quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Não é santo nem milagreiro



Vou aproveitar a pausa no campeonato e o contexto de fecho do mercado de transferências para colocar aqui uma lista na qual muito tenho pensado.

Desde Junho que em muitas discussões tenho sublinhado muitos destes nomes.

Não pretendo provar a qualidade (ou falta dela) de nenhum treinador e muito menos negar os méritos deste. Somente tenho esta necessidade de contrapor um excesso de avaliação, a roçar a feitiçaria, a que assisti nestes meses.


Jorge Rojas
Pawel Dawidowicz
Victor Andrade
Elbio Wallace
Kevin Friesenbichler
Dolly Menga
Alipio
Rafael Copetti
Cláudio Correa
Diogo Rosado
Deyverson
Bryan
Wei Huang
Harramiz
Steven Vitória
Uros Matic
Filip Markovic
Lolo
Jim Varela
Derlis González
Gianni Rodríguez
San Martín
Carlos Ascues
Ernesto Cornejo
Rui Fonte
Éder Luís
Airton
Alan Kardec
Patric
José Shaffer
Felipe Menezes
Júlio César
Leandro Silva
Keirrison
Roberto
Jara
Fábio Faria
José Luis Fernández
Lionel Carole
Élvis
Bruno César
Émerson
Mika
Nolito
Joan Capdevila
Rodrigo Mora
Daniel Wass
Nuno Coelho
Yannick Djaló
Ola John
Luisinho
Hugo Vieira
Léo Kanu
Filip Djuricic
Lisandro López
Luis Farina
Funes Mori
Stefan Mitrovic
Bruno Cortez
Bryan Cristante
César Martins
Loris Benito
Bebé
Derley
Candeias
Talisca
Luís Felipe
Djavan
Jonathan Rodríguez
Hany Mukhtar



(Não inclui jogadores da formação nem contratados antes do Verão de 2009)


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Viagem à ternura que é o Benfica



A bola está parada em cima da linha da pequena-área. O estádio cheio faz ecoar um som que dá voltas às bancadas, uma língua de vozes e gritos a perpassar os adeptos como um poço da morte. Junto às redes laterais, Zé Gato calca a relva com o pé direito, ajeita as patas dentro das luvas, prepara-se para pontapear o esférico. Corre para a bola mas estanca o passar, vai dar no central em passe curto, surpreendendo o adversário. Nesta fauna de nomes, Gato mete em Malta da Selva que dá directo em Girafa - a Natureza às cores a bailar na defesa benfiquista.


Garoupa vem receber atrás de boca aberta, amacia a bola com as escamas, passa por um, mete na linha em Abel Campos, o Camundongo, que corre feito rato na vertical junto ao bandeirinha. A Gazela Negra aproxima-se, recolhe, cheira o esférico, faz 2-1 com El Conejo, e flecte para o meio. Arsénio, a Rata da Área, desmarca-se em diagonal por entre os defesas, pede alimento. Com os dentes morde a bola, rodopia sobre ela e sobre si próprio, olha o espaço. Num repente de rins, faz uma finta e atira bola certeira para uma Pantera Negra que, de primeira, sem deixar cair, remata um remate de bruços encostando, felina, o dorso ao encontro da redonda que vai embater, com estrondo, na trave e sai em arco do estádio a tal velocidade que só vai acamar as dores dentro de um barco à deriva no Tejo.


O Bom Gigante procura equilibrar-se por entre ondinhas que balançam a embarcação. Recebe no peito, baixando depois a cabeça para não cabecear os comboios que seguem rápidos na parte inferior da Ponte. Deixa a bola deslizar pelo corpo até ela adormecer junto aos pés, 45 Tromba Larga, e ali ficar num aconchego de umas Luvas Pretas de Alves que a escondem debaixo da camisola, como que a limpando de impurezas e restos de nuvens para logo a lançarem em direcção à outra margem em gesto técnico de geómetra rumo aos Pezinhos de lã de Shéu Han que, mirando de Cacilhas as colinas de Lisboa, dá de primeira no Ruço que simula e deixa passar para o Petit que, cansado daquele tornear de esférico sem sentido, decide colocar a bola em cima de uma gaivota, meter o indicador à boca, depois ao vento, sentir as marés e os obtusos ângulos, rematando depois, livre em folha-seca, contra os braços do Cristo-Rei. Seis-dedos percorre o flanco esquerdo do braço direito do monumento, louco!, desvairado!, alucinando com a aproximação do central Alfredo "Três-pés" que se prepara para lhe ganhar a bola com aquele seu jeito tentacular de roubar o alimento aos outros.


Aí vem ela caindo dos ares, Três-pés e Seis-dedos engalfinhando-se os dois em cima do braço do Cristo numa corrida desenfreada para ganhar a bola, ninguém dá parte fraca, nem olham as alturas, as vertigens que dão metros e metros e Seis-dedos e Três-pés correndo ao longo do Rei de Almada na incessante busca de um esférico que espera uma espécie de redenção, ao menos um toque, talvez um cabeceamento, um recolher de peito, um afagar de chuteira, algo na neblina desta manhã de nevoeiro que agora observa, vindo não sei de onde, o Cabecinha d´oiro voar sobre os contendores e desferir com a testa uma tão longa e tão eficaz dourada cabeçada que a bola correu mundo, passou o Atlântico, desceu a costa Leste do Brasil, lambeu o Uruguai e acabou ricocheteada em Buenos Aires no ombro de El Negro que logo, em passe cirúrgico, a enviou sem selo nem aviso, para um Queniano em Londres.


Passeando pela capital inglesa, um grupo que agora, se fizermos zoom ou descermos a imagem no Google Maps, conseguimos nitidamente identificar. Trata-se de uma excursão de velhas glórias do Benfica, uns mais gloriosos que outros. Neste desvairado tempo e espaço deste esférico que não cessa de pulsar mística, eis que o Velho Capitão conversa alegremente com Big Balls, o Rótulas de Plástico, o Pantufa e Samuel, o Jovem Eterno. Que farão estas almas aqui, percorrendo um museu que faz de humanos peças de cera?


A bola segue rodando, agora nas mãos de Elzo Capacete, que viemos encontrar a meio da nossa viagem, paragem obrigatória em Amesterdão para conhecer as virtudes da medicina alternativa. Flecha Negra está com ele, vêem o Benfica pela televisão, discutem eras e modas no futebol. Flecha aborda as questões existenciais do remate para o golo, Capacete disserta profundamente sobre as qualidades inatas do desarme eficaz. Ninguém se entende. Valha-nos o esférico que, insensível aos desvarios destes craques, decide sair pelas ruas, logo apanhando um barco, depois um avião, no fim um pássaro.


