quinta-feira, 4 de janeiro de 2018



1) Surpreendentes os dois acontecimentos: a boa primeira parte do Benfica e a má primeira parte do Sporting. De futebol curto, muito retraído e quase só à espera de espaços nas costas da nossa defesa, o Sporting foi uma sombra de si próprio - muito pouco para quem quer ser campeão 16 anos depois. De futebol largo, bem pensado por Pizzi, Jonas e Krovinovic e com um Fejsa a fazer de placa giratória e Grimaldo a criar os desequilíbrios por dentro enquanto Cervi abria na esquerda, o Benfica criou jogo e oportunidades suficientes para chegar ao intervalo a ganhar folgadamente. No entanto, no ecrã dizia 0-1. Só mais um exemplo de que o resultadismo é ciência que não encaixa no futebol.

2) Krovinovic, de longe o melhor em campo. Toda a melhoria que o futebol do Benfica vai apresentando de tempos a tempos deve-se à entrada deste miúdo no onze e a forma como Pizzi e Jonas ganharam uma nova vida para voltarem a fazer aquilo que sabem fazer bem: bom futebol. É sobre este trio de craques que a esperança no 37 assenta. Claro, com Grimaldo e Fejsa a acompanhar a orquestra.

3) Incompreensível a substituição de Rui Vitória aos 55 minutos. Retirar Pizzi quase sempre será um erro, já que é um dos melhores que temos para praticar futebol de qualidade, mas, mesmo aceitando a decisão, não se percebe a escolha por Raul. O Benfica vinha de uma primeira parte de domínio territorial, controlava perfeitamente o jogo na segunda, começava a voltar a criar situações de perigo e o que faz o treinador do Benfica? Parte a equipa, estica-a à espera de correrias e rasgões. Não é por termos 10 avançados que marcamos mais golos, professor. Já que Pizzi nao servia (não se sabe bem porquê, estava a fazer um bom jogo), João Carvalho,  por exemplo, poderia ter servido de moeda de troca mantendo a riqueza da posse de bola e do jogo inteligente do nosso lado.

4) A insegurança do Sporting. Nos últimos 36 anos, o Sporting venceu 2 campeonatos. Isso nota-se quase sempre nestes jogos entre rivais, tal é o medo que os sportinguistas têm de perder. Em vantagem no marcador, a equipa limitou-se a tentar defender bem e a abrir bolas nos extremos em contra-ataque. De equipa pequena. Já na segunda parte, após a má substituição de Vitória aos 55 minutos, um treinador com outra visão teria aproveitado o erro de xadrez do professor e atacado o miolo do Benfica, provavelmente marcando mais um e acabando com o jogo. Pela primeira vez, Jesus borrou-se na Luz como treinador do Sporting.

5) O público bipolar do Benfica. De repente, os adeptos do Benfica odeiam Rui Vitória. Bastou parar de ganhar para que o professor passasse a "pior treinador de sempre". Nas bancadas os insultos são muitos, os pedidos de demissão, as boçalidades. Quantos destes seres não andavam no Verão a dizer que "o Vitória arranja substitutos para as saídas, confiem na estrutura e no nosso grande treinador!"? O professor é fraco? É. Mas não começou a ser fraco há 4 meses. Sempre o foi.

6) O Penta. A derrota provavelmente teria destruído o nosso sonho - não só pela diferença pontual (a 6 pontos dos dois), mas pela carga emocional e pela contestação ao treinador. Com o golo de Jonas, ficando a 5 do Porto e a 3 do Sporting, marcando nos últimos minutos de um jogo em que fomos claramente superiores, acredito que temos uma Luz à nossa espera. Com a qualidade individual deste plantel poderemos ganhar todos os jogos até ao fim. Basta que os jogadores acreditem no Penta como nós acreditamos.

VIVÓ BENFICA!

10 comentários:

JP disse...

Ponto 5: Vitoria fraco?
Com os jogadores que o Benfica perdeu, os que o Sporting contratou e mesmo assim o Vitória está o jogo todo por cima do Jesus… (8 milhões ano. Fora comissões)
Vitória lançou: Varela, Ruben, Carvalho, Krovinovic... Com um pouco mais de acerto (qualidade) o Benfica teria vencido, estaria a 3 pontos do líder e com os mesmos pontos do Sporting...

