terça-feira, 30 de julho de 2013

A portização do Benfica

Os sinais têm vindo a ser evidentes ao longo dos largos anos de miséria existencial em que está metido o Benfica. Começou no princípio dos anos 90, aumentou exponencialmente no final dessa década e atingiu o apogeu nos 13 anos de Vieira no Benfica: os benfiquistas estão cada vez mais parecidos com os portistas no que concerne à submissão acrítica ao líder e sobretudo à forma como preferem desconversar a encarar de frente actos indignos de quem dirige o clube. Dizem que assim defendem o Benfica, uma teoria tão rocambolesca ("vamos todos mentir sobre o que andam a fazer ao Benfica para os adversários não saberem") como réplica do que andam os adeptos do Porto a fazer e a dizer há 30 anos. Que nem se apercebam disso só diz do nível profundo de cegueira e incongruência em que andam inundados.

Até 2009, eu era um benfiquista como todos os outros: triste com a situação desportiva do clube, interrogando-me sobre o paradeiro do Benfica depois daquele autêntico furacão que varreu o clube nas Administrações de Damásio e Vale e Azevedo. Eu era um benfiquista agradecido a Vilarinho e a Vieira por terem recuperado algum do Benfica que estava perdido e quase morto. Estranho, não é? Eu agradecido a Vieira (esse meu ódio de estimação, segundo alguns)? Não pode ser! Pode, pode ser. A lucidez que mantive desde 2009 já a tinha antes: é isso que é difícil de compreender a quem passa o tempo mais preocupado em atacar a opinião dos outros e a defender o seu líder do que a encarar os factos de frente e a, sim, defender o Benfica. Porque defender o Benfica não é dizer que sim a tudo, não é sugerir essa ideia absurda de que "quem lá está é que sabe e merece sempre o meu apoio". Nesse caso, perguntemos a esses benfiquistas: Vale e Azevedo mereceu o vosso apoio? Provavelmente, mereceu. Hoje é que estão esquecidos e já ninguém votou nele. Um clássico que conhecerá nova saga daqui a uns tempos, quando já ninguém tiver votado em Viera. Mas agora há internet, meus caros. Cuidado, muito cuidado. Não vai dar para bicicletas.

E então o que foi que mudou em 2009? Mudou a História do Benfica. Perdeu-se a História democrática do Benfica. Vieira foi o autor do crime - não lhe tenho ódio; tenho demasiado amor ao Benfica e à sua História para conseguir aceitar um acto torpe dessa dimensão; a partir dali, para mim era simples: Vieira não merecia ser Presidente do Sport Lisboa e Benfica. Com a antecipação de eleições de forma a evitar concorrência, Vieira manchou indelevelmente a tradição democrática deste clube. Um clube que, desde a sua fundação, sofreu por manter-se fiel à liberdade de pensamento, de livre arbítrio, de respeito pelos seus sócios e adeptos, um clube verdadeira e totalmente democrático. Antecipar eleições para evitar concorrentes é o acto mais grotesco que o Benfica teve desde 1904 por parte de um Presidente. Aceitar isto como normal? Relativizar, fingir que não vi, meter o pó para dentro da gaveta? Lamento, mas não. Quem prefere não ter princípios faça bom proveito, mas deixe-se ficar no seu cantinho. Não venha querer convencer-me - muito menos com insultos, desconhecimento do clube, insinuações de gente que nunca teve educação na vida - de que estão a defender o Benfica. Estão a defender uma pessoa, não o clube. Um dia talvez o venham a perceber de forma clara.

