domingo, 2 de dezembro de 2018

A (des)Confiante Goleada

"Na primeira parte desgastámos o adversário, na segunda foi uma dinâmica muito forte. Quem viu o jogo sentiu essa confiança e vai mais satisfeito para casa."

São estas coisas que me assustam. A certeza que o treinador do Benfica acredita mesmo nisto.

Vamos lá pensar um pouco o jogo de ontem.

Rui Vitória olha para os primeiros 45 minutos e vê uma estratégia de desgaste do adversário. E acredita nisso.

Não. Não houve nada a funcionar naquela primeira parte. Não houve uma estratégia a funcionar. Não houve. Foi simplesmente miserável. Equipa desligada, sem alma e sem futebol. Não houve qualquer desgaste do adversário. Um jogo ofensivo lento e com espaço para o adversário ir no seu tempo tentando aproximações à nossa área. Sem desgaste.

Agora sim, nos segundos 45 minutos houve uma dinâmica muito superior. Mas também aqui o treinador não se pode iludir. O resultado é logo desbloqueado no arranque pelo gênio do Jonas. Boost de confiança encarnado e quebra anímica do adversário. Mais 3 golos, 3 oferendas do adversário.

Assusta-me que o treinador do Benfica pense que por ter convocado só 18 que tudo já ficou resolvido. Assusta-me que ache que já está tudo operacionalizado.

Assusta-me que ele, e só mesmo ele, tenha sentido toda aquela confiança e que esteja plenamente satisfeito com a exibição da equipa.

Agora, apesar da miserável primeira parte e de 4 golos muito sui generis , é justo e até refrescante ver a pujança da equipa na segunda parte.
A equipa entrou muito rápida e principalmente muito agressiva ofensivamente. Agressiva na pressão alta e principalmente agressiva no momento pós recuperação da bola. E nesta mudança de postura há sem dúvidas mérito do treinador.

Contudo não me parece que dê para ganharmos muitas vezes dependendo somente deste futebol de agressão ofensiva. Até porque este estilo não parece poder durar sequer 60 minutos.

Além do resultado a melhor noticia é sem dúvidas a titularidade do Zivkovic.

Um trio ofensivo com o genial Jonas, com o craque maravilhoso que é o Rafa e com este talento sérvio que precisa jogar muito mais, servido pelo base Pizzi, o melhor jogador para criar os apoios aos talentos da equipa, é sem dúvidas um poço de talento a libertar nas defesas adversárias.

Com jogadores destes até parece batota, até parece fácil.

Mas como ele já nos disse, se fosse fácil não era para ele.


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O ECLIPSE DE RUI COSTA



Quando pensamos em Rui Costa, pensamos em Benfica. Parece-me indesmentível que, enquanto jogador, foi um dos nomes mais míticos da grandiosa História do Sport Lisboa e Benfica. Porém, esta imagem (quase) imaculada do nosso antigo Maestro, foi feita refém assim que assumiu funções directivas na Estrutura do nosso querido Clube.

O Benfica está, neste momento, a passar por uma fase muito conturbada ao nível desportivo e parece que nenhum dos elementos da Estrutura tem oportunidade, voz ou poder para demover Luis Filipe Vieira dos seus devaneios. E se, para mim, não é surpresa nenhuma que a esmagadora maioria dos elementos preocupa-se mais consigo próprio e com o seu posto  do que com o Sport Lisboa e Benfica (ou não tivessem muitos deles mudado radicalmente de posição em relação ao que achavam de Vieira num passado recente), o que é facto é que Rui Costa tem-se revelado uma profunda desilusão.

Tal como acontece com os restantes elementos da Estrutura, é um facto que Rui Costa parece impotente. Afinal, deve ser muito difícil fazer parte da mesma equipa directiva de um Clube em que o líder pouco se importa com as opiniões dos seus vices e administradores, bem como dos próprios sócios e adeptos. Mas é imperdoável que não se tenha já afastado e trabalhado para se tornar numa oposição forte e credível – sem qualquer dúvida, a melhor e mais importante de todo o “reinado” de Vieira. Pelo contrário, Rui Costa continua na sombra, agarrado ao poder como todos os outros que pouco se importam com o bem-estar do Clube.

