segunda-feira, 20 de abril de 2015

Da estupidez do departamento de marketing do Benfica


A seis dias do jogo que pode e que provavelmente decidirá o campeonato nacional, o Benfica lançou uma campanha em que vende uma bandeira e um cachecol com a inscrição #colinho ao preço de 9 euros para sócios e de 10 euros para não sócios.

Um cachecol a dizer #colinho é só uma das ideias mais estúpidas que me lembro de alguém conseguir materializar num produto de marketing, ainda para mais na altura do ano em que estamos, no contexto em que se insere o jogo do próximo fim-de-semana e nos antecedentes que temos no que toca a perder campeonatos na recta da meta. Se o Benfica não vence este campeonato depois dos seis pontos que teve (com a agravante de poderem ter sido nove pontos não fosse a derrota em Paços de Ferreira) e depois destas manifestações circenses de cachecóis que aludem ao #colinho, teremos direito a 30 anos de merecido gozo por parte dos rivais.

Uma coisa é haver adeptos que "reservam" rotundas e decidem fazer a festa antes do tempo. Sendo um sinal de pouca inteligência, é importante sublinhar que esses adeptos não passam disso mesmo: adeptos. Não são pessoas com cargos diretamente ligados ao Benfica nem com responsabilidades no marketing do clube. Lançar uma campanha como esta tem a sua piada se os resultados desportivos corresponderem. Mas se isto der para o torto...

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Um Olhar sobre a Noite Europeia no Dragão



O Porto ontem conseguiu uma enorme vitória na Liga dos Campeões. É uma vitória histórica para o clube azul e branco e um feito histórico por confirmar em Munique.

O Porto foi melhor mas não há qualquer dúvida que a equipa do Bayern é muito superior à equipa portista. Portanto para tal resultado ser possível não só o mérito do Futebol Clube do Porto tem de ser discutido mas também outros factores como a sorte e o demérito alemão.

Aos 10 minutos já estava 2-0 e isso tem de mexer com qualquer equipa, seja ela a Académica ou o Bayern. Além do impacto negativo na equipa em desvantagem também é necessário relevar o boost de confiança que a equipa que está a vencer recebe.

Aos 10 minutos estava 2-0 e ao intervalo estava 2-1 e muito sinceramente não me recordo se o Porto criou alguma jogada de ataque durante toda a primeira parte.

O Bayern demorou a entrar no jogo e principalmente a recuperar do choque Quaresma. Melhorou com o aproximar do intervalo e reduziu a desvantagem.

Na minha opinião o verdadeiro jogo aconteceu na segunda parte.

Nos segundos 45 minutos assistimos sim a uma boa exibição do Porto. A primeira parte resumiu-se a luta, esforço e muita correria. Na segunda parte apareceu a posse de bola com qualidade, a construção de jogo, a confiança com bola e a serenidade.
Não se pode dizer que o Porto massacrou mas a verdade é que se superiorizou ao Bayern de Munique e isso é um feito.

Numa segunda parte de grande personalidade portista, o 3-1 apareceu com toda a naturalidade e justiça.

Esta vitória do Porto está longe de ter sido conseguida contra um Bayern B. Foi uma grande vitória conseguida contra um Bayern muito desfalcado mas mesmo assim o Bayern.
E que Bayern foi este?

Não estamos a falar de uma equipa que contou com 2 ou 3 ausências mas sim com 6 ou 7 e ainda com dois jogadores a recuperar ritmo e forma física após prolongada paragem por lesão.

Isto não se pode escrever os titulares num papel, analisar o valor individual dos jogadores e concluir quem está melhor ou pior. Muitas vezes quem é melhor não é quem está melhor.
Nunca se pode retirar as rotinas colectivas, o ritmo de jogo e a forma física na análise a um 11 titular.

Este Bayern apareceu no Dragão forçado a uma alteração táctica, com grandes jogadores de inicio mas sem rotinas colectivas apuradas, com dois jogadores no meio-campo longe da sua melhor forma física e sem banco para poder fazer mudar o rumo dos acontecimentos.

O meio-campo é a zona essencial em qualquer equipa de Pep Guardiola. É o sector que equilibra a equipa defensivamente, que envolve os defesas no início da construção de jogo, que transporta a bola até ao ataque, que cria os desequilíbrios ofensivos e que apoia os atacantes. O Thiago e o Lahm não se apresentaram em condições para contrariar a intensidade do meio-campo portista e muito menos para se juntarem ao Gotze, Muller e Lewandowski no ataque bávaro, o que levou ao isolamento de cada um destes três atacantes.
A profundidade alemã foi inexistente, o esperado perante mudança táctica que recuou os alas para as laterais e perante a inexistência de qualquer extremo no 11 bávaro, que costuma contar com Robben e Ribery.


O Porto apareceu muito melhor fisicamente e Lopetegui teve o mérito de explorar a diferença entre a condição física das duas equipas.

A este nível os nomes cada vez contam menos. Mas a este nível também nenhum resultado é definitivo.

Será assim tão difícil imaginar um 2-0 no Allianz Arena? E com o regresso de jogadores como o Schweinsteiger e o Ribery? E com a ausência do Alex Sandro e do Danilo?

Ontem foi uma enorme vitória portista mas a eliminatória está longe de se encontrar decidida.
Com esta vantagem irá o Porto defender o resultado em Munique? Mas isso não será favorecer o jogo alemão? Isso não será abdicar de, tal como no Dragão, exploro o "Ouro"? Então a melhor solução será arriscar com pressão alta?
As meias-finais e o fazer história ainda estão longe para a equipa de Lopetegui.

Olhando para dentro.
A sorte sorriu ao Porto ao colocar a recepção à Académica entre as duas mãos da eliminatória contra o Bayern. Depois do jogo de ontem muito dificilmente iremos ver uma equipa portista preparada para um jogo nacional de maior exigência.


Fica um aviso para o jogo da Luz. Um Porto que apareça em Lisboa a conseguir colocar esta intensidade no jogo, a conseguir pressionar alto deste modo, com o Jackson em forma e o Quaresma neste momento exibicional, vai exigir o melhor Benfica, tanto individualmente como colectivamente e como mentalmente.

Bem, 48 horas para o Restelo.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Com Jesus, Jonas é mais herói


Jorge Jesus tem sido várias vezes criticado pela forma como desaproveita jogadores ou aposta cegamente em alguns que não dão garantias. Se nalguns casos, a crítica é justa (Eliseu é o exemplo maior de um jogador sem qualidade para ser titular no nosso clube), noutras parece-me haver uma certa injustiça e/ou desconhecimento sobre o jogo - não tem sido raro, nestes 6 anos, o técnico ir preparando atletas para o futuro, como são claramente os casos de Pizzi (que agora vem fazendo boas prestações no miolo, embora ainda esteja longe da eficácia e conhecimento das ideias do técnico que Enzo tinha), de Cristante ou do próprio Jonathan, que promete vir a ser um caso sério.

Porém, quase ninguém lhe faz justiça quando ocorre o contrário: ou seja, quando o técnico é responsável por melhorar consideravelmente a prestação de um jogador. Lembro-me de Jonas, penso na extraordinária época que tem feito e, sabendo obviamente que é um jogador que já tem uma carreira consolidada e um talento que é indesmentível, não é possível não atribuir uma parte substancial do sucesso de Jonas no Benfica à competência do técnico, que entendeu exactamente onde o brasileiro poderia fazer a diferença, dando-lhe a liberdade de movimento que ele necessita para ser o Indiana Jonas que todos adoramos.

A crítica deve ser assertiva, construtiva, coerente, sólida, honesta. Tanto os críticos de Jesus como os seus defensores devem procurar evitar amores desmedidos ou rancores inconciliáveis na hora de olhar para a valia que o técnico indiscutivelmente tem. Da minha parte, que o tenho defendido (embora não veja nele um Deus cuja ausência do clube desmoronará todo o edifício de um clube com demasiada glória para depender de um único ser), agradeço-lhe a qualidade que teve em perceber exactamente quem é Jonas e como lhe potenciar o tremendo talento que tem. 

Ganha o Benfica, ganha o Jonas, ganha o Jesus, Ganhamos nós momentos sublimes de futebol.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Tiago Martins, o novo Jonas!

