segunda-feira, 27 de maio de 2013

Balanço 2012-13 parte I


"Seja qual for o resultado do jogo no sábado, acho que este foi o melhor ano de Jesus, apenas somou até agora 2 maus resultados - a eliminação da Champions para um Celtic de segunda categoria, o que nos permitiu ir à final da Liga Europa, e a derrota em Braga nos penalties. De resto, Jesus trouxe-nos onde devia, às decisões em Maio. Acabaram as quebras em Março/Abril. Chegados a 7 de Maio e ainda podemos ganhar 3 troféus. E podemos porque Jesus fez um grande trabalho. E fez um grande trabalho porque o plantel foi mal-estruturado. Já aqui foi discutido,"

Escrevia eu antes do jogo com o Porto a 7 de Maio de 2013. E é verdade. Mantenho o que foi escrito na altura. Jesus fez um grande trabalho até aquela data. É certo que perdeu na meia-final da taça da liga porque usou e abusou do Roderick e de outros jogadores com muito pouco ritmo. É certo que o desempenho na Liga dos Campeões foi fraco, abaixo do esperado, mas compensou inteiramente com a carreira na Liga Europa.

E sim o plantel foi mal-estruturado para a época. Senão vejamos: no fecho das inscrições vendemos Javi e Witsel deixando o meio-campo defensivo/transição entregue apenas a 2 jogadores, Matic e Enzo. O primeiro com pouco ritmo e conhecimento da posição 6 e o segundo, um extremo que por vezes jogava nas costas do ponta-de-lança, adaptado a médio de transição.

Hora de assumir os erros próprios. Eu nunca acreditei que Matic fosse o jogador que se revelou, nem que Enzo atingisse os desempenhos que conseguiu naquela posição. Por isso, o Jesus é treinador e eu sou apenas um blogger. Ele consegue ver potencial onde poucos o veem e transformar jogadores banais, ou adaptados em jogadores extraordinários. É certo que é preciso terem potencial, porque os Robertos e os Emersons nunca deixarão de ser Robertos e Emersons, por muita cultura táctica que lhes seja transmitida. E esse é um dos pontos maus de Jesus, a sua crença nas suas capacidades leva-o a ignorar muitas vezes o óbvio e repetir os mesmos erros uma e outra vez.

O facto de eu não conseguir perceber que os jogadores tinham qualidade para desempenhar as posições ao nível desejado, não implica que a crítica de serem demasiado poucas opções para aquela zona do terreno deixe de ser válida. Como também é válida a crítica à estrutura por não ter reforçado as laterais, obrigando à adaptação do Melgarejo, que não tendo corrido tão bem como as anteriores mostrou ainda condições para ser um lateral interessante mas mostrando ainda demasiadas lacunas. Do lado direito, Maxi continua a mostrar que as características que o tornavam um lateral interessante, um pulmão que o fazia fazer o corredor todo durante 90 minutos, parece que deixaram de ser válidas e as dificuldades de recuperação foram sempre mais que muitas. Mas mais grave que o abaixamento de forma de Maxi, era a falta de alternativas.

Também no centro da defesa nunca houve grande capacidade de dotar o Benfica das soluções indicadas. Bem sei que virão todos os advogados de defesa do Jardel dizer que ele não comprometeu enquanto o Luisão faltou, mas desde autogolos a falhas de posicionamento, sem contar com o nervosismo patente nos jogos mais decisivos mostrou nunca ser uma verdadeira alternativa de qualidade quando o Benfica mais precisou. A juntar a isto a progressiva falência física de Luisão, é ainda um grande central pela forma como comanda a linha defensiva, mas as dificuldades físicas inerentes a jogar ao mais alto nível durante muitos jogos, e não nos esqueçamos que teve dois meses de folga, bem como a perda de velocidade criam problemas futuros a uma defesa que terá que ser renovada. Não foi por ter Luisão que o Benfica falhou. Foi por não ter uma alternativa de qualidade que permitisse a JJ rodar a defesa sem ter que levar Garay para lá do limiar das suas capacidades físicas.

Não, não me esqueci dos Andrés. Os Andrés começaram a época no Benfica B. Tendo em conta a má actuação da estrutura do Benfica no fecho do mercado, os Andrés viram-se promovidos à equipa principal um pouco a martelo.