Anónimo disse...

Boa noite. Ontem, dia de jogo, logo pela manhã, encontrei dois colegas do trabalho que diziam animadamente entre si: "Então, hoje é o grande dia, vai ser a machadada final!" Bem, ouvi aquilo e pensei que, mesmo em caso de derrota, nada estaria perdido - sim, já sei, é a doença do Benfiquista, ou então, o acreditar na superação nas/das adversidades. Ora, depois do jogo de ontem, passei a acreditar ainda mais, sob alguns condicionalismos, claro está...
Depois de tanto desacerto dos nossos, é imperativo o reforço da equipa, mas desta vez, um reforço a sério, se bem que as lacunas são várias: GR, DD, DC, DE, MDef, Av, ... ter-me-ei esquecido de alguém? Oh sim, um preparador físico!
Depois de tanto desacerto dos nossos, pareceu-me que, finalmente, nesta época, começaram a querer ganhar jogos! Pela primeira vez, depois da Supertaça, vi os jogadores COM o treinador... espero que assim continuem, tendo em vista o penta! Sim, é possível!
Os nossos adversários vão ter desgastes nas competições domésticas e internacionais e sobre isso nada mais direi...
Será necessário melhorar substancialmente a comunicação do Clube, pois há demasiado ruído a abafar o SLB.

Um bom ano de 2018 ... só se o Benfica for penta! Sim, é possível! Um abraço. Paulo Oliveira.

joão carlos disse...

1-futebol bem pensado por pizzi, deves ter visto outro jogo.
podíamos estar a ganhar folgadamente na primeira parte como se só tivemos duas oportunidades.

2- só tu é que achas que o pizzi estava a fazer um bom jogo.
estávamos a jogar bem na segunda parte estávamos, oportunidades zero.
na segunda parte a primeira oportunidade só apareceu aos 60 minutos após a substituição.

4- isso não é uma coisa de clube é uma coisa de treinador que fazia o mesmo quando nos treinava só não via isso quem não queria ver.

Miguel Costa disse...

Boas,

Não fiquei surpreendido pela boa primeira parte do Benfica, nem pela muito boa segunda. De certa forma, foi a continuação do que fizemos no Porto na primeira parte. O novo modelo vai dando provas de vida e de evolução. Agora temos é que dar continuidade. O Krovi é a peça fulcral na ligação das restantes. E é uma delícia vê-lo jogar! Tem toques de Rui Costa e de Aimar, mas junta-lhe aquela agressividade balcânica.

Em relação à substituição do Pizzi por Raúl foi mesmo o assumir do "velho" 4-4-2, numa altura em que o Sporting já tinha o bloco mais baixo e não arriscava nada nas saídas. Ganhámos uma unidade na frente e libertámos o Jonas da primeira pressão. Nessa altura, fiquei curioso para ver o comportamento do Krovi, agora num meio campo a dois. E parece-me que ele ainda cresceu mais no jogo, assumindo as responsabilidades defensivas com muito empenho, para além da construção. Uma alternativa à saída do Pizzi podia ter sido a do Salvio, mas aí perdia-se o efeito gazua do argentino...

Enfim, estamos vivos e seguimos lutando! Carrega BENFICA!!

RedMist disse...

Crónica da 1.ª parte, por parte de um ex-benfiquista recém-convertido ao Portimonense de Nakajima e Vítor Oliveira.