Anunciamos a contratação, a custo zero (depois do Jonas, achamos que a melhor forma de angariar bons talentos é não pagando nada por eles), do escriba Tiago Martins, do «Bola na Rede». Com esta aquisição, passamos a ser 9. Temos ainda em vista, sempre fruto de uma prospecção de excelência, mais duas contratações na próxima semana. Pela qualidade dos escribas e porque queremos formar um 11 do Ontem para fazer futeboladas. 

Boa sorte, Tiago! Traz uma boa dose de paciência e um saco largo para meteres os insultos, que isto aqui é sempre a aviar!

terça-feira, 31 de março de 2015

Seleccção Nacional na Luz e a caminho do Cabo Verde



Bem, hoje joga Portugal. 

Portanto hoje ainda tenho o botão selecção accionado. Felizmente isto dá para ter vários botões ligados ao mesmo tempo. A partir de amanhã já foco somente no Benfica que a todos nos une. 

O que dizer da Selecção… 

Jogo no Estádio da Luz, casa cheia, ambiente fantástico. Só podia. 

Coentrão a marcar, Matic a brilhar… mais do mesmo. 

O Fernando Santos chegou agora. Os resultados do seu trabalho ainda estão longe de ser aquilo que todos queremos. Nota-se que há muito para mudar, muito para afinar e muito para trabalhar. Vai levar tempo, é um processo longo. Tem mais um ano para o fazer. 

A Selecção joga pouco. Joga o suficiente para ir ganhando com dificuldade cada jogo que vai fazendo. E sinceramente, neste processo de transição, é crucial conseguir ganhar os jogos, somar os 3 pontos, garantir o apuramento e ganhar o grupo. Mas isto só nos leva ao Europeu. Há toda uma outra parte que precisa evoluir para não irmos somente fazer turismo a França. 

O Fernando Santos chegou e fez logo o que tinha de fazer: abrir o grupo fechado que esta selecção se tinha tornado.
O Paulo Bento tem as suas qualidades. Conseguiu ter um impacto muito positivo quando chegou a seleccionador. Contudo não soube renovar a sua imagem e mês após mês foi cada vez mais se fechando num conservadorismo de grupo e táctico que não pode existir numa Selecção Nacional. 

O FS soube acabar com este conservadorismo. Reabilitou jogadores de qualidade para a selecção, trouxe novas ideias de jogo e percebe-se que está à procura de algo.
É importante que aos poucos não comece a cair no erro do seu antecessor. É importante que não comece a fechar a selecção a um grupo da sua confiança e a uma ideia única. 

O jogo com a Sérvia agradou pelo resultado mas deixou claro que a selecção está ainda longe de encontrar um novo ritmo e identidade. 

O meio-campo é onde estamos melhor servidos. Temos o Tiago e o Moutinho, temos também o William Carvalho e o André Gomes. E ainda temos outras soluções como o Amorim, Pizzi, Adrien, João Mário, André André, Tiba, Bernardo Silva, Ruben Neves, entre outros.
Mais importante que os nomes ou que a qualidade individual, é encontrar um equilíbrio e uma heterogeneidade para o meio-campo. É preciso saber expandir o meio-campo. É preciso potenciá-lo no momento da posse de bola. Basicamente, o oposto do que acontecia com o Paulo Bento. Tenho então alguma expectativa na inclusão do William e/ou do Pizzi e/ou do Bernardo Silva.

Sem nenhuma exibição de encher o olho, foi no centro do terreno que tivemos os melhores jogadores: tanto o Moutinho e o Tiago pela qualidade de jogo como o Coentrão pela presença nas jogadas.  

A baliza não está mal entregue mas ainda gostava de ver o que o Anthony Lopes pode fazer. O Beto é que não. 

No início deu para perceber a chamada do Bosingwa mas… já chega. 

Na esquerda… Há Coentrão e há Antunes. Há também o Sílvio e o André Almeida. Há ainda outros jogadores como por exemplo o Tiago Gomes ou o Tiago Pinto. O Eliseu é que não, por favor. 

No centro da defesa há novamente Ricardo Carvalho. Faz logo toda a diferença. Infelizmente saiu antes do minuto 20 por lesão. Até aí estava a ser o melhor da selecção. Além do golo esteve impecável tanto no seu papel de central como no de corrector de borradas do Bruno Alves. 
Pepe e Fonte são apostas seguras. Falta explorar outras possibilidades, como o Paulo Oliveira. O Bruno Alves no máximo como quarto central e nesta altura já estaria bem melhor fora das observações do seleccionador. 

Nas três peças ofensivas foi onde vi menos qualidade. É no ataque que se nota uma maior deficiência na selecção. Ainda é tudo muito experimentas e individualmente as coisas não estão a funcionar.
Deus me livre estar a pedir a inclusão do Almeida ou do Éder… mas algo tem de ser criado.
Neste jogo o Danny foi inexistente, como normalmente é. O Nani foi esforçado, participativo mas ineficaz. O Cristiano foi um apagão com dois ou três pequenos momentos de qualidade. Não se pode ter um jogador com a qualidade do CR afastado do jogo criativo da equipa. Um jogador como o Cristiano tem de ter uma participação constantemente activa no jogo da Selecção. 

A Selecção Nacional é a Selecção de Portugal. Nunca poderia ter sido a Selecção do Paulo Bento e não pode ser a Selecção do Santos nem a Selecção do Cristiano. Já passou da hora de a braçadeira de capitão ser entregue a quem a merece. Já passou da hora da responsabilidade das bolas paradas ser colocada em quem tem qualidade para a ter. 

Tenho reparado que apesar do meio-campo com 3 elementos, o jogo da selecção passa muito pelos ataques rápidos e contra-ataques. Jogar contra uma Alemanha assim até percebo e acho que pode resultar. É uma forma eficaz de explorar os pontos fortes do Cristiano, a velocidade dos avançados e laterais da selecção e a subida da defesa adversária. Mas jogar assim contra equipas do nosso nível ou de um nível inferior já me parece um desperdício de talento e uma forma ineficaz de enfrentar quem não se expõe ao risco.
A presença do Coentrão no meio-campo veio acentuar esta ideia de jogo. 

Posso dizer que estou agradado com a selecção mas a partir de agora a exigência irá aumentar jogo após jogo. É crucial começar a ver-se mais.

Estou mais entusiasmado hoje com os convocados para o jogo do que estava no jogo anterior. Gosto desta politica de convocar só nacionais e de promoção de jovens dos sub-21 para a A. Espero que se queira tirar proveitos disto e que seja uma medida estratégica e com continuidade e não só uma excepção no percurso.

Portugal tem qualidade, talento e principalmente competência para sonhar mais alto. Só os “Srs. Só somos 10M” é que não conseguem ver isso. 

Quando uma selecção joga, em campo não estão jogadores individuais nem uma equipa colectiva mas sim um país. Todos os nomes são secundários, o que realmente importa são as 11 camisolas, enquanto símbolo nacional, que estão a disputar o jogo.
É esta noção que se tem perdido, tanto entre os jogadores como entre os paineleiros e também entre os adeptos.

terça-feira, 24 de março de 2015

A substituição na derrota de Vila do Conde



Muito tenho ouvido sobre a ambição demonstrada pelo treinador do Benfica no final do jogo contra o Rio Ave.

O Benfica estava com 10 jogadores, o jogo estava empatado e próximo do fim e o adversário estava a jogar de forma organizada e a muito bom nível.

Dizem que no Benfica se joga sempre para ganhar. Dizem que o Benfica tem e tinha de procurar a vitória. Concordo, apesar de isso até ir contra as palavras de Jorge Jesus após o jogo com o Paços.

O que não entendo é a justificação para, naquelas condições, se jogar com 4 defesas, 4 atacantes e somente um médio que ainda por cima está agora a voltar à competição depois de uma longa paragem. Desde quando é que a melhor maneira de procurar o golo é encher o ataque com avançados? Desde quando é que a melhor forma de conseguir vencer o jogo é abdicar de defesas e/ou de médios em prol de ter mais avançados?

Claro que é importante ter gente na área para o último passe e para a finalização. Mas é menos importante ter gente que permita à equipa conseguir ter a bola? Mas é menos importante ter gente que consiga construir as jogadas?

Querem-me convencer que tirar o Pizzi para colocar o Lisandro, deixando a equipa só com o Amorim no meio-campo, dois extremos abertos e dois avançados, era a substituição óbvia de uma equipa quer queria ganhar.

