quinta-feira, 7 de julho de 2016

Estamos na Final!

Parece mentira mas é verdade. Mesmo não parecendo verdade, mentira é que não é.

Não sei o que este Europeu me está a fazer mas já não digo coisa com coisa. Parece que já não percebo nada disto, que já não sei nada ou que só sei que nada sei ou até que não sei o que sei.

Bem o que importa é que…

Estamos na Final porra!

A excitação de estar na Final do Euro só fica ligeiramente anestesiada pela falta de entusiasmo do caminho até aqui. Nem parece que isto está mesmo a acontecer.

Ontem foi o melhor jogo de Portugal. Sem brilhantismo e sem grande criatividade conseguimos ser muito competentes e ter sempre o jogo controlado.
Sem Ramsey o País de Gales não passa de uma equipa muito mediana. Incapaz de ter bola e totalmente dependente de rasgos de força e da meia-distância do Bale.
Soubemos controlar a profundidade, soubemos ter bola e soubemos ser pacientes. O Adrien foi o nosso melhor médio e o Cristiano fez o seu melhor jogo deste Euro.

Não podemos voltar a cair no erro de prender o Cristiano entre os centrais.
Tanto com a Polónia como ontem já vimos um Cristiano mais solto em campo. Ele tem de participar na construção do jogo e precisa de terreno para arrancar. Prendê-lo entre os centrais é desperdiçar um excelente jogador e facilitar a vida dos defesas.

Portugal joga poucochinho mas compensa em atitude e vontade. Isto tem chegado para ir passando sem vencer qualquer jogo e contra adversários acessíveis. Ontem foi a nossa primeira vitória e o nosso melhor jogo. Contudo este País de Gales, a par da Áustria, foi o adversário mais fraco que apanhámos.

Isto está a ser um pouco a imagem do Fernando Santos, focado na ideia que dificilmente alguém nos ganha e não na ideia que dificilmente não venceremos seja quem for. O Seleccionador Nacional tem mostrado excelência em todos os momentos e responsabilidade do cargo que ocupa menos em um: o futebol jogado. Tem 2 anos para melhorar nesse aspecto.

É como já disse. A excitação de estar na Final é imensa mas parece um pouco anestesiada pela falta de entusiasmo do todo o percurso, tanto pelos adversários como pelas exibições.

Só nos Oitavos apanhámos uma boa selecção e com grandes jogadores. Eliminar a Croácia é digno de registo mas nunca será digno de grande entusiasmo. É uma selecção ambiciosa, com potencial mas longe da primeira linha dos favoritos.
Eliminar uma Croácia com um golo em contra-ataque aos 117 minutos numa altura em que nos estavam a sufocar, uma Croácia que foi superior a nós durante os 120 minutos num jogo em que homenageámos a Carris, foi o melhor que conseguimos neste Europeu.

Sobre o jogo só mais uma coisa:

“Oh Fernando por favor, Bruno Alves em vez do Ricardo Carvalho? Nunca mais me faças uma coisa dessas”.

A Final será um jogo diferente e por isso faço já o ponto de situação e dou já os parabéns.

Parabéns a todos, principalmente ao Fernando Santos e ao Cristiano Ronaldo.

Parabéns pela união do grupo, parabéns pelo comportamento com os adeptos, parabéns pelo esforço, pelo trabalho e pelo desportivismo em campo.

Parabéns ao Cristiano pela humildade. No final da fase de grupos houve ali um momento no qual ele mudou de postura. Agora temos visto um Cristiano muito mais capitão do que em toda a sua carreira na Selecção. Colocou o vedetismo de lado e está a dar-se mais ao grupo, tanto a jogar como a liderar. Nunca deixará de ser arrogante mas tem humildade para reconhecer o erro e mudar a postura.

Parabéns ao Fernando Santos pela sua liderança, pelo seu discurso, pela sua crença, pela sua vontade, pela sua educação, pela sua comunicação e pelo respeito que tem sempre mostrado pelos rivais e principalmente pela nossa bandeira.

Ser seleccionador é muito diferente de ser treinador. O Fernando Santos tem tudo para ser o Del Bosque Português.

Sou um daqueles que no arranque do Euro estava confiante que este ano iríamos lutar olhos nos olhos com os maiores pela Final e pela vitória final.
Estamos na Final mas reconheço que a nossa Selecção me desiludiu muito. Esperava muito melhor. Não gosto nadinha do que temos feito em campo.
Mas há expectativas que não saíram defraudadas. Adoro o ambiente que agora se vive na Selecção e adoro estar na Final.

Agora é fazer de tudo para sermos campeões. Não somos favoritos e um futebol defensivo, à imagem do que temos praticado, fará agora algum sentido.

As criticas e tudo o que de menos bom há a dizer deve ser deixado para depois, para a preparação do próximo Mundial.

