segunda-feira, 17 de junho de 2013

Fala, Danilo Oliveira, glorioso papagaio.

«O pior veio mesmo depois, quando após uma votação em que entraram alguns sócios (provenientes das casas do Benfica) apenas e só presentes na votação, os animos se exaltaram, com muitos sócios da Bancada a protestaram o tratamento discriminatório da mesa da AG. por duas vezes o presidente da mesma se esqueceu de contar votos contra... 

Nazaré, ao bom estilo ditactorial, ameaçou 3 vezes em 10 segundos, acabar com a reunião magna. E à terceira acabou mesmo com a AG, deixando muitos sócios incrédulos. Foi impossível demover o presidente da mesa da AG da sua decisão, mesmo com os vários apelos de sócios que já se tinham inscrito para falar. Verdadeiramente anti-democrático. As suas palavras 10 minutos antes ecoaram então na mente de todos, tendo inclusivamente alguns sócios dito que acabava de demonstrar bem o que era uma ditadura. 

O caso agravou-se ainda mais, quando Paulo Parreira, conhecido sócio benfiquista, se dirigiu ao palanque e apelou a todos que voltassem aos seus lugares pois ele ainda iria falar (mesmo que com a AG acabada parece-me). Nessa altura a música atingiu niveis ensurdecedores, de modo a não deixar que o sócio fosse ouvido. É inacreditável uma coisa destas. Simplesmente um escarro na nossa gloriosa história democrática. 

 E assim levei mais um murro no estômago, numa época em que não foram poucos. Mas foi este o que me doeu mais e que mais me marcou e marcará. O dia em que vi o meu clube democrático em ditadura ser ditactorial em democracia. Para o final deixo algumas notas que têm uma relevância muito importante. 

- Luis Filipe Vieira, o presidente do Benfica e dos sócios, não se dignou a falar com os mesmos. Entrou mudo e saiu calado de uma AG em que era sua obrigação ser o primeiro a falar aos sócios. Nem que fosse para dizer boa noite e agradecer a presença naquele dia. 

- José Eduardo Moniz faltou à AG. Ninguém sabe porque motivo. Não foi esclarecido porquê. Os rumores de que estará de saída do clube e de volta à TVI começam a ganhar força. 

- Luis Nazaré portou-se com um ditador. O presidente da mesa da AG deve ser a voz dos sócios e não um instrumento da direcção do clube. 

- O frete que apenas Nuno Gaioso não demonstrou (o meu apreço por ele e por se mostrar disponível) estendeu-se a todos. Realmente estarmos ali ou no cinema ou nos copos era a mesma coisa. 

Para finalizar que o texto já vai bastante longo, quem apelidou bem este nosso presidente da mesa da AG, foi o actual presidente do clube, quando o apelidou de papagaio. 

 Até quando Benfica? Até quando?» 

 Danilo Oliveira, no blogue Sócio Encarnado.

Simone Weil, "Espera de Deus", 2005

«A busca activa é nociva, não apenas ao amor, mas também à inteligência, cujas leis imitam as do amor. É necessário esperar simplesmente que a solução de um problema de geometria, que o sentido de uma frase latina ou grega surjam no espírito. Por maioria de razão, também assim com uma nova verdade científica, com um verso belo. A busca conduz ao erro. É assim com toda a espécie de bem verdadeiro. O homem não deve fazer outra coisa senão esperar o bem e afastar o mal. No tumulto que constitui a condição humana, a virtude autêntica em todos os domínios é coisa negativa, pelo menos na aparência. Mas esta espera do bem e da verdade é algo mais intenso do que toda a busca.» 

domingo, 16 de junho de 2013

Benfica continua a recente tradição de contratações familiares e adquire o irmão mais velho da Águia Vitória por 4 anos.

Fala, João Tomaz (tu que és um famigeradíssimo abutre), conta-nos as tuas dores.

«Desde os anos 90 que vou a assembleias-gerais do Sport Lisboa e Benfica. Pensava que já tinha visto tudo mas continuo a ser surpreendido. 

 Esta foi uma assembleia exemplar ao nível do civismo e das intervenções, apesar de escassas. A apresentação do orçamento foi boa, como já não era há anos, os sócios que entenderam pronunciar-se e questionar a direcção fizeram-no, respeitando, inclusivamente, o objecto de debate. A direcção, na pessoa do vice-presidente Nuno Gaioso, respondeu às questões (julgo que a todas) de forma clara e objectiva. Depois houve a votação que decorreu normalmente, com votos contra, abstenções e votos a favor. Tudo normal, no mais completo civismo. Orçamento aprovado. 

 Nos momentos que se seguiram à votação, houve algumas bocas, que não passaram disso mesmo, de uns dez (se tantos) sócios e o presidente da mesa da assembleia-geral, Luís Nazaré, contrariamente a outras assembleias conturbadas, ameaçou finalizar os trabalhos e concretizou a ameaça poucos segundos depois deixando toda a gente perplexa, incluindo, como foi notório, alguns membros dos órgãos sociais, incluindo da direcção. 

Tal motivou que não houvesse a habitual sessão de intervenções de tema livre, causando descontentamento e alguma conturbação, que se compreende e aceita. Isto para mais vindo de quem, durante a assembleia, se dirigiu a uns poucos sócios na bancada que gritaram "ditadura", afirmando, arrogantemente, "vocês sabem lá o que é ditadura". Assim como, já depois de encerrados os trabalhos, respondeu, a outros sócios que o lembraram das assembleias no antigo pavilhão da Luz que terminavam às cinco da manhã, que se "lembra perfeitamente delas e que vocês ainda andavam a jogar ao berlinde". 

Fala Paulo Parreira, diz-nos o que pensas tu


"a assembleia ontem foi uma vergonhaaaaaaaaaaaa pessoas que vieram ate do algarve e de outros sitios e que comecou para ai as 21h30 e acabou ás 22h30 porque 2 ou 3 pessoas maltrataram o vieira ora entao a partir de hoje nao ha assembleias na ultima ate petardos ouve e extintores e nao acabou voces estao como querem tomaram de assalto o benfica DEMOCRACIA NAO HA os socios nao falaram eu nao consegui falar como outros socios tambem queria falar da nossa formacao,queria falar de defender os socios e adeptos bilhetes mais baratos ,do desmantelamento desta equipa que nao pode acontecer mas nao deixaram,LUIS NAZARE nao tens categoria nenhuma para estares na mesa da assembleia porque nao defendes o benfica nao defendes os socios que sao a forca do benfica a cultura a mistica e quando este senhor se virou la para cima e disse quem sao voces ai em cima?eu vou-te dizer sao socios que pagam as cotas tem red pass muitos e saomais benfiquistas do que tu porque esse senhor nao passa de um vendido cuidado que muitos andam a vender-se.VIEIRA depois do que fizes-te ontem perdes-te a credibilidade que tinhas para mim alguma ainda o benfica esta entregue a mecenas socios e adeptos vamos ter de abrir os olhos eu nao me vou calar eu amo o benfica demais,os socios adeptos simpatizantes mereciam um presidente benfiquista que goste do benfica e nao que queira faca do benfica um negocio o benfica parece o sport negocios e benfica desculpem-me para quem ache o contrario mas depois de ontem vi tudo estes senhores nao respeitam os sociosssssssssssssssssssssssssssss LUIS NAZARE DEMITE-TEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE" 




sábado, 15 de junho de 2013

Isto é tudo menos o Sport Lisboa e Benfica

- Antecipação de eleições para não ter concorrência;
- Mudança, com curiosíssima alínea, de estatutos para um registo absurdo, blindando-se no poder e evitando que outros possíveis bons candidatos pudessem aparecer, sobretudo Rui Costa;
- Em eleições, recusa em fazer um único debate para elucidar os sócios.

O que faltava a esta colecção? Sim, o vergonhoso espectáculo do dia de ontem.

Não acordem que não é preciso.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Questões para a AG


O que eu gostaria de ver perguntado na AG:

- Visto que na última AG o Relatório e Contas foi chumbado e os estatutos são neste momento omissos quanto às consequências desse mesmo chumbo, para que servem as AG's onde são apresentados esses mesmos R&C ?

- Estando este mês, a vencer-se o Empréstimo de 5,8 Milhões de euros, que com os juros a 31 de Março de 2013, já ultrapassava os 6,6 Milhões de Euros, como vai o Sport Lisboa e Benfica reembolsar esse valor ?

- Relativamente à Benfica SGPS, detida a 100% pelo Sport Lisboa e Benfica, com que meios vai em Junho de 2015 a Benfica SGPS reembolsar o empréstimo à Benfica SAD ?

