quinta-feira, 17 de março de 2011

Na Cidade das Luzes, joga-se em casa

Curiosamente - e ao contrário do que o momento, o adversário e a condição de visitante poderão fazer crer - este pode ser um jogo relativamente fácil para o Benfica. Isto se a estratégia usada se adaptar de forma correcta às características que previsivelmente o jogo terá: minutos inciais em que o PSG procurará marcar um golo, para virar a desvantagem que traz do jogo da Luz, em que estará vulnerável sempre que perder a bola; a procura pela exploração das alas, com Giuly mais vertical e Nené também em movimentos interiores e o recurso, à falta de soluções, ao passe longo, seja com a nossa defesa adiantada, seja em ataque organizado.

A isto, o Benfica não pode responder entrando em campo com o onze-base e jogando da forma desenfreada com que normalmente joga, porque retirará, primeiro, a capacidade de lutar pela posse no meio-campo e, segundo, facilitará a estratégia francesa de explorar as costas da nossa defesa e os espaços centrais.

Não tendo outra solução viável (um médio posicional de qualidade inegável), a solução "menos má" será a de retirar Gaitán - que, além das deficiências ao nível do posicionamento, entrega ao jogo e perdas de bola, acumula agora níveis físicos pouco recomendáveis, o que só acentua as suas falhas e potencia o erro em zonas perigosas -, poupando-o para quando o jogo estiver com menor nível de intensidade e concentração, por desgaste físico do adversário, usando na sua posição um jogador mais cerebral, embora muito menos dotado ao nível da criatividade: Peixoto. Com o português, aumenta a capacidade de recuperação (o que pode ser letal para os franceses, se fizermos bem as transições no momento da recuperação), povoam-se as zonas centrais - onde o PSG é forte, seja pelos médios, seja pelos alas em diagonais, seja pelo baixar de um dos atacantes - e potencia-se a equipa num bloco mais recuado, abdicando de correr os riscos que corremos na Luz, em que estivemos constantemente sujeitos ao contra-ataque adversário, fosse por estarmos demasiadamente adiantados, fosse pelo facto de as linhas defensiva e central estarem muito distantes.

É preciso ter em conta um facto fundamental: o Benfica entra em campo em vantagem. E isto é tudo, neste jogo. Se souber controlar o adversário nos primeiros minutos, se estiver à vontade em posse e se for rápido logo após a recuperação, o Benfica pode muito bem sentenciar a eliminatória logo na primeira parte, "bastando" para isso que jogue de forma inteligente, não permitindo espaços entre as suas linhas e, especialmente, não subindo em demasia para não deixar as costas desgaurnecidas (porque já não tem David Luiz, tem Sidnei, que ainda não se adaptou bem à forma usual do jogar de Jesus). Com Peixoto no meio, favorece-se ainda a exploração da ala por Coentrão, garantindo a compensação por parte do primeiro e potenciando a qualidade do segundo em termos ofensivos.

No resto, o onze habitual. Aimar por Martins porque é necessário, mais do que histerismo, classe; mais do que rasgos desenfreados, ponderação, qualidade com bola, decisão, critério.

Saviola poderá baixar mais, ajudando no meio-campo, sempre que em organização defensiva, e Salvio será fundamental no esticar do jogo sempre que o Benfica tiver a bola.

É importante, acima de tudo, ser uma equipa equilibrada. O exemplo vindo do jogo no Dragão deve ser olhado com atenção e aprender dele alguns pressupostos para este jogo em Paris. E, se o fizermos, pode, como disse no início, acabar por ser um jogo relativamente fácil. Sejamos Benfica, então. E aproveitemos também esse factor extra, que não é para muitos no Mundo e certamente para mais nenhum em Portugal: o facto de que estarão 25.000 a 30.000 benfiquistas a apoiar a equipa.

2 comentários:

low desert puke disse...

Durante quase todo o texto oscilei entre o concordar contigo e anàlises diferentes em alguns pontos pràcticos.

Mas com isto - "O exemplo vindo do jogo no Dragão deve ser olhado com atenção e aprender dele alguns pressupostos para este jogo em Paris." - convenceste-me usando esse poder que é a memòria de eventos passados.

Abraço

Éter disse...

À falta do Ruben Amorim, concordo com o Peixoto de início neste tipo de jogos em que já entramos a ganhar.

Mas o Jesus deve entrar com o Gaitán.