sábado, 25 de janeiro de 2014

O dia em que o Benfica mudou


Tinha 12 quando este dia aconteceu. Fui com o meu Pai numa tarde de um Sol radioso ver o Benfica consagrar-se perante os seus adeptos como o Campeão Nacional 93/94. A meio do jogo, senti-me mal, o calor sobre a testa provocou-me uma quebra de tensão. Um estádio a abarrotar abriu de imediato metro e meio de betão para eu me deitar e ouvir o sussurrar do estádio e o cheiro do relvado sem os ver e ouvir. 

O Benfica estava todo dentro desse gesto, dessa comunhão eterna de afectos. No fim, subi à baliza, corri com o meu Pai pela intermediária imitando os heróis, fingindo golos. Levei relva que tirei dos bolsos no dia seguinte para mostrar aos amigos. 

Este dia é o dia em que o Benfica mudou. Hei-de lutar a minha vida toda para o levar novamente a este momento e depois colar este intervalo de tempo e ressuscitar um clube que é o mais bonito do Mundo.

6 comentários:

Anónimo disse...

Bela peça literária do mais sentido e profundo amor benfiquista.
Parabens!

LDP disse...

O facto de as bancadas serem longe do relvado fazia com que O estádio da Luz fosse ainda mais imponente. O que não deixa de ser algo paradoxal.

A. A. K. disse...

Também lá estive, tinha 15 anos, fui com o meu avô. O jogo, diga-se, foi uma valente seca... ;)

De resto, como te compreendo. Mas um dia, ah, um dia...

d0t disse...

Também estive presente nessa solarenga tarde de Maio. Com apenas 10 anos, seria a minha primeira deslocação a Lisboa e à antiga Luz. Os enquadramentos levam-me para lá outra vez. A pouca visibilidade, os rasgos de verde por entre cabeças, os lugares partilhados por tantas pessoas em tão poucos m2. O placard, as bandeiras, as pessoas. Tantas distracções num jogo com pouca história. Também atrás da baliza, 45 min a olhar para o Neno. O Neno. As palmas para Rui Costa e Schwarz no intervalo. Os russos a entrar na 2ª parte. Dia revivido centenas de vezes. Diz o meu pai que me baptizou nesse dia. Obrigado pelo vídeo.

Conde de Vimioso disse...



Eu também lá estive com o meu filho mas quem tinha 17 anos era Ele.

Esse sim foi o ultimo ano do Grande Benfica.

luis disse...

26 de Janeiro de 2014… ao reflectir na perspectiva da imagem, a definição das tecnologias deu um salto enorme… a nossa cor gravando agora dá a ilusão de estar mais viva !!
Quando o meu caro escreve, “ colar este intervalo de tempo e ressuscitar “ , vou ver o vídeo do meu amigo naquela Mítica Catedral …
Foi uma pena o relvado do Domingos Claudino...Aquele gigante de betão para 120 mil pessoas, podia ter levado uma cobertura como a Estatua do Eusébio da Silva Ferreira. Se pelo tempo disponível o novo Estádio da Luz foi mais pomposo e moderno, os custos são os grandes responsáveis pelo adormecimento Desportivo e só fica pago coma as “novas modernices” presume-se em 2024.
Agora, o Ser Benfica genuíno e popular, deixou ali muito dos seus valores. Como o Benfiquista Melo disse, “ os Lampiões queram é ganhar” e muita gente deixou-se dormir na sombrs das obras. Eu sei que ele não disse Lampiões, mas diz este imbecil, que correu por aquele relvado sagrado da escola do Mestre Claudino.
O nome da empresa actual até pode ser “red” , mas são os mesmos do relvado do vizinho, que segurados pelas indeminizações, desde 2004 até já o pintaram, deixando marcas nos calções ;)
Realmente, ressuscitar aquele amor genuíno para fazer as coisas, é preciso um Coração à Benfica. Este imbecil quer lá saber que o mundo inteiro quer endividamento, modernices ou engenharias. Os impulsos não têm sido dos adeptos, porque a massa anonima será sempre impulsiva, principalmente quando existe discursos tendo em vista esses mesmos impulsos. Ora para os controlar com obras e mais endividamento, ou para incutir sonhos baseados na venda da banha das “maravilhosas distracções” que podem girar no mundo do futebol. Olhando para o estado do relvado, desde a pré época e neste intervalo de tempo ainda não vi, lá estreia na primeira equipe do Sport Lisboa e Benfica do nº 94. À pouco tive que tomar um “Chalanix” para a cabeça, por causa da ansiedade ;)o relvado era verde e as bancadas eram azuis. Tinha o rei do Eusébio de braços abertos na paisagem, Deus de um lado, Jesus de outro e pareceu-me ver o Fernando Chalana a correr. Este miúdo pode chegar mais longe que o Asterix, se não se entalar com as “belas” histórias, das Anas e dos sonhos milionários para os deslumbres da enorme classe e atitude. Aquele desenvergonhado teve a lata de fazer um roubo de bola de carrinho, que partiu o coração ao imbecil do luis. Trabalhe ele a capacidade individual de manter aquela electricidade com intensidade ao serviço daquela genuína classe sem idade, nem altura, nem peso, nem bigode( aqui tem que se dar tempo ao tempo, jogando na pressão para os 90 minutos e os seus 19 aninhos) . O papagaio do luis já nem quer, que a estrutura ou o atleta, bata recordes do Chalana, Frute ou ronaldo…exige confiança no talento, sem meias medidas. Quem trás um Olá ou um Funes… tem que moralizar ali, ainda com mais confiança principalmente, porque este já aprendeu com o tempo o que é Ser Benfica, neste quintal que é Portugal. Este tipo de Jogador Ilusionista, pode mudar o rumo colectivo de qualquer equipe. E meus caros essa ilusão, era uma das coisas que precisaríamos logo após aquele traumático final de época … sangue novo com convicção, para ressuscitar os mais velhos e chicotear pela tradição da nossa Centenária Instituição. Na pré época, pensar no relvado…Os sonhos eram mais palpáveis, reais e bem mais baratos ;)
Obrigado, pelo atalho para visitar a Velha Catedral 

B T T