segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O Treinador Rui Vitória

Um treinador de futebol é muito mas também mais que aquilo que faz no treino.

A sua imagem fica mais condicionada pelas decisões que toma nos jogos do que pela trabalho que desenvolve longe dos olhares dos adeptos.
Normalmente as discussões em seu torno rondam muito à volta das tácticas, dos titulares e das substituições.

Numa altura em que se fala tanto sobre o actual treinador do Benfica de forma tão critica e empolgada, achei por bem dar um passo atrás e analisar o seu desempenho no Benfica de forma mais serena e metodológica. 

Não vou olhar a resultados nem a conquistas. Não vou argumentar que ele é bom porque já ganhou nem que é mau porque está a perder. Quando ganhava e agora que perde, é o mesmo treinador, com as mesmas ideias e o mesmo método.
Não irei olhar a estatitisticas porque a sua viabilidade depende sempre de quem as maneja e de intenções de perspectiva. Tentarei olhar para o que precede os números.

Vou considerar que existem 8 vertentes da responsabilidade de um treinador:

- Comunicação: Externa e Interna
- Construção do plantel
- Ideia de jogo
- Modelo táctico
- Treino colectivo
- Treino individual
- Convocatória e escolha dos titulares
- Leitura do jogo e substituições.

O primeiro pecado do treinador do Benfica é logo na comunicação. Nem vale a pena alongar-me muito neste aspecto. Para dentro e para fora é um discurso baseado em chavões de auto-ajuda. Peca pela ausência de conteúdo, pela superficialidade de um discurso linear que nada acrescenta. É um discurso que encaixa bem na primeira impressão mas que cansa quando não evolui, quando não passa daquilo. Não acrescenta nada.

E perante maus resultados a comunicação do treinador Rui Vitória piora porque a esta junta-se um discurso de desculpabilização que varia entre as arbitragens e o factor sorte.
É do mais básico e desinteressante que podemos encontrar.

Um discurso que não funciona no médio e longo prazo em alta competitividade. É indesmentível que Rui Vitória proporciona um bom ambiente de trabalho para os jogadores e para o balneário. Rui Vitória leva ao seio do grupo um bem-estar óbvio. Mas isto é pouco. Até a descontracção contrai. Até a pouca pressão pressiona. Até o não incómodo incomoda. Porque os jogadores necessitam de muito mais. Liderança acima de amizade.

Quanto à construção do plantel também não há necessidade de queimar muitas linhas.
O actual treinador do Benfica parece acomodado a que esta seja feita pelos dirigentes do clube.
Orienta o plantel que o clube lhe disponibilizar. Um romantismo que em nada beneficia a sua posição de liderança, a sua condição de Treinador.

No que respeita a modelos tácticos já me posso alongar mais.

Apesar de dois anos a jogar em 4-4-2 o modelo deste treinador é o 4-3-3 que actualmente utiliza.
Chegou a um Benfica que jogava com 2 homens no centro do terreno, dois alas e dois avançados. Um 4-4-2 que se desdobrava num rápido 4-2-4. Tentou implementar o seu modelo, onde reforçava o meio-campo abdicando de um avançado e solidificando um puro 4-3-3 com dois alas bem abertos. Não resultou. Não conseguiu fazer a mudança.
Acabou por ceder à fórmula antiga e deu aos jogadores o prazer da familiaridade.
Já no decorrer da terceira época, com as fragilidades defensivas cada vez mais incomportáveis, recorreu ao 4-3-3, o seu 4-3-3.

Com Rui Vitória este é um sistema táctico claramente mais defensivo. A opção pelos três médios não é em prol de um maior controlo da bola a meio-campo para uma mais curta e elaborada construção de jogo. No seu 4-3-3 o terceiro médio surge para um maior preenchimento dos espaços no jogo sem bola. Uma tentativa de um acrescido equilíbrio no momento de defender.

4 defesas - 3 médios centro - 2 alas de rasgo - um ponta de lança. Portanto tenta povoar a zona de recuperação para rapidamente lançar os velocistas enquanto o ponta de lança prende os defesas adversários e procura zonas de finalização.

É no seguimento da análise táctica que sou obrigado a entrar na análise à Ideia de jogo.

Rui Vitória tem uma ideia de jogo. Contudo é tão arcaica, tão desinteressante e tão básica, que a este nível parece ser quase inexistente.
Reduz-se à capacidade de luta dos jogadores. Queimar linhas com passes longos e tentando ganhar as segundas bolas em zonas do terreno que deixam a defesa adversária em desequilíbrio.

A ideia de jogo deste treinador passa por defender com muitos, recuperar a bola e colocar rapidamente na zona defensiva do adversário.
Assim tem tendência por optar por um ponta de lança forte capaz receber os lançamentos longos e por dois extremos velozes que usem essa velocidade para rapidamente se aproximarem da defesa adversária, seja para recuperarem as segundas bolas, para pressionarem o receptor da bola ou para a receberem do ponta de lança.
Queima-se linhas com os passes longos, queima-se linhas com velocidade e fintas dos alas, e tenta-se ganhar a bola no terço ofensivo para surgirem os desequilíbrios.

