quinta-feira, 15 de maio de 2014

(Mais um) Quase…



Um ano depois e a história repete-se. Trabalhamos mais, jogamos melhor mas… Perdemos. Não queria encontrar aqui um padrão, mas fica difícil não pensar assim.

Não acredito em superstições, maldições ou meramente em sorte ou azar. Acredito sim em trabalho e competência. E ontem, tal como já havia acontecido na época passada, fomos incompetentes na hora de decidir, na hora de concretizar, pelo menos, uma das muitas oportunidades de golo que tivemos.

Sim, a equipa de arbitragem negou-nos um penalti claríssimo sobre o Lima (sobre o Gaitan é mais discutível) e foi revoltante verificar a inercia e permissividade na questão do posicionamento de Beto na baliza aquando da marcação das grandes penalidades. Sim, também eles foram incompetentes. E sim, caso não o tivessem sido, talvez o desfecho tivesse sido outro.

No entanto, como já diversas vezes o disse, considero que antes de apontarmos à incompetência alheia, devemos entender a nossa incompetência. Não podemos, nem queremos, controlar erros alheios, mas já podemos e temos de controlar os erros próprios.

Nesse sentido, antes de apontar o dedo à equipa de arbitragem, sacudindo assim a responsabilidade para ombros de terceiros, devemos encarar de frente os nossos erros e responsabilidades nas derrotas.

Mas a nossa incompetência no jogo de ontem, não nasce do aspecto técnico individual ou colectivo. Nasce sim de uma contínua impreparação anímica para os momentos de alta tensão.

Assim de repente lembro-me apenas de 4 jogos desta época em que o Benfica não marcou golos, para além de ontem: Em Paris, frente ao PSG; Na Grécia frente ao Olimpiakos; No Dragão a contar para a Taça da Liga e em Turim frente à Juventus. Destes, 2 ocorreram na fase de grupos da Liga dos Campeões, na pior fase da época da equipa, e os outros dois ocorreram após termos jogado largos minutos com 10. Ou seja, no plano global, somos uma equipa tremendamente concretizadora e que raramente deixa de marcar, mesmo quando não ganha.

Esta estatística serve para ilustrar que a nossa incompetência na finalização no dia de ontem não decorre de incapacidade técnica, antes de incapacidade anímica. Foram incontáveis os lances em que os nossos jogadores pareciam ter medo de assumir uma finalização de forma decidida. A cerimónia em frente à baliza Sevilhana no dia de ontem foi confrangedora e incomum.

E esta incapacidade anímica foi novamente evidente na hora da decisão final, na hora em que ganha a equipa com maior capacidade e estofo para aguentar a pressão do momento. Cardozo e Rodrigo não falharam individualmente, apenas foram o reflexo mais evidente do nervosismo colectivo que afectava a equipa naquele momento.

Depois do jogo começar, Jorge Jesus não tem como fazer os seus jogadores concretizarem melhor, decidirem melhor. O jogo irá reflectir o trabalho diário realizado, ou seja, as movimentações colectivas e a capacidade para a equipa colocar jogadores em zonas de finalização claras. E nesse aspecto, o trabalho foi bem feito. Trabalhamos e criamos muito mais e melhor que os Espanhóis. Porém, a hora da decisão final de uma jogada também reflecte o trabalho anímico desenvolvido, e aqui temos falhado consecutivamente. Sempre que nos colocamos em momentos de decisão em que a pressão é significativa, tendemos a falhar. E aqui já há um padrão.

That's all, folks

Não posso apontar nada a este Benfica. Sim, houve azar; sim, houve erros de arbitragem; sim, houve lances mal definidos pelos nossos jogadores. E o que é isto senão futebol? Parabéns aos jogadores, à Direcção e a todos os benfiquistas por sonharem e nos fazerem sonhar.

VIVÓ BENFICA!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Vou ali a Turim buscar o caneco e já volto



Por uma questão financeira, mas também por gostar de ir com tempo, pela estrada - onde se encontram coisas inesperadas, ao contrário das nuvens, que cheiram a algodão e são muito monótonas -, levando o Benfiquismo de cachecol e camisola aos ventos estrangeiros, sob o Sol de outros países, sairei amanhã de carrinha de 9 até Turim. Só esperamos vir benficontentes e deixar junto deste senhor o caneco que anda prometido há 52 anos e que, por acasos, azares, maldições da bola, nos tem fugido por entre as mãos. CANECA, BENFICA!

domingo, 11 de maio de 2014

Decisões espanholas com olho na Luz

Ali no país vizinho o campeonato está ao rubro.

A equipa do Di Maria e do Fábio Coentrão já só pensa em jogar na Luz e perante o Celta disse adeus ao título nacional.

