terça-feira, 25 de abril de 2017

Doentio

Na antecâmara do derby, fora das quatro-linhas, faleceu uma pessoa vítima de atropelamento na sequência de uma rixa entre adeptos de Benfica e Sporting supostamente afectos a claques dos respectivos clubes. Penso que importa analisar este caso não só pelo facto de ter ocorrido um homicídio mas também pelo aproveitamento do mesmo que adeptos e dirigentes têm tentado tirar para branquear épocas de insucesso, desculpabilizar culpados e para demonstrar o que não são.

O falecido, que me custa catalogar como sendo adepto de futebol, era afecto à Fiorentina e com ligações às claques do Sporting. Ter-se-á deslocado a Portugal para "viver" o clássico juntamente com um grupo de adeptos organizados do Sporting (alguém sabe se iria sequer ao jogo?) à sua maneira. E é nesta estranha forma de vida que gostaria de reflectir um pouco: o que estariam os adeptos do Sporting a fazer naquele local, àquelas horas, na véspera de um derby? Não foram seguramente ver as vistas, passear com as famílias nem terminar faixas, coreografias ou estandartes. Estavam ali com um de dois propósitos: vandalizar murais e infraestruturas fora ou mesmo pertencentes ao complexo da Luz ou para uma rixa previamente combinada com adeptos afectados a claques do Benfica. Se foi a primeira, a inexorável precipitação de eventos é de lamentar mas não pode nem deve surpreender ninguém, pois este é o modus operandi de uma escumalha sem ocupação independentemente se serem vermelhos, verdes ou azuis; se foi a segunda, a lamentar só mesmo não ter havido mais estropiados, uma vez que estes indivíduos que se dizem adeptos de um clube não são mais do que adeptos de uma organização que, legal ou não, serve para encapotar um conjunto de práticas que não são, de todo, legais.

E é precisamente sobre a legalização das claques que me debruço. Pese embora não ter doutoramento na matéria, gostava que claqueiros, dirigentes desportivos e governantes me explicassem quais os benefícios práticos da legalização das claques. O futebol ficou pacificado? Diminuíram os crimes de elementos dessas mesmas associações? Que se saiba, não. Uma medida sem tradução prática e que na prática não serve para mais a não ser para os "ilegais" continuarem a cometer as suas ilegalidades e os "legais" perpetrarem as mesma práticas com a suprema lata de acusarem os "ilegais" de não estarem legalizados.

E quando estas acusações se estendem aos presidentes, pior o caso fica. De Bruno de Carvalho já não se espera nada de construtivo, positivo ou digno para o futebol português. As mais recentes declarações onde, de forma abjecta, tenta tirar proveito do falecimento de alguém para atacar uma instituição como o Benfica são a prova disso mesmo. Com a agravante do triste espectáculo da entrega da coroa de flores aos membros de uma claque organizada como forma de mostrar solidariedade para com a morte do italiano, para inglês (e câmara de televisão) ver, uma vez que a mesma coroa de flores seria depositada no lixo comum no dia seguinte. Por outro lado, a postura de Luís Filipe Vieira, por aí tão elogiada, merece vários reparos, a começar pelo proteccionismo que a direcção do Benfica continua a dar aos adeptos das claques no que à aquisição de bilhetes diz respeito, como se viu aliás para o jogo de Alvalade.

Já se sabe que a justiça, no futebol português, é um conceito muito arbitrário e que reflecte essencialmente o benefício do clube de cada adepto. A pacificação do futebol nacional é um mito e uma ilusão que se encontram muito longe de ser cumpridos. Com adeptos, dirigentes clubísticos e dos organismos reguladores do futebol nacional e com governantes como estes, diria mesmo que tal será impossível. São estes os responsáveis pelo estado doentio que se vive no futebol português.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Talentos à Benfica

É incrível a quantidade de talento que há nesta equipa jovem do Benfica (e ainda faltam aqui alguns outros, sobretudo Pedro Rodrigues, que é para mim o melhor de todos). Destaco, no entanto, o mais novo que é também o miúdo com mais potencial: João Félix. Seguindo a evolução esperada, será um craque de nível mundial.


domingo, 23 de abril de 2017

Rui Vitória à Benfica

É brilhante e à Benfica esta conferência de imprensa do nosso mister. Tem nela tudo aquilo que deve ser o nosso clube e o que explica a extraordinária capacidade de Rui Vitória para liderar um grupo sob os pressupostos certos: educação, lógica, inteligência, lucidez, dignidade, decência, honestidade. Não é por acaso que os jogadores festejam gloriosamente os nossos golos; que parecem enlouquecer quando a bola bate nas redes. Há ali qualquer coisa mais. Há Mística que nunca mais acaba.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Os verdadeiros grunhos

O futebol está cheio de grunhos, é uma evidência. Mas um grunho, tal qual um calhau da rua não sabe ser senão um calhau da rua, não pode ser outra coisa que não um grunho. O grunho não tem culpa de ser grunho. O grunho é limitado cerebralmente, é filho de consanguinidades, tem meia dúzia de ervilhas onde deveriam estar neurónios.

Porém, a violência,  o ódio, a imbecilidade que os grunhos difundem por todos os clubes não são responsabilidade dos grunhos. Os verdadeiros culpados usam gravatas, sentam-se nas bancadas presidenciais dos estádios, dirigem os clubes, comentam nos programas televisivos. Esses que todas as semanas fazem discursos odiosos contra os adversários, que constantemente criam teorias conspirativas sobre as motivações dos árbitros,  que estupidamente incitam à cultura do "olho por olho, dente por dente" porque "não podemos ser anjinhos" enquanto estacionam o carro na garagem do estádio, sobem pelo elevador ao seu banco aquecido e ao seu croquete e fingem gostar de futebol.

São esses os verdadeiros grunhos. Os outros só vão,  como cães raivosos, atrás dos donos.


domingo, 16 de abril de 2017

Páscoa, aquela altura do ano em que percebes que só Jesus pode tirar o Tetra ao Benfica.

Maxi Pereira, um raro exemplo de desportivismo

Num tempo sombrio em que o futebol foi inundado pela violência, urge dar relevo aos bons exemplos de desportivismo que, apesar de tudo, ainda existem.

Na imagem, Maxi Pereira testa a proeminência laríngea de Vukcevic, procurando libertar o jogador da preocupante expectoração que o aflige há cerca de um ano.




sábado, 15 de abril de 2017

Volto sempre a um lugar chamado Jonizzi


Se o cliente do Benfica... peço desculpa, o adepto. Se o adepto do Benfica estiver distraído, há-de achar este golo banal. Parece tudo tão simples. Passe de Rafa para Pizzi, passe de Pizzi para Jonas, remate de Jonas.