Se de Almeida pouco se esperava e se via nele um potencial substituto de Matic e um eventual remedeio para o lugar de Maxi, a verdade é que com a sua vontade e capacidade de aprendizagem  em termos de posicionamento, Almeida mostrou ser um Veloso dos tempos modernos, tapando os buracos necessários. É uma solução de recurso, um jogador útil, mas nunca poderá ser um titular absoluto quer na direita, quer na esquerda. Porque tem limitações técnicas evidentes. E foi muito útil ao Benfica, mas quando foi necessário, não chegou. Não chegou ele como não chegaram outros. A experiência poderá transformá-lo num Veloso dos tempos modernos. A questão é saber se um jogador como Veloso hoje seria titular, tendo em conta o modelo de jogo que o Benfica utiliza.

Quanto ao Gomes mostrou ter talento, mas falta-lhe uma melhor capacidade de decisão, o que prejudicou o seu desempenho nos jogos de maior grau de dificuldade. Infelizmente, para o treinador, o André Gomes deixou de ser uma opção válida nos momentos decisivos da temporada, visto que após o jogo na Turquia nunca mais jogou, tendo inclusivamente sido preterido por Carlos Martins no fatídico jogo que começou a precipitar a nossa queda.


12 comentários:

Nuno Peralta disse...

Boa análise.
Faltou apenas um ponto: quem contratou Luisinho? Não sou um fã do jogador, mas das poucas vezes que foi chamado, não comprometeu (foi aliás o autor do primeiro dos muito poucos golos portugueses do Benfica este ano...).
Mas quando é o treinador o primeiro a dizer que "para consumo interno ainda vai dando", não creio que tenha sido uma escolha de Jesus.
A outra questão que fica por analisar é perceber para que serve a equipa B, onde supostamente existem "promissores" defesas esquerdos (Carole) e direitos (Lindelof e Cancelo) e nem mesmo assim foram opção. Bem sei que no caso do Cancelo existe uma boa razão para se ter adiado o seu lançamento. Já no caso dos outros...
Como a análise do ataque deve ficar para outro post, deixo para essa altura o "mistério Urreta"...

Anónimo disse...

Enfim, falhada a taça que evidentemente compensaria de alguma maneira outros desaires, já nada temos a esperar de JJ e fui sempre o seu o maior defensor. o Upgrade foi brutal e erros é mais por muito que nos custe dos habituais meandros. Mas está esgotado e não podemos viver com o medo FCP que será sempre forte e só ganhamos mesmo fazendo 80 pontos.

Por mim Paulo Fonseca de caras, mas também aceito o Vitória

Abraços e Viva o Benfica , vai ser duro este Verão , mas é ser sempre aldeia de Asterix contra o monopólio tripeiro e semi-tripeiro. desisti do termo anti, o que há por ali são eunucos semis

Mas sem ilusões, o caminho será sempre o das pedras

NC

moleculasdeamor disse...

Eu pergunto-me é como se vai resolver isto... como se fará a transição...quero dizer... neste quadro o Jesualdo parece-me alguém que pode fazer uma transição... porque certamente conseguirá com este plantel fazer pelo menos igual... isto porque neste contexto contratar um treinador estrangeiro parece-me arriscadíssimo!

Nuno Pinho disse...

Por muito que defenda o Jesus (continua a ser o melhor treinador que vi no banco do Benfica), estes desaires deixaram marcas. A Bola dizia que o homem chorou no segundo golo do Guimarães e ainda faltavam cerca de 10 minutos (mais descontos) para se jogar. Depois do desaire no Dragão, a minha dúvida prendia-se com as marcas que aquela derrota deixaria. Só por masoquismo quereria ir mais ao fundo das emoções. O Jesus ficou tão traumatizado como nós. Se na próxima época estiver a vencer por 1-0 e optar por uma estratégia de contenção, podes ter a certeza que, ao primeiro revés, a equipa volta a bloquear. Os acontecimentos foram macabros para a equipa e equipa técnica. Derrotas hão-de haver muitas, mas como aquela...
O melhor para o Benfica e para o Jesus é entrarem em novas aventuras.
Se ele for para o FC Porto, como se prevê, então veremos a nossa estrutura bem a descoberto. Em caso negativo (depende da interpretação), será o golpe final do Pinto da Costa ao Luís Filipe Vieira. Em caso positivo, o Jesus levará para lá os traumas e a nossa equipa cerrará fileiras com vontade de o massacrar pela "traição".
Qual o cenário mais plausível?
Ao nosso presidente*, ao menos que saiba gerir o tempo de saída do treinador...



