terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Uma noite alemã na vida do Delegado Fagundes

O Delegado Fagundes não pregou olho a noite inteira, uma dor que lhe subia pelas costas em jeito de queda de água só que ao contrário, um veneno sangue acima até à ponta da nuca, e outra, em refluxos, que lhe aquecia os órgãos até ao gargantil. Podia ser que as duas picadas - uma, provavelmente consequência dos pesos brutos que ajudou a carregar até ao balneário do clube (equipamentos, chuteiras, toalhas, um conjunto de chávenas e bules, sacos de desporto, bandeirinhas e uns toros de madeira); outra, quase de certeza uma vingança do próprio corpo ao exagero alcoólico com que a si mesmo se brindou na noite passada. Parecia que as duas dores se tocavam no cocuruto do esférico craniano e ali se deixavam ficar, aos sapateados com o cérebro do pobre Fagundes.
 
Tudo isto aconteceu numa madrugada longa, noite que nunca acaba, enquanto a esposa ressonava o hino do Benfica, ou o que lhe pareceu o hino do Benfica, nervoso que estava a antecipar o jogo de mais logo. Não sabemos ao certo, e não queremos injustamente suspeitar das maleitas do sujeito, se aqueles lamentos com que no dia seguinte alimentou o pequeno-almoço de ovos e chouriço foram apenas fruto de uma hesitação-ansiedade ou se de facto ocorreram, graves, no corpo de Fagundes. Mas podemos, porque ao relato do próprio tivemos acesso nos dias posteriores, contar a confusão de sentidos que a demência nocturna espalhou pela mente do Delegado. 
Foram horas de suplício, atirado para uma contínua escolha de jogadores e tácticas, substituições a meio do encontro, dicas a dar aos jogadores, cálculos sobre a temperatura do relvado, o cheiro da grama, se estaria molhado ou seco, as dúvidas sobre o adversário, quem jogaria, quem não.
 
“É possível que entre com o Kulkov de início, ganho capacidade de ter a bola e agressividade no miolo, mas quero garantir que o jogo não cai num adormecimento de meio-campo, tenho de encontrar uma fonte de contra-ataque, vai o Paneira na ala e o João Pinto fica no apoio ao Yuran. Sim, mais coisa menos coisa é isto”
 
E - depois de decididas estas e outras, várias, questões técnico-tácticas de superior importância - punha-se a contar com os dedos os onze jogadores que faria alinhar no jogo.
 
“Então, temos: Neno, Abel Xavier, o Abel deixa-me na dúvida, aparece bem no apoio ao ataque mas tenho medo das investidas alemãs, pronto, então ponho-o mas se notar desequilíbrios tiro-o ao intervalo. Neno (e fechava o punho, só com o mindinho em riste), Abel Xavier, William, Helder, Schwarz…” 
 
A mulher por esta altura atingia em estranhos sons o que lhe parecia clara e inequivocamente ser o refrão: “Seeeeeeeeeer Beeeeeeeeeeenfiquiiiiiiista é ter na alma…” e estragava-lhe a composição do onze – impossível raciocinar de modo metódico quando Luís Piçarra aparecia a interromper a prelecção do raciocínio. Desistia e acompanhava a música, fazendo pequenos compassos com a defesa toda do Benfica a tocar piano na barriga. Primeiro Neno, Helder e Schwarz, ao mesmo tempo, num tocar de jazz, forte e sólido; depois, só William e Abel Xavier, enquanto o dedo do meio se esticava por um bemol mais acentuado.
 
O sono pesado da esposa encontrava um novo refúgio e os sons acalmavam. Voltavam as dores de Fagundes e as dúvidas existenciais – umas e outras no meio daquele pensamento alucinante e o onze do Benfica que nunca mais se decidia, já estavam os jogadores cansados, sentados num balneário conversando sobre o tempo quando Fagundes finalmente se decidiu, agora mais ríspido e pouco disponível para roncos conjugais e dores provavelmente fictícias. 
 
“Sem mais demoras: Neno, Abel Xavier, William, Helder, Schwarz, Paneira, Kulkov, tenho de ver se de manhã vou comprar o pão e o frango para o jogo dos putos. Três sacas de pão, espero que o Pereira tenha anotado o pedido, este gajo já no dia anterior a irmos jogar ao Tramagal deixou-me na mão, cabrão do bêbado, esquece-se de tudo. O puto Figueiredo tem uma lesão no joelho que não sei se vai dar para entrar de início, se calhar temos de meter o Chico, mas foda-se ficamos sem meio-campo, que o gajo só quer atacar e depois vêm os pais dos outros foder-me a cabeça com as cunhas e os interesses. Qualquer dia cago nisto.”
 
O Delegado Fagundes, por mais que se compenetrasse, não conseguia finalizar o onze. Eram sempre problemas e assuntos prementes, lógicas e pensamentos que lhe vinham de mansinho naquela noite de dores e insónia. Levantava-se, acendia cigarros, fingia que tinha sede para sair da cama e ia abrir o frigorífico mas não tirava nada, ficava só a olhar as coisas nas prateleiras frias: três pimentos, um pacote de leite, frango, uma garrafa de coca-cola, três minis Sagres, ketchup, mostarda e massa de pimentão. Queria ter fome para inventar ofícios, mas acabava por se abandonar, uma e outra vez, à cama onde ainda se ouviam gemidos e roncos de um sono que lhe pareciam, estaria louco?, a voz de ave canora do Hino do Benfica. 
 
Deitava-se e olhava o tecto branco. À noite as sombras pintavam-lhe pedacitos escuros que se assemelhavam a jogadores distribuídos por um campo de futebol e ele começava finalmente a regressar ao metódico reflectir de uma táctica ideal.
 
“Neno, Abel Xavier, William, Helder, Schwarz, Paneira, Kulkov, Rui Costa, Isaías, João Pinto e Yuran”
 
Ficou com as duas mãos completas e outra que lhe apareceu para confirmar o onze, só com o mindinho outra vez em riste para o tecto branco. Olhou o dedo, estranho e deformado, lembrou-se que era com aquelas mãos e dedos que teria de ir buscar a comida para os putos e guiar a carrinha do clube e lavar os equipamentos e preparar os grelhados para a festa da aldeia e depois, se ainda tivesse tempo, acariciar as mãos da esposa e pedir-lhe, com jeitinho, que cantasse o Hino do Benfica. Não a dormir, mas depois disto:


Há 40 anos, Vasco tentava contratar Eusébio



«Borges Coutinho pilotou aviões da RAF (Royal Air Force, dos Aliados) na Segunda Guerra Mundial mas não foi ao ar quando o Vasco da Gama apareceu em Lisboa para oferecer um megacontrato a Eusébio - 500 contos (2500 euros) por três meses, entre Fevereiro e Maio de 1970.