Na verdade, há uma simplicidade. A simplicidade dos jogadores diferentes. É absolutamente genial o que Pizzi faz. Recebe, espera que o adversário venha para o fixar e depois dá com a parte exterior do pé para Jonas quando sente que conseguiu criar o espaço para que o brasileiro estivesse mais à vontade para o golo. Estas coisas não se ensinam nas academias, nos centros de estágio, nas palestras. Ou há ou não há. Em Pizzi há sempre.

Depois, Jonas. É maravilhosa a criatividade, um inventor de golos. 5 minutos antes, tinha rematado em arco para o outro lado. Usou isso aqui, como engodo. Fez o mesmo movimento mas na direcção contrária: um remate fraco tão bem direccionado que só podia entrar se levasse todo o mel que aquele remate deu à bola.

Parece fácil. Parece coisa de gente banal. Não é. Jonizzi é sempre um lugar de coisas muito especiais.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Cartilha, cartilhantes e cartilheiros

Ainda não falei sobre o assunto do momento no futebol português (não, não é a luta pelo campeonato nacional) por isso vou despachar isto de uma vez.

1. Não há qualquer novidade na existência da cartilha nem qualquer surpresa com o conteúdo da mesma. Há uma podridão instalada no seio do nosso clube que só aqueles que se recusam a ver não enxergam.
2. O processo parece-me este: O Benfica contratou o Carlos Janela para, juntamente com outros que trabalham no clube, criar um documento de ataque comunicacional. Este documento serviria como guia para todos aqueles que têm voz na comunicação social. É um documento enviado semanalmente a vários comentadores, uns mais íntegros que outros mas todos sem coragem ou vontade de admitir esta realidade. Acredito que alguns preferiram não acreditar nos seus olhos e fingiram que tal não acontecia.
3. Estas cartilhas são essencialmente uma vergonha para o Benfica. Não para os comentadores.
4. Estas cartilhas dizem tudo sobre quem lidera o clube e pouco sobre quem as recebe.
5. Isto é só o espelho de tudo aquilo que esta direcção já nos habituou. Seja em entrevistas, seja em AGs ou seja onde for.
Recentemente muito me tem irritado a postura das pessoas que representam o nosso clube. Armados em senadores, vozes da bondade e defensoras do Futebol e do Desporto. Campeões da honestidade e do respeito. Um puro cinismo de gente que utiliza um período vitorioso para se engrandecer. Os valores do Benfica vivem-se de forma constante, imutável e independente de momentos, não são só periódicos nem contextuais. 
Estes senadores até Janeiro de 2014 eram outra coisa. Vieram as vitórias e inverteu-se o comportamento público. Jogam só nas sombras, onde são tão maus ou piores que os outros.
O que mais me enoja é ver os dedos cínicos apontados aos outros por fazerem os que eles sempre fizeram e ainda fazem mas às escondidas.
6. Apesar da maioria pouco ou nada ligar a estes documentos, há aqueles que os seguem à risca, que vivem para estas cartilhas – para as alimentar e servir. Para dar pancada.  Estão mais que identificados.
7. A reacção foi obviamente cobarde. Fugir ao assunto apontando o dedo a outros. Fugir às próprias opiniões e tentar pintar a situação.
8. Aqueles que agora aparecem mais ofendidos e a defender o profissionalismo da cartilha são aqueles que durante meses acusaram e criticaram os adversários por supostamente receberem disto, isto enquanto invocavam a grandeza de não receberem tal coisa.
9. Isto são comentadores com um elástico solto a fazer de espinha dorsal. Esta gente ter direito a tempo de antena é uma afronta ao serviço público que os canais deveriam prestar.
10. Não há maior cartilheiro que o Pedro Guerra. Comentador pago e sem opinião. É a voz do dono e voluntário a fazer todo o trabalho sujo – a sua especialidade. 
Ver o Pedro Guerra falar é uma montanha russa de desinformação e desonestidade.
Mais ninguém convive tão bem com as próprias e constantes mentiras e contradições.
11. A máscara caiu mas eles andam agora de cara no chão recusando-se a deixá-la sair.
12. Sem máscara não são ninguém no Benfica. Sem máscara não sabem nada do Benfica. Isto é gente que apareceu recentemente mas que constrói a imagem de por cá andar há muito tempo. É gente que dá a imagem de muita cultura benfiquista tudo às custas das cartilhas. Não sabem nada do clube além daquilo que decoram antes de irem para o ar.
13. Pouco me importa o que os outros clubes fazem. Agora estou preocupado com a nossa casa. A incapacidade de discutir o nosso clube sem apontarmos aos outros não passa de uma imensa falta de coragem de assumir os nossos erros e falhas.
14. Pelo que parece nos outros existe algo mas não chega a este nível de podridão.
15. Por principio sou contra este tipo de contacto entre os clubes e comentadores. Contudo aceito a vantagem e profissionalismo que pode caracterizar a passagem de informação aos que comentam. Num tom respeitador e informativo, comunicar aos acontecimentos, esclarecimentos e dados oficiais é algo que até pode ser positivo e saudável. Porém neste nosso futebol isto não tem como existir. Não há interesse na Verdade pois só importam as guerras comunicacionais. Os clubes não têm interesse em informar, só em manipular.
16. Hoje já não há desculpas para os benfiquistas aplaudirem certos paineleiros. São actores de guião bem estudado. Gente sem opinião própria e sem conhecimento. Não se importam em dizer a verdade, não se importam com a ética, não se importam com a honestidade, falam para manipular quem os ouve. Não assobiem para o lado.
17. A BTV é a grande arena do cartilheirismo. Alberga as principais vozes da cartilha e funciona muito em prol das suas linhas.
Raras são as vozes independentes lá dentro. Os normais programas de debate são programas de concordância. Todos têm a mesma opinião, seguem o mesmo guião e ninguém tem voz critica sobre nada do que se faz no nosso clube.
Basta e ver o programa de análise ao jogo Moreirense – Benfica. 4 analistas e um ex-árbitro. Uma hora em que se repetiram mutuamente, onde se falaram escassos minutos sobre o jogo, onde ninguém ousou criticar a nossa exibição e onde durante 55 minutos só se falou de arbitragem e se estranhou o esforço do adversário. De realçar as fortes criticas à arbitragem onde nunca se falou de nenhum lance que nos beneficiou, apesar de vários e importantes. Um ataque veemente mas abstracto todo ele exemplificado num lance para 2ºamarelo aos 80 e tal. Deu o mote o ex-árbitro e todos seguiram a cartilha.
18. Luís Felipe Vieira é o maior cínico do futebol nacional. Um homem que se vende cheio de uns valores que contrariam as suas atitudes.
Alguém capaz de utilizar os momentos mais sensíveis para vender a sua imagem.
Alguém capaz de utilizar momentos de sofrimento para se tentar valorizar, com apelos bondosos que nas sombras contraria.
O Benfica, o benfiquismo e aqueles que mais recentemente partiram para o 4º anel merecem muito mais, muito diferente.