Chegou ao Porto só depois de passar em Famalicão, precisava de ir aconchegar o lombo ao pé direito de Paneira, o Mestre da Finta Curta. Ouviu conselhos, prometeu-lhe amor eterno, agradeceu-lhe virtudes e aquela noite louca que foram tantas e logo avançou com o seu passo de bola redonda pela estrada. No caminho, encontrou Rogério Pipi sentado num toro de madeira, que por ali andava em digressão muito mística, praticamente zen, reunindo um grupo de hippies que em tempos pisaram o relvado da Luz: o sueco Thern - direi Mr. Nice Guy? -, Ademir - para os amigos o A-dormir -, o Soneca, o Chuta-Chuta, Jaime Graça - O Catalunha -, o Sarrafeiro, o Tosco (outro sueco), o Gargantas, o Pinga e, claro, o enorme Bastos, guarda-redes dos anos 50 que, por uma infelicidade do acaso, e só porque decidiu dizer, ele que estava habituado apenas a pelados e o meteram uma vez no Estádio Nacional num campo com outras valências aos termos de terreno, que tinha sofrido um golo porque lhe tinha saltado um pedaço de relvado para os olhos, acabou injustamente apelidado de Rei do Sono. Toda esta gente em sã convivência com a bola, fumando e bebendo, comendo e falando Benfica.


O que é louvável no coração de um esférico benfiquista é a propensão exacta e eterna para o humano. Uma bola gloriosa é aquela que não discrimina condições sociais, profissões, níveis culturais ou demais invenções. A redondinha sai de um acampamento no meio da estrada e é capaz de ser sentida e pontapeada por um Gladiador grego, um Coveiro brasileiro, um Maestro português, um Palhaço argentino, um Xerife de caracóis imponentes. Há um Tamanqueiro que beija a gloriosa e logo dois Artures - o Mestre Artur e o Rei Artur - a recebem de luvas ou pés com a mesma dedicação. A bola do Benfica não tem género nem condição. Faz-se pelo lado divino, cresce junto dos seres e com eles partilha este amor pelo jogo, este denodado sentir que nos alimenta e nos recria. Ser bola do Benfica não é para todos os que não quiserem ver, mas é de todos e com todos que ela vai construindo a sua Catedral de sonhos e afectos.


Já todo o movimento o esférico foi sentindo. Quem não se lembra de um Locomotiva do Barreiro, em vapor ou a alta-velocidade? Até um Bi-turbo já pôde presenciar com os pés a desenvoltura da redonda. Em Liverpool, foi de Pequeno Bombardeiro que a viagem se fez, mas houve tempos em que um Lambreta, um Gasogénio ou mesmo O Motor a fizeram rodar sobre si própria, parar segundos no ar e depois ser lançada em vaivém espacial-especial para as redes dos adversários. É bola-máquina, é bola-mística, é bola-Benfica. É bola-Diamante, é bola-preciosa. Amada pelo Menino d´oiro, pelo Rapaz do brinco, pelo Pérola Negra. É redonda lançada no espaço, matéria e mensagem de Benfica pelo mundo, abençoada por São Michel, difundida pelo Profeta Isaías, fantasiada por El Mago, eternizada pelo Monstro Sagrado.


Na raiz dos sentidos, a gloriosa bola come Super-Maxi, avança sobre Batatinha, é pescada pelo Pescas, acariciada pelo Costa dos Frangos ou então pelo Franguinho, e o que dizer do famoso Melancia ou, em sentido mais espiritual, essa enorme figura que dava pelo nome de O Tempero, por pedir a cada final de jogo prémios da partida: «e esse tempero, como fica?»? Uma bola que avança sobre o imaginário ficcional, desde um Chalanix a um Robocop; de um Pai Natal ao Simões Rato Mickey; de um Ninja Hernâni ao Pietra Minervas, tudo matéria de visceral benfiquismo, de Benfica entranhado.


No fim, e já vai longa a viagem, há-de sempre haver um King.


domingo, 16 de agosto de 2015

Choque Entre a Fantasia e a Realidade no Lançamento da Nova Época.



Chegado a 15 dias do fecho do mercado, ao dia do inicio do nosso inicio no campeonato e já no rescaldo do primeiro jogo da época, dou por mim a comparar aquilo que idealizei em Junho para esta época e aquilo que está a ser feito.
Bem ou mal, reparo que o planeamento do plantel 2015-16 está a ser, em alguns sectores, muito diferente daquele que organizei nas minhas fantasias de adepto. 

Jorge Jesus não renovou naquele que era o primeiro momento em que eu compreendia e aceitava a sua continuidade na Luz. O Bicampeonato não mudou o meu olhar sobre este treinador mas o trabalho desenvolvido ao longo de 6 anos pela sua equipa técnica, e não pela super estrutura, parecia-me crucial para o ataque à nova época.
Com Jorge Jesus não tenho dúvidas que partíamos como favoritos para a conquista do Tri. Teríamos também reunidas as condições para desenvolver a nova hegemonia no Futebol português.
A sua continuidade não seria só por uma aposta segura mas também como reconhecimento do mérito que teve em conseguir um Bicampeonato apesar da sangria que o plantel sofreu.

Ficando teria de ser melhor, teria de evoluir. O rendimento mínimo já não seria aceitável, o comprar por comprar já não seria aceitável, o ignorar a Formação já não seria aceitável e nem os constantes falhanços na Champions o seriam. A Europa e a Formação seriam os seus principais desafios. 

Contudo não posso dizer que foi com tristeza que o vi sair. O modo como tudo se desenvolveu é que me pareceu um drama desnecessário.

A vinda do Rui Vitória não surpreendeu e agradou-me. Sempre gostei do treinador, da sua postura, da sua capacidade de trabalhar bem com pouco e da sua coragem de apostar no potencial dos jogadores.

Com Marco Silva estaríamos perante um projecto de longo prazo. Rui Vitória parece-me uma aposta segura para um processo de transição entre um Benfica no limiar do risco financeiro e um Benfica com salários mais controlados e uma formação mais integrada. Aliás, Rui Vitória estaria na cabeça de Luís Filipe Vieira como o treinador ideal para fazer a transição entre o Jorge Jesus e o próprio Jorge Jesus.

Imaginar a construção de um plantel com Jorge Jesus é muito diferente de o fazer com o Rui.
O lançamento que faria, no contexto da troca de treinadores, do plantel para 2015-16 seria algo assim:


Manter o Júlio César e o Paulo Lopes. O Artur, outro veterano, já não fazia sentido ter na equipa. Faltaria adquirir um jovem guardião para ser o nº2 da baliza.
Neste sector a realidade coincidiu com a minha fantasia. Saiu o Artur e chegou o Ederson.


Nas laterais surge a primeira grande complicação.
O Maxi, pela sua qualidade como pela sua identificação com o clube e balneário, seria crucial manter. O Eliseu e o Benito apresentavam-se como um excelente corte de custos. Com o Almeida e o Sílvio, este dependendo de um parecer muito positivo do departamento médico, para ambas as laterais e com o Nélson Semedo à espreita, ficaria, sem urgência, a faltar um grande defesa esquerdo.
A realidade está bem diferente. O Benito saiu mas o Eliseu ficou. O Maxi saiu e o lateral esquerdo que chegou foi o Marçal. A excelente noticia é a real aposta no N.Semedo.
Falta o tal lateral esquerdo.