00:05 – Falta de planeamento na saída de jogo. Pressão isolada de 2 jogadores do SCP, ao que a defesa oferece a bola aos adeptos. É bonito.
00:30 – Salvio rodeado de 4 adversários, entra tarde e deficientemente pelo meio. Perda previsível de bola. Pouco apoio. Na fuçanga, faz falta, perdendo o Benfica o direito ao lançamento lateral. Não acertou uma ao longo de todo o lance.
01:00 – Boa pressão do SCP ao portador da bola adversário. Benfica resolve bem, mas para trás.
01:10 – Novo alívio, com a bola quase a ir directamente para fora. Dificuldades na saída em construção. Entre o nervosismo e a regra de ouro em não perder a bola em zonas recuadas, transpira falta de planeamento e confiança.
01:20 - O individual a improvisar a pouca clarividência e solidariedade colectiva.
01:45 – Livre facilmente resolvido pela defesa adversária. Falta agressividade e presença (e n.º e estatura/força) na área.
02:55 – Jardel chega tarde, jogador do SCP com tempo e espaço para colocar bola nas costas de Grimaldo, que perde em aceleração e velocidade, descreve trajectória incorrecta de recuperação, conseguindo ainda importunar Gelson no cruzamento.
03:00 – Coentrão a mostrar porque nunca foi avançado. Ou brilhante.
03:30 – SCP sempre muito pressionante, a evitar dar tempo para pensar e executar, procurando assim precipitar o erro. Jonas saca a falta mas, mais uma vez, o individual a resolver. O colectivo, esse, aparenta estar na ópera.
04:40 – 2.º livre inconsequente.
05:17 – Inadmissível. Bas bloqueia Fejsa. Com Pizzi e Krovi a assistir do relvado, jogador do SCP cabeceia, à vontade, no meio-campo, um pontapé desde a pequena área do Patrício. Destas, o FCP não papa nem de caçadeira de canos cerrados apontada. Falta “sangue” a esta equipa.
05:22 – Saída fácil de Varela. Para vir a ser alguém no futebol, tem de saber sair de cima da linha de golo e jogar 10 metros mais à frente, além de aprender a sair às bolas pelo ar. Até lá, GR de meio da tabela: ser bom entre postes não chega.
05:32 – Pressão deficiente do SCP. Muito longe os atacantes dos médios. Começam a faltar pernas, assim como a temer os automatismos de troca de bola do Benfica.
05:51 – Jonas (de costas) não vê boa desmarcação do jogador do Benfica que havia-lhe entregue a bola, o qual, fruto da passividade (ficou parado) de quem o estava a marcar. Seria, em potência, o principal ponto de desequilíbrio a ser tido. Percebeu-se a intenção de Jonas, mas definiu mal.
05:57 – Almeida faz merda. Em vez de pressionar legalmente um Coentrão à rasca, faz-lhe o favor de atropelá-lo, assim ajudando o SCP a respirar.
06:32 – Abordagem (2 jogadores SLB à mesma bola) e cabeceamento (para o ar, sem direcção, a jeito para o William) horríveis. Pobre, esta agressividade e definição pelo ar a meio-campo. Mais uma vez, saída individual, colectivo a ver jogar, SCP pressiona colectivamente, lance perde-se.
06:37 e 06: 48 – Pizzi sozinho contra 2 adversários. Em forma, teria sabido soltar em tempo e para quem de direito. Pizzi não é um portento de talento, vale sobretudo pela rapidez e qualidade com que pensa e executa. Está lento a fazê-lo em ambos os campos. Precisa limpar a cabeça. Enquanto não o fizer, será sempre dos mais banais em campo, arrastando perniciosamente a equipa consigo.
06:52 – Pura classe e garra de Fernandes (SCP), que define o lance, em progressão e desequilíbrio, contra 3 do Benfica a pressioná-lo. Bas recebe. Podia ter retribuído, mas os automatismos mandam que meta para trás, em quem está de frente para o jogo e melhor organiza. O passe, contudo, sai tarde e mal direccionado. Lance perde-se.

RedMist disse...