19. Termino referindo-me ao outro caso da semana.
Benfica para o tetra com 6 vitórias sem o Samaris.


Agora vou é ver o Dortmund - Mónaco. No mundo do Futebol não há nada melhor do que ver a bola rolar. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Aos Chutões para o Tetra?

Isto é muito pouco. Muito pouco mesmo.

Antes de mais vou deixar aqui claro: acredito no tetra a 100%.
Ganhando ontem não acho que o Tetra nos possa escape. Faltam 6 jogos, o Porto não ganha todos e depois do Clássico na Luz acredito que podemos sair por cima em Alvalade.
Em Junho o Rui Vitória será Bicampeão nacional.

Mas estamos a jogar muito muito pouco. Estamos a colocar-nos a jeito. Assim qualquer jogo vai ser vivido com o coração nas mãos. Falta Futebol a este Benfica.

O Rui Vitória é aquele treinador que uma pessoa quer gostar. Queremos que ele seja bom, queremos vê-lo festejar com os adeptos, queremos idolatrá-lo. Mas a nossa vontade não nos tolda a visão e são os nossos olhos que nos trazem o desgosto de ver o pouco treinador que o ele é.

Falta muito treino a este Benfica. Brincar com os pinos e educar os alunos é para os professores de educação física. Treinadores têm de transmitir muito mais Futebol, treinar muito mais Futebol.

Há bons treinadores que nunca respeitarei. Há treinadores medianos que terão sempre todo o meu respeito. O Rui Vitória é o segundo exemplo.

Ontem vencemos um jogo no qual não jogámos nada. Ignorando as questões de arbitragem, ontem, mais uma vez, só ganhámos porque temos muito melhores jogadores que o adversário. Melhores jogadores e um estádio todo a puxar por nós.

O Benfica viveu dos rasgos do Semedo, da concentração do Luisão e de muitos pontapés para a frente.
O ataque todo desligado, meio-campo inexistente, a defesa sempre em apuros, o Jonas, o Grimaldo e Fejsa longe da melhor condição física e um Salvio que continua com o seu lugar cativo a queimar outros talentos.

Não acredito que o tetra nos escape mas vamos ter os nossos sustos.
Em Junho Rui Vitória será Bicampeão nacional mas continuará a não ser treinador para este voos. 

Talvez eu seja somente um eterno descontente.

Antes defendia que tínhamos treinador de clube grande mas não para um Benfica de valores, europeu e formador – o Benfica que eu idealizo.
Agora acredito que temos um treinador que simplesmente não é de clube grande.

Muito fraco o nosso jogo em Moreira de Cónegos.

E infelizmente o Rui Vitória fica apresentado quando no banco só vai gritando para o Ederson e para os defesas “chuta, chuta, chuta”.



Que chegue logo o jogo com o Marítimo para termos oportunidade de limpar esta triste imagem futebolística que temos andado a pintar.


Só a Mística nos pode salvar


terça-feira, 4 de abril de 2017

O futebol em Portugal

Aproxima-se um jogo que pode ser decisivo na luta pelo título de campeão nacional. Nas duas semanas antecedentes, os dois clubes participantes, desunham-se em comunicados e newsletters. Uns contra a federação, outros contra o antijogo do último adversário. Mais do que querer ganhar, os departamentos de comunicação preparam uma eventual falha. Porque se perderem o título, a culpa será dos processos disciplinares ou do da demora nas reposições de bola, mas nunca, em momento algum, serão culpas próprias ou, muito menos, méritos alheios.

Chega o dia de jogo. Centenas de Polícias são mobilizados para o evento, durante horas e horas a fio. Há ruas cortadas, a mobilidade de pessoas e bens é fortemente condicionada, tudo porque, tomados pelo ódio semeado durante anos, as pessoas não sabem conviver com a diferença, esquecendo-se até que não existiam uns sem os outros. Os da casa não aceitam a visita do inimigo (sim, é assim que se tratam), os de fora querem destruir o território alheio. Há insulto, petardos, pedras, bolas de golfe, copos de urina. Tudo serve para enxovalhar e agredir o adepto rival.

O jogo acaba. O treinador visitante diz-se revoltado com a demora na entrada dos seus adeptos. Ainda não se sabe contra quem é a revolta, se contra quem lhe disse terem sido 40min, quando foram metade, se contra a empresa de aluguer de autocarros que não soube prever a avaria dos seus veículos e que originou o atraso. Pouco importa, o que importa é que a revolta existe.

No dia seguinte, um dos clubes vasculha as milhares de imagens do jogo e lá encontra uma falta antes do golo rival. O outro, apesar de presidente e treinador terem falado diferente, afinal lá encontra desagrado nos amarelos e no encontrão. Pelos vistos, uma arbitragem que até tinha sido boa, passa a reles para ambos.

Dois dias depois, talvez farto de ver gritaria sem ter o que dizer e sem ver o seu nome no meio, um terceiro clube decide pedir castigos para jogadores que, num jogo que não o seu, segundo eles, tiveram condutas improprias para com jogadores e treinadores que não os seus.

Pelo meio, parece que houve 90min de futebol com um golo para cada lado.

Em Portugal não gostamos de futebol. Podemos gostar do folclore, da polémica ou da estupidez, mas do jogo? Não gostamos não.

domingo, 2 de abril de 2017

Clássico - Mais que um Resultado



Antes do jogo parecia-me que a tripla de resultados tinha um trio de significados muito distintos.

A vitória colocava-nos com 4 pontos à frente, dava-nos vantagem no confronto directo e ainda significava um relativo boost de motivação e confiança para o resto do campeonato. Estaríamos lançados para o Tetra.

A derrota era um golpe forte nas nossas aspirações. O Porto iria finalmente conseguir subir à liderança, iríamos ter de correr atrás, ficávamos a 2pts e em desvantagem no confronto directo. Além disso seriam eles a receber o tal boost de motivação e confiança. Passariam a ser os grandes favoritos à conquista do campeonato.

O empate… O empate não mexeria muito com as contas mas seria um contexto mais negativo para nós.
Na última jornada o Porto teve a sua grande oportunidade para inverter esta luta e de se lançar na conquista do título. Desperdiçou-a.
Ontem tivemos nós a nossa oportunidade de nos lançarmos ao Tetra e não a conseguimos aproveitar.

Neste mano a mano a nossa grande vantagem era o ainda recebermos o Porto. Tínhamos este jogo para os arrumar. Contudo a equipa azul e branca conseguiu sair de uma Luz com 65mil adeptos 100% viva. Não ultrapassaram este obstáculo com sucesso mas ultrapassaram-no.

E se à partida o empate era mais favorável ao Porto então depois de como decorreu o jogo mais ficou.
Pelo pouco que produziram e por aquilo que nós apresentámos, terem saído da Luz com 1pt era o melhor que poderiam conseguir.

O empate favoreceu-os mas no Futebol não só os resultados importam.
Saímos da Luz com um mau resultado mas com muito mais equipa que eles. Eu saí do estádio muito mais confiante no título do que entrara.

