segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Rui Vitória e o Benfiquês



As conferências de imprensa de Rui Vitória são autênticas lições de benfiquismo. Ali se encontram todos os valores da Mística: solidariedade, espírito construtivo, memória pelos que passaram pelo clube e o elevaram, humildade, ambição, respeito pelo adversário, amor pela glória. Independentemente da opinião que temos sobre as suas qualidades técnicas, julgo ser consensual que Rui Vitória transporta no peito a verdadeira chama imensa. Para mim, é, a par de Toni, o treinador que mais gosto de ouvir falar essa linguagem linda e universal que é o Benfiquês.

18 comentários:

Rfa disse...

Mas relativamente à parte técnica, a verdade verdadinha é que sem atacar à maluca como nos tinham habituado, lá vamos cilindrando quem aparece pela frente. No campeonato passado, a diferença de golos marcados para o segundo foi o que foi, e ontem lá foram mais 3 batatas.

Paulo Duarte disse...

Que ainda haja opiniões sobre as suas qualidades técnicas deixa-me preplexo.

Lembra-me os idiotas que iam contestar o Vitor Pereira à porta de casa, nós agradecemos.

Ricardo disse...

Rfa, ontem estivemos mal defensivamente. Não é o resultado final que apaga o que se passou em campo.

Paulo, é de facto extraordinário que em 2016 ainda existam opiniões. É de deixar uma pessoa perplexa. Ou, no seu caso e muito bem, "preplexa".

joão carlos disse...

e não esquecer nesse lote o mario wilson

Paulo Duarte disse...

Ricardo, ganhar um jogo, pode ser sorte, especialmente num desporto como o futebol onde há poucos golos e o número de variáveis é imenso, agora ganhar um campeonato com recorde de pontos, taça da liga, chegar aos quartos da champions, supertaça e não aceitar que o treinador tem mérito, especialmente depois de lhe entregarem a equipa com uma pré época a roçar o ridículo com uma equipa que estava formatada depois de 6 anos com o mesmo treinador e a novela toda adjacente é de uma total má fé.

Todos podemos ter opiniões, gostar ou não gostar do modelo de jogo, táctica, etc, mas o futebol não é ginástica artística, não há pontuações para a técnica, ou beleza de movimentos, no fim ganha quem marcar mais golos.

RedMist disse...

1. Ainda JJ ia a meio da época 2014/2015 e já ia intuindo que RV seria o próximo a avançar. E até fui dos que concordou com a coisa: compreendi quer a saída de JJ (não tanto o processo da sua saída e, ainda menos, o espectáculo deprimente que a ele se seguiu), quer a sua escolha em detrimento de MS.

2. Não o digo com qualquer pretensiosismo: até porque fui dos (muitos à altura, hoje inexistentes) que, por meados de Novembro, estava francamente desagradado com o que via. Não tendo defendido a sua saída, dava, contudo, a época como perdida. Até o Braga jogava mais: o que, à luz do que a equipa apresentava, não era nenhum feito.

3. Nestes termos, defender RV não é ser benfiquista: é não querer enxergar a realidade. O que mudou entretanto? O que fez, em tão pouco tempo, RV ter passado de besta a bestial? O que aprendeu de novo que o tenha levado a um tal processo evolutivo que redundou no conhecido desfecho final da época passada?

4. Há uma frase de uma instituição nacional chamada Manuel Cajuda que pode ajudar a dar alguma luz quanto ao que se terá passado em seguida àquele período horribilis. Segundo reza a história, Cajuda tinha uma máxima que fazia questão de partilhar reiteradamente junto dos seus: “Eu sou o C’ajuda, vocês são os que trabalham”.

5. RV bateu de frente com a realidade e, como tem rabinho tem medo, meteu no saco a dinâmica de jogo que havia testado a 3000 metros de altitude durante a pré-época, encostando todas as teorias e fórmulas de posse e controlo (estéreis) até então idealizadas para olhar para o que havia na frente e concluir: para a frente e em força. Com o mercado fechado, foi buscar um miúdo que andava na Youth e na B a arrombar aquilo tudo. À medida que uns iam dando entrada no estaleiro, ia-se então, por exclusão de partes, “apostando na formação”.

