Foi bom, tem sido óptimo, saborear o jogo e a festa de
domingo. A festa que nos estava prometida, que nos era devida há 3 anos,
finalmente chegou. O país de vermelho vestido saiu à rua e festejou. Festejou
como só é possível de cada vez que o Benfica se sagra campeão nacional.
Não obstante, a época ainda não terminou, há ainda
mais para jogar, para conquistar. E muito desse “mais” discute-se nos próximos
dias, com a disputa da meia-final da Liga Europa com a Juventus e a meia-final
da Taça da Liga com o FCP.
Foi com grande surpresa que vi a eliminação da Juve na
fase de grupos da Liga dos Campeões. Não sei bem apontar razões para que tenha
acontecido, pois os jogos do grupo em que os transalpinos se encontravam
integrados, realizavam-se nos mesmos dias dos nossos. Porém, o plantel dos
Italianos, tal como o do Benfica, é plantel de Liga dos Campeões e não de Liga
Europa.
Nesse sentido, devemos entender que este será o
primeiro adversário top que encontraremos nesta edição da Liga Europa, com a agravante
de ser o clube proprietário do estádio onde se realizará a final da competição.
A Juve, normalmente, organiza-se num 3x5x2. Na minha
opinião, o seu melhor 11 é constituído por: Buffon, Barzagli, Bonucci e
Chiellini; Lichtsteiner, Pogba, Pirlo, Vidal e Asamoah; Tevez e Llorente. Neste
11 podem ainda entrar Cáceres, Marchisio, Giovinco ou Osvaldo, sem que a equipa
tenha perdas significativas de qualidade.
Com uma defesa a três, nas alas vivem jogadores de
elevado ritmo e capacidade física, que tanto asseguram uma defesa a 5 quando a
equipa se encontra em processo defensivo, como asseguram toda a largura e
alguma profundidade ofensivas quando a equipa se encontra com bola. No sector
intermédio é, como em qualquer equipa que jogue, Pirlo o comandante máximo de
todas as operações. Não tem, como nunca teve, grande intensidade, mas tem cada
vez mais refinada a sua qualidade de passe e definição ofensiva, bem como
posicionamento defensivo. Junto a si tem uma escolta de honra constituída por
Pogba e Vidal. Dois jogadores com uma intensidade tremenda que emprestam à
equipa toda a agressividade que Pirlo não consegue dar. Pogba e Vidal são dois
tanques de combate, mas também excelentes jogadores no plano técnico. Ambos têm
grande capacidade para ultrapassarem linhas em posse, bem como boa capacidade
de remate, contando já com vários golos marcados – O chileno é o marcador
principal de grandes penalidades. Na frente, o espanhol Llorente é o jogador
mais posicional, sendo mestre a segurar bola enquanto aguarda pela subida dos
companheiros. À excelente estampa física junta uma boa capacidade técnica e um
jogo aéreo assinalável. Ao espanhol junta-se El Apache Carlos Tevez, como elemento mais vagabundo do ataque
italiano. O pequeno bombardeiro argentino tem carta-branca para actuar em toda
a largura da frente de ataque, sendo temível quando se encontra na
meia-esquerda e flecte para o centro, podendo assim aplicar o seu forte remate
de pé direito.
Quanto a mim, o maior perigo da Juventus, surge pelo
seu jogo interior, seja na capacidade de penetração em posse dos dois escudeiros
do estratega Pirlo, com triangulações efectuadas com os alas e a dupla atacante,
seja na capacidade de remate de ambos ou pela capacidade que Pirlo tem em
colocar bolas a longa distância, sendo-lhe de fácil execução uma mudança de
flanco eficaz, aproveitando assim o natural desequilíbrio do adversário.
A nosso favor há o facto de todos os centrais
transalpinos serem algo duros de rins e lentos, aspectos que podem ser
explorados pela mobilidade e rapidez da nossa melhor dupla atacante (Lima e
Rodrigo) – embora seja provável que Cardozo seja um dos titulares. Com dois
extremos que se movimentam tão bem no espaço interior como Gaitan e Markovic,
podemos aproveitar essa mobilidade para explorar algum eventual arrastar dos
centrais adversários, por via da movimentação dos nossos avançados ou, caso não
aconteça, explorar os flancos, onde pode haver espaço por via da forte propensão
ofensiva dos alas da Juve. Caso seja Rodrigo o elemento mais recuado da nossa
dupla ofensiva, pode estar aqui também um factor de desequilíbrio, pois o jovem
espanhol pode e deve aproveitar a falta de intensidade e velocidade de Pirlo,
desequilibrando assim no espaço deixado entre as costas deste e os centrais.
Sob o ponto de vista defensivo será importante que o
homem mais recuado do ataque, seja capaz de “morder os calcanhares” a Pirlo,
não lhe dando espaço para decidir e executar com qualidade. O experiente médio
italiano é simplesmente genial quando encontra espaço e tempo para executar,
mas não dispõe de grande capacidade para se desenvencilhar do 1x1.
Uma forma de limitar os movimentos verticais dos
médios e auxiliar os centrais na luta com a dupla atacante da Juve, pode
residir na capacidade dos laterais se juntarem aos centrais e assim formarem um
bloco compacto na zona interior, deixando o acompanhamento dos alas adversários
para os extremos.
Em suma, este será o adversário mais competente que
teremos pela frente na presente época, mas a eliminação está longe de ser uma
inevitabilidade. Será sempre difícil, mas longe de impossível.