Não conseguem. Via a equipa com maior capacidade de vencer o jogo, e ainda com diminuição de risco de sofrer o segundo golo, mantendo o Pizzi com o Ruben no meio campo e retirando um dos avançados para a entrada do Lisandro.

Aliás, até acharia melhor uma situação alternativa de três defesas, mantendo os 4 atacantes. Saindo o Eliseu, que estava já há muito a implorar para sair, entrando o Lisandro e ficando o Maxi ou o Ruben mais próximos dos centrais.

Abdicar do meio-campo para mim nunca é solução. Esta época tem sido uma constante para Jorge Jesus e só resultou uma vez, na Luz com o Mónaco, jogo em que o treinador encarnado optou por partir o jogo e ganhou aquela equipa que teve melhores executantes no ataque.

A VIDA GLORIOSA DA MARIA PAPOILA - O Nascimento



Foi no Estádio da Luz, imediatamente antes de um golo do Benfica, que José recebeu a notícia, embora tivesse demorado algum tempo a assimilar o que a esposa lhe estava a dizer, uma vez que estava empenhado em perceber se a bola, que corria perigosamente em direcção à baliza adversária, ia entrar ou não.

- José...

- Espera, filha, agora não, que o Gaitán está doido! - e já José flectia as pernas no betão do Piso 3, como se os joelhos também se estivessem preparando para a festa.

- José, olha para mim! - Maria agarrou-lhe no queixo, virou-o do relvado para a sua cara, os olhos de José ainda com imagens da bola em movimento, e disse:

- Estou grávida!

Mal a palavra ecoou nas bancadas, em todo o Estádio ouviu-se um estrondoso ecoar: goooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooolo!
O José e a Maria olharam os dois para a bancada, depois para a baliza, depois para a bola, depois para os jogadores, depois um para o outro e, abraçados e aos saltos, comemoraram juntos os dois golos: um do Benfica, o outro só deles. Estavam inaugurados o marcador e a vida.

Nos 9 meses que se seguiriam a esse momento, José e Maria veriam mais 27 vezes a equipa de futebol, 5 a de Andebol, 10 a de Basquetebol, iriam 13 vezes ver o Benfica fora, entre pavilhões e estádios dos adversários - tudo isto sabiam e calculavam porque religiosamente guardavam os bilhetes e um calendário que lhes contava o histórico da aventura gloriosa.

Os fins-de-semana não tinham segredos: na Sexta preparar os jogos que queriam ver, cozinhar repasto no caso de irem acompanhar o clube para fora de Lisboa, e ter sempre lavados, engomadinhos e cheirosos os cachecóis, as bandeiras, os barretes, as tarjas, as t-shirts e o galhardete da sorte (de um Benfica-Milan que o Pai de José lhe trouxera de Viena em 90 - recordação de um jogo azarado que José, sempre optimista, transformara no seu amuleto muito especial). Depois era seguir viagem, colocar os cachecóis apertados nos vidros do carro, acenar aos benfiquistas pelas estradas do país, chegar e apoiar, gritar e cantar pelo Benfica; no fim, com a vitória (quase sempre) ou com a derrota (quase nunca) nos bolsos, voltar a casa e dormir umas horas, que no outro dia há sempre mais vida à espera.

Passaram-se assim as semanas, umas atrás das outras - aos Sábados e Domingos, só dava Benfica; durante a semana, também, embora houvesse um emprego que havia de ser cumprido de forma a poder acompanhar o Benfica para aqui e para ali, para ali e para aqui, e um rebento à espera dentro da barriga de Maria que havia de ter de comer, mal nascesse para o mundo.

E o mundo está precisamente hoje à espera que Maria dê à Luz mais um benfiquista - ou será uma benfiquista? Não sabemos. Nem nós nem os Pais, que decidiram que a melhor prenda que podiam ter era a surpresa de só saberem se era menino ou menina quando o bebé desatasse aos berros de espanto pela vida. Por falar em berros, onde anda José, que não está aqui a acompanhar a extraordinária sessão vocal de Maria, que mais parece cantora de ópera?

Saímos da sala de parto, abrimos a porta, percorremos o corredor, cruzamo-nos com dois enfermeiros, um doente na maca junto à parede lateral, entramos na casa-de-banho. Eis José, em suores frios, de cabeça enfiada nos joelhos, em rezas desconexas, em cânticos estranhos, agarrado ao galhardete do Benfica. Sopramos-lhe ao ouvido:

- Está quase. Vai ter com a Maria, Campeão!

Apesar de não ter a capacidade de ouvir os apelos literários do narrador, José parece que ganhou forças inesperadas e já se dirigiu para junto de Maria. Menos mal, que a gritaria lá dentro está impossível. É agora o tempo do nosso herói ser herói e ajudar à grande aventura do bebé glorioso desde as sombrias marés da fecundação até aos ventos fortes da existência. Até ao limite da superação e da glória. Até à glorio...

- Já está!

Sem tempo para mais dissertações, o grito foi dado! Primeiro do bebé, depois do Pai José! A Mãe só sorri, entre o cansaço, o desfalecimento e a mais pura alegria. O Pai só diz, como se estivesse relatando algum golo:

- Já está! Já lá mo-ra! Já está! Já lá mora!

E anda nisto há um minuto, desvairado às correrias pelo quarto, o bebé ainda nas mãos do médico, a Mãe agora gargalhando de loucura por ver a loucura do José, a cara do bebé incrédula perante tudo aquilo, mas talvez já com um esgar de sorriso na cara, antevendo futuras comemorações. O corpo todo em sangue, de um vermelho-vida, gloriosa vida, sangue de vida, sangue à Benfica.

Maria pede que lhe digam o sexo do bebé. José tapa a boca do médico, quer ser ele a dizer. Faz um compasso de espera, olha para Maria, sorri, olha para o bebé, (parece que está a preparar a marcação de um livre directo), dá uma festinha no rebento, olha para Maria, e cheio de ternura nos olhos, no coração e na alma, diz:

- É uma menina, minha querida. É uma menina benfiquista.

A Mãe recebe a menina nos braços, já esquecida das dores, dos gritos, das lamúrias e dos ataques de fúria. O bebé acalmou-lhe o corpo todo. A alegria inundou os lugares do medo, espalhou-se em torrente larga pelas veias, pelos sulcos da alma, pelos rios do cérebro, pela correnteza dos olhos. Maria chora de uma felicidade nunca antes sentida, como se repetisse a primeira felicidade do primeiro ser na Terra. Só amor, amor em forma e fórmula pura. Amor sem mais nada: amor amor.

José está comovido a olhar as duas benfiquistas abraçadas num só abraço; pensa que vai sentir muitas vezes a falta daquele momento que agora está a acontecer. De repente, já imagina a filha e a mãe no Estádio, a comemorar golos; a mãe e a filha na praia, rindo, jogando às cartas, cantando no carro, despedindo-se no primeiro dia de faculdade. Poderia ficar assim uma vida inteira e ainda mais um bocadinho, mas lembrou-se agora de que tem de avisar o amigo que está no Estádio da Luz à espera para inscrever o bebé como sócio do Sport Lisboa e Benfica.

- António, já podes inscrever a miúda! VIVÓ BENFICA!

E foi assim que, às 19:04 deste dia que é um dia cheio de mística, o Benfica viu nascer mais uma associada e o Hospital da Luz assistiu ao vivo ao nascimento de mais um membro da nossa família. Vimos, de perto, o primeiro choro (ou o primeiro grito de golo?) do primeiro minuto de vida de Maria Papoila. Maria, da parte da Mãe; Papoila, da parte do Glorioso.


domingo, 22 de março de 2015

Tiros nos pés


Diz-se que cada jogo fora da Luz é, para este Benfica, sinónimo de sofrimento. E é verdade. Mas sem motivo aparente. As cadeiras verdes da bancada central do estádio dos Arcos pintaram-se do mais lindo dos encarnados, de um vermelho-Benfica que transformou aquele terreno de jogo num mini Estádio da Luz. O Benfica jogou fora? O Benfica raramente joga fora. Não há desculpas.