O que faz um gesto desta dimensão? Podíamos pensar que teria sido uma falha, um pequeno acidente de percurso. Era evidente no próprio dia em que aconteceu esse atentado ao Benfica que aquilo não era um pormenor; aquilo era o princípio dos anos ditatoriais de Vieira. Como um tirano, construiu até 2009 as bases para que a partir dali, já com a lavagem cerebral a uma maioria de adeptos completada, usar o Benfica como quisesse. E foi o que aconteceu: as mentiras sucederam-se (dava-se ao luxo de, num espaço de uma semana, falar em temas estruturais do clube de forma completamente contrária à ideia primeira que tinha defendido); começou a gerar um clima de perseguição aos que discordavam da sua Direcção, atiçou os adeptos para isso (quem não se lembra dos discursos sobre papagaios, garotões, abutres?); preparou convenientemente a mudança de estatutos para tão absurdos requisitos que ele próprio - sócio há pouco mais de uma década, ao contrário do que diz (só mais uma mentira no largo rol) - não os cumpre, ao mesmo tempo que inviabilizava a possibilidade de Rui Costa poder ser candidato à Presidência. Apoiou - por duas vezes! - o corrupto Fernando Gomes para os órgãos de poder, não abdicou das relações com Salvador e Joaquim Oliveira, sentando-os na tribuna presidencial do Estádio da Luz ou indo fazer estágios para a Pedreira dias depois de os nossos adeptos e jogadores terem sido insultados e agredidos num Braga-Benfica; prometeu, prometeu, prometeu coisas - quase nada cumpriu e o que cumpriu foi sempre muito depois das datas estabelecidas - o Museu é só mais um exemplo. Nas últimas eleições, achou que os sócios e adeptos nem mereciam ter um debate entre os candidatos - claro, para quê? Ia ganhar de qualquer forma, democracia, discussão, argumentos, ideias, projectos? Não é preciso, a malta vai em força votar e dizer "Carrega, Benfica" e "é preciso é apoiar". 

As pedras da calçada, o Vale e Azevedo - este argumento valerá quantos anos mais? É que já passaram 13 -, a corrupção - que ele inquivocamente apoia - foram só três esteios da argumentação que foi difundida e prontamente aceite pelos seus admiradores. Todo o conceito filosófico está lá: preceitos ditatoriais à vista de todos. Quase ninguém via, quase ninguém queria ver, mais preocupados em atacar outros benfiquistas ou em falar nos árbitros e na corrupção - que, a propósito, não sei se já repararam, o Presidente apoia inequivocamente. Ninguém via nem queria ver - uns porque não sabiam mais; outros porque lhes interessava - desde tachistas blogosféricos a espinhas-tortas que saíram da oposição para serem comprados a troco de umas Vice-Presidências ou lugares na estrutura. Tudo isto se foi passando nestes últimos 4 anos enquanto alguns iam alertando "malta, olhem bem para a coisa, isto não é normal". Ninguém queria saber, ninguém queria ver.

Em simultâneo com a ascenção do cacique Vieira, ia-se cumprindo a incompetência extrema em termos desportivos, as negociatas estranhas (2 anos depois acordaram para o negócio Roberto? Boa para vocês, mas acho que deviam apoiar o Benfica e meter mais esta para dentro da gaveta), o enriquecimento pessoal do líder. Tudo sob o manto de um Benfica cada vez mais pujante, quase-quase a ganhar coisas. Faltava só um bocadinho. Aquele bocadinho que dá sempre para justificar com factores sobrenaturais, esotéricos, paranormais - este ano foi o minuto 92 (maldito sejas, minuto 92!, se não fosses tu tínhamos ganho tudo); o ano passado foi a arbitragem em Coimbra. No outro foram as primeiras três jornadas e antes do Jesus foi a incompetência dos treinadores - que o Vieira tinha escolhido e queimado mas isso não interessa nada. No fundo, Benfica-Benfica só existe desde 1994 se for para justificar o insucesso desportivo com o Vale e Azevedo e desde 2009 se for para justificar o insucesso desportivo com os árbitros e esse estranho esoterismo do minuto 92.

Tenho uma novidade para vocês: nasceu em 1904, tem um palmarés invejável em termos mundiais (e, espantem-se, o Vieira não tem nada a ver com isto), sempre se pautou por servir e aproveitar o amor, a solidariedade, o empenho, a dedicação dos seus associados, adeptos e simpatizantes, manteve-se fiel aos seus princípios democráticos enquanto o país era varrido por um cacique beato que até o nosso Hino e a nossa cor quis eliminar do mapa. O Benfica, o Sport Lisboa e Benfica, é um clube de uma dimensão planetária vindo de origens humildes - é essa a sua força, é essa a sua génese, é isso que o faz sobreviver. Colocá-lo sob o jugo de um tiranozinho sem noção do que é este clube é matar-lhe a alma, é aniquilar-lhe a mística, é destruir-lhe a existência. 

