quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Os Nossos Ferem-nos e os Outros Aproveitam-se


O que se está a passar no nosso Benfica é vergonhoso. Aliás, há anos que o é.

Esta pessoas que andam no futebol acham que nada lhes toca. Que o Futebol é um mundo à parte.

E até parece ser. Porque o cidadão João não é a mesma pessoa que o adepto João. A cidadã Maria não é a mesma pessoa que a adepta Maria.

No Futebol onde deveriam imperar os mais altos valores de desportivismo, respeito, solidariedade e camaradagem, neste mundo olhado e seguido por milhões e que devia ser um exemplo de comportamento para todas as crianças, é onde todos largam toda a educação e valores segundo os quais cresceram.

O que importa são as cores. As cores definem quem é o bom e quem é o mau. Não são os seus comportamentos. Não é a pessoa em si.
Se é da nossa cor é dos nossos. Se é dos nossos é dos bons. Se não é dos nossos é dos maus.


O futebol português é uma guerra de clubites onde os cidadãos se estragam, os clubes se arruínam, as pessoas se magoam e os dirigentes aparecem para recolher os espólios.

O sentimento de impunidade que existe nos clubes é alimentado pela existência de milhares de adeptos que vivem mais a guerra de clubes do que o desporto em si.

Os adeptos largam dos seus valores, da sua cidadania, dos valores que fundaram o clube, para darem a cara por um dirigente sobre quem nada sabem, para se sacrificarem por alguém que os usa como escudo em proveito próprio e que não se coíbe de lhes mentir, manipular e enganar.

O que se passa dentro do Benfica é vergonhoso, foi permitido e motivado pelos seus adeptos e assim o continuará a ser.

Porque ao adepto benfiquista importa mais o Porto e o Sporting do que o próprio Benfica. Tal como acontece em todos os outros clubes.


Somos gente que não percebe que quem faz mal ao nosso clube é quem lá anda dentro. Os nossos dirigentes ferem-nos e os nossos rivais desfrutam dessas feridas.

Vamos continuar todos a ser intoxicados pela comunicação oficial e oficiosa da Direcção do nosso clube? Vamos continuar a assobiar para o lado? A permitir que lesem o clube que amamos? A permitir que nos enganem?

O futebol irá melhorar quando os adeptos deixarem de estar de costas para o seu clube. Passamos tanto tempo a apontar o dedo e a olhar para os outros que não nos apercebemos que entretanto virámos as costas ao nosso amor.

Os benfiquistas têm de resolver o problema que têm em casa. Todos estes processos e suspeições têm de ser analisados, visados e valorizados pelos benfiquistas. Estamos a falar da nossa casa.

Os sportinguistas têm de lidar e enfrentar o que o antigo presidente deles lhes fez e o que o processo Cashball indicia.

Os portistas já há muito deveriam ter reconhecido o que se passou na altura do Apito Dourado e retirado consequências disso.

Mas todos, todos sem excepção, só se preocupam com a casa dos outros, bem manipulados pela comunicação criminosa dos seus dirigentes.

Hoje a Comunicação de um clube serve apenas um propósito: Alimentar os seus adeptos com mentiras para que estes travem as guerras dos dirigentes e ocultem o que de grave vai na sua casa.

Em todos os clubes os adeptos invocam ser Diferentes. Constantes frases do género “Se acontecesse no meu clube agiríamos de forma totalmente diferente”. Mas depois todos agem de forma igual. Todos.

O Ministério Público avançou com uma acusação gravíssima contra o nosso clube - o E-Toupeira.
Qual a reacção de muitos e muitos adeptos benfiquistas?

Uns falaram sobre o sorteio da Liga sem realmente estarem interessados em saber a verdade sobre o assunto.

Outros desataram a reproduzir algo que um candidato à presidência do Sporting disse. Reproduzir e deturpar.

Outros irão falar do penalty mal assinalado por falta do Yebda sobre o Lisandro.

Incomoda demasiado. Dói demasiado. Envergonha demasiado lidarmos com os nossos problemas. E tudo continuará esta merda. E o Benfica continuará sem ser defendido. E todos continuarão a ser iguais.

E não, não é verdade que tomos somos inocentes até prova em contrário.

Somos de um clube num país onde mais de metade da população veste a nossa camisola.
Temos uma Direcção que ao longo destes anos tem promovido as boas e próximas relações com várias pessoas e cargos de poder.
Temos um presidente que é o maior apoiante do presidente da Federação, tal como andou a segurar o guarda-chuva ao Oliveira.


E o que dizemos? Contra tudo e contra todos.

Os rivais estão contra nós.
Os restantes adversários estão contra nós.
A Liga está contra nós.
A Federação está contra nós.
A PJ está contra nós.
O Ministério Público está contra nós.
O Governo está contra nós.
Os Tribunais estão contra nós.
A Constituição está contra nós.
A Uefa está contra nós.
A FIFA está contra nós.
A UNICEF está contra nós.
Os Direitos Humanos estão contra nós.
O Vaticano está contra nós.

Está tudo contra nós.


“Contra tudo e todos” – Diz o adepto benfiquista e também o sportinguista e também o portista. Dizem todos.
Não somos diferentes. Pelo menos não o demonstramos.

Preocupemo-nos em cuidar da nossa casa, em curar as nossas ferias e em respeitar o nosso clube. Quando o fizermos os nossos rivais não terão sangue nosso para chafurdar.

Aí sim seremos superiores. Seremos melhores. Seremos novamente Gloriosos.

Esta acusação do MP envergonha qualquer ponta de benfiquismo.

No Benfica que eu sonhava enquanto criança não havia lugar a situações destas e muitos menos a tamanho desinteresse dos seus adeptos.


Eu enquanto aluno que fui, trabalhador que sou, cidadão deste país e do mundo, adepto e sócio deste clube que amo e pai que pretendo vir a ser, não posso nunca ser cúmplice deste tipo de trampa só porque é cometida por gente que se esconde por detrás das cores que eu envergo.

Não há cimento, não há vitórias e não há chavões que se sobreponham ao Sport Lisboa e Benfica.

E por aqui me fico.



terça-feira, 4 de setembro de 2018

É o plantel que temos



Superior em talento individual a todos os restantes do Campeonato, porém desequilibrado. Se, no meio-campo, alas e ataque, dá para tudo - com craques como Fejsa, Pizzi, Krovinovic, Zivkovic, Jonas, Ferreyra e Félix; com bons e úteis  como Gabriel, Gedson, Samaris, Keaton, Rafa, Salvio, Cervi, Seferovic -, atrás há pouca qualidade para o que se exige a um plantel do Benfica.

Só Grimaldo tem qualidade acima da média (e talvez Conti e Corchia, que ainda estão por provar o que prometem). Iuri é curto, Almeida utilitário, Jardel assim-assim, Dias medíocre, Lema fraquíssimo. Há Ferro e Kalaica, dois bons centrais que até agora não têm contado para Rui Vitória. Na baliza, o talento de Svilar não convence o treinador, Odysseas intermitente (à imagem de Roberto, muito bom de frente para a bola, fraco nas abordagens longe da baliza) e Varela, enfim.