Este é uma ideia de jogo muito britânica - Kick and Rush. Contudo em estado muito primitivo e introduzido num contexto - clube Grande e futebol português - onde não corresponde às expectativas e exigências do clube.
Estamos a falar de um campeonato onde normalmente os defesas estão bem posicionados nos jogos com os Grandes. Estamos a falar de uma equipa com jogadores de qualidade técnica desaproveitada em prol da sua capacidade física.
Daí a constatação que o treinador Rui Vitória coloca as suas equipas a praticar um futebol de clube não-grande.

Qualquer Modelo Táctico e  Ideia de Jogo nascem e crescem no Treino.

Para mim é nesta vertente que encontramos a pior face deste treinador.
Há uma táctica, há uma ideia de jogo, há uma preferência pelas características dos jogadores, mas não existe um trabalho que faça tudo encaixar e fluir.

O treino tem a sua vertente física, táctica e técnica.
Sim, os jogadores do Benfica são fisicamente capazes. Sim, os jogadores do Benfica sabem os seus lugares no terreno de jogo. Não, os jogadores do Benfica não estão integrados num processo de jogo.

O jogo é o reflexo dos treinos, resulta do trabalho diário da equipa.

Para a análise irei dividir os momentos do jogo em 4: Com bola em fase defensiva; Com bola em fase ofensiva; Sem bola em fase defensiva; Sem bola em fase ofensiva.

Em todos estes momentos notamos carência de treino.

No momentos defensivos é recorrente o recurso ao "alivio". Muitas vezes mais por necessidade do que por convicção.
Esta necessidade aparece da ausência de linhas de passe. Não há movimentos dos médios que proporcionem soluções de passe ao defesa com a bola. O centro do terreno é constantemente um vazio de atletas de encarnado.
Daí advém não só o bombardeamento de bolas para o avançado como também a constante lateralização de jogo.

Também no momento ofensivo existe esta carência de linhas de passe na zona central. Lateralização e cruzamentos.
Há um fosso no centro do terreno que não é explorado. Só Jonas vai contrariando esta tendência e sem progressão pelo centro, os desequilíbrios ficam dependentes da criatividade e velocidade individual pela linha - Rafa e Salvio.

Contudo, desde o primeiro jogo oficial de Rui Vitória no Benfica, é o desempenho sem bola que mais me preocupa.

Na reacção à perda de bola temos a pressão do avançado e da velocidade dos alas. Só que assim que o adversário contorna esse primeiro momento a equipa entra imediatamente em contenção. É neste momento que entra a minha maior critica ao trabalho do treinador Rui Vitória.
O mesmo vazio central que existe com bola mantém-se quando a equipa se encontra sem ela. É nesse espaço que os adversários encontram tempo para receberem a bola, furarem as nossas linhas, pensarem e executarem já de frente para para a nossa linha mais defensiva.

Por isso com este treinador apesar de defendermos com muitos defendemos muito mal.
Os jogadores assumem as suas posições em blocos defensivos lentos e desligados. O bloco de médios aproxima-se da zona da bola, os defesas mantêm o bloco e o fosso entre sectores aumenta.

Após a linha avançada ser batida na pressão inicial, a qual é exercida sem a cumplicidade dos restantes sectores, basta um passe para bater a linha de médios, um passe central para a zona deserta entre estes e os defesas. Sem apoio próximo e sem exercer pressão, o último sector defensivo vai recuando em contenção, aumentando o fosso entre sectores, e permitindo que os avançados adversários se aproximem quase sem oposição da nossa área, imediatamente farejando as zonas de finalização.

Ao defendemos com muitos mas com os blocos tão distantes, em contenção sem pressão e recuando à necessidade de se defender sobrelotando as zonas de finalização, evidencia-se a ausência da intensidade de treino.

O que vamos sabendo e aquilo que observamos nos relvados em dia de jogo, mostra-nos uma enorme passividade desta equipa técnica na preparação e condução dos treinos.
Exercícios básicos onde não se explora a capacidade dos jogadores em reagir em espaços curtos, onde não se explora os posicionamentos defensivos e as devidas compensações. O desposicionamento defensivo nas nossas laterais é uma simples consequência de tudo isto.

Com Rui Vitória percebemos um treino descontraído, onde os jogadores formam duas equipas que disputam um jogo-treino sem rigor táctico, sem exigência, sem aquelas constantes interrupções e correcções. Sem intensidade técnica.

E quando o treino colectivo tem estas lacunas o treino individual não tem como ser muito diferente. Se os jogadores não são levados ao limite, não são moldados. Não são pressionados a evoluir.

Nestes quase 3 anos e meio de Benfica é raro o jogador no qual vemos o dedo de Rui Vitória.
Há o lançamento de vários jogadores da Formação do clube mas pouca evolução. Os miúdos crescem aquilo que os minutos de jogos os obrigam, melhoram mas não se desenvolvem. No que respeita às dezenas de jogadores contratados em nenhum vimos o seu potencial ser aproveitado e exponenciado. Os jogadores não evoluem nas suas capacidades nem se afirmam para voos superiores.

Em mais de 3 anos só conto 4 jogadores a contrariar este desperdício: Ederson, Semedo, Lindelof e Guedes.
Ainda assim só o Semedo me parece ter evoluído no treino deste treinador.