6. RV percebeu aquilo que JJ não só nunca perceberá, como fará finca-pé quanto ao facto de constituir a mais inadmissível heresia: a ideia de um treinador enquanto mais um, para ajudar, para organizar de acordo com os recursos humanos disponíveis. JJ tinha um gabinete só para si no CFC. Já RV fez questão em mandar (literalmente) as paredes abaixo e fazer daquilo um open space onde todo staff técnico interage.

7. Há uma razão para nunca nenhum treinador ter marcado qualquer golo: é que não são eles quem jogam, mas sim os jogadores.

8. Do alto de toda a sua vaidade e pretensiosismo, JJ forçará sempre um plantel jogar “à sua imagem”. Percebe-se que, nas suas equipas, os jogadores estão profundamente “amarrados”. Não discuto os resultados, apenas o método. Já RV, com um banho de realidade em cima e a sentir as orelhas a arder, deixou essas tretas de lado e apostou num conjunto simples de ideias colectivas e facilmente apreensíveis, que permitissem a toda aquela gente explanar descomplexadamente todo o seu (muito) talento.

9. E não é o único. Bielsa foi um dia apanho por um seu irmão a meditar profundamente. Quando o irmão lhe questionou sobre o motivo de tão profunda reflexão, Bielsa respondeu-lhe: estou a procurar a melhor maneira de explicar, em 5 minutos, um conceito de futebol ao Ariel Ortega (que, não por acaso, tinha a alcunha de “el Burrito”) que, por norma, demora meia-hora a desenvolver.

10. Porque não existe só um caminho para o sucesso.

11. JJ declarou aos 7 vento que o fair play é uma treta. Vindo dele, não surpreende: deve preferir um desporto onde todos se cuspam na cara. Pessoalmente, defendo que toda esta moda sebastianista de treinadores detentores de uma qualquer táctica mágica que leva uma equipa de pinos à glória… isso sim, soa a balelas.

12. Mais: detesto equipas onde se sente um fortíssimo cunho pessoal do treinador. E acredito que tal aconteça igualmente com qualquer jogador: na medida em que o “colete de forças” é maior. É um disparate: na esmagadora maioria dos casos, trata-se de procurar eliminar um factor inerente ao jogo mas que os treinadores, por norma, abominam: a imprevisibilidade, a aleatoriedade, o inesperado.

RedMist disse...

13. Em suma: o que faz de um jogo algo verdadeiramente interessante.

14. Pedroto já o defende desde há décadas há muito idas. Quando questionado sobre qual o segredo do sucesso de qualquer treinador, respondeu: ter os melhores jogadores.

15. E o Benfica, a partir de Novembro, passou, gradualmente, a jogar com os melhores. RV não complicou. Ajudou no que tinha de ajudar. E mandou-os lá para dentro. Fazer o que melhor sabem. Sem amarras. Sem complexos. Sem tretas. Jogar. Com os resultados e o futebol que são conhecidos.

16. Li recentemente o seu livro. Gostei. Simples. Despretensioso. Uma boa porta de acesso para melhor conhecer o treinador e o homem. Algumas discrepâncias entre aquilo que defende e o que aplica na prática. Mas é um livro honesto, pelo qual dei o meu tempo por bem empregue e que ajuda a perceber o ontem, hoje e amanhã de algumas das decisões que vão sendo tomadas. Aconselho.

17. Não aprecio a posição “distante” que tem do plantel (é 1 adjunto quem interage primordialmente com o grupo, dando-lhe aquele o respectivo feedback). Percebe-se que há ali respeito, mas não necessariamente empatia, proximidade, confidência. Considero que trata uns como filhos, outros como enteados. Não é um mago. Não é sequer excitante. Mas, ao menos, tem o mérito de ter percebido onde estava, o grupo que tinha, o que apanhou do passado, moldando-se às circunstâncias.

18. Não é JJ? Óptimo. Não aprecio “vacas sagradas”: por norma, consideram que já sabem tudo o que há para saber. Só eles é que sabem. Só eles é que pensam. São eles quem marcam golos. Defendem penaltis. Tudo. O resto é paisagem. Até alguém aparecer e fazer toda essa lógica valer menos que uma batata.

19. RV é sabedor do que aplica, mas é sobretudo sábio na gestão da posição que actualmente ocupa no clube, sobretudo no que se refere à perfeita consciência que tem de todas as inseguranças (naturais) desta sua fase da carreira. Delega nos seus. Confia nos atletas. Máxima liberdade, máxima responsabilidade.

