quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Propaganda populista desorienta os que não querem ver

Antes de mais nada, desde a eliminação das competições europeias, quantas capas com o presidente do Benfica foram feitas?

Coincidência talvez.

Agora ao tema do dia.

Luís Filipe Vieira voltou a afirmar a aposta na formação. Desta vez é para começar em 2014-2015. Lembro-me do tempo em que estas datas tinham um 0 no lugar do 1.
Esta declaração não é novidade nenhuma e o mais interessante aqui é tentar perceber como é que uma notícia tão banal continua a fazer capas de jornais.

Ainda há os que acreditam nestas baboseiras populistas. Também há os que sabendo que isto é tudo palha dedicam-se a discutir e argumentar sobre assuntos ao lado.

A ver se nos entendemos.

O investimento financeiro na formação tem sido enorme. Ninguém diz o contrário.

O Caixa Futebol Campus tem todas as condições para os jovens trabalharem e evoluírem. As infra-estruturas são excelentes e há muita qualidade a ser lá trabalhada.

Os escalões de formação estão a trabalhar muito melhor que há uns anos. Os resultados nas competições de formação têm sido bastante positivos.

Não tenho qualquer dúvida que neste aspecto estão criadas todas as condições para se apostar na formação enquanto fornecedora do plantel principal. Basta ter as pessoas certas à frente do futebol do clube.

Considero que há 3 questões que devem ser colocadas sobre este projecto do Seixal: A realidade financeira do Benfica e do país aconselha a tanto investimento em infra-estruturas? Faz sentido tamanhos custos numa formação na qual não se aposta? A filosofia “Formar a vencer” será a mais adequada?

Mas estas são questões para outra oportunidade.

Todo o dilema de hoje não tem a ver com a formação, não tem a ver com o Seixal e não tem a ver com a aposta na formação. Hoje é sobre as palavras do presidente do Benfica.

A maioria dos adeptos gostava de ver mais formação na equipa A. Outros não dão importância a isso.
O Sporting tem essa cultura de aposta na formação. O Porto não tem. Cada clube tem a sua identidade e cada um segue o caminho que considera mais benéfico para si.
Então e o Benfica. Este Benfica não tem cultura de formação mas diz que tem.
E é esta a questão. Se não é para apostar na formação então não se aposta, se é para apostar então aposta-se. Não faz qualquer sentido andar a dizer uma coisa e a fazer outra.
Isso é só propaganda, um desviar das atenções e uma recolha de apoios.

Gosto pouco de mentiras. Gosto pouco que me atirem areia para os olhos. Não percebo como há tanta gente que vive bem com isso e ainda bata palmas.

E depois há aqueles que perante uma critica a estas mentiras respondem com “Mas acham que se pode ser campeão com um 11 todo da formação?”

Que raio tem isso a ver com a conversa?

E, defendendo uma aposta na formação não afirmo que temos de começar a jogar com um 11 da formação. Ninguém diz isso. Um titular? 3 suplentes? 3 reservas? É preciso começar por algum lado.
Todos os anos contratamos jogadores sem qualquer valor para o Benfica. Porque não usar essas vagas para incorporar os miúdos na luta?

O problema da ausência de formação no Benfica não é só directivo nem técnico. Os sócios também têm culpa.
Um estrangeiro com um nome estranho gera uma maior crença e paciência aos adeptos do que um Carlos Sousa desta vida. Para uns há a mentalidade “Precisa de tempo, precisa de adaptação, precisa de apoio”, para outros há a exigência de mostrar tudo em 5 minutos.
Esta responsabilidade extra afecta os miúdos. Vejam só os disparates que o Bernardo Silva fez na pré-época.

Um miúdo aos 18 anos continua a necessitar de ser formado. Se no Benfica desistimos de os formar estamos à espera de quê? Aparece uma estagnação no desenvolvimento do jogador e a confiança é afectada.
Os jogadores não precisam ser Cristianos Ronaldos para se acreditar neles.

É fácil enumerar os jogadores que não foram parar a nenhum colosso europeu. E ainda é mais fácil ignorar que esses foram apresentados como o futuro mentiroso do Benfica. E ainda é mais fácil ignorar que esses depois dos 18 anos foram esquecidos pelo clube que os “devia” ajudar.

Um jovem de 19 anos. Inexperiente. Muito potencial para explorar e evoluir. No seu clube acreditam nele e há qualidade nos treinos para evoluir e espaço para ir crescendo aos poucos. Emprestado a um clube que joga com a corda no pescoço para não descer, será que tem estas condições? Será que um treinador irá apostar numa qualidade mediana mas segura ou num talento em potência que acarreta maior risco?

A aposta na formação é uma actividade complexa. Ou se acredita nesta e nos jovens ou então não se está disposto a tal aposta e admite-se isso.

Num Benfica com um presidente que de futebol só percebe de propaganda de egos e com um treinador que, com todas as suas virtudes e defeitos, não tem qualquer interesse em apostar na formação, esta é para esquecer.

As palavras do presidente são para surdo ouvir e tolo acreditar.
No fundo talvez, apesar da ideia ser mentirosa, o conteúdo seja verdadeiro.
No próximo ano com um P.Lopes/Varela como terceira opção para a baliza, Sílvio e Amorim mais tempo lesionados do que a jogar, um Nélson Oliveira a servir de suplente do suplente e o Lindelof a fazer o papel do Steven… teremos os 5 da formação no plantel.

2 comentários:

moleculasdeamor disse...

Excelente artigo!!!

Michael Krueger disse...

Concordo em 100%.
A aposta na formação é a maior mentira do Vieira.
Há bons valores que já podiam estar na equipa A há muito:
Lindelof, Ruben Pinto e Nelson Oliveira já mereciam jogar mais vezes na equipa A.
Mas é uma teoria rota com este presidente e treinador.

Fala-se que Jesus pode ser o Ferguson do Benfica, mas esquecem-se é que Ferguson não teve medo em apostar em Giggs, irmãos Neville, Beckham, Scholes, Nicky Butt e outros mais, mesmo com todos contra, e revolucionou o futebol inglês e mundial.

Em quem é que Jesus apostou mesmo no tempo que está no Benfica?
- Roderick, o que mais oportunidades teve e menos mostrou era um querido para o Jesus. Fora do clube atualmente.
- Miguel Vitor, o Roderick era melhor segundo os “especialistas” e foi escorraçado do clube.
-Nelson Oliveira, sem cabeça e sem rumo, tem esta época a derradeira oportunidade.
-Ivan Cavaleiro, quando esteve à rasca o ano passado pô-lo a jogar, depois foi embora.
- André Gomes, também por necessidade o chamou há duas épocas, na época passada quase não jogava, depois foi vendido e só a partir daí é que tornou a jogar.
- Oblak foi por azar de Artur, se não ainda hoje andava a treinar no Seixal sem ser aposta.

Os putos que fez campeões o ano passado (Lindelof incluído), nenhum faz parte do plantel e nem sequer tiveram assim tantas oportunidades como o… Jara.

Só falo dos que são formados desde os 15 anos aos 18 (data limite para cumprir os 3 anos que a UEFA exige para um jogador ser considerado formado no clube). Di Maria, Fábio Coentrão e outros mais não são considerados nestas contas.

Obrigado e Saudações!