É muito muito pouco. 
Temos um poço de talento desejoso de ser lapidado para o estrelato mas correntemente estagnado no tempo.

Por fim temos a questão da escolha dos jogadores - Convocatória, titulares e substituições.

Um treinador deve optar pelos jogadores consoante uma conjugação da sua ideia de jogo com os desempenhos destes.

Esta não será uma análise segundo às minhas preferências. Assim não irei abordar a qualidade das escolhas mas sim a sua incoerências.

Rui Vitória fomenta um inexplicável carrossel da titularidade à bancada.
Tem sido frequente ver um jogador ser aposta e imediatamente deixar de o ser. Entra, não brilha e fica fora das próximas opções. Isto evidencia uma aposta não sustentada nas características do jogador nem naquilo que o treinador idealiza para a equipa.
E enquanto temos jogadores que não têm a oportunidade da continuidade, temos outros que se mantém na titularidade indiferentes às suas prestações. A uns exige-se o brilho no curto período que lhes é concedido, a outro exige-se que estejam simplesmente presentes.

É de louvar o lançamento de miúdos da formação. E nos primeiros tempos era de elogiar o modo como gerias as suas exibições e afirmações. Não poucas vezes vimos um suplente ser chamado, corresponder e manter a confiança do treinador mesmo depois do anterior titular ter recuperado. Aqui fomentava um espirito de grupo muito forte com um grande sentido de competitividade entre os jogadores. Qualquer membro do plantel sabia que dependeria só de si fazer futuras oportunidades valerem a pena. Uma equipa onde imprescindíveis eram aqueles que rendiam. Outros tempos.

Neste contexto de convocatórias considero que o mais criticável em Rui Vitória é quando notamos que as suas indecisões de escolha variam com os resultados e não com as características dos jogadores. A escolha do 11 não é muitas vezes desconexa daquilo que pede aos jogadores. Que estilo de avançado é mais favorável ao treinador? E de médios? E de guarda-redes? Com Rui Vitória a resposta parece sempre depender dos nomes presentes em momentos de vitória. 

E nada muda quando abordamos o seu papel no momento das substituições. Mais uma vez roçamos o termo "banalidade".

O que esperamos de um técnico no decorrer de uma partida? Alguém que leia o jogo e que mexa neste consoante aquilo que deseja a cada momento da sua progressão.
O treinador Rui Vitória parece abdicar do rasgo técnico-táctico, da iluminação, da abordagem e reacção a um momento especifico do jogo. Não o vemos agarrar o jogo e modificá-lo à sua vontade, contrariando ou reforçando a sua tendência.

O que vemos? Um conjunto de soluções previamente concebidas nos minutos previamente definidos.
Se a equipa tem de marcar faz substituições linearmente ofensivas. Se a equipa tem de defender então faz substituições linearmente defensivas. Se for para manter a toada então faz a chamada troca "jogador por jogador".
Com resultados negativos é aberrante a forma como perde o controlo do jogo por decidir encher o relvado de avançados.

Esta é a minha análise geral ao trabalho do Rui Vitória. E é nela que entendo o que constantemente vemos em campo. Muito além da escolha do 11 titular e da entrega e determinação dos jogadores.

É a vertente técnica do técnico Rui Vitória que me faz tremer sempre que marcamos um golo. Ao longo de 3 anos e meio já é habitual vermos um Benfica a entrar em força nos jogos, para cima do adversário, a tentar cheio de moral chegar ao golo. Mas isto aparenta surgir sempre da superior qualidade dos jogadores e da força da camisola que envergam.

Um "Vamos para cima deles" que se vai esvaziando com os minutos. E logo vemos os adversários assentar o seu jogo colocando em cheque todas as nossas fragilidades.
É recorrente vermos esse esforço inicial esvaziar-se assim que conseguimos um golo. O alivio da vantagem expõe-nos ao adversário como um reflexo de um modelo de jogo muito pautado pela emoção.

Rui Vitória é um treinador que não evolui e não faz evoluir. É um treinador que não acrescenta à voz do benfiquismo. É um treinador de fracas ideias e metodologias.

Para os voos que o clube ambiciona, para a exigência de um futebol dominador, elegante e criativo que tem de existir neste nosso Benfica, é claramente um treinador insuficiente.

Um treinador Insuficiente. 


Quando tudo o resto falha, Jonizzi não.


domingo, 11 de novembro de 2018

CARTA ABERTA A JOSÉ MANUEL ANTUNES, O VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO




"Mas que, de facto, não é um acto de benfiquismo, não é. (...) nunca me passou pela cabeça vir para aqui com lenços brancos à espera de que o Benfica não ganhe. Essas pessoas estiveram frustradas à espera que o Benfica falhasse aquele golo. Quer dizer, ficaram felizes quando o Benfica não marcou aquele golo. E isso... não são benfiquistas, são sei lá o quê. Quase agentes dos inimigos do crime infiltrado aqui na nossa casa e eu vou combatê-los um a um."

