!!
Mas vamos por partes, o Passivo do Benfica são hoje 449M€. (sim, infelizmente leram bem, não digitei números a mais)
Do activo do Benfica a curto prazo temos apenas cerca de 108M€. Ou seja, recebendo a totalidade desses activos restam cerca de 340M€ de passivo para pagar. Se considerarmos que o Benfica não vai vender o estádio nem os seus activos fixos, resta que o plantel do Benfica seja suficiente para pagar esta barbaridade de passivo (mais uma vez, dependência total das vendas).
A tudo isto há a acrescentar que o Benfica é , como expliquei no ponto anterior, anualmente deficitário, pelo que o seu passivo vai continuar a aumentar.
Para verificarem que o que eu estou a dizer é factual e baseado em numeros e não demagogia, a Benfica Sad consolidada tem hoje um passivo de 449M€, quando em 2013 era de 440M€... e em 2012 eram de 426M€... e em 2011 era de 380M€.... e em 2006 eram de 151M€...
Eu sei o que me vão dizer, “que incoerência, a dizer que não se podem comparar passivos e vai comparar com uma altura (2006) em que as contas ainda não consolidavam com a Benfica estádio e a Benfica Tv”. Pois, é verdade, mas não nos esqueçamos que no relatório e contas de 2013 o Benfica revelava que o passivo da Benfica Estádio e da Benfica Tv em conjunto rondavam os 119M€. E o resto do aumento como se explica?
Benfiquistas é hora de acordar por favor, eu não estou a falar de Obras, de construir Estádios e centros de estágio. Nessa área eu até reconheço alguma competência, mas é fácil fazer obra se for a crédito e se for apenas aumentado crédito para repagar o anterior. Eu estou a falar de operação, o Benfica não é sustentável e é por isso que o passivo não pára nem parará de aumentar se continuarmos neste caminho de destruição.

Atenção que todos estes valores se referem à SAD, e que nas contas consolidadas da SAD o Benfica não apresenta a situação de todo o grupo Benfica, faltando as contas do Clube e da Benfica SGPS. Este facto é logo um factor gerador de desconfiança e que não se quer num clube que luta pela transparência do futebol Português.
Mais grave se torna por sabermos que o Benfica clube individual apresenta também ele um Passivo desastroso. 



Conclusões e desabafos

As contas da Benfica SAD são assustadoras para qualquer pessoa que as entenda, ou que minimamente as queira entender.
O Presidente do Benfica tem dito constantemente que o Benfica é gerido como uma empresa, no entanto qualquer empresa numa situação deste género deixaria de ser apoiada pelos bancos e seria apresentada à insolvência imediatamente.
Os resultados operacionais são negativos, os juros muito elevados. O Passivo é monstruoso e não para de crescer e o Benfica vive na dependência de ter que vender jogadores e pedir novos empréstimos. O seu Capital e autonomia financeira são negativos.
Enquanto isso assistimos a negociatas estranhas e que ficam por explicar, à utilização dos meios de comunicação do clube para desinformar e não para informar e a um constante refundir da situação financeira que o clube atravessa e com contas não totalmente consolidadas com todo o grupo (Falarei destas questões em futuros Posts).

E mesmo com tudo isto a acontecer vivemos a maior crise de democracia de que me recordo no Sport Lisboa e Benfica, onde adeptos que questionem são insultados e tidos como “abutres” ou “talibans”, como se a defesa do Benfica se fizesse pela unanimidade constante.

Ó Benfica, hoje és nevoeiro... É a Hora!

quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

Noite europeia na Luz



Antes de mais nada, vitória importantíssima.
O Benfica tem de ganhar, o Benfica tem de ganhar na Luz, o Benfica tem de ganhar ao Mónaco e o Benfica tem de ganhar jogos na Liga dos Campeões. O milhão da vitória é interessante mas quase insignificante ao lado do que uma má campanha na Liga dos Campeões traduz. O jogo era para ganhar e o Benfica ganhou.
   

O Mónaco tem uma boa e equilibrada equipa. Subasic é um bom guarda-redes e a defesa é coesa com o R.Carvalho a elevar a sua qualidade. O meio-campo é forte, defensivamente competente mas ofensivamente insuficiente. O Moutinho é o jogador mais avançado dos três o que resulta em falta de apoio ao ponta de lança e pouca presença na área adversária. No ataque os dois jovens extremos mostram qualidade mas ainda precisam explodir para fazerem a diferença.