O eixo defensivo seria um dos sectores a ter especial atenção.
O Luisão é indiscutível como líder do sector defensivo. Definir o seu parceiro seria o trabalho a fazer. O Jardel traz as rotinas mas é curto para os jogos europeus. O César seria para sair e o Lindelof para ser promovido à sua posição, disputando o terceiro posto com o Jardel. O parceiro do Luisão ou seria o Lisandro ou uma nova aquisição. Nesta pré-época o argentino teria de provar a sua qualidade, sem espaço para ser suplente ou emprestado. Ou mostrava qualidade para ser titular ou seria vendido.
A realidade mostra-nos que não haverá ida ao mercado e que provavelmente o Lisandro ficará como terceiro central.


O sector do meio-campo era aquele que mais me deliciava.
Fejsa, Samaris, Amorim, Cristante, Pizzi e Djuricic. Força e criatividade, experiência e juventude, táctico e explosivo. Sem necessidades de qualquer reforço.
Aqui deixaria em aberto a questão das lesões do Amorim e de um possível empréstimo do Cristante. O João Teixeira seria o jogador a integrar em algum destes casos.
Mukhtar e Guzzo não teriam espaço. Talisca e Farina não teriam qualidade.
A realidade apresenta-se algo diferente. O Amorim saiu e tanto o Cristante como o Djuricic parece estarem encostados. Não vejo espaço para o Teixeira, o Talisca está de pedra e cal (!!!) e o Benfica está no mercado.
Chegaram também o Diego Lopes e o Pele. Contratações que pelos vistos nem eu nem o Vitória e nem a estrutura percebemos.


A maior crise surge nas alas ofensivas.
A lesão do Salvio altera tanto a minha fantasia como o planeamento da direcção.
Sempre assumi que o Nico seria o jogador a vender.
Assim seria essencial contratar no mínimo um grande extremo, o substituto do Nico. O Guedes e o Sulejmani seriam as restantes opções e o Nuno Santos ficaria à espreita.
O Ola John teria as portas da saída escancaradas e jogadores como o Djalo, Bebe e Candeias não passam de uma brincadeira de mau gosto.
É neste sector que a realidade me assusta. O Sulejmani saiu e o Ola John e Talisca aparecem como possibilidades sérias para a titularidade.
O Nico por enquanto ainda cá está e o seu substituto anda longe destas paragens.
Chegaram vários jogadores – Carcela, Taarabt, Murillo e Bilal – mas nenhum vem com selo de qualidade. Um já foi emprestado, outro irá para a B, outro está com peso a mais e outro mostra qualidade mas ainda não a necessária.
O Nuno Santos parece cada vez mais afastado.


O ataque para mim era simples.
Manter a excelente e oleada dupla Jonas – Lima e colocar na sua sombra o regressado Nélson Oliveira e também o Jonathan Rodriguez.
O Rui Fonte seria uma possibilidade muito remota e tanto o Derley como o Funes Mori teriam guia de marcha.
A realidade trouxe-nos a saída do Lima e a destruição de uma dupla de ouro.
Assim tornou-se imprescindível olhar ao mercado e entretanto já chegaram o Mitroglou e o Jiménez. Temo que estes dois reforços possam significar a saída do nosso Jonas.


Nestas contas não ponderei, por motivos óbvios, os regressos do Ivan, Hélder Costa e Cancelo.

Resumindo, 

Não contava com a saída do Lima nem do Maxi e nesta altura esperava já não ter o Nico no plantel. A lesão do Salvio veio atrapalhar a planificação.
A promoção e aposta no Nélson Semedo é de louvar, a insistência no Eliseu, Talisca e Ola John é incompreensível e este é o ano do tudo ou nada para o Lisandro.
 

As contratações do Jiménez e do Mitroglou fecham as nossas carências ofensivas. 

O plantel fica a precisar com urgência de um lateral esquerdo e, dependendo do Nico, de um extremo esquerdo. O Lisandro ou se afirma definitivamente ou será necessário contratar um grande central.




PS: Esperava mais de uma super estrutura. Infelizmente voltámos a ver um incompreensível camião de jogadores de qualidade muito dúbia chegar e toda a pré-temporada – desde a digressão ao timing das contratações, desde a Eusébio Cup à inversão da abordagem à época a 20 dias do fecho do mercado e desde o jogo de apresentação às condições de treino – foi de um amadorismo deprimente.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Entrevista a Vítor Paneira - Primeira Parte

No dia em que o mágico Paneira se estreia como treinador principal de uma equipa da Primeira Divisão, recuperamos a primeira parte da entrevista que o craque deu ao Ontem há um ano e tal.

De que clube era em criança?
Benfica e Famalicão.

Como via um miúdo de Famalicão o Benfica? Achava possível ser profissional do clube no futuro?
O Benfica era uma meta quase impossível de atingir, mas sempre foi o meu sonho.

É verdade que, tendo prometido ficar mais um ano no Vizela, quando o Benfica o quis contratar pediu para ser emprestado de forma a cumprir a palavra que tinha dado aos dirigentes do seu antigo clube?
Sim, é verdade, mas também fazia parte do acordo entre os dois clubes.

Qual a sensação de jogar pela primeira vez na Luz representando o Benfica?
É uma sensação única, ficará recordada para sempre.

Como é ser campeão com a camisola do Benfica?
É um sentimento indescritível, não consigo encontrar palavras para descrever o que senti ao ver a alegria de milhões de Benfiquistas.

Voltaria a ser preso pelo Benfica? Conte-nos essa história da prisão; há muitos jovens benfiquistas que desconhecem o episódio.
Claro que sim, o meu sonho sempre foi jogar pelo Benfica, portanto, em qualquer circunstância voltaria a fazer o mesmo. A história é a seguinte: num Domingo em que tive jogo pelo Benfica (não me recordo de momento qual foi o jogo, mas lembro-me que foi longe) e, devido ao meu compromisso, não me apresentei à 1h00 no Quartel do Porto, só me apresentando no dia a seguir o que desencadeou um processo (o qual não entendi) que me levou a essa situação.

Na altura em que jogou no Benfica, os jogadores quando iam ao Porto tinham uma atitude diferente da que vemos actualmente: mais corajosa, com um espírito mais forte e vontade de vitória. A que se deve esta realidade de algum temor que hoje o Benfica transparece sempre que joga no Dragão?
Os tempos eram diferentes. No meu tempo, nós encarávamos os jogos como uma guerra. A equipa era essencialmente constituída por jogadores portugueses que sentiam muito mais a rivalidade entres os dois clubes daí a nossa entrega total, para nós não existia outro resultado a não ser a vitória ...

No Benfica-Juventus (2-1), depois de um dos golos foi festejar com os adeptos, junto à grade. Disseram-lhe alguma coisa específica?
A única coisa que me passou pela cabeça foi partilhar aquele momento de alegria com os adeptos. O que senti foi o calor e o carinho deles, as palavras naquela altura não eram importantes.

Melhor jogo de sempre pelo Benfica? O Benfica-Juventus, o Benfica-Parma, Leverkusen-Benfica, o Sporting-Benfica (3-6) ou outro?
Bayer Leverkusen-Benfica.

Treinavam muito a jogada que deu o terceiro golo em Alvalade no 3-6 ou saiu com algum improviso? 
Treinávamos, era uma das jogadas que nós trabalhávamos sempre e que surtiu efeito. 