É muito difícil encarar a actual figura do antigo internacional português. É inegável que a melhor contribuição que Rui Costa teve foi quando pendurou as chuteiras e assumiu a pasta de Director Desportivo. Aqui sim, o seu trabalho foi bastante bom. A partir do momento em que entrou para a Administração da SAD, vimos um Rui Costa afastado das decisões, pouco importante para o Clube. E aqui continua, fiel ao seu presidente e igual aos demais.

O Benfica está doente. Vieira está a arrasar o Clube e Rui Costa assiste a esse filme, impávido e sereno, como se nada se passasse. Já por várias vezes (e principalmente nas AG), os adeptos abordaram-no e pediram-lhe que interviesse. Quando houve a confusão das cadeiras pelo ar, Rui Costa estava a um canto da sala, a ver a casa a arder, enquanto os adeptos o chamavam à razão. Rui Costa via a ditadura que foi aquela AG e que se tornou o Benfica e não toma uma decisão em prol do Clube. Rui Costa vê o Benfica a deteriorar-se a cada temporada que passa e não toma uma decisão em prol do Clube. Rui Costa não é capaz de descer do seu cómodo posto e tomar uma decisão em prol do Clube.

Há uns anos, houve uma publicidade de angariação de sócios em que Rui Costa dava o seu testemunho, recordando o dia em que marcou um golo ao Benfica, em pleno Estádio da Luz e enquanto estava ao serviço da Fiorentina, dizendo que “quem ama assim tanto um clube, assume-o”.

Palavras leva-as o vento e, afinal, Rui Costa não ama assim tanto o Sport Lisboa e Benfica.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

OS FILHOS DA PUTA, OS GRUNHOS E UM FAROL CHAMADO ONTEM VI-TE NO ESTÁDIO DA LUZ



"Este filho da puta está agarrado ao tacho".

É assim que uma maioria de benfiquistas mimoseia o (ainda) treinador do Benfica. Uma maioria que, há não muito tempo, mimoseava de filhos da puta quem fizesse, mesmo que de forma muito leve, uma crítica a Rui Vitória. É o problema dos grunhos: como não conseguem ver nada à frente, reagem por impulsos. Quando Vitória ganhava, era o melhor do mundo e ai desses filhos da puta que o achavam mau treinador; quando deixou de ganhar, passou ele a "filho da puta agarrado ao tacho".

É claro que, como grunhos que são e continuarão a ser, não percebem que Rui Vitória tem todo o direito a exigir o dinheiro que lhe devem. Sobretudo, porque viu o seu contrato renovado há poucos meses e viu o Presidente dizer, há um mês!, que ele era o treinador para o projecto. Como grunhos que são, não compreendem que o verdadeiro filho da puta não é Rui Vitória, não são os adeptos que criticam Rui Vitória, nem sequer são os próprios grunhos. Como grunhos que são, continuarão a apoiar o filho da puta-mor e a chamar filhos da puta a todos os que o criticarem.

Da minha parte, vejo com satisfação a saída do treinador do Benfica pela simples razão de que o acho um treinador medíocre. Como sócio do Benfica, é meu dever lutar pela excelência no clube e não pela mediocridade. Por isso, desde 2015, quando se soube que Rui Vitória viria para o Glorioso, escrevi centenas de textos a explicar o porquê da mediocridade do técnico; saíram no meu blogue vários vídeos a mostrar o medíocre futebol que a equipa apresentava.