20. O meu tipo de futebol? Aquilo a que Klopp chama de “futebol rock n’ rol”. Para a frente e em força. A rasgar aquilo tudo. Só grandes malhas. JJ fê-lo em 2009/2010 e por isso foi tão amado. E é precisamente isso que este Benfica de RV tem feito. Mesmo (diria, sobretudo devido a) todas as imperfeições de RV.

21. Porque RV sabe precisamente até onde consegue e deve ir. Não menos, não mais. E que, a partir dali, com vista a alcançar determinados “solos”, é preciso saber abdicar do controlo. Largar a mão, passar o testemunho, deixar ir e confiar. RV é benfiquista, inteligente, com bons valores e a típica ambição de que está a começar: mas é, sobretudo, o acima referido que, neste momento, faz de RV um excelente treinador para o Benfica.

22. Dentro e fora das 4 linhas: não se faz mais do que realmente é.

23. Tal como assistimos ao melhor Mourinho quando aquele ainda não era “o” Mourinho. Ao melhor Guardiola quando este não era “o” Guardiola. Ou JJ “o” JJ. RV é melhor por ainda não ser “o RV”: apesar do já alcançado, está a começar, quer fazer bem, mas sempre sem pisar nos calos de ninguém. Em especial, de quem interessa, de quem aplica na prática as suas ideias.

24. Porque, contrariamente ao defendido num badalado anúncio televisivo, o segredo não está na massa. Não está nos treinadores. Sequer em “estruturas”. Todos eles podem, quanto muito, ajudar ou dificultar. Mas, ao final do dia, tudo se resume aos jogadores. Quem tem os melhores. Quais estão melhor. E qual o melhor tónico para a mente de qualquer atleta? Jogar e ganhar. Sem tretas. O resto acontece naturalmente. Mesmo o fair play.

Ricardo disse...

Paulo, mais uma vez, está a dizer que eu disse coisas que não disse. Claro que Vitória tem mérito. No resto, é impossível discutir futebol com quem acha que o resultadismo é a única religião possível.

Anónimo disse...

Caro RedMist,

Bom texto, incisivo, gostei de ler, ainda que, aqui ou ali, não me reveja totalmente no que pensas.
Por exemplo, quando dizes que há filhos e enteados. Podes especificar? Nunca dei por ela, antes pelo contrário. Acho RV bastante aberto a todos, respeituoso sem excepção.

Abraço
Pedro B.

( Ricardo, Vitória é benfiquista, mas pouco competente, Vieira é competente, mas pouco benfiquista? :) )

Ricardo disse...

Pedro, Vieira é um aldrabão. É sobretudo isso que o define.

RedMist disse...

Pedro,

RV é respeitador no trato, não nas oportunidades (deliberas, que não por imponderáveis) dadas: ainda que admita que, muitas das vezes, “outros valores se levantam”. Nomeadamente, os da direcção.

Por exemplo: Raul, o “Mr. €22M”. “Teve” de jogar “N” vezes no início da passada época: ainda que, manifestamente, não estivesse enquadrado, não tivesse golo e estorvasse a acção de outros (nomeadamente, Jonas). Quando a coisa começava a roçar o exasperante, teve de lançar Mitro que, à lei da bala e por mérito próprio (não o de empresários), não mais saiu.

Mitro sairá inevitavelmente na próxima época, na medida em que seria embaraçoso justificar um investimento desta monta por… um suplente de Mitro. Que é o que Raúl é. Relaxa, sai Mitro, entra Danilo: por meros €15M. Um achado.

Outro exemplo: Carcela. Esperou pela oportunidade, ela surgiu aquando da lesão de Gaitan. Entrou, ganhámos todos os jogos em que participou, tendo aquele estado em belíssimo plano. O que aconteceu? Gaitan volta e Carcela desapareceu das contas. Quando voltou RV a contar com ele? Quando estava verdadeiramente à rasca. Como no Bessa, onde foi decisivo.

Carcela pode até ir (e vai) embora, mas asseguro-te que não tens outro igual. Aquele futebol… tem perfume a Quaresma. Mas lá está: é o negócio.

Paulo Duarte disse...

"Independentemente da opinião que temos sobre as suas qualidades técnicas", o que eu disse foi que não há margem para ter outra opinião que não seja corroborar que o RV tem qualidade, como tem JJ, MS, VP, e muitos mais treinadores.

Pode-se gostar mais ou menos de modelos de jogo, jogadores escolhidos, penteados, etc, agora o futebol de hoje já não é o mesmo que era no benfica nos finais dos 90.