O centro do ataque parece-me o ponto fraco deste Mónaco. Além de pouco apoiado, o próprio ponta de lança carece de mais qualidade e adaptação ao jogo da equipa. O Berbatov está lesionado e já tem 33 anos. O Lacina e o Martial são jovens e ainda não acrescentam muito à equipa. Ontem o gigante mostrou alguns pormenores mas no geral do jogo não fez a diferença e os seus mais de 2 metros pouca utilidade tiveram.

A esta pouca capacidade ofensiva da equipa do principado opôs-se a capacidade ofensiva dos jogadores do Benfica. Este foi o ponto-chave do jogo de ontem.

O Mónaco teve mais jogo, o Mónaco teve mais tempo por cima, o Mónaco dominou praticamente a segunda parte toda e o Mónaco parecia estar a construir aos poucos o caminho para uma vitória já com o empate garantido, mas foi o Benfica que criou maior perigo, que imprimiu maior velocidade ofensiva e que conseguiu chegar ao golo.

Entrámos melhor no jogo mas cedo ficou óbvio qual seria um dos nossos grandes problemas: desastrosa noite do Salvio a quem nada correu bem.

Ao Toto nunca falta empenho mas ontem foi só mesmo isso que ele apresentou. Muitas das situações perigosas que criámos morreram na demora a decidir do argentino, nas más decisões e nas más execuções.

Com o Nico do costume talvez tudo isto ficasse mais camuflado mas tivemos o Nico do Rio Ave. Com o passar do jogo o nosso 10 foi perdendo a capacidade de decisão e execução. Não perdeu a confiança e tentou recuperar a inspiração mas sem sucesso. Exibição mediana do Gáitan que, tal como na segunda parte com o Rio Ave, mexeu com o jogo mas sem eficácia de processos.

O Benfica chegou à vantagem num canto (!!!) ao minuto 82. Esse golo apareceu numa fraca segunda parte da nossa equipa mas numa altura em que tínhamos conseguido produzir uns quase 10 bons minutos. O golo ter sido de canto foi caricato, tendo em conta a tristeza que foram os nossos últimos 30 escanteios.   

Resumidamente, tivemos um Benfica a entrar perigoso, mais forte nos primeiros 20 minutos mas com os seus atacantes em má noite. Um resto de primeira a equilibrar para os monegascos e uns restantes fracos 45 minutos. Até no nosso pior período conseguimos criar bons lances mas faltou inspiração no último passe e finalização. Além dos argentinos das alas, também o Derley ficou aquém. O avançado não tem feito a diferença, aparece pouco em zonas de finalização e não trabalha tanto nem tão bem quanto o Lima.

Ontem o Talisca fez o seu melhor jogo na Champions mas ainda não me encheu o olho. Marcou, o que só por si já é muito bom, mas pouco trouxe ao jogo, tirando dois ou três bons envolvimentos ofensivos.

O Luisão e o Maxi já não sabem jogar mal mas o Jardel voltou a deambular entre bons e maus momentos, inconstância inadmissível no titular.

O André não fez um bom jogo mas continua a ser a melhor solução para a posição.
O Enzo é um craque que joga totalmente condicionado pelas opções do treinador, sendo vítima da indefinição da posição 6.
O Samaris não fez dos seus piores jogos mas continua a léguas de ser o 6 que a posição requer, que o colectivo exige e que melhor liberta o Enzo.

Na baliza o Júlio César está a anos-luz do Artur. Será que irá resistir fisicamente?
Uma das grandes diferenças entre os dois é a velocidade de reposição da bola. Um mostra atitude de gigante europeu e o outro de um Braga desta vida.



A segunda parte do jogo de ontem tem dois aspectos que acho cruciais referir. O domínio monegasco sem capacidade de desequilíbrios ofensivos e a substituição “suicida” que o Jorge Jesus fez.

Esta decisão tanto pode ter sido uma precipitação egomaniaca do treinador como questão estratégica mais pensada e de grande risco.
Isolar o Enzo tem sido uma alternativa já trabalhada pelo Jorge Jesus e ontem perante uma luta pelo meio-campo já perdida, o treinador encarnado pode ter percebido que não tinha como reverter essa situação e decidiu desistir dessa luta. Optou por reforçar a pressão na primeira zona de construção do Mónaco, partindo o jogo e proporcionando um maior aproveitamento da velocidade dos alas e avançados no momento da recuperação da bola.


Resultou? Não acredito. Foi esta a leitura? Duvido mas é possível. O que fica é o golo que apareceu do modo mais imprevisível mas pelo suspeito do costume.