Isto não aconteceu há um mês; aconteceu com Rui Vitória campeão, depois bicampeão, até hoje. A minha análise ao jogo não depende de resultados e por isso está sempre sujeita à ira dos grunhos que nada vêem à frente dos olhos. Fui e fomos (no blogue que partilho com uma equipa de benfiquistas de luxo) insultados, ameaçados, chamados de portistas, apelidados de inimigos do clube. O costume em grunhos que infelizmente, pela sua pobreza de espírito, ajudam a fazer do Benfica um clube liderado por incompetentes. Houvesse mais lucidez, mais conhecimento, mais seriedade, mais educação, mais frontalidade, mais dignidade, mais inteligência, mais benfiquismo, e o Glorioso Sport Lisboa e Benfica poderia ser tudo aquilo que sonhasse ser.

Assim, com esta maioria de gente que vive de impulsos, populismos e mentiras presidenciais, ver-nos-emos sujeitos à total ignomínia: contratar um treinador que, há 3 anos e meio, foi atacado pelo Presidente do Benfica por supostamente ser um traidor da pior espécie. A propaganda de croquetes da BTV logo se apressara a anunciar a grande medida: iríamos receber 14 milhões de euros de indemnização - dizia Vieira: "um euro por cada adepto do Benfica traído". A reentrada de Jesus no Benfica, a acontecer, será o Presidente a enfiar o dedo no cu de todos os benfiquistas. E os grunhos vão gostar.

No meio disto tudo, de uma Ditadura vieirista que faz lavagens cerebrais aos grunhos e uma pseudo-oposição que ou não existe ou se bamboleia entre interesses pessoais, incoerências,  apoios e desapoios a Vieira consoante as marés, só uma luz no universo benfiquista resiste. Um blogue que ilumina, antecipa, avisa, propõe, demonstra, defende, não se vende, dá luz ao Sport Lisboa e Benfica. O Ontem vi-te no Estádio da Luz é o farol glorioso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

11 GLORIOSO PARA O NOVEMBER FEST



Ulisses
Almeida, Conti, Dias, Grimaldo
Fejsa
Zivkovic, Pizzi, Rafa
Jonas, João Félix

Sejam Gloriosos



Nunca, na História dos dois clubes, o Benfica teve uma oportunidade tão flagrante de poder ir vencer a Munique. A máquina demolidora tem tido graves problemas na engrenagem, deixando aos nossos craques uma possibilidade real de fazer muitos estragos.

Um plantel que tem Grimaldo, Fejsa, Gabriel, Pizzi, Zivkovic, Krovinovic, Rafa, Salvio, Jonas, Ferreyra, Seferovic e João Félix pode sempre ter uma noite gloriosa e aproveitar o mau momento do Bayern.

Sim, mesmo sem treinador acredito que amanhã seremos felizes.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Onze anti-aéreo

Svilar 
Corchia, Conti, Dias, Grimaldo 
Gabriel 
Zivkovic, Pizzi, Rafa 
Félix, Jonas 

O JORGE NÚNCIO



Há muitos muitos muuuuuuitos anos, nascia na Cedofeita um rapaz raquítico, de porte frágil, orelhas estranhas e uma verruga no coração. Os médicos atentaram no pormenor verruguento com cuidada atenção: nunca antes tinham visto tal coisa e decidiram, após profunda e demorada entabulação com o prior da freguesia, logo aconselhar os pais do rebento que o melhor, para evitar fúrias demoníacas e vulcões do demo, seria dar-lhe um nome de padreco ou pelo menos fazer uma referência, mesmo que sigilosa, à verruga consubstanciando-a num título religioso, para ver se Deus - nem sempre de bom humor com verrugas, quistos e outras deficiências - deixava passar este fenómeno sem iras divinas nem achaques nervosos.
Algo despeitados, os pais da criança lá acabaram por anuir aos desejos celestiais do padre de serviço. Estava em causa a sobrevivência do menino Jorge; tudo o que servisse para acalmar as forças do Eterno seria parco, até porque havia outras questões ainda por definir no seio do lar, como as recorrentes cagadelas da mãe nos lençóis brancos e a estranha mania do pai de ludibriar os clientes vendendo, não raras vezes (e disto o Senhor estava a par, com toda a certeza), água da torneira por águas finas da França. O casório deu em divórcio, naturalmente - nenhum Deus, por Santo que seja, aceita observar tais fracas virtudes nos seus apaniguados, menos ainda quando se misturam, em simultâneo, os pecados da badalhoquice com os do furto. Caramba, até para o Criador há limites.