É mais um ano em que a estrutura não faz o que tem de fazer: um plantel que dê garantias de sucesso desportivo. O cenário piora sabendo que no banco está alguém que não tem a competência necessária para fazer dos medíocres bons e dos bons muito bons. Se é verdade que, com tanta qualidade individual, um Sporting altamente fragilizado e um Porto sem um plantel sólido, o Benfica arrisca-se sempre a ser campeão, é também indesmentível o mau trabalho da Direcção a planear a época.

É o plantel que temos. É com este que vamos a jogo. À falta de melhor Presidente, à falta de melhor treinador, à falta de mais qualidade atrás, nós, sócios e adeptos gloriosos, só podemos fazer a nossa parte: encher os estádios, os cafés, as rulotes, as ruas, as Casas, os barcos, os aviões, os céus deste mundo com o nosso indefectível apoio. Para reconquistarmos o que, sem desculpas, deixámos fugir no ano passado. VIVÓ BENFICA!

O balanço

Havendo agora uma pausa, pareceu-me ser o momento certo para um balanço deste arranque de temporada.



Odisseas: É alemão, mas tem nome da obra de Homero. E depois dos (realmente) gregos Katsouranis, Karagounis, Mitroglou, Samaris... Sinto que também vai deixar a sua marca. Estes primeiros jogos trouxeram a certeza que o lugar na baliza é seu. E a nós, adeptos, trouxe-nos algum descanso. Ainda não aquele descanso dos tempos de Oblak ou Ederson. Resta pedir: Que os Deuses do Olimpo nos tragam o descanso merecido.

André Almeida: Está igual e isso é o melhor elogio possível. O André (e que belo nome) não complica, não estraga. Mas mais, ainda nos arranca sorrisos com fintas e golos puskas que ninguém espera. André, contamos todos com mais um desses golos esta época. Para já, sem dúvida, dono da ala direita. 

Rúben Dias: O homem dos milhões é, para mim, o elemento mais em baixo de forma da defesa. Estes primeiros jogos trouxeram um Rúben mais nervoso. Mas é normal, também estaria nervoso se tivesse tanto dinheiro para contar. Vai aproveitar este intervalo para acabar de contar todo o dinheiro e voltará ainda melhor!

Jardel: O capitão do campo. Continua a melhorar ano após ano. Inspira tranquilidade ao resto da defesa. O golo dele na Grécia salvou, financeiramente, a época e levou-nos à Liga dos Campeões. 

Grimaldo: Não se lesionando, será a melhor época dele e também a última em que o veremos com esta camisola. O passe curto, a finta, a inteligência, o remate. Este menino tem tudo. Belo início de temporada. É continuar.

Fejsa: “Estou bem”. Se tu estás bem, eu também estou bem. Não preciso de escrever mais nada. Nem eu quero, nem ele precisa. Dos melhores.

Gedson Fernandes: Estes putos irritam-me. Têm tudo o que eu sempre quis. 18 anos, titular no Benfica... É preciso mais? Pegando na ideia do Mestre Boss AC, não podia a minha mãe ter-me feito jogador de futebol em vez de bonito? Eu preferiria ter sido jogador do Benfica, em vez de ter nascido este gato! Enfim... É um prazer ver este miúdo a jogar futebol. Não te percas!

Pizzi: Sou casado e bem casado, mas quando este Luís Fernandes faz um passe a rasgar a defesa... Que início de época que está a fazer! Que maravilha de jogador. Sou um apaixonado por este tipo de futebol. Pelo futebol inteligente, pelo futebol de cabeça levantada. É este tipo de futebol que leva pessoas ao estádio. 

Salvio: Outro dos que está a fazer um início de época fantástico. A falta que nos fez o seu habitual golo contra o Sporting... É para continuar!

Cervi: Quando, antigamente, íamos renovar o BI, mentíamos sempre na altura. “Eu tenho 1,78m. Não parece, mas tenho.” E lá íamos com mais 10cm do que tínhamos na realidade. O Cervi não precisaria de mentir. Quem o atendesse certamente colocaria logo 1,80m. Ou mais, tal a qualidade do futebol que pratica.

Seferović: A melhor contratação da época. Espera... Mas?! Não interessa. Belo início de época, a mostrar que um ano sentado no banco não o fez desistir de tentar. Só por isso merece esta oportunidade. Agarrou-a e está a voar.

Zivkovic: Estou a escrever isto ao minuto 63. Ele sabe, nós sabemos, o adversário sabe... O treinador percebeu, ao minuto 62, que era o minuto ideal. Ele vai entrar em jogo. Vai ter 30 minutos para brilhar. Precisava de mais. Tem qualidade para mais. Vai ter a sua oportunidade. Tem que ter.

Rafa: O jogador que todos queremos que rebente. Que comece a mostrar o futebol que tem. O cabelo está rapado e ele está pronto. Vai ser esta época, não vai? 

Ferreyra e Castillo: Pouco tempo para falar sobre eles. Pouco tempo para conseguirem mostrar a sua qualidade. Vamos aguardar, serenamente e com esperança, pelo seu futebol.



Jonas: O melhor jogador do Benfica neste início de época! O quê?! Não quero saber. Melhor jogador da época e ponto final!

André.


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ser do Benfica sem viver em Lisboa



As rulotes à volta do Estádio da Luz são autênticos consultórios benfiquisto-sentimentais. Antes do jogo, depois do jogo, às vezes durante o jogo, benfiquistas de todas as regiões do país e de todos os lugares do mundo discutem gloriosamente o que é o Benfica. Poupam-se fortunas que seriam gastas em psicólogos, psiquiatras, bruxos, prestidigitadores, economistas, médicos, enfermeiros. Os adeptos do Benfica resolvem os seus assuntos todos em pé, sem sofás, em frente a bancas de cerveja, carne e televisões manhosas a passar jogos da Liga Inglesa.

Enquanto se antecipa, se resume ou se esquece o jogo com uma imperial na mão, uma bifana na outra e um cachecol glorioso ao pescoço, já se combinaram e resolveram negócios extraordinários e problemas amorosos; já foram feitas juras de eterna amizade, já pais e filhos se reencontraram, já um Ministro de um Governo de Esquerda abraçou um deputado de Direita, já o mundo, tal qual o conhecemos, pareceu menos feio. Só ainda não ficou devidamente esclarecido o que é ser do Benfica sem viver em Lisboa.