Na próxima jornada o Mónaco visita um Bayer com 95% do apuramento alcançado e o Benfica vai à Rússia defrontar um Zenit faminto de pontos.

Os Oitavos continuam muito complicados e a Liga Europa continua longe.

Perder na Rússia significa mais um afastamento da Champions e o terceiro lugar fica muito dependente dos resultados do Mónaco, sendo que um empate caseiro com o Bayer só serviria caso o Mónaco perdesse os dois jogos e mesmo a vitória nesse jogo só serviria caso o Mónaco não vencesse nenhum dos seus jogos.
Depois da importante vitória ontem temos uma tão importante na Rússia para alcançar.


Para finalizar deixo a minha esperança de que aquilo que o nosso treinador vai dizendo nas conferências de imprensa não passe de uma comunicação estratégica, uma manipulação da opinião externa e de protecção ao balneário. A alternativa é o Jorge Jesus acreditar mesmo no que diz…


segunda-feira, 3 de Novembro de 2014

Fim da novela do fora-de-jogo

Já há uns tempos tive uma discussão com outros benfiquistas devido a uma reclamação que faziam sobre uma linha de fora-de-jogo da SportTV que supostamente estava mal feita e prejudicava o Benfica.
Na altura tive de me socorrer do Paint (!) para sustentar a minha argumentação. O assunto ficou esclarecido.

Agora, previsivelmente, aconteceu o mesmo mas por parte de adeptos não benfiquistas e num lance que supostamente favorecia o Benfica.

A conversa sobre o posicionamento do fiscal de linha é aceitável. A conversa sobre o fora-de-jogo no limite assinalado mais por instinto do que seria desejável também é aceitável. A conversa sobre a alguma sorte que o Benfica teve neste lance também é aceitável.
O que não é aceitável são as afirmações contínuas e mediáticas de que o fora-de-jogo foi mal assinalado e de que a Benfica TV, ou BTV (...), adulterou a linha de fora-de-jogo.

Algo que já concluí há muito tempo foi que no Futebol todos adoram falar mas poucos gostam de pensar.

O seguinte vídeo pode esclarecer e acabar de vez com esta polémica sem sentido:

https://www.youtube.com/watch?v=R-xM3imLEW4


PS: Sobre o lance deixo a minha rápida opinião. Fora-de-jogo no limite, árbitro auxiliar em péssima posição. Houve alguma sorte no acerto da decisão. Decisão acertada. Daqueles lances em que se o árbitro deixa seguir também seria aceitável. Não tenho dúvidas que a (boa) decisão do árbitro foi tomada pela visão que teve e também pela pressão de estar a arbitrar um grande em sua casa.


Franco Foda

Franco Foda não era grande jogador, mas Foda era o cromo que todos queríamos ter na colecção. Foda era o livre-trânsito que legitimava podermos dizer asneiras em frente aos adultos. Além disso, Franco Foda obrigava os comentadores desportivos a um enorme esforço de adulteração do nome, criando novos Francos Fodas que se metamorfoseavam em «Franco Fôda» ou «Franco Fodá». Obrigado por existires, Franco Foda. A infância contigo foi muito mais feliz.


sábado, 1 de Novembro de 2014

O jornalista em fora-de-jogo

Raramente falo de arbitragens. Ao contrário da larga maioria dos meus consócios, não acredito que sejam elas a condicionar a vitória final no Campeonato. Não nos últimos anos, claro, que as décadas de 80 e 90, essas sim, foram um autêntico circo dourado. Actualmente, chega-se ao final da temporada e os três grandes tiveram, em média, o mesmo tipo de prejuízos e benefícios arbitrais. Por isso raramente falo em arbitragens; por considerar que é a competência que ganha troféus e que a estafada conversa sobre árbitros só nos iliba da nossa própria incompetência (e se nos últimos 20 anos ela tem existido no nosso clube..). 

Mas isto, este nojo que aqui está, isto, esta vergonha jornalística, tem de ser denunciada. O imbecil que escreveu uma coisa destas devia ser imediatamente demitidio e perder, se a tem, a carteira profissional. Primeiro, e ao contrário do que este mentecapto pensa, é possível a um fiscal de linha, mesmo não estando enquadrado, conseguir perceber se um jogador está adiantado em relação a outro; Segundo, e ao contrário do que este idiota insinua, se o fiscal de linha marcou o fora-de-jogo não foi por dotes de «adivinho» mas por ter tido a noção de que estava correcto; por fim, e ao contrário do que este parasita tenta deixar no ar, o jogador estava mesmo em fora-de-jogo.