Não interessa, no entanto, explorar este tão mal paridinho casamento. Detenhamo-nos em Jorge, agora já baptizado (não se sabe se a água dos canos se a Perrier) de Jorge Núncio de Lima Tinto da Encosta. Um nome que afinal, esqueçamos o título de embaixador do Papa que ali aparece em segundo lugar para não levantar grandes suspeitas, até revelava algum charme portuense. O "Lima", sempre tão agraciado pelos habitantes da Invicta, nome de ascendências históricas e nobrezas mil. O "Tinto" que funciona como os "Smith" ou os "Silva" da Cedofeita - nome popular, é certo, mas digno. E, é lógico, o "Encosta", que leva já milénios idiossincráticos no lombo, nome de marqueses e ladrões, feirantes, putas, prestidigitadores e seminaristas - no fundo, tudo da mesma cepa, apesar dos apesares.
 As professoras na escola ou os vizinhos nas montras dos devedores de fiados liam o nome: Jorge Núncio de Lima Tinto da Encosta e não podiam deixar fugir um "apre, quisto é nome de tripeiro, carago!", sempre entoando o "tripeiro" com mais força, mais veemência, mais orgulho, porque nisto dos nomes e das origens os corações batem sempre mais depressinha.

Jorge Núncio fez escola entre os seus pares: costumava apalpar os rabinhos dos colegas quando eles não estavam a ver e depois ria-se muito (malandro!) com aquele ar de espertalhaço que a verruga no coração sempre lhe deu. Tinha algumas dificuldades de aprendizagem, demorou dois anos para aprender a tabuada do 1 - via sempre mais à frente, Jorge Núncio; enquanto os colegas viam num 1x2 um 2 eles juntava sempre o x e respondia 1x2, que era o que ele tinha posto no Totobola sobre um emocionante Cedofeita-Madalena.
 Devido a estes episódios menos brilhantes, os amigos jocosamente apelidavam Jorge Núncio de "génio", denominação que ele levou no sentido literal e por isso repetia vezes sem conta sempre que chegava a casa. Pena a mãe estar aos peidos em cima do sofá e o pai a encher garrafas de PerrIer com água do Douro - a falta que não faz um harmonioso lar para o crescimento das crianças. "Papá, mamã, dizem que eu sou um génio, papá? mamã?", e o pobre Núncio num aflitivo e solitário pesar, não tendo a quem contar a sua evidente genialidade. Havia uns irmãos que por ali andavam aos caídos, um fazendo-se de macaco - "coitado", dizia o senhor prior, "é anormal" - e outros dois que passavam as horas sentados a contar os peidos da mãe, numa estereofónica sucessão de orquestra, perdendo-se, no entanto, na contagem, tal era a produtividade da progenitora - "mamã, vamos em 532 ou 533? Com molho ou sem?".

É triste, de facto, pensar no que Jorge Núncio teve de passar para chegar a homem. Tantas provações, privações, privados, parvoíces. O rapaz até tinha algum talento (belíssimo a preparar ramos de flores, por exemplo), mas a vida sempre a rebaixá-lo à condição humana do esgoto existencial. O padre da freguesia costumava dizer de Jorge Núncio aos vizinhos que "o rapaz até possui qualidades, mas quem patina em tais destroços tarde ou nunca se embeleza", mesmo que, nas tardes-noites, depois da missa, explorasse a beleza de orelhas estranhas, porte frágil e verruga no coração do menino Jorginho com deleite e mal-disfarçada desfaçatez, obrigando-o a horas extraordinárias a ajeitar as vestes dos santinhos, a cantarolar cançonetas de fraco teor bíblico e - Deus nos perdoe a confissão - a rezar em silêncio (ou quase, a saliva às vezes desnorteia-se), de joelhos na fria mármore do altar da gloriosa Igreja Paroquial de São Martinho da Cedofeita. São pecados que os santos não vêem porque não têm nem coração nem verrugas mas que as gentes, mesmo do lado de fora, pressentem.