A forma como o Benfica perdeu este jogo deveria entrar para os compêndios da gestão de uma equipa superior durante os 90 minutos de um jogo. O encontro dividiu-se em dois momentos: o primeiro, até ao golo do empate do Rio Ave, em que o Benfica tinha de ganhar o jogo; e um segundo momento, após a expulsão de Luisão, em que era fundamental não perder. Pelo meio, um limbo de incerteza em que era possível ganhar, não seria dramático empatar e era fundamental não perder. E, pasme-se caro adepto do Benfica, mas a verdade é que não soubemos gerir nenhum dos momentos do jogo. Fomos absolutamente incompetentes na tarefa de matar o jogo quando o Rio Ave se encontrava encostado às cordas e sucumbimos à pressão de não poder perder a partida nos minutos finais. O Benfica, desta vez, não mostrou estofo de campeão.

Mais que a forma como perdeu, preocupa-me a forma como o Benfica não conseguiu ganhar o jogo. Desde o começo do segundo tempo até ao golo do Rio Ave, o Benfica teve os vila-condenses encostados às cordas. Mesmo não fazendo uma pressão avassaladora (nem perto, aliás, jogámos 90 minutos a passo) era evidente que o Benfica estava por cima e ficava no ar a ideia de que se o Benfica quisesse colocar o pé no acelerador o jogo ficaria rapidamente resolvido. Mas o Benfica não quis (ou não soube) e para grande espanto meu, este Benfica a jogar a passo, sem provas europeias a meio da semana para desgastar fisicamente os jogadores, viu-se fisicamente nas lonas a partir de pouco mais de meio da segunda parte. Incompreensível.

Mais incompreensível se torna a incapacidade de Jorge Jesus em ler o jogo. O Rio Ave esgota as substituições antes dos 60 minutos (!), altura em que o Benfica ainda tinha três alterações por fazer. Jesus podia ter mexido na equipa de modo a tentar matar o jogo. Podia ter reforçado o meio-campo na altura em que o Rio Ave mostrava sinais de crescimento (nomeadamente após a entrada de Diego Lopes em campo). Podia ter substituído alguns jogadores em claro subrendimento físico, com dificuldades em acompanhar o ritmo de jogo (nomeadamente os inenarráveis Eliseu e Samaris). Mas não. Deixou andar, andar, andar até acontecer aquilo que não queríamos que acontecesse. Jesus foi incapaz de antecipar aquilo que parecia cada vez mais provável com o adiantar o relógio: o golo do Rio Ave. E só fez a primeira alteração a 15 minutos do fim, já depois do primeiro golo vila-condense. O Benfica perdeu por incompetência própria, ponto final. Jogadores incapazes de matar o jogo e treinador incompetente ao ponto de não saber ler a partida.

De Vila do Conde sobram sinais de preocupação em excesso. A defesa tremeu que nem varas verdes tanto em lances de bola parada como em situações de bola corrida. Jardel e Luisão viram-se em trabalhos perante uma frente ofensiva que nem sequer precisou de ser muito competente ou de estar particularmente inspirada. Eliseu mostrou neste jogo praticamente todos os defeitos que lhe vêm sendo apontados desde o início da época. Samaris, como de costume, errou dezenas de passes, fossem eles curtos ou longos, fáceis ou difíceis, estando constantemente mal posicionado e distribuindo cacetada a torto e a direito sem qualquer critério. Lima e Jonas enganaram-se e compareceram na Póvoa de Varzim uma vez que em Vila do Conde não foram vistos (mentira, Lima foi visto ao minuto 80, quando a 4 metros da baliza não conseguiu acertar num rectângulo que mede 7,32 metros de comprimento). E Jesus, claro, a brindar-nos com um chorrilho de disparates numa conferência de imprensa digna para quem gosta de comer gelados com a testa (e temos adeptos que os comem assim).

Sobram 8 jornadas nesta medíocre Liga NOS. Cinco delas serão disputadas em casa, quatro das quais contra equipas que estão na segunda metade da tabela. Fora, o Benfica joga contra Belenenses, Gil Vicente (seguramente ambos os jogos "em casa" dado o massivo apoio da onda vermelha) e Guimarães (em jornada que pode dar o título). Não há desculpas. Não queiram ficar conhecidos como a equipa que à partida para a segunda volta poderia ter cavado um fosso pontual de 9 pontos para o FC Porto e que não o fez por incompetência própria.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Larga os Livres Cristiano


http://www.record.xl.pt/Futebol/Internacional/real_madrid/interior.aspx?content_id=937698

Têm sido vários os anos em que me interrogo no porquê de Cristiano Ronaldo ser o responsável pelos livres tanto na Selecção como, e principalmente, no Real Madrid.

Claramente não é nem nunca foi um especialista nos lances de bola parada. Muito dificilmente algum dia virá a ser.

Não há qualquer dúvida que os treina, não há qualquer dúvida que apresentou um modo muito próprio de bater livres.

Isso chega para um jogador ser o dono dos livres directos?

Os números de eficácia entre os 5% e 8% já dizem muito mas nem dizem tudo. Uma coisa seria ter uma percentagem de pelo menos 70% de livres perigosos, além dos que resultam em golo, e outra é ter uma percentagem de 10% ou 15%.

Cristiano Ronaldo não é especialista em livres directos. Mesmo assim já teve anos em que qualquer livre (directo) de qualquer zona do campo era pretexto para ele rematar.

O que irá na cabeça dos treinadores para aceitarem tal situação?

Por um lado temos o constante desperdício de bolas paradas e por outro lado temos o benefício do marketing CR7 e a cedência à constante necessidade de alimentação do ego do jogador português.

O que traz mais benefícios ao clube e à equipa?

Percebo que o Cristiano precise destes "mimos", precise sentir este destaque para elevar o seu rendimento em campo e que isso é benéfico à equipa. Mas e o desperdício de lances? E a posição em que ficam jogadores mais capacitados ao ver estes desperdícios?

De Kaka a Xabi Alonso, de Modric a Bale, de Kroos a Isco, de Di Maria a Ozil e até de Simão a Nani.

Juninho, Ronaldinho, Pirlo e Beckham talvez hoje em dia não tivessem o reconhecimento pela sua qualidade nos livres directos se tivessem jogado no Real de CR7.

Cristiano Ronaldo é uma potência física e uma máquina de fazer golos. Com 30 anos já não deveria necessitar destes mimos.



terça-feira, 17 de março de 2015

Benfica Fora da Uefa Youth League



Benfica 1-1 Shakhtar, os ucranianos venceram nas grandes penalidades.

Quase no intervalo o Benfica chegou à vantagem por João Carvalho.
Já na segunda parte o Romário Baldé teve oportunidade para aumentar a vantagem através de um penalty mas num momento de grande infelicidade executou uma das mais desastrosas panenkadas que me recordo.
Num livre lateral o Shakhtar consegue chegar ao empate, o qual se manteve até ao final do encontro.
O Benfica entra mal nas grandes penalidades, falha o primeiro, marca os quatro seguintes mas o Shakhtar não falhou nenhum dos 5.


A ambição era grande e a esperança ainda maior. Não só pela enorme qualidade dos nossos miúdos mas também pela fantástica prestação na época passada.

Esta eliminação é uma desilusão mas a campanha europeia dos sub-19 do Benfica volta a ser positiva. Líder do grupo, eliminação do Liverpool e uma exibição claramente positiva nos Quartos de Final.


Neste jogo vimos um Benfica com mais talento, com mais futebol e com muito mais potencial do que o seu adversário. Este Benfica sub-19 é uma equipa claramente ofensiva e nota-se um grande sentido colectivo entre os seus jogadores.

Fomos superiores o jogo todo, fomos melhores, jogámos mais, tentámos mais, quisemos mais mas infelizmente não fomos melhores o suficiente para evitar as grandes penalidades, para evitar o golo do empate, para evitar a subida de confiança dos miúdos adversários e para não perdermos a serenidade após o golo ucraniano.

Venham os próximos desafios para os jovens do Benfica e acima de tudo venham as oportunidades e a confiança para poderem vir a entrar na luta por um lugar nos 25 da equipa principal.

Youth League

João Carvalho, que classe. Que classe João.

No futuro resumo do jogo, João Carvalho surgirá no lance do golo, mas este menino é tão mais que apenas esse lance... Mas tão mais mesmo. 


Tão menino e já sabe tanto do que é a visão periferica de jogo, do que é fixar o adversário e soltar num colega, do que são os movimentos interiores tão importantes no melhor futebol moderno.

