quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Rafa? Para Ontem.

12 comentários:

João disse...

Também gostava mas, com este plantel, não sei onde encaixar o Rafa...

Anónimo disse...

Salvio, Pizzi, Carrilo, Zivkovic e Cervi, para amanha.
Gonçalo Guedes e Diogo Gonçalves, pra semana.

Aquila Imperiale disse...

O G.Guedes não é , nem nunca será , um extremo.

Rafa , muito bom jogador e como tal seria para já! Agora, quanto custa , se é caro e como encaixa-lo não são problemas meus......nem vossos!

Anónimo disse...

20M€ por Rafa, quando recebemos 25M€ pelo Gaitán, é de mestre.

Benfiquista Tripeiro disse...

Os craques têm sempre lugar. Daqui por dois anos é vendido pelo dobro.

Pedro Ribeiro disse...

Exactamente, o Benfica não deve ter medo de ser grande. Rafa será/ia um substituto excelente do Jonas. A época será, desejavelmente, longa.

Anónimo disse...

Isto é sempre pelos "cromos" novos.

Vamos pôr isto de outra forma.

1. Rafa no Porto, Salvio no Benfica.

2. Rafa no Benfica, Salvio no Porto.

Que preferem?

José Ramalhete disse...

Prefiro a 3.

blimunda era linda disse...

Carrillo + 5M€.
Será que eles aceitam?

RedMist disse...

1. Considerando aquilo a que se propõem pagar por Rafa (sempre menos que o badalado, mas já lá vamos), dizer que se deveria contratá-lo implicará reflectir, antes de mais, sobre toda uma série de variáveis.

2. Que tipo de jogador é Rafa? Antes de mais, a desmistificação de um equívoco recorrente: Rafa não é 2.º avançado, pelo que, consequentemente, nunca será opção a Jonas. Fonte, Guedes: sim. Rafa: não.

3. Rafa é um extremo-esquerdo. Ponto. Podia ser a típica seta apontada às costas das defesas adversárias (à imagem de Salvio, ainda que do lado contrário), mas a sua passagem pelo SCB acrescentou outras coisas ao seu jogo: nomeadamente, jogo interior, entre linhas adversárias (à imagem de, por exemplo, Pizzi).

4. Olho para Rafa e vejo um misto de Simão e Pizzi: voa como Simão, pisa como Pizzi. Só não o faz tão bem quanto aqueles, na medida em que, verdadeiramente, não tem tanta qualidade. Redunda, contudo, num atleta que, no geral, tem qualidades muito apreciáveis, porventura únicas no plano nacional.

5. Assim, considerando os seus traços mais fortes (como a sua assinalável velocidade de definição e execução, de aceleração, profundidade, de desequilíbrio com e sem bola, de exploração das costas adversárias e entre linhas, para pisar outros terrenos, a sua solidariedade colectiva) e fracos (a sua força, dimensão no jogo aéreo, capacidade de finalização, não estando ainda totalmente convencido do seu jogo em espaços mais reduzidos)…

6. Tudo isto redunda que, no plano meramente técnico e físico, se afigure, à partida, como proveitosa a sua contratação.

7. É um jogador novo, com 23 anos, e, portanto, com ambição e boa margem de progressão. É português, o que aporta a vantagem de, além de estar familiarizado com a realidade do campeonato nacional, ter estatuto comunitário, podendo assim ser mais facilmente transferível para as grandes ligas.

8. Não me parece que se trate de um jogador excepcional do ponto de vista da mentalidade, inteligência ou carisma – e RV dá (e bem) muita importância a este aspecto. Tratando-se de um jogador de 23 anos, é a expressão exacta do que significa, actualmente, ser-se atleta profissional (ou mesmo um comum cidadão) com tal idade: com a superficialidade e ingenuidade inerentes.

9. Não constituirá um amparo nos maus momentos. Não será a principal fonte de boa disposição de um balneário. Mas também não complicará. Não me parece que se trate de jogador para “minar”, sequer um “garganta funda”. Parece-me um jogador “carteiro”: que entra ao serviço, entrega o que tem a entregar, troca de roupa e vai para casa.

10. Dali, virá profissionalismo. No sentido estrito do termo e somente isso.

RedMist disse...

11. Mas qual o momento da carreira do jogador? Bom, tivesse tido as oportunidades que mereceria no Euro2016 e, provavelmente, a disputa pelo jogador não se resumiria a clubes nacionais ou russos. Falamos de um jogador numa fase ascendente/meteórica da sua carreira. Tem vindo a jogar, muito e bem. A carregar a sua equipa nas boas prestações até então tidas. É, claramente, jogador de equipa grande e a estrela emergente do SCB: mas sê-lo-ia no Benfica, FCP ou SCP?

12. Pode parecer um aspecto insignificante mas, a meu ver, é aqui que reside o segredo da sua ida para A ou B. Não em quem paga mais, não em quem está num melhor momento desportivo: mas onde o jogador sinta que será “ele e mais 10”: assim lhe seja dada essa autonomia por quem é suposto zelar pelos seus melhores interesses.

13. E, esse clube, é o FCP.

14. Rafa encaixa que nem uma luva no tradicional FCP: atenção, no tradicional, não na metamorfose que tem sido operada. Dar-se-ia bem no SCP, mas acredito que seria sempre vítima da “mão-de-ferro” de JJ, da forma como amarra os jogadores às suas convicções. O JJ de 2009/2010, esse, já lá vai… As gentes do FCP suspiram há muito por um jogador como Rafa e, acredito, ali seria feliz.