O Pantera Negra ganhava 1300 contos (6500 euros) por 12 meses no Benfica e ficou encantado com o convite. Até vestiu a camisola do Vasco da Gama, mas o Benfica, que renovara o contrato com Eusébio em Setembro de 1969, disse "não" aos intentos dos cariocas. Eusébio, está bom de ver, era inegociável. E por isso ficou na Luz, onde se sagrou melhor marcador da 1.a divisão nacional pela sexta vez na carreira, desta vez com 20 golos em 22 jogos.

A história da cobiça brasileira pelo ouro português começou em Janeiro de 1970 e concretizou-se faz hoje 40 anos, quando o presidente do Vasco aterrou em Portugal, com o dinheiro na mala e o contrato pronto a assinar.

O amor do Vasco - clube dos portugueses no Rio de Janeiro - por Eusébio nascera no mês anterior, quando Otto Glória desembarcou na cidade maravilhosa, despedido pelo Benfica (depois de uma derrota com a CUF, para o campeonato, no Jamor) e já com trabalho assegurado na selecção brasileira, como adjunto de João Saldanha, o jornalista-seleccionador nacional, que trabalhava com vista ao Mundial-70, no México.

No aeroporto do Galeão, Otto desabafou aos jornalistas: "O super-Benfica está acabado. Aliás, o futebol luso estagnou. Já não é o mesmo de há anos. Parou no tempo." Mas havia uma excepção: Eusébio. "Esse não está acabado. Nem por sombras. Ele tem força e futebol para mais alguns anos. É um jogador extraordinário, um fora de série, não apenas para Portugal como para o Brasil."

E se ele fosse para o Vasco, perguntou alguém. "Aí, até eu próprio daria 50 contos [250 euros] do meu bolso para ajudar Agartino a trazer o fenomenal Eusébio para o Vasco."

Agartino Gomes, presidente do Vasco da Gama e português de gema (embora o nome indique tudo menos isso), quis comprovar essa teoria e voou para Lisboa com essa missão, mas esbarrou no "não" do Benfica.

De mãos a abanar, Agartino regressou ao Brasil sem o seu craque. E de mãos a abanar continua um vendedor brasileiro anónimo que pôs na internet uma camisola do Vasco, autografada por Eusébio, a troco de 51 mil euros. O facto de ser uma camisola única e do Vasco campeão carioca motiva essa exorbitância, que ainda ninguém pagou, desde 2005. Houve até alguém que sugeriu com piada: "Por 51 mil euros, comprava o Eusébio e vestia-o de verde-e-branco."»

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Merry Cenas para todos vós

Uma boa noite de consoada e votos de umas festas felizes para todos os ontianos. Tem sido uma honra ter-vos connosco, aqui e na página do Facebook. E que 2013 seja, como todos desejamos, o ano do Benfica. Agora vão lá embebedar-se, seus cabrões.

Um abraço Glorioso
JC 

Memória


domingo, 23 de dezembro de 2012

O porquê da internacionalização como único caminho


Repetidamente afirmei que a internacionalização é o único caminho para o Benfica crescer, isto é apostar no crescimento no exterior em detrimento de Portugal. No entanto, vezes sem conta fui alertado para que o mercado português ainda tem potencial de crescimento, nomeadamente através do naming do estádio bem como do aumento das receitas inerentes à renegociação de contratos com os patrocinadores e a exploração dos direitos televisivos. Recorde-se que a este propósito foi recusada uma proposta de 22 milhões/ano da Olivedesportos/PPTV.

Vamos por partes então. Eu não nego que existem possibilidades adicionais de receitas em Portugal, porém o limite de crescimento é notório. O mercado português, seja no território continental e ilhas, seja junto das comunidades portuguesas é ínfimo quando comparado com o mercado global. Admitindo por absurdo, porque duvido do número, os 14 milhões de adeptos, espero que não queiram comparar com o Manchester United que só na China tem mais de 100 milhões de adeptos e que no mundo inteiro terá um valor estimado em 659 milhões, ou seja quase 50 vezes mais que o Benfica.

Se não acreditam nestes números, então deveriam saber que a GM acredita e com base nisso, firmou um contrato de patrocínio, através da sua marca Chevrolet, a entrar em vigor em 2014/15 até 2020/21 que renderá cerca de 60 milhões de euros anuais, basicamente o dobro do que o Barcelona recebe hoje em dia da Qatar Foundation. Actualmente o Barcelona lidera a tabela, seguido de Manchester United e Liverpool com 25  milhões e Real Madrid e Bayern com 23 milhões de euros (o Bayern subirá para 30 em 2013/14). E o Benfica ? O Benfica entre Adidas, PT e Central de Cervejas conseguiu cobrar 12 milhões em 2011/12.

Nada mau pensarão vocês, mais que metade  do que o Real e o Bayern cobram e quase metade dos Ingleses. Estão enganados se assim pensam, pois aqueles valores não incluem os patrocínios das marcas desportivas, visto que nesse caso devemos então considerar mais Real Madrid 38 milhões, Barcelona 33 milhões, Manchester United 31,5 milhões, Liverpool 31 milhões e Bayern 20 milhões. Ou seja os 12,3 milhões do Benfica comparam-se a 63 do Barcelona, 61 do Real, 56,5 do Manchester, 56 do Liverpool e 43 do Bayern.

Como facilmente podem entender, além de já existir uma grande diferença em termos de Patrocínios e Publicidade, não vale a pena sequer contabilizar diferenças de naming rights, os direitos televisivos irão cavar ainda um fosso maior entre o Benfica e os grandes europeus. E isso acontece não só porque os mercados internos desses países são muito maiores que o português, mas essencialmente porque a comercialização dos direitos das Ligas europeias para o mundo inteiro representam uma fatia cada vez maior dos proveitos que os operadores retiram desses direitos de transmissão.

Num post anterior, invocava-se o caso da Sky e como sendo monopolista que seria benéfico para os clubes. Tal não é verdade e apenas reflecte o desconhecimento da realidade. A Sky em Inglaterra tinha o direito de transmissão dos jogos principais cabendo à ESPN os jogos menos interessantes e ligas menores. Porém, a BT, ficou com os direitos de transmissão das Ligas Italiana, Francesa, Americana e o Brasileirão e Paulistão para  Inglaterra, bem como 18 first picks (primeiras escolhas nos jogos onde intervenham os 6 primeiros da época anterior) da Premier League de um total de 38 jogos por época, nas 3 épocas entre 2013 e 2016 além da Rugby Premiership. Com a entrada da BT no mercado inglês de transmissões televisivas, através do canal BT Sports, a Sky perderá parte da sua posição dominante, mas antes não havia em Inglaterra apenas um player como acontece por cá.