Concorda que a última grande equipa do Benfica foi aquela que acabou em 1994? 
Sim, concordo.

Acha-se subavaliado? Ou seja: acha que, apesar de lhe reconhecerem qualidade, podia ter mais reconhecimento por ter sido, opinião pessoal, um jogador fabuloso?
Acho que não, os benfiquistas reconhecem que eu fui um dos Grandes do Benfica e por isso sinto-me muito grato. 

Quantos milhões de euros valeria o Vítor Paneira em 2013?
(risos) há 20 anos atrás já o Presidente do Benfica não me vendia por 1 milhão de contos (5 milhões de euros actuais). Hoje não sei ...

Sempre que tinha de recuar e jogar a lateral fazia-o com grande competência. Nos treinos procurava preparar-se defensivamente para o caso de ter de servir a equipa nessa posição?
Sempre fiz mais que uma posição e por isso estava sempre preparado para ajudar a equipa.

Quantas e quais sensações passou no Leverkusen-Benfica?
Imensas ... Foi um jogo único, que ficou na memória de todos os que participaram nele e em todos os Benfiquistas. Foi um dos jogos exemplo na Uefa.

Como foi jogar sob o comando de Artur Jorge, sabendo que estava a assistir à destruição de uma das melhores equipas de sempre do Glorioso?
São momentos que temos de recordar anos depois com alguma responsabilidade porque alertei o Presidente Manuel Damásio do que se estava a passar e o que se poderia passar nos anos seguintes.

O que sente um jogador que é dispensado do seu clube do coração aos 29 anos que, como viria a provar em Guimarães, ainda tinha muito para dar ao mais alto nível?
28, correcção. Para além de jogador era o meu clube por isso foi como parte de mim ter ficado ali, naquele dia.

Quando foi dispensado do Benfica, foi mesmo convidado pelo Sporting? Se sim, o que pesou na decisão de recusa? apenas o amor ao Benfica? Não poderia ter a tentação de assinar pelo maior rival para provar que ainda tinha muito a dar ao Benfica como, por exemplo, fez uns anos mais tarde, João Pinto?
Não só recusei o Sporting como também o Porto. A minha grande realização foi no Benfica como jogador e não fazia sentido jogar num dos rivais.

Mantém contacto com Artur Jorge?
Não, é impossível.

Que reacção teve à agressão de Sá Pinto ao antigo técnico e jogador do Benfica?
Achei despropositada e sem sentido (nunca o faria ).

Estabelecendo um paralelismo com o final desta época, o que sente um jogador depois de perder uma final europeia?
É a vontade de desaparecer e ficar isolado durante muito tempo.

O que sente ao ver o Estádio da Luz vazio numa noite europeia?
Uma mágoa muito grande. Em qualquer jogo, no meu tempo, teríamos no mínimo 60, 70, 80 mil pessoas.

Enquanto jogador recusou ir para o Sporting. E agora, enquanto treinador? Aceitaria?
São outros tempos. Possivelmente.

Enquanto esteve no clube, teve 3 Presidentes: João Santos, Jorge de Brito e Damásio. Com que opinião ficou dos 3?
3 grandes presidentes, especialmente João Santos e Jorge de Brito, mas sendo Presidentes do Benfica serão sempre os meus Presidentes.

Quais os cinco melhores jogadores com quem jogou? E o melhor treinador?
Ricardo Gomes, Manuel Bento, Rui Costa, João Pinto e Magnusson. Toni e Eriksson.

Como analisa as já recorrentes reacções menos polidas do capitão Luisão (encontrão ao árbitro, insultos aos adeptos), tendo em conta que é o capitão do Benfica?
Como capitão às vezes temos reacções para defender o grupo que por vezes os adeptos não compreendem. 

O que acha de o Presidente ter dito que não podia ser avaliado pelos resultados desportivos?
Houve um trabalho extra-desportivo de grande mérito do actual Presidente. Desportivamente tem proporcionado bons plantéis aos seus treinadores.

Acha que a actual estrutura dirigente do Benfica "despreza" bastante algumas das suas grandes estrelas do passado, onde se inclui o Vítor?
Comigo em particular têm sido correctos.

Acha-se com capacidades para chegar a treinador do Benfica?
Sim, claro. se fui jogador também posso ser treinador. 

A mística benfiquista perdeu-se definitivamente ou está apenas adormecida?
Apenas adormecida, a mística nunca se perde.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

BENFICA-SPORTING: O ÚNICO JOGO PELO QUAL VALE A PENA MORRER


Deixemo-nos de merdas: por mais que o Sporting admiravelmente perca jogos e campeonatos uns atrás dos outros e goste de fazer intervalos sabáticos de 18 anos entre títulos nacionais, o jogo dos jogos é o Benfica-Sporting. O Benfica-Porto só é interessante porque explora o lado bondoso e solidário da espécie humana: queremos sempre que o Bem vença o Mal; por isso toda a gente olha para este jogo como se fosse um filme, sempre à espera que o Herói consiga vencer os criminosos e mauzões e no fim leve a miúda para casa. Ninguém morre pelo Benfica-Porto porque o Porto está corrompido, está sujo, tem muitas sombras. Não há nada de mais desinteressante e chato do que um clube cheio de sombras liderado por um beato com problemas psicológicos. O argumento até tinha potencial, mas os actores são medíocres. Ninguém vive pelo Benfica-Porto, ninguém morre pelo Benfica-Porto.

O Benfica-Sporting é outra coisa, é uma obra-prima. O Benfica-Sporting não tem sombras, é honesto, é a campo inteiro, é a céu aberto. O Benfica-Sporting é futebol puro e duro. Rivalidade que corre no sangue de todos os adeptos. É a vida toda desde que nascemos até ao apito inicial que nos inunda. São memórias de jogos antigos, desacatos familiares por uns serem do Sporting e outros do Benfica que acabaram numa guerra com garrafas de vinho pelo chão, pedaços de bacalhau e batatas a murro pelo ar, a avó que se escondia debaixo de uma cadeira, o puto que saltava para cima da televisão e voava para as costas do sportinguista, primo mais afastado que tinha vindo da França para o Natal, e acabou cheio de puré e doce de ovos nos cabelos. Benfica-Sporting é a vida toda com os nossos amigos: as bezanas nos tascos, nos bares, nos casamentos. Nós a gozarmos com eles; eles a serem gozados por nós.

Às vezes o Sporting ganha. Acontece o Sporting ganhar. E então isso também é Benfica-Sporting porque nos mostra, até de forma ternurenta, a alegria do nosso amigo, todo orgulhoso no seu clube. Ou o sorriso da nossa namorada leoa e aquela forma que ela tem de gozar connosco mas sem nos ferir muito porque ela, mais do que ninguém - afinal, é do Sporting! -, também sabe como dói perder estes jogos. O Benfica-Sporting é o Gabriel Alves na televisão e um «oooooooooooooooooooooh» com remates que ora vão para fora ou vão para dentro da baliza do Sporting. O Rui Tovar e o Mário Zambujal a anunciar no Domingo mais uma vitória do Benfica em Alvalade. O resumo a começar com a alegria de um estádio leonino cheio de esperança e a acabar com os jogadores do Benfica a saltar para os adeptos gloriosos e um final de imagem com adeptos sportinguistas a sair do estádio, desolados. Benfica-Sporting é Domingo, é o dia da folga e da festa. O dia da vida toda que se junta para gritar golo.