Eu agora vivo em Arroios. Posso estar na Luz em 20 minutos se apanhar o metro, em 30 se for de autocarro. Numa hora a pé. Em 10 minutos de Táxi. Um luxo que conto ao miúdo que eu fui a viver em Abrantes nos anos 80 que vinha com o Pai de manhã, que fazia 3 horas de viagem pela Nacional para cá, outras 3 para lá, que chegava a casa depois dos jogos europeus às 4 da manhã. E o que dizer de quem vivia e vive em Chaves, na Madeira, em Caminha, em Luanda, em Toronto, em Famalicão, em Genebra? Em Portimão, em Maputo, no Rio, em Beja, no Porto, no Luxemburgo, em Guimarães, em Coimbra, Mértola? Em Viseu, em Vila Viçosa, em São Paulo, na Figueira da Foz, em Paris, em Sines, em Castelo Branco, em Lamego, na Terceira? Como explicar às pessoas que vivem em Lisboa a aventura épica de tirar um dia e uma noite para ver o Benfica, para sofrer pelo Benfica? 90 minutos que condensam um sentir e um sacrifício e uma bênção e um amor que nos afastam tantas vezes da família, que nos obrigam a trocar horários com colegas, que nos massacram o sono, que, no fim de tudo, nos completam porque foi feito com o Benfica, para o Benfica, pelo Benfica?

Ser do Benfica sem viver em Lisboa é ser do Benfica a amar a estrada que o Benfica é. 1904 quilómetros de Sangue, Loucura e Mística.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Onze-tipo



Com a permanência de Jonas, a qualidade de Ferreyra e a lesão de Krovinovic, a realidade pede o regresso a um esquema com dois homens na frente - Joneyra é demasiado irresistível para desperdiçar. Se não houver mais mexidas no plantel, o meu onze-tipo seria este (com Krov por Rafa quando o croata estiver apto):

Svilar
Almeida, Conti, Jardel, Grimaldo
Fejsa
Rafa, Pizzi, Zivkovic
Ferreyra, Jonas

sábado, 4 de agosto de 2018

Dores nas costas



Noto uma incompreensível contestação aos meus textos quando escrevo que este funcionário do Benfica já não tem condições para representar o nosso clube. Que "ainda dá mais umas épocas", que "não podemos ter memória curta", que "no Benfica não somos mal-agradecidos a quem fez muito por nós". Romantismos de quem não percebe o negócio futebol. O clube já não é só um clube, é uma empresa. Deixem-se de poesias.

Parece-me que chegou o momento de o libertar e permitir que faça um último grande contrato no estrangeiro - Ilhas Caimão ou Panamá mostraram real interesse nos seus préstimos. Vieira está velho para a função - 69 anos de incrível desgaste - e sobretudo tem uma lesão nas costas que o atormenta há várias décadas. Aliás, já não tem espinha nem vértebras desde 1980.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

terça-feira, 24 de julho de 2018

Vender Jonas? Porto Bicampeão.


Se, nas vendas oficialmente propagandeadas a 30 e 40 milhões, meses depois descobrimos que só 8 ou 10 entraram nos cofres do clube, se vendermos Jonas a 14, com sorte entrarão 3 milhões no Benfica. Mas podia entrar o dinheiro todo que se quisesse, podiam os dirigentes ser honestos e amar o Glorioso, podíamos ser uma máquina bem oleada por gente competente, que a venda de Jonas, no ano a seguir a perder o Penta, seria sempre um erro monumental.

Jonas é um dos melhores jogadores da História do Benfica. O melhor dos últimos 25 anos. É raro, é mágico, faz coisas que mais ninguém faz. Não se fala de golos e assistências (que felizmente são muitos e por isso o treinador não o pode tirar), fala-se de tudo o resto que dá à equipa. Com Jonas em campo, os outros jogadores tornam-se melhores jogadores. É ele que motiva uma esperança para a Reconquista.

A idade não é um obstáculo; é, pelo contrário, uma mais-valia. Jonas está no auge da sua forma, do seu cérebro, do seu profundo conhecimento sobre o jogo. Não tem de fazer sprints ou "ganhar lances divididos" - o futebol não é halterofilismo, atletismo ou luta greco-romana. Jonas ganha-os por antecipação, por ludibriar os adversários com melhor e mais bela movimentação no relvado.

Sem Presidente e sem treinador já é difícil. Não queiram tentar ganhar o campeonato sem Presidente, sem treinador e sem o melhor jogador.



terça-feira, 17 de julho de 2018

Algumas curtas gloriosas



- A estrutura do Benfica anda há mais de um ano a ver a sua correspondência virtual vasculhada, roubada e publicamente divulgada e para os amantes de Vieira (que são quase todos os benfiquistas) a culpa é da Comunicação Social, do Porto, do Presidente da Federação (que, só assim de passagem, foi 'inequivocamente apoiado" por Vieira... duas vezes), do homem do talho, da Júlia Florista, do Rio Tejo, dos ácaros do colchão de uma casa na Nazaré, das moscas irritantes de Santa Comba Dão. Nem por um segundo esta gente se dedica a pensar na absoluta e ridícula incompetência que isto revela sobre os dirigentes do clube.

- O medíocre Castillo vem para o Benfica receber 2,3 milhões de euros por ano. Com uma gestão deste nível, é natural que alguns bolsos bigodais estejam cada vez mais cheios e os cofres do clube cada vez mais vazios.

- Domingos Soares Oliveira, o lagarto que manda no clube há mais de uma década, vem dizer aos benfiquistas que a prioridade da estrutura não é o reforço do plantel mas o "investimento no estrangeiro" ("Não vamos aumentar o nosso endividamento, sobretudo para financiar a compra de jogadores. Não há a intenção de o fazer, a não ser para algum investimento hipotético no estrangeiro"). Acho que fica tudo dito sobre o que importa a esta gente que desgoverna o Glorioso.

- Ferreyra-Jonas com Félix a espaços e a crescer com os dois craques; Pizzi-Krovinovic com Gedson a espaços e a crescer com os dois craques; Rafa-Zivkovic com Salvio a espaços e a crescer com os dois craques; Grimaldo-Fejsa com Cervi e Keaton a espaços e a crescer com os dois craques. No meio de tanta miséria estrutural, esta promessa de bom futebol com tantos talentos é o que me vai animando por estes dias.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

PLANTEL INCOMPLETO E DESEQUILIBRADO (OUTRA VEZ)



Como há um ano, o Benfica tem um plantel com grandes jogadores - que, num campeonato como o nosso e com apenas um concorrente, podem sempre ser campeões (mesmo com uma garrafa de água no banco) - mas convinha fazer tudo o que estiver ao nosso alcance e não apenas o esforço mínimo. 

Faltam ainda:

- um guarda-redes de qualidade inatacável (Varela é medíocre, o grego uma incógnita);
- um lateral-esquerdo (Yuri é medíocre);
- um lateral-direito (Almeida é um bom jogador de plantel mas é preciso que o titular tenha mais qualidade);
- um central (Rúben é medíocre, Lema um engano, Lisandro deverá sair,  Jardel não é brilhante, Luísão já nem deveria fazer parte do plantel. Resta Conti, que talvez possa ter a qualidade desejada. Os dois centrais de maior potencial, Ferro e Kalaica, não contam para Rui Vitória).