Anónimo disse...

Caro RedMist,

Pois, lá está, temos opiniões diferentes, nesse ponto. Então, quando tocas em perfume a Quaresma, vai, Carcela, vai! Repara, Gaitán era o nosso melhor jogador. Jonas é o mais inteligente e elegante, Nico era o melhor, o génio. Lembras-te do jogo quando regressou de lesão? Os melhores têm de jogar sempre. Exemplo recente: Rafa, no Braga, com uma semana de treinos sentou o irmão Horta mais velho e jogou que nem um desalmado.

O sr.22M, esse julgo que RV andava a tatear quem renderia mais com Jonas. E o lance deste a reclamar com o Mitro, num jogo da Luz, mostra que, nessa altura, ainda era tudo muito na experiência. Jogou o Victor Andrade, jogou o Clésio! Quando percebeu que o grego é o verdadeiro ponta de lança, sentou o mexicano. Mas, atenção, não falando do que se pagou (entraria noutro campo), o rapaz é muito bom e não o devemos menosprezar pelo que custou. Só ele resolveria em S. Petersburgo e em Coimbra, por exemplo.

Enfim, temos uma equipa mesmo muito boa e um treinador com capacidades também técnicas. Aproxima-se uma época apaixonante. Cervi, Zivkovic, Jonas, Horta, Grimaldo, Lindelöf, Pizzi, Fejsa, tanta qualidade.

Abraço
Pedro B.

João Gaspar disse...

Só um reparo, a interpretação de que JJ disse que o fair play é uma treta foi e é mal interpretada. O que ele disse foi que um fair play baseado meramente no atirar a bola para fora ou devolver ao adversário é uma treta. Isto é, o verdadeiro fair play vai muito para além disso e esse fair play não é praticado em portugal. tal e completamente é verdade. Excemplo: raramente vejo adeptos aplaudirem/saudarem a equipa adversário. Antes do JJ passar pelo Benfica era quase certo que perante uma desvantagem do benfica em jogo vinha a tremideira e o silêncio. Ainda hoje é um pouco assim quando se jogo com o Porto.

Cumprimentos,

João Gaspar disse...

Não concordo muito com a ideia defendida: "treinadores e estruturas podem, quanto muito ajudar ou dificultar".
Há vários exemplos de equipas produzirem resultados diferentes com treinadores diferentes. Desde o Pedroto no Vitória e especialmente Boavista, ao Sporting com JJ, ao Inter com mourinho, ao leiria com mourinho...

Cumprimentos,

RedMist disse...

Pedro,

1. Carcela tem coisas de Quaresma e isso é bom: lembro a preponderância do jogador na última fase de um FCP ganhador. Porquê? Porque tem aquele raro talento natural: que ou se tem, ou não se tem. É aquilo a que se chama de “abre-latas”. Jogando o Benfica à volta de 85% dos jogos em pressão ofensiva, jogadores destes dão, seguramente, muito jeito. Além de que, contrariamente a Quaresma, Carcela tem sensibilidade e capacidade defensiva. E mais “cabecinha”.

2. O Benfica não precisa de setas: precisa de criadores e aproveitadores de espaços. De tão lá atrás que os adversários jogam, correr muito não chega. Carcela cria espaços, aproveita-os: é daqueles que, até dentro de uma cabine telefónica, o consegue fazer. Magoou-me a sua expressão, ainda no relvado de Aveiro, quando abordado pela hipótese da sua saída. Percebeu-se mágoa no seu olhar: de quem queria ter feito mais, merecia ter feito mais, provavelmente não desejando sair.

3. Gaitan não era o nosso melhor jogador (mas já lá vamos). Ainda assim, admito que, pela sua qualidade e estatuto, merecesse, quando totalmente recuperado, avançar para o 11. Ora, Gaitan fez uma época aos soluços, sentiu-se que nunca esteve verdadeiramente no seu melhor. Acresce que, mesmo querendo meter Gaitan, isso não significa necessariamente que Carcela merecesse ser ostracizado – que é o que verdadeiramente aconteceu. Até Salvio, nas condições precárias a que todos assistiram, mereceu mais hipóteses.

