segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Notas sobre um recital

- Em bolas de frente, o Roberto é um GR extraordinário.

- O Sidnei tem feito esquecer, e de que forma!, David Luiz. Seguro, com classe, goleador, até dá golos a marcar. Que não nos lembremos do jogador do Chelsea nos jogos difíceis que teremos até final. Por ora, fantástico.

- O que dizer do aniversariante? Um muro. É tudo dele.

- Jogo a 1000 à hora de Maxi Pereira. Bem na defesa, avassalador nos rasgos ofensivos, a criar desequilíbrios. Ia marcando e seria merecido.

- O golo do Aimar é para ver e rever e rever. Passe perfeito do Sidnei, finalização sem mácula. Mas foi na recepção, amortecendo a bola com mel, que o destino foi traçado. Além disto, jogo fantástico a todos os níveis. Especialmente na forma como pressiona, por antecipação, os adversários. Às vezes ainda não acredito que o Aimar joga neste campeonato ranhoso. Só mesmo o Benfica para o merecer.

- Está na altura de mudar o marcador de penalties. Ou o Cardozo começa a marcá-los em força, que foi sempre a forma como elas entravam, ou passem a bola ao Saviola.

- Anularam um golo ao Saviola. Ninguém sabe porquê. Já a semana passada ninguém soube porquê no golo do Javi. Assim se fazem campeões mentirosos e melhores ataques.

- Passa-se algo com Carlos Martins. Depois de não ter sido escolhido nem para o banco num dos jogos anteriores, ontem marcou um golo fenomenal e não comemorou. Desde que a tua raiva seja direccionada para fazer aquilo, estás à vontade, Carlos. 

- O que dizer do recital a que assistimos? Orgulho de pertencer a este clube. Por aquilo que a equipa pratica e por ganhar 16 jogos consecutivos, muitos deles contra homens do apito que teimosamente nos prejudicam. Orgulho, muito. Ninguém joga assim em Portugal. Mas vai fazer falta ao Benfica outro tipo de estratégia nos jogos difíceis que se avizinham. Este futebol é avassalador, certo, mas convém ao Benfica saber pausar o jogo e nem sempre ir com tanta fome à baliza adversária. Principalmente em jogos europeus. Espero que o Jesus saiba acalmar aqueles cavalos de crina brilhante e sedosa.

- Dito tudo isto, um alerta: tenho notado o princípio do regresso de um discurso menos humilde. Erro crasso. Há que manter a lucidez e, sobretudo, não entrar em euforias. Pés assentes no chão, confiança nas nossas qualidades mas menos prosápia. Não se esqueçam que foi também por isso que a época começou como começou. Começando já nos jogos contra o Sporting, que serão muito difíceis - é preciso ter em conta que a única forma de os leões salvarem (ou, vá, atenuarem) a época é cumprindo o objectivo principal: ganhar ao Benfica. Se se mantiverem os níveis de lucidez e humildade, o Benfica ganhará. Porque é melhor. É simples.

- O vintém diz que as 3 equipas que estiveram em campo cumpriram. Os vinténs, quando levam massacres e banhos de bola, metamorfoseiam-se em cretinos.

- Que uma equipa com esta qualidade esteja impossibilitada de lutar pelo título, diz muito, diz tudo, do futebol português. Para quando a extinção destes parolos corruptos e provincianos que há 30 anos mandam e desmandam sem punição neste futebolzinho pequenino deste país pequenino? Este campeonato é uma mentira.

No Estádio da Luz, ontem, the grass was greener:


Beyond the horizon of the place we lived when we were young

In a world of magnets and miracles

Our thoughts strayed constantly and without boundary

The ringing of the division bell had begun



Along the Long Road and on down the Causeway

Do they still meet there by the Cut



There was a ragged band that followed in our footsteps

Running before time took our dreams away

Leaving the myriad small creatures trying to tie us to the ground

To a life consumed by slow decay



The grass was greener

The light was brighter

With friends surrounded

The nights of wonder



Looking beyond the embers of bridges glowing behind us

To a glimpse of how green it was on the other side

Steps taken forwards but sleepwalking back again

Dragged by the force of some inner tide



At a higher altitude with flag unfurled

We reached the dizzy heights of that dreamed of world



Encumbered forever by desire and ambition

There's a hunger still unsatisfied

Our weary eyes still stray to the horizon

Though down this road we've been so many times



The grass was greener

The light was brighter

The taste was sweeter

The nights of wonder

With friends surrounded

The dawn mist glowing

The water flowing

The endless river


Forever and ever



High Hopes - Pink Floyd

6 comentários:

low desert puke disse...