A incapacidade dos clubes em manter estratégias coerentes e consistentes de internacionalização, em vez dos habituais fogachos que depois se perdem (nos departamentos comerciais em que trabalhei sempre ouvi dizer aos clientes que quem não aparece esquece) por um lado e um operador que é manifestamente incompetente na internacionalização dos direitos de transmissão da nossa Liga, e até ao final da corrente temporada detinha os direitos de todos os clubes, por outro levam a que a nossa Liga, apesar de criar equipas desportivamente competentes, sejam incapazes de gerar os proveitos televisivos correspondentes a essa competência.

Aliás, o operador dos direitos nunca se preocupou com a necessidade de encher os estádios, o que é bem patente nos horários que são praticados e que têm contribuído para o afastamento dos espectadores. E nunca o fez, porque com a falta de visão estratégica que caracteriza os gestores portugueses, sempre se preocupou apenas com o mercado interno e não com a internacionalização do produto que dispunha. Como dizem os nossos irmãos brasileiros, se nem os adeptos locais têm interesse em ver o jogo e isso comprova-se pelas bancadas permanentemente vazias, como poderão os estrangeiros mostrar interesse.

Fazia falta que clubes e operador(es) entendessem de uma vez por todas que a exportação da Liga Portuguesa só poderá ter interesse para os estrangeiros se os estádios em Portugal estiverem bem compostos, com público entusiasta. Ainda recentemente o grande Aimar falou que na Argentina não conhecessem o campeonato português, apesar de exportarem tantos jogadores para cá.

A existência de uma regra de Market-pool baseada na defesa dos clubes do países grandes em detrimento de uma regra de solidariedade para com os países de menores mercados, faz com que a UEFA promova na Champions League um agravar ainda maior das distâncias entre clubes de países ricos e países pobres através da distribuição dos prémios que só poderá ser atenuada através da competência desportiva.

Além da UEFA já proteger os clubes da federações mais fortes, vêm agora o Platini da FIFA com as tretas de abolir a participação dos fundos de investimento nos direitos económicos dos jogadores. O Benfica que conseguiu uns históricos 22,4 milhões de euros em prémios da UEFA ficou atrás da verba recebida pelo Manchester United, que deixou pelo caminho, 36,4 milhões de euros (sendo que 1,2 milhões de euros foram da Europa League), Real Madrid 38,4 e Barcelona 40,6 (estes em relação ao Benfica apenas tiveram um prémio de desempenho adicional de 4,2 milhões de euros por atingirem as meias-finais) e Bayern Munique 41,7 milhões de euros (teve prémios de desempenho desportivo 9,8 milhões de euros devido a chegarem à final). O colosso Liverpool, de tão bem gerido que é, nem para a as competições europeias se apurou.

Sendo o Liverpool um clube tão mal gerido, qual é o sentido que tenha patrocínios tão grandes. Num estudo de mercado realizado sobre a sua base de adeptos na Europa foram identificados 1,3 milhões na Polónia, 1,9 milhões na Rússia ou 2,2 milhões na Alemanha. Além disso, há muitos anos que os clubes da Premier League apostaram nos mercados asiáticos - China, Japão, Coreia do Sul, etc. e conseguiram criar grandes comunidades de adeptos, independentemente dos seus sucessos. Quando empresas potencialmente interessadas em patrocinar clubes com uma grande base de adeptos recorrem a consultoras internacionais que lhes transmitem estes dados, é natural que os grandes investimentos se concentrem nestes clubes com maior notoriedade. 

Se juntarmos a essa intenção a entrada em vigor das regras de Fair-play Financeiro que contribuirão para um abaixamento  da quantidade e volume de transferências, bem como um mercado brasileiro com maior poder de compra que não liberta os seus craques por valores baixos, o modelo adoptado com relativo sucesso pelos clubes portugueses, em especial Porto e Benfica, e não tão bem pelo Sporting, poderá conduzir à ruptura total do modelo de gestão, agravando ainda mais os prejuízos caso não exista um forte ajustamento da componente salarial. Este ajustamento afastará definitivamente qualquer jogador top de Portugal levando a que jogadores de média-valia comecem a ser comuns nos plantéis.

A solução para o futebol português é igual à do país. Reduzir custos, cortar despesas e centrarmo-nos nos mercados externos em detrimento do mercado interno. Com um mercado dos audiovisuais em crise, com empresas descapitalizadas e a reduzirem os investimentos em marketing/patrocínios/publicidade, com a procura interna verdadeiramente deprimida, as receitas internas irão inevitavelmente reduzir-se, por muito que os clubes sejam autistas e tentem subir os preços para manter a receita (será pior a emenda que o soneto pois conduzirão a maiores quebras), sendo os mercados externos a única salvação para o equilíbrio das contas.

Numa primeira fase o caminho terá que ser a alienação de activos, isto é, a transacção dos passes dos jogadores mais promissores. Se começar a ser feito um trabalho de base coerente e consistente por parte dos clubes, e nisso o Godinho Lopes tem seguido o caminho correcto procurando estabelecer parcerias e associações nos mercados internacionais, e espero que a viagem aos Emirados do Benfica não tenha sido só mais um fogacho, tipo Wang Gang/Yu Dabao, com vista ao alargamento da base dos adeptos dos clubes portugueses no mundo e da maior notoriedade da Liga Portuguesa, é possível que no futuro os clubes portugueses consigam capturar um pouco do mercado mundial.

A verdade é que com pouco, os clubes portugueses já mostraram por várias vezes serem capazes de fazer muito ao contrário de clubes que têm orçamentos muito superiores e a protecção dos organismos internacionais. 

Fontes: Sportingintelligence, Globoesporte, Sport + Markt, R&C Benfica SAD época 2011/12, UEFA

sábado, 22 de dezembro de 2012

Boas festas também ...


... para os nossos irmãos do outro lado da 2.ª Circular.



Boas festas




À atenção da prospecção do Benfica

Este miúdo argentino é um médio com um talento enorme, está no River Plate e custa cerca de 25 milhões de euros. Vão buscá-lo já e façam um contrato vitalício com o puto. Acreditem que é uma pechincha.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sport TV


A propósito do post anterior, olhemos para o que é a Sport TV:

"A Sport TV produz os canais premium de desporto relevantes para o mercado Português, sendo uma das melhores ofertas do seu género a nível internacional."

A oferta inclui da Sport TV:
- a Liga Portuguesa de Futebol
- a Liga Espanhoça de Futebol - La Liga
- a Liga Inglesa de Futebol - Premiership
- a Liga Alemã de Futebol - Bundesliga
- a Liga Italiana de Futebol
- a Liga Francesa de Futebol
- outras ligas europeias e mundiais
- a Liga dos Campeões da UEFA
- a UEFA Europa League
- Fórmula 1
- Moto GP
- competições de ténis ATP e WTA
- competição de basquetebol NBA

"A Sport TV produz 6 canais para o mercado Português (Sport TV 1, 2, 3 e 4, Sport TV Liga Inglesa e Sport TV Golf), sendo que todos se encontram disponíveis em versões SD e HD. A Sport TV produz ainda 3 canais internacionais incluindo principalmente as competições desportivas Portuguesas (Sport TV África 1 e 2, e a Sport TV Américas).