O Atlético e o Barça deixaram as decisões para o dia do Jamor.

No próximo Domingo o Messi, Iniesta e companhia recebem este Atletico fortemente liderado pelo Simeone num verdadeiro espectáculo pelo título.

Vitória caseira dá o campeonato ao Barcelona e qualquer outro resultado consagra o Atlético.

Também o Tiago já deve estar a sonhar com o jogo na Luz mas primeiro ainda tem de brilhar nesse duelo de titãs.

Aos benfiquistas sugiro que preparem a gravação do jogo (ou qualquer outro método), é que a festa no Marquês não espera por jogos alheios, muito menos uma festa com quatro canecos!

Será que a Direcção do Benfica consegue perceber o caminho do sucesso que esta foto significa?


sábado, 10 de maio de 2014

O Campeão voltou

Foto de João Nuno

Voltarmos outra vez, voltaremos ao Dragão, festejar o 33



Quinto jogo da época contra os de azul e branco.
2 vitórias caseiras, uma derrota e uma vitória forasteira.
Hoje está um excelente dia para mais uma vitória.

Bem sei que em 4 dias temos uma final para ganhar.
Bem sei que o jogo de hoje não "conta para nada".

Mas hoje é um jogo oficial, um jogo onde joga o Benfica e um jogo contra o nosso maior rival.

Com 4 dias entre o jogo no Dragão e o jogo em Turim, confio que é possível ao JJ gerir o plantel de modo a poupar jogadores para o Sevilha e mesmo assim montar uma equipa competitiva para o Porto.

O maior trabalho do Jorge Jesus vai ser ao nível emocional e o Media Open Day de ontem pode muito facilmente ter dificultado esta tarefa.

De uma coisa tenho a certeza, logo à noite quero festejar mais uma vitória do nosso Benfica, não andar a fingir que o resultado me é indiferente.
Empenho e respeito pelo símbolo do Sport Lisboa e Benfica, é a grande exigência para hoje.

A beleza da meia-final da Taça da Liga e a festa em Leiria podem ter sido uma grande lição para muitos de nós.

Quanto a poupanças concordo inteiramente com a do Luisão, Siqueira, Nico e Rodrigo.
Sem ainda um desfecho no caso Markovic acredito que o melhor seja juntá-lo a este lote de poupança.
Para a gestão física dos jogadores há mais dois factores relevantes: As três substituições e jogar com 11 até ao fim.

A minha equipa titular seria:
Artur; Maxi; Steven; Jardel; A.Almeida; Amorim; Enzo; Salvio; Cavaleiro; Lima e Cardozo.

Talvez ponderasse um 4-3-3 com Amorim, Enzo e Djuricic no meio e com o Cardozo sozinho na frente.

O A.Gomes também seria uma opção possível para o meio-campo.
O Garay no lugar do Steven não seria um escândalo.

Com o Sulejmani fresco e com jovens de qualidade como o B.Silva e o Cancelo, sou da opinião que a gestão do 11 inicial deve estar entre estes 17 jogadores + 2, o C.Martins e o Urreta.

O que é que vocês acham?

sexta-feira, 9 de maio de 2014

E para o ano - com ou sem Jesus?

Independentemente do que venha a ocorrer na próxima semana e meia, a época do Benfica já pode e deve ser considerada de sucesso. Campeonato ganho, conquistada a Taça da Liga e a chegada às finais de Turim e Jamor são elementos suficientes para valorizar um trabalho de grande qualidade de Jesus e dos seus jogadores. Claro, se ganharmos os dois troféus em disputa não só a época será de sucesso como será historicamente épica, visto que o Benfica nunca venceu 3 competições no mesmo ano (a Supertaça é sempre um título do ano anterior); 4 seria para morrermos todos de euforia. 

A questão que se coloca é: Jesus sairá? Jesus ficará? Sendo certo que Vieira nunca abdicaria daquele que lhe escuda a profunda incompetência (3 títulos em 14 anos; 2 deles já com Jesus, o que quer dizer que o Presidente do Benfica, antes de Jesus entrar no clube, venceu apenas 1 campeonato em 9 anos), resta saber se não será o próprio treinador a querer sair. Perscrutando os amigos de maior conhecimento sobre estas coisas, e que raramente falham naquilo que me dizem, encontro, neste tema, provavelmente a maior disparidade de "certezas" que alguma vez verifiquei: há os que me GARANTEM que Jesus continuará no Benfica; existem os que me dão como CERTO que Jesus está a menos de duas semanas de sair do clube; e há, ainda, os que não só me CONFIRMAM a sua saída como dizem que será por sua livre e espontânea vontade. 

