quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sobre a ideia extravagante e certeira de apoiar o Benfica de qualquer forma possível

O problema ocidental está no politicamente correcto. Tudo é político e tudo é quase sempre correcto. Só há dois extremos: ou o bípede exalta-se a tal ponto que acaba em cuecas na jaula (não é essa) de Alcântara, entre putas, bêbados e brasileiros que ainda não descobriram se são homens ou meninas bonitas nas noites de Belém ou então serve-se da gravata que usa no escritório que o faz assemelhar-se quase a um humano e torna-se político. Prefiro o primeiro exemplo, mas também acho muita graça ao segundo. 

Isto porque a casota do Manelito não tem tabaco. Nem o Manelito nem as outras todas. Que raio de casotas são estas que nem tabaco têm? Podem vir os americanos comprar o país, é isso? Não se entende. Um gajo sai do jogo, vai beber um copo e acaba perdido sem cigarros que fumem as vitórias do Benfica. Felizmente, no meu caso, houve Diego, um ser extremamente dado, que passou a noite a distribuir cancro pela humanidade que se concentrava toda em redor do Estádio da Luz. Há mais disto: Diego tem a bonomia dos que pressentem a vontade dos outros e dá sem ser pedido. Isto vale muito nos dias que correm. Ao 5º cigarro que Diego ofereceu, apeteceu-me comprar-lhe uma pedra do Benfica. Daquelas com direito a eternidade em frente ao Estádio e tudo. Mas depois lembrei-me de que a pedra custa quase tanto como o iate do Vale e Azevedo e deixei-me de coisas. Na próxima, ofereço-lhe um maço e ficamos assim, porque a simpatia deve sempre ser reposta com juros. 

E depois há os que vêem o Benfica e a vida como algum concurso-maratona-conta bancária que acham que toda a gente tem o prazer de viver o Benfica da mesma forma. Não tem. Se chega pão e ervilhas a algumas casas, é bom e deve ser preservado. Assim como o benfiquismo. Pode parecer estranho a alguns cérebros demasiado ovais mas o Benfica nasceu sem viscondes nem caga-tacos que ostentassem os galões de marquise na lapela. O Benfica nasceu de gente simples e assim continuou. Construiu-se por dentro, às vezes comendo a paixão em detrimento da carne que sempre esteve muito cara. É por isso fundamental que nunca cheguemos ao lugar da soberba e desprezo pelas necessidades dos outros. Antes, e assim é que é bonito, devemos ir ao encontro dos que querem, dos que precisam, dos que comem Benfica ao pequeno-almoço e o bebem à noite como instinto de sobrevivência. 

O que se pretende, portanto, e sem mais delongas nem milongas, é que toda a gente do Benfica tenha direito a ver o autocarro cheio de estrelas e lhe possa prestar vassalagem. Com dois euros no bolso, se for preciso. Porque para cantar pelo Benfica ainda ninguém se lembrou de pedir taxa. Que assim continue.



7 comentários:

Ginha disse...

Brutal resposta a quem se acha mais Benfiquista que os outros apenas por ter capacidade financeira e familiar para andar com o Benfica para todo o lado!

Também tenho o RedPass, também vou a alguns jogos fora, mas mesmo quando não vou, ando com o Benfica na mesma...no coração! Sem precisar de o mandar na cara de ninguém...

lawrence disse...

Há muita boa gente que não se esquece da carteira, dos cartões, da chave da bomba mas a humildade fica muita vez no armário a ganhar bolor!
Isso tudo!

Bcool973 disse...

Bom post. Apesar de não concordar com a guerra montada ao Feirense, conheço a realidade de clubes pequenos e não acho mal que tentem lucrar com o Benfica. Quer se queira, quer não, só nós conseguimos ondas imensas de paixão, e nessas ondas há sempre 5 ou 10 mil que podem pagar esses valores exorbitantes. Queria dizer que simpatizo com essa ideia de apoiar o Benfica por fora e gostaria de ver crescer essa onda, mas não é por isso que critico os pequenos clubes. Mas já me distraí outra vez, fantástico post

POC disse...

Clap, Clap, Clap.
Tenho cativo, vou aos jogos todos. Fora de casa, alguns. E nesses, vejo muita gente que acompanha sempre o Clube (ainda bem), mas que se vê claramente que não sentem nem 1/3 do que eu sinto e vivo. E esses estão lá sempre.
Muita gente vai porque é porreiro, amigos, copos, futebol, Benfica. Eu vou porque amo. E quando não vou, amo da mesma forma, ou com mais intensidade por não estar presente.

Não tenho a arte do Ricardo para escrever. Mas resumidamente, não é por se estar lá sempre que se é mais benfiquista.

http://simaoescuta.blogspot.com

Bcool973 disse...

Grave é esta merda:

http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=312451&rss=1

Ricardo disse...

Bcool, aqui não há guerra montada contra o Feirense. No máximo, há indignação pela tomada de decisão do seu Presidente. Nada mais do que isso. Os clubes pequenos, HONESTOS, merecem-me toda a consideração do mundo.

A ser verdade o que o jornal "A BOLA" hoje escreve, é a vergonha total. Ainda por cima num ano em que Porto e Sporting jogaram em Aveiro. E, se é verdade, retiro o que disse da decisão estranha do Presidente do Feirense. Realmente não fazia sentido perder 300.000 euros - só se fosse por ter quem lhos desse por debaixo dos panos. Neste caso, sendo isto verdade, retiro a desconfiança. E espero que amanhã seja uma boa festa entre feirenses e benfiquistas. Do que sei, parece-me gente tranquila e hospitaleira.

Ginha disse...

Ricardo, a noticia de hoje não me parece mais do que contra-informação, para tentar lavar a face do presidente do Feirense...

Porque a ser verdade, o gajo anda a dar nos ácidos, pois no inicio desta semana, dizia que tinha escolhido jogar na Feira, porque queria dar uma prenda a todos os adeptos que têm acompanhado a equipa...