Jogámos mais, fomos melhores e demonstrámos uma força superior. E isto diz-me que temos muito mais capacidade para vencer todos os jogos, principalmente o jogo de Alvalade.

Entrámos melhor no jogo, sem medos de ir para cima deles. Chegámos ao golo.


E depois foi o costume.

A vencer demos o jogo ao adversário. Fazemos sempre isto. Recuámos, abdicámos da bola. Cometemos muitos erros. Mas apesar disto tudo o Porto pouco ou nada fez. Não tiveram capacidade para nos causar problemas.

Na segunda parte foram para cima de nós e empataram. Nessa altura estávamos um pouco aos papéis. A verdade é que pela produção de jogo o empate justificava-se. Nenhum das equipas estava a ter Futebol para vencer o jogo.

Após o golo deles achei que íamos afundar. Achei que eles iam para cima de nós e que íamos tremer perante uma chuva de oportunidades de golo.
Tiveram uma que foi primorosamente abafada pela saída do Ederson.

A partir daí o jogo foi nosso. Ficou evidente que só não jogámos mais durante mais tempo porque não quisemos.
Sempre que decidimos jogar conseguimos encontrar a baliza adversária e fazer tremer toda a estrutura portista. Temos de querer jogar muito mais vezes.

Por isto Mister Rui, depois do 1-0 era para procurarmos o segundo e não para ficarmos à espera que o jogo acabasse no golo de penalty do Jonas.

Fizemos uma grande última meia hora. Com oportunidades de golo, com qualidade de jogo e com superioridade colectiva. Fizemos o suficiente para vencer.

No Porto não se viu o Corona, nem o Jota, nem o Oliver e nem o André Silva. O ataque portista esteve 100% dependente de momentos de inspiração do Brahimi em jogadas individuais.

Do nosso lado não consigo indicar destaques individuais. Todos tiveram as suas falhas mas o colectivo resolveu sempre a situação. Ontem tivemos equipa e fomos uma equipa muito superior ao que temos sido.
Colectivamente foi uma exibição bastante positiva.

Eles conseguiram um melhor resultado. Eles têm um calendário mais acessível. Mas nós saímos deste Clássico mais fortes, mais fortes do que eles e do que estávamos.

Eu estou agora a acreditar mais.



Minúsculo Pereira


Não sou, nunca fui, um odioso de Maxi Pereira por ele ter saído do Benfica para o Porto. É parecido com o Manu Chao - o que me leva sempre a querer gostar dele - e eu não espero que um uruguaio sinta o clube da mesma forma que eu sinto. Além disso, muito haveria a dizer sobre quais as culpas de empresário,  Presidente do Benfica e do próprio jogador. Não,  eu não era o tipo que chamava nomes ao Maxi Pereira.

Mas ontem o Maxi entrou na lista negra do benfiquismo. Não por fazer o golo, que só fez a sua obrigação como jogador do Porto, mas pelos festejos. São festejos de alguém que, tendo estado 8 anos no Benfica, o revelam como pessoa menor. E isso eu não posso aceitar. Um jogador não deve confundir nunca uns assobios de uns idiotas com o clube que representou quase uma década.

Maxi Pereira é hoje um homem que não é do Benfica nem é do Porto - não é amado por uns porque mostrou ser de fraca índole e não é amado por outros porque já foi capitão do rival. Maxi Pereira é hoje o exemplo de um jogador-mercenário que nunca ficará na História dos clubes portugueses por onde passou. E isso, meus amigos de coração largo que ainda gostam deste jogo e de ler os génios que o transformaram em pátria de chuteiras, é o pior que pode acontecer ao futebol.


sexta-feira, 31 de março de 2017

Os grunhos e o Futebol



Um jogo extraordinário. Um clássico. A mais intensa rivalidade do futebol português dos últimos 40 anos. Duas equipas separadas por 1 ponto a 8 jornadas do fim. 65.000 adeptos nas bancadas.

O que deveria ser um motivo de alegria, expectativa e festa, afinal, para 90 por cento de adeptos e dirigentes, é uma doença temperada a paranóias com os árbitros, ódio aos rivais, violência e muita pobreza de espírito.

O jogo lindo que é o futebol merecia gente com cérebros e corações mais saudáveis.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Estavam à espera do quê?


A FPF quando decidiu trazer para a Seleção Nacional o pior que o futebol português tem, leia-se as claques e o seu fanatismo estúpido, estava à espera do quê? As cabecinhas pensantes da FPF queriam o quê quando abriram as portas a gente que de futebol gosta bola?

E Sr. Marta Soares - que para o exemplo, representa a classe dirigente do nosso futebol - estava à espera do quê quando se desloca ao estádio do rival, depois do terrorismo verbal que os clubes e seus representantes implementaram entre si? Ah sentiu a vida em perigo? Então mas que ideia faz das pessoas que os dirigentes insistem em educar como tontas e acéfalas? Temo desiludi-lo, mas o que o Sr. experimentou no sábado passado, é corriqueiro cá por baixo, e só não chega à cúpula, porque os senhores das gravatas lançam a gasolina, mas nunca descem do pedestal para lhe sentir o cheiro. Desta vez, incauto, desceu e teve um "lamiré" do ambiente que TODOS vocês semearam no futebol.

Estavam à espera do quê?

terça-feira, 21 de março de 2017

Ponderação da Sorte

Eu não posso acreditar que um treinador que trabalhe o ano todo e é campeão nacional consiga todo o seu sucesso à base da sorte.

Por mais água que se beba a sorte não pode ser o guia de todo o percurso futebolístico de uma equipa.

No final da época passada houve um consenso de opinião sobre a evolução do Benfica ao longo do campeonato. Foi uma evolução que se deveu muito à integração do Renato Sanches no meio campo e à deslocação e afirmação do Pizzi à direita.


A equipa ganhou força no centro do terreno, ganhou maior capacidade de recuperação da bola, de pressionar alto, de rotura ofensiva e de aproximação dos sectores. Era o monstro Renato a funcionar.
Mas a equipa ganhou muito mais do que essa força. Ganhou um futebol mais apoiado, mais pensado e com maior qualidade pelo interior do terreno. Era o futebol do Pizzi a funcionar.

E este consenso foi tão geral que até o treinador do Benfica falou nele no final da época.

Rui Vitória foi peremptório a afirmar que a grande transformação do Benfica devia-se ao posicionamento do Renato a 8 e do Pizzi na linha.

Rui Vitória não se coibiu de elogiar o mérito de ter devolvido o Pizzi à direita.

Rui Vitória não se escondeu ao afirmar que no Seixal o Benfica não iria conseguir outro Renato e que por isso teria de ir ao mercado.


Foi? Não.

O que me traz aqui é unicamente a incoerência deste discurso. Onde antes havia o mérito de uma opção que lançou o Benfica para o Tri, agora há um retrocesso total no modo de operar.