Ora, com tantas seguranças e certezas tão díspares, a verdade é que, tendo tantas visões, nenhuma vale grande coisa - não por serem dadas por pessoas sem qualificações (pelo contrário, é gente que só fala quando sabe do que fala), mas porque, pelos vistos, anda por aí muita contra-informação, talvez bastantes hesitações, provavelmente carradas e carradas de areia para os olhos. 

A minha opinião (que não vontade, ressalve-se), cruzando todos os dados, é a de que Jesus de facto sairá pelos seus próprios pés. E faz até muito sentido. O treinador do Benfica sabe bem com quem está envolvido; conhece a fundo a incompetência de quem lhe é hierarquicamente superior; está bem a par de que com uma estrutura decente em vez de 2 campeonatos em 5 anos teria 5 em 5 ou 4 em 5. Jesus conhece as suas capacidades e reconhece as suas fragilidades, o problema é que ninguém sabe domar as últimas. Por isso, Jesus é Rei no futebol do Benfica, extrapolando as suas competências muito para além do que devia e é aí que normalmente se prejudica, prejudicando o clube. Claro, Jesus disso não tem a menor culpa - culpa tem quem devia delinear muito bem as valências e atribuições de cada funcionário do clube. Só que, devido ao profundo desconhecimento do que é futebol, do que é o Benfica, do que significa o benfiquismo, Vieira não teve outra hipótese senão a de fazer de Jesus o seu capote. Se corre bem, aparece em tudo o que é televisão, iniciativa de angariação de sócios, entregas de prémios; se corre mal, diz que não dá pontapés na bola e vai minando a imagem do treinador. Isto não é seguramente um líder, menos ainda um líder para tão grandioso clube.

Se Jesus sair, o Benfica correrá o sério risco de não conseguir aproveitar o passo em frente dado esta época. Aquilo que poderia ser uma vantagem crucial para consolidar a posição de líder e criar hegemonia no futebol português, pode na verdade acabar em mais um 2005 ou 2010, anos em que, seguindo a tradicional incompetência directiva, o Benfica desperdiçou de forma absolutamente patética e ridícula tudo aquilo que havia conquistado meses antes. Não será surpreendente se nos próximos meses começarmos a ver formar-se uma onda gigante de fanfarronice, entrevistas ao Grande Líder, promoção da imagem do Presidente por patéticos Pedros Guerras e outros sabujos do género, frases megalómanas, promessas impossíveis, desvalorização dos adversários, etc, etc, etc. No fundo, tudo aquilo que esta Administração sempre foi: má quando perde (e perde recorrentemente); péssima quando ganha (e raramente ganha).

Se Jesus sair, meus caros, a única solução para o Benfica passa por escolher um treinador de tal forma competente e inteligente que consiga aproveitar o excelente trabalho do actual técnico ao mesmo tempo que terá de lidar com os constantes tiros nos pés que a Direcção geralmente dá. Olhando ao largo, cruzando tudo isto, sim, penso que Marco Silva poderá ser a melhor solução. Sabendo que, é evidente, o melhor para o Benfica não seria manter Presidente e perder treinador, mas precisamente o seu contrário.


«Queremos ver a Final da Liga Europa na Luz»

Uma excelente iniciativa com uma ideia que já aqui tínhamos apresentado: o clube abrir o Estádio da Luz para que os benfiquistas que não irão estar presentes nos jogos europeus possam ver o jogo como se lá estivessem, sentindo a comunhão só existente num estádio.

Direcção do Benfica, podem passar o jogo nos placards electrónicos e encher a Luz com esta malta gloriosa. O Benfica é um clube, não uma empresa. Antes de tudo, estão os adeptos - propiciar-lhes condições que os façam viver o Benfica de forma mais próxima e em comunhão benfiquista tem de ser sempre a grande prioridade.


E começarmos a cantar no Estádio o refrão da velhinha «Duia» dos Da Weasel?


NUNCA ME DEIXES, PRECISO DE TI
O AMOR É UMA LOUCURA E TU PRECISAS DE MIM
EM QUALQUER ALTURA, EM QUALQUER LUGAR
SINTO A TUA PRESENÇA ATÉ NO MEU OLHAR

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Ainda há Dragão

Só para lembrar aos mais esquecidos que este Sábado o Porto não joga sozinho no Dragão.
Vai lá estar o treinador do Benfica, jogadores do Benfica, as camisolas do Benfica, os adeptos do Benfica e o símbolo do Benfica.
Uma equipa vencedora não escolhe os jogos que quer vencer, acredita e tenta vencer todos. Jogando com A ou jogando com B mas sempre sem esquecer o símbolo que carrega.
A menos que me digam que o Santa Clara vai jogar no lugar do Sport Lisboa e Benfica, o jogo de Sábado é mesmo para ganhar.