* - contaram-me que a rtp o captou a rir-se, após a primeira decisão "discutível" do Jorge Sousa. A ser confirmado, é mais um sinal de incapacidade deste presidente.

Ruben Dias disse...

O Benfica está entregue à bicharada e a mansos.

E enquanto assim continuar vamos continuar a ser o Benfica dos pequenitos.

POC disse...

Tudo certo.
Para mim, nesta equipa, falta um Director Desportivo. O problema é que Jesus não admite tal coisa, devido à sua prepotência/cagança.

Ruca disse...

E o Paraty no meio da bancada a protestar com o Jesus? Lindo! Muito explica o título de 2005.

mnlopes disse...

Boa análise. Eu vi assim as deficiências/equívocos do nosso plantel nesta época que passou:

- Tivemos dois médios centro que não podem com o uma gata pelo rabo e que ocupando dois lugares chave no plantel em nada contribuiram para esta época desportiva. (Aimar e Martins)

- Tivemos mais uma vez um único defesa direito e que nem sequer é de raiz.(Maxi)

- Tivemos um extremo esquerdo adaptado a lateral esquerdo e que nunca deu total segurança nesse setor. (Melga)

- Tivemos outro defesa esquerdo adaptado, que poucos minutos jogou e que a partir de meio da época foi posto à margem da equipa. (Luisinho)

- Tivemos um único "trinco" no plantel. (Matic)

- Tivemos um médio, de qualidade mediana, a quem lhe foi pedido que fizesse três posições. (Almeida)

- Tivemos um jogador que não teria lugar no plantel do Moreirense. (Roderick)

- Tivemos um jogador que regressou em Janeiro mas que nunca lhe foi dada a devida oportunidade de jogar. (Urreta)

- Tivemos um extremo que quando mais se precisou dele esqueceu-se de como jogar à bola. (John)

- Tivemos o 2º melhor marcador da 2ª Liga e que nunca jogou um minuto sequer na equipa A. (Rosa)

- Tivemos um 3º avançado que nunca foi alternativa a coisa nenhuma. (Rodrigo)

SLB4EVER disse...

Se a equipa foi mal estruturada o JJ tb tem culpa e muita. No seu primeiro ano teve talvez o plantel mais equilibrado, depois disso teve sempre muita influencia na composição do mesmo e nunca mais houve equilibrio, aliás por ele só era preciso alas e avançados.
Matic era nítido que tinha muito potencial, não sou treinador e ví logo isso, no nosso meio campo descompensado era óbvio que um jogador como ele tinha tudo o que por exemplo falta ao Martins, nunca pensei que ele jogasse tanto mas isso é muito tb por mérito do jogador pelo seu profissionalismo e vontade em afirmar-se.

Acho que neste momento é crítico a defesa ser renovada, defesas precisa-se e não adaptações, Antunes era bem contratado ele e o Melga na esquerda podiam dar conta do recado, no centro temos um caso bicudo caso Garay saia, Luisão está em fase descendente e é altura de pensar em arranjar um substituto, Jardel pode sair não tem qualidade, acho que é altura de ver se o Sidnei se afirma ou não, o Vitória do Estoril era bem contratado mas pelo menos mais um central já feito e de categoria precisa-se! Na direita Maxi não inspira muita confiança depois deste ano mas tendo o Almeida até cumprido bem desse lado e uma pérola chamada João Cancelo talvez não seja por aqui.

O André Gomes é uma opção muito válida mas precisava de continuidade e e não de afastamento, ser preterido por Martins foi um atentado ao jogador, equipa, clube e a todos nós, isso e o afastamento recente do Melga são exemplos bem concretos de uma péssima gestão do treinador.

Nada que já não tenha dito mas com a dupla LFV/JJ é para continuar a ser o quase e a viver das vitória morais.

Ó Ruca suponho que o Proença andar aos beijos com treinador do porko e jogadores é que é normal assim como o super ladrão sousa mais uma vez mostrar todo o seu tendenciosismo. Já não tenho paciencia para tanta hipocrisia bacoca de fanáticos com palas...

Pedro Vagos disse...