- Estando aprovada a contenção de custos nas modalidades, uma situação que é de louvar, como se explica que existam os boatos referentes à dispensa de um técnico que nos levou à conquista de 1 campeonato, 1 Taça Cers, 1 Supertaça Europeia e 1 Europa League ? É para continuar com o professor Luis Sénica ou à semelhança do André Lima vamos dispensar um técnico campeão europeu ?

- Qual é a ideia para o Andebol, visto que o investimento em sucessivos anos não tem tido o retorno esperado. Não fará mais sentido fazer como no hóquei em patins e começar a construir o sucesso pela equipa técnica ?

- Qual a ideia para o rugby, que apesar da boa vontade dos atletas juniores, andou a enxovalhar o nome do Benfica em face dos resultados alcançados ?

- Porque se ouve falar que o Museu Cosme Damião vai ser inaugurado em Julho, quando faria sentido inaugurar numa data icónica para o Benfica, por exemplo - 2 de Novembro ou 1 de Dezembro ? Isto porque 28 de Fevereiro ainda fica muito longe.

- Como é que a SAD presta contas ao clube, da sua actividade e como podem os sócios saber dessa mesma pretação de contas, em especial num ano em que todos os objectivos desportivos foram falhados ?

- Como podem os sócios questionar a actividade da SAD não sendo accionistas directamente, mas sendo associados do accionista maioritário ?

- Finalmente, em que ponto de situação está a prometida baixa de quotas, promessa essa efectuada em campanha ?

Isto são as questões que gostara de colocar à Direcção do Sport Lisboa e Benfica, pelo que, na impossibilidade de me deslocar à assembleia, devido a compromissos profissionais, lanço o desafio para que alguém faça estas questões.


Usem a garganta pelo Benfica



A imagem que aqui vêem é da última Assembleia-Geral do Benfica - na qual os sócios votaram desfavoravelmente o Relatório & Contas, além de ter sido uma noite de grande fervor associativo, com várias intervenções de benfiquistas, quase todas no sentido de criticar a Direcção do Benfica. Uma delas é a que a foto retrata: a minha intervenção no palanque, enquanto Vieira olhava o telemóvel e ria-se muito das mensagens que lhe enviavam - esteve nisto as duas horas da duração da Assembleia, enquanto os sócios debatiam o clube e falavam das suas preocupações. 

 Trago aqui esta para explicar uma coisa muito simples que, pelos vistos, custa a entender: o associativismo é feito de cérebro, não de acefalia. O sócio não só pode como deve questionar o que está errado no clube - e deve fazê-lo em todo o lado: internet, café, carro, casa-de-banho, estádio - a problematização séria do Benfica é um bem, nunca um mal - haja neurónios para entender isto. Mas sobretudo deve fazê-lo aproveitando o espaço perfeito para poder explanar a sua opinião junto dos seus consócios e da Direcção: a Assembleia-Geral. 

 Com muita pena minha, hoje não vou poder estar em Lisboa. Não vou poder dizer aos dirigentes do Benfica aquilo que eles merecem ouvir. Não vou poder explicar resumidamente algumas ideias que tenho para o clube (que dou gratuitamente; não preciso de tachos nem nunca os aceitaria). Não vou poder defender todos aqueles que me pediram por mail e mensagem uma intervenção ao nível da última que tive. Não vou poder defender o Benfica. E isso custa-me muito. Mas espero que haja quem saiba intervir no sentido de fazer ecoar pelo pavilhão palavras que questionem: 

 - a imbecil forma como perdemos o campeonato - sobretudo pela centésima vez com que a soberba e a ganância de protagonismo de Vieira prejudicaram a equipa; 
- o caso Luisão e a repercussão no resto da época; 
- o que fazia Carraça no Benfica e o porquê de ter sido aposta forte e agora ter saído; - a vergonhosa atitude do Jamor - tanto do jogador Cardozo como da forma como os jogadores não assistiram à entrega da Taça ao Vitória e recusaram cumprimentar o PR; 
- o deficiente planeamento da época, deixando Jesus entregue à sua qualidade e capacidade de invenção; 
- o que faz Vieira continuar a apoiar inequivocamente corruptos para os órgãos de poder; 
- se uma das responsabilidades de um Presidente do Benfica é defender o clube de influências externas, quando se está há 13 anos no clube e ainda se continua a tentar desculpar erros próprios com arbitragens só se pode dever a uma clara e visceral incompetência; 
- o que faz Vieira, 13 anos depois e 2 campeonatos depois, com o Porto a ganhar em toda a linha, a ganhar exponencialmente adeptos nas camadas mais jovens por todo o país, a aproximar-se do número de títulos, a vencer vários troféus internacionais, a humilhar-nos vezes sem conta, repito, o que faz Vieira não ter vergonha na cara e se demitir. 

 Espero que alguns destes assuntos sejam abordados pelos nossos consócios. E que Vieira desta vez não passe uma Assembleia-Geral a rir-se das piadas broncas que o seu amigo do Bairro das Furnas lhe manda enquanto no palanque vão desfilando preocupações dos sócios do Sport Lisboa e Benfica.

Deves querer voltar aos tempos do Vale e Azevedo, deves.

"A comparação é sempre com o pior. Não deve haver expressão mais rasca do que "Já vi pior...". Em Portugal, quando se aponta uma rasquice absoluta, há a mania de defendê-la pela relativização (...) É por isso que existem tão grandes discrepâncias. Os portugueses ou ficam em último lugar ou em primeiro. Nunca ficam, por exemplo, consistentemente com o segundo ou terceiro lugar. (...) Os poucos espertalhões que resistem à Lei Férrea da Média Mediocrática ou não resistem às pressões dos pares e entram na linha ou, por virtude de um talento excepcional, chegam a número um." MEC, A Causa das Coisas

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O ano do abutre

Perdoem-me, mas eu acho que Junho é um péssimo mês para criticarmos os erros evidentes da época anterior, temos de apoiar na internet, vem aí mais uma época. Lamento, mas em Julho acho de muito mau-gosto aparecerem benfiquistas (sê-lo-ão?) a dizer mal das contratações, é preciso apoiar na internet, vem aí mais uma época. Vocês desculpem-me, mas Agosto é o mês dos primeiros jogos, deixem de ser abutres, vamos apoiar na internet. Se me permitem a intromissão, em Setembro o plantel está definido, é com estes que vamos à guerra, vamos apoiar na internet. Acho incrível que haja quem passe Outubro a repetir que houve erros nas épocas anteriores iguais aos desta época. Já não há pachorra para estes papagaios que em Novembro falam que a estrutura falhou, vamos apoiar na internet. Mais um Dezembro a criticar a incompetência dos dirigentes do Benfica só porque ela é a mesma dos últimos 10 anos? Parece-me que há aqui infiltrados, vamos apoiar na internet. Pronto! Janeiro e gente a pedir que se resolvam os problemas criados em Agosto! Mas ninguém sabe que o Benfica deve ser apoiado na internet? Ora cá está Fevereiro, altura crucial, e estes badamecos armados em profetas da desgraça; apoiar na internet é que está quieto! Pois, pois, Março é o mês de andarem a malhar na Direcção, não é? Apoiar na internet como nós é que é mentira! Ah Abril e os mesmos de sempre todos contentes com o Benfica a perder; deviam era ter apoiado na internet. Um Maio em que voltámos a perder tudo e as pessoas não se consciencializam de que o importante é perceber que aprendemos com os erros dos últimos 10 anos, calem-se, portistas encapotados, vamos apoiar na internet!!!!! Perdoem-me, mas eu acho que Junho é um péssimo mês para criticarmos os erros evidentes da época anterior, temos de apoiar na internet, vem aí mais uma época.



Miralem Sulejmani


No Youtube qualquer manco parece uma estrela se soubermos escolher os lances certos, por isso tenho sempre algumas reservas a avaliações com base numa colectânea de lances escolhidos a dedo para mostrar o que de melhor um jogador tem.

Tendo isto em consideração quero dizer que se acho que os três sérvios apresentados esta semana (na véspera da AG) têm muito talento, a verdade é que me parece que Miralem Sulejmani pode ser o que maior impacto pode causar na equipa no curto prazo. É o mais velho dos 3, mas apesar dos 24 anos (Djuricic tem 21 e Markovic 19) já jogou ao mais alto nível na Europa no Ajax e no campeonato holandês, sendo claramente o que jogou numa equipa mais competitiva, Markovic no Partizan também jogou na Liga dos Campeões mas não se pode comparar o nível da equipa sérvia com o da holandesa.