Foi um prazer, Rio Ave


Ao contrário da maioria dos meus amigos - que legítima e verdadeiramente "sofrem" por outros emblemas todos os fins-de-semana - sou um adepto do Benfica sem simpatias especiais por outros clubes. Não as tenho por clubes estrangeiros, não as tenho por clubes nacionais. Também não odeio nenhum clube (não, nem o Porto), o que me equilibra a balança e me permite ver futebol de uma forma que me agrada. Mas se tivesse de escolher um clube pelo qual tenho um certo gosto especial em ver na Primeira Liga escolheria o Rio Ave. 

O motivo extrapolará seguramente os motivos desportivos; aliás, na verdade o que me atrai no Rio Ave é o facto de ser de Vila do Conde, terra que muito me encanta e gente que muito me enleia. Como uma rede de pesca, esta gente prende-me. Comove-me. As Caxinas fascinam-me. Há todo um mundo dentro daquele lugar que não é bem Douro, não é bem Norte, não é Portugal. É outra coisa. E é essa coisa que, sem directa e evidente explicação, atrai e comove. Por isso, desejo sempre tudo do bom e do melhor ao Rio Ave, a menos que se dê o acaso de jogarem contra o Benfica, acontecimento que, não acalmando a minha admiração por aquelas gentes, tudo muda em relação ao meu interesse no resultado final: quero que o Rio Ave perca. Como quero que todos percam contra o Benfica.

Foi, portanto, muito bonito assistir ao vivo a mais uma final dos nossos e ainda por cima disputada com os de Vila do Conde. E não surpreenderam: apoiaram a sua equipa, aplaudiram os nossos pela vitória, fizeram a sua festa, foram embora, não partiram nada nem ninguém, deram ao futebol o exemplo universal. E ainda bem que voltaremos a defrontar o Rio Ave daqui a semana e meia. Na mata do Jamor beberei copos convosco, caros caxineiros.

Quanto a nós, continuamos o sonho. Nota-se que os jogadores estão a chegar ao limite físico (aqueles jogos todos contra boas equipas em inferioridade numérica deixaram marcas; as lesões, os castigos), mas há uma alma que perpassa por este grupo que vai superando obstáculos, uns atrás dos outros. É só mais um bocadinho, companheiros. Chegados aqui, com Campeonato e Taça da Liga no Museu, não custa nada, e seria tão bonito, juntarmos-lhes Liga Europa e Taça de Portugal. Nós todos acarditamos, ganhe a Alemanha um Mundial, três ou trinta e três.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

O coração palpita no arranque da maratona das Finais




Faltam 4horas e o coração já bate de ansiedade.

Os dias custam a passar quando o Benfica não está em campo.

Daqui a pouco veremos o Campeão Nacional a disputar a primeira de 3 finais e, se tudo correr bem, o primeiro de 5 troféus.

A Taça da Liga é a competição menos importante das 3 que ainda temos por resolver. Menos importante não significa pouco importante. Queremos a 5ª!

Turim e Jamor já fervem no sangue benfiquista mas hoje em Leiria só há Leiria.

O favoritismo é óbvio. O Benfica joga com o Rio Ave e tem toda a obrigação de ganhar. A mesma obrigação que tinha de vencer o Estoril na Luz há um ano, a mesma obrigação que tinha de vencer o Vitória no Jamor há também um ano.

Isto sem qualquer desrespeito para com a equipa de Vila do Conde.
A verdade é que o portista Nuno Espírito Santo tem feito um trabalho notável neste Rio Ave. O treinador adversário tem estado ao nível dos tão falados Marco Silva e Rui Vitória.

Hoje não espero facilidades do adversário. Não espero fragilidades nem incompetência. Muito pelo contrário.
Hoje espero um oponente muito bem trabalhado e um Benfica capaz de colocar o seu valor em campo e ultrapassar mais este obstáculo.

Ao Jorge Jesus não peço que coloque os 11 melhores jogadores do plantel, nem o melhor jogador por posição. Ao Jorge Jesus peço que coloque a melhor equipa possível para este jogo.
Em tons de encarnado espero ver seriedade, garra, vontade e muita qualidade.

O treinador é também ele um gestor. Gere um plantel de 25 jogadores. A gestão não é só física, também é emocional, motivacional e de balneário.
Será correcto reservar as finais para todos os mesmos 11 jogadores quando houve muitos outros que deram tanto ou mais para as alcançarmos? Além de correcto, será justo? Será benéfico para a equipa? Será benéfico para o sucesso no jogo?

O 11 tipo do Benfica de Jorge Jesus todos sabemos qual é. Contudo, jogadores como o Artur, A.Almeida, Sulejmani, Salvio, Cardozo, A.Gomes, Jardel e o próprio Cavaleiro, podem ser opções tão ou mais válidas que os seus concorrentes directos.