O Benfica hoje é um clube sem identidade - perdeu a que tinha para entrar numa espiral de equívocos, entre o completo insucesso desportivo e a imitação de procedimentos à Pinto da Costa. A portização dos seus adeptos é uma realidade evidente para quem observa a forma como uma larga maioria dos benfiquistas vai aceitando todos estes ataques à tradição democrática do Benfica. A legitimidade de crítica aos portistas por aceitarem títulos corrompidos todos os dias se perde neste colectivo devaneio em que uma larga maioria de benfiquistas entrou, defendendo as acções do seu Presidente como se nada fosse, como se tudo fosse possível. Mas não se enganem: fingindo não ver, escudando-se em desconversas, refugiando-se em argumentos sem sentido, estão a defender única e simplesmente Luís Filipe Vieira, nada mais. E, por favor, nunca digam que estão a defender o Benfica, que a História do nosso clube não merece tamanhas barbaridade e desconsideração.



16 comentários:

Bibiano disse...

Tudo aquilo que eu penso está expresso neste post. O benfica agora é isto, 83% com medo de que o Grande lider se venha embora e 50% com medo que o mestre da banha da cobra rume a norte.

No entretanto Vieira e os seus capangas vão se perpetuando no poder calando os benfiquistas com tudo menos o essencial... TITULOS!

nelo disse...

Não sei onde andavas nos tempos de Jorge de Brito, Manuel Damásio, porque foi nesse tempo, que aquilo que chamas de grandioso foi perdido, o Benfica bateu no fundo.

Carlos Branco disse...

Este texto é um serviço ao Benfica

Runesocésio disse...

Uma pergunta para reflexão. Honesta e sem rasteira: Com o Benfica assim como o vês, se forem ganhos títulos, celebras?

Pela tua argumentação desde há muito relativamente aos títulos do Porto creio saber qual é a resposta. Não sei é se tu já te apercebeste dela.

Ricardo disse...

Tu é malandreco, Runesocésio. O que foi que não entendeste do texto? Talvez o facto de eu falar na portização dos adeptos em relação às falcatruas do seu Presidente - temos esta coisa sublime: só arranjamos gajos que nos fodem o clube; não roubam os outros porque não conseguem - e não da forma como os títulos são conquistados?

Mas depois lembro-me: quais títulos, caralho?

Ricardo disse...

Nelo, estava a ver o Tavares.

Anónimo disse...

Excelente retrato e enorme demonstração do verdadeiro benfiquismo!

Há que dar um rumo ao Benfica. Este Benfica personalizado em egos não faz qualquer sentido... Temos que encontrar o caminho e trilhá-lo com os benfiquistas todos unidos!

Abraço,
Tiago

Miguel insan disse...

Ricardo, totalmente de acordo. Identifico-me bastante com o que sentes. O momento de viragem no que toca à figura de LFV foi exatamente essa. As eleições de 2009. A forma como se perpetuou no poder nessa altura. A forma como rotulou o adversário que quase agredido foi por benfiquistas. As mudanças estruturais que fez nos estatutos após essas eleições. Enfim. O problema Ricardo, e eu reparo nisto com amigos benfiquistas que estão longe da blogosfera/Ser Benfiquista, é que eles não estão a par, nem querem estar. Leem os jornais e pouco mais. Ficam surpreendidos quando lhes falo do "Conto do Miguel Rosa" e o vêm jogar, não acreditam que temos na estrutura gajos que dizem "A minha nação é o FCP", etc.

É uma postura de "ignorância" que está instalada e parece não mudar. Mesmo quando a merda começa a transbordar o penico os adeptos fecham os olhos. Parece que só quando os andrades nos ultrapassarem em títulos de campeões nacionais as coisas mudem.. Infelizmente parece estar para breve.

Um abraço

INCRÉDULO SILVA disse...

Blá...blá...blá...misturas criticas que até se aceitam ecom conversa demagógica. Para fazeres sair quem lá está só tens que aparecer com alguém com credibilidade para estar à frente dos destinos do SLB. É que o que se apresenta , um tal de Bruno de Carvalho, não passa dum infiltrado para todos os Benfiquistas menos os que o apoiam. Apresentem um Projecto e alguem credivel e os sócios do SLB cá estarão para saber fazer a escolha. O que não estarão é disponiveis para mais aventureiros que depois de fazerem porcaria se vão embora e quem vier atrás que feche a porta.
Na hora certa aparecerá alguem para dar continuidade ao SLB porque o SLB é ETERNO.