A Sportinveste Multimédia explora direitos desportivos multimédia para plataformas móveis e de internet.

A PPTV detém em exclusivo os direitos de transmissão televisiva da grande maioria dos clubes de futebol Portugueses até ao final da época desportiva 2017 / 2018.

A ZON tem o prazer de anunciar também que a Sport TV assinou um acordo com a PPTV – Publicidade de Portugal e Televisão, S.A., para a renovação do contrato para a transmissão televisiva das partidas de futebol das Ligas Portuguesas por mais 3 anos, até final da época desportiva 2015 / 2016, com um modelo de remuneração destes direitos de transmissão alinhado com o nível de receitas geradas pela Sport TV.



"A unificação da gestão destas operações e respetivos direitos de distribuição, permitirá também uma maior divulgação internacional dos conteúdos desportivos Portugueses. Conforme ocorre atualmente, os canais produzidos pela Sport TV estarão disponíveis para todos os distribuidores do mercado Português, sob condições não discriminatórias, proporcionando aos clientes conteúdos desportivos em direto na TV e incrementando a distribuição em plataformas online tais como computadores, tablets e smartphones. Este acordo não inviabiliza que a ZON e a PT distribuam outros canais desportivos nas suas plataformas."- in  Comunicado da Zon Multimédia sobre o acordo com a PT relativamente à Sport TV.

A verdade é que a relação entre a Zon e a PT no que diz respeito à Sport TV nunca foi cortada apesar de o tribunal em tempo oportuno ter obrigado à separação dos negócios o que originou a criação da Zon e da PT Multimédia.

Passados 10 anos, voltamos à actividade monopolista em força, actividade essa que tem sido sancionada pela Ana que come de quem tem muito, visto ter permitido que a Zon absorvesse vários operadores de distribuição de comunicações e televisão por cabo pequena dimensão num claro processo de concentração e diminuição de concorrência. Além da Ana que come, também a desautoridade da concorrência tem fechado os olhos a este atentado.

Para quem não sabe, a Zon que ficou com exclusivo dos conteúdos premium da antiga TV Cabo, cobrava aos pequenos operadores valores incomportáveis o que os conduziu a quase todos a uma precária situação financeira. Apesar das multas devido a práticas anti-concorrenciais, que obviamente além de economicamente irrelevantes para a Zon, nunca foram pagas porque os seus advogados obviamente que conseguiram que o pagamento ficasse perdido em processos judiciais de contestação às multas, esta prosseguiu a sua estratégia de limpeza de mercado, sendo que dos múltiplos operadores de âmbito regional penso que apenas a Cabo Visão ainda se aguenta.

A grande questão é que a Zon cobrava um valor pelo acesso aos conteúdos premium, que implicava que para os operadores poderem diluir esse custo nos seus assinantes precisavam de ter centenas de milhar de assinantes. Obviamente que operadores regionais, tipo Bragatel, ou os outros de Leiria, não tinham uma quota de mercado assim tão grande que lhes permitisse reflectir esses custos nos assinantes e continuarem a ser competitivos para concorrerem com os gigantes Zon e PT.

Ao fim ao cabo os prejudicados são os do costume, os empreendedores que querem quebrar este mono/oligopólios protegidos pela classe política e os consumidores, pois primeiro são eliminados os concorrentes e depois, ou os consumidores aceitam o que lhes oferecem, ou então não têm mais alternativa. Prejudicado será também o Benfica e qualquer outro clube que tenha a veleidade de pensar em gerir os seus direitos de televisão.

O polvo político/empresarial já combinou as condições, a distribuição e obviamente o enchimento dos bolsos de quem permite que neste cantinho à beira-mar plantado meia-dúzia de sanguessugas continuem a espoliar os portugueses através de negócios manhosos. O dr. equivalências e sr. do charuto em roupão podem dormir descansados, mais que não seja, pois até certos poderes que deveriam ser impolutos e cegos, sabem bem a quem devem vassalagem.

A pior notícia para o Benfica


"A Portugal Telecom (PT) anunciou hoje que vai deter uma posição de 25% na Sport TV, enquanto a Zon reduz a sua posição para igual participação, num encaixe financeiro de cerca de 46 milhões de euros.


Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a PT e a Zon anunciaram hoje o acordo onde ambas as empresas passam a deter 25% cada da Sport TV, ficando os restantes 50% nas mãos da Sportinveste, de Joaquim Oliveira. Anteriormente, a Sport TV era detida em 50% pela Zon e a outra metade pela Sportinveste.

«A Zon irá reduzir a sua participação para 25% na Sport TV e receberá um encaixe financeiro de cerca de 46 milhões de euros», refere a operadora que está em negociações com a Optimus para uma fusão.

«A PT informa que chegou a acordo sobre um conjunto de transações no final das quais deterá uma participação de 25% de uma 'joint-venture' composta pelas atuais Sport TV Portugal, Sportinveste Multimédia (SIMM) e PP TV - Publicidade de Portugal e Televisão, contribuindo com a sua participação de 50% na SIMM e investindo um montante líquido de até 21 milhões de euros via aumento de capital». Esta transação, refere a PT, «não dará origem a impactos contabilísticos materiais ao nível dos resultados consolidados» da operadora.

A formalização desta nova entidade está dependente da aprovação da Autoridade da Concorrência e da conclusão de algumas condições contratuais por parte das entidades envolvidas, nomeadamente a obtenção de financiamento autónomo pela Sport TV, refere a Zon.

O acordo divulgado hoje traduzir-se-á em ganhos de eficiência na gestão dos direitos e apoiará a promoção do desenvolvimento quer da TV tradicional, quer das novas plataformas 'online' e móveis de distribuição de conteúdos desportivos para todos os operadores, num contexto de uma maior convergência fixo/móvel», adianta a Zon.

Em comunicado, a Sportinveste adianta que a concretização dos acordos com a PT e Zon determinará «que a Sport TV Portugal passe a ser a detentora dos direitos de transmissão televisiva dos jogos da I e II Ligas de Futebol Profissional, que a PT entre para o capital social da Sport TV, detendo uma participação de 25%, e passando, portanto, esta última entidade a ser detida de forma tripartida pela Sportinveste, pela Zon e PT».

Além disso, o acordo prevê «que a Sport TV passe a atuar como uma plataforma responsável pela gestão dos direitos desportivos de TV e de multimédia (internet e móvel), para o mercado português».
A Sportinveste «congratula-se com a obtenção deste conjunto de acordos que crê aportarem importantes benefícios para a divulgação e promoção do desporto nacional»." - in sapo desporto 20/12/2012.