Caro José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, antes de seguir directamente para a triste figura que fez em directo na BTV, permita-me que lhe diga o seguinte: em 33 anos de Estádio da Luz nunca assobiei um jogador do Benfica nem acenei com lenços, lençóis, papelinhos brancos a nenhum treinador do Benfica. Não o fiz porque, independentemente de gostar ou não do Presidente ou treinador (e confie em mim: luto há mais de uma década contra o único Presidente ilegítimo da História do Benfica), não vejo qualquer vantagem nisso. Os meus lenços brancos ao treinador têm sido, durante estes três anos e meio, expor, em texto e vídeos, o seu futebol medíocre, que envergonha os benfiquistas e os faz não querer voltar à Luz. Porque é isso que este treinador está a fazer aos benfiquistas: está a matar-lhes o gozo e a alegria de ver o Benfica ao vivo. Com um plantel recheado de craques - o melhor plantel do Campeonato -, Rui Vitória consegue o feito notável de os colocar a jogar pior do que quase todas as outras equipas. De facto, se fosse fácil não seria para ele.

Mas, José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, repare agora na seguinte frase: por eu não assobiar jogadores nem acenar lenços brancos aos treinadores não significa que eu não compreenda quem os faz. Basta sair de mim e tentar ver o outro; basta usar o cérebro e o coração - dois órgãos que dentro de si, José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, parecem ter graves problemas de funcionamento. Sigamos então directamente para as suas frases acéfalas e desprovidas de amor benfiquista porque tremendamente insultuosas e boçais:


"Mas que, de facto, não é um acto de benfiquismo, não é. (...) nunca me passou pela cabeça vir para aqui com lenços brancos à espera de que o Benfica não ganhe"

Aqui, o José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, consegue o pleno da falta de educação, da ausência de civilidade benfiquista e do atraso cognitivo:

1) põe em causa o benfiquismo dos benfiquistas que vão ao Estádio, pagam quotas, fazem milhares de quilómetros, sofrem pelo Benfica, pagam a BTV para verem o José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, insultá-los e dizer-lhes em directo na BTV que eles não são benfiquistas;

2) como nunca "passou pela cabeça" do José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, fazer uma coisa, o José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, sente que tem o direito de insultar quem queira fazer essa mesma coisa. É como se, sei lá, por nunca ter passado pela cabeça aos benfiquistas insultados em directo na BTV por José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, apoiarem e serem VICE-PRESIDENTES DE VALE E AZEVEDO, os benfiquistas insultados em directo na BTV por José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, achassem que tinham direito a ir à BTV insultar José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO. É como se, imagine, eu lhe dissesse que, por ter apoiado e sido VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, o José Manuel Antunes não é benfiquista e é um dos piores inimigos do Benfica de toda a História Gloriosa. Imagino que esta também ainda "não passou pela cabeça" do José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO.

3) o José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, faz uma relação directa entre "vir para aqui com lenços brancos" e "à espera de que o Benfica não ganhe". Tal grunhice só pode advir de má-fé ou de extrema oligofrenia: como é evidente, um benfiquista vai para o Estádio da Luz para ver a sua equipa ganhar; não ganhando, e tendo o benfiquista razões de sobra para protestar contra o futebol-chouriço de Rui Vitória, digno do pior INATEL que se possa imaginar, o benfiquista saca do lencinho branco porque, apesar do que quer o José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, o benfiquista ainda tem direito a ter opinião sobre o que se passa no clube. Nesta lógica bronca do José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, diríamos que o José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, “veio para aqui” há 20 anos apoiar e ser VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO “à espera de quê o Benfica não ganhe”.

“Essas pessoas estiveram frustradas à espera que o Benfica falhasse aquele golo. Quer dizer, ficaram felizes quando o Benfica não marcou aquele golo. E isso... não são benfiquistas, são sei lá o quê.”

Não satisfeito com os insultos grunhos com que presenteou todos os benfiquistas que mostraram lenços brancos ao treinador – e não, não foram “meia dúzia”, foram milhares de benfiquistas espalhados por todos os sectores do Estádio – o José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, decidiu reforçar a ofensa, passando de “estavam à espera que o Benfica falhasse” para “frustrados e felizes quando o Benfica não marcou aquele golo”. Achar que houve um benfiquista no Estádio feliz com o golo falhado é mau; achar que milhares de benfiquistas no Estádio ficaram felizes com o golo falhado é péssimo; dizer em directo na BTV que estes milhares de benfiquistas querem mal ao Benfica e que ficam felizes com o insucesso do Benfica é um acto tão absolutamente sacana que só tem paralelo com o acto de apoiar e ser VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO.

Ao contrário de José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, estes benfiquistas, insultados em directo na BTV por José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, não têm direito a aparecer na BTV a falar no clube, não têm direito a ver o jogo na Bancada Presidencial, não têm direito a promover a sua empresa de viagens em programas da BTV. Ao contrário de José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, quando o jogo acaba, estes benfiquistas não saem do Estádio por zonas privilegiadas nem podem comer canapés e beber conhaque em camarotes repletos de adeptos de outros clubes, alguns verdadeiramente inimigos do Benfica.