Depois de ver tanto talento desembarcar na Luz fico com apenas uma dúvida, o que fazer com Salvio, Gaitán, Ola John, Nolito, Urreta, etc.




quarta-feira, 12 de junho de 2013

CONFUTATIS, MALEDICTIS

Nunca mais volto ao Piso 1. Eu, como sou pobre, sou mais da zona Piso 3 mas ontem, porque o Benfica decidiu oferecer-me bilhetes por eu ser um belíssimo exemplar de débito directo, tive privilégios e honrarias. Fui exigente. Piso 1 e não se fala mais nisso. Tanto que passei pela porta 17 com uma garrafa de água cheia de vodka na mão (sem tampa, que o steward zela pelo bem-estar dos espectadores), galguei metros, passei por uma porta envidraçada com letras bonitas a dizer "VIP" e cheguei à... 19. Onde estaria a 18, que era a minha? Julguei estar bêbedo, e estava, e voltei atrás. Não, confirmava-se, antes da 19, só a VIP e antes a 17. Como não sou parvo, embora pareça, juntei os cordelinhos na cabeça e constatei, qual génio, que eu era VIP. As coisas que fazem de nós.  

Fui muito bem recebido, vi o José Augusto, vi gente ilustre e sentei-me. A cadeira era aquecida e almofadada, atrás de mim ginásios luxuriantes com vista para o relvado, gente bonita, limpa, asseada, com o cabelo arranjado, o próprio café tinha outro aspecto, as coisas brilhavam mais. Onde estariam os benfiquistas? 

 Como fui sozinho à bola, não pude compartilhar a experiência esóterica que me estava a acontecer mas pude, por outro lado, observar com mais atenção tudo aquilo: um luxo. E enquanto a vodka ia descendo na garrafa e o Sidnei lembrava-me as saudades do David Luiz, procurava por sinais de benfiquismo. Em vão. Sentados, calados, ensimesmados, engravatados, aqueles adeptos pareciam bonecos postos ali para, qual José de Alvalade, fazerem o efeito "estádio cheio". Cheguei a passar um pionés na nuca do boneco à minha frente e ele saiu em balão "pfiiiiiiiiiiiiiii" pelo ar. As coisas que o Benfica faz à gente. Lá em baixo, o Salvio parecia o Gaitán e o Jara não parecia o Saviola. O Aimar parecia o Menezes e o Coentrão parecia o Coentrão. 

 No intervalo, experimentei o urinol feérico iluminado da casa-de-banho VIP e assisti a um engravatado lavar as mãos como eu nunca tinha visto. O senhor passava água, depois produto, secava as mãos, voltava a passar água, depois produto, depois secava as mãos. Fez isto três vezes. Findo o processo, ajeitou a gravata, passou a mão brilhantemente asseada pela melena grisalha e saiu pela porta. Eu olhava-me ao espelho, sem saber se devia ir ver a segunda parte ou partir a cabeça contra o vidro. Não estou, é óbvio, habituado a estas coisas. 

 Onde estaria o magote de gente em fila pirilau atrás dos urinóis; que fizeram deles? Que saudades dos lavatórios sujos e sem espelhos, dos pais agarrados aos filhos à espera atrás de uma porta enquanto, na sanita, benfiquistas se peidam e gritam coisas obscenas e dizem mal do árbitro. Saudades dos sotaques na casa-de-banho, gente do Minho, do Alentejo, "da" França, gente gorda, cara ruborescida do vinho. Até o mijo me soube pior sem aquela pressão adicional de ter de executar rapidamente para dar, democraticamente, lugar a outro. Tudo tão fácil, tão certinho, tão inquietantemente lúcido e civilizado. A custo, voltei ao meu lugar. 

Jogo melhorzinho, mais Benfica até que... GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLO! Levanto-me, salto, grito, GOLO, CARALHO!, procuro alguém para abraçar ou, ao menos, olhar daquela forma cúmplice que só o futebol consegue dar entre perfeitos desconhecidos. Mas nada! Num raio de 5 metros, os 30 bonecos sentados batem palmas, com as mãozinhas delicadas umas contra as outras, num gesto de donzelas românticas, e eu a olhá-los e eles a rirem para mim, quase envergonhados. Senti-me o Tom Hulce, no "Amadeus", no final daquele riso monumental, em que o riso histérico se torna em soluços como que a perguntar, a pedir a absolvição de quem ouve e vê. Ter-me-ia dado jeito um Kappelmeister Bonno, para acompanhar a minha sinfonia de riso. Volto a afundar-me na cadeira - dá sono aquela cadeira almofadada - e bebo o último trago de vodka. Bola no poste, entra não entra, Cardozo. Gooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooolo!!!!! Foda-se, vamos lá, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica!!! 

 Já não me volto para trás, não vale a pena, vejo o Roberto pensar que está no Saragoça e apito final. Saio rapidamente para junto dos meus e só quando chego ao túnel é que me sinto em casa, encostado contra milhares de benfiquistas, a passo de caracol. A procissão faz-me feliz. E uma certeza: nunca mais volto a sentar o meu cu numa cadeira do Piso 1.



terça-feira, 11 de junho de 2013

Há 61 anos atrás, Salazar e o Porto perderam por 8-2

 A memória tem curiosidades que fazem da História não um conto ficcional mas a preservação da verdade. Por muito que os ignorantes continuem escamoteando uma maioria de títulos ganhos através de manobras ilegais e corruptas, reescrevendo o passado como melhor lhes convém, o tempo e os factos históricos encarregam-se de lhes ensinar o que é um facto e o que é uma mentira. 

 Ao contrário do Benfica, que foi sempre um clube visceralmente livre e democrático, Sporting e Porto não poderão puxar para si galões da mesma estirpe. Os exemplos são vários e escuso-me a enumerá-los - vão ler livros com palavras, muitas, e muitas letrinhas, se estiverem para isso. Se persistem na ignorância, já não será problema dos que conhecem a História para lá dos preconceitos e falsidades atirados à parede a ver se colam. 

 Há 60 anos, o Futebol Clube do Porto inaugurava o seu estádio. A data de 28 de Maio não é fruto de um acaso mas a consequência das ideologias dos dirigentes do clube, que acharam por bem colar de forma indelével à História do clube a data que comemorava a revolução que deu origem ao Estado Novo. E assim nasceu o Estádio das Antas. Com pompa, circunstância e a idiossincrasia que, anos mais tarde, teria o seu apogeu na era actual que todos conhecemos. No fundo, faz sentido: um clube que decide inaugurar o seu estádio num dia que comemora o início da instauração de um estado ditatorial tem tudo para chegar até aos nossos dias tal qual chegou: transversalmente corrompido e corrupto.

 Para visitante, claro, o Benfica. Uma espécie de ditadores versus liberais, com a esperança portista a residir numa humilhação aos gajos "vermelhos" que tinham eleições democráticas e tudo. O resultado não podia ter sido mais esclarecedor: 8-2 para os comunas, sem apelo nem agravo. E assim se inicia, a 28 de Maio de 1952, um ódio visceral e profundo aos que clamam pela liberdade. 60 anos depois, o ódio atingiu laivos de demência e boçalidade. Talvez um dia, quando estes corruptos que dirigem o clube morram e apareça gente nova, o Porto possa voltar a ser um clube honrado como até à década de 50. Talvez. Só depende dos adeptos a inversão de paradigma. No entanto, pela amostra geral, percebemos que muito dificilmente o clube algum dia conseguirá ser verdadeiramente grande. É que viver na sombra de outro nunca fez crescer ninguém. 

 8-2. E a gigante Taça foi para o Comité da Luz.

O pós-Vieira

«Dando por adquirido que Vieira ganhará todas as eleições a que se submeter, com maioria absoluta, e que se encarregará de secar todos os que lhe possam fazer frente, dando corpo à alcunha que tem nos negócios (eucalipto), um Benfica não autocrático, não monista e, sobretudo, com uma visão descomprometida da sociedade, que volte a ter um ideal universalista e que não admita gente rasca em lugares de destaque (atenção que Vieira está muito acima dos brochistas do vieirismo), só será possível se começarmos a pensar a médio prazo. 

 Este é o desafio que lanço a todos os meus amigos Benfiquistas: pensarmos que Benfica queremos, que Benfica deixaremos aos nossos filhos e netos. 

 Vieira foi um extraordinário Presidente na recuperação económica do Benfica e, sobretudo, na sua credibilização. Tem sido um péssimo gestor de futebol, perdendo títulos atrás de títulos para o nosso inimigo - que ganhou tudo o que tinha a ganhar no seu consulado, utilizando o ardil na busca de apoios para as estruturas da Liga e da Federação, colocando sempre Vieira a apoiar os seus candidatos. 

 Esta evidente bipolaridade da gestão do Benfica devia fazer pensar a entourage vieirista, em vez de pensarem em como hão-de calar quem pensa como eu.» 