Tal como disse num outro blog glorioso a noite passada, ontem assistimos ao pintar de um quadro de Botticelli num relvado de futebol.

-é.

-também é.

-e ainda hà quem diga que nao sabe defender e menos ainda atacar.

-é uma chatiçe é o Aimar estar na reforma senao era mais um sr. 30 milhoes.

-sim, também meteria o Saviola sem duvida.

-entre o segundo e o terceiro mes de campeonato, o Saviola teve oito jogos seguidos em que lhe foram marcados foras de jogo inexistentes. Nao tenho duvidas que pelo menos metade entrariam na baliza, o que quereria dizer mais golos e mais pontos. Também assim se ganham campeonatos, ou se perdem...

-eu acho que hà duas semanas o Aimar estava fraco fisicamente e o Jesus ainda assim meteu-o a titular, é desde aì que o Martins tem andado com o trombil.

-diria mais, e nao é sobranceria bacoca, mas apenas realismo de quem segue muito futebol contemporaneamente e dos principais paises europeus. Quanto a mim poucas equipas na Europa jogam assim, principalmente porque nao jogamos assim às vezes, mas porque voltàmos a faze-lo em todo e qualquer jogo. Eficàcia aliada à nota artistica é raro, rarissimo.

-concordo. Hà que manter a cabeça fresca. Mas desde ontem que vejo muito pior: portistas jà a cantarem que sao campeoes...

-metamorfizam-se?

-é.

Ricardo disse...

"Quanto a mim poucas equipas na Europa jogam assim, principalmente porque nao jogamos assim às vezes, mas porque voltàmos a faze-lo em todo e qualquer jogo. Eficàcia aliada à nota artistica é raro, rarissimo."

Sim, certo, mas muitas sabem jogar contra equipas que atacam da forma como o Benfica o faz. É preciso assumir que este tipo de jogo tem um risco grande contra equipas que sabem aproveitar os espaços e sair rápido em contra-ataque. Com jogadores tecnicamente acima da média, não é possível entrarmos na histeria ofensiva que ontem demonstrámos. Adoro este futebol hiper-ofensivo mas também gostava de ver o Benfica pautar e pausar mais o jogo em determinados momentos. Por exemplo, ontem acho que nos desgastámos muito fisicamente. Vamos ver como a equipa reage na Quinta. E para ganhar uma Liga Europa é preciso saber puxar mais os adversários e jogar com o tempo, dependendo do momento da eliminatória. Nós demonstrámos no Dragão outro tipo de argúcia e resultou na perfeição. Espero que seja para continuar já em Estugarda e depois, se passarmos, em Paris.

"metamorfizam-se?

Não percebi.

Éter disse...

As equipas alemãs são terrivelmente eficazes contra este tipo de futebol espectáculo do Benfica.

Os cavalos, como dizes, não podem galopar furiosamente durante os 90 minutos do próximo jogo. Até porque é importante não sofrer golos em casa.

Ricardo disse...

Nem mais, Éter. Para Quinta é crucial não sofrer. Mesmo um 1-0 ou um 0-0 não são maus resultados. É lógico que um 6-0 seria o ideal :)

low desert puke disse...

Eu acho que 0-0 contra os alemaes é perigoso. Quase que me vem à cabeça o paralelismo com o jogo com o Marselha : o 1-1 em casa obrigou-nos a ir là marcar para passar e correspondemos de maneira sòlida na 2° mao.

Porque o Benfica, ao menos o ano passado, se metia os cavalos a correr por 90 minutos abria brechas. Mas também nao ganhava solidez defensiva nenhuma se jogasse na expectativa.

0-0 com os alemaes poderà fazer com que Jesus na segunda mao opte por recolher-se là atràs e apostar no contra-ataque. E eu nao sei se isso serà assim tao benéfico.

(eu acho que é metamorfizam-se e nao metamorfoseiam-se, mas nao fui confirmar e este cérebro jà nao é de fiar...)

Ricardo disse...

É muito diferente um 1-1 em casa de um 0-0, Low. Por isso, a vontade de não sofrer golos em casa. É que com 0-0 entras na eliminatória empatado, sendo que um golo marcado (coisa muito possível de acontecer com este Benfica) vale logo o dobro. Mas claro que isto é pensando num jogo menos conseguido na Luz. Temos qualidade para levar um resultado confortável para a Alemanha.

Se levarmos 0-0 e o Jesus optar por uma abordagem diferente, nada que no Dragão não tenhamos feito de forma sublime. Aliás, acho que essa estratégia deve ser a usada em jogos fora na Liga Europa.

(É metamorfoseiam-se. Estás velho:) )