No trabalho há sempre, junto à máquina do café, no elevador ou entre cigarros, a rivalidade latente. Encontram-se um benfiquista e um sportinguista. A malta consegue passar uns segundos sem falar de bola mas depois, de mansinho, ainda com tons educados e de cordialidade, vai começando a discorrer o seu fanatismo clubístico e acaba tudo a apontar erros arbitrais inqualificáveis e a relembrar goleadas históricas. Se não houver mais argumentos, passa tudo para a batatada, com o Antunes já de gravata vermelha esgroveada e o Serafim todo pintalgado de verde dos tinteiros da impressora. Depois vão calmamente para as suas cadeirinhas em frente ao computador, onde jogam Solitário e ficam a pensar no resultado do Benfica-Sporting.

Não me venham cá com Benfica-Porto quando estou a falar de futebol. Quando falo de rivalidade. Quando o assunto é sério e entre gente séria. O Benfica-Sporting é que é. Nenhum Benfica-Porto consegue transformar uma semana inteira num autêntico festival de preliminares. São 7 dias em que benfiquistas e sportinguistas se lambem, se tocam, se lambuzam todos, se recriam, se provocam, se insultam gentilmente, se odeiam e se amam, se vivem. E aquele ar trocista que também está ansiosos e nervoso. E aquele ar gozão que também tem expectativa e receio dentro. Não medo, nunca medo. Medo não faz parte do Benfica-Sporting. Medo só faz parte do Benfica-Porto porque sabemos que é muito provável que o árbitro nos assuste.

O Benfica-Sporting é uma foda, um orgasmo, um vaivém espacial que vai e vem, que vai e vem, em loop eterno que nunca pára. Há no Benfica-Sporting uma espécie de sentimento de eternidade que só se sente quando estamos a foder. Como se nunca o mundo fosse acabar enquanto as duas equipas estiverem em campo a jogar futebol. E o jogo engravida e nascem golos do Benfica.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

As Caras do 34



Adiei e adiei e adiei a partilha da minha opinião sobre o 34 mas agora, a horas de começar a minha viagem em direcção à Supertaça, não posso adiar mais.

Olhamos para o Benfica bicampeão e saltam à vista o génio do Gáitan e a classe do Jonas, a liderança e autoridade do Luisão, a segurança e experiência do Júlio César e a impetuosidade e arranques do Salvio.
O Nico e o Jonas foram sem dúvida as estrelas mais brilhantes do campeonato.

Além das 5 estrelas do 34 há que destacar ainda o obreiro do mesmo.

Com todos os seus defeitos, com a sua dificuldade de arranque e com o seu desmesurado e desadequado ego, Jorge Jesus conseguiu ainda assim ser o principal responsável pelo Bicampeonato.
Exímio nos treinos mas desorientado durante o jogo, Jorge Jesus conseguiu aproveitar o trabalho de 6 anos para aperfeiçoar a sua ideia e automatizar os mecanismos e processos da equipa.
O Benfica não brilhou e também não foi pragmático. O Benfica teve muitas dificuldades em expor o seu futebol mas conseguiu ser a equipa mais consistente e objectiva. O futebol do Benfica era Jorge Jesus, bem ou mal era um jogo já com muita personalidade. Isto explica como é possível vencer, vencer e ser campeão, jogando com o Eliseu, jogando com o Jardel e jogando com um meio-campo simplesmente composto por Samaris e Pizzi.
Os jogadores sabiam o que tinham de fazer, sabiam o que os seus colegas iam fazer e estavam sempre conscientes das movimentações e obrigações tácticas de todo o colectivo.
 

O plantel perdeu muitos jogadores essenciais e os bons reforços só vieram já com a época a decorrer.
Jorge Jesus tem todo o mérito do 34, tal como tem todo o demérito na Taça e principalmente na Europa.

Para mim existem as estrelas do 34, existe o obreiro do 34 e ainda existem as caras do 34. 

Dois jogadores personificam exactamente o que foi este Benfica. Não foram os melhores jogadores, não foram os mais brilhantes mas foram dois campeões que apesar das suas limitações conseguiram encontrar a sua consistência, equilíbrio e deram o seu bom contributo à equipa.

O Jardel e o Lima são as caras deste 34.

Longe do brilho e muito trabalhadores, são a imagem de um Benfica muito trabalhado.
Para consumo interno o Jardel foi fantástico. Mau arranque, foi encontrando o seu caminho e acabou cheio de confiança e incansável. À imagem do que foi o Benfica.
Sem magia o Lima foi aquele jogador que conferiu personalidade ao ataque benfiquista. Não teve nota artística nem precisou.

Uma terceira cara do 34 seria o Maxi. Jogador totalmente identificado com o clube, com as ideias do treinador, vice-capitão, muito raçudo e trabalhador. O Maxi nunca foi um extraordinário jogador mas a sua postura sempre fez a diferença. Sem a fantasia de outros, o uruguaio fez-se campeão pela experiência e o querer.

O Lima e o Jardel são as caras do 34 e é curioso como estes foram as figuras dos dois principais momentos da época, a vitória no Dragão e o empate em Alvalade.
 



terça-feira, 4 de agosto de 2015

ACORDA RUI!



Não tenho tido tempo para aqui vir e muito menos para fazer as análises e divagações que tanto quero fazer, seja sobre o fim da época passada ou sobre o início desta.
Antes de me aventurar em grandes escritas queria também ainda ver o jogo do Benfica contra o América.
Tenho esperado pela oportunidade de poder com toda a calma divagar sobre o nosso Benfica.
 

Mas há coisas que não podem esperar e um exemplo disso é o desabafo que tenho aqui preso na minha garganta.
 

Cá vai.
 

PORRA RUI ACORDA!

 
O que se passa com o treinador do Benfica?

Um treinador de clube grande tem de ter voz activa, tem de ter poder e tem de liderar. É essencial ter uma personalidade forte que o faça impor a sua visão e exigências.

Nunca fui fã do Jorge Jesus e com o passar dos anos mais aumentou o meu desagrado com a personagem. Além disso, sempre me pareceu que abusava de um estatuto de Super Poderoso dentro do Benfica.

Mas nem 8 nem 80!

Um treinador tem de ter sempre poder e Rui Vitória é um homem desprovido de poderes neste Benfica.

Sempre gostei do actual treinador do Benfica. Sempre admirei a sua postura e o bom trabalho que ia conseguindo com poucos recursos e acreditando e apostando em potencial, não tanto em qualidade comprovada.

A verdade é que a estrelinha que brilhava à volta do Rui Vitória apagou-se assim que chegou ao Benfica. O Rui Vitória foi engolido pela grandeza do nosso clube e também pela megalomania de quem nos preside.
É neste momento um treinador à deriva, um treinador perdido num contexto ao qual não está habituado. Só com um murro na mesa, só com um grito de autoridade é que irá segurar as rédeas da sua equipa para esta época.