Como pode Rui Vitória explicar os seus méritos na redescoberta do Pizzi se agora o trouxe de volta para o meio? Não faz sentido.

E por isto me questiono quanto na Sorte tem apostado o treinador do Benfica.  A lógica do Tri não retiraria o Pizzi da linha em prol de um jogador com características tão opostas às suas. A lógica do Tri não colocaria a 8 um jogador tão distinto do Renato.

A sorte diz-me que a aposta no Renato e a deslocação do Pizzi foram um golpe não pensado e não trabalhado do treinador. Esta situação revela que não fossem as lesões do Salvio e nunca o Pizzi teria jogado à direita nem o Renato teria sido chamado à titularidade.

Porém eu recuso-me a acreditar que seja tudo um bafo de sorte. Recuso-me a acreditar que em nenhum momento do processo o treinador teve um desenvolvimento racional que o levou a tomar as suas decisões, a perceber os méritos destas e a reconhecer o seu sucesso. 

Por isto tenho de perguntar: Que raio se passou Rui? 

domingo, 12 de março de 2017

Celebremos o futebol


Televisão, livros, carrinhos, legos e cassettes fizeram parte da infância de quase todos os miúdos nos anos 90. Não fui excepção. Com a diferença de que sempre privilegiei o futebol. Mesmo na televisão, no tempo dos quatro canais, mais que os desenhos animados era o futebol que me captava a atenção. Os jogos do campeonato nacional, o saudoso Domingo Desportivo ou o Remate na RTP com a Cecília Carmo, os Donos da Bola na SIC com Nuno Santos ou Jorge Gabriel, os jogos da Liga Espanhola e da Liga Italiana ou o Contra-Ataque com o Sousa Martins na TVI fizeram parte minha infância. Eram os meus desenhos animados. Era o que me prendia à televisão. Também vi cassettes. Tenho dezenas delas. Rei Leão, Pinóquio, Toy Story, Aladdin, Pocahontas, enfim, até as organizava por ordem alfabética, por ordem de duração. E qual foi a cassette que vi, que rebobinei para rever vezes sem conta até à náusea? A daquele Barcelona x Atlético de Madrid para os quartos-de-final da Taça do Rei de 1997.

Faz hoje vinte anos sobre esse jogo. Por feliz coincidência, o Zé Luís, meu primo, sabendo que não iria poder ver o jogo, deixou uma cassette a gravar. E graças a isso, vezes sem conta, vi e revi os frangos de Vítor Baía, os contra-ataques dos colchoneros, a classe e os golos de Ronaldo (o verdadeiro, o melhor futebolista que vi jogar e a primeira camisola que tive), aquele remate do Figo à entrada da área e a festa blaugrana após o golo decisivo de Juan Antonio Pizzi, que seria promessa eleitoral de Luís Tadeu nas malfadadas eleições de 1997 em que se elegeu Vale e Azevedo em detrimento do professor do Instituto Superior Técnico.

Não sendo a minha primeira memória sobre futebol, é talvez a primeira memória marcante que tenho. Celebremos o futebol.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Não havia necessidade


Sinto-me um Diácono Remédios. Bem sei que a minha intervenção não será profiláctica, até porque o mal está feito, mas o futebol praticado pelo Benfica assim me obriga. Não havia necessidade de assistir ao que se passou hoje em Dortmund.

Sou um resultadista. Não sou um romântico à espera de um futebol cativante para me deixar com água na boca enquanto vejo o Benfica jogar. Quero resultados. Quero vitórias. E não me choca absolutamente nada que o Benfica seja eliminado por uma equipa como o Borussia Dortmund. Mas acreditem que mesmo para um resultadista tem de haver um conjunto de princípios de jogo, defensivos e ofensivos, que devem estar bem delineados e que devem ser cumpridos. Acreditar que os resultados podem surgir sem esses princípios não é resultadismo mas sim depositar a fé, a crença ou o que lhe quiserem chamar em algo de tão arbitrário e fortuito que dá pelo simples nome de... sorte. Há uma diferença enorme entre resultadismo e sorte. E os adeptos que acham que o Benfica esteve bem nesta eliminatória com o Dortmund porque pareceu em condições de discuti-la durante os primeiros 135 minutos da mesma, desenganem-se, porque não esteve. Este Benfica, personificado por Rui Vitória, não é resultadista. É um Benfica que se apoia e que aposta tudo na sorte. E isso é um péssimo princípio para quem quer ganhar no futebol, ainda para mais quando dispõe de um conjunto de individualidades muito acima da média, como é o caso do actual plantel do Benfica. A sorte não dura sempre.

Não peço para o Benfica jogar aberto nem para subir as linhas. Pensar que poderíamos jogar assim com o Dortmund seria de um romantismo que não se coaduna com a minha forma moderadamente cautelosa de ver o jogo. Mas precisamente por ser cautelosa e não ser medrosa faz com que não abdique de certos princípios de jogo. Falo de princípios de jogo e não de escolhas individuais de jogadores porque apesar de Vitória ter optado por Samaris, Almeida e Pizzi para o corredor central isso não faz do onze do Benfica obrigatoriamente mais defensivo da mesma forma que as escolhas de Mourinho para a final da Liga dos Campeões de 2010 (Pandev, Milito e Eto'o) não fazem do Inter uma equipa mais ofensiva. Está tudo relacionado com as ideias e com os princípios de jogo uma vez que as escolhas dos jogadores não reflectem obrigatoriamente uma ideia de jogo. E se o Benfica tem uma organização defensiva que é francamente boa para a realidade do plantel que apresenta (e aí o mérito deve ser dado ao seu treinador), ofensivamente, com tanto talento individual, torna-se incompreensível a ausência de um plano de jogo, o medo de ter posse de bola e a incapacidade de olhar o adversários nos olhos. É um reflexo de ausência de processos, de pouco treino e espelha o medo que Rui Vitória tem de jogar contra equipas de valia mais ou menos semelhante à do Benfica. Foi isto que se passou este ano com Besiktas, Napoli, Dortmund, Porto e Sporting. Com a certeza de que algumas vezes se perde, algumas se empata e outras tantas se ganha. Mas apostar o destino na sorte parece-me ser extremamente redutor para a qualidade individual que o plantel do Benfica tem.

domingo, 5 de março de 2017

Presimentes

Enquanto fenómeno social, o futebol move paixões que são por vezes difíceis de entender. Existe um certo grau de irracionalidade no jogo que faz com que os adeptos não se consigam distanciar o suficiente para conseguir analisar algumas decisões do próprio futebol, como não acontece em mais nenhuma circunstância da vida. Talvez por isso o patrão do adepto seja um déspota, a mulher seja uma controladora, o dono do café onde vê a bola seja um avarento, o primeiro-ministro seja um aldrabão, os políticos sejam todos corruptos mas o presidente do clube de futebol, ai o presidente do clube de futebol, seja um herói sacrificado, um exemplo de liderança e uma figura de culto.