06:59 – Salvio sempre de olhos no chão. O (pouco e passivo) apoio está tapado pela pressão adversária. Lance para fora foi mal menor. ”Este” Salvio (o que ainda julga ter 20 anos e nenhuma lesão) é, pelo (pouco) que joga e o (muito) que aufere, um problema para o clube. Salvio precisa que lhe expliquem que, nesta fase, mais do que jogar à Gelson, precisa de jogar como Pizzi ou João Mário (SCP) o faziam quando estavam posicionados mais à direita. Mais do que para romper, hoje Salvio tem de servir para pensar, intuir e distribuir.
07:30 – Percebe-se que este Benfica é melhor que este Sporting. Este SCP está esticado, quase a romper. Sente-se que este Benfica ainda está a aquecer os motores. Precisa de paz, confiança, resultados e menos tiros nos próprios pés.
07:40 – Intensidade na pressão muito abaixo do até então revelado pelo SCP. Limitam-se a reagir tarde e desgarradamente à posse adversária. As “pilhas” não duram sempre, a que acresce a percepção de que, com a qualidade na troca de bola que o Benfica tem, vão andar ali o tempo todo a “cheirar”.
07:50 – Pressão do William é ridícula, a que acresce o buraco que foi por si deixado nas costas (mal aproveitado por Krovi, que devia ter rasgado e não jogado para trás). De amador (para ambas as partes).
08:20 – Somente sob uma execução superior (que o Benfica quase conseguiu) este lançamento lateral poderia ter outro destino que não a recuperação da posse pelo SCP. Reparar no triângulo que SCP faz ainda antes do lançamento, manietando totalmente as poucas opções disponibilizadas pelo Benfica.
08:35 – Jardel, porque o único ali com condições para tal, ganha, em tempo, a Bas pelo ar. Benfica define bem após. Tem faltado ver mais disto.
08:46 – Tão mal definido por Grimaldo. Tinha Jonas a pedir e como melhor solução, que ficava de frente para os centrais de um SCP totalmente partido. Resolveu bombear: tão típico quanto inconsequente.
09:10 – Benfica pressiona bem lançamentos laterais adversários. Mas não executa/planifica os seus convenientemente.
09: 40 – Benfica troca bem a bola, os apoios (embora não muitos) vão aparecendo, mas Salvio teima em meter os olhos no chão, fugir para a linha e procurar resolver sozinho. Naturalmente, perde. Neste momento, vai-lhe valendo o estatuto. Paralelamente, o que estão a fazer a Rafa é uma indecência. Mas já lá iremos.
10:25 – Classe, com o SCP a cheirar: talvez das coisas em campo que mais frustre e faça perder a crença do adversário. Jonas tem de rasgar. Ali, Rafa faria miséria. Jonas optou por parar e distribuir. Em quem executa e apoia, falta rasgo, possivelmente pela falta de crença. É uma equipa que cresce ou definha consoante o sucesso ou insucesso da jogada anterior. Falta ali Filosofia Estóica.
10:45 – Classe. B-A-BA do futsal. SCP comido.
10:50 – Jogador do Benfica, mesmo capaz de aguentar a carga, sofre falta: pelo que tem de se lançar para o chão. Má interpretação. Assim de substituiu um lance de potencial perigo por um outro inconsequente. SCP de JJ é useiro e vezeiro nestes lances: geralmente, na medida em que é bem-sucedido e disso tira vantagem.
11:00 a 11:20– Bem jogado por Cervi. SCP comido. Grimaldo, após bom posicionamento, faz tudo mal: procura ir para a linha de fundo via toque trapalhão (perante lance mais propício a seguir em direcção ao centro da área), recupera lentamente, direcciona-se mal. Fejsa (invariavelmente) tenta camuflar a coisa, mas SCP sai bem. No final do lance, onde anda Grimaldo… Com Bas e Gelson, bem, a fugirem para a sua posição.
11:24: Bas percebe que bola vai para Gelson e move-se para a área. Percebe que, naquele momento, os centrais são Ruben e Grimaldo, pelo que a sua escolha é óbvia: mete-se nas costas de Grimaldo. Valeu Gelson executar à GiraBola.

RedMist disse...