Para todos aqueles que sonhavam com o fim da Sport tv, tirem o cavalinho da chuva. Afinal de contas as almoçaradas no Algarve acabaram em casamento com o alto patrocínio do sr. equivalências, para sossego do jaquim do roupão e do metanoso seminarista. Não tenho qualquer expectativa que a Desautoridade da Concorrência levante quaisquer obstáculos, pois todos sabemos que esse órgão não defende os consumidores mas antes os interesses dos poderosos. Só resta que a Prisa não faça marcha-atrás e deixe o Benfica na mão à semelhança do que aconteceu a um determinado empresário da comunicação.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Post de Captação

Se tivessem de inventar uma frase publicitária para este blogue, qual seria? Atirem-nos com todo o vosso talento. O slogan vencedor tem direito a uma semana à experiência no blogue.

Podem participar através da caixa de comentários ou na nossa página do Facebook

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De 0 a 10, os primeiros 4 meses da equipa do Benfica merecem...?

Ir à bola e quase não ver o Benfica


Antes de ter ido à bola, aconselharam-me a levar uns binóculos quando souberam que ia para o topo. Tendo em conta que os sócios pagavam 7,50 euros e os não sócios 12,50 euros para o topo, os preços eram claramente acessíveis, mas ainda assim pelos vistos demasiado caros para o que o espectáculo prometia - ver as segundas linhas a jogarem contra os móces d'Olhão a uma distância considerável.

Confesso que não sou fã de topos, mas foi nos topos que assisti a vitórias como a do Marselha, os 5-2 no Jamor ao Boavista, a Taça do very-light, em Guimarães no último minuto, no Bessa em 2005 (foi um empate mas garantiu-nos o título), em Anfield no ano seguinte, contra o Rio Ave em 2009, enfim muitas e boas recordações, mesmo que a visibilidade não fosse a melhor. E tendo tudo isto em consideração e a distância que me afasta do Benfica decidi apostar em mais uma ida ao topo apesar de todas as recomendações em contrário.

Na verdade pouco vi do Benfica e mesmo que levasse o Hubble, deduzo que nunca o veria na primeira parte. É verdade que andavam para lá 11 camisolas com a águia ao peito, mas Benfica era coisa que não se via. Ainda por cima andava por lá um canário a dificultar que alguém jogasse futebol, tantas as vezes que cantava sem razão parando o jogo. Claro que após tão brilhante primeira parte, pensei que o Jesus lhes martelasse tanto a cabeça ao intervalo que a segunda parte seria diferente.

Engano meu, ainda estavam todos a dormitar no balneário e os móces d'Olhão à má-fé aproveitaram-se do Paulo Lopes que para azar dele entrou em campo antes dos colegas. Obviamente que depois dessa maldade, começou o concursos de saltos para o gramado e lançamento de bolas para a Ria. Vendo estes inacreditáveis acontecimentos o Jesus deixou o Picanhas a fazer um snack ao intervalo, ou seria desde o início, é que me disseram que ele esteve em campo mas não o vi e tirou o André Gomes pois o puto foi abalroado por um foragido e por um presente do canário, mal pôs os pés em campo na segunda parte.

E com a saída do André Gomes, parece que o Benfica entrou em campo. Infelizmente hoje não estavam muito inspirados, mas quando há um Labreca na baliza tudo se torna mais fácil, desde obviamente que se remate à baliza, que foi algo que hoje parecia ser proibido. Enfim, lá acabei por ver 2 golos, o que não é nada mau em 35 ou 40 minutos de jogo, só que fiquei com vontade de pedir a devolução de parte do dinheiro pois eu pensava que na Taça da Liga os jogos eram de 90 minutos como no campeonato. Só espero que quando for para o campeonato o Jesus não mande outra vez o guarda-redes jogar contra onze, enquanto os outros ficam no balneário a mamar umas ameijoas à bulhão pato.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

bloqueado



Acompanhei o jogo contra o marítimo deste fim de semana apenas à distância. Tive pena, claro. Por todas as razões que se calhar são só uma – era o Benfica – e por uma razão acrescida, porque dizem que o Matic fez uma grande exibição.


Desde que o Jesus deixou de ser um génio e passou a ser um enigma, um paradoxo das tácticas e coisas que tal que tenho esta panca pelo meio-campo. Bom, eu não tenho panca nenhuma (pelo menos que venha a propósito) mas como o Jesus tem a panca de não acreditar em meios campos eu fui ficando um pouco obcecado com essa região central, esse Império do Meio que urge reerguer.
Esta verborreia para quê? Para dizer que fico lixado quando começa a despontar um meio-campo e o Jesus não aproveita o rebento. Claro que com cada ano que passa a coisa fica mais revoltante; será que ele ainda não percebeu que o Ramires foi a chave mestra do título? Porque não tentar replicar?

Quando me falam de uma brutal exibição do Matic não me ponho a tentar decidir quem é que ele substitui melhor, Javi ou Witsel, mas sim que podiam ter jogado todos juntos. E o Aimar. Sempre que se diz a palavra “meio-campo” lembro-me do Aimar, ansioso para entender o que se passa com Deus Aimar. E há ainda Enzo, os putos, enfim...
E é aqui que o texto encontra o título. Eu só queria meio-campo, Jesus! Mas meio-campo de homem, que saiba ter a bola quer para atacar quer para defender, não uma catapulta formidável que "transforma tudo o que é defensivo em atacante" mas apenas se o adversário também não usar meio-campo. O drama que este ambíguo treinador nos impõe, ainda que com jogadores maravilhosamente posicionados em situações defensivas de inferioridade, com compensações e contenções coreografadas como um bailado russo, é o de não conseguir sequer repetir o sucesso da sua primeira época, quanto mais construir sobre esse sucesso.

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“Esta equipa está feita para golear os pequenos, entusiasmar os sócios com ataques cheios de emoção mas sem o pragmatismo necessário ao sucesso – temos que ser consistentes com equipas do nosso patamar ou superior, e isso só se consegue com meio-campo, com inteligência em vez de corrida, com calculismo em vez de vertigem”. Esta é a minha “grande” tese que tenho andado a vender em cafés ou à beira do Manelito, armado em L.F.Lobo das entremeadas. Mas será que é mesmo assim? Critico o JJ por não duvidar de si mesmo, e eu, o grande Rui Santos da imperial em copo de plástico?