Bom, como me parece que começaste a construir a análise desde as fundações, tenho que relevar um ponto. O Guarda Redes... se é certo que o Artur trouxe com ele uma tranquilidade que já não se via talvez desde o Enke, a verdade é que a nível interno falhou nos 2 jogos em que menos o poderia fazer. Pronto, está dito...
Em relação à defesa, o problema nas alas é velho, e agravou-se este ano ao não haver lateral esquerdo. Inventou-se um, concedo até que o rapaz se portou melhor do que se esperava, mas a verdade é que nas horas decisivas... não foi opção. Afinal, quem tanto apostou nele puxou-lhe o tapete na hora em que lhe devia ter dado confiança.
Quanto aos centrais, Jardel teve o mérito de fazer esquecer Luisão... por isso de mim não volta a ouvir palavras contra. Quanto aos outros... custa-me entender como é que o Roderick foi opção à frente do Miguel Vítor ou do Sidnei. Muito.
No meio campo, se é verdade que lhe rebentaram as opções no último dia, não é menos verdade que foi ele - treinador - que fez a apologia da equipa B. O que se viu? Aposta tímida e fugaz em André Gomes, e completo esquecimento daquele que terá sido, muito provavelmente, o melhor jogador da 2ª Liga, Miguel Rosa. Quanto a Aimar e Martins, para mim, mais do que qualquer outra coisa, foram vítimas da incapacidade do treinador em promover a rotação do plantel. Escrevam aquilo que digo, seja aqui, seja no Porto, seja no raio que o parta, o Jorge Jesus enquanto não perceber que precisa de um MUITO BOM preparador físico e conselheiro tactico, está condenado a chegar ao fim da temporada com as equipas completamente rebentadas. No Benfica aconteceu-lhe isso em 4 anos.
Quanto ao clube e ao presidente, já era tempo de perceberem que precisam de alguém que mande no futebol. que seja a cara do departamento, que fale quando deve falar e acima de tudo, que mande estar calado quando tal for necessário.

P.S.: Não fazia parte do manifesto eleitoral uma descida nas quotizações?

João disse...

Caro BCool

excelente análise. pouco há a acrescentar mas vou tentar, até porque acho que falta a alguns de nós, muitas vezes, a capacidade (contra mim falo) de ver "the big picture". Em relação a JJ, dificilmente o Benfica terá outro treinador com tanta sabedoria do jogo (ponto!) venham os Ruis e os Vitores todos que quiserem, não é o mesmo. A sua capacidade de fazer muito com pouco deveria ser inaltecida à exaustão. (JJ a ministro das finanças!)Tu próprio referiste isso no post. E isso remete-me para uma declaração de LFV que não creio que teve o impacto que deveria ter tido na blogosfera (corrijam-me se eu estiver enganado).

"Vêm aí tempos dificeis, o Benfica é um espelho do seu país, e também terá de ser contido nas suas despesas"

Já alguém se deu ao trabalho de comparar o valor que o FC Porto, ou Chelsea, deu pelos seus jogadores (11 inicial) comparado com os nossos? São mais caros e melhores! não tenham medo de o admitir! A aposta na prata da casa vem por necessidade nao por qualidade! e daí vêm Luisinhos, Jardel, Andrés, CM. Que não são maus, mas pedir ao JJ que com eles o Benfica faça o Triplete é no minimo utopico.
Dêem a este homem laterais de 30M€ por exemplo e assistiremos ao milagre da multiplicação de titulos.

Contudo! tenho experiencia de vida suficiente para saber quando um lider perde a sua voz. E isso é o que está em cima da mesa, não é a sua qualidade como treinador (ou pelo menos nao deveria ser) mas a sua como lider de homens. O Benfica bem pode buscar o "efeito Sá Pinto" de um treinador novo, com energia e voz que faltará ao JJ neste momento. Mas não sairá ao fim de um ou dois anos?

uicabom disse...

Se a emoção pede a saída de Jesus, já a razão (e as decisões devem ser tomadas desta forma) pede cautelas. Antes de Jesus, não íamos à champions e ficávamos em 3° e 4° lugar. Na Europa, éramos, na melhor das hipóteses, ilustres participantes sem aspirações. Jesus trouxe bom futebol, (poucos) títulos, melhoras campanhas europeias e dinheiro (sem a valorização de jogadores, ficamos como o Sporting).
Por fim, última reflexão: Jesus ganhava tudo no Porto? Eu acho que sim. E Vítor Pereira era campeão no Benfica? Seguramente não.. Com esta estrutura, ou temos um treinador acima da média (apesar dos erros, Jesus é), ou somos os bobos da festa (não em maio, mas a época inteira).