4. Mas se juntarmos a necessidade das negociatas… à CAN, à cultura do jogador, o seu perfil “rock star”, à idade, valor de mercado, necessidade de abrir alas a quem aí vem e poder render mais (Cervi, Zivko, Carrillo… ao que parece, Rafa…), Carcela está “condenado”. E é uma pena pois, contrariamente a Taarabt (o negócio, perdoem-me o termo, mais estúpido a que eu ali alguma vez assisti – e não foram poucos), sente-se que o jogador cresceu enquanto homem. E teria muito para dar.

5. Podes-me assegurar que Carcela não seria titular no FCP ou SCP? Que não encaixaria que nem uma luva, especificamente, no FCP? Pode ser que ainda o voltemos a ver pelos relvados de Portugal…

6. E aproveitando o paralelismo entre Carcela e a hipótese Rafa, dizer o seguinte: aquilo a que se tem assistido passa uma imagem absolutamente execrável do clube – inclusive, junto dos seus próprios atletas. Quem, na 1.ª pessoa, dentro de um balneário, assiste ao que se tem passado, apenas pode pensar uma coisa: amanhã, provavelmente, posso ser eu. Fazerem-me o mesmo. Recordar que falamos de pessoas, atletas profissionais, com aspirações, família, sentimentos, a quem foram prometidas coisas: não nacos de carne dispensáveis à 1.ª hipótese, num carrossel de entradas e saídas anuais que não pode parar.

7. Enganaram o Carcela mas, com práticas destas repercutidas no tempo, estão-se a pôr a jeito. A mim, enquanto atleta profissional, não me apanhavam seguramente num clube que tivesse condutas desta natureza: mesmo que, enquanto benfiquista, fosse abordado por responsáveis do Benfica. Aqui, mais que a clubite ou o sentimento, impera a ética (onde quer que ela esteja ou signifique nos nossos dias).

8. No limite, preferia ir para a concorrência: ajudar a ganhar tudo o que houvesse para ganhar e, assim, ajudar a remover toda a porcaria instalada no Benfica. Porque, infelizmente, é a única maneira de as coisas mudarem: quando se perde.

9. Quanto a Gaitan ser o melhor jogador: Gaitan, no seu top, nunca mostrou ser indiscutivelmente superior, por exemplo, a Jonas: um atleta em final de carreira. É um belíssimo atleta, mas nem sequer pode ser considerado jogador de clube grande europeu: senão, para lá já tinha ido – como Renato foi… aos 18.

RedMist disse...

10. Coloquemos as coisas da seguinte forma. Não tenho dúvida alguma de que a sua ausência não será, nem de perto, sentida nos termos em que serão Renato, Jardel, Jonas ou Mitro. Acho que pouca gente ainda se apercebeu do centralão que ali temos e que, no mercado actual, jogadores com as características de Jardel passíveis de ser adquiridos pelo Benfica (e ao preço a que o Benfica pede)… roçam o nulo. Veja-se as dificuldades de FCP e SCP em contratar para aquela posição.

11. Mais: Jonas e Mitro. Irrepetível. Histórico. Digo-te o seguinte: temos o melhor ponta-de-lança e avançado que o Benfica (e o mercado nacional) podem comprar. Na mouche! Melhor, actualmente, não vislumbro. E, ao que parece, nem o Benfica: veja-se a discrepância de qualidade para as restantes opções.

12. De Jonas nem vale a pena falar. A única razão pela qual os benfiquistas não reparam e salientam mais regularmente as capacidades de Mitro prende-se, única e exclusivamente, pela enorme qualidade de Jonas. Não houvesse Jonas… e Mitro era o abono. É isto que me apraz referir sobre o quão bom Jonas é.

13. Mitro é tão bom que até digo mais: à semelhança de Aimar ou Saviola, não julguei ser possível trazê-lo para o Benfica. É o melhor ponta-de-lança consagrado a que o Benfica (ou qualquer outro clube nacional) pode, actualmente, aspirar encontrar no mercado.

14. Pelo que me lixa ainda mais o facto de termos de o ver partir por negociatas entre super agentes (soa a 007, mas não têm nem de perto a mesma classe) e dirigentes que hipotecaram, irresponsavelmente, os dinheiros e património do clube (sim, seria sempre possível chegar a este mesmo ponto em que nos encontramos por muito menos).

15. Acho que muita gente não tem ainda noção da forte possibilidade de Jonas e Mitro partirem (simultaneamente) na próxima época, da raridade/impossibilidade que constitui juntar 2 jogadores desta craveira, assim como das fortíssimas consequências desportivas que poderão advir das suas saídas.