15. E acredito também que, no Benfica, haja quem disso tenha plena noção. E é aqui que, mais do que as capacidades do atleta ou as reais necessidades do clube, entra em cena a táctica: nomeadamente, a tida fora das 4 linhas – que, no fundo, redunda na ideia de que, não ficando o Benfica necessariamente mais forte (há Cervi, Carrillo, Carcela), impede, com a contratação de Rafa, o fortalecimento significativo do FCP.

16. Isto já aconteceu esta época (e em muitas outras): por exemplo, o SCP de JJ ainda não conseguiu 1 jogador que fosse na disputa directa com o Benfica (o que deve ter deixado JJ encantado…) e, ficar com Rafa significaria, na sua essência, algo semelhante.

17. Problema? A limitação/finitude de vagas: que é como quem diz… não podem jogar todos. No Benfica, a disputa seria sempre com estes 3 jogadores: Carcela, Cervi e Carrillo. Apenas e só: não metam Salvio nas contas que, a ir, será sempre por outros motivos.

18. Carcela está, com pena minha, de abalada. Cervi é para manter. Carrillo, com a possibilidade Rafa, sai necessariamente. Não porque seja pior, mas porque seria contraproducente mantê-los, desportiva e financeiramente: na medida em que haveria sempre um deles a desvalorizar-se – algo de inconcebível face ao forte investimento e expectativas tidas.

19. Face ao acima descrito, acredito que o Benfica avance (se é que já não avançou) para Rafa, transferindo Carcela e Carrillo (e livrando-se assim, no caso deste último, de um pesado encargo salarial). O que significaria Cervi e Rafa para a esquerda do meio-campo. Considerando que Carrillo tem revelado um potencial com a dimensão da demora da respectiva afirmação… Considerando que vejo em Cervi o complemento ao que Rafa não tem (e vice-versa)…

20. Cervi e Rafa são (as) duas opções que, acredito, (melhor) serviriam os interesses do Benfica.

RedMist disse...

21. Muitas das vezes (mas não sempre, conforme, por exemplo, Renato nos mostrou), o negócio é o momento. Não era seguramente este o momento para transferir Carrillo: o ideal teria sido dar-lhe tempo, estabilizar, integrar, mostrá-lo por esses campos fora, voltar a ser uma opção regular na selecção do seu país e, então… dar o salto. Com um a dois anos de Benfica, consoante as prestações.

22. A opção Rafa, somada, porventura, a uma expectativa de valorização de Carillo não tão elevada quando comparados com a soma do inicialmente investido ao valor a ser despendido ao longo do seu período contratual, poderão ser aspectos adicionais na origem dessa decisão.

23. Contudo, como prova Renato, perante a necessidade de vender o quanto antes (ao caso, para que Rafa se concretize), o Benfica nunca colherá os proveitos de quem, com tempo e sem necessidade, beneficiaria, a médio/longo prazo, de verbas de outra dimensão. Sim: Renato foi um negócio “precipitado”… e nem seria necessário Europeu, as recentes declarações de Rummenigge ou as capas de hoje sobre João Mário com vista a facilmente concluí-lo.

24. Isto é: o Benfica, tendo de transferir o quanto antes, fá-lo-á sempre não tão bem quanto, seguramente, poderia fazê-lo futuramente, no momento adequado, aguardando. Não “queimando etapas”. Que é, precisamente, o que fará com Carillo (ou Salvio, caso se concretize, o qual estou convicto de que poderia ainda fazer muito).

25. Nos termos em que o negócio é noticiado, Rafa será um jogador sob enorme pressão. Como Simão o foi quando chegou ao Benfica: sendo, pouco após a sua chegada e face às modestas exibições, pronta e regularmente assobiado. A valorização do seu passe implicará, sobre si, uma expectativa que o jogador não fez por merecer: nem estou certo que consiga cumprir pois, acredito, não tem a dimensão de Simão.

26. Recorde-se: ainda que noutros tempos, Simão foi transferido para o Benfica por cerca de €10M (valor exorbitante para a época e para um Benfica “de tanga”) e, posteriormente, para o Atlético por €20M.

27. A ideia “€20M” é, com excepção do SCB, perniciosa para todas as partes envolvidas: para quem compra (pois soa a despesismo), para o jogador (provocando-lhe uma ansiedade desnecessária), para os adeptos (que, com essa verba no subconsciente, exigirão sempre exibições de gala do atleta, que resolva sozinho).

28. Se, ao invés de €20M, falássemos em €5M, seria uma das contratações da década e os adeptos aplaudiriam de pé. Faz sentido? Faz. Se me dissessem que (mesmo) Jonas tinha custado €50M, teria considerado a sua contratação uma heresia. Tendo vindo a custo 0 (o que quer que isso signifique), constitui a contratação da década.

29. Vejo Rafa como titular do Benfica (mas sempre “em sentido”, pela muita qualidade de um Cervi que, ainda assim, tem de crescer). E vejo Rafa como titular absoluto da FPF. Aos 25/26, vejo-o, seguramente, em Inglaterra. Não se trata tanto de perceber se vai render: mas quanto irá render, qual a margem de lucro. Sendo, para tal, decisivo o valor de aquisição junto de SCB. Que é preciso baixar.

30. O Benfica chega tarde a Rafa: à semelhança de Lima, o momento teria sido antes. Não agora. É no “antes” e não no “durante” que reside do segredo de uma grande contratação: de que Cervi ou Zivko são bons exemplos. Ainda assim, contratava-o seguramente. Mas sempre jogando com o tempo. Ao caso, concretamente, após o FCP ser eliminado pela Roma.