Os benfiquistas insultados em directo na BTV por José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, quando o jogo acaba, geralmente têm de ir a correr à chuva para os autocarros que os levarão durante horas e centenas de quilómetros até às suas casas no Algarve, no Alentejo, no Minho, em Trás – os – Montes,  nas Beiras, para chegarem já de madrugada e pouco depois acordarem para mais um dia de trabalho. Estes benfiquistas gastam o que têm e o que não têm para apoiar o Benfica, para verem o Benfica ao vivo, para poderem festejar golos do Benfica. Estes benfiquistas não ficam felizes com o insucesso do Benfica e o mínimo que se exige a quem tem o privilégio de aparecer na televisão do clube é que os respeitem e não, como fez José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, os insultem nem lhes digam que eles não são benfiquistas. É que, ao contrário de José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, estes benfiquistas não são responsáveis pelos negros anos 90 em que um Glorioso Clube foi afundado quase até à extinção por uma corja de aldrabões, incompetentes e lambe-cus da qual fez parte José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO.

“Quase agentes dos inimigos do crime infiltrado aqui na nossa casa e eu vou combatê-los um a um."

“Agentes dos inimigos do crime infiltrado” são todos aqueles que Vieira colocou dentro da estrutura do clube – portistas, sportinguistas, boavisteiros; são todos os que, como José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, apoiam um Presidente  ex-amigo de Pinto da Costa, um Presidente que apoiou inequivocamente duas vezes Fernando “Facturas do Apito Dourado” Gomes para a Liga e para a Federação, um Presidente que mantém uma relação promíscua com  Joaquim Oliveira, um Presidente que vê as contas chumbadas em 2012 e, contra os estatutos do Benfica, nem sequer agenda uma Segunda Assembleia, um Presidente que insulta os benfiquistas nas Assembleias-Gerais, um Presidente que descaradamente mente aos benfiquistas em todas as entrevistas, um Presidente que promove uma perseguição aos benfiquistas na televisão e no jornal do clube, um Presidente que só se rodeia de croqueteiros, sem-espinha, lambe-cus, que vão para a BTV dizer que os adeptos e sócios do Benfica fica  felizes quando um jogador do Benfica falha um golo no último minuto.

Caro José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO e um dos principais responsáveis pela quase extinção do Glorioso Sport Lisboa e Benfica, eu e todos os que fazem parte deste blogue que há mais de 10 anos defende o clube do charco em que puseram o Benfica, aqui lhe garantimos que vos vamos combater, um a um, croquete a croquete, lambe-cus a lambe-cus, invertebrado a invertebrado, até não restar um que se ache no ignominioso direito de insultar outros benfiquistas na televisão do clube.

Caro José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, quando o Benfica voltar finalmente a ser um clube livre, democrático e universal, nenhum benfiquista, nem o José Manuel Antunes, VICE-PRESIDENTE DE VALE E AZEVEDO, alguma vez voltará a ser insultado, humilhado e desprezado na BTV. Do alto do 4°Anel, Cosme Damião viu este vídeo e chorou de vergonha.



sábado, 10 de novembro de 2018

O meu melhor 11 de sempre (que vi jogar)


Michel
Veloso, Mozer, Ricardo, Schwarz
Paulo Sousa
Paneira, Rui Costa, Chalana
João Pinto, Jonas

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O Túnel da Luz


Não sei o que é, ao certo; se o crescendo

"Sou dooooo Beeenfiiiiica"

se é o orgulho que aquela voz transporta, como que carregando nas sílabas todos os momentos gloriosos que este clube viveu

"e iiiiiiiiiiisso m´envaideeeece"

ou talvez a voz radiofónica dos grandes tenores do século passado misturada com as acentuações perfeitas em português-veludo das personagens dos filmes a preto e branco de filmes de Leitão de Barros, Perdigão Queiroga ou Arthur Duarte

"tenho aaaaaaaaaaa geniiiiica que a qualquer engrandeeeeeeeeeeeece"

parece que vejo a casa da minha avó, a sala ampla, portadas para a luz branca-transparente das paredes solares do Alentejo, na mesa um bordado minucioso, fotografias gastas, um terço, um rosário e o barbudo-mártir ao lado dos pratinhos de pássaros, de mãos e braços abertos para a eternidade. As asas de anjinhos de loiça querendo voar sobre os livros e algo ou alguém, de dentro das histórias fechadas em lombadas a couro vermelho e letras a ouro, que sai e anuncia

"Sooooou de um cluuuuube lutadoooooooooooooooor"

e parece que vejo a sala, depois a casa toda, a rua, a vila e todas as salas, ruas e vilas encostadas de ouvidos à escuta junto à telefonia, enquanto Artur Agostinho canta "É goooooooooooooolo do Benfica, é gooooooooooooolo de Eusébio" e os pássaros dos pratos aterram nos ombros de famílias inteiras em silêncio, escutando golos e passes e defesas, imaginando os lances, criando novos movimentos, inventando as cores que não vêem nos botões do aparelho que lhes sopra que o Benfica está a voar sobre o Real Madrid, que é Cavém, Coluna, de novo para Cavém, abre para Águas, levanta de primeira para a área, Eusébio amortece, remate de Cavém, golo