Não vou arriscar um 11. Não vou sugerir um 11. Só vou apontar a uma equipa sem invenções, que mantenha a mesma identidade e que beneficie o clube, não só com a vitória de um jogo mas também com a vitória de um grupo.
Viva, viva o Benfica!

terça-feira, 6 de maio de 2014

Vai ao Estádio, larga a Internet.

 MAIS UM ACARDITANÇO PARA FINALMENTE, 52 ANOS DEPOIS, VOLTARMOS À NOSSA CONDIÇÃO DE GIGANTES EUROPEUS! VIVÓ BENFICA!


Lopetegui no Porto

Mais do que considerá-la boa ou má - e esperamos todos que seja uma aposta completamente ao lado -, o que esta notícia tem de mais relevante é o facto de revelar uma aposta clara numa mudança de paradigma. A escolha é por um técnico que irá procurar aproveitar a formação portista enquanto a Direcção procurará baixar o investimento. Ou seja, o Porto acordou para a vida e tentará agora sobreviver noutro modelo de gestão. Resta saber se no Benfica saberão aproveitar o momento e lançar o futuro para a hegemonia.


O talento de Pedro Tiba



Para além da festa do Campeonato e de levar um vitoriano à Luz, havia outro ponto de interesse para mim: analisar ao vivo os jogadores do Vitória. Se no início estava mais focado na estrela da companhia Ricardo Horta - de quem dizem mundos e fundos que não cheguei a encontrar -, rapidamente os meus olhos focaram Pedro Tiba e não o largaram até final do jogo. Muito curiosa a lenta ascenção deste jogador até à Primeira Liga, tendo jogado sempre, até este ano, em divisões secundárias. O talento é evidente: tem tudo para dar certo nas mãos do treinador adequado. Se eu fosse Jesus, trazia-o para a Luz.



O que se passa à noite no Estádio da Luz


Temos recebido alguns pedidos de informação sobre o que estará a passar-se no Estádio da Luz. Do que sabemos, a situação é a seguinte:

- Quem tem cartões de Fundador, Centenarium, Red Pass Total e Red Pass Premium poderá levantar os bilhetes entre as 8h e 14h. Entretanto, o Benfica enviou esclarecimento a estes benfiquistas para que não vão de madrugada para a fila visto que terão sempre direito a bilhetes sem terem de criar mais "confusão".

- Quem está na fila desde a tarde e por lá ficará até conseguir ingresso é o grupo de benfiquistas que tem Red Pass normal. Estes bilhetes serão vendidos a partir das 14h até às 22h de amanhã.

Ou seja, quem tem Red Pass normal poderá comprar bilhete a partir das 14h, mas convém ir já para lá para conseguir manter as hipóteses em aberto - estima-se que estarão 400 pessoas e cada uma deverá ter vários cartões na mão. 

Quem não tem Red Pass e é sócio do Benfica só poderá comprar bilhete a partir das 14h de Quarta, dia 7. 

Basicamente, por ora é isto.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Num momento de festa, coroação e de decisões, custa ir contra a corrente.
Nesta fase tenho tentado manter-me simplesmente na onda encarnada.
Mas há situações que não nos permitem surfar tal onda ignorando o que vai acontecendo na praia.
Há ocorrências que pelo seu contexto devem sem desvalorizadas mas nunca esquecidas.

Aconteceu com os erros evidentes na festa de campeão, desde o teatro planeado entre treinador, presidente e capitão, até à banda sonora da festa no Marquês.
Aconteceu ontem em pleno Estádio da Luz. O empate caseiro com o Setúbal só pode ser um resultado muito negativo.

Contudo a situação que me fez escrever não foi nenhuma das duas referidas.
Não consegui permitir-me a não apontar o dedo a algo que me incomoda. Sem entrar em grandes filosofias sobre o assunto, tenho de manifestar a minha pena em ver que certas pessoas não se coíbem de popularizar a sua imagem aproveitando os momentos de glória do clube, fugindo da sombra por si próprias criadas em momentos mais difíceis.

Mas agora que venha a Taça da Liga e a segunda conquista da época.


http://vimeo.com/94021594

«Parabéns! Você acabou de ganhar o direito a disputar 3 finais em 11 dias!»


5 passes curtos

1) Uma bonita festa que juntou quase 55.000 adeptos no Estádio da Luz para um jogo que já não contava para nenhuma das equipas envolvidas. Apenas a vontade de festejar e honrar aqueles jogadores e equipa técnica que merecem todos os elogios e mais alguns. Por outro lado, apetece-me elogiar e honrar os adeptos do Benfica e, sem entrar em grandes discursos sobre benfiquismo, prefiro apenas dizer que a minha palavra de apreço vai para nós, os que aguentam o frio, a chuva, os Outubros de dúvida, os Setembros de incerteza, os Novembros tristes ou os Janeiro e Dezembros que ainda nada prometem nem têm cheiro de festim. Os clássicos 30.000 da Luz ou os 5.000 dos vários estádios deste país. Que me perdoem os que descobriram o Sol e o Estádio da Luz no último mês, mas este Campeonato é de Jesus, é dos jogadores e é nosso.