Bom, fui ao zerozero.pt, abri o excel e fiz o seguinte:
Classifiquei as equipas que o Benfica defrontou nas quatro épocas de Jesus como difícil, assim-assim e 15 a 0. Difícil é o porto (desculpem mas é a mais pura e estatística das verdades) e equipas de fase final da champions. Assim-assim deu sporting e braga a nível caseiro, e todas as equipas europeias tirando aquelas que ouvi falar pela primeira vez quando o Benfica as defrontou. As restantes ficaram no 15 a 0. (É obvio que fui um pouco linear, há muitas equipas portuguesas que nos dificultam bem mais a vida do que os evertons dessa europa, mas bom, tentei ser expedito, e a verdade é que o Benfica pela-se sempre que passa Badajoz (triste realidade esta!) e por isso nivelei por aí. Existem outras incongruências, tipo classificar o sporting como assim-assim esta época, mas siga…)

O resultado foi o da imagem em baixo (para os nerds que quiserem esmiuçar a coisa), com as tabelinhas a dizer o seguinte:

Na época em que fomos campeões o Benfica fez uma média de 1.8 pontos em jogos difíceis, 2.2 em jogos assim-assim e 2.55 nos restantes.

Nas duas épocas seguintes, de insucesso diria eu, 0.6 e 0.86 pontos de média nos jogos difíceis, 1.9 e 1.73 pontos em jogos assim-assim. Nos restantes, 2.42 e 2.59 de média de pontos, ou seja, semelhante à época em que ficámos com o caneco. Curiosamente, a época em curso apresenta uma tendência mais de continuidade do que outra coisa - 0.5 pontos de média em jogos difíceis, 1.83 pontos em jogos assim-assim e 2.83 pontos nos restantes (admito que ainda é cedo para grandes conclusões, principalmente nos jogos difíceis, mas pelo menos fico ainda mais convencido que o sucesso se faz nos jogos assim-assim e difíceis).

E pronto, vale o que vale, mas continuo na minha - somos uma equipa de jogos pequeninos.
Na verdade, mesmo os registos do ano do título, com 60% de vitórias nos jogos difíceis (Porto e Liverpool) e 67% nos assim-assim (Sporting, Braga, Marselha, Hertha, etc) não me parecem muito famosos, ou pelo menos insuficientes para a equipa que se auto-proclamou a melhor do ano a seguir ao Barcelona...

E é assim que continuo bloqueado, e continuarei, porque não me cabe na cabeça que um gajo que sabe levar uma equipa a Camp Nou fazer o que mais nenhuma fez(!), um gajo que “faz” jogadores em seis meses que valem o dobro da privatização da TAP não consegue entender que tem que pensar a sua equipa para aqueles jogos em que do outro lado está uma equipa de futebol assim pró mediano, ou vá, boa.





No rescaldo do 101º


45 minutos de avanço e hat trick de Cardozão. Já são 2 os jogos em que o Benfica carimbaos adversários e presenteia a massa adepta desta forma. Mais um e passa a cartão de visita! Eu vivo muito bem com hábitos destes. 
Com uma vitória sabíamos que descolaríamos na liderança, mesmo que, por motivos que nos são alheios, fechássemos o ano com um jogo a mais que o adversário directo. 
Cumprimos e cumprimos bem, o resto não é "problema" nosso.

Numa primeira parte algo displicente no que respeita à concretização, deixamos a competência neste "fenómeno" para a segunda, à semelhança do que já havia acontecido em alvalade.  
O golo inaugural do adversário parece-me uma prova às unhas dos adeptos, tal como os momentos que antecedem o golo do empate, sobretudo tendo em conta o principal protagonista de ambos: Cardozo. Ainda os assobios estavam na fase de aquecimento e ele resolve a questão que poucos minutos antes havia provocado um ataque de nervos generalizado. Uma chatice este Takuara. Uma chatice que equivale a 101 golos desde que representa o Glorioso. Uma chatice que se tornou na melhor marca estrangeira de sempre na história do Benfica. 
E sai mais uma palete de "Rennies" para todas as "Martas Rebelos" que deambulam por aí e a todos aqueles que "atiram" de forma inviezada a pérola: "fora os outros tantos que falhou".
Como se o facto anterior que refiro não chegasse - há que ter paciência.. - JJ responde: "se concretizasse todas as oportunidades, seria o melhor ponta de lança (PL) do mundo."
Não creio que o "mister" se importe que acrescente a esta resposta, para aqueles que não consigam depreender o resto face aos efeitos secundários do Rennie: se fosse o melhor PL do mundo com toda a certeza já não estaria no SLB. 
Mas está. E, no que a mim me diz respeito, espero que continue a dar que fazer aos assobios do “estimado” gangue, a provocar todos os ataques de nervos que provoca, incluindo ao próprio JJ e a fazer parte das fantasias de todas as Martas Rebelos espalhadas por esse jornalismo, 
O Cardozo “é aquilo” (JJ), o futebol é adrenalina e emoção, o Benfica é tudo isto e muito mais. Satisfaz toda a gente. 

Depois do festival de oportunidades perdidas ao final de 45 minutos, de sofrer um golo sem que o adversário tivesse feito o mínimo para isso, o Benfica entrou na segunda parte com maior coerência, afinado. 
Guiado por uma exibição assombrosa de Matic, cuja marca não deixa de registar em todos os golos, a par da implacabilidade de Takuara, fecha o ano na Liga com 4 golos, mantendo a posição que tinha antes do jogo mas com uma diferença importante no âmbito da motivação: é líder isolado.

Gostei muito do que vi em todos os sectores. Do seu entrosamento, dos níveis de concentração e da entreajuda. 
O que me continua a irritar profundamente é o total desperdício dos lances de bola parada, com relevo para os pontapés de canto. Começamos a roçar o ridículo. Mais uma vez, num festival de cantos que tivemos (11!), não houve um único que tivesse criado um calafrio que fosse à defesa contraria! 

O melhor: Matic. 
O homem do jogo: Cardozo. 
Era impossível para a minha consciência não eleger ambos. Está feita a devida e distinta eleição.

Uma nota para Lima. Faltou-lhe o golo para coroar mais uma exibição fantástica de trabalho e entrega à equipa. Parece que joga com Cardozo há anos!! O facto de não ter ponta de egoísmo leva-me a considerá-lo ao mais alto patamar no seio desta equipa. 

Estes São os meus destaques numa exibição global que, como já referi, gostei muito.

Ainda no âmbito dos destaques, uma palavra para Pedro Martins, treinador do Marítimo.
Existissem mais destes seres no futebol, com sensatez, educação e desportivismo e este mundo seria bem mais saudável. Não há porque não se deixa. 