O Rui Vitória não teve poder para começar a trabalhar pela raiz. O medo que se vive da derrota dentro do clube é demasiado para se arriscar tal coisa. Só isto explica o modo como se tem trabalhado em jogo o 11 titular para a Supertaça e não o plantel para 2015-16.
Há uma discussão muito tradicional: Deverá o treinador adaptar a táctica aos jogadores ou os jogadores à táctica. É uma boa discussão. Neste Benfica o que notamos é uma terceira opção: O treinador tem de adaptar a táctica a si. Lá está, não pode trabalhar de raiz, não tem poder para implementar definitivamente a sua filosofia e visão do jogo.

Qual foi o papel do treinador do Benfica no planeamento desta pré-temporada? Importante lembrar que é uma pré-época planeada única e exclusivamente olhando para o lado financeiro imediato e sem qualquer atenção ao lado desportivo.

Qual foi o papel do treinador do Benfica nas contratações para a próxima época?
Ainda hoje perguntava a um amigo benfiquista que jogadores tinham vindo com o aval do Rui Vitória, ao que ele me respondeu perguntando quantos tinham vindo com o aval do Vieira e do Mendes.

Que papel teve o treinador do Benfica nas vendas? Nas dispensas? Nas decisões sobre os jogadores que treinam à parte ou com os juniores?

Neste momento o Futebol do Benfica está a ser gerido em modo automático por uma suposta super estrutura e o treinador não passa de alguém que está ali a ocupar um lugar vago.

Senhores da Direcção, desenganem-se. Há uma super massa adepta, há uma super massa associativa, há super qualidade e potencial em muitos atletas e há super infra-estruturas. Não há é qualquer super estrutura.

Por mais entrevistas e propagandas que se dêem em momentos de vitórias e por mais que se escondam nas derrotas, por mais mentiras sobre não aparecerem nos momentos das vitórias, a super estrutura não existe.

O Benfica precisa do Rui Vitória treinador e confiante e não de um Rui Vitória submisso e enfraquecido.
 
Por isso,

Acorda Rui! Acorda Rui!

PS: Mais alguém reparou como o Rui Vitória se tem escondido em chavões e fraquezas em todas as conferências de imprensa em que participa? Não tem uma palavra a dizer sobre nada do que trata ao plantel. Tudo o que diz é desinteressante e desprovido qualquer conteúdo ou personalidade. Com as palavras mostra o quanto escondido está.

Sai da sombra e ACORDA RUI!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O BENFIQUISTA ABÍLIO


19:43, semáforo vermelho na Praça de Espanha. Vemos de cima, com câmara panorâmica. À esquerda da imagem, filas de carros amontoam-se uns nos outros, junto às árvores. Esperando. À direita, saem avançando devagar, depois acelerando outros carros. Contornam as curvas de passeios, levam luzes, cai a noite. Para onde irá esta gente? Dentro de 4 ou 5 horas, a Praça estará entregue a viajantes solitários, esporádicos, nocturnos. Agora não. Tudo cheio e cansado. Cada um dos humanos sentados na sua casa de rodas leva o coração e a vida, a tristeza e a esperança, fazendo pontos de embraiagem, depois seguindo em segunda, terceira, segunda outra vez, terceira, quarta. E a quinta, a necessária e urgente quinta, que os leve ao sonho, onde está?

Olhos desfocados no horizonte de um céu que ainda tem rosa e lua a rebentar, luzes difusas de casas que abriram cozinhas para o mundo, Abílio espera pelo verde enquanto ouve o hino da Taça dos Clubes Campeões Europeus - chama-lhe sempre assim, detesta o novo acordo ortográfico e as estrangeirices. Sobe-lhe a música dos pedais às pernas, dos joelhos ao estômago, do peito aos olhos. O narrador anuncia: «As equipas estão alinhadas no relvado, o árbitro suíço está vestido de amarelo, o Estádio está composto. Diria um pouco mais de meia-casa. Jorge Fonseca, o que achas?» e o Jorge Fonseca dirá, com os pés no terreno, que talvez esteja menos de pouco mais de meia-casa e que houve uma homenagem a um antigo jogador do Benfica, devidamente premiado com uma medalha por parte do Presidente que «desceu até ao relvado».

Nada disto Abílio ouviu, perdido a focar uma marquise onde lhe parecia que estavam os seus pais e avós, a casa antiga que o tinha criado, a lareira grande com bancos dentro, sacas de batatas e pimentos vermelhos metidos em caixas de cartão com imagens de morangos do lado de fora. Vivia-se bem naquele tempo, poucos luxos é certo mas talvez houvesse uma dignidade entretanto desaparecida na confusão da cidade de luzes e marquises, semáforos, o som do motor, o táxi a debitar chamamentos com vozes de uma mulher a perguntar latitudes. Qual a latitude das saudades? 

O verde apareceu, Abílio carregou no acelerador, levantou a embraiagem, pôs a mão na primeira e pensou que o Benfica tinha de ganhar aquele jogo. Ia a fazer o 11 na cabeça, perdendo-se sempre no lateral-esquerdo e nos médios, sem saber se era o brasileiro que tinha chegado se o sérvio que era muito bom, quando viu uma mão acenar-lhe. É um jogo curioso, o de Abílio, esse de tentar concluir pelo menos três factos sobre a pessoa antes de ela entrar no carro. Há anos que faz isto, surpreendendo-se sempre com a percentagem de acerto. Abílio procura adivinhar três características sobre o seu cliente antes que o cliente abra a porta da sua viatura: profissão, clube de futebol e estado civil. As pessoas têm luzes sem se aperceberem.

Desta vez, porém, Abílio ia inundado de afectos e saudades. Tinha a infância toda no colo e um jogo do Benfica na rádio. Não fez o exercício, limitou-se a parar, esperar pela escolha que o cliente faz da porta a abrir - sempre mais interessantes os que decidem ir a seu lado em vez do refúgio dos lugares traseiros -, ouvir as latitudes - sempre as latitudes -, assentir com um gesto robótico, dizer que "sim, senhor" e seguir viagem por entre as ruas de Lisboa, que apesar de tudo e dos anos ainda o surpreendem pela variedade de becos esconsos, linhas tortas, probições de sinais, belezas que encontra sem aviso nem alertas. O Senhor Figueiredo escolheu refugiar-se, para Abílio um alivio. Podia ouvir o Benfica, lembrar-se do arroz de tomate da mãe e ir estando atento ao telemóvel não fosse a ex-mulher ligar-lhe num assomo de ternura. A verdade é que Abílio tinha pena de não poder ver o Benfica, de não poder ir ver se o refogado já estava no ponto para pedir à mãe o privilégio de atirar o caldo de tomate ao encontro das cebolas amolecidas, de não poder voltar a casa e ter uma pessoa à sua espera. Eram 12 horas por dia enfiado no cubículo, intervalos espaçados para um cigarro e almoço. O resto dividir espaço com desconhecidos, receber dinheiro, dar moedas, dizer "Bom dia", depois "Boa tarde", já sem chama "Boa noite". 

«Goooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooolo, golo, golo, golo, golo, golo, goooooooooooooooooooooooolo, Jo, Jo, Jo, Jo, Jo, Jooooooooooooooooooooooooooooooooonas, Benfica, golo, golo, golo, golo, goooooooooooooooolo, Samaris flectiu na direita, fintou um adversário, deixou em Salvio que cruzou para a área e Jonas finalizou de cima para baixo, golo, golo, golo, é goooooooooooooooolo do Benfica!». Foi desta forma que Abílio recebeu da rádio a bola no peito, esperou pela gravidade e rematou para as redes. Gritou, gritou muito, tudo, gritou o mundo contra os vidros dianteiros, contra os semáforos e luzes e prédios e praças e becos e carros, contra os Bons-dias, os Boas-noites e as Boas-tardes, os jogos de adivinhação sobre vidas dos clientes, as saudades do arroz de tomate, das ternuras da ex-mulher, dos insultos das pessoas, das moedas do bem e do mal, dos trocos. Ia passando tão perto do golo, seguindo Segunda Circular adentro, em frente à Luz, que sentiu ainda a maresia do cabeceamento de Jonas, o vento que a bola levou até à baliza, as pernas dos adeptos, os braços dos adeptos, o grito dos adeptos ecoando pelo Estádio. 

Não tinha cachecol, agarrou-se ao pequeno galhardete que tinha agarrado ao retrovisor, beijou-o, soltou impropérios, esmurrou o ar tantas vezes que os átomos em cima do volante acabaram estatelados contra o vidro da frente, cantou: «BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA». Foi só depois, muito depois, 2 minutos e 43 segundos depois (eternidade do golo), que se lembrou do cliente que levava no carro. Um senhor aprumado, bigode aparado, elegante, rindo-se muito e fazendo com o punho direito um sinal de comunhão e felicidade. Foi o dia em que Cosme Damião andou pela primeira vez num táxi.

A SUPER-TEORIA DE VIEIRA

Vieira sem Jesus: 8 anos (6 como Presidente), 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça, 1 Taça da Liga.

Vieira com Jesus: 6 anos, 3 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça, 5 Taças da Liga, duas finais europeias.

Vieira este ano quis provar ao mundo que o recente sucesso do clube se devia à "super-estrutura" e não ao treinador. Desdobrou-se em entrevistas e séries de programas televisivos para que todos percebessem que o mérito era seu, de mais ninguém (curioso que, quando o Benfica perde, desaparece do mapa ou diz que não dá "pontapés na bola").

Este ano vai poder provar a sua teoria. Até agora, vê - se que vai no rumo certo...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

OTÍLIA, A RAINHA DAS RULOTES


Na noite anterior ao dia que será o dia de jogo, Otília deitada na cama faz contas de somar. Febras, entremeadas, hambúrgueres, salsichas, chouriças, pão normal, papo-seco, pão de cachorro, ketchup, mostarda, barris de cerveja, garrafas de vinho, uma de moscatel, outra de uísque barato, azeite, óleo (muito), sal, pimenta, especiarias (as que der para comprar), guardanapos, batatas de pacote, batatas-palha, cenouras, pickles, lavar copos, comprar pratos de plástico, confirmar se a televisão está boa, ligar para os senhores da MEO, ir às botijas de gás, limpar a rulote, escrever na lousa e no papel as promoções («à entermiada, hamburgue, hot-dog, chourisso e febra»), lembrar o Manel de encher os pneus da viatura, dizer-lhe com carinho: «põe água no carro», ao filho pedir que leve os aventais pretos, à nora não dizer nada, que é uma cabeça tonta.

Passa a noite nisto: relembra tudo uma vez, depois volta a percorrer a listagem das coisas a fazer, perde-se a meio, começa de novo, «febras, entremeadas, hambúrgueres...». Com os anos de ofício, as coisas a fazer são lembradas com método, raramente mudam de posição, tudo tem a ciência que Otília criou na sua cabeça e no seu agir. Começa pelas carnes, a meio põe a necessária padaria, depois vêm os molhos, logo a seguir os bebes, as gorduras, os condimentos, acompanhamentos, a higiene, os utensílios, a necessária burocracia, as limpezas, os escritos e, por fim, os avisos à navegação da tripulação da rulote para que se não percam num detalhe, morram num pormenor, destruam a noite de negócio por um esquecimento sem sentido.

Otília tem dos dias a ideia de um trilho de comboio - pouco interessa o chegar, mais vale acautelar o ir. Limar os parafusos, arranjar as estacas de madeira, limpar as plantas que nascem no meio, fazer brilhar o metal. O comboio - esse comboio que anda em movimento há exactamente 64 anos - deve passar sem um sobressalto, galgar em direcção ao lugar para onde vai sem nenhum contratempo, dentro do tempo previsto, indo indo indo, só vapor, velocidade e horas marcadas no relógio grande dos ponteiros pretos das estações. Chega-se ao destino não por acaso divino mas pelas mãos de homens que acautelam o seu chegar. Os silvos da noite, os raios do dia, o fumo, a humidade, as temperaturas, os frios e os calores, a força do tempo - tudo mecânicos elementos que conspiram contra a desenvoltura do comboio em movimento. Basta que uma roldana, uma porca, uma lasca, um esquecimento aconteçam e toda a engrenagem afunda num tropeço de forma, abrandando o passo ao comboio, sulcando-lhe as vontades, quebrando-lhe o eixo, desencarrilhando-lhe as promessas.

Houve um dia, já longínquo na memória, dia de sol glorioso de um princípio de tarde junto ao Estádio da Luz (o verdadeiro; Otília ainda hoje diz do Estádio antigo esta palavra honesta e genuína: o "verdadeiro"), em que, por maus preparos e ineficazes antecipações, Otília ficara sem pão nem cerveja em frente a uma horda de benfiquistas sedentos, esfomeados, desvairados, alucinados, dementes. Culpa, claro, uma e outra e mais outra vez, da nora que, tendo ido de manhã tratar das unhas dos pés, se esqueceu acidentalmente (Otília reforça sempre, quase 30 anos passados, o a-c-i-d-e-n-t-a-l-m-e-n-t-e com uma projecção que fere fundo em quem a ouve) de passar pela panificadora e pela Central de Cervejas. Como se fosse possível alguém acordar um dia e desmemoriar o cérebro para função tão fundamental, como se um ser humano - na palete existencial entre o profundamente bronco e o brilhantemente genial - pudesse esquecer-se de tais ofícios e deveres.

