quarta-feira, 5 de julho de 2017

A magia (ou a bruxaria) do Estádio da Luz

É em maio - e com o final do campeonato - que o cansaço aparece. Não, não sou jogador do Sport Lisboa e Benfica. Sou, apenas, adepto. E é nessa altura que surgem as certezas: “Para a próxima época fico em casa. Vejo os jogos na televisão. Evito chuva e frio”. Passa junho e essa certeza começa, aos poucos, a perder força. Chega julho e essa certeza ganha contornos de blasfémia e é a saudade de voltar ao Estádio que toma conta de mim. Chega a doer…

Vem à memória o túnel cheio de vida e o vermelho, ainda mais vivo, do Estádio que vai surgindo. Vêm à memória as conversas cruzadas de pessoas felizes que chegam vindas de tantos lugares e que ali se cruzam. Vem à memória a senhora que vende o cachecol do jogo como quem entoa um cântico. E a águia que, lá do alto, nos diz, em silêncio, do que somos feitos e daquilo que queremos continuar a ser. Passo os torniquetes. O relvado é já ali e, aqui, fica o meu lugar. Como é bom voltar a casa.

Sempre fui daqueles que entra no Estádio pouco tempo depois de abrirem as portas. Porquê? Porque preciso daquele momento. Faz-me bem. Fico a olhar e a pensar no que virá. Depois, erguem-se os cachecóis e percebemos porque estamos ali. E quando soa o apito inicial… A pele de galinha não é culpa do vento frio de dezembro. Não. É culpa do golo do Jonas, do passe do Pizzi e do corte do Luisão.

Pois é… Tenho saudades. Incrível como não consigo deixar de as sentir, como não consigo deixar de querer voltar. Nós, adeptos deste clube, já só pensamos nisso. Em voltar. E, sim, é essa a magia ou, quiçá, a bruxaria do Estádio da Luz.

André.


4 comentários:

António Oliveira disse...

Até fiquei arrepiado ... saudades!

Anónimo disse...

Pois, é essa bruxaria e depois paga-se mais de 100mil brocas a um bruxo da Guiné.

Miguel Ferreira (SLB) disse...

E, para todos nós, o ano começa em Julho. Para a minha geração, começava com o capitão Veloso, secundado por Isaías, Vítor Paneira, Schwarz e afins. Se, como defendeu Lavoisier, "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", podemos admitir que, no ninho da Águia, os Heróis criam-se, não se perdem, apenas se transformam ou transmutam. Ontem era Paneira, hoje é Jonas. Amanhã será outro alguém. A camisola, essa, será sempre a mesma. Para nosso gáudio!

Fung disse...

Assino por baixo! É o tipo de sentimento que fica depois das épocas longas que temos tido, sinal da boa qualidade de futebol e dos resultados da equipa!