Algo está errado. Especialmente quando os três grandes se vêem representados por estas figuras. E aqui estou completamente à vontade para falar porque a única vez que votei em Vieira foi há oito anos e o arrependimento chegou menos de um ano depois, não pelo título de campeão nacional conquistado mas pelos negócios pouco claros que começaram a surgir com o Atlético de Madrid. A confiança perdeu-se. Porque um clube é muito mais que os títulos que conquista e o seu presidente deve ser alguém minimamente digno e que represente os valores do clube. Por isso mesmo, apesar de reconhecer o excelente trabalho que Vieira tem feito em áreas como a construção de infraestruturas, a criação de condições para os escalões de formação singrarem, a modernização e profissionalização da estrutura e finalmente o sucesso desportivo, não posso nem irei esquecer as mentiras sucessivas, os negócios pouco claros e a ausência de um debate plural e democrático promovido por constantes fugas aos debates com a oposição, com alteração de estatutos e de datas de eleições para evitar candidatos incómodos.

Este défice democrático criado pelo populismo dirigido às massas por presidentes-ditadores é aliás um fenómeno que não é de hoje e não é exclusivo ao Benfica (nem a Vieira, porque mesmo Vale e Azevedo chegou a ter quase 40% dos votos depois de um dos mandatos mais nefastos de um presidente na História do Benfica). Também o FC Porto, cujo presidente tem mais anos de poder que eu de vida e no qual não me lembro de existir um candidato a desafiar Pinto da Costa, vive este problema de ausência de debate democrático. E o Sporting, claro, depois de ultrapassada a oligocracia do croquete que dirigiu o clube anos e anos a fio, vê-se agora a braços com um demagogo radicalista com um discurso que cativa a maralha e que coloca em xeque qualquer pessoa com ideias e que se oponha ao seu reinado através de comunicados, insultos e perseguições.

Não me identifico com esta gente. E tenho alguma dificuldade em compreender gente inteligente que utiliza justificações como "pelo menos fez obra", "deu-nos títulos" ou "devolveu o orgulho de ser benfiquista/sportinguista/portista aos adeptos". Nem tudo tem de ter um preço, especialmente quando ultrapassa a nossa dignidade ou a dignidade que os clubes devem ter.

P.S. Peço desculpa a todos os que ao longo dos anos foram comentando aqui ou no Eterno os meus posts, mas a partir de hoje só o poderão fazer através do Facebook na página do Ontem Vi-te no Estádio da Luz.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Vieira na CMTV, Seixal e nada mais

As palavras ficam a ecoar-me na cabeça. Tenho este defeito. Fico a pensar nas coisas e quanto mais penso mais quero falar delas. Principalmente quando as palavras são pomposas mas ocas de sentido.

As entrevistas deste presidente do Benfica são fenomenais para títulos de jornais. Se queremos ficar entusiasmados agarremo-nos às Capas nos quiosques e deixemos de lado o muito de nada integral.

Mais de uma década das mesmas coisas, das mesmas promessas e das mesmas repetições.
Recentemente temos no nosso clube muita gente com tiques de senado. Não são senadores. São aproveitadores de bons momentos para se sentirem superiores. O que é falso só pode soar a falso.

No Benfica temos obrigação de ser pró-futebol, de defendermos os mais altos valores da sociedade e do desporto. Está-nos no sangue enquanto clube. Contudo, outra coisa é o que está no sangue de cada um, de cada individuo. Quem não o é finge mal ser.

Faltou muita seriedade ao presidente do Benfica. Quis brincar com a inteligência das pessoas e passar de fininho pela chuva. Não conseguiu, não devia ter tentado e saiu risonhamente encharcado.
Pessoas frontais nunca têm tanta necessidade de lembrar que o são.

Entrevista fraca. Pobre. Má. Triste.

Pela postura, pelo discurso, pelo modo como abordou a ida à comissão de arbitragem, pelo modo como falou da parceria com o Jorge Mendes, pelo modo como ignorantemente abordou a vida profissional do seu filho, pela forma como falou de um projecto do qual o clube faz parte, pela palha sobre os 15M e pela incoerente, simplista e falsa abordagem que fez à saída do Jorge Jesus.

Este presidente do Benfica resume-se a uma coisa positiva: Seixal.

É aqui o seu grande mérito e é aqui que sempre brilha nas entrevista.

Não é pela abordagem aos jovens jogadores, não é pela forma como estes são ou não aproveitados no clube, é pela obra.

O Seixal é o grande legado de Luis Felipe Vieira e quando fala desta obra é quando mais entusiasma.

Aqui dou os parabéns ao presidente do Benfica. A qualidade do Seixal, os frutos que dá e o maravilhoso trabalho que lá se faz são mérito seu.

O Seixal é Benfica, o Seixal é o futuro do Benfica, o Seixal tem de ser ainda mais o presente do Benfica e o Seixal é benfiquismo. É aquilo que mais pode orgulhar os benfiquistas e é aquilo que melhor alimenta todos aqueles, que como eu, sonham há anos por ver uma maior identidade Benfica neste Benfica.

Deixo um conselho a Luis Felipe Vieira:

Entrevistas só sobre a obra do Seixal. Uma hora a falar sobre o que se fez, como se planeou, como se desenvolveu, futuros projectos, como se vão fazer, ponto de situação. Uma hora a dissecar este magnifico sonho.

Aí sim poderíamos estar perante uma magnifica entrevista deste presidente.




Desabafo 2:

“Se eu quero vender por 45 ou por 50, ele é que tem de ir o vender, não sou eu que vou vendê-lo.
As pessoas não vão pensar que chegam aqui ao estádio da luz a comprar os jogadores do Benfica. Pode haver um ou outro jogador.
Agora, se nós não estivermos no mercado de certeza absoluta que somos desconhecidos.”

Alguém percebeu alguma coisa desta trapalhada?

Pagamos uma percentagem à Gestifute para fazerem um trabalho que é público que o presidente do Benfica tem andado a fazer.

Os jogadores do Benfica são desconhecidos no mercado, os clubes não mandam observadores aos jogos do Benfica, os desempenhos dos jogadores a nível interno e europeu não são visíveis além fronteiras e aquilo da "montra europeia" é um mito.

O mito à volta da venda do Guedes lá caiu.
Quanto ao Ederson parece que nos estão destinados uns 30% parcelarmente pagos.


domingo, 26 de fevereiro de 2017

Futebol camaleónico

O futuro do jogo passará por ter 10 jogadores que podem jogar em todas as posições do campo. Com a evolução táctica a forçar mais criatividade individual e colectiva, ganhará mais vezes quem tiver jogadores-camaleões. Não mais a treta de o central ter de ser "alto e forte", o médio "intenso", o extremo "rápido" ou o avançado "possante". Ao longo do jogo, os melhores serão os que fizerem rodar os seus jogadores por todo o espaço do relvado. Aos 10:35 e 11:37 - Hummels, o central médio ofensivo.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Rogério Ceni e João Schmidt, dois extraterrestres no Brasil


Há uma boa ideia de futebol a nascer lentamente e incompreendida em São Paulo. Há um treinador a dar os primeiros passos que vai ser um dos melhores da História. Há um jogador que tenta ser o veículo dessa boa ideia através do seu treinador para os restantes colegas. Mas antes do sucesso vai haver polémica, já há polémica.