11:30: Bas pronto para matar, Gelson defina à GiraBola. Uma equipa que tem neste jogador o seu principal desequilibrador é uma equipa à espera de tombar. Se tivermos em conta o n.º de golos que Bas representa e colocarmos a hipótese de uma lesão, castigo ou abaixamento de forma, percebemos o quão ténue é tudo aquilo.
13:10 a 13:29 – O Benfica a levar o jogo para a zona do campo onde o SCP estava melhor habilitado a anulá-lo. Consequentemente, bola para trás, charuto do Varela, bola para fora. A expressão do Cervi aos 13:29 revela muito, mas não é em Varela que deve focar a sua frustração: mas antes em quem planifica e executa saídas de bola defensivas assentes em remates de 40 metros por parte do GR.
13:47: Mathieu a dormir. Já tinha reparado nisto nas Antas: Krovi não tem intensidade – e, por isso, apesar de bom (o melhor em posse do Benfica), dificilmente será mais do que já é.
14:00: Mais um cruzamento em “modo alívio”. Para “terrenos” (ar) onde os centrais do SCP se sentem confortáveis e os avançados do Benfica em inferioridade. Naqueles termos, as hipóteses de sucesso andarão à volta de 0,1%. A posse de bola está barata para os lados dos laterais do Benfica.
14:40: Sempre pelo lado do Grimaldo… Adversário com tempo e espaço para tudo. Isto não é um acaso: aos 16:05, Fernandes volta a tentar explorar o espaço de Grimaldo. JJ definiu onde estava o “ouro” e procurou forçar com o que tinha. Ironia do destino: o golo surge do lado oposto.
16:36: Momento exemplificativo do que refiro a 13:47.
17:05: Rui Patrício para Bas. Ruben sai a Bas: mas sem o devido tempo ou físico para o efeito. Gelson deixa-se ficar no espaço vago deixado por Ruben, valeu William não saber mais.
17:30: Salvio não pode receber bolas no miolo. Tem dificuldades notórias em jogar de primeira, em atempadamente discernir o que fazer à bola. Ou Fejsa solta-se da marcação, ou um outro companheiro tem de surgir. Um hino à perda da possa em zona proibitiva: que viria pouco após a acontecer, permitindo ao SCP aproximar-se e, em seguida, marcar.
18:06: Lance completamente controlado pela defesa do Benfica. Não fosse o mau alívio de Ruben, teria sido um lance como tantos outros. Ao invés, uma tentativa de remate de Coentrão resultou em cruzamento. Com Grimaldo na marcação, até Gelson pode dar-se ao luxo de fazer de Bas. Porque de frente, é a Grimaldo quem compete anular o espaço entre si e Jardel. Assim como é a Grimaldo quem compete antecipar, atacar e ganhar aquela bola.
19:50: Sempre a mesma opção por parte do SCP, sempre o mesmo erro não rectificado pelo Benfica: o posicionamento de Grimaldo é inexistente, a cobertura de Krovi é tida com os olhos. Valeu Gelson estar naquela noite em “modo Fábio Paim”, que nem o golo apagou.
20:50: Benfica acusa o golo. Novamente Bas a receber com tempo e espaço, pelo chão, entregando para Bataglia. Ruben vai atrás de Bas e desposiciona-se, deixando a sua zona desprovida de cobertura. Fernandes corre para lá, Pizzi marca com os olhos, valeu Bataglia não saber mais.
23:30: É isto que eu espero do Salvio. Jogar a pensar. Não deu golo porque, conforme eloquentemente já JJ explicou (mas não praticou neste jogo), qualquer um defende bem com muitos: o difícil é fazê-lo com poucos. Regra geral, teve 3 pinos de 2 metros na linha da pequena-área, mais 2 a 5 metros ao lado destes últimos, a que acresceram mais 2 a 5 metros à frente da última linha.
24:30: Bas é o melhor atacante em Portugal a jogar de costas para a baliza.
24:35: Fernandes define mal, desrespeitando assim a movimentação e esforço tidos por Gelson. Destaca-se pela meia distância: nada que o Dinda também não o fizesse. Não vale metade do que fazem dele. Estará muitos e bons anos no SCP.
25:10: Não é possível atacar-se com o objectivo de chegar ao cruzamento e, quando este é executado, somente ter um jogador na área vs 5 adversários. Também aqui, falta trabalho de bastidores.

RedMist disse...