Confesso, estou apaixonado!

domingo, 15 de março de 2015

SL Benfica campeão da Europa em hóquei feminino


As atletas da secção de hóquei em patins do Sport Lisboa e Benfica estão de parabéns. Venceram hoje a Liga Europeia ao derrotarem na final o US Coutras por 2-5. A elas e à equipa técnica liderada pelo histórico Paulo Almeida, os nossos parabéns. São um orgulho.

Parabéns às nossas "campeonas".

Notas do Benfica x Braga

1 - À terceira foi de vez. O Benfica derrotou o Sporting Clube de Braga por 2-0 e reforça a liderança do campeonato nacional. Num jogo que tinha tudo para ser mais complicado, mérito para a estratégia delineada por Jesus e para a qualidade de execução dos jogadores. Estão de parabéns.

2 - Há várias formas de tentar contornar a pressão e os ambientes adversos quando se joga fora. Uma delas é não comparecer à hora marcada para o início da partida. Os jogadores do Braga atrasaram propositadamente a entrada das equipas em campo de modo a "fintarem" o momento do hino do Benfica e do levantar das cartolinas. As imagens da BTV esclarecem que os jogadores do Benfica já se encontravam perfilados para entrar em campo e nem sinal dos bracarenses havia no túnel.

3 - Muito se falou da agressividade, intensidade e vontade dos jogadores do Braga quando defrontam Benfica e Porto. Se dúvidas houvesse, o banco do Braga tratou de mostrar quão provocadores e nojentos são os elementos daquele clube: nem um minuto de jogo e já os suplentes e equipa técnica estavam a rodear e a provocar Eliseu.

4 - A boa preparação para este encontro viu-se nem um minuto de jogo estava decorrido. Assim que o banco do Braga tentou criar problemas e possivelmente arrancar uma expulsão a Eliseu, Samaris e Luisão acudiram rapidamente para tentar afastar todos os colegas daquela zona. O mesmo sucedeu à passagem do 5º minuto, quando após falta sobre Jonas, os jogadores do Braga criaram novo sururu à procura de criar problemas.

5 - Jonas Vieira Pinto. Classe a rodos, descomplica o difícil e tem golo. Vender Rodrigo por 30 milhões e ficar com este rebuçadinho trintão é de deixar qualquer benfiquista com um sorriso de orelha a orelha. E tem tanto de João Vieira Pinto. Até a chuteira, toda preta, é "anos 90". 5 - O campo esteve claramente inclinado. Mas para o lado. É que uma zona do relvado estava a ser pisada por Eliseu e Pardo. E depois ainda entrou o Salvador Agra. Só eu e esta barriguinha é que não conseguimos ser jogadores da bola.

6 - Dois golos com remates de fora da área deve ser quase inédito na Era Jesus. Curiosamente os autores dos golos dão o nome a um episódio bíblico bem conhecido. Ele há coisas…

7 - Samaris e Pizzi cresceram muito nestes meses. O primeiro ainda apresentou algumas precipitações no capítulo do passe, mas esteve bem a nível posicional defensivamente e supreendentemente bem na posse de bola. O segundo, mais discreto hoje, mas muito competente, está a desempenhar uma posição em campo que não conhecia à entrada para esta temporada. Importa lembrar que, em condições normais, nem um nem outro seriam titulares neste Benfica à partida.

8 - Mais uma expulsão. Pouca importa para os nossos rivais se os jogadores são bem ou mal expulsos, mas a mim pouco me importa o que eles pensam. Tantas expulsões contra os adversários do Benfica? Deve ser uma questão de intensidade. Mas da intensidade que os adversários colocam em campo contra o Benfica. Basta analisar o jogo que o Braga fez hoje e o que fez há uma semana contra o Porto.

9 - A equipa está a atingir níveis de confiança e qualidade que permitem ganhar qualquer jogo do campeonato português com maior ou menor grau de dificuldade. Mas o que mais me surpreende é a tranquilidade que a equipa exibe quando colocada sob situações de grande pressão mental. Hoje, tal como ao intervalo em Arouca (onde perdíamos por 1-0), não houve um único sinal de intranquilidade. E isso é revelador do carácter de um campeão.

10 - Segue-se uma complicada deslocação ao Estádio dos Arcos, onde mora uma equipa bem organizada e muito perigosa no contra-ataque. Será, na minha opinião, a deslocação mais difícil que teremos até final da prova. Ganhando aqui, a Via Verde para o título fica aberta. Mas será preciso que a maré vermelha invada Vila do Conde. O apoio dos adeptos no estádio é fundamental.

sexta-feira, 13 de março de 2015

O 11 Glorioso que os Faz Tremer

O Imperador. Guarda-redes de clube grande. Fisicamente caminha para o fim de carreira mas enquanto se mantiver confiante não há outro ao mesmo nível em Portugal.
Júlio César é a primeira força deste Benfica.

Raça, querer e ambição. Cantam os adeptos e personifica o lateral uruguaio. O seu nome já se confunde com a mística deste clube.
Maxi Pereira é a segunda força deste Benfica.

12 anos de águia ao peito. Uns chamam-lhe a "Trave Mestra" outros o "Grande Capitão". O principal central do campeonato português, o mais maduro e mais conhecedor dos momentos defensivos. Lidera o balneário e a defesa encarnada de modo exemplar.
Luisão é a terceira grande força deste Benfica.

Abnegação, luta, vontade e esforço. Atributos que transformam um Central do Olhanense num jogador para o Benfica. Não só de talento se constrói um balneário, não só de talento se ganham os jogos.
O homem da touca, Jardel é o fiel escudeiro do Luisão.

O miúdo que é pau para toda a obra. Joga como qualquer outro trintão. Cumpridor, tacticamente disciplinado e seguro.
André Almeida não é formação mas é coração.

Portentoso grego não desiste de crescer. Luta para deixar a sua marca. Forte, sabe tratar a bola e acrescenta qualidade de passe à zona mais recuada da equipa. Trabalha para derrotar os seus receios num terreno para si pantanoso.
Samaris anseia por mostrar a sua qualidade.

Português de ataque fácil, qualidade de passe, remate colocado e rápida progressão com a bola. Em todos os jogos luta num meio-campo para si estranho e prova ser muito mais que um jogador de Andebol num relvado de Futebol.
A continência do golo, Pizzi tem talento de sobra.

Golos, assistências, fintas. O argentino Toto é muito ataque mas também é muita defesa. Domina toda a lateral direita e é o complemento perfeito do uruguaio. Em forma é quase imparável. Progride em alta velocidade e com a bola colada ao pé. Rapidíssimo no 1 para 1.
A explosão atómica Salvio é a quarta grande força deste Benfica.

O Mago Argentino. Talento em estado puro. Sucessor natural do Deus Aimar. Qualidade futebolística a acima de qualquer outro neste país. É visão de jogo, é colocação da bola e é aventura. Um poema nos relvados portugueses. Vê-lo a recuar no terreno é um desperdício para a sua qualidade mas também uma imagem da sua renovada entrega a este clube.
Nico "isto não é ballet" Gáitan, a quinta grande força deste Benfica

A cola de todo o futebol ofensivo desta equipa. Há quem lhe chame o "Goleador do Povo". Perfeição táctica e provavelmente a maior força colectiva deste Benfica. Jogo após jogo é aquele que mais se sacrifica em prol da equipa. Sem grandes brilhos, sem grandes notas artisticas, conseguiu já juntar o Golo aos seus desempenhos.
Lima é o núcleo à volta do qual giram todas estas estrelas de vermelho e branco.

De Pistolas a Indiana Jonas. Um matador de pura classe. Um avançado como há muito não via no Benfica. Marca e faz marcar, joga e faz jogar. Toque de bola requintado. Finalização sempre com intenção e colocação. Matador na área e organizador fora desta.
A cada movimento seu, a cada toque de bola, a cada passe, a cada remate e a cada olhar, há um ponto em comum: Classe.
Jonas é classe, classe e mais classe.
Jonas não é somente a sexta grande força deste Benfica. Jonas é a Classe.

Os outros que temam, nós seremos 65mil + 11 em campo.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Campanha Europeia na Luta Pelo Campeonato

Há um tópico que gera sempre discordância, mesmo aqui entre os escribas do Ontem: o percurso europeu condiciona de forma negativa ou positiva a campanha no campeonato?