"que na luuuuta com fervoooooooooooooooooooooooooor nuuuuuuuuuuuunca encontrou rrrrrrrivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal"

e o país explode vindo de um soturno silêncio de damas-de-companhia, medos, fomes, gabardinas e chapéus nos balcões dos cafés, para um grito que faz levantar as saias da donzela tímida que esperava o seu prometido no banco de jardim, que faz ouvir a voz daquele velho sisudo que não dava palavras ao mundo, faz abrir de alegria a cara do pai-de-família que, todo metido no ar, prometeu bebidas, comidas e o que se quisesse a metade do povo que se abraçava, se beijava, se aleijava, se atirava contra as amarguras do tempo enquanto as portas se partiam, mesas eram mergulhadas na intempérie de pernas, braços, cabeças, gente aos pulos, gente aos gritos, gente aos beijos, o padeiro a agarrar na jarra de flores e a levantá-la no ar, em gesto de vitória: "é nossa", e as crianças, espantadas, aos gritos histéricos, a mãe "cuidado com o deus-menino" e o deus-menino estatelado no soalho, embebido em aguardente e ferido de morte pelas vidraças da garrafa, dos copos, das loiças, pés atrás de pés, espezinhado o filho de Nosso Senhor e, na parede, o barbudo parecendo rir de sangue

"neeeeeeste nooooooooooooooosso Poooooooooooooooooooortugaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal"

não posso dizer, não sei dizer, o que é, que me faz levantar no Estádio, emocionar-me, ter amor desta maneira por uma ideia que não tem corpo nem precisa de ter, por um ideal, um voo, um sentimento, uma dor e uma alegria tamanhas sempre que oiço

"Seeeeeeeer Beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeenfiquista"

e transporto dentro de mim todas as memórias misturadas numa só, passado, futuro, presente tudo numa amálgama de tempo em que vejo slides difusos, pequenos momentos, grandes momentos, vêm-me à alma aqueles instantes e o Estádio, aquele ecoar do golo que parecia que começava por debaixo da relva e ia espraiando a voz, subindo lentamente pelas escadas e pelos corpos das pessoas, era um língua de som que, quando a bola tocava as redes, nos afundava como onda, goooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooolo e nós morríamos uns nos outros, engalfinhávamo-nos uns nos outros, já sem saber se as pernas e os braços eram nossos ou dos outros, uma massa compacta de gente e cachecóis, bandeiras, chapéus, camisolas, sapatos, fumo, papelinhos e o ritmo que subia, pulsava, o chão tremia, o ar vibrava e começava a dança

"é ter na aaaaalma a chama imensa, que nos conquiiiiiiiiista e leva a palma à luz inteeeeeeensa"

e o Sol vinha mesmo, risonho, beijar-nos, em tardes que pareciam infinitas, tardes que amoleciam o betão e se prolongavam para lá do possível

"com orgulho muito seeeeeeeeu, as camisolas berrantes, que nos campos a vibraaaaaaaaaaaaaaaaaaar"

e os velhos lembravam-se de ter erguido com as mãos as vitórias e o Estádio, os novos ouviam e queriam fazer parte, os Pais levantavam os filhos, mostravam-lhes o que era aquilo, queriam-nos ali para toda a vida, e os filhos mostravam orgulho e gratidão por poderem vibrar, e pais, filhos, avôs, netos, estranhos, conhecidos, amigos, amantes, namorados olhavam-se dentro do golo e cantavam

"são papooooooilas saaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaltitanteeeeees"

e então calava-se tudo um instante, um pequeno instante em que 120.000 pessoas não faziam um único ruído, jogadores e adeptos numa espécie de comunhão do silêncio, os holofotes como templos antigos, os placards electrónicos gigantes anunciavam 00:00, cheirava a relva e a terra molhadas, a fumos inebriantes, sentia-se um pulsar que era a própria respiração do Estádio, tum tum tum tum tum tum, e era de dentro dele, por osmose do betão para os pés, depois pelo corpo, até ao céu, que se iniciava o estrondo da batucada

"Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica!"


domingo, 4 de novembro de 2018

A dita Estrutura



Foi mais ou menos há 3 anos e meio que a palavra "Estrutura" entrou no léxico benfiquista.
Nunca entendi muito bem a sua essência.

Na altura pareceu ser o resultado de uma luta de egos entre treinador e Direcção. 
A um era atribuído todo o mérito de um bi-campeonato enquanto os outros também queriam propaganda.

"Não é o treinador que ganha títulos, é a estrutura."

O mundo do Futebol é um mundo de extremos - ou estamos no topo ou na miséria.

E o ciclo de Jorge Jesus no Benfica também viveu desses extremos. O Benfica de Jorge Jesus era isso mesmo, era dele. Tudo rodava consoante as suas vontades. O Benfica era o mundo louco do Jorge Jesus. Ganhava pela sua tenacidade e pela sua loucura. Perdia pela sua teimosia e pela sua loucura.

Os jogadores entravam e saíam consoante os seus humores.
Tudo era decidido pelo próprio. Foi-lhe dada carta branca e total liberdade.

Jorge Jesus tinha a sua própria comunicação. Jorge Jesus tinha os seus próprios comportamentos. Era tudo dele. Ou pelo menos era segundo esta premissa que ele agia.

Mas sabemos o quanto o actual presidente do Benfica precisa alimentar a sua epopeia enquanto salvador do Benfica.

E assim nasceu a disputa pelo protagonismo – Treinador vs Estrutura.

Sou totalmente a favor de uma metodologia à inglesa do treinador enquanto Manager.
O treinador cria, alimenta e alimenta-se da estrutura. Está envolvido como líder em cada processo do dia a dia do clube. E porquê? Porque este é cérebro futebolístico da estrutura, do clube.