 Inespugnabile, no blogue Dia de Benfica.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Vendem-se pipocas

 Às vezes, quando já estamos a ganhar por 12-0 ou se pressente no ar aquele golo do Porto em fora-de-jogo que está quase a acontecer, ponho-me a olhar para o estádio e para as pessoas à minha volta. Todos tão diferentes do que eu via em criança. 

 O estádio tem uns arcos por cima, uns tubos por onde são transportados cimento e substâncias ilegais que depois vão de avião até ao Vicente Calderón, em Madrid, numa proximidade de afectos e parcerias empresariais. O tecto tem umas placas de alumínio que parecem ter sido roubadas ao longo dos anos a cada zona de construção que Mário Dias e Vieira viram aquando das suas idas às Casas do Benfica e que geralmente servem de ponte às poças de água que se acumulam nas zonas exteriores à construção das casas. Há umas varandas onde não podemos parar para beber o nosso gin em garrafa de água porque estão lá uns senhores de colete amarelo a dizerem-nos que ali é só “zona de passagem”. E uns bares onde se amontoa gente para pedir sagres zero e sandes mistas a troco do ordenado mínimo. 

 Se nos levantamos em apoio ao Benfica - naqueles momentos em que o Porto marca golos em fora-de-jogo ou levamos mais um impossível contra-ataque devido à famosa táctica do nosso catedrático e o povo deprime de cabeça para o chão -, logo alguém se insurge: “está a sentar!”; se cantamos quando a equipa está a perder, recebemos aqueles olhares de sentença por parte de quem foi ali, como vai ao cinema ou fazer compras à mercearia, para não ter chatices nem se preocupar muito com o que está a fazer; se nos metemos aos gritos histéricos nas escadas, virados para trás, a puxar pelo público, logo aquele olhar condescentente: “coitado, é maluquinho”. 

 Olho o estádio e as pessoas e juro, quase prometo, que aquela gente não é a mesma que eu vi quando era puto - têm os cachecóis e camisolas do Benfica, às vezes até gritam “Benfiiiiiiiica!” quando são mandados pelo speaker de serviço (Meo! Agora Coca-Cola! Meo! Sagres! Novamente Coca-Cola! Agora Gold Strike e Pudim Flan! Presunto de Lamego! Meo! Tmn! Meo! Sagres! Dois quilos de orelha de porco!), mas parece que lhes saiu Benfica do sangue, todos compostinhos a ver o jogo, amorfos, quase mortos, autistas, deprimidos. Só se levantam para chamar nomes ao árbitro e mesmo isso de uma pobreza vernacular, um “é falta!”, outro “isto é uma vergonha” – o que foi feito dos bêbados do Benfica e dos insultos rigorosos e assertivos que antes tínhamos ecoando pelo estádio? 

 Quando o Porto marca mais um golo em fora-de-jogo ou num penálti inventado ou numa falta que não existiu ou num golo qualquer mal amanhado que o corrupto do árbitro inventou, dou comigo a olhar para este estádio e a lembrar-me do outro, onde todo o tempo era uma festa e uma loucura demencial apaixonante: as claques lançavam ininterruptamente canções e fumos e labaredas; os adeptos não se calavam; os jogadores ainda queriam mais do que nós ganhar os jogos; os treinadores tinham medo de cometer disparates e os presidentes gostavam mesmo mesmo do Benfica. 

 Aqueles lugares no velho estádio que foram poiso de tanta gente que já morreu e às vezes apetece ligar para o quarto anel a pedir que regressem só por 90 minutos e larguem as conversas em cima de nuvens que têm quando nos observam de coração nas mãos e nada fazem, entregues às bebidas espirituais e espirituosas (no quarto anel, vende-se álcool), deixando-nos perdidos à procura do Benfica.

domingo, 9 de junho de 2013

Voz ao leitor Gervásio Putanheiro

«Se te identificares e fores à AG (será que podes participar?)estás muito sujeito a um par de tabefes no focinho se não conseguires provar as atoardas, principalmente os números com que desmentes R&C para confundir os benfiquistas. Não és só tu, há mais.Vais lá? Estás avisado.»

O vieirismo bronco é isto: ignorância, pobreza de espírito, violência, ameaças e incapacidade de pensar e aceitar outras opiniões. Por tudo isto, obrigado Gervásio Putanheiro. A tua imbecilidade serviu-nos na perfeição.

sábado, 8 de junho de 2013

Um exemplo para todos, este nosso Pai Júlio Cosme Damião.


AG do Sport Lisboa e Benfica e Orçamento para 2013/14



Convém esclarecer para quem não percebeu que tratando-se de uma AG do Sport Lisboa e Benfica e não da Benfica SAD, não é o futebol profissional que deverá estar em discussão mas tudo o resto que respeita ao Universo Benfica.

É aqui o local para perguntar o porquê das dúvidas quanto à continuidade do Luís Sénica, ou questionar a razão dos constantes insucessos do Andebol. É aqui que se devem valorizar os títulos de Basquetebol e Voleibol, bem como o bom desempenho das equipas de formação - títulos de Juniores e Juvenis, bem como questionar o desenvolvimento do projecto Benfica Olímpico.

Abutre que é abutre, tem que ser honesto.

Tendo andado a exigir que o Benfica copiasse as acções de Porto, Sporting e Braga no que respeita à repartição da quotização entre SAD e Clube, ao ver o mesmo consagrado no Orçamento para 2013/14, isto é, da quotização 75% das receitas passam a estar afectas ao Sport Lisboa e Benfica e apenas 25% à Benfica SAD.

Assim sendo, este abutre fica mais sossegado quanto à capacidade do Sport Lisboa e Benfica para pagar o empréstimo à SAD, embora não tenha ainda percebido como a SGPS o fará. Deste modo, este abutre só pode dizer que concorda com o Orçamento que irá a votação na próxima AG do Sport Lisboa e Benfica a realizar 14-06-2013.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O Bosão de Aimar

Enquanto o champanhe inundava os óculos de cientistas meticulosamente geniais num lugar distante, a mãe de Pablo sorria em frente a um álbum de fotografias que abria com os olhos grandes e as mãos como pinças, não fosse sujar aquele ouro das memórias. Estava descoberto e comprovado e analisado e festejado o Bosão de Higgs - massa-matéria que vinha corroborar o que a mãe de Pablo já conhecia: o universo fazia algum sentido. 

 Pablo em cima de uma bicicleta, Pablo com perna estendida e uma bola no ar, Pablo a sorrir, o sinal de Pablo, o cabelo desgrenhado de Pablo e Pablo feliz, com amigos. A vizinha que tinha vindo aos soluços pela rua, com cuidado para não ferir mais aquela dor das costas que a lançava no desvario das noites em claro, chegando à casa da mãe de Pablo pediu pimentos e, se possível - não fosse o exagero -, algumas batatas para o almoço, cinco dedos de conversa e alhos e algum conforto - um "está bem? tenha cuidado com essa dor", algo que a apaziguasse e a enchesse de um sentimento de não andar no mundo sem explicação nem gente que se lembrasse das suas insónias. 

 A mãe de Pablo tinha uma panela fumegante ao lume, esquecida, crematória, quando abriu a porta e disse para a vizinha entrar. O álbum de Pablo aberto e virado ao contrário sobre uma mesa - os dentes de Pablo contra uma mesa de madeira, um sorriso estancado no vapor dos legumes. A mãe chamou a vizinha para um descanso, pôs-lhe a mão nos joelhos macerados e disse-lhe: "este é Pablo, há muitos anos". E mostrou-lhe Pablo com perna estendida e uma bola no ar, Pablo a sorrir, o sinal de Pablo, Pablo em cima de uma bicicleta, e sorriu e gargalhou da mesma forma com que tinha gargalhado e sorrido cinco minutos antes, na altura em que os dentes de Pablito não estavam assim, daquela forma quase violenta, contra um muro de madeira, à espera que a sopa e a vizinha se alargassem para o mundo. 

 A mãe fazia comentários sobre as fotografias do filho. Contava histórias, lembrava-se de outras que não estavam naquelas imagens paradas, punha vezes sem conta a mão nos joelhos e nas mãos da vizinha e ninguém - nem os cientistas que bebiam champanhe de óculos embaciados - podia adivinhar o aperto que lhe subia ao coração e à boca, à garganta, o orgulho misturado com sede de tempo. Comentava: "está em Portugal, tenho aqui um vídeo" e a vizinha forçada a permanecer de joelhos sem pimentos nem batatas e o marido à espera ali a três ou quatro casas destas imagens: 




 A mãe apertava as pernas da vizinha enquanto cantava "Pablo, Pablito Aimar..." e a vizinha fechava-se numa dor que estava quase a rebentar os joelhos para um respeito sem mácula, devoção, pedaços de imagens de Pablo a fazer aquilo nas ruas, em casa, na cozinha com e sem pimentos, batatas que tinham servido há muitos almoços e jantares atrás para uma sopa que esperou Pablo aos chutões tempo demasiado e arrefeceu. Que batatas e pimentos eram aqueles? O que seria feito deles, desceram pelos corpos e saíram do outro lado da horta e voltaram a crescer e a ser pimentos e batatas e sopas atrás de sopas, todos à espera de mais um golo de Pablo numas balizas de mochilas da escola? 