Não há uma resposta universal a esta pergunta. Não há uma casualidade entre as duas competições que se verifique de forma constante.

Há vários factores que condicionam esta resposta. Tudo depende do contexto.

Condição física; Moral; Concentração; Motivação; Confiança; Gestão; Entusiasmo.

Estes são alguns factores a ter em consideração.

A caminhada até à final de Amesterdão não coincidiu com o título de campeão nacional mas a caminhada até à final de Turim coincidiu.

Na minha filosofia, uma equipa grande com um treinador de alto nível conseguirá sempre beneficiar de uma boa campanha europeia.
Num clube ambicioso, exigente e alimentado por vitórias, só consigo aceitar que sucessos fomentem sucessos.

O ano passado fomos campeões também ao colo das vitórias europeias e não apesar delas.
Há dois anos as vitórias europeias deixaram-nos festejar o titula na Madeira e depois perdê-lo na Luz? Não acredito.
O empate caseiro com o Estoril e a derrota no Dragão estiveram longe de ser responsabilidade dos jogos europeus ou do Carlos Martins. Há uma gestão física e mental que deve ser feita e que nessa época não foi. Jogar a medo só resulta uma vez e calhou ser na presente temporada no Estádio do Dragão.

Este Porto de Lopetegui irá beneficiar ou sair prejudicado pela continuidade na Champions?

Como já disse, acredito que uma equipa grande e bem treinada irá sempre beneficiar de boas campanhas europeias. Principalmente no campeonato português.
Nessas equipas as vitórias alimentam-se com vitórias e a cultura de vitória é imprescindível para qualquer sucesso. Uma boa campanha europeia gera um aumento de confiança nos jogadores, aumenta a união entre jogadores e adeptos, dá estofo ao plantel e mantém a equipa a competir sempre a um ritmo elevado.

Há três factores cruciais.

- A questão física não é um mito. Mas uma equipa como a do Porto ou a do Benfica têm de ter um plantel que permita uma cirúrgica rotatividade nos jogos do campeonato sem que essa prejudique as ambições de serem campeões nacionais.

- A questão mental depende da liderança e também da personalidade dos jogadores. Um avançar na Liga dos Campeões pode tanto criar entusiasmo e confiança na equipa para todas as competições como pode levar a desconcentração e desvalorização dos jogos nacionais. Se a gestão física é importante, a gestão de psicológica é ainda mais.

Neste contexto o cansaço é mais significativo em equipas espanholas, italianas ou inglesas do que para as portuguesas (campeonato português é menos exigente) mas a parte psicológica é mais determinante em Portugal do que nesses outros campeonatos (campeonato português é menos prestigiante).

- O terceiro factor é a propensão para lesões. Contudo não posso aceitar que uma equipa trabalhe condicionada pelo receio destas. As lesões são acasos que não podem, à partida, condicionar uma competição.

Felizmente para o Benfica, este Porto ainda não atingiu um nível de maturação que o faça espelhar no campeonato um sucesso europeu. É a minha opinião.
Portanto, apesar de considerar que tanto o Benfica como o Porto deveriam ser mais fortes no campeonato com os sucessos europeus, este Porto está numa fase de construção que o distancia deste equilíbrio.

Não será nunca por uma questão física pois Lopetegui já mostrou não ter receios da rotatividade. Usou-a em excesso no primeiro terço do campeonato e a equipa chega a esta fase fisicamente fresca e com as segundas linhas prontas para competir.

Considero que o grande desafio do treinador portista será o foco dos seus jogadores. Este plantel está recheado de qualidade mas também de jogadores têm as suas ambições muito distantes do campeonato português. São jogadores que vieram para o Porto ganhar tempo de jogo nas partidas nacionais e para se mostrarem aos seus clubes e/ou ligas mais fortes nas competições europeias. São demasiados os jogadores que não percebem a rivalidade com o Benfica nem o valor de se ser campeão nacional.
Portanto irão eles sentir aquela motivação extra numa deslocação a Vila do Conde? Irão arriscar colocar o pé nas vésperas de uma meia-final europeia? Irão manter os níveis de concentração entre os jogos europeus e nacionais?
Mais que nunca irão valer a este Porto jogadores como o Quaresma, Maicon e Helton, sendo ou não titulares.

Este será o grande desafio do treinador espanhol. Saber gerir mentalidades, saber focar a equipa, recarregar baterias e conseguir transmitir a importância de ser campeão nacional. Além disso, deverá também perceber que há jogadores que poderão dar mais num jogo com o Arouca do que aqueles que são habitualmente titulares. Falo do Ruben Neves, do Quaresma, do Evandro e do Ricardo, por exemplo.

Se o Lopetegui não me surpreender, prevejo um Porto a sair prejudicado no campeonato pela continuidade europeia.

E vocês?

segunda-feira, 9 de março de 2015

O Optimismo pela Liderança

Bem sei que há motivos de preocupação. Bem sei que há razões para nervosismos.
O futebol da equipa não convence e é inconstante. Cada deslocação é um susto. A taça perdeu-se prematuramente. A participação na Europa foi no mínimo triste. Em todos os jogos de maior competitividade a equipa foi frágil, quase pequena. Também o Enzo já cá não mora. Dois jogos com o Braga, casa e fora, duas derrotas.
Sou daqueles que passa a semana preocupado com os possíveis cenários negativos do fim de semana que se avizinha. A cada dia acordar preocupado e deitar nervoso.
Mas hoje despertei com um desejo de optimismo. Quero começar a semana com confiança e com um espírito positivo. Quero caminhar até à próxima jornada com boa disposição.
Afinal de contas,

Somos os líderes do campeonato.
Faltam 10 jornadas e temos 4pts de avanço.
A vitória no Dragão dá-nos à partida vantagem no confronto directo. Portanto 5pts de avanço.
O Sporting já vai a 12 (ou 15) pontos.
Quem manda na Luz somos nós, o Braga que fique nervoso.
O Porto perdeu o seu pilar mais importante para os próximos jogos. Falo do Jackson claro.
O Porto ainda vai à sua madrasta Madeira enfrentar um Nacional de cara lavada.
Das 10 jornadas, 6 vão ser na Luz.
O Talisca já foi encostado ao banco. Só falta o Eliseu.
O Porto ainda tem de vir à Luz.
O Ola John voltou à sua melhor posição – suplente utilizado.
O Júlio César está de volta.
O Nico está de volta.
O Sílvio está de volta aos convocados.
O Amorim está de volta aos convocados.
O Lima já marca golos.
Temos dois reforços que talvez ainda venham a conferir mais qualidade à nossa equipa.
A estrelinha de campeão não nos larga.
Somos líderes do campeonato.
Somos Benfica.

sábado, 7 de março de 2015

O clube mais amado e odiado do país

Nem sequer é o penálti não assinalado que faz confusão (com alguma abertura de espírito, podemos admitir que Jorge Sousa não viu bem o lance); o que causa estranheza - e, já agora, nojo - é a forma completamente distinta com que o Braga entra em campo contra o Porto e contra o Benfica. É a diferente reacção de Sérgio Conceição contra o Benfica e contra o Porto - imaginam os gritos e a histeria do treinador do Braga se aquele penálti tivesse ficado por assinalar nos últimos minutos de jogo contra o Benfica?; é o público do Braga, que contra o Benfica passa o tempo a apoiar a sua equipa e que contra o Porto passa o tempo calado. 

Enfim, ser o clube mais amado e odiado do país tem destas coisas. Ganhar amanhã em Arouca e mandá-los a todos para o caralho.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Relatório e Contas 1º Semestre 2014/2015




Como todos já devem ter lido o Benfica disponibilizou o seu relatório e contas referente ao 1º Semestre de 2014/2015.
Foi um semestre positivo, como esperado, dadas as diversas vendas que ocorreram no nosso plantel.
Resumindo os resultados de forma simples e fazendo uma comparação com igual período do exercício anterior temos o seguinte:


 







Resultados Operacionais
Esta é a minha grande frustração com as contas do Benfica. Os proveitos operacionais vão continuando a subir (principalmente cresceram os proveitos com os direitos televisivos onde a estratégia da SAD parece estar a dar bons resultados), mas proporcionalmente o mesmo acontece com os custos operacionais, deixando a SAD constantemente com um resultado operacional perto do Zero (sendo que no final do exercício tem caído sempre para o negativo, em Dezembro do ano anterior atingiu os cerca de 5M€ negativos).