Este oligofrénico, em vez de fazer torpes insinuações sobre fiscais de linha e textos nojento-demagógicos, podia antes ter a mesma coragem para denunciar os corruptos que grassam no futebol português - alguns há mais de 30 anos. Mas para isso já lhe faltam os dotes. Não de adivinho, mas de decência.


quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

A guerra fecha quando joga o Benfica

«Visão: Ainda sonha com a guerra?

Lobo Antunes: (...) Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que, agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo havia coisas extraordinárias. Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques. (...)

Visão: Parava a guerra?

Lobo Antunes: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra.»

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Ouro


Em cima, da esquerda para a direita: Paulo Sousa, João Pires, Pedro Valido, José Carlos, Paulo Madeira, Neno, William, Stefan Schwarz, Rui Bento, Sergei Yuran, Kulkov

Fila do meio, da esquerda para a direita: Rui Costa, Asterónimo Araújo, Jorge Castelo, Eusébio, Eriksson, Toni, Amílcar Miranda, Gaspar, Rui Águas, César Brito

Em baixo, da esquerda para a direita: Manuel Bento, Vítor Paneira, Hernâni, Veloso, Jorge de Brito, João Santos, Gaspar Ramos, Thern, Magnusson, Isaías, Pacheco, Silvino

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Um jogo preocupante



Do jogo de ontem sobram questões muito mais preocupantes do que o “mero” resultado final. Um jogo ganha-se e perde-se, às vezes, por pequenos detalhes episódicos e, de facto, mesmo jogando mal, poderíamos ter chegado ao final do jogo com um resultado diferente.

O que me deixou preocupado foram outros sinais dados:

- Uma equipa fisicamente débil. Pela transmissão televisiva, e posso ter sido induzido em erro, pareceu-me claro que jogadores fulcrais como Sálvio, Enzo e Gaitan explodiram fisicamente a 20/30 minutos do final. Qualquer um dos três parecia abafar se alguém lhes tapasse a boca. É verdade que tivemos um jogo exigente a meio da semana a que se adicionaram as viagens de ida e volta mas, numa fase tão prematura da época, parece-me estranho tamanha sofreguidão atlética.

- Enzo está longe dos melhores momentos. Naturalmente que a qualidade dos jogadores que vai tendo ao seu lado ainda não é a melhor, mas não há como esconder que o nosso “Ferrari” não está a carburar como seria desejável. Deste início de época lembro-me apenas do jogo da Supertaça como o único momento “à Enzo”.

- Continua a tendência para JJ não conseguir vencer os jogos de média/alta dificuldade. Por muitas saídas que tenham ocorrido no plantel, por muitas caras novas que tenham surgido no 11, será de aceitar uma derrota em Braga? É que o Braga trocou de treinador e também tem uma serie de jogadores novos. Mas, como disse no início, pior que o resultado foi a má exibição. Uma equipa desligada e sem um futebol fluido que ia vivendo dos rasgos e repelões individuais para se chegar à frente. Mau, péssimo jogo colectivo. Tanto a atacar como a defender. O lance do primeiro golo Bracarense é absolutamente anedótico.

- Num jogo em que se encontra a perder e com alguns jogadores a darem claros sinais de esgotamento físico é compreensível que o treinador deixe 2 substituições por realizar? Os que coloca em campo até podem nem ser melhores dos que os que tira mas, pelo menos, coloca sangue novo no jogo, pelo menos, tenta algo diferente. Não tem qualidade para mexer nas alas? O Bebe não era do Benfica, já o Bernardo Silva… O Jara é um cepo e está sem ritmo de jogo depois de uma paragem de 1 mês? O Nélson Oliveira ficou em Lisboa… O Eliseu é fraco? Mas este era o lateral esquerdo “fetiche” de JJ, ao ponto de, na sua 3ª época, ter dito que “ou vem o Eliseu ou não vale a pena vir outro”… Samaris ainda não compreende o que a equipa lhe pede? O André Almeida tem dado conta do recado…

Uma coisa podemos ter certa, a nossa liderança também resulta muito do calendário algo favorável que tivemos até aqui, agora sim vão começar as maiores dificuldades que o nosso campeonato apresenta, ou seja, a visita ao Dragão, ida à Madeira para as visitas ao Nacional e Marítimo, para lá da segunda volta da fase de grupos da Liga dos Campeões. Ainda somos líderes, mas se não melhorarmos consideravelmente, a situação pode alterar-se nos próximos tempos.