Rogério Ceni está a mostrar ao Brasil algo que ele definitivamente não quer nem compreende: pinturas de futebol europeu. Quer ter a bola, não quer ter de chegar à área adversária em 24 segundos. Diz: "não temos tempo contado, isto não é basquetebol" e levanta a ira de milhões de brasileiros pelo mundo. Neste momento, só os adeptos do São Paulo tentam perceber o que Ceni anda a fazer nos treinos e só porque foi dar 3 a Santos e deu 5 em casa ao Ponte Preta. Bastará que os resultados piorem para que o seu discurso maravilhosamente encantado pelo jogo e a ideia que tem para a sua equipa sejam massacrados.

Tem, no entanto, a seu favor as duas décadas e tal que deu ao clube como guarda-redes goleador. Isso dar-lhe-á algum espaço para poder revolucionar de vez um futebol que transborda de talento e escasseia de cérebro. Ponho as mãos no lume por Rogério Ceni enquanto ele vai cumprindo os seus primeiros meses de carreira: será finalmente o treinador brasileiro capaz de chegar aos grandes clubes europeus e ter sucesso. A fome de bola, o amor pelo jogo, o gosto por discutir o que quer fazer, a qualidade que se vai vendo em campo, a persistência na sua ideia no país mais céptico do mundo em relação a um outro tipo de futebol, dizem-me que mais cedo ou mais tarde Ceni ganhará tudo. Há ali um olhar ainda ingénuo de quem vem para o jogo para lhe trazer algo que ele ainda não viu. E depois João Schmidt.

Diz tudo de Ceni ter feito girar a sua ideia em redor de um jogador que é raríssimo aparecer por aquela banda. Anuncia que nos próximos meses veremos um São Paulo capaz de fazer do futebol brasileiro um pouco mais do que NBA. É médio, tem sangue de médio e cabeça de médio. Pode ser 6 ou 8, pode ser sempre o que a equipa precisar que ele seja.

João Schmidt, 23 anos, já passou por Portugal quando representou o Vitória de Setúbal há 2 épocas. Olhando para os 750.000 euros que custaria o seu passe e o facto de terminar contrato nos próximos meses, por mim regressaria ao nosso país para envergar a Gloriosa. O futuro vencedor da Champions Rogério Ceni que me perdoe.

 https://m.youtube.com/watch?v=BHYjavRVT3s

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Perdemos com uma vitória por 1-0



Talvez seja preciso recuar a um Benfica-Barcelona de 2006 para encontrar um dia em que o adversário chegou à Luz e fez de nós o que quis. Mas nem assim (ainda respirámos nesse jogo). O que se passou ontem foi um atropelo do princípio ao fim. Foi olhar para um jogo em que de um lado há um óptimo treinador e do outro há um mau treinador. Sem medos: há um mau treinador. Os jogadores do Benfica não estavam minimamente preparados para o atropelo que levaram; não sabiam o que iam encontrar, ninguém lhes disse que terrenos deveriam pisar, o que fazer em campo, que fórmulas para contrariar o adversário.

Como benfiquista - sócio, adepto, doente -, sinto vergonha do que se passou no Estádio da Luz. Ver o meu glorioso clube enterrado na sua área durante 90 minutos não é aquilo que eu espero, não é esse o desígnio que eu defendo para uma ideia colectiva que tem de ser briosa. Não fomos briosos, não ostentámos Mística nenhuma - a malta dos anos 60, 70 e 80 só não vai dizer isto porque foi comprada a troco de pneus para os carros e talvez uns ambientadores para snifar cheiros.

O Benfica, o maravilhoso Sport Lisboa e Benfica, é outra coisa. É um clube que, sem dinheiro, sem reconhecimento, sob a mão trágica de uma ditadura, chegou à Europa e tornou-se Bicampeão Europeu. Em 7 anos, foi a 5 finais europeias. O Glorioso Sport Lisboa e Benfica é o clube que tem 11 finais europeias, 3 delas ganhas. O Benfica, o mais Glorioso, é o clube que mais Campeonatos Nacionais tem, mais Taças de Portugal tem, mais Taças da Liga tem. O Benfica foi durante décadas o clube que contrariou o Estado Novo - o único com eleições democráticas, o único clube do povo, o clube ao qual foi proibido o seu Hino (Avante, Avante p'lo Benfica), o que viu ser-lhe negada a cor  (passou de vermelho a encarnado). O maravilhoso Sport Lisboa e Benfica é maior do que Portugal.

O meu Pai não me ensinou a ser de um clube submisso. Portanto, para mim ontem perdermos com uma vitória por 1-0.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Mudanças para ganhar

Ederson
Semedo, Lindelof,  Jardel, Almeida
Fejsa
Carrillo, Pizzi, Cervi
Jonas, Rafa

- Almeida por Eliseu. Com Cervi naquele corredor a garantir alguns momentos de profundidade, as poucas  mais-valias de Eliseu ficam colmatadas e Almeida defende melhor.

- Jardel por Luisão. Não sou fã do primeiro; nunca fui grande fã do segundo. Mesmo sem jogos nas pernas, contra uma equipa que explora constantemente o espaço entre o nosso médio defensivo e a nossa linha defensiva e a profundidade nas costas da defesa, Jardel será sempre melhor solução do que Luisão. Além disso, solta Lindelof para a direita, onde explora melhor as suas qualidades, especificamente a qualidade na saída de bola e a possibilidade de criar superioridade numérica em zonas perigosas para os alemães.

- Carrillo por Salvio. Talento contra correria desenfreada. Inteligência e instinto contra contabilizações da GoalPoint.

- Rafa por Mitroglou (ou por Jonas, se este não puder jogar). Comigo, o português seria sempre titular. É, a par de Jonas, Pizzi e Zivkovic (e Carrillo, a espaços), o que mais constantemente cria. Tem uma imaginação prodigiosa, faz coisas que não foram ainda vistas. Neste jogo específico será fundamental a pressionar em zonas mais baixas e depois,  na recuperação,  a ligar toda a equipa para os lances letais em que poderemos criar as nossas melhores oportunidades de golo.