Ou seja, ainda falta tudo na baliza e na defesa, como no ano passado em que a maioria dos adeptos achava que o genial Rui Vitória iria fazer de Buta o novo Semedo, do Varela o novo Ederson e outras bizarrias do género. Seria bonito desta vez não contarmos apenas com o talento de Grimaldo, Fejsa, Zivkovic, Pizzi, Krovinovic, Rafa, Ferreyra e Jonas para esconder a inexistente ideia colectiva de futebol. É que da última vez que o fizemos ficou um Penta por ganhar.

terça-feira, 3 de julho de 2018

O TIRO-LIVRE DIRETO SEGUNDO JONAS


Desde o cabrito que deu a um jogador do Arouca, no seu primeiro jogo oficial pelo Benfica, Jonas ficou-me na retina. Não porque aprecie em demasia os pormenores artísticos dos cabritos, dos chapéus, das bicicletas e dos túneis. Adoro vê-los, como qualquer um, mas sei que são “apenas” momentos de algo bem maior. E são muitos, os exemplos de jogadores que decidem orientar alguns dos seus momentos para a fotografia, levados pelo entusiasmo dos adeptos e pelo mediatismo e imediatismo das redes sociais. Mas estes pormenores técnicos também podem ser os mais certos a fazer naquele específico momento de jogo. Nunca vi o Messi procurar fazer “ratas” aos seus adversários apenas porque sim, mas já o vi fazer passar a bola por baixo das pernas de muitos jogadores e, sobretudo, de muitos guarda-redes, porque é o certo naquela jogada e porque é o melhor que pode fazer naquele momento, de forma a que o jogo flua construtivamente para o golo. Esta é uma característica de poucos jogadores. É uma característica de Jonas.

Dia vinte e nove de janeiro do ano dois mil e dezoito, Lisboa, Estádio do Restelo.
Como todos sabemos, Jonas falha um penálti pela segunda vez desde que chegou ao Benfica. Eu fiquei pior que estragado, nem queria acreditar. Pensei que tínhamos perdido aí o campeonato, mais coisa menos coisa. E depois deu-se um momento mágico, um dos momentos incríveis que o Benfica me tem proporcionado ao longo da vida:



Aos 95 minutos de um jogo que estávamos a perder, Jonas sofre falta fora da área do Belém, a cerca de 23 metros da baliza, mais coisa menos coisa. Falta clara, prontamente assinalada; barreira feita. O Génio chega-se à frente. Percebemos que é ele que vai marcar o livre, por toda a sua linguagem corporal. Está super focado e imbuído de uma vontade que o transcende, de uma inspiração que (talvez julgue) lhe chega de cima. E chega mesmo. Vem daquele cérebro extraordinário e daquela obsessão incontrolável que Jonas tem pelo Jogo, desde menino, e que faz dele um dos eleitos de todos os tempos. Aquele maravilhoso órgão cognitivo coordena-lhe então a dança: chega-se à frente, volta para trás, reclama o seu lugar junto do árbitro. Mais uma vez, para a frente, para trás, a quantificar dimensões, enquadrando a baliza como um engenheiro que diz a medida do raio de uma roldana, a olho, e acerta ao milímetro, ou como aquele médico que olha para o paciente e desconfia imediatamente do mal que o enferma, mesmo sendo oculto para a esmagadora maioria dos seus colegas.

Depois foi o que se sabe: Jonas marca um golo absolutamente fenomenal, acessível apenas aos predestinados. Tudo isto que vos descrevo é maravilhoso, eu sei, mas não é este o momento que considero ser o mais paradigmático daquilo que é Jonas, como jogador e como Ser Humano. Ao regressar para o seu meio campo, Jonas não está a sorrir nem a responder de forma eufórica aos cumprimentos dos companheiros. Cabisbaixo e com a cabeça a dizer que não, é aí que vemos a sua verdadeira dimensão, assumindo totalmente a responsabilidade de um erro com um nível ímpar de exigência. Acartou-a aos ombros, a essa responsabilidade, até sofrer aquela falta providencial. E neste momento de transcendência, Jonas é o Benfica inteiro. Jonas é a exigência com foco e o perfeccionismo de quem quer mais que os outros; Jonas é o amor pela camisola e pela excelência. Ele mostra-nos o que é assumir um erro, e mais do que isso, o que é resolvê-lo dentro do possível. Sobretudo, Jonas mostra-nos como é que não se fica contente com uma conquista pessoal, num momento em que o interesse colectivo fala mais alto. Fosse assim a nossa equipa técnica, fosse assim a nossa direção, e o penta seria uma realidade.


Eu gosto particularmente quando um jogador sente o seu clube de coração. Gosto de ver nos olhos dos jogadores o mesmo amor que trago nos meus. Gosto quando sofrem, como eu. Não quero que se sintam frustrados, por princípio, mas a sua frustração aproxima-me, paradoxalmente. O Benfica perdeu este campeonato por razões alheias a esse penálti falhado no Restelo, mas não quis deixar de emoldurar este momento de transcendência. Porque o Futebol é muito mais do que um jogo.

Bebedouro, Brasil, num final de uma tarde do mês de fevereiro, em mil novecentos e noventa e quatro: Maria Luiza vai ao quintal chamar os filhos para o lanche. O jogo já acabou mas os  seus três filhos continuam a dar uns chutes na bola, aparentemente ao acaso. Thiago e Diego, grita Luíza, o que estão fazendo com seu irmão? Jonas, você não está de castigo, filho, porque fica desse lado de lá do muro a chutar? Quase que nem consegue ver a baliza, filhote. Precisa mesmo fazer isso todo o santo dia?

Thiago e Diego sorriem, mas deixam que Jonas responda. Está tudo bem mamãe, diz o pequeno Jonas, enquanto passa a mão pelo cabelo suado. Estou só treinando tiro-livre direto, como faço todo o dia. Quero manteiga no meu sanduíche, manhê!

Luíza suspira, retorquindo em tom de pedagogia: não está esquecendo de nada, Jonas?

Um curto silêncio.
 Ouve-se então uma voz envergonhada, difractada por um muro:

…por favor, mãe.


quarta-feira, 27 de junho de 2018

José Eduardo Dias Ferreira Eduarda Proença de Carvalho

Comoventes, os relatos de José Eduardo, Eduarda Proença de Carvalho e Dias Ferreira sobre as ameaças que sofreram na Assembleia-Geral do Sporting. Quem os ouve, quase esquece que foram três dos mais activos apoiantes de Bruno de Carvalho nos últimos 5 anos. Quem os lê, quase pensa que não foram os três responsáveis pelo clima de terror que Bruno de Carvalho instalou no Sporting. Quase.


segunda-feira, 25 de junho de 2018

E tudo o Bento deixou


Manuel Galrinho Bento faz hoje 70 anos sentado no sofá glorioso do Quarto Anel. Enchia as balizas com o corpo franzino que esticava pernas e braços para o abraço com a bola. Lesto, louco, esperto, intuitivo, genial, romântico, era tão bom que o símbolo do Benfica adornava camisolas amarelas, verdes, azuis, sem traumas ou preconceitos. Era o Benfica num salto, a Mística num voo pela área, o Povo no bigode. Foi e é o número 1 das nossas balizas gloriosas.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Parabéns, Excelentíssimo Senhor Presidente!