Porém, a vida nem sempre se mantém neste patamar excremental. A muito custo - e tanto que Jorge Núncio pediu -, os pais acabaram por ouvir as suas preces (não há peidos que sempre durem nem água suja que nunca acabe): vinha aí o Colégio das Caldinhas, antro de luxo de uns jesuítas loucos por novas contratações de Inverno. Foi feliz, Jorge Núncio, em Santo Tirso. Comia duas ervilhas ao almoço, ao jantar sopa da panela - uma nhanha de água da canja com restos de ossos a preceito coada para dentro de um copo. Tinha brincadeiras e tudo - corria atrás de um pneu horas a fio, enroscava-se nas árvores, descobria o amor: um esbelto cigano que assentou tendas no descampado junto ao Colégio. Com ele descobriu a virtude do engano. Adorava andar às cavalitas do feirante, roçando a verruga nas costas largas do vendedor de putas. Conheceu putas, belíssimas mulheres que alimentavam o seu desejo intestinal de maternidade. Jorge era feliz em Santo Tirso - exceptuando as noites e as surpreendentes visitas de estudantes teológicos à procura da absolvição das almas, tinha uma razão para viver, quase não chorava quando ia dormir, possuía verdadeiro amor na verruga e já estava quase-quase pronto a ser um homenzinho.

Havia, no entanto, algo que Jorge Núncio ambicionava e não podia cumprir: ver o Bi-Campeão Europeu ao vivo. As tardes e noites que passou de transístor ao ouvido, com um padre em cima, a deleitar-se com os golos do José Águas, do Simões, do Torres, do Eusébio; momentos que o marcaram, enquanto fechava as pernas de espanto e desejava ser feliz num emprego mais próximo do Estádio da Luz. Infelizmente, diziam-lhe que essa era a terra dos mouros, que não podia aproximar-se, que eles comiam crianças ao pequeno-almoço, que era preciso ter cuidado - e desavergonhadamente lembravam-lhe a verruga no coração e a necessária devoção aos santos, não fossem eles conspurcar-lhe a existência. Inventaram-lhe um ofício num banco, puseram-lhe uma gravata ao pescoço e disseram-lhe que a partir daquele momento devia esquecer o Benfica: era portista e ponto final!, era do clube dos seminaristas e dos padrecos, dos governantes do Regime e dos pidescos, dos necrófilos e dos sem-lar. Era, no fundo, da equipa de Deus. Com camisola listada azul e branca e sentimento azul e bronco.

Sofreu muito, Jorge Núncio, com o trauma. Mas, como "génio" que era, rapidamente desenvolveu as suas maiores qualidades advindas dos traumatizados: bem patrocinado pelo chefe - homem de grandes contactos na região, empresário de sucesso e ilustre banqueiro -, não demorou a fazer de Núncio uma visita regular na sua casa da Madalena - anos mais tarde, Jorge Núncio também cumpriria esse sonho de possuir imóvel na zona, fazendo de GPS a árbitros e outros aconselhamentos matrimoniais  que nos escusamos a explicar não vamos ser presos, no lugar do famigerado terapeuta, por não estarem as provas suficientemente validadas pela Justiça Portuguesa.
Núncio comia e bebia como nunca: autênticos banquetes, já não de ervilhas e sopas da panela mas de latagões atraentes, musculados, bem oleados por vaselinas de castas da região (a manifesta qualidade reconhecida que há no Douro); Núncio vomitava muito: normal, o organismo de verruga e o cérebro de ervilha não tinham ainda aquela finesse que viria a adquirir quando se tornasse dirigente do Futebol Clube do Porto e transpusesse todos os conhecimentos que foi adquirindo ao longo da vida em bordéis, cerimónias, casas de empresários, seminários, igrejas, paróquias e demais empreendimentos turísticos, alguns no Brasil, que conhece de lés a lés, entre o calor da noite e as noites cheias de calor. Jorge Núncio tinha finalmente atingido o patamar da degeneração humana: queria ser grande e foder o mundo por o mundo o ter fodido.