As gentes aos urros, vociferando impróprios impropérios futebolísticos sobre Otília, queixando-se, esfomeados, da pouca-vergonha que era aquela barraca de madeira sem pão para o conduto nem líquido para a goela. «Nunca mais cá volto, ah é certinho», ouviu Otília a mais de 342 benfiquistas em fúria, chorando por dentro a perda da reputação tão a pulso conquistada a amor, carinho, saborosíssimas gorduras feitas de ancestrais segredos que sobreviveram na família Casimiro séculos e séculos e séculos até desaguarem nos seus truques mágicos de mulher veloz a tratar os comeres. Disso nunca Otília se esquecera na vida e disso fazia questão de recordar pelo menos uma noite em férias - não para estragar o convívio estival, mas para alertar os parceiros de ofício e de vida para as profundezas mórbidas do desconcertante desleixo dos elementos. A nora Fátima tudo isto ouvia e calava - engolia em seco, olhava o horizonte, agarrava-se vezes sem conta ao copo de fresco verde e deglutia, sem botar faladura, uva, água e humilhação. O filho, cansado de ouvir os gritos da esposa (que Fátima no recato do lar ganhava novas coragens), desvirtuava o discurso da mãe, parodiando: «ao menos isto agora dá para rir», o que enfurecia ainda mais Otília e a fazia dar pontapés debaixo da mesa ao marido - que não estava minimamente interessado na conversa, perdido de uísque, lagosta e visões de mulheres lindas passeando cães no calçadão.

Otília era Benfica pela parte do Pai; benfiquista por influência da mãe. Em nova (há quanto tempo), comovia-se com José Águas: uma paixão que lhe durou a vida inteira e ainda não esqueceu - atrás das garrafas, junto ao bibelot de uma menina triste que tem na prateleira de cima, mora ainda o elegante benfiquista levantando uma orelhuda Taça dos Campeões. Por decoro e respeito ao esposo, fixou-a ali para que só ela o veja. Quando alguém pede um Martini (é tão raro pedirem Martinis nas rulotes), ela esquece-se das febras, segurando o antebraço do Manel: «deixa, eu sirvo; está um calor insuportável nas carnes».

Sente saudades do Benfica, Otília. Saudades de ser feliz, indo ao estádio. Comove-se muito com a alegria das pessoas antes dos jogos; entristece-se com a tristeza das pessoas depois dos jogos. No meio, enquanto as pessoas se alegram ou entristecem a ver o Benfica, ela fica sentada num banquinho de madeira a ouvir o relato. Cansada, de olhos cheios de fumo e bochechas encarnadas de calor, fecha os olhos e encosta a cabeça contra a porta da rulote. Imagina que está dentro do estádio, ouve as jogadas e vê tudo por dentro dos olhos. Quando é golo, festeja com o marido, o cunhado, a nora e os filhos. Imitam o som das bancadas: «Glorioso SLB, glorioso SLB», lá do alto de onde vêem só luzes e um fumo que sai do relvado, sobe as bancadas, torneia os tectos e se esvai em direcção ao céu. Todos aos saltos na rua, correm até ao viaduto, batem em carros, apitam buzinas, abraçam-se uns nos outros todos engalfinhados. Depois, quando o golo perde o prazo de validade dos afectos, voltam silenciosos para perto da rulote e baixam o volume do som para favorecer outro golo - se ouvirmos baixinho o relato, potenciamos novo milagre.

Dependendo do resultado final, Otília assim também depende de si própria. Se o Benfica ganha, está tão feliz que se torna mecânica no ofício - ninguém quer saber da qualidade da febra se ganhou. Se o Benfica perde, fica tão triste que faz questão de preparar as melhores iguarias para os olhares e gestos e palavras desiludidas dos clientes que estão quase quase a chegar - pior do que a derrota, só mesmo a injustiça de lhe juntar uma ceia tão mal servida.

Otília finge sempre que não nos observa. Se olharmos para ela, os seus olhos estão na grelha; se não olharmos, ela olha-nos com amor e ternura. A dor nossa é a dor dela. A sua infelicidade é a mesma que sentimos. É por isso que Otília faz brilhar os olhos sempre que, perdidos ou ganhados, lhe dizemos com o coração na boca: «Estas são as melhores bifanas do mundo».

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O que tenho visto até agora



Os jogos vão passando e a verdade é que a equipa vai apresentando melhorias marginais de jogo para jogo. O fator físico é algo que não pode nem deve ser desvalorizado nesta fase, sendo várias vezes percetível que as elevadas cargas de treino usuais nesta altura da época, bem como as naturais debilidades físicas dos atletas, têm influído negativamente no rendimento individual e coletivo da equipa.

Não obstante, esperava algo mais já nesta fase. Não falo de resultados, naturalmente, mas sim dos processos coletivos, ainda mais quando estamos a falar de uma manutenção do sistema base da equipa e até da maioria dos jogadores que fizeram parte do 11 base da época passada.

É notória a tentativa de diferenciação ideológica entre o passado e Rui Vitória, sobretudo no momento ofensivo do jogo. Uma ideia que passa por maior posse e circulação da bola, envolvendo até o guarda-redes, muito mais vezes do que era habitual, e que procura muitas combinações em zonas interiores com o deslocar dos alas para essa zona do terreno.

Neste aspecto há ainda a melhorar o acerto entre jogadores, mas sobretudo a capacidade de decisão da maior parte deles, sendo Jonas e Gaitan os únicos que revelam um elevado grau de acerto nas decisões, por oposição a Talisca ou Jonathan Rodriguez que apresentam muitas limitações neste aspecto.

Há ainda a notar a deficiente capacidade para dar largura ao jogo, muito pela demora de subida dos laterais, faltando saber se esta demora acontece por questões de ordem física ou de ordem tática, sendo certo que o tempo se encarregará de o demonstrar. Ainda assim, ressalvo Sílvio e Nelson Semedo. Ambos se mostraram claramente superiores a todos os outros na largura que conseguiram conferir à equipa. Em relação ao jovem da nossa formação, as notas foram muito boas, gostei bastante do que vi no dia de ontem. Há ali matéria para evoluir. No polo oposto encontro Eliseu. Continua fraquíssimo do ponto de vista defensivo, seja no 1x1, seja no aspecto posicional e na cobertura ao espaço interior. Continuo sem achar que Eliseu tenha qualidade para ser um titular do Benfica, sendo esta posição uma das grandes debilidades do nosso plantel, ainda que não tenha visto Marçal com olhos de ver.

O que mais me tem desiludido tem sido o controlo da profundidade e da largura do colectivo. Têm sido algo recorrentes as bolas nas costas dos nossos defesas, sem que estes tenham adoptado os melhores comportamentos tendentes a evitar que isso aconteça. Esperava mais deste aspecto, sobretudo por se tratar de uma linha defensiva que transita, na totalidade, da época passada.

Tenho gostado particularmente de Carcela e do que vi ontem de Djuricic, sendo que Ola John me parece cada vez mais fora do que devia para ser um jogador capaz de fazer a diferença positiva e Taarabt deixou-me muito apreensivo. A juntar ao que já se conhece do passado do jogador, o facto de este se apresentar na forma física deplorável com que se apresentou ontem com quase um mês de trabalho é, no mínimo, preocupante.

A saída em definitivo de Lima talvez seja o estímulo definitivo para que Rui Vitória altere o sistema de jogo, passando a jogar com 1 avançado apenas, trabalhando assim num sistema que lhe é mais familiar e onde os extrememos não são obrigados a um posicionamento tão interior no processo defensivo, aspecto que me tem parecido o pior no tal controlo da largura deficiente que vamos apresentando.