Este resultado operacional, como todos podemos verificar pelo quadro acima é manifestamente incapaz de fazer face aos juros da divida ou mesmo a uma fatia razoável dos mesmos.

A seguir virão certamente muitos comentários a referir que este é o modelo de gestão Português das SAD’s, vender para fazer face às dividas e aos seus juros. Lamento, mas já tivemos esta discussão muitas vezes, e eu continuo sem acreditar que este seja o melhor caminho para o clube, e penso que é nos momentos em que os resultados são positivos que se devem deixar os alertas sobre se é este o caminho e se todos estão confortáveis com ele. Eu não estou certamente, mas ficarei muitíssimo contente se estiver enganado e o nosso clube vier a ser um imenso caso de sucesso juntando títulos a capacidade e saúde financeira.

Já agora, explicando mais uma vez as razões pelas quais não me agrada este modelo financeiro:

- O Benfica não vende estrategicamente, o Benfica está obrigado a vender, porque como bem podem ver pelo quadro acima, os resultados operacionais sem jogadores, são muito menores que os resultados financeiros. A minha estimativa é que anualmente o Benfica terá sempre uma necessidade de caixa que terá que ser suprida pela diferença entre Vendas e compras no montante de cerca de 20M€/25M€;

- No caso desta diferença entre Vendas e Compras não ocorrer o Benfica terá que se financiar e aumentar o seu passivo, algo que com excepção deste Semestre ocorreu em todos os anos da última década.;

- O Benfica vive assim no risco, na necessidade de vender, e dado que com a crise do BES/NB as portas a novos financiamento se não estão fechadas estão pelo menos mais dificeis de abrir, isto torna esta inevitabilidade um jogo muito perigoso;

- Parece-me difícil manter esta aposta para sempre, uma vez que a quantidade de jogadores que o Benfica vendeu no último ano e meio será demasiado elevada para se conseguir vender e repor por diversas vezes, aguentando ao mesmo tempo o cavalgar do passivo. Veja-se que apenas este exercício a SAD conseguiu baixar o seu passivo e apenas em 20M€ e tudo isto fragilizando seriamente o plantel de uma vez só, deixando-o insuficiente para a disputa de mais do que o campeonato. Esperemos que pelo menos para isso seja o suficiente;

Assim sendo e se me perguntam qual o caminho, para mim passa sempre pela continuação da aposta na exploração dos direitos televisivos com o necessário controlo dos gastos operacionais (algo que não me parece que esteja a ocorrer), a aposta no aumento do numero de adeptos que se consegue chamar ao estádio e mais importante que tudo, fazer o que o Presidente já referiu por diversas vezes mas que nunca concretizou que é apostar na formação, de forma gradual claro e não à la Sporting, como forma de reduzir as necessidades de aquisições de jogadores, alguns deles de qualidade muitíssimo discutível.

Fica o alerta para quem ainda estiver na disposição de me “ouvir”.

Resultados Atletas

 Este é de facto o ponto alto deste exercício, tal como já tinha sido no exercício anterior. O Benfica conseguiu conquistar cerca de 44,5M€ em vendas de jogadores.

As principais saídas a contribuir para este resultado foram as do Enzo, do Markovic, do Oblack e do Cardozo.

Não estão ainda registadas as vendas do Bernardo Silva e do Jara, que ascendem a um pouco mais que 17M€, o que deixa o Benfica desde já acima do patamar que eu disse ser necessário vender até Junho.

CONCLUSÃO
Juntando às já referidas saídas as diversas vendas do exercício anterior, algumas delas apenas recebidas neste último semestre como são os casos do Rodrigo e do André Gomes, possibilitaram à SAD cobrir os seus resultados financeiros e diminuir, pela primeira vez na última década, o seu passivo em cerca de 19,9 Milhões de Euros.

Quanto à divida bancária contribuiu com uma descida de cerca de 7,7M€. Para esta rubrica chamo ainda assim a atenção para o facto de, lendo o exercício anterior em conjunto com este, ou seja os dois exercícios em que mais vendemos jogadores, deixámos a nossa divida bancária aumentar em mais 28M€.

Uma nota também bastante importante neste exercício foi o aumento do Capital Próprio da SAD para um valor positivo, 4,7M€, pela primeira vez desde o exercício 2011/2012.

Em suma, a estratégia de venda de jogadores deu este Semestre os melhores frutos da última década, tendo o Benfica conseguido juntar um bom resultado liquido a uma melhoria do seu passivo e do seu Capital Próprio.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Formato Campeonato Português



Pergunto-me se no curto/médio prazo não seria favorável adoptarmos um campeonato com um formato parecido com o da Bélgica.

O objectivo passaria por melhor a competitividade do futebol da primeira liga, fazer crescer os clubes médios, dar aos clubes maiores capacidades de disputarem jogos na Liga Europa e assim melhorar as condições para um crescimento do futebol português. Depois deste modelo estabilizado talvez fosse possível integrar mais equipas numa primeira liga com um nível superior ao actual.

Neste novo formato a Liga Portuguesa seria composta por 12 equipas e o último terço do calendário seria reservado para jogos de play-offs: campeão, despromoção e Europa. 

Na Bélgica os 6 primeiros classificados disputam uma liga com 10 jogos (casa e fora) para se encontrar o campeão. Cada clube começa esta liga com metade dos pontos que ficou no campeonato e assim assegura-se que os melhores partem à frente mas com uma distância reduzida a metade.

Um campeonato com Benfica, Porto, Sporting, Braga, Vitória de Guimarães, Estoril, Paços de Ferreira, Marítimo, Nacional, Rio Ave, Belenenses e um clube do Sul. Penso que seria o ideal.
Claro que também seriam hipótese os históricos Setúbal, Académica ou Boavista, tal como os competentes Arouca e Moreirense.
Todos os que ficassem de fora desta Liga a 12 clube iriam também acrescentar qualidade e competitividade à Segunda Liga e elevar a qualidade na luta pela promoção.

Neste caso antevia uma promoção imediata do campeão da Segunda Liga e uma disputa do 2º e 3º com os últimos dois da Primeira Liga, ou com o penúltimo e antepenúltimo.

É só uma ideia que gostaria de ver ponderada por quem manda no futebol em Portugal. 


sábado, 21 de fevereiro de 2015

Campeonato Português à 22ª Jornada




Começa hoje a 5ª jornada da segunda volta.
Com 39 pontos por disputar é já possível confirmar que o alargamento, pelo menos no imediato, só podia vir aumentar o fosso no meio da tabela e que a qualidades dos treinadores não pode ser medida pelo seu nome.


Domingos Paciência e Paulo Sérgio chegaram ao Setúbal e à Académica não por aquilo que têm demonstrado, já foram os dois demitidos e deixaram os clubes pior do que estavam no final da época passada. O próprio Couceiro no Estoril não tem conseguido estar ao nível do trabalho do Marco Silva.

Como do Benfica falo diariamente irei neste texto focar-me nos restantes clubes.

Na luta pela manutenção temos os expectáveis Penafiel, Boavista e Gil Vicente, o Arouca e os já referidos Académica e Setúbal.

O Penafiel do Rui Quinta está no fundo da tabela e tem a pior defesa da liga – 42 golos sofridos. Não venceu qualquer jogo desde a abertura do mercado apesar da chegada de vários experientes, como o Michel e o Braga. Antes da deslocação a Alvalade precisa de evitar afundar-se definitivamente na ida a Setúbal e recepção ao Moreirense.

O P. Sérgio conduziu a Académica ao penúltimo lugar com 12 empates e só uma vitória no campeonato, tendo o pior ataque da liga – 12 golos. A chegada do avançado Cissé, do Esgaio e de um novo treinador pode alterar este panorama.

O Arouca é um clube que respeito e acredito que irá melhorar o seu desempenho nesta segunda volta com os jovens reforços de inverno: Kayembe, Iuri Medeiros e Fokobo.

Depois da saída do João de Deus e contratação do José Mota, o Gil era o clube de quem menos esperava. Tenho a pior opinião possível de J.Mota enquanto treinador mas depois de uma péssima primeira volta, sem qualquer vitória, conduziu o Gil a três vitórias e dois empates nos últimos seis jogos. Vão agora a Alvalade com duas vitórias consecutivas e com um calendário favorável a este bom momento nos jogos seguintes.