Hoje não é um dia qualquer para o Universo Benfiquista; hoje é o dia mais importante do ano - sim, ainda mais do que o 28 de Fevereiro porque se este 22 de Junho não tivesse existido o Benfica também já não existiria.

Este é o dia que marca assim o nascimento do Salvador Glorioso, o Excelentíssimo Senhor Presidente Luís Filipe Vieira. O homem que sozinho elevou o clube a um patamar de excelência empresarial só ao nível das grandes multinacionais do planeta. Hoje a Marca Benfica bate-se taco-a-taco com as Coca-Cola, os McDonald's, as Primark, as Lojas do Gato Preto, as Papelarias Fernandes, os Calçados Guimarães, as sanitas Roca.

De visão futurista, inovadora e original, Luís Filipe Vieira completa hoje 69 gloriosas primaveras. O mínimo que podemos sugerir como prenda de aniversário é a mudança de nome da Catedral para Estádio Luís Filipe Vieira, a mudança do  lema do símbolo - de "E Pluribus Unum" para "Se não tivermos 300.000 sócios em 2004, demito-me!" - e a mudança do nome do clube: Sport Vieira e Benfica. No Museu já não será necessário fazer alterações porque o gigante V que o adorna já sugere decentemente a homenagem devida.

Parabéns, Grande Presidente! E obrigado pela dedicação e paciência com que todos os dias passa pelo menos 6 horas a enviar sms pessoais aos aniversariantes benfiquistas. Hoje terá de enviar uma a si próprio, assim como ler a sua autocitação que colocou no nosso lindíssimo Caixa Futebol Campus 💕

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O Processo



PEDRO PROENÇA LÍDER DO GRUPO DE SÓCIOS DO SPORTING (PPLGSS) fez uma PETIÇÃO para ser formada uma COMISSÃO DE SUPERVISÃO E MONITORIZAÇÃO (CSM) na ASSEMBLEIA-GERAL DE DESTITUIÇÃO (AGD) de dia 23, marcada pelo ALEGADO PRESIDENTE DEMISSIONÁRIO OU NÃO DA MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL JAIME MARTA SOARES (APDONMAGJMS) e criador de uma COMISSÃO DE FISCALIZAÇÃO (CF) que já foi ameaçada com PROVIDÊNCIAS CAUTELARES por parte do PRESIDENTE DO CONSELHO DIRECTIVO SUSPENSO BRUNO DE CARVALHO (PCDSBC) que ontem proibiu a entrada em Alvalade do PRESIDENTE DA COMISSÃO DE GESTÃO ARTUR TORRES PEREIRA (PCGATP) por achar aquele, devidamente auxiliado pela PRESIDENTE DA PUTATIVA COMISSÃO TRANSITÓRIA DA MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL ELSA JUDAS (PPCTMAGEJ), que a COMISSÃO DE GESTÃO (CG) é ilegal. PUTATIVA COMISSÃO TRANSITÓRIA DA MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL (PCTMAG) que já havia convocado uma ASSEMBLEIA-GERAL ELEITORAL (AGE) para dia 21 de Julho; CONVOCATÓRIA anulada por parte do TRIBUNAL (T) que decretou ilegal a PUTATIVA COMISSÃO TRANSITÓRIA DA MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL (PCTMAG).

Ou seja:

- O PPLGSS exige ao APDONMAGJMS - responsável pela formação de uma CF e de uma CG -, a criação de uma CSM para a AGD com o intuito de que as duas partes em confronto - PCDSBC e PCGATP - sejam equitativamente fiscalizadas. Isto, claro, se até lá a PPCTMAGEJ não putativamente inviabilizar a AGD de dia 23 e putativamente roubar o cargo ao PPLGSS, ao APDONMAGJMS, ao PCDSBC e ao PCGATP. O que seria putativamente ilegal.

domingo, 10 de junho de 2018

José Boto

Chegou hoje, de forma oficial, ao fim a colaboração de um dos melhores olheiros do mundo com o Benfica. Confirmando os vários e piores sinais que vinham sendo dados, José Boto anunciou hoje, na sua página de facebook, a saída do Benfica, ficando ainda por saber, também de forma oficial, o seu novo destino.

Da mensagem de despedida, para além do agradecimento a Luís Filipe Vieira, importa sublinhar o seguinte pensamento:

“ (…) Se defendo que o que faz a verdadeira diferença entre os jogadores é a capacidade técnica, a inteligência e a forma como um jogador toma decisões em campo, também eu procurei sempre fazer o mesmo no meu dia-a-dia (…) ”

Esta é a chave de todo o pensamento sobre o jogo para José Boto. E se já era suficientemente grave perdermos um nome com a sua valia, o que significa a sua saída é ainda mais preocupante e as suas ondas de choque irão muito além da perda do nome em si.

Deixar sair José Boto, é deixar sair um estilo que foi pedra basilar dos sucessos da última década. Com a saída do categorizado olheiro Português, muito provavelmente e com sinais já dados nas recentes contratações, veremos a política desportiva do Benfica regredir a ponto de nos colocar no patamar de outros que têm perdido tanto nos últimos anos.

Voltar a um modelo de jogador assente em atributos pouco ou nada diferenciadores, será como voltar a acender a lareira com duas pedras.

É triste termos um clube tão grande e que, por isso, tem ao seu dispor tanta gente verdadeiramente interessante e disponível para colaborar com qualidade e insistirmos em querer tão pouco e tão igual a tantos.

Se é difícil perceber como não se procura melhorar o que está mal, é aterrador ver desperdiçar as melhores coisas que temos, em vez de as melhorar.

Quanto a José Boto, cabe-nos deixar um profundo agradecimento por tudo e tanto que deu ao clube e desejar-lhe o maior dos sucessos futuros, vá ele para onde for.

P.S. E nem me venham com a conversa do dinheiro que José Boto irá ou não ganhar fora do Benfica. Há coisas que o dinheiro, por muito que seja, não compra: Paixão e compromisso. E esses dois predicados só podem existir com um projeto. E esse… Não existe!