2) Ontem levei um vitoriano à Luz - todo trajado de Vitória, como gosta de ir quando vai ao Bonfim - e a forma como foi recebido no estádio e nas rulotes só me faz ter muito orgulho neste clube e na maior parte dos benfiquistas. Se ainda há Benfica nos seus valores essenciais, ele está todo nos seus adeptos.

3) Na Quarta estaremos em Leiria para disputar a final de uma competição que, ao contrário de outros clubes bastante despeitados, sempre respeitámos e soubemos valorizar. Em 6 edições, vencemos 4. Porque eliminar o Porto é giro mas não dá títulos, só faz sentido chegar a Leiria e ganhar o 5º caneco para o Cosme Damião.

4) Esta época pode ser notável. Depois do Campeonato no bolso, estas três finais que nos fatam podem elevar a fasquia para um patamar histórico. Nunca vencemos 3 competições num ano; vencer 4 seria para lá de épico. Nós acarditamos.

5) O Benfica iniciou uma excelente campanha de angariação de sócios, aproveitando a euforia generalizada com os resultados da equipa de futebol. Pede-se a quem dirige o clube que saiba compreender os adeptos benfiquistas; estão, portanto, de Parabéns aqueles que idealizaram esta iniciativa. Espera-se que depois saibam manter os novos associados e preservar os antigos. Só faz sentido ter muitos sócios se os soubermos cativar ao constante contacto com o clube.

sábado, 3 de maio de 2014

O meu Valdo Cândido de Oliveira Filho

 Camisola vermelha comprada numa feira, um "1" e um "0" feitos à mão e cosidos pelo meu Pai nas costas, uns calções brancos, curtos, e umas chuteiras simples. Faltou-me a Afro para ser o Valdo. De resto, estava tudo lá: a indumentária e eu, em imaginação. Quando corria, fazia aquele compasso de espera, fintava uma pinha, deixava-a cair, voltava a rodopiar, levantava a cabeça. Um pinheiro pedia-me a bola, isolado. Fingia que passava, metia para dentro, corria, olhos no chão, olhos na bola, olhos em frente. Peito feito sobre o ar vespertino, a bola chegando-me aos joelhos. Pai, posso ser o Valdo? 

 O carro estava estacionado numa clareira, entre o pinhal. Portas abertas, todas, bagageira para cima, com bolos, pão, vinho, rissóis e panos feitos numa máquina Singer que a minha avó rodava nas mãos e nos pés feita malabarista no escuro em frente a uma parede com fotografias de gente muito velha a preto e branco. Jazem aqui flores e nomes e cães iguais aos que há agora mas a cinzento e há tanto tempo mortos. Quantos cães tem uma vida? 

 Há uma voz que ressoa por entre os ramos. Anunciam golos de tarde desportiva, emissões de Portimão a Coimbra, vão para Braga, voltam a Lisboa, dirigem-se a Leiria, ficam em Chaves. Rudez Thiomir marca golo. E os cestos de verga abanam no gooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooolo de Rudez, golo do Chaves, lance que se iniciou na intermediária, a bola rodou sobre um adversário, avançou pelo miolo, chegou à linha, foi cruzada, um impasse, o mundo todo parado observando o croata, a indecisão, quase remate, remate, bola nas redes. Alguém vem e pergunta: foi golo do Benfica? 

 A minha camisola tem um "1" milimetricamente na diagonal - não se vê a um metro de distância, mas está lá, não foi trabalho de fábrica, houve mão de amador, aquele que ama. Na frente, há pescoço porque há decote em v, o vermelho é um vermelho mais escuro e não se vende no Media Markt, porque o Media Markt não existe e porque há coisas que o Media Markt não pode vender. Mas há um Valdo a correr nos pinheiros. E vários golos porque o golo tanto pode entrar entre árvores como entre pedras - o jogador decide, no calor do momento. A distância entre o Valdo e o carro depende dos gritos que ecoam. Claro que os pés não sabem por que razão avançam para os pastéis de bacalhau quando há grito de golo mas o coração não tem dúvidas: vai à espera do Benfica. É agora? Foi golo do Benfica? 