JJ elogiou o árbitro no final do encontro e todos os outros da nova geração. Acho bem. É uma forma de motivação que no início de carreira é positivamente desejável e tranquilizadora neste meio tão conturbado que bem precisa de serenidade. Ainda que já se saiba que o que vale hoje da próxima ninguém se lembra, há que aproveitar estes rasgos de sensatez talvez inspirados pela quadra em que nos encontramos.
O trabalho da equipa de arbitragem não foi imaculado, longe disso, mas não foi motivo para crucificação. Falharam 2 vezes, uma para cada lado, mas os jogadores falharam muito mais e de forma bem mais escabrosa. Sejam os nossos, sejam os maritimistas.
O golo do Marítimo é irregular por fora de jogo de 2 jogadores e o penalty, ainda que seja o critério do árbitro a prevalecer, deixa muito a desejar. 
Ambos os lances são passíveis de análise concreta pelas repetições na TV mas o último continua a deixa sérias dúvidas. E só considero as dúvidas das análises mais imparciais.
O jogador tenta afastar o braço e esse movimento leva-me a crer que terá influenciado a decisão do árbitro. 
Era bom que de uma vez por todas se estabelecesse um critério uniforme para este tipo de lances: ou se marca ou não se marca. O senso de justiça deixaria muito a desejar, é certo, mas acabava-se com o "critério do árbitro" que é sempre aquele que mais criticas e desconfianças admite. 
Nem sequer abordo a questão... "E se tivesse ocorrido na área contrária?..." Há respostas para todo o tipo de consciências. Cada um com a sua.

Em 2013 há mais Liga. 
Diz-me a experiência que embandeirar em arco nesta altura é perigoso, muito perigoso. Estou feliz, é um facto, mas obrigada a ter a força suficiente para colocar um freio nestas emoções que tão maltratadas têm sido nos últimos 2 anos ao receber o coelhinho da Páscoa. 
Faço votos que a Equipa se mantenha humilde, trabalhadora e responsável, que mantenha a força além Carnaval que lhe tem faltado para me deixar tirar este freio que me incomoda. Ainda que nunca o suficiente para impedir as minhas romarias, seja ao Estádio seja à tv, é certo, espero livrar-me definitivamente dele em Maio, pelo menos!

Que venha a próxima "romaria" a Casa..











O Cardozo é um tosco de primeira. Hoje nem um golo marcou.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Lindíssima, a peça da RTP sobre o adepto do Sporting.

Vamos a votos, ontianos: quem foi o man of the match?

Um, enfiou três batatas na baliza adversária e atingiu o registo histórico dos 100 golos no campeonato português ao serviço do Benfica. Outro, fez um jogo imaculado, foi mais omnipresente que o Jota Cristo, defendeu, atacou, jogou e fez jogar, encheu o campo, as bancadas, os acessos ao estádio e o Colombo.

Se tivesses de premiar um deles com uma grade de minis pelo desempenho de hoje, qual seria o feliz contemplado?


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Poesia anti-apatia

Sejas de Bragança ou de Aljezur, vem ver o Artur! Estás amantizado com uma freira? Cura os teus pecados a apoiar o Maxi Pereira! Em casa tens requeijão com mel? Bom, mas no Estádio tens Jardel. A tua namorada acena-te de cai-cai? Tens tempo, agora vai ver o Garay! A tua avó alentejana preparou sopa de poejo? E os chouriços do Melgarejo? Tens de fazer a lista de compras com a tua caneta bic? Come uma bifana e vai gritar pelo Matic. Amanhã é dia de ires ao colombo comprar mais um kenzo? Vai mas é para o outro lado da estrada perfumar o nosso Enzo! A tua filha quer-te em casa para verem o pequeno póne? E se a levasses à Luz para cantar ao Ola John? Doem-te as pernas comó caralvio? Atira-te da bancada e vai às costas do Salvio. Ah o medo das alturas e o piso 3 é muito lá em cima? Compra bilhete para o piso 0 e cheira os golos do Lima. Há anos que o futebol já não te dá aquele gozo? Diz-me isso depois de veres mais um bis do Cardozo.

Dezembro na liderança, olhó ventoinha na cagança!

“Estou muito satisfeito com o plantel que o Benfica tem e que provou que existiam soluções para as saídas de Javi e Witsel que sucederam em Agosto. Este plantel tem talento e ambição, já demonstrou grande competência e, mais importante que tudo, estes jogadores já demonstraram que formam uma equipa. Já ouvi tantos nomes para reforçar a equipa em Janeiro, que às vezes pergunto-me se tenho de fazer um balneário novo no Seixal” - Luís Filipe Vieira in Record

 E, de repente, o jogo contra o Marítimo tornou-se muito mais difícil.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

De onde vem esse Benfica?

O JC fala-vos da ilha Terceira, o Bcool de Almancil, a Marta do Porto, o Roger do Redondo, o Sérgio de Entrecampos e eu da Ajuda. E vocês, ontianos, de que parte do mundo são?

E o Sporting vai acabar?

Observo com cuidada atenção este novo movimento sportinguista que pretende ser uma alternativa ao desgoverno de Godinho Lopes. Desde a frágil argumentação, passando por erros gramaticais violentos e incompreensíveis de cartazes e comunicados, acabando na óbvia realidade de que não fazem ideia nem dispõem de meios para uma sustentada recuperação do clube. Sim, cantámos há uns dias em Alvalade que o Sporting vai acabar. Parece-me é que, entre a brincadeira e o gozo, sem verdadeiramente o sabermos, cantámos o futuro.

LARGA ESSA TARA, VEM VER O TACUARA!

Ainda agora acabaste de ver o teu clube dar 3 na casa do rival e já tens outro jogo para não ires ver? Que sorte, hein? E se desta vez fosses? Um Sábado tranquilo, bom tempo, a Gabriela não deve dar, é capaz de não fazer muito frio. E se agarrasses nuns amigos com quem falas pelo facebook e fossem todos ao Estádio? Confessa: por uma ou outra vez a ideia até já te passou pela cabeça mas depois a chatice dos transportes, os atrasos, o FM que fica à tua espera, aquela sopinha da mamã que não há nas rulotes, começas a reflectir e quando dás por ti já estás a escrever no twitter que tens coisas a fazer mas que na próxima vais lá mostrar como verdadeiramente se apoia. A próxima é já no Sábado. LARGA O SOFÁ, VAI VER O JOHN OLÁ!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O país da carneirada



Saviola veio para o Benfica e fez uma grande primeira época. Na retina ficaram vários golos maravilhosos demonstrando uma grande inteligência, uma capacidade para combinar com Aimar e Cardozo fora do comum e um oportunismo que rendeu vitórias.

Embriagado pelo êxito, mas sem os mesmos jogadores que lhe asseguravam os equilíbrios, Jesus decide manter o mesmo modelo, exigindo coisas diferentes aos que ficaram. Por causa dessa estratégia, Saviola passa de titular indiscutível para o banco dos suplentes. Apesar desse início difícil, Saviola reconquista a titularidade marcando golos e dando a marcar, sendo instrumental na longa série de vitórias. A inteligência mantém-se mas começa a perder a velocidade e portanto começa a espalhar-se a ideia que o Saviola deixou de correr.

