terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um plantel fraco que não é assim tão fraco

Há seis anos, com um plantel que em qualidade era relativamente semelhante ao actual, Quique Flores passou a época natalícia isolado no primeiro lugar do campeonato, sem derrotas. A equipa jogava um futebol pouco apelativo, o adversário mais directo tinha um plantel claramente superior e o Benfica já tinha sido eliminado da Taça de Portugal e até mesmo das provas europeias.

Seis anos depois, o sentimento é semelhante: a menos que os astros se alinhem ou continuem alinhados, a probabilidade de isto correr mal é gigantesca. Se em 2008/2009 houve um misto de arbitragens e de incompetência própria que nos fez perder pontos, este ano não nos podemos queixar de árbitros. Contudo, a continuar esta vaga de lesões, a existir um dia "menos bom" de um árbitro ou fiscal-de-linha ou quando a sorte (que temos tido e não é assim tão pouca) acabar, o rumo dos acontecimentos pode tomar outra rota.

Muito do pouco que se tem jogado este ano deve-se à qualidade do plantel, não tenhamos dúvidas. Os jogadores que substituíram os habituais titulares da época anterior não têm (uns mais que outros) a mesma qualidade dos seus antecessores. E mesmo os que ficaram exibem hoje uma qualidade individual inferior à da temporada transacta, prova provada de que no meio dos bons se tornam melhores. Contudo, não participo no atestado de incompetência total que tem sido passado por alguns adeptos do Benfica (ou de Jesus, às vezes não sei bem…).

É que parecendo que não, apostar nos melhores jogadores ou naqueles que têm mostrado mais sinais de qualidade e de poderem corresponder em vez de preferir sistematicamente os mesmos 15 ou 16 atletas independentemente do que [não] estão a render, pode ser uma boa ideia. A ser verdade o que vem hoje na capa do Record (e, acreditem, tem lá boa parte da verdade), Jesus e Vieira não poderão queixar-se da sorte ou do azar, mas sim da incompetência própria e de terem mandado embora alguns jogadores que poderiam dar mais à equipa que outros jogadores mais utilizados têm dado.

Em 2006/2007, com a venda de Ricardo Rocha e a saída de Alcides em Janeiro, o Benfica viu-se a braços com um conjunto de lesões no eixo da defesa no último terço do campeonato (além da birra de Anderson) que nos custou o título. Em 2011/2012, dois génios acharam que seria boa ideia emprestar Rúben Amorim e Enzo Pérez, enfraquecendo significativamente o meio-campo, e fazendo que com o Benfica desperdiçasse 5 pontos de vantagem sobre o Porto devido à ausência de alternativas para fazer uma rotação de qualidade no meio-campo. Eu já vi o Benfica perder dois campeonatos por erros cometidos no mercado de Janeiro. Não queiram cometer os mesmos erros do passado. Até porque à terceira vez já nem se chama erro. Chama-se negligência.

1 comentário:

moleculasdeamor disse...

parece-me que o Enzo "vai forçar" a saída e LFV coitadito (no entanto de um ponto de vista financeiro é um bom negócio - assim no vazio quero dizer...), mas olha, como não temos problemas de tesouraria nem similares (segundo LFV e seus administradores) vamos de certeza buscar 2 ou 3 jogadores de nomeada... e isso até pode ser muito bom... observas ironia?, observas bem :)