25:42: Canto inconsequente, revelador de mau planeamento atempado aquando da marcação de cantos e bolas paradas em geral. Apesar da probabilidade (e efectivação) menor da taxa de sucesso nestes lances, e ainda que perdendo na dimensão física para o SCP, o Benfica continua a insistir pela via das bolas indiscriminadamente bombeadas para a área. Não é senão “fogo de vista”, mostrando que se ataca muito e com ímpeto, mas invariavelmente com resultados pífios. Desconcertantemente, não se verificou uma bola parada à maneira curta.
26:30: Ver 25:42.
27:35: Ver 25:42.
28:30: Nisto, Varela será já, porventura, o melhor da Liga. Falta o resto. Antes, a defesa do Benfica não percebe que Grimaldo está caído, pelo que, sabiamente, Bas e Gelson tentam aproveitar as costas da linha defensiva benfiquista. Valeu Acuña ser jogador de futsal. Trabalho de casa bem feito pelo SCP: cujos jogadores, ao perceberem que vai sair remate, atacam imediatamente a baliza adversária na expectativa de uma 2.ª bola. Manhas do futebol que se vão adquirindo com a experiência. Este SCP, contudo, está longe de ser brilhante. Organizado, disciplinado: sim. Espectacular, estimulante: não.
30:31: A mesma manha novamente: bola alta para Bas, Jardel sai à bola, deixando a sua zona de actuação desguarnecida. Fejsa desta feita compensa, mas o mesmo não acontece com quem deveria compensar a deslocação de Fejsa para o centro da defesa. Gelson puxa para a linha, Fejsa morde o isco, não vendo a movimentação adversária nas suas costas. Jardel recupera lentamente, ainda longe do lance. O resto acompanha com os olhos. Bola chega a zona central de remate, valendo, imagine-se, Salvio a ajudar a limpar o lance. É relativamente fácil desorganizar este Benfica, agravado pela falta de solidariedade defensiva do colectivo.
31:15: Jogada bem desenhada pelo Benfica: rente ao chão, em tabelinhas sucessivas e em progressão – a única forma exequível para este Benfica ter alguma hipótese de sucesso. Precisam, contudo, de colocar/fazer chegar mais gente na frente: Jonas remata contra (literalmente) uma barreira de 4 defesas do SCP.
32:15: Lance de bola parada onde o Gelson consegue, sozinho, com a sua movimentação, boicotar o lance ao SCP.
33:00: As limitações de movimentação de Bas são tão óbvias quanto frustrantes. Tenho poucas dúvidas de que JJ o trocaria, de bom grado, por Slimani.
33:28: Salvio entra para dentro, atrai Conetrão, que morde o isco. Almeida, que marcou o lançamento, é esquecido por Acuña. Pizzi vê o óbvio, cumpre, o cruzamento de Almeida sai pouco tenso: ainda assim, com destinatário premeditado - Jonas. Este mata no peito, remata à meia-volta: remate que é interceptado por Coentrão. Na recarga, bom remate de Krovi: o qual bate na trave. Ao vir para dentro, a bola dirige-se para Jonas: que cabeceia com perigo, ainda que froxo e ao lado.

Pede-se penalti na Luz: com razão. Coentrão fez penalti. O remate é à queima e resvala ainda e primeiramente na face de Coentrão, mas acaba por seguir e embater contundentemente no braço (este é inclusivamente “puxado” para trás após impacto da bola).
A posição do braço é imprudente: devendo o jogador sabê-lo, bem como da probabilidade alta de, naquelas circunstâncias e com o braço naquela posição, a bola ser ilegalmente desviada do seu normal e, assim, o lance ilegalmente afectado.
Penalti por marcar. Não há VAR que valha quando a falta de qualidade interpretativa dos lances é comum a todos quantos aplicam ou comentam as leis do jogo. Dentro e fora do campo, árbitros, ex-árbitros, jornalistas e comentadores: são poucos os que percebem do jogo. Consequentemente, tal acaba por acarretar consequências, conforme as presentes.
Mais quantidade seja do que for (árbitros, dinheiro, meios, etc.) somente servirá para encher bolsos e “tapar o sol com a peneira”. Falta antes qualidade. E essa, à luz de quem hoje anda no futebol, não a podem proporcionar.
Antes era porque não tinham. Hoje é porque têm. Ridículo.

RedMist disse...