Não podemos, nesta história, passar um pano sobre a importância que o povo portista, macerado por uma existência de infertilidade de sucessos, teve para a elevação de Jorge Núncio a herói regional. E, claro, não há como esquecer aqueles seres que pululam pelos jornais e televisões, sempre tão preparados para o elogio da loucura. Erasmo, uns séculos antes, falou deles todos. O problema é que ninguém lê.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

O melhor treinador que vi no Benfica


O Logo de Sonho


Abrimos hoje aos nossos ontianos um concurso que visa encontrar um novo logo para este blogue. Pedimo-vos que puxem por toda a vossa criatividade e façam os logos mais gloriosos que conseguirem. O único requisito é o de ter o nome Ontem vi-te no Estádio da Luz; o resto - estilo, imagem de fundo escolhida, tipo de letra, etc - é convosco.

Receberemos os vossos logos (enviem por mensagem) até Sexta-feira, 23 de Novembro. Depois criaremos eliminatórias entre logos até encontrarmos o logo final.

Obrigado e VIVÓ BENFICA!

sábado, 17 de novembro de 2018

O Hat-trick de Rui Águas - dois gloriosos golos e um extraordinário quase-golo



1988, segunda parte das meias-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Eu, o meu Pai e mais 129.998 benfiquistas na Luz sob o mote do Presidente João Santos - "Um benfiquista, uma bandeira" - cantamos "Benfica, Benfica, Benfica" a levar o Glorioso até à final de Estugarda. Mats Magnusson de costas faz um passe a isolar Rui Águas. O romeno do Steaua ainda consegue recuperar a bola, mas logo o filho do Bicampeão Europeu a rouba e segue rápido para a baliza, meio descaído na esquerda. Entra na área.

(O meu Pai mete a mão na minha perna e flecte os joelhos à espera do golo, eu meto a mão na perna do meu Pai e flicto os joelhos a desejar o golo, as pernas e as mãos cruzam-se e os joelhos flectem-se a ordenar o golo, os filhos metem todos as mãos nas pernas dos pais, os pais metem todos as mãos nas pernas dos filhos, todos os joelhos do mundo flectidos com saudades do golo. Tudo em tensão: mãos, pernas, joelhos. 130.000 pais e filhos, amigos, padrinhos, vizinhos e estranhos agarram-se às pernas uns dos outros numa corrente humana de pernas, joelhos e mãos a fazer do Estádio da Luz um absurdo fenómeno de flexões colectivas e o coração aos saltos, em místicas diástoles em gloriosas sístoles, pulsando desejos infantis: "faz golo, faz golo, faz golo, faz golo, faz golo, faz golo")

Rui Águas dá um toque ligeiro para a frente (amacia-a, prepara-a, acalma-a). Quando lhe aparece um adversário ao lado, mete-lhe a bola por entre as pernas, e, já sem espaço, salta - salta como um cavalinho, como se fosse o último salto de sempre - para poder rematar. Um lance à Jonas (ou é Jonas que tem coisas de Rui Águas?). Remata e a bola é defendida no chão por Liliac. Uma jogada transcendental que começou com Silvino e o seu equipamento verde a colocarem a bola em Álvaro que levantou na esquerda para a cabeça de Pacheco que, junto à linha, cabeceou para Magnusson que, de costas, meteu em Rui Águas e o resto é História. Um extraordinário quase-golo.