 A mãe de Pablo desconhece o Bosão de Higgs. Se lhe falassem disso, enrolaria os olhos, diria que trabalha desde criança e que essas coisas são feitas para os homens do mundo. A vizinha inventaria algo e até arriscaria uma muito pertinente questão: esses bosões dão para meter no tacho? e depois iria à sua vida, de joelhos cheios de dores e um saco de pimentos e batatas que a mãe de Pablo lhe oferecera enquanto via o sinal na cara do filho e pensava sobre essas coisas profundas de levarmos na cara e no corpo e no coração marcas iguais de criança a homem, de menino a estrela. Sinais de deus.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Uma noite alemã na vida do Delegado Fagundes

O Delegado Fagundes não pregou olho a noite inteira, uma dor que lhe subia pelas costas em jeito de queda de água só que ao contrário, um veneno sangue acima até à ponta da nuca, e outra, em refluxos, que lhe aquecia os órgãos até ao gargantil. Podia ser que as duas picadas - uma, provavelmente consequência dos pesos brutos que ajudou a carregar até ao balneário do clube (equipamentos, chuteiras, toalhas, um conjunto de chávenas e bules, sacos de desporto, bandeirinhas e uns toros de madeira); outra, quase de certeza uma vingança do próprio corpo ao exagero alcoólico com que a si mesmo se brindou na noite passada. Parecia que as duas dores se tocavam no cocuruto do esférico craniano e ali se deixavam ficar, aos sapateados com o cérebro do pobre Fagundes. 

 Tudo isto aconteceu numa madrugada longa, noite que nunca acaba, enquanto a esposa ressonava o hino do Benfica, ou o que lhe pareceu o hino do Benfica, nervoso que estava a antecipar o jogo de mais logo. Não sabemos ao certo, e não queremos injustamente suspeitar das maleitas do sujeito, se aqueles lamentos com que no dia seguinte alimentou o pequeno-almoço de ovos e chouriço foram apenas fruto de uma hesitação-ansiedade ou se de facto ocorreram, graves, no corpo de Fagundes. Mas podemos, porque ao relato do próprio tivemos acesso nos dias posteriores, contar a confusão de sentidos que a demência nocturna espalhou pela mente do Delegado. 

 Foram horas de suplício, atirado para uma contínua escolha de jogadores e tácticas, substituições a meio do encontro, dicas a dar aos jogadores, cálculos sobre a temperatura do relvado, o cheiro da grama, se estaria molhado ou seco, as dúvidas sobre o adversário, quem jogaria, quem não. 

 “É possível que entre com o Kulkov de início, ganho capacidade de ter a bola e agressividade no miolo, mas quero garantir que o jogo não cai num adormecimento de meio-campo, tenho de encontrar uma fonte de contra-ataque, vai o Paneira na ala e o João Pinto fica no apoio ao Yuran. Sim, mais coisa menos coisa é isto” 

 E - depois de decididas estas e outras, várias, questões técnico-tácticas de superior importância - punha-se a contar com os dedos os onze jogadores que faria alinhar no jogo.  

“Então, temos: Neno, Abel Xavier, o Abel deixa-me na dúvida, aparece bem no apoio ao ataque mas tenho medo das investidas alemãs, pronto, então ponho-o mas se notar desequilíbrios tiro-o ao intervalo. Neno (e fechava o punho, só com o mindinho em riste), Abel Xavier, William, Helder, Schwarz…” 

 A mulher por esta altura atingia em estranhos sons o que lhe parecia clara e inequivocamente ser o refrão: “Seeeeeeeeeer Beeeeeeeeeeenfiquiiiiiiista é ter na alma…” e estragava-lhe a composição do onze – impossível raciocinar de modo metódico quando Luís Piçarra aparecia a interromper a prelecção do raciocínio. Desistia e acompanhava a música, fazendo pequenos compassos com a defesa toda do Benfica a tocar piano na barriga. Primeiro Neno, Helder e Schwarz, ao mesmo tempo, num tocar de jazz, forte e sólido; depois, só William e Abel Xavier, enquanto o dedo do meio se esticava por um bemol mais acentuado. 

 O sono pesado da esposa encontrava um novo refúgio e os sons acalmavam. Voltavam as dores de Fagundes e as dúvidas existenciais – umas e outras no meio daquele pensamento alucinante e o onze do Benfica que nunca mais se decidia, já estavam os jogadores cansados, sentados num balneário conversando sobre o tempo quando Fagundes finalmente se decidiu, agora mais ríspido e pouco disponível para roncos conjugais e dores provavelmente fictícias. 

 “Sem mais demoras: Neno, Abel Xavier, William, Helder, Schwarz, Paneira, Kulkov, tenho de ver se de manhã vou comprar o pão e o frango para o jogo dos putos. Três sacas de pão, espero que o Pereira tenha anotado o pedido, este gajo já no dia anterior a irmos jogar ao Tramagal deixou-me na mão, cabrão do bêbado, esquece-se de tudo. O puto Figueiredo tem uma lesão no joelho que não sei se vai dar para entrar de início, se calhar temos de meter o Chico, mas foda-se ficamos sem meio-campo, que o gajo só quer atacar e depois vêm os pais dos outros foder-me a cabeça com as cunhas e os interesses. Qualquer dia cago nisto.” 

 O Delegado Fagundes, por mais que se compenetrasse, não conseguia finalizar o onze. Eram sempre problemas e assuntos prementes, lógicas e pensamentos que lhe vinham de mansinho naquela noite de dores e insónia. Levantava-se, acendia cigarros, fingia que tinha sede para sair da cama e ia abrir o frigorífico mas não tirava nada, ficava só a olhar as coisas nas prateleiras frias: três pimentos, um pacote de leite, frango, uma garrafa de coca-cola, três minis Sagres, ketchup, mostarda e massa de pimentão. Queria ter fome para inventar ofícios, mas acabava por se abandonar, uma e outra vez, à cama onde ainda se ouviam gemidos e roncos de um sono que lhe pareciam, estaria louco?, a voz de ave canora do Hino do Benfica. 

 Deitava-se e olhava o tecto branco. À noite as sombras pintavam-lhe pedacitos escuros que se assemelhavam a jogadores distribuídos por um campo de futebol e ele começava finalmente a regressar ao metódico reflectir de uma táctica ideal. 

 “Neno, Abel Xavier, William, Helder, Schwarz, Paneira, Kulkov, Rui Costa, Isaías, João Pinto e Yuran” 

 Ficou com as duas mãos completas e outra que lhe apareceu para confirmar o onze, só com o mindinho outra vez em riste para o tecto branco. Olhou o dedo, estranho e deformado, lembrou-se que era com aquelas mãos e dedos que teria de ir buscar a comida para os putos e guiar a carrinha do clube e lavar os equipamentos e preparar os grelhados para a festa da aldeia e depois, se ainda tivesse tempo, acariciar as mãos da esposa e pedir-lhe, com jeitinho, que cantasse o Hino do Benfica. Não a dormir, mas depois disto:



Não entendo ...


Para mim a equipa B é um mistério e a sua gestão mais ainda, senão vejamos:

"Ascues admite regressar ao Peru" - "Segundo o jornal Depor.pe, o Benfica admite a possibilidade de emprestar o jovem defesa na próxima temporada, pelo que os dirigentes do Alianza estarão já a trabalhar nesse sentido."

Ou seja, uma das apostas do Benfica B na época passada, em vez de ser-lhe dado tempo de Europa, partindo do pressuposto que não é um jogador para devolver, está na calha para voltar à origem.

"Académico Viseu: Benfica empresta Pimenta e Sancidino Silva" - "(...) os viseenses acertaram os empréstimos de Leandro Pimenta, médio de 22 anos que na última época jogou no Benfica B, e Sancidino Silva, avançado de 19 anos que cumprirá a sua primeira época como sénior."

Um avançado vindo das escolas do Benfica que cumpre a sua primeira época como sénior, em vez de ser lançado num ambiente que o protegeria, é emprestado para uma equipa que jogará contra o Benfica B.

Qual a lógica ? Será que Airton, Felipe Menezes, Felipe Bastos, Kardec, Jara, Mora, etc. etc. ganharam alguma coisa com empréstimos para os campeonatos sul-americanos depois da experiência europeia ? Será que ninguém entende que o tipo de futebol é diferente e ao voltar para lá em vez de os jogadores evoluirem vão regredir ?