36:00: SCP “acusa o toque”, o desacerto posicional verifica-se em termos nunca vistos no jogo, o discernimento na execução dos lances é pobre: sente-se sufocado. Patrício assusta-se com a simulação de Jonas, esmurra deficientemente a bola, que sobra para o remate cruzado mas frouxo de Krovi. Cheira a “rolo compressor” na Luz.
36:56: Cervi a mostrar o que aprendeu ao ver Saviola jogar.
39:00: Benfica de “fugachos”. Cresce para, pouco após, cair novamente. Jogo no plano que melhor serve o SCP: a esfriar.
40:39: As típicas e enervantes “faltinhas”, tão típicas do futebol nacional e que só beneficiam o infractor. A classe que professa aos 7 ventos não querer ser protagonista, vê-se reiteradamente desmentida e desmascarada pelos próprios actos. Enche-se a boca com as maravilhas do futebol britânico: mas pratica-se precisamente o exemplo inverso, procurando assim, desconcertante e incoerentemente, alcançar semelhantes resultados. Ninguém vai ao estádio para ver os árbitros arbitrar nem maravilhar-se com as paragens de tempo: alguém lhes explique isso.
41:20: Estranhe-se, Bas ganha no ar e entrega, redondinha, para Fernandes. Grimaldo entusiasma-se com Gelson, quer fazer uma desgarrada a ver quem corre mais e caga na linha defensiva desenhada por Almeida e Ruben, colocando assim Gelson em jogo. Gelson, em respeito e semelhança com o seu treinador, borra a cueca e, de pé esquerdo, oferece a bola aos utentes do Colombo.
42:20: Ruben, que não tem metade do talento de Grimaldo, percebe contudo as vantagens que decorrem do acto de pensar. Assim, recupera da distracção tida (não acompanhou a subida de Grimaldo, ficando atrasado em relação à linha defensiva do Benfica) e, beneficiando da demora do jogador do SCP em lançar o passe, sobe rapidamente e em dois saltinhos, de frente para Gelson e para o lance, plenamente consciente que o passe, saindo, estava anulado à nascença – conforme se verificou.
45:00: À luz da taxa de sucesso que apresenta e do momento actual que atravessa, não encontro qualquer fundamento para Pizzi continuar a bater bolas paradas. Por sua vez, a manutenção do jogador no 11 é o reflexo de um plantel mal planeado: na medida em que, apesar das exibições menores que tem apresentado, continua a merecer uma titularidade incontestável. Sendo o futebol o momento, que diz isto das opções existentes para o lugar?
45:27: Interessante opção por parte dos jogadores do Benfica – deixar Bas ganhar sozinho a bola no ar (a meio-campo, após pontapé de baliza de Patrício), preocupando-se em tapar linhas de passe na 2.ª bola. Bas cabeceia para onde não vê (para trás), bola ganha tranquilamente por Fejsa.
48:00: Fim da 1.ª parte.

RedMist disse...

O acima disposto representa o que consigo detectar do 1.º tempo. Ainda que tendo somente visto a 1.ª parte do jogo, é para mim claro que, quando JJ declara, no final do jogo, que este resultado é pior para o Benfica: o que está verdadeiramente a dizer é que o SCP foi à Luz, acima de tudo, para não perder. E o que vi comprova-o.

A vitória, que não fez em momento algum por merecer, teria caído do céu aos trambolhões. Nos termos (e, sobretudo, tempo de jogo) em que se deu o empate, será seguramente frustrante para o SCP: mas 0-0 ou 1-1 é, para as contas de JJ, rigorosamente igual e francamente saboroso.

Quanto ao Benfica, não conheço um benfiquista que, antes da partida, estivesse optimista. Apesar do empate verificado, a exibição tida teve, curiosamente, o condão de despertar a alegria e confiança dos adeptos. Não acredito, contudo, que jogadores e equipa técnica partilhem dessa alegria com o resultado: este jogo era para vencer. Não o tendo vencido, SCP manteve-se a 3, FCP passou para 5 de distância.

O contentamento dos adeptos é compreensível: ainda que não inteiramente justificado. Se, por um lado, o acima exposto revela que muitas falhas e lacunas continuam lá (e, provavelmente, lá permanecerão), os adeptos ficaram com a convicção que, apesar de tudo, existem condições para a equipa ir até ao fim e bater-se de igual para igual. E com razão: conforme acima referi, este SCP (assim como FCP) estão esticados até mais não poderem; este Benfica começou só agora a aquecer, a dar-se conta do que verdadeiramente pode fazer.

Os adversários directos sabem e sentem isso: por isso muita “tinta” irá ainda correr.