Na terceira época, relegado da 3.ª para a 4ª ou 5.ª opção no ataque, as presenças de Saviola são muito mais esporádicas. Os novos Goebbels rapidamente espalham a teoria que Saviola está velho e que é um jogador demasiado caro para a pouca utilização que tem. Não interessa que se utilizem jogadores menos inteligentes do que ele, mas são mais novos e mais rápidos, são mais baratos e têm maior potencial de valorização, portanto criam-se os cenários que os idiotas tanto gostam, Saviola é um gajo bom nas primeiras épocas nos clubes mas depois vai-se abaixo.

Não interessa que seja mentira, não interessa que no Benfica tenha sido o treinador que o tenha preterido em detrimento de outros com menos capacidades, interessa ainda menos que não se aproveite a sua inteligência e se lhe peça para ser um velocista, nada disso interessa. O que interessa à carneirada é que Saviola está velho, já não é rápido, já não marca golos, e é um jogador muito caro. Por isso, a sua saída era mais que exigida pela turba.

E todos aplaudiram essa saída. Afinal de contas, não interessava nada que o Benfica perdesse o valor todo investido no passe, pois as amortizações não foram compensadas por qualquer valor associado à transacção para o Málaga. O que são 5 ou 6 milhões deitados à rua ? Sidnei custou 7 e Jara 5,5. O que interessa é que o Benfica poupou muito dinheiro em salários pois era um jogador caro. Acredito sem dúvida que fosse um jogador caro, agora não me venham atirar areia para os olhos a dizer que se poupou dinheiro.

Os quase 7 milhões de euros em custos que o Benfica teve que suportar com a saída de Saviola são a prova provada que o Benfica nada poupou com a sua saída, mas os factos interessam pouco à carneirada. O que lhes interessa são as tretas que são diariamente vendidas nos pasquins do costume. No ano passado preparam a cama de Saviola, não o deixaram assinar por outra equipa em Janeiro com medo do destino que ele escolhesse. Este ano, a cama já está preparada para outro. A carneirada já engoliu as mentiras e já as repete frequentemente.

Será que adivinham quem está também na rota de saída e que toda a gente vai aplaudir como mais uma boa medida de gestão ?

O rei vai nu e dá peidos

Sabes que o teu país está na merda quando vês um corrupto beato rodeado de jornalistas que riem, babados, das boçalidades que o sujeito diz.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Perguntas a Rui Gomes da Silva

Se a sua suspensão de 11 meses resultou, palavras suas, de uma má-vontade e ausência de interesse que alguns agentes da Federação demonstraram na acusação que fez - a qual passava por afirmar que houve quem antes do jogo em Coimbra o avisou de que o Benfica seria prejudicado - por que carga d'água persiste o apoio inequívoco a Fernando Gomes? 

Portanto: apoiamos inequivocamente um homem que, além de no passado ter sido um dos protagonistas da corrupção portista, hoje lidera um órgão que possibilita os constantes favorecimentos ao Porto e ainda ignora e suspende sem ouvir um Vice-Presidente do Benfica e está tudo bem, mantemos o apoio, é tudo amigo e não se fala mais nisso? E ganhar vergonha na cara, não?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Bom Jesus e o Mau Jesus parte 2


Devo desde já começar por dizer que ao contrário da generalidade dos benfiquistas não estava confiante. Não gostei das declarações de Jesus que elevavam o Sporting ao nosso patamar, algo que verdadeiramente não é verdade. Mais, depois de 5 a 10 minutos, o Sporting começou a pressionar os nossos jogadores que jogando muito afastados deixavam André Gomes perdido perante 2, 3 e mesmo 4 adversários. Vários jogadores com excessos de individualismo e outros a acusarem a pressão. O 4-4-2 suicida estava a levar o Sporting a controlar o jogo e a sair em rápidos contra-ataques em especial do lado direito da nossa defesa onde Capel explorava as subidas de Maxi e Wolfswinkel antecipava-se a Jardel constantemente.

Curiosamente, foi Garay que falhou no golo do Sporting por entrar a medo. Nem imaginam os nomes que chamei ao Jesus ao intervalo, não por estarmos a perder com o Sporting, mas por estarmos a perder com uma equipa mediana que repetia a estratégia da época passada. O Mau Jesus em todo o seu esplendor, tal foi a pobreza da primeira parte onde apenas Lima e Cardozo com remates de fora da área e Cardozo de cabeça ameaçaram as redes do Sporting.

Mas, e tiro novamente aqui o meu chapéu, o Bom Jesus apareceu ao intervalo. Lima começou a recuar e a dar linhas de passe aos médios equilibrando a luta a meio-campo, John libertou-se da pressão e caíu em cima de Dier, mas acima de tudo a intensidade colocada em jogo começava a levar os jogadores do Sporting à beira da exaustão. Rinaudo o pronto-socorro leonino deixava de conseguir apagar todos os fogos, Capel e Carrillo morreram fisicamente, Elias e Pranjic foram engolidos e Cardozo mostrou que os centrais do Sporting sem a protecção do meio-campo não têm capacidade de o parar. O empate foi não só merecido mas acima de tudo já expectável, pelo jogador que preferiu ir para o Sporting ao Benfica.

O 1-2 não aparecia apesar do intenso domínio e num lance de contra-ataque tudo poderia ter mudado quando o Insúa acertou no poste. Seria uma punição demasiado injusta para tanto domínio. Entretanto, o desastrado Salvio que praticamente só teve 2 lances ao seu nível em todo o jogo remata para golo e Boularous decide acabar definitivamente com as hipóteses do Sporting. Se empatados com 11 apenas o desacerto benfiquista impediu a chegada ao triunfo muito mais cedo, com o penalty do Cardozo e com menos 1 em campo, o Sporting rendeu-se e tirando umas entradas a destempo resignou-se à superioridade e veria o Tacuara a marcar mais um, é certo que à tabela, a calar mais uma vez o gang do assobio. Podem dizer que se atrapalhou contra o Barcelona no último minuto, mas eu não duvido, que vamos sentir muita falta quando se for embora. Além de ter sido o único jogador que tentou pôr o jogo no chão na primeira parte, oferecendo linhas e procurando tabelar, é um verdadeiro bombardeiro que obrigou o Rojo a marcar pelo Benfica e massacrou os centrais.

Parabéns Jesus, apesar da má entrada e preparação do jogo, gostei de como a equipa veio para a segunda parte. Além do mais somámos mais três pontos e continuamos com o campeonato em aberto. A terminar, destaco a "fina ironia" do Presidente a referir que o Benfica não tem por hábito jogar com 2 guarda-redes, bem como a indirecta enviada ao Godinho.

Ho! Ho! Ho!