E qual a lógica de emprestar ex-juniores a equipas da Segunda Liga quando há uma equipa B onde os jogadores podem evoluir dentro de casa na primeira época de seniores ? Não bastou os jogadores emprestados a Mafras. Fátimas e outras equipas que tais ?

Porque raio se continuam a repetir, ano após ano, os mesmos erros ?

Que emprestem o Leandro Pimenta eu ainda compreendo, pois está mais que visto que é uma carta fora do baralho do Benfica, mesmo assim deveriam procurar uma equipa da Primeira Liga e o que não faltam são equipas sem dinheiro que aceitam jogadores emprestados, embora ache um erro pois é bem mais jogador que o Luciano Teixeira ou o João Mário. Agora enviar um dos mais prometedores jogadores da formação do Benfica para longe do controlo dos treinadores e mesmo da equipa A parece um erro brutal.

A menos que seja necessário criar espaço para Deyversons, Correas e outros que tais que enxamearam a passada temporada o Benfica B. Se assim for, compreendo perfeitamente qual a direcção, não me peçam é para subscrever essa política.

Quanto ao Miguel Rosa, espero que seja mesmo emprestado ao Belém, pois o facto de ele ter jogado no Benfica B na época passada, embora tenha sido importante para melhorar o desempenho desportivo da equipa, foi muito contra-producente na evolução do jogador, visto que o nível de desafio que o jogador tinha era muito reduzido, tendo em conta as suas experiências anteriores.

Bonito. Não, lindo.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Que Sera Sera...

No último mês mudei umas quatro vezes de vontade quanto à continuidade de JJ. A verdadeira questão é se o Benfica seria capaz de arranjar melhor, e nessa tenho dúvidas. Haveria outra, que se prende com o pouco respeito pelo Glorioso e pelos benfiquistas que o cabeludo episodicamente evidencia, mas como os guardiões do benfiquismo andam ocupados a ver quem diz benfas, a coisa passa ao lado.

Fica então a dúvida: Jesus vai ser melhor, ou mais do mesmo?
Não sabemos.

Não sabemos porque Jesus parecia ter aprendido com as últimas épocas mas passou Março e esqueceu grande parte. Não sabemos porque o Benfica continua a ser um clube que não controla as contratações (há um sérvio a ser falado para o Benfica há um mês que da última vez que vi já andava associado ao porto, e que daqui a um ano vai para o Chelsea de qualquer maneira). Não sabemos porque o Benfica continua a não ser capaz de comprar a qualidade que existe no nosso campeonato. Não sabemos porque o Benfica continua a não comprar para as posições em que se encontra carenciado, mesmo quando é gritante. Não sabemos, e esta parece a pior razão, porque o Benfica continua um clube gerido em função de (maus) critérios empresariais, o que significa fragilizar, defeso após defeso, posições fundamentais da equipa, mesmo após o fecho de mercado.

Esta época foi melhor que as duas anteriores, mas também foi pior, se é que me entendem. Foi uma época que começou com a confiança abalada pela venda de Javi e Witsel, conheceu a humilhação da eliminação na CL atrás do Celtic e depois subiu até nos largar das nuvens onde andávamos todos. Se fica tudo igual – o mesmo LFV a pagar ao mesmo JJ o mesmo absurdo salário – gostaria que o resto mudasse. Será pedir demais?

Benfica, LFV e JJ, por favor, cumpram estes singelos pedidos: Não vendam mais ninguém importante (parece que em relação ao Garay já não vou a tempo, mas livrem-se de vender alguém minimamente importante depois do início dos trabalhos). Comprem só para posições em que não temos soluções adequadas. Quando escolhem um jogador, façam contactos e resolvam a coisa em uma a duas semanas no máximo, sem merdas. Comprem, ainda que já com atraso, um ou dois dos jogadores, baratos e com valor, que há no nosso campeonato fora dos grandes. Eliminem da estrutura os incompetentes, os cabeças-de-vento que mancham a imagem do clube (na TV, em jogos de pré-época, após perder finais – sim, porque casos de indisciplina de jogadores como vimos esta época são também culpa de quem é responsável pelo grupo).

Sejam humildes, mais humildes, e lembrem-se que vale tanto a pena correr contra o estoril como contra o chelsea, e que para lá dos 90 minutos e dos descontos há um putanheiro influente a fazer de tudo para que correr não seja suficiente.


E é isto! Não sei se será suficiente, mas se não for, ao menor não terei esta amargura de ver cometer sempre o mesmo tipo de erros, vezes sem conta, como se a estupidez não tivesse memória.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Era para a esquerda, Vítor

O tempo é um líquido que se entranha no corpo e vai pingando para o chão a ritmos diferentes. Brota aos prantos, às vezes, chovendo dos braços; outras, cai devagar, com medo da queda. Não tenho noção se aquele penálti do Paneira ainda está aqui comigo ou se choveu há muitos anos. Sei que me molha, aos jorros, de tempos a tempos. E então eu sorvo dos poros aquela memória ou agacho-me de joelhos sobre as poças que a defesa de Bucci deixou a reflectir na água. 

 Toda a gente sabe que era para o lado esquerdo, Vítor, mas a incredulidade de ver Faustino Asprilla no relvado e os pedidos sôfregos de Gabriel Alves - "falta acção disciplinar!" - para um amarelo que não chegou, confundiram Paneira na hora da decisão. Não foi astuto, o nosso 7, porque se tivesse visto a massa disforme de cabeças que compunham o primeiro anel tinha sentido a direcção do sucesso - o público todo a contorcer os pescoços e os olhos, fazendo sinais de golo: "é para ali, caralho", como se as redes e os fumos e os fios de aço fossem transparentes -, tinha visto o golo antes dele acontecer. 

 Mas o tempo escoou para outro lado qualquer e, quando demos conta, em vez de um 3-1 que pecava por nulo - não escasso, mas nulo -, que devia ter sido um 6-1 ou 7-1 sem espinhas, acabou nas mãos de Bucci e depois no desespero de João Pinto num 2-1 sem verdade, desonesto porque cruel. O Benfica acabava um jogo de tareia monumental contra uma equipa fabulosa agarrado a um golinho de vantagem e a olhar para o golo sofrido com ansiedades e desperdícios. 

 Mas recuemos: Veloso dá de primeira em Rui Costa que recebe junto à linha, sem pressas. Ouve-se um som de fundo de milhares de gargantas aos soluços: "vai, vai, vai" que no plano geral dá "aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah", que era o som de quase todos os 90 minutos que viam o Benfica jogar. O Maestro espera que o adversário o ultrapasse e depois, sim, avança pelo meio, sempre com aquele ar de quem já está a festejar o golo e viu tudo o que vai acontecer enquanto os italianos procuram disfarçar a tristeza do que não sabem que já foi. De repente, faz um passe para Yuran e continua a correr - aquele 2-1 mágico que, por mais tácticas e prelecções que existam em laboratórios do futebol mais evoluído, destrói qualquer marcação - para receber mais à frente, já em território inimigo, e levantar a bola com a pontinha do dedão enquanto um jogador do Parma se deita no relvado da Luz e vê as costas do Maestro correrem na direcção da baliza e fintarem de anca mais outro que apareceu por ali e depois, logo de seguida, meterem na frente de Isaías o charme do golo. Isaías correu que nem um cavalo alado, ou então voou com um trote terrestre, e quando chegou à frente dos Diabos amansou a bola com um só toque e fez um golo junto ao poste que ainda é melhor porque deixa o salto de 120.000 adeptos em suspenso e passível de ser fotografado com alma e vinho e dúvida e tudo no meio.

 Houve depois uma coisa coisa estranha na área do Benfica que ainda ninguém sabe bem como foi e que acabou nas redes do Neno e o árbitro validou mas não deve ter sido muito bem um golo porque disto eu não sinto a escorrer-me dos braços para o chão. Houve Helder, acho que sim, aos pontapezinhos sobre a bola e depois algo estranho e de que me não recordo bem que originou passe, depois remate e depois um golo, uma espécie de golo, e que sentimos no coração não bem como gelo mas como quando morre gente, que é o sentir do adepto do Benfica quando vê golos adversários no estádio - uma morte silenciosa, cortando veias ou sorvendo veneno. 