Vejo Jorge Jesus com competências para ser um Manager? Claro que não. É um bicho do treino que não consegue ser limitado às ideias e decisões de outros mas não tem competências além treino.

No pós Jorge Jesus o Futebol passou a ser liderado e conduzido por uma Estrutura já implementada e na qual um treinador estaria limitado ao seu papel integrado nesta.

Passou assim a ser a estrutura, aquele Ser que está 10 anos à frente de qualquer rival, que iria gerir todo o futebol do clube.

O treinador não passaria de um mero funcionário, sem voz e com directrizes a seguir.
Passa a ser somente responsável por treinar e gerir os jogos. Tem de respeitar a rota traçada pela dita Estrutura. Há jogadores que tem de lançar. Há jogadores nos quais tem de insistir. Há jogadores que tem de encostar. Há uma Comunicação que tem e seguir. Há uma gestão de compras e vendas que tem de respeitar.

Tudo funciona sem o seu input. Porque há uma Estrutura que já definiu tudo e que toma todas as decisões.
Os sucessos são da dita Estrutura. Os insucessos... a Estrutura não está estruturada para responder por estes.

Que treinador aceita trabalhar nestas condições? Que treinador aceita ser só uma figura dentro de uma enorme Estrutura?
Aqueles que têm consciência que estão a competir em um nível muito superior à sua capacidade. Ou então aqueles que não têm estofo para se imporem.

Reflito sobre como esta Estrutura surgiu e como pretende funcionar mas continuo sem a entender num contexto futebolístico. Só vejo cimento, departamento de comunicação, scouting e dirigismo. E conhecimento do jogo jogado?

A dita Estrutura não deveria ser gerida por gente do Futebol? Não deveria haver um core futebolístico à volta do qual toda a Estrutura funcionasse?

É isso que não percebo na dita Estrutura.

Já que nos é vendida a sua existência como algo que guia o clube 10 anos à frente de qualquer outro, o que eu gostaria de lá ver era alguém capaz de olhar além do óbvio.
Qualquer adepto, qualquer Calado e qualquer Rui Santos, é capaz de dizer que um treinador é insuficiente quando a equipa se encontra a perder.

A equipa ganha então está tudo bem. A equipa perde então está tudo mal.

O que queria ver no Benfica era alguém capaz de ver as insuficiências de um treinador em pleno treino. Alguém capaz de ver a qualidade do treinador numa maré de derrotas. Alguém capaz de perceber a incompetência de um treinador mesmo numa sequência de vitórias.

Tem de existir na Estrutura tenha Visão para o jogo. Quem reaja, com 6 meses de antecedência, como os adeptos reagiram após o jogo com o Moreirense.

Um treinador não passa de óptimo a péssimo de um jogo para outro. Há um caminho que é percorrido jornada após jornada, treino após treino.E este caminho, este trabalho, não parece ser criticamente acompanhado e avaliado pela dita Estrutura.

Olhamos para o nosso Benfica. Todos conhecemos o nosso clube e como este é gerido. Há anos que o observamos. Há anos que o vivemos.

Se o Rui Vitória tem um papel menor na Estrutura, se o Nuno Gomes foi corrido, se o Rui Costa é pouco mais que uma mascote do presidente paga a peso de ouro, quem é que ali analisa o trabalho diário da equipa principal? Quem é que ali analisa o que de 3 em 3 dias se desenvolve nos relvados nacionais e internacionais?

É o Vieira? Um presidente que nunca percebeu nada de bola?
É o Domingos Soares de Oliveira?
É o José Eduardo Moniz?
É o Nuno Gaioso?
É o Silvio Cervan?
É o Paulo Gonçalves?
O Jorge Mendes?
O Luís Bernardo?
O Tiago Tacho Pinto?
Os cartilheiros Guerras, Boaventuras, Marinhos e afins?

Alguém que por favor me explique esta Estrutura. Por mais voltas que dê não vejo nela mais que uma ideologia forçada em resposta à omnipotência do anterior treinador.

Nela não vejo mais que uma forma enviesada dos méritos serem conduzidos à imagem do presidente.

Porque de futebol ali dentro? Estamos demasiado carentes. 


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Unidos pelo Benfica


Há por aí uma grande confusão (quando não é pior) em relação ao que deve um sócio do Benfica fazer para proteger o clube. Sem grande aviso, nasceu essa curiosa teoria de que "independentemente do que Vieira tiver feito, agora temos é de estar unidos contra os outros!". Assim mesmo, à Porto do Apito Dourado.