INCRIVEL SILVA

Ricardo disse...

Abraço, Tiago e Miguel.

Incrédulo Silva, as saudades que eu tenho do Mentecapto da Silva.

Miguel insan disse...

Ó Silva, eu acho-vos uma graça.. Então o Bruno de Carvalho era um infiltrado, mas 4 anos após perder as eleições e ser enxovalhado continua a defender as suas ideias para o clube. Mas é infiltrado. O Dragão de Ouro que preside o nosso clube é o quê então?

Anónimo disse...

Ó insano, estás-te a bater ao lugar do Bcool ?

Deves andar a fumar umas merdas muitos esquisitas, é que o Dragão d'Ouro que passou pelo Glorioso chamava-se JOSÉ VEIGA... carago !

Runesocésio disse...

Tens razão, fiz uma extrapolação provavelmente abusiva.

Na parte dos títulos defendo-me com a utilização do condicional. :)

Sei que percebeste a pergunta e foste bom na evasiva, sem sequer fugir muito.

Essa cegueira perante a, digamos, "instransparência" de certa acções, transacções e negociatas, o apoio a quem achas indigno (visto como aceitação do status quo do apito dourado), a traição a certos valores que vês como indissociáveis do Benfica e o que mais por aqui vais apontando traçam um cenário catastrófico.

Eu sei que tu não és a Maya, mas a previsão que fazes é que falta muito pouco para que no Benfica os fins venham a justificar os meios e no dia em que isso acontecer esse benfica já não será o “teu” Benfica, aquele que idealizas.

A minha pergunta, reformulada, se isso se vier a confirmar, como agirias? Renegavas os títulos? Renegavas “este” Benfica? Renegavas o futebol? Renegavas (“ainda mais?!” dirão os habituais anónimos) Vieira?

Pode-te parecer abuso da minha parte mas o que quero é tentar perceber o que esperas de “um adepto portista” (pouco, bem sei!) quanto ao apito dourado. Eu sou o tipo de adepto que gosta de ver futebol para partilhar umas minis uns tremoços, umas bocas e uns olhares cúmplices. Não tenho nem de perto nem de longe o investimento emocional que tu tens no Benfica. Acontece-me muito é aquela coisa da defesa do grupo, o nós contra os outros, o ser atacado, insultado e rotulado de algo só porque quando vejo futebol puxo por uns e não por outros, aí dá-me para argumentar e tentar defender a “minha dama” e muitas vezes sinto que não estou a fazer mais que tentar descrever o arco-íris a um cego... Alguns adeptos arrogam-se de uma verdade dogmática, como se tudo fosse transparente, não é, como tu não te cansas de apontar! O que na minha opinião acontece é que para alguns a lama já chegou ao cima (mas sacudiram-na bem e sem possibilidade de recurso. Sobra apenas a memória da mancha.)

Pronto... desabafei e até já me perdi no racíocinio. Escrever com pausas constantes ao longo de quase 2 horas dá nisto. Desculpem os que me leram. Ficam as perguntas.

Anónimo disse...

«No fundo, Benfica-Benfica só existe desde 1994 se for para justificar o insucesso desportivo com o Vale e Azevedo e desde 2009 se for para justificar o insucesso desportivo com os árbitros e esse estranho esoterismo do minuto 92.
»

Bem tirado Ricardo,mas com uma adenda: para os vieiristas mais empedernidos, o Benfica só existe desde 2003, tal é o facto de o líder confudir-se sempre com a instituição,e o próprio ser visto como uma reencarnação de Deus...