 E aquele som contínuo, não no "g" que demora pouco, mas no "o" - quantos ós e desesperantes - e toda a gente parada, eu, o meu Pai, as rodas do carro, as folhas, o gesto das febras na grelha, o céu e as nuvens que deixam de construir imagens - tudo parado. É golo, mas de quem? Goooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooolo. E antes do "l" e muito antes do "o" que o continua olhos não no rádio mas uns nos outros, eu olho o meu Pai que me olha a mim que o olho a ele. O "1" cosido nas costas a olhar o "0" cosido nas costas, pedaços de terra saltam e ficam no ar à espera. Diz Benfica, diz Benfica, diz Benfica, o coração aos pulos, diz Benfica, diz Benfica, diz Benfica, as pernas flectidas, joelhos em silêncio, quase dor muita dor, braços à espera, mãos curvas, ouves o som do público? 

 É indefinível, gritam todos e muitos, não sabemos quem nem por quem nem onde. Há som e ruído, imaginamos bandeiras sob o sol, cachecóis no vento, abraços, gente aos gritos, garrafões tombados. Mas é Benfica ou não? E o "oooooooooooooooooooooooooooooooooooo" continua, o homem tem fôlego, não se cala, mantém a surpresa na garganta, a bola junto a uma das rodas do carro, esquecida e adormecida, esperando o movimento. Não há movimento, só um grito que não acaba, e o golo, o golo é de quem? Há uns sons metálicos de assobio enquanto o rádio canta. Ondas de silvos no meio dos óculos da avó que retira pratos e garfos e facas de plástico do interior de um saco. 

O carvão todo junto, negro, colante, uma imagem de um sol sobre a estrada de terra e uma menina que corre, indiferente ao golo, pelos cogumelos e musgo. De quem é o golo? O vestido às rosinhas não sabe, prefere dançar oblíquo sem rota nem bandeira. O golo, que é de alguém, não chama aquela corrida atrás de uma borboleta que faz desenhos no ar e depois desaparece. ... doooooooooooooooooooooooo Beeeeenfiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiica e os meus olhos abraçam os ombros do meu Pai e depois continuam para o espaço atrás dele com os olhos dele para o espaço atrás de mim e os olhos em chama, ombros em chama, a bola é pontapeada contra uma pedra grande que faz ricochete, sobe no ar que o Valdo recebe, com aquele pé de veludo, tenso o tempo suficiente para haver contacto e logo mole, macio, para ela ficar ali aninhada. Os Domingos sabiam tanto a Benfica.

5 jogos, 3 guarda-redes



E a gestão dos guarda-redes?
Oblak é o titular e o futuro.
Artur é o suplente e o passado.
P.Lopes é o reserva e o adepto.
Amanhã com o Setúbal daria o título de campeão ao P.Lopes.
Taça da Liga e Dragão deixaria à responsabilidade do Artur.
Turim e Jamor seriam destinados para o Oblak.

E vocês Ontianos?

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Tenho pena



Quando me perguntam que jogador de futebol gostaria de encarnar, caso me fosse possível, respondo sem pensar: Andrea Pirlo.

É quase inveja o que sinto ao ver o 21 italiano jogar. Sentir aquele perfume de inteligência e classe apenas ao alcance dos eleitos. Ver um jogador de xadrez transformado em futebolista. Deliciar-me com as vistas, que muitos só conseguem da bancada e outros nem daí, mas que Pirlo descobre à flor da relva.

É, não tenho duvida, um dos melhores e mais elegantes jogadores da história do jogo e o melhor passador que me lembro ver com uma bola nos pés.

Desde que o vi jogar pela primeira vez que me lembro de procurar seguir de perto a sua carreira e os jogos das equipas que está integrado. Foi com pena que o vi sair do Milan e ingressar na Juventus. Foi com ainda mais pena que vi o sorteio da meia-final da Liga Europa e perceber que Pirlo ou Benfica iriam ficar pelo caminho.

Mas pior que tudo isto foi ler as declarações do génio italiano em reacção ao sorteio. A classe que espalha por cada relvado que pisa foi directamente proporcional à estupidez e sobranceria daquelas palavras. Não esperava isto de Pirlo.

Ainda assim, não consigo deixar de ser um apaixonado do futebol de Pirlo. Por isso, por ver-te de fora de uma final, tenho pena… Ou não!

Para a final da Liga Europa, duas mudanças no onze: sai Enzo, entra Coluna; sai Markovic, entra Eusébio.

Benficamo-te.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

A demanda até “Turins”


Em Portugal somos reis mas na Europa ainda estamos no segundo plano.
A Champions mais uma vez foi demais para nós. Nem o melhor plantel, treinador e presidente dos últimos 30 anos nos valeram nesta competição. Nem o sonho da consagração na nossa Luz nos fez superar os perigos gregos e franceses.
O Anderlecht não foi adversário mas tanto o PSG como o Olympiakos levaram a melhor no nosso grupo.

