Tinha 12 quando este dia aconteceu. Fui com o meu Pai numa tarde de um Sol radioso ver o Benfica consagrar-se perante os seus adeptos como o Campeão Nacional 93/94. A meio do jogo, senti-me mal, o calor sobre a testa provocou-me uma quebra de tensão. Um estádio a abarrotar abriu de imediato metro e meio de betão para eu me deitar e ouvir o sussurrar do estádio e o cheiro do relvado sem os ver e ouvir.
O Benfica estava todo dentro desse gesto, dessa comunhão eterna de afectos. No fim, subi à baliza, corri com o meu Pai pela intermediária imitando os heróis, fingindo golos. Levei relva que tirei dos bolsos no dia seguinte para mostrar aos amigos.
Este dia é o dia em que o Benfica mudou. Hei-de lutar a minha vida toda para o levar novamente a este momento e depois colar este intervalo de tempo e ressuscitar um clube que é o mais bonito do Mundo.