Quanto ao texto,são sinais cada vez mais preocupantes,e estou perfeitamente à vontade para o dizê-lo, até porque daqui a uns anitos (não muito tempo), quando o Orelhas pôr-nos num pântano ainda mais fundo ( e este já é bem fundo...),olharemos para trás e diremos «Falávamos tanto dos tempos do VA, mas a verdade é que o nosso estado em 2000 é quase uma história de fadas comparado com o que vivemos hoje em dia»

Já nem é só portização, como também sportinguização, tal como nós, os sportinguistas durante viviam iludidos e contentes com os ricaços do BES, do luxo, do papel, e quase 20 anos depois deste ciclo, eles souberam dar um murro na mesa e escolheram um sportinguista ferrenho. Já no Benfica acontece o contrário, é vermos adeptos apaixonados por um tricolor,com falta de autocrítica, comodismo e um encolher de braços, tudo à conta de umas vendas, de contratações de cromos novos,Benfica TV, betão, merchandising,etc. , mesmo que os títulos hoje para os adeptos «não interessa,já ganhámos muito», mais a arrogância que os benfiquistas transbordam nos dias hoje, a escudarem-se à sombra das vitórias dos anos 60/70...tanta vaidade e basófia,depois digam que somos odiados pelos antis,que somos gozados pelo PDC, que ele é o monstro mau, que somos invejados e temidos,etc etc...

E digo mais: espero estar muito enganado,e os vieiristas que me batam, mas enquanto ele estiver lá no poleiro, o Benfica NUNCA irá mais ganhar um título de Campeão Nacional ! e outro título qualquer (tacitas), tenho muitas dúvidas, e eu nem sequer sou futurologista...

M disse...

o Runesocésio fez uma boa pergunta ao Ricardo de facto....

Que por acaso tenho andado a fazer a mim mesmo..já a fiz e agi de acordo com a resposta anos atrás e tenho andado a pensar nisso...outra vez!

Com tanta aversão à direcção, fundamentada na sua opinião, e fazendo a ponte para os adeptos portista, celebraria ele os eventuais títulos que perdemos ao 92?

e eu? Bem..ainda não cheguei ao ponto de não festejar mas..

Concordo com muita coisinha que o Ricardo vai escrevendo, algumas nem por isso, mas tenho cada vez mais dificuldade (muita mesmo) em aturar o Benfica atual....anos atrás, com o Vale, não o suportei, afastei-me, deixe de pagar cotas até me ter fartado ainda mais de me ter afastado e voltei a pagar cotas para poder votar contra o gajo e correr com ele de lá....

vamos ver no que isto dá..

O rasteirinho disse...

Este texto tem muitas críticas acertadas. Creio que dificilmente se encontra um benfiquista que não concorde com elas. Mas também tem os dois grandes problemas do costume. O primeiro é esquecer (ou fingir esquecer) que não houve uma única candidatura que sequer pusesse em perigo a hipótese de Vieira ser reeleito. Subjacente ao discurso deste autor/blog parece estar sempre a ideia de que eles são os únicos que percebem que o Vieira não é o presidente que o Benfica merece, mas que infelizmente há 80% de idiotas que lhes fazem a desfeita de o reeleger. Não, pá. Toda a gente sabe que o Vieira não é bom presidente. Poupem-nos aos vossos sermões. O que acontece é que os outros candidatos são ainda piores. Entre o mau e o péssimo, os benfiquistas têm escolhido o mau. É tão simples como isto. Ultrapassem o vosso complexo de superioridade. Vocês não são mais benfiquistas do que os outros. Não querem melhor ao Benfica do que os outros. O Benfica não tem 80% de votantes mentecaptos, amigos. O Bruno Carvalho é que é clinicamente imbecil. E o juiz atamancou uma lista em 15 dias com a ajuda de um perigoso vigarista que o Vieira, estupidamente, também acarinhou mas que, em boa hora, mandou sair. Se um chimpanzé se candidatar contra o Vieira, também não é sensato andarem a censurar os maus benfiquistas que não deram o seu voto ao chimpanzé.
O segundo problema é a chamada falácia reductio ad hitlerum. Neste caso, reductio ad Pinto da Costum. Pinto da Costa é o maior criminoso da história do futebol português. O maior. Da história. O Vieira tem muitos defeitos, mas não é, nem de perto nem de longe, comparável. Fazer a comparação é ofensivo, não porque calunia o Vieira, mas porque desculpabiliza o Pinto da Costa. Afinal não é o único, há mais como ele. Não, não é verdade. Pinto da Costa, este Porto e os sócios do Porto que apoiam aqueles métodos não têm comparação com nada. Talvez nem mesmo com a máfia napolitana. E muito menos com o Benfica.