Mais uma vez fomos relegados para a competição inferior. A Liga Europa tem sido o terreno onde nos sentimos mais nós.
Entre Dezembro e Fevereiro muita coisa mudou. Dissemos adeus ao gigante sérvio e um muito mais doloroso Até Já ao Rei Eusébio. Também o colectivo da equipa se alterou. Com o recomeçar das competições europeias finalmente tínhamos acabado a tão prolongada pré-época. O Sílvio e o Siqueira já corriam. A táctica estava encontrada. As dinâmicas criadas. A equipa ganhou um guarda-redes, ganhou um trinco, ganhou dois avançados e viu crescer os seus prodígios: Nico e Markovic.

Começou então a aventura na Liga Europa, competição na sua base muito distinta da Liga dos Campeões. Enquanto a Champions tem o seu valor na própria importância da competição, a Liga Europa tem o seu valor pendente com os clubes que a disputam.

Apareceu então o PAOK. Mais uma vez os gregos. Não foi fácil mas do meio de muitas invenções lá saímos vencedores.
Nos oitavos o sorteio encostou-nos à parede. Saiu um dos grandes ingleses, o Tottenham. O nome assustava, as individualidades também. Mas equipa deixava muito a desejar. Este Benfica evoluído foi mais que suficiente para a equipa de trapos londrina. White Hart Lane assistiu á bravura encarnada. Na Luz ainda deu para o susto.
O seguinte adversário veio da Holanda. O AZ com os seus bons envolvimentos ofensivos quis medir forças connosco. Não massacrámos mas fomos muito mais equipa e o apuramento surgiu naturalmente.

Depois do desastre da Champions conseguimos com estas três vitórias começar a tornar interessante esta nossa campanha europeia.

Chegados ao top 4 começámos a poder sorrir.
O sorteio fez o favor de apagar esse sorriso. Contudo, não o trocou por uma expressão de temor mas sim por um olhar de determinação. Desafio aceite, venha a Vecchia Signora.

Para as meias-finais começámos o trabalho de pintar o desempenho europeu em positivos tons de encarnado.
Contra um dos famosos Colossos Europeus, contra jogadores de reconhecimento mundial, restava-nos a crença na nossa qualidade e dedicação.
Assim apareceu a primeira verdadeira vitória europeia na época 2013-2014.
2-1 na Luz contra a Juventus. Não fomos superiores aos italianos mas além de sobrevivermos também vencemos. A honra da nossa casa ficou intacta.

Agora vamos a Turim. Jogo difícil e apuramento ainda mais complicado.
O 3-5-2 de Conte fascina-me, pela qualidade mas principalmente pela diferença. No Juventus Arena iremos defrontar o provável tri-campeão italiano, iremos defrontar o 12º jogador e iremos defrontar jogadores de alto calibre mundial.
Jogamos o acesso a mais uma final, jogamos a glória de mais uma vitória e jogamos a afirmação de qualidade perante os olhares de milhares.

O Benfica tem de jogar sempre para vencer. Não nos contentamos com derrotas.
Mas hoje aos jogadores e treinador não será exigida a glória de mais uma vitória. Hoje a exigência está na vontade, no trabalho, no esforço, na luta e na entrega.

A grande final europeia irá realizar-se aqui, na Luz. Dessa ficámos muito longe mas temos ainda oportunidade de ser cabeça de cartaz na outra final, naquela mais pequena, menos interessante mas também ela de grande valor, principalmente pelo percurso que exige.

A equipa está preparada. Fisicamente e animicamente não há desculpas.
É dar tudo e ambicionar ainda mais.

Não é à toa que todos cantamos “Somos a Raça e a Força do Querer”.
Força Campeões.

Um desamor italiano



Gosto muito de Itália. Gosto muito da língua italiana, gosto muito das italianas (também gosto muito dos italianos, sobretudo jogadores de futebol). Gosto muito da comida italiana, do cinema italiano, da arte italiana. Gosto tanto, muito, de Itália que viveria muito, tanto, em Itália se me convidassem a isso ou eu me decidisse, muito ou tanto, a ir para Itália. Gosto muito das ruas italianas, dos gelados italianos, dos carros italianos (Alfa, tu és o meu amor!), das Lambretas italianas, do fim do dia em sol na Toscânia que é italiana. Gosto muito do cheiro de Itália, que é um cheiro que cheira a casas de barro, horizontes com vinhedos ao fundo, oliveiras italianas e uma música italiana que ecoa vinda das nuvens a cair como chuva italiana. Gosto muito, tanto, de Itália. Mas não gosto nada da Juventus.

Era bonito, Benfica.

Pai, onde andas, que já não vejo este filme pela centésima vez contigo?