O nosso futebol é este, a nossa coesão é esta e a nossa vontade é esta. Agora é assim que temos de vencer o último jogo deste Euro.

Vamos Portugal!
 

3 comentários:

Anónimo disse...

1. Conforme começas por referir (e bem): parece mentira, mas é verdade. A partir daqui é que nos desencontramos :)

2. Não sinto rigorosamente nada. Nada de nada. Apenas indiferença. Nem desejo que ganhem por muitos, nem estou a torcer para que sejam trucidados frente à França. Apenas um enorme vazio. Olho para aquilo e nada: não sinto nada, não me diz nada, não se aproveita nada, não aprendo nada.

3. Não consigo criar qualquer ligação emocional com aquilo que me apresentam. E não: não aceito a ideia de ser menos patriota por isso. Vamos por partes:

4. À luz da lavagem cerebral vigente (cuja máxima é a de que jogamos muito, na medida em que estamos na final), também eu sinto que, por muita noção que tivesse de que haverá sempre muito a aprender… vejo-me agora forçado a concluir que só sei que nada sei. Porquê?

5. Porque estamos na final. Praticamos um futebol que é o melhor soporífero do mercado? Assumimos uma postura expectante, cínica e previsível no jogo? Temos um discurso medroso e que foge às questões? Verifica-se um inexplicável fosso na relação entre a qualidade dos seleccionados e a qualidade do futebol praticado? Não interessa: estamos na final.

6. RV tem o hábito de repetir uma frase feita mas que, pelos vistos, ainda não foi repetida vezes suficientes: o homem é o homem mais a circunstância em que está inserido. Neste seguimento:

7. A equipa da FPF beneficiou de um grupo que lhe permitiria, à última jornada, dar tempo de jogo aos menos utilizados. Passou com a corda na garganta, sem ganhar um jogo, com 4 golos sofridos, beneficiando de um golo tardio da Islândia que o mandou para “o lado bom da força”.

8. Daí para a frente, mais uma vez: 0.

9. Contra a Croácia, jogo efectivamente ganho graças à visão mais além de uma equipa técnica: precisamente, a da Croácia. A jogar a papel químico da FPF, andaram para ali a ver o que a coisa dava, respeitinho pelo adversário, gestão do esforço descomunal que significou virar um resultado negativo frente ao “carrossel” espanhol, um “tornado” chamado Pjaca no banco… dão por ela e foram de vela. Mereciam mais: aquelas equipas dos Balcãs têm talento e pêlo na vento. Gosto deles.

10. Depois a Polónia. Zero. Adormeci. Depois acordei e meti num documentário sobre uma cena qualquer que não me marcou. Acabou. Mudo para o jogo. Prolongamento. Fui fazer o jantar. Consta que passámos.

11. País de Gales. O que temia, verificou-se: numa equipa tão esticadinha, a ausência do seu principal pensador de jogo foi o “canto do cisne”. Deram o seu melhor: sem tretas, sem anti-jogo, sem pensar em prolongamentos ou penaltis. Quando assim é e, contra todas as previsões, se chega tão longe… a mais não são obrigados. Serão eternos na memória futebolística do seu país e dos Europeus. Grande equipa, grandes adeptos, grande alma, grande respeito pelo jogo e adversários, grande nação. E sim: torci por eles.

12. Chamam a isto de pragmatismo. Não percebem. Que também o adepto tem o direito a ser pragmático e, como tal, ao invés de ter de passar pelo suplício de assistir durante 2 agonizantes horas a um “espectáculo” daqueles, opte por fazer outras coisa qualquer para então, mais tarde, ver os resumos com os melhores momentos. Isto sim: pragmatismo no seu melhor. Ou será esse um direito exclusivo só de uns?

13. Procuram ignorar que beneficiámos de condições ímpares (provavelmente, irrepetíveis) com vista a chegarmos a esta fase. Beneficiando de adversários de menor dimensão. Absolutamente acessíveis. Que, inclusive, praticam futebol em part-time. E que nos olharam olhos nos olhos e disseram: vamos a isto!

RedMist

Anónimo disse...

14. Já nós, com o pseudo melhor não sei quê de não sei onde, com campeões europeus por clubes, com atletas nos grandes da Europa e a serem disputados por outros tantos, com todas as condições materiais, humanas e anímicas… apenas medo. É a mensagem que o seu jogo e técnico passam: não se trata de respeito pelo adversário, mas de medo. Coisas diferentes. Não confundir.

15. Não me interpretem mal. Impressiona a forma como CR7 se transformou enquanto jogador: de extremo desequilibrador egoísta, a avançado goleador egocêntrico. Impressiona o seu currículo individual. Impressiona o peso que um Português tem no maior clube mundial (ainda para mais Espanhol).