O mercado de Janeiro foi positivo para a equipa de Barcelos com a contratação dos centrais Cadu e Berger e do reforço do ataque com o Yazalde, Piqueti e R.Ribeiro.

O Bruno Ribeiro tenta dar a volta com um futebol mais atractivo à má imagem que o Setúbal deixou com o Domingos. No mercado reforçou o plantel ofensivamente com o Suk e o Dávilla e conseguiram uma série de três jogos sem derrotas antes da deslocação à Luz. A recepção ao Penafiel pode dar novo fôlego à equipa sadina.

Na luta pela manutenção o Boavista surpreende por ser o mais bem posicionado. Está em 13º a 6pts da linha de água. Em Janeiro a equipa do Petit reforçou-se com o M.Cech, conseguiu dois empates nos últimos dois jogos e recentemente venceu o Braga. Tem agora um calendário complicado que arranca com a recepção ao Porto.

Fora de qualquer luta aparecem o Estoril e Moreirense, ambos com 25pts.
O Moreirense do Miguel Leal fez uma impressionante primeira volta e conta agora com um registo de somente 22 golos sofridos.
Com um mau arranque nesta segunda volta, está no seu pior momento com 1pt em 4 jogos, o Moreirense vai agora receber o Benfica.

É crucial referir a saída dos médios Filipe Melo e Vítor Gomes na abertura do mercado.

O Estoril está a corresponder à sua dimensão mas a desiludir face às últimas épocas. Neste mês o Couceiro perdeu os três jogos e afastou-se da luta europeia. Os próximos três jogos caseiros, Académica, Gil e Penafiel, podem relançar a equipa.
Em Janeiro a equipa perdeu a sua estrela, o Kuca e contratou os atacantes Bonatini e Mattheus.


Na luta pela Liga Europa estão os clubes da Madeira, o Paços, o Rio Ave, o Belenenses e o Guimarães.

O Marítimo de Leonel Pontes teve como ponto alto a recente vitória caseira sobre o Porto. Vem de uma vitória em Penafiel e parte agora para um ciclo onde recebe o Belenenses, vai a Guimarães, recebe o Paços e o Sporting.
No mercado a equipa perdeu a sua referência ofensiva – Maazou.


O Nacional do M. Machado está em 9º e numa sequência de 5 vitórias e um empate. Vai aproveitar este momento para ir ao Axa tentar os 3pts.

Em Janeiro saiu o avançado Suk mas chegaram vários reforços, entre os quais o central Freire e os médios L.Aurélio e T.Rodrigues.

Em Paços o P.Fonseca volta a mostrar o seu valor. A equipa está em 8º em igualdade pontual com o Rio Ave. Contudo nos últimos 8 jogos só conseguiu um empate e duas vitórias, uma delas contra o Benfica. O calendário não é favorável com a recepção ao Guimarães e deslocação a Belém e ao Marítimo. No mercado saiu o Urreta e chegaram os benfiquistas F.Cardoso e R.Pinto e ainda o D.Rosado.

Em Vila do Conde o P.Martins dá continuação aos últimos bons anos do Rio Ave. A equipa conta com o 2º melhor marcador do campeonato – Hassan com 11 golos.

O mercado foi calmo. Saiu o avançado Esmael e entrou o médio Sow.
A equipa vem de uma vitória e dois empates e vai ter um ciclo de 5 jogos onde vai jogar com o Braga, Nacional e Benfica.


O Beleneses do Vidigal é a grande boa surpresa deste campeonato. Está em 6º, só sofreu 20 golos e nos últimos 5 jogos conseguiu dois empates e duas vitórias, vindo de uma vitória em Guimarães e de um empate no Restelo com o Sporting.
Em Janeiro perderam o goleador Deyverson e o Fredy mas contrataram o C.Martins, o R.Fonte e central Tikito.


Em 5º, na zona europeia, está o Guimarães do R.Vitória que com pouco continua a rivalizar com os grandes.
O Vitória leva uma vantagem de 5pts sobre o Belenenses mas começa a ver o Braga escapar-se. O André André tem-se destacado como o goleador de serviço, estando em 3º na tabela com 10 golos.
A equipa vem de um pior momento com só um ponto em 4 jogos. Foi talvez a equipa que mais se movimentou no mercado com a saída do Traoré, Defendi e Hernâni e as contratações do Sami, Ivo Rodrigues, Otávio, do central Kanu, lateral Breno e do extremo R.Valente.


Em Braga o S.Conceição parece ter finalmente feio carburar a sua equipa. Os bracarenses são uma equipa à imagem do seu treinador e mostram capacidade para fazer frente a qualquer equipa em Portugal. Com 13 golos sofridos apresentam uma defesa ao nível da do Benfica e Porto.
O mercado não foi significativo - saída do Custódio e contratação do D.Menga.

Com 3 vitória consecutivas irão agora entrar num ciclo complicado – Nacional casa, Rio Ave fora, Porto casa e Benfica fora.

Nos lugares de Champions estão os três grandes.

O Sporting começou a época a viver um sonho mas já entrou em choque com a sua realidade. Está em 3º, vê o Braga a 4pts e vê fugir os rivais – Porto a 5pts e Benfica a 9pts. A equipa do M.Silva é a única com só uma derrota mas apresenta 8 empates, cinco deles caseiros! Nos últimos jogos a equipa parecia estar rumo ao seu sonho mas com o baque dos 94 minutos e o estrondo no Restelo parece ficar fora da luta pelo título.

Montero e Slimani são os dois marcadores de serviço da equipa, com 7 golos cada.

Quando o maior problema parecia ser a jovem dupla de centrais, é a capacidade de criar situações de golo que tem falhado. O meio-campo é compacto mas sem profundidade tanto o Nani como o Carrilo aparecem sem inspiração.
O mercado trouxe mudanças no centro da defesa com a saída do Maurício e promoção do Tobias. Também chegou o indisponível central Ewerton. 


O Porto de Lopetegui, apesar da recente derrota com o Marítimo, parece ter finalmente encontrado o seu ritmo e já se começa a perceber quem é o quê nesta equipa.

No mercado de Inverno só há a realçar a chegada do Hernâni.

Encontra-se a 4pts do Benfica, tendo recuperado de uma potencial desvantagem de 9pts. Tem o melhor ataque do campeonato com 50 golos marcados, a segunda melhor defesa com 10 sofridos e o melhor goal-average.
O Jackson lidera destacado a lista de melhores marcadores – 16 golos.
Vem de três vitórias consecutivas e irá agora ser colocado à prova com a deslocação ao Bessa, recepção do Sporting e deslocação a Braga. Isto sem o lesionado Oliver.

Finalmente há estabilidade no centro da defesa com o Marcano a relegar o inconstante Martins Indi. O Casemiro ainda não me convenceu. O Jackson está em grande forma, ao contrário do Tello e Quaresma. O regresso do Brahimi pode assim fazer a diferença.

O próximo passo será a titularidade do Helton que além de qualidade também traz maior liderança e identidade à equipa.

Resumindo. Estimo uma manutenção muito complicada tanto para o Penafiel, como para a Académica, como para o Setúbal e até para o Boavista. O bom momento do Gil e a competência do Arouca deverão ser suficientes para saírem desta luta.
Estimo que o Moreirense, o Marítimo e o Estoril vão ficar perto do terceiro terço da tabela, com o Estoril a poder vir a tentar algo mais ambicioso.
Estimo que o Rio Ave, Paços e Belenenses vão disputar entre si um lugar no top 7.
Estimo que Nacional irá subir na tabela e disputar o lugar europeu do Guimarães.

Estimo que o Braga vai fugir ao Guimarães e disputar o terceiro lugar com o Sporting.
Estimo que o Sporting terá de parar de olhar para cima e se preocupar em olhar para baixo.
Estimo que só o Porto e Benfica lutarão pelo título e que as próximas três jornadas serão definitivas nas pretensões portistas.



Paços de Ferreira – Vitória de Guimarães
Braga – Nacional
Moreirense – Benfica
Marítimo – Belenenses
Sporting – Gil Vicente
Boavista – Porto

Setúbal – Penafiel
Arouca – Rio Ave
Estoril – Académica