16. Falas em tactear, experiências… não te metas nisso. Isso é o que nós aqui fazemos, que não estamos lá dentro. Lá dentro, em pouco tempo percebes logo quem conta, quem vai ter de esperar… e quem não conta. Isto não é Física Quântica, é bem mais simples do que querem fazer-nos papar. O Victor Andrade e o Clésio jogaram uma ou outra partida: Raul era para ser enfiado pela garganta a dentro dos benfiquistas, não fossem os resultados pavorosos.

17. Mas alguma vez, em circunstâncias normais, o Raul, nos termos em que veio, ia para o banco de suplentes por… um emprestado oriundo do Fulham? Não te metas nisso. A única razão pela qual Mitro foi contratado e é titular… é porque é melhor, fez por isso e joga muito. Podes dizer o mesmo de Raul? Certo. E eu até gosto de Raul: não gosto é do que se pagou por ele – uma heresia.

18. Por fim, e não me querendo alongar mais (que isto já vai longo) dizer que, por vezes, a qualidade (que indiscutivelmente existe no Benfica, ainda que mais para umas posições que para outras) pode ser um obstáculo, um factor que mina um balneário. Poderá haver casos onde, perante idêntica qualidade ou até o estatuto superior de alguém com qualidade inferior, dar-se o caso de jogadores que, conscientes do seu talento e mercado, querem sair. Já aconteceu: e pode perfeitamente voltar a acontecer. É até provável que assim aconteça.

19. Há qualidade? Há. Para algumas posições, em excesso. E tudo o que é em excesso, faz mal.

20. PS: Viste onde foi feita a cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos? Isso mesmo: no Maracanã. O Maracanã que não foi destruído: mas remodelado, beneficiado. Ao ponto de poder cumprir os padrões de excelência de JO ou FIFA. Mas lá está: são brasileiros, não percebem nada de futebol…

RedMist disse...

João Gaspar,

1. JJ é um duro, um treinador de um tempo onde o futebol não era para “copinhos de leite”. Eu vi o Enzo levar com uma bujarda na cabeça frente ao SCP, em plena Luz, o jogador ir ao chão, levantar-se, andar ali a pensar que estava no Paraguai… e JJ a mandá-lo lá para dentro e deixar-se de merdas. Quando era claro quer o facto de o jogador não estar em condições, quer a possibilidade de ter ficado com lesões que suscitariam outra cautela.

2. Sendo como é, vai sempre extravasar o limite até onde quem de direito deixar. Fê-lo com LFV (porque é um líder fraco, que não olha nos olhos, não sabe falar grosso, dar um murro na mesa, e, por isso, o futebol nacional ainda está como está, assim como JJ fez por ali o que bem quis durante 6 anos); fá-lo-á com as regras: as do fair play ou quaisquer outras.

3. Se o fair play é uma treta? Em Portugal, na prática, é. Mas cabe aos agentes do futebol lutar para que assim não seja. Se não eles, quem?

4. Quanto à tremideira frente ao FCP, ela não acabou com ou graças a JJ: diminuiu (não confundir com desapareceu) devido à implosão (ainda em curso) do próprio FCP, conjugada com um mercado que não tem interesse em patrocinar as habituais Sarajevo que apanhávamos (há não muito tempo atrás) quando lá íamos acima. Foram 30 anos daquela porcaria, não desaparece assim de um dia para o outro. E, a avaliar por aquilo a que por aí vou assistindo, vamos lá ver se a coisa não volta.

5. Neste país, combatê-la será sempre um trabalho inacabado. E se tivermos o que o Benfica tem para lá metido (que, com 15 anos da coisa, não conseguiu melhor do que aquilo que, actualmente, está, por exemplo, no CA; ou ter qualquer peso na decisão absolutamente abominável do “caso Slimani”), então o desafio fica, digamos… ainda mais inacabado.

6. O Benfica está com tudo para renovar o título. Tudo. Se não der tiros nos pés e conseguir resistir à javardeira de que vai ser alvo, é o mais forte candidato. Problema: ficaria surpreendido se os níveis de indecência, esta época, não atingissem novos máximos. Mais do que aos meninos bonitos ou à “estrutura”, vão ter de se agarrar aos “panzers” da equipa para resistir. Assim como aos adeptos.

7. Calcem as luvas em latex, as botas de borracha e metam os óculos protectores: o campeonato nacional vai começar ;)