 No resumo, vê-se Nevio Scala descrente naquilo, tal era o banho de bola a que assistia e ainda por cima gratuitamente - os treinadores, mesmo os maus ou bons ou medíocres, por menos ou mais que façam das suas equipas, têm esse privilégio dos deuses de partilharem relvado com a loucura e com o génio. Nevio Scala estava assim, após o golo do Parma: dava-se por feliz ao mesmo tempo que sentia no coração aquela pontada da injustiça - quase vergonha - de andar a levar a sua equipa a solo sagrado. O público, mesmo gelado ou de luto, respirava de tal forma que punha cubos de gelo ou então mantos de veludo sobre as cabeças de quem nos visitava. Não queria ser Nevio Scala ou aqueles olhos tontos dele em suplício. "E agora que marcámos, o que é que vem aí?" 

 O que veio foi um fartote de Benfica, que parece que decidiu fazer uma recolha de todos os melhores momentos das centenas de equipas benfiquistas anteriores ao mesmo tempo que se despedia de nós: aquele grupo de gente de 94, vendo agora com distância e saudade, dava todo o ar de sentir de tal forma o clube que já conhecia a nossa tragédia que havia de chegar. Jogavam para escrever Benfica. Tinham pena de nós e por isso decidiram dar-nos tantos momentos e jogos e golos e jogadas e emoções, para que não nos esquecêssemos de que um dia houve este clube que nos fascinou e eternizou crianças até sermos velhos. Compraram-nos futuro naquelas épocas, decidiram deixar memórias tão fortes que nos permitissem aguentar os 20 anos que estavam por vir. 

 E nós comprámos, sem medos nem hesitações, tudo o que eles davam e tudo o que eles deixavam dentro de nós - foi assim, até hoje, que viemos respirando e bebendo e comendo, sempre na esperança de ver o Benfica outra vez, com estes bancos de oásis deixados na pele. 

 Yuran recebe na esquerda, à entrada do meio-campo adversário, com um toque faz cueca sobre o marcador e segue em frente, feliz. Mete no meio em Isaías e - oh, o 2-1! - corre para ir ao encontro da bola, o touro sertanejo não duvida, faz compasso de espera e mete no ucraniano que vai, gazela, perto da área do Parma, de primeira levanta a bola para um Isaías que veio de trás e aparece em vólei falhado e circense, a bola tabela no relvado e vai a caminho de Paneira que, por ter dois cérebros no pé direito, em vez de chutar ou inventar monstruosos caminhos, a deixa bater primeiro e depois, com a cara da chuteira, abre na direita onde João Pinto a recolhe - sem saber se dá meia-volta e remata ou se dá lugar ao improviso - e deixa para Rui Costa que estava desde o início da jogada a acompanhar o lance com os olhos e com o génio. Depois foi só rematar, simples e para dentro da baliza. Correu desalmado para a bandeirola de canto porque os putos não sabem o que hão-de fazer com o golo, é uma coisa pesada e sem maneiras o golo, não tem coreografia de sentidos, tanto pode dar pirueta como morte instantânea. Deu mãos na cabeça, um abraço do João Pinto e um tapinha do Silvino que por estas alturas já preparava o seu ofício de oficial tapinhador de jogadores. 

 Foi um golo que conteve dentro de si todos os golos do Benfica desde o Bermudes e Cosme até àquele segundo. E ainda hoje é esse golo que nos leva ao estádio de bandeiras e cachecóis no corpo. Vamos em busca desse Benfica até ao final dos nossos dias. E esse, por mais que tentem, nunca no-lo vão roubar.




Apenas e só uma ideia

Após a manifestação de classe do Benfica no Dragão Caixa e ter ganhado com um árbitro não-português parece-me que a nossa Direcção podia aproveitar o momento para tentar que os jogos Benfica-Porto e Porto-Benfica em hóquei fossem arbitrados, já a partir da próxima época, por árbitros estrangeiros. Se resultasse, ganhávamos mais possibilidades de termos jogos isentos; se não resultasse, marcávamos uma posição e condicionaríamos os árbitros a pelo menos deixarem de fazer tantas arbitragens vergonhosas nestes jogos a favor do Porto. Fica a ideia, no caso de alguém quiser pensar no assunto.

Para que o Benfiquismo não se perda nem se confunda


Em minha opinião o Benfica nunca deverá fugir ou desistir perante intimidadores.

A seguir segue um post do Facebook sobre o comunicado a anunciar a desistência da Final da Champions do hóquei em patins:

"Não quero acreditar que não vamos comparecer pelo que aqui está escrito.
É profundamente vergonhoso que num estado supostamente de Direito as autoridades sejam cobardes, incompetentes e que em consequência do mesmo o Ministro das Polícias não se demita imediatamente com a vergonha do que aconteceu. Ele e todos os deputados que recebem na casa da Democracia o indivíduo condenado por corrupção desportiva que tanto ódio incita contra alguns portugueses.
O primeiro asqueroso a vir-se demitir com vergonha da sua boçalidade e de ter incentivado o ódio era o gordo magrebino.
Mas esses actos não devem impedir que a equipa lute pelos seus objectivos.
Não participar é desistir, é pactuar com a agressão, coma intimidação.
A grande resposta seria fazer o que fez a equipa de Basquetebol, ganhar contra todas as intimidações, isso seria uma resposta à Benfica.
Desistir é somente uma cobardia.

Bcool"

Depois da Final disputada e do título conquistado:

"OBRIGADO LUÍS FILIPE VIEIRA.

Agradeço-te teres mostrado que afinal a Mística Benfiquista não morreu. E não, ao contrário do que possam pensar, não me estou a referir a termos vencido o Campeonato Europeu.

A Mística Benfiquista não morreu porque o Benfica mostrou que não recua, não se agacha, não se acobarda, não desiste perante totalitarismos sectários que pretendem intimidar.
Mesmo quando muitos Benfiquistas deixaram de acreditar no Benfiquismo como Cristo julgou que Deus o havia deixado, ou como Paulo renegou Jesus.
Porque falar em desistir é renegar o Benfiquismo na sua essência. O Benfiquismo prospera nas enormes adversidades, até mesmo quando os Benfiquistas parece que o abandonam e é a aí que a Mística, aquela que se julgava morta, mas afinal parece que anda apenas um pouco perdida aparece em toda a sua Essência.
Perante a irracionalidade, a animalidade, a intimidação o Benfica não pode ter medo, tem que confrontar o seu Adamastor e conquistá-lo.
Como eu disse ontem, é ao vencer desportivamente o Porto na sua própria casa, na verdade aquele pavilhão começa a parecer-se com o nosso salão de festas, no ano passado o título de basquetebol, este ano o Campeonato Europeu de Hóquei em Patins, que mais ferimos de morte aquele totalitarismo anti-Benfiquista que não permite que num estado dito de democrático de direito, as pessoas sejam livres para exprimir a sua escolha clubística.

Posso não gostar de ti e criticar a tua gestão, mas Luís Filipe Vieira, já entraste na história do Benfica como o Presidente que maiores glórias europeias trouxe ao clube. 1 Liga dos Campeões, feito inédito na história do clube, 1 Supertaça Europeia, também inédita e 1 Taça Cers, anteriormente só havíamos conquistado 1 igual e eu estou-te muito grato. Estou ainda muito grato ao técnico Luis Sénica que rompeu com anos de mediocridade e nos devolveu os sonhos e aos jogadores, os obreiros no ringue destes sucessos, quer os passados quer o actual. Não posso esquecer uma pessoa com quem nem sempre concordei, mas a quem reconheço o mérito no salto qualitativo nas modalidades. Uma pessoa que ontem vibrou e pediu à equipa para lhe darem o presente de aniversário que ele mais queria. Esta vitória também é por ti João Coutinho.

A terminar, quero apenas referir-me a todos quanto me insultaram, aqui e noutros sítios, sarcasticamente me ofereceram viagens, puseram em causa o meu benfiquismo por não conhecer a realidade no Porto. A eles só lhes tenho a dizer, deixem o benfiquinha, aquele que desiste e foge das batalhas porque as condições são muito difíceis. Abracem o Benfiquismo a sério, pensem que hoje nunca festejariam este troféu se tivessem optado pela saída mais fácil, pela solução Chamberliana.

Com ou sem adeptos a apoiar, os atletas que envergam a camisola do Sport Lisboa e Benfica têm a obrigação de entrar em qualquer lado no mínimo para lutar pela vitória qualquer que seja o ambiente em seu redor. Se não podem contar com o apoio dos nossos adeptos, os atletas terão que se valer a eles próprios e representar os que neste país de brincadeira, não podem exprimir livremente o seu benfiquismo.

Para quando a demissão de um Ministro incompetente que continua a pactuar com esta vergonha seja por acção ou por omissão ?

