Um ano depois e a história repete-se. Trabalhamos
mais, jogamos melhor mas… Perdemos. Não queria encontrar aqui um padrão, mas
fica difícil não pensar assim.
Não acredito em superstições, maldições ou meramente
em sorte ou azar. Acredito sim em trabalho e competência. E ontem, tal como já
havia acontecido na época passada, fomos incompetentes na hora de decidir, na
hora de concretizar, pelo menos, uma das muitas oportunidades de golo que
tivemos.
Sim, a equipa de arbitragem negou-nos um penalti claríssimo
sobre o Lima (sobre o Gaitan é mais discutível) e foi revoltante verificar a
inercia e permissividade na questão do posicionamento de Beto na baliza aquando
da marcação das grandes penalidades. Sim, também eles foram incompetentes. E
sim, caso não o tivessem sido, talvez o desfecho tivesse sido outro.
No entanto, como já diversas vezes o disse, considero
que antes de apontarmos à incompetência alheia, devemos entender a nossa incompetência.
Não podemos, nem queremos, controlar erros alheios, mas já podemos e temos de
controlar os erros próprios.
Nesse sentido, antes de apontar o dedo à equipa de
arbitragem, sacudindo assim a responsabilidade para ombros de terceiros,
devemos encarar de frente os nossos erros e responsabilidades nas derrotas.
Mas a nossa incompetência no jogo de ontem, não nasce
do aspecto técnico individual ou colectivo. Nasce sim de uma contínua
impreparação anímica para os momentos de alta tensão.
Assim de repente lembro-me apenas de 4 jogos desta
época em que o Benfica não marcou golos, para além de ontem: Em Paris, frente
ao PSG; Na Grécia frente ao Olimpiakos; No Dragão a contar para a Taça da Liga
e em Turim frente à Juventus. Destes, 2 ocorreram na fase de grupos da Liga dos
Campeões, na pior fase da época da equipa, e os outros dois ocorreram após
termos jogado largos minutos com 10. Ou seja, no plano global, somos uma equipa
tremendamente concretizadora e que raramente deixa de marcar, mesmo quando não
ganha.
Esta estatística serve para ilustrar que a nossa incompetência
na finalização no dia de ontem não decorre de incapacidade técnica, antes de
incapacidade anímica. Foram incontáveis os lances em que os nossos jogadores
pareciam ter medo de assumir uma finalização de forma decidida. A cerimónia em
frente à baliza Sevilhana no dia de ontem foi confrangedora e incomum.
E esta incapacidade anímica foi novamente evidente na
hora da decisão final, na hora em que ganha a equipa com maior capacidade e
estofo para aguentar a pressão do momento. Cardozo e Rodrigo não falharam
individualmente, apenas foram o reflexo mais evidente do nervosismo colectivo
que afectava a equipa naquele momento.
Depois do jogo começar, Jorge Jesus não tem como fazer
os seus jogadores concretizarem melhor, decidirem melhor. O jogo irá reflectir
o trabalho diário realizado, ou seja, as movimentações colectivas e a capacidade
para a equipa colocar jogadores em zonas de finalização claras. E nesse
aspecto, o trabalho foi bem feito. Trabalhamos e criamos muito mais e melhor
que os Espanhóis. Porém, a hora da decisão final de uma jogada também reflecte
o trabalho anímico desenvolvido, e aqui temos falhado consecutivamente. Sempre
que nos colocamos em momentos de decisão em que a pressão é significativa,
tendemos a falhar. E aqui já há um padrão.












