Não tenho abordado o jogo da equipa por dois motivos: já se sabe o que será o jogo da equipa e porque não tenho visto os jogos todos. Mas vi alguma coisa, umas duas horas e meia de pré-época, e chegou bem para compreender - se não se sabia já - que iremos ter mais do mesmo: saída de bola com médio defensivo recuado, extremos abertos nas alas, um avançado a baixar para receber.
Quando o adversário percebe o movimento - e percebe-o quase imediatamente -, o Benfica passa a meter a bola no Luisão - que chuta para a frente, quase sempre criando perda de bola - ou procura-se um jogo lateralizado, especialmente com Maxi Pereira. Não há pensamento estratégico, há uma rotina, duas rotinas, três rotinas que vão tentando funcionar - quando o adversário é fraco, funcionam; quando tem mais qualidade, não funciona, o que no fundo é a história das duas épocas anteriores contada novamente. E novamente. E novamente.
Defensivamente, é um caos. Nem a saída de bola é feita com o propósito de, atacando, estar sempre a defender e bem colocados, nem a reacção à perda é ajustada: a equipa estende-se pelo campo de uma forma que potencia o erro no passe (e Javi nisso é recorrente) e a expõe constantemente a contra-ataques nos quais o adversário tem muitas vezes igualdade numérica. Um absurdo táctico que só não vê quem não quer. Ou quem apoia muito e muito e muito e por apoiar anda cego e não vê. São 3 épocas disto, vamos para a quarta. Não há Ramires para salvar Jesus da sua loucura e é de esperar que venha mais um ano na linha dos dois anteriores.
Depois a opção incompetente de deixar andar, logo se vê, depois trata-se. Precisamos urgentemente de laterais (na direita, há anos!; na esquerda, há dois que andamos em novelas mexicanas e adaptações fantasiosas), mas não temos laterais. O ano passado jogámos com, imagine-se, Witsel a lateral-direito mas ninguém achou que precisávamos de lateral-direito - isto apesar de terem comprado um lateral-direito e o terem emprestado e agora ter sido dado. Mas Jesus, apesar de tudo isto, diz-nos: «Temos de arranjar uma solução para ficarmos mais equilibrados». Pois temos, Jesus. Quem é que será desta vez, o Mora?
Na esquerda, enfim, dizer o quê? Estamos bem fodidos.
Claro que escrever isto em Julho faz de mim um mau benfiquista. Paciência: lá terei de ir apoiar para o estádio.