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O Túnel da Luz


Os mais novos talvez tenham lido o título e pensado que vinha aí uma crónica sobre estranhos pontapés de Hulk em stewards na Nova Luz, mas não é nada disso. Podem sair daqui e voltar para o Hugo Gil, Pedro Guerra ou Guachos Vermelhos onde certamente verão um benfiquismo orelhístico de grande monta. Não, o túnel da Luz é outra coisa.
O Túnel da Luz estava à nossa espera em dia de jogo. Jibóia de betão que já antecipava a chegada do Povo Glorioso vindo de Bragança, de Chaves, de Braga, de Coimbra, de Faro, de Beja, de Castelo Branco. Já sabia que os benfiquistas do Porto viriam, que os benfiquistas de Peniche chegariam, que os benfiquistas de Elvas haviam de voltar. O país encontrava-se no Túnel da Luz e cantava.
Mas antes comia e bebia onde agora é o Colombo. Deixava o Túnel em descanso à espera. Comíamos e bebíamos naqueles terrenos à solta. Gente que acendia fogueiras, gente sentada em bancos de madeira em redor de barracas de onde saíam cheiros de chouriças e caldo verde. As carnes na brasa, a gordura a pingar para as camisas, a entremeada a entremear a viagem e o jogo de bola. Um puto trouxe uma bola e deu-lhe 100 toques sem deixar cair na lama onde hoje é a Bershka. Um Pai abraçava o Pai, os dois com copos de vinho nas mãos onde hoje é a Worten. Mulheres davam beijos aos netos onde hoje é a Fnac. Três cães vestidos à Benfica farejavam cadelas onde hoje é a Portugália.
O túnel ali esperava, em coração de cimento, alcatrão, luzes e areia. Os benfiquistas iam percorrendo-o a conta-gotas, vindos da gastronomia benfiquista. Ia enchendo. Já se viam fumos a sair do Estádio, os cânticos da Luz já ecoavam, a Mística fazia a sua mezinha, hipnotizando o Povo Glorioso em direcção ao Benfica. Íamos por dentro dele e cantávamos.
Depois, o jogo. A noite europeia ou a goleada nacional. Às vezes, a desilusão, a tragédia, a tristeza. Mas nem assim o Túnel da Luz desistia. Ganhando (quase sempre) ou perdendo (quase nunca), saídos da Luz ansiávamos por aquela acústica. Mas custava chegar. O Povo Glorioso com o seu exército de 100.000 pessoas demorava-se a chegar ao Túnel. Pais punham os filhos nos ombros como se eles fossem óculos de submarino. Nós, putos, rodávamos a 360 e dávamos as coordenadas aos pais sobre o tráfego glorioso. Ainda faltava uma hora para o Túnel da Luz. Preenchíamo-la com discussões técnico-tácticas e críticas às substituições do treinador mesmo que tivéssemos ganhado por 6-0.
Finalmente, o Glorioso Túnel da Luz. Um orgasmo. A acústica sem limites para aguentar milhares de benfiquistas a cantar músicas do Benfica. Dois orgasmos. 1904 orgasmos juntos a estalar o betão. O Benfica é a mais maravilhosa maluqueira do mundo.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Luís Castro



Luís Castro em Guimarães é uma combinação óptima que poderá significar um  Vitória a lutar pelos primeiros lugares (tenho é pena que no Benfica não se tivesse pensado nele para substituir o professor). Luís Castro é hoje o melhor treinador do campeonato português, aquele que produz melhor futebol, que mais e melhor fala sobre o jogo. E é benfiquista.

sábado, 12 de maio de 2018

Seferovic

Confesso.

Fui daqueles que muito elogiou a contratação do Seferovic.
Fui daqueles que muito elogiou as qualidades do suiço.

Confesso.

Sou ainda daqueles que acredita na qualidade deste avançado que fomos contratar no Verão passado.

Estamos a falar de um jogador de ataque alto e forte. Contudo não estamos a falar de um monstro de área, de um matador, de um pinheiro, de um ponta de lança.

Estamos a falar de um avançado que gosta de jogar em apoios, tabelar, pensar o jogo, participar na construção. Também marca mas acima de tudo integra o processo ofensivo de contrução do golo.

É alto mas tem técnica e procura a bola e a tabela em qualquer zona do campo.
Marca golos mas principalmente participa neles.

Não faz uma dupla tão compatível e mortífera com o Jonas como fazia o Mitroglou mas também fazia funcionar aquele 4-4-2 de inicio da época. A sua presença não só permitia maior liberdade de movimentos ao Jonas como este tem também a capacidade de respeitar e perceber as ingressões do génio brasileiro.

Um avançado forte de futebol apoiado, o contrário do avançado de futebol vertical e vertiginoso que é o Raúl Jimenez.

Depois de um bom arranque o suiço teve sentar. E a opção é mais que compreensível.

Naquele 4-4-2 a equipa defendia muito mal. Qualquer adversário facilmente quebrava o nosso meio-campo e criava desequilibrios na nossa defesa.
E o Rui Vitória conseguiu perceber que mudar os defesas não mudava isso. O problema era outro. Era a qualidade do jogo defensivo. Do processo. Do treino.

A solução foi reforçar o meio-campo com mais um jogador. Meter ali mais gente para tentar compensar o fraco processo defensivo.

Percebeu-se rapidamente que foi uma decisão de desespero e não algo previamente trabalhado. Tanto que andámos jogos nas experiências a tentar descobrir quem poderia ali encaixar. O primeiro que se afirmou foi um médio que pouco tinha jogado e que nem na lista da Champions tinha entrado. Com a sua lesão vieram outras experiência.
Acabou por se afirmar um extremo que passava muito do seu tempo pela bancada. E este afirmou-se não por aquilo que dava à coesão do meio-campo mas sim pelo que a sua qualidade individual dava ao jogo.

Sem bola as fragilidades mantiveram-se. Com bola o sérvio faz a diferença. É o talento natural dele.

Com o 4-3-3 foi só natural que o Seferovic tivesse sentado. O que não é compreensível é que tivesse sido queimado.

No plantel do Benfica é o substituto directo do Jonas e também a melhor opção para no decorrer de um jogo entrar para o lado deste.

Necessitando de marcar, jogando contra uma equipa muito fechada defensivamente, o suiço é o jogador ideal para regressarmos ao 4-4-2. É uma mudança táctica que coloca maior presença na área, que abre mais buracos na defesa adversária e que não altera o estilo de jogo da equipa. É a alteração mais coerente.

Mas não só o Seferovic deixou de ser a primeira opção para o 4-4-2 como também nunca foi visto como o substituto do Jonas (fosse para o 10 descansar ou fosse para aguentar a posição enquanto esse não regressasse da sua lesão).

A opção do Rui Vitória foi lógica com a forma como o treinador vê o futebol. Pontapé para a frente. Kick and Rush.

Com meia hora para jogar e a precisar de marcar, o professor sempre optou pela opção desesperada. Por quebrar a equipa e passar a jogar para o chuveirinho. Sempre optou por abdicar da fase de contrução e incentivar o Varela e defesas a bombear a bola para o ataque.

A ideia é meter o Raúl a correr feito louco, a ganhar bolas no ar e a criar desequilibrios na defesa adversária pela conquista de segundas bolas.
Se não resultasse então lá vinha o queimado - o Seferovic. Com 5 ou 10 minutos entrava para ser mais um a ganhar no jogo aéreo.

O Rui Vitória utiliza o suiço da mesma forma como utilizaria o Karadas. É alto? É forte? É avançado? Entra para a presença na área e jogo aéreo.

Contudo o futebol deste avançado não é compatível com essas ideias. Por isso é que andava andava pelas linhas a efectuar os cruzamento em vez de estar na área a recebê-los.

Assim se queima um jogador.