2-1.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

UM POUCO MAIS SOBRE O ÓPTIMO JOGADOR QUE É PIZZI


Antes de mais, é importante esclarecer que 9 em 10 pessoas que falam de futebol só vêem uma vez o jogo sobre o qual falam: ao vivo ou através da televisão. Ora, isto limita muito a capacidade de perceber o que se passou em campo, já que há uma infinidade de acontecimentos que não são percebidos com uma só visualização. Juntem a isso a natural emoção e nervosismo de estar a ver a própria equipa e têm uma óptima poção mágica para não terem percebido nada do que se passou em campo para além dos golos, das jogadas perigosas, das faltas mais agressivas, dos possíveis penalties e das correrias de um jogador que consegue guardar a bola dentro de campo em carrinho.  Vejam, portanto, se puderem, o jogo mais uma vez. Mais duas, mais três.

No último jogo, Pizzi fez mais uma óptima exibição. Já sei: fez um passe de merda que ia dando golo do adversário.  É verdade, mas esqueçam agora esse lance. Revejam o jogo e atentem só no que anda Pizzi a fazer pelo campo. Com bola, sem bola, as indicações que dá aos colegas. "Mete ali", "traz", "estou livre", "solta na ala". Só lhe falta ter uma batuta. Vejam quando não só decide bem por ele mas pelos outros. O passe que encaminha a bola para o que ele sabe que vai resultar. Pizzi não é só um jogador que decide bem; ele ajuda a que toda a equipa decida melhor.

Escolho um entre milhares de lances iguais que faz durante a época: aquele que acaba com Semedo a sofrer penálti. São 15 segundos que resumem tudo sobre Pizzi: visão de jogo acima da média, noção perfeita do espaço,  dos colegas e da bola,  técnica, imaginação, inteligência, criatividade.

Ponham o vídeo nos 18:55 e vejam até aos 19:10. Pizzi recebe no meio, solta em Semedo para obrigar o adversário a focar-se na ala e a deixá-lo com espaço para pensar. Vai sempre dando o apoio a Semedo para que ele possa devolver.  Semedo devolve e corre para o espaço. Pizzi percebe que está congestionado,  que não é a melhor opção,  que a equipa não precisa de fazer tudo em histeria. Vai chegar ao perigo mas de outra forma. Sente que o adversário vem atrás dele, faz compasso de espera para retirar o adversário daquela zona e mete outra vez na direita, agora em Salvio. Vai logo dar ao argentino a opção de passe no meio. Salvio, muito bem, mete em Pizzi que, sem recepção,  directo, põe logo em Semedo que fica de frente para a baliza em posição privilegiada.

Pizzi é isto. Faz coisas destas constantemente. Faz de uma bola no meio-campo uma jogada de perigo em 15 segundos. Mete a equipa toda a fazer o que ele quer só pelo posicionamento e tipo de passe (geralmente para o espaço para condicionar positivamente as opções ao colega). Pizzi é extraordinário e não é pelos golos que marca ou pelas assistências. É porque mete sempre a equipa muito mais perto do golo. Agora digam-me: como é que a goalpoint vai meter a inteligência desta jogada na estatística?


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Era só o que faltava que não ganhassem hoje



O Benfica não anda a jogar nada. Zero ou perto de zero.

Porque já teve 40 lesões este ano, porque há uma dependência exagerada da qualidade individual, porque não há assim tantas ideias colectivas. Porque o Vitória deve ter jurado a nossa Senhora de Fátima que utilizaria o Pizzi em todos os 60 jogos da época e então,  "derivado disso", o Pizzi,  que é quem coordena todo o nosso futebol,  está mais morto que vivo (inclusivamente, até já fez um cameo no Walking Dead a esbracejar sem grande energia atrás do actor principal - ver próximo episódio).

O génio Jonas ainda anda à procura do melhor traço; o Fejsa é melhor não utilizar para não ter uma recaída de 2 meses, como dezenas de outros que vão passando pelo laboratório altamente científico do Senhor Doutor do Benfica.

O Lindelof está a jogar à Jardel. O Lisandro à Jorge Soares. O Luisão à King. O Jardel à Jardel. O Eliseu à Eliseu e o Grimaldo que nunca mais volta.

O Rui Vitória anda a falar numa oitava acima com árbitros enquanto coxeia (uma imagem tão tenebrosa que o fez ser mais castigado que um treinador que empurra fiscais de linha e cospe pastilhas por todo o lado). O adjunto dele, o Stephen Colbert, está cheio de tremeliques por ter de ir para o banco. O Vieira anda de mala na mão, qual vendedor de frigoríficos, pela China e pela Oceania a querer despachar meio plantel porque "o Benfica não precisa de vender jogadores para equilibrar as contas".

Sim, tudo isto. Mas também somos a melhor equipa. Temos os melhores jogadores. Somos os tricampeões. Os melhores adeptos vão encher o Bonfim. Para a semana o Sporting vai ganhar ao Dragão e deixar o Porto a 7 pontos, o que obrigará os SuperDragões a nova viagem de cortesia com ameaças de morte - desta vez, ja não aos árbitros mas ao seráfico Espírito Santo.

Livrem-se de perder pontos hoje. Ganhem pelo Eusébio. Pelo Coluna. Pelo mister Vitória, que estará suspenso a enviar sms's ao Stephen Colbert. Por mim. Por todos os benfiquistas e até pelos outros como o Presidente que neste momento está na Mongólia a ultimar uma excelente parceria que vai desenvolver significativamente a marca Benfica naquela região tão fanática pelo desporto-Rei.

Ganhem, meus cabrões. Ganhem com o melhor Vídeo-árbitro do mundo: os olhos do Pizzi.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Teatro na Austrália



O excelente comentador da Eurosport, Miguel Seabra, lembrava no início desta final histórica a frase genial de Navratilova: "Federer é o melhor de todos os tempos; Nadal é o melhor entre os dois."

Hoje Federer conquistou muito mais do que o 18° título do Grand Slam. Hoje Federer não foi só o melhor de todos os tempos - foi também, e sobretudo, o (muito) melhor entre os dois. Cai assim o pano cénico com maravilhosos momentos de Ténis: aos 35 anos, o génio finalmente domou a sua besta negra.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Um castigo inenarrável


Rui Vitória foi punido com um castigo de 15 dias e multa de 3825 euros na sequência de palavras dirigidas ao árbitro do encontro de ontem, Tiago Martins, estando assim impossibilitado de se sentar no banco de suplentes do Benfica nos próximos três (!) jogos do campeonato.

Pelas imagens, daquilo que é público, vê-se Rui Vitória a falar com o juiz do encontro e respectivos árbitros assistentes no final da partida, em tom assertivo e pouco exaltado, nada demais para o que se conhece e vê habitualmente no futebol português.

Recorde-se que Jorge Jesus, na sequência de gritos, perseguição e empurrão ao árbitro do encontro entre Vitória Futebol Clube e Sporting, para a Taça da Liga, teve a mesma suspensão de 15 dias mas falhou apenas um jogo para o campeonato e um para a Taça de Portugal, ambos em Chaves.

Fica registado. Revejam as atitudes de ambos os treinadores no final dos respectivos encontros e retirem as vossas conclusões.