(Por todas as casas e cafés do país, por todo o mundo, os joelhos flectidos, as mãos nas pernas, a saudade do golo esvaem-se em quase-golo e os corações benfiquistas voltam à nervoseira habitual. Tudo sempre à espera de mais um golo. Do terceiro golo em viagem para Estugarda.)

A bola distancia-se da baliza adversária, segue para os romenos. Já fora do plano das câmaras, Rui Águas, longe da bola e no meio dos centrais romenos, frustrado pelo extraordinário quase-golo, automotiva-se olhando o Estádio da Luz - "Um Benfiquista, uma bandeira" - e, em pleno relvado, começa a sonhar com os dois golos que já tinha marcado na primeira parte.

(GOLO GLORIOSO NÚMERO 1 - Aos 25 minutos, canto para o Benfica. Pacheco trata da ocorrência. Como Águia Vitória, a bola voa por cima do relvado. Entra na área. Mozer, armado em Mozart, já tem tudo na cabeça e desvia para o segundo poste. A bola parece meio perdida, vai a sair do perigo. Mas não, há Rui Águas e a sua disponibilidade mítica para o salto-peixinho. O goleador anteviu, reflectiu, dispôs-se ao chão. Cabeceou não só para o lado contrário do guarda-redes como ainda lhe deu efeito para cima - poucos jogadores no mundo seriam capazes desta loucura: talento, técnica e uns pozinhos de despero. A redonda entra no topo da baliza, abana as redes e depois é o caos, o Estádio entrou em erupção e a lava caiu quente a queimar o relvado. Lembro -me de ser atirado com os meus 6 anos para 7 ou 8 filas abaixo. "Foi você que perdeu o seu filho num golo do Benfica?"

GLORIOSO GOLO NÚMERO 2 - Aos 33 minutos, Mozer (outra vez doidão por aquilo que hoje se definiria como o "movimento ofensivo"), segue meio-campo romeno adentro, faz passe para Rui Águas, que sofre falta. Livre perigoso, sobretudo se na nossa equipa tivermos um Diamante chamado Diamantino. O capitão não marca o livre de forma normal, ele faz diferente. Ele faz diferente: amanteiga a bola, marca um livre como se passasse manteiga por pão quente. Ela segue tão amanteigada por cima dos romenos só para encontrar a cabeça de Rui Águas que, em jeito perfeito como lindíssimo cabeçeador que sempre foi (um dos melhores da História do Futebol), a desvia, a encaminha, a ensina, a dirige para dentro das redes. Rui Águas é abraçado efusivamente, não notando que, nesta altura, na maluqueira dos 130.000, eu já tinha sido atirado para dentro da toalha branca do Eusébio. "Foi Você que encontrou o seu filho num golo do Benfica dentro da toalha do Eusébio?")

Rui Águas pensa em José Águas, o Pai. O bicampeão europeu homenageado pelo filho com a melhor forma que um filho pode homenagear o Pai: repetindo-lhe os feitos. 20 anos depois, o Benfica estava outra vez numa final da Taça dos Clubes Campeões Europeus.

O melhor 10 que vi jogar.


O melhor MÉDIO-DIREITO que vi jogar.


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

QUEM É JOSÉ MANUEL ANTUNES, O CROQUETE QUE INSULTA OS BENFIQUISTAS NA BTV?


José Manuel Antunes é um ex-lacaio de Vale e Azevedo que, quando quase todos os Vice se demitiram, ascendeu à Vice-Presidência e por lá se manteve até ao fim, sendo um dos principais responsáveis pela quase extinção do Glorioso Sport Lisboa e Benfica.

Hoje é lambe-cus de Vieira e insulta os benfiquistas em directo na BTV. Fica um cheirinho de quem é esta deprimente figura:

 https://arquivos.rtp.pt/conteudos/declaracoes-de-jose-manuel-antunes/