O Jonas é craque mas dá ao jogo do Benfica muito mais do que a sua capacidade técnica. A sua principal qualidade no nosso ataque é a de fazer a ligação com os variados sectores de ataque. Sem Jonas e com o Raúl muda-se dramaticamente o contexto de jogo. E é impensável que a lesão de um avançado mude tão drasticamente as ideias de jogo de uma equipa.

Um encurta linhas, outro estica o jogo. Um joga de costas e outro joga de frente para a baliza. Um progride em apoios e o outro em velocidade.

Daí a titularidade do suíço fazer muito mais sentido que a do mexicano. Não pela qualidade individual dos jogadores mas sim pelas suas caracteristicas. 

Confesso.

Ainda espero ver mais jogos deste suiço.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Parabéns ao Futebol Clube do Porto e aos portistas



A frase do título deveria ser de simples compreensão: um sócio do Benfica endereça os Parabéns ao clube rival (não o clube inimigo, não o clube que odeia; o clube rival) que acabou de vencer o Campeonato Nacional e, por consequência, aos seus adeptos. Porém, em 2018 o futebol é uma coisa estranha, um verme bizarro, uma comunidade maioritariamente composta por broncos. Gente que confunde os clubes com quem os preside.

O Futebol Clube do Porto é um clube histórico e centenário, não é unicamente o corrupto do seu Presidente, como o Sport Lisboa e Benfica é um clube glorioso e centenário, não é o ilegítimo do seu Presidente. Entendamo-nos: estes Parabéns nada têm que ver com Pinto da Costa ou Vieira, nada têm que ver com a franja de adeptos que sofrem de atraso mental, paranóias da perseguição, ódio por outros clubes ou um sentimento de vacuidade existencial que os faz olhar para o futebol como a salvação possível de uma vida inevitavelmente perdida.

Estes Parabéns seguem para a instituição da cidade invicta e para todos os seus adeptos que valem a pena - entre os quais alguns amigos meus. No meu futebol e na minha alma as coisas estão muito bem separadas. E, mesmo não gostando do tipo de jogo apresentado pela equipa de Sérgio Conceição, não posso deixar de reconhecer quem foi mais consistente, corajoso e coerente ao longo da época.

Na verdade, tudo isto é muito simples. Menos para quem, em vez de olhar para a Lua, olha para o dedo.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Um dia triste na vida do sportinguista Martim Telles Pereyra



O adepto sportinguista - chamemos-lhe Martim Telles Pereyra - estava feliz naquele Domingo: reunião familiar no Dia da Mãe, primalhada e irmãos, pais e tios, avôs, sobrinhos e netos todos juntos. Além disso, no dia anterior o seu Sporting havia vencido o Nacional por 2-0, garantindo o belíssimo terceiro lugar e ainda mantendo acesa a ligeira luzinha do segundo lugar. A acontecer, seria uma loucura, claro, e a confirmação de que com Bruno de Carvalho o Sporting estava mesmo de volta.

Entre idas furtivas à cozinha, assaltando doces, bolos, queijos, fumados, pães e demais iguarias que, em cima do bordado da avó Constança, apelavam ao mais animalesco dos sentidos - embora Martim comesse sempre, como lhe ensinaram em criança, de boca fechada e de mãozinha em concha em frente aos lábios -, na sala ia acompanhando com os primos as incidências do Vitória-Porto.

Um jogo bastante chato, tanto pelo futebol praticado como pelos nomes dos intervenientes. Martim gostava era de ver ou o Sporting - para vibrar com o Tanaka! - ou o Benfica - para insultar pela televisão o árbitro, demonstrando assim aos outros familiares que ele era mesmo anti-lampião. Dizia mesmo: «galinha» e usava, em vez do nome do clube, outro nome mais bem aceite entra as suas gentes: «Carnide». Adorava ver os olhos de aceitação do Tio Tó Vaz de Britto sempre que dizia «Carnide». As pessoas lá em casa até parecia que ficavam mais felizes, que se alegravam mais, que se tornavam mais simpáticas e acolhedoras sempre que Martim dizia «Carnide». Depois repetia muito, galhofeiro, que Martim, apesar da boa-educação que lhe deram, também sabe ser popular e dizer umas larachas mais ordinarecas.
O jogo é que de facto não valia grande coisa. Não dava para odiar o clube que estava a jogar; isso, parecendo que não, tirava bastante interesse à tarde desportiva. O Carnide, esse, tinha despachado o Gil Vicente em Barcelos por 5-0. Claro, com dois ou três penalties por assinalar contra as «galinhas do Carnide» e uma arbitragem que, ao nível do critério disciplinar, deixou muito a desejar.

Esta última frase Martim havia ouvido à prima Kikas Meirelles, uma vez em Alvalade. Martim gostou do tom daquilo: «ao nível do critério disciplinar deixou muito a desejar» e passou a usar ele próprio como se tivesse sido ele a inventar a frase. Depois adaptava, consoante os jogos. Nos do Carnide, deixava sempre, ao nível disciplinar, a desejar a favor do Carnide; nos do seu Sporting, ao nível disciplinar o Sporting ficava sempre a desejar que não o roubassem tanto. Era uma fórmula que tinha para explicar os empates e derrotas que via acontecerem ao seu clube e as consecutivas vitórias do outro clube rival, o das galinhas de Carnide.

A certa altura, há um jogador do Porto que com o braço ajeita a bola. Martim teve um instinto estranho: virou-se logo para outro lado e começou a falar com o primo Chico Menezes da Silveira, mas o primo Chico, que já estava bêbado, não tirava os olhos da televisão: «Isso não é nada, siga!». Martim teve curiosidade em rever o lance. Aproveitou a única repetição que a Sport TV mostrou do mesmo e, para dentro - para fora, não!, que ainda alguém lhe dava uma educada reprimenda! -, percebeu: foi penálti. Depois lembrou-se de que, apesar de não odiar o Porto, também não gostava lá muito que eles fossem beneficiados.

Passados uns minutos, já no intervalo do jogo, pensou ainda mais profundamente naquilo: aquele penálti beneficiava o Porto e prejudicava o Sporting. O que era estranho era o silêncio naquela casa sobre um lance que, se tivesse sido na área do Benfica, teria dado para ver rissóis de camarão contra os quadros da Maluda, as empadas e os croquetes atirados da janela para a Marginal, as garrafas de vinho teriam caído sobre os panos e as mantinhas da Vó Mimi e a gritaria teria sido insuportável sobre os ouvidos de Martim, que já por várias vezes teve de levar com os mais indecorosos insultos por não ser ele próprio insultuoso contra os de Carnide.
A mãe dizia-lhe sempre: «ó filho, quando for para insultar essa gente, não se acanhe, tire a barriguinha de misérias», mas Martim mantinha ainda a inocência daqueles que acham que as pessoas devem ser um bocadinho civilizadas, apesar de tudo e dos cortes de cabelo a que o obrigavam desde que havia nascido.