Segundo estes doutos sábios, os sócios do Benfica devem retirar cuidadosamente os cérebros de dentro do crânio, colocá-los numa gaveta, fechá-la à chave e depois ir grunhir pela vida, todos muito "unidos". Um pensamento brilhante que infelizmente não existiu aquando da saga Vale e Azevedo. Deveriam os sócios do Benfica ter ficado "muito unidos contra a perseguição ao Presidente" em vez de o terem escorraçado? Fica a pergunta. Pode ser que algum descerebrado vieirista se arrisque a responder. 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Sport Vieira e Benfica

Para a despedida de um jogador com 15 anos de Gloriosa ao peito, um estádio vazio. Nem um único adepto do Sport Lisboa e Benfica na Catedral, nenhum foi convidado. Cadeiras com jogadores, equipa técnica, algumas glórias e os restantes clientes do Sport Vieira e Benfica. Engravatados sorriem, indiferentes, para o discurso do Girafa enquanto espreitam no telemóvel o fecho dos mercados internacionais. Ouve-se um eco pelo Estádio, o eco do silêncio de 65.000 cadeiras vazias.
Luisão merecia um Adeus à Benfica. Em vez disso, teve uma Cerimónia à Vieira.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A PEITADA GLORIOSA


não é para todos. Por isso, com o ideólogo Jonas no banco, João Félix agradece a extraordinária assistência de Pizzi com o movimento tradicional entre o transmontano e o brasileiro.

Jonas, Pizzi e Félix. Os craques reconhecem-se nos ares.


domingo, 9 de setembro de 2018

Comunicação Não Benfiquista - Pontos Marinhos

Na Noite de 4 de Setembro, um dos mais recentes membros da comunicação do nosso clube optou por reagir à acusação do MP ignorando a gravidade da acusação e apontando a supostas dualidades de acção do MP. Infelizmente, quem mais tem responsabilidade em nos informar mais nos tenta distrair. E neste caso em 8 pontos.

Quero, tanto ou mais que José Marinho, que a acusação de Corrupção não tenha cabimento e acabe por cair. Agora, peço é que quem trabalha na comunicação do meu clube seja honesto principalmente depois de começar uma frase com "É bom que as pessoas saibam, finalmente, do que estamos a falar." É que depois de uma afirmação destas todos ficamos à espera de um esclarecimento com informação fidedigna. Mas insistem em mentir aos benfiquistas.

Caraças, num processo no qual somos inocentes, no qual a SAD é inocente, no qual os nossos dirigentes são inocentes, no qual há uma evidente perseguição ao Benfica, qual a necessidade da comunicação do nosso clube em nos mentir e servir factos falsos e/ou irrelevantes? O foco não é defender o Benfica, não é dizer o porquê de ser um erro termos sido constituídos arguidos. O foco é direccionar a opinião pública benfiquista para assunto dos clubes rivais. Estes José Marinhos fazem de nós tão pequenos e irrelevantes. Porque não nos serve esta gente informação verdadeira e fidedigna?

Diz-nos José Marinho no ponto 3:

"nem se deu ao trabalho de fazer as obrigatórias notificações antes da emissão do comunicado"

Contudo, não havia qualquer obrigatoriedade do MP nos ter notificado antes da emissão do comunicado.

Diz-nos no ponto 6:

"Os casos do julgamento por corrupção de Pinto da Costa, em relação ao árbitro Augusto Duarte, nunca a SAD do FC Porto foi constituida arguida."

Esqueceu-se José Marinho de se recordar que só a partir de 2007 passou a estar previsto na lei a constituição das pessoas colectivas como arguidas.

"No caso do depósito de um vice-presidente do Sporting na conta de um árbitro, nunca a SAD do Sporting foi constituida arguida."

Esqueceu-se de referir que este vice-presidente era do clube e não da SAD e que, ao contrário do que acontece no E-Toupeira, não foram encontrados indícios de conhecimento ou participação da SAD nos actos criminosos em questão.

"No caso mais recente de corrupção assumida por um dos seus protagonistas, a que deram o nome de Cashball, nunca a SAD do Sporting foi constituida arguida."

O Sr. José Marinho sabe que a SAD do Benfica só foi constituída arguida poucos dias antes da acusação, portanto no final da fase de inquérito. Assim, tanto a SAD do Sporting não foi constituída arguida no inicio do processo como a do Benfica também não o foi. Uma igualdade que este comunicador tenta fazer passar como uma dualidade.

"Porquê esta diferença de tratamento em relação ao Benfica?"

Há diferença de tratamento em relação ao Benfica? Até pode haver. Vamos acreditar que sim. Mas havendo então que pessoas como o José Marinho a demonstrem.

Este exercício do José Marinho é motivo de preocupação para o universo Benfica. Acreditando na inocência do nosso clube e dirigentes e acreditando numa perseguição da Justiça ao Benfica, seria de esperar que os José Marinhos nos falassem sobre essa inocência e perseguição. Mas não o fazem. Colocam tudo em causa mas na hora de argumentarem só sabem atirar para o Porto e Sporting e ainda por cima com factos falaciosos e facilmente desmontáveis. É esta a melhor defesa do nosso clube?

Diz-nos no ponto 7:

"É bom que as pessoas saibam, finalmente, do que estamos a falar. De um funcionário com carreira no sistema de Justiça e que, pelos vistos, se deixou corromper por duas camisolas e bilhetes para seis jogos."

O Sr. José Marinho sabe bem que infelizmente o que está sob investigação são essas e outras recompensas/ofertas. O Sr. José Marinho sabe bem que também não se está só a investigar um único agente supostamente corrompido. Infelizmente, a defesa pública do nosso clube é feita por cartilha e com o intuíto de desviar a atenção e enganar os benfiquistas.

Este Josés Marinho está a fazer um horrível serviço de defesa do Benfica e dos benfiquistas. Que todos os likes e shares que vai conseguindo o satisfaçam.