Bcool"

Ganhe-se ou percam-se os títulos, o mais importante são os valores que cada clube defende. Nós pela tolerância e pela democracia, os outros pelo radicalismo e pelo totalitarismo.

domingo, 2 de junho de 2013

La rumba de Benfica

Não me perguntem mais a que horas é o Benfica, em dias de Champions. Exceptuando talvez da namorada, da velhota que me vende litros de cerveja em horas de aperto e dos sportinguistas - que suporto com simpatia e até alguma compaixão -, não consigo ouvir esta pergunta de mais nenhum ser humano ou desumano, animal, vegetal ou quadrúpede. Estou até capaz de abrir um tópico no facebook - "Vamos matar os que desconhecem as 19:45" - e depois lançar apelos de grande logorreia a clamar pela participação das pessoas. É a democracia a fazer valer-se. 

 Quando eu vi pela primeira vez o Barcelona no Estádio da Luz era tão pequeno que acho que levava ainda as mangas largas de golos do Rui Águas contra o Steaua de Bucareste e a mão do Vata escondida dentro de uma pastilha Gorila. Do terceiro anel, os jogadores pareciam mosquitos - digo isto porque ainda só havia Elifoot; se tivesse sido anos mais tarde, os jogadores teriam parecido bolas do FM e uma barra em baixo, feérica, vermelha e branca, branca e vermelha, histérica com o golo. Sempre foi o problema destes jogos: não filmavam as bancadas. Era por isso que avançávamos nós, em frente ao computador, fazendo gestos de milhares de adeptos, para ver se os nossos jogadores, metodicamente escolhidos na pré-temporada, compreendiam o que era jogar no Benfica e davam mais aquele bocadinho, aquela corrida que chegasse ao golo. Nunca gostei dos cruzamentos para a área em que apareciam várias bolas que se juntavam todas numa e a bola saía a rasar a trave. 

 O Bakero tinha um problema óbvio: era de si pequeno, o que compunha uma imagem que, do Terceiro Anel, se me afigurava difícil de perceber. Seria um jogador ou uma mancha de tinta blaugrana no relvado? Só me dava conta de que aquilo se mexia quando via a bola chegar-se-lhe e sair redonda para um lado e para o outro; um ponto no meio do campo que lançava a equipa para um acordeão, às vezes tudo dançava em expansão, outras comprimiam-se num azulejo mágico. O Bakero devia ter a minha altura e eu, não sei bem porquê, sentia que se ele podia estar ali dentro eu também podia apoiar os pés no cimento coberto a cores da Shell e voar para as costas do Paneira para ver o jogo mais de perto. 

 Ao longo dos anos, enquanto crescia, fui vendo do Terceiro Anel os jogadores mais crescidos, como se tivessem feito obras no estádio sem que eu tivesse notado. Ou então cresci uma imaginação galopante que me permitia alucinar gigantes numa visão de mosquitos. Era normal: não se ficava indiferente às tardes e noites de tanto Benfica acumulado - até os bancos de suplentes, onde o Toni vociferava impropérios gloriosos, de repente, a meio do meu crescimento, já me parecia que tocavam nos holofotes. Era assim: primeiro chegávamos ao terceiro anel e ficávamos uns minutos a sentir o ar frio de estar do lado de fora da estratosfera; a meio, entre fumos, chouriças e vinhos a martelo (eu só Trina de Laranja e talvez um golito de carrascão, mas não sei prometer), sentíamos que podiamos mesmo estar em território terestre; no fim, o relvado subia-nos sangue adentro e era como se estivéssemos a ver o jogo deitados no campo, com as cotovelos encostados à grama e os ouvidos cheios de peculiares vociferações dos jogadores e o toque da bola sempre que apanhava uma chuteira no caminho. 



 O Barcelona tinha o Eusebio, que não era o nosso Eusébio e tinha, entre tantos e tão bons, o Laudrup - que esteve quase para ser o Pedro Barbosa ou então o contrário porque eles se confundiam muito naquele lugar que é o da genialidade. Nós tínhamos o Thern, que foi dos primeiros jogadores a confundir ataque com defesa, largura e profundidade e outros nomes para aquilo que afinal é simples e facilmente descodificável: o futebol. Na direita, lembro-me de ver um pequeno ponto vermelho fazer de lateral e extremo e médio criativo e segundo avançado chamado Vítor Paneira, que era aquele tipo de jogador com quem eu gostaria de casar, se eu quisesse casar com um jogador. A perninha direita estava sempre no ar, à espera de um olhar desatento do adversário, enquanto a esquerda mantinha a ligação do atleta ao relvado. A bola ficava à frente, sem lugar definido, mas sempre ao alcance de um qualquer imprevisto. Depois era ver o isco lançado sobre um lado de Paneira e a bola a sair para o meio, o trote de Paneira em crescendo e depois Isaías ou Thern ou Yuran ou Rui Costa ou algum ponto vermelho que, por algum milagre ainda não explicado, sempre surgia tocando ao de leve a bola ou rodopiando em roleta russa o relvado que ia dar ao Pacheco, que, rodando não a perna mas o bracinho direito aos círculos antes de fintar, avançava pelo campo e descobria pequenos nenúfares de onde aparecia em situação de golo. 

Chapelou Pacheco Zubizarreta mas foi um quase golo. A bola no Benfica levava mais ou menos 10 segundos a chegar do guarda-redes à baliza adversária. Eu não sei bem como eles faziam aquilo, uma vez que estava com os olhos e a boca e os braços parados lá do tecto do mundo, mas acontecia começar uma pergunta sobre os detalhes do placar electrónico ao meu Pai, enquanto o Veloso recebia a bola, e ainda estar a concluir o interrogatório fundamental e já a bola estava lançada no Yuran que falhou um golo com o guarda-redes pela frente. O Yuran ia, assim naquele jeito de tractor acolchoado, passar para o lado com o pé esquerdo mas depois passava a bola por entre as pernas do adversário e já estava em frente à baliza. Isto lá de cima parecia tudo um carrossel de certezas, ou era golo ou era quase golo, não havia terceira opção. 

 Num espaço de ano e meio, vi o Barcelona duas vezes: uma empatámos, esse de que este texto é feito, e outro em que ganhámos por 2-1, numa Pepsi Cup entre Ailton, Rui Águas e Romário e outras coisas que não vêm ao momento. Fiquei muitos anos sem ver o Barcelona na Luz e depois ocorreu Moretto e dias diferentes. Amanhã vou ver a melhor equipa do mundo de todos os tempos contra o melhor clube do mundo de todos os meus vários corações. Seja o que for, será um dia feliz.



A possibilidade de um título por um fim maior

O Benfica informa, conforme comunicado, que amanhã não entrará em campo no Dragão Caixa    para disputar, com o FC Porto, segundo finalista da prova, a final four da Liga Europeia de Hóquei em Patins.
Face à violência registada hoje sobre os 
adeptos Benfiquistas que se deslocaram a este mesmo local para apoiarem o Benfica, o Clube procurou garantir que o mesmo não sucedesse amanhã - com o factor risco ainda mais agravado. Como tal garantia não foi prestada por quem de direito, o Sport Lisboa e Benfica decidiu desta forma.

Uma decisão polémica e, como tal, acredito que as opiniões se dividam como é natural.
Quanto a mim, merece o meu aplauso. Não, não vejo aqui um acto de cobardia, pelo contrário, vejo como um acto de grande coragem. Estava mais do que na altura de agir. Não é justo, não é legítimo, não é aceitável, numa sociedade que se diz civilizada, os adeptos seja de que Clube forem, não poderem acompanhar e apoiar a sua Equipa por serem alvos de violência e perseguição como consecutivamente se vê no Porto com os adeptos e atletas do Benfica.
É uma vergonha. É uma vergonha para a sociedade, para a cidade, para estas gentes e para o País. Eu, tripeira de gema, para além de uma tristeza imensa, sinto-me envergonhada e revoltada! Não posso deixar de referir que são muitos aqueles que, sendo do FC Porto ou não, aqui na cidade, não compactuam com estas acções e as condenam veementemente.

É uma vergonha para a entidade organizadora que não tem capacidade para assegurar um direito fundamental a qualquer adepto.
É uma vergonha para o País e para os órgãos governantes do mesmo, mais do que alertados e conhecedores desta realidade, triste realidade,há muito, demasiado tempo, e nenhuma atitude foi levada a cabo para pôr cobro a esta espiral, cada vez mais violenta.

Se alguém tem capacidade para tomar uma decisão destas, tendo em vista a mudança de rumo, este alguém é o Benfica. Quanto a mim, tomou-a e tomou-a bem. Por vezes é necessário um enorme sacrifício para atingir um fim maior. 
O Benfica é dos sócios e adeptos, são esses que sustentam e são a razão de ser deste Clube. Nada nos poderia deixar mais orgulhosos do que esse reconhecimento. E esta, quanto a mim, é uma decisão em conformidade connosco, com os valores e princípios do Clube. 
O Benfica jamais estará sozinho!