No final do jogo, na sala bateram-se algumas palmas pelo golo do Jackson. Martim não percebeu aquilo ou se calhar não quis perceber e foi para o computador escrever sobre o assunto no seu blogue - Martim é moderno e tem um blogue sobre o Sporting que abriu quando Bruno de Carvalho chegou ao poder. No mesmo, está sempre a fazer posts de apoio!, de incentivo!, a dar moral!, a dar força aos leões! Martim considera que a internet serve para apoiar os seus jogadores, técnicos e dirigentes e para dizer mal do Carnide.

Mas ontem Martim queria era dizer mal do penálti que ficou por marcar e desses dois pontos que podiam ter aproximado o seu Sporting do Porto. Já tinha até escrito uma piadola com «colinho» mas desta vez relacionado com os portistas e fazendo uma alusão a uma outra simbologia mais traseira que o Presidente do Sporting havia feito uns meses atrás. Nádegas, isto e aquilo, colinho para as nádegas. Uma coisa muito gira que infelizmente não pôde ser publicada porque o Pai do Martim apareceu e leu o que ali estava escrito. Levou uma bolachada certeira e ainda a promessa: «se voltas a defender os lampiões, nunca mais te levo a Alvalade!».

Martim compreendeu então que era de um clube cuja maioria de adeptos odiava mais outro clube do que amava o seu próprio. Ontem, Dia da Mãe, foi um dia triste para Martim Telles Pereyra.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A lição que o professor não aprendeu



Rui Vitória não percebeu nada do que se passou nos últimos 3 anos - por isso estas ridículas recentes conferências de imprensa (que ainda eram o melhorzinho que ele tinha como... treinador de futebol). Gaba-se de títulos que são sobretudo da responsabilidade de uma série de grandes jogadores que o Benfica foi tendo e da desorganização dos rivais.

No ano em que Vieira decide dar o título ao Porto, entregando-lhe um plantel com grandes talentos do meio-campo para a frente (quase todos desaproveitados pelo professor) mas totalmente desequilibrado atrás, o pecúlio do homem que acredita que voltas à rotunda antes do jogo são fundamentais para o resultado final do mesmo foi este:

- afastado da Taça de Portugal em Dezembro pelo Rio Ave;
- afastado da Taça da Liga em Dezembro num grupo com Portimonense, Vitória de Setúbal e Braga;
- afastado da Champions League em Novembro num grupo com Basileia, CSKA e Manchester United - 0 pontos em 6 jogos, 0-5 com o Basileia (0-7 nos dois jogos), 1-14 em todos os jogos. A mais vergonhosa época europeia da História do Benfica.
- a lutar apenas pelo Campeonato desde Dezembro, consegue perdê-lo na Luz contra um Porto medíocre num jogo em que, além da falta de qualidade colectiva que é a imagem de marca das suas equipas, decide acrescentar mudanças vindas do banco de nível inferior a Luís Campas  (que, já agora, parece estar próximo de ingressar no Benfica - que dupla seria um Professor Vitória-Campas).

O adeus ao Penta, o sonho da Nação Gloriosa - por evidentes incompetência e mediocridade da Direcção e do treinador, respectivamente - parece, no entanto, não angustiar o homem para o qual o melhor álbum de sempre é o Aqualung dos Jethro Tull, o melhor filme o Aquarius, a melhor música Águas de Março, o melhor perfume Acqua di Giò, o melhor jogador da Liga Inglesa o DrinkWater e a grande referência como treinador o Raúl Águas.

Não, o professor está sereno. De tal forma que, quando lhe acenam com uma proposta do deserto das arábias (era só o que faltava, ir trabalhar para um sítio com escassez de recursos hídricos!), ele revela logo o extraordinário plano que tem não para a próxima pré-época mas para a seguinte: um Hotel de luxo para meter muita água.

Porque joga o Benfica




Há quem ingenuamente pense que o Estádio da Luz é um estádio, um lugar para apoiar a equipa, ver o Benfica, esquecer os problemas do trabalho. Falso. O Estádio da Luz é essas três coisas mas é muitas mais: é uma nave espacial, é um Oceano de Sangue, um poema, uma ponte universal, um mapa.

O Estádio da Luz é um mapa que define as coordenadas de todos os benfiquistas. Uma referência na cidade. A referência da cidade. Em dia de jogo, Lisboa existe apenas para fingir que existe, que aparece, que tem coisas a acontecer. Lisboa, no dia do jogo do Benfica, serve para embelezar o Estádio da Luz. Para que os turistas não pensem que o único monumento realmente importante é aquela nave de betão com arcos vermelhos e um fumo suspeito a levantar voo do relvado e das bancadas para o céu de Lisboa.

Os benfiquistas sabem disto mas fecham-se em copas. Deixam que os demais o não percebam. Não comentam, não se descosem. Limitam-se a fazer o que lhes compete: ruminar longamente a olhar para o relógio, ligar para os outros benfiquistas, enviar cúmplices mensagens sobre o sítio no mapa aonde irão encontrar o seu lugar no mundo.

- Às cinco no Manelito?
- Combinamos na Estátua do Eusébio. Não te demores.
- Vou estar no Terceiro Anel com o Rui das Finanças.
- Almoçamos na Catedral da Cerveja?
- Olha, afinal vamos para as rulotes do lado do Cosme Damião. Desculpa só dizer agora.
- Tenho de ir à Loja comprar um tapete de rato para o meu filho.
- Depois liga. Estaremos na Adidas.
- Quando chegares ao viaduto, diz coisas.
- Antes ainda vou ver o Andebol.

Um mapa. Um mapa da cidade que é o Benfica. Que é o Estádio da Luz. E dentro do mapa, outro mapa.

- Já chegaste? Foda-se, estou no Manelito e não te vejo!
- Pá, estivemos no Eusébio meia-hora. Já entrámos.
- Não te vi mas encontrei o Rui das Finanças. Já ia bonito!
- Almoçamos mas antes tenho de ir buscar o novo cartão. 5 euros ó caralho!
- Na boa. Ainda vou no autocarro a ouvir o onze. O Jonas não joga?!?!?!
- Compra antes uma garrafa de champanhe do Benfica.
- Não te metas nisso. A Adidas em dia de jogo parece o Santuário de Fátima.
- Já cá estou. Passou agora o autocarro!
- Nós vamos ao basquetebol. Encontramo-nos lá dentro, então.

Um mapa dentro de um mapa dentro de um mapa que é o próprio adepto. O benfiquista tem um GPS natural e glorioso que o faz seguir, esteja onde estiver, em direcção ao Estádio no dia de jogo.

Acorda às 5 da manhã em Chaves, sai do trabalho na Amadora uma hora antes, fecha a loja do Montijo e põe um cartaz: “ausente por motivos de excesso de Luz”, não vê os últimos minutos daquele intenso Portimonense-Farense em escolinhas com o filho sentado no banco de suplentes, vem da Terceira em executiva horas antes do jogo, enche de farnel o Comboio do Benfica, falta a casamentos, a jantares de Natal, a despedidas de solteiro, à dissertação do amigo, ao aniversário da sogra, às votações caseiras do Festival da Canção, à missa, ao velório, ao nascimento do primeiro bebé da aldeia nos últimos 20 anos.

Porque joga o Benfica.