16. Mas já chega. Já não há paciência. A forma como transformaram aquilo na equipa do “Ronaldo e amigos” é o maior atestado de incompetência e desrespeito que poderão alguma vez passar aos restantes atletas: todos eles, sem excepção, de uma belíssima qualidade. Os treinadores individuais, o regime de exclusividade de que beneficia, todos os recordes individuais que tem em mente ainda bater… toda essa treta tem de acabar.

17. Deve partir o coração a muitos daqueles atletas terem de condicionar todo a sua qualidade num futebol afunilado à medida e expectativas de um único. Nem o País de Gales o faz: e Bale, conforme se provou, tem um rendimento incomparavelmente superior a CR7 na sua selecção. Sem ter, nem de perto, comparável qualidade à retaguarda. E, sobretudo, sem necessidade de ser colocar em bicos de pés.

18. É mais um (e não “o”). Para ajudar (e não “servir-se”). A pátria (e não a ele próprio).

19. Temo, contudo, que isto seja coisa para se prolongar no tempo. CR7 não deverá pendurar as chuteiras tão cedo e tremo só de pensar na tanta qualidade que por aí anda a despontar e que, a avaliar pelo estilo, verá incontornavelmente o seu futebol e expectativas goradas. Não tenham dúvidas: vai haver um momento em que CR7 vai ser um problema. Ainda mais do que já o é.

20. Creio ter sido Gullit quem, um dia, terá dito que, nos tempos do AC Milan, Arrigo Sacchi pedia-lhe para fazer tantas coisas em campo que, quando finalmente a bola lhe chegava aos pés, ele ficava confuso e não sabia o que fazer com ela.

21. Um treinador deve ser aquele que ajuda a polir um diamante em bruto: e não transformá-lo numa peça de xadrez. Num boneco de Playstation. Ajudá-lo a descobrir outras coisas, a aportar algo mais ao jogo e ao seu jogo. Como dizia Artur Jorge: para fazer coisas bonitas. E, assim, fazer de um colectivo mais do que a soma das partes. O que, presentemente, não se verifica na FPF.

22. Por isso… apesar de não ser propriamente provável, pode até ser que dê para ganhar a final. A acontecer, será a derradeira manifestação de hipocrisia: andar anos a apontar o dedo à Grécia para, aproveitando um treinador de lá saído recentemente, adoptar um futebol em muito idêntico com vista a vencer.

23. Vencer o quê? Provavelmente, o mesmo que a Grécia: uma taça. Uma vez que o respeito, admiração e reconhecimento de um mundo inteiro irão, desta vez, inteirinhos para o País de Gales e Islândia. Tal como, em 2004, o foram para Portugal e República Checa. Ou em 66, para os “Magriços”, os verdadeiros campeões mundiais do que verdadeiramente interessa: o coração dos adeptos.

24. Ou julgam vocês que, em 82, foi mesmo a Itália quem foi campeã do mundo? Alguém pode verdadeiramente acreditar que, naquele ano, naquela “copa”, não foi Zico e companhia quem levou a melhor? Quanta gente não sorriu ao ver aquele futebol? Quanta gente não se apaixonou pelo futebol graças àquele futebol? Quantos terão sido inspirados a pegar numa bola e a ir jogar graças àquele futebol? Do Brasil de 82. Campeão do Mundo. E da imortalidade.

25. Sim, estamos na final… Mas a que preço?

RedMist

Daniel Oliveira disse...

Boas RedMist,

O que dizer?

Concordo com tudo o que dizes sobre o futebol praticado da nossa Selecção e sobre o não-desempenho (no contexto da sua qualidade) do Cristiano.

O que nos afasta é a opinião sobre o ambiente que se vive na Selecção.

Acho a nossa Federação fraquissima. Constantemente tenho criticado o péssimo trabalho que eles fazem com a Selecção. Isto é muito mais do que garantir um bom hotel e um bom autocarro para os jogadores.
A forma como a Federação lida com o Cristiano é vergonhosa.

Aí concordo contigo, se dependesse desta Federação a Selecção Nacional seria a equipa de Ronaldo & companhia.

Quanto ao Fernando Santos mantenho que o acho o Vicent del Bosque tuga.
Abriu a Selecção aos novos e antigos talentos, fez evoluir as convocatórias acabando com a vergonha dos tempos do Bento, tem respeito por todos e exige respeito com categoria, é aglutinador e não se mete em polémicas. Para seleccionador adoro o estilo.
Falta-lhe é futebol. Nós adeptos a ver aquela vergonha que se passa no relvado claro que ficamos à espera de ver o Seleccionador dar importância a isso, seria um sinal que haveria espaço para melhorar. O Seleccionador não o faz. Não tem como o melhorar então prefere defender o grupo.

O Cristiano na Selecção tem sido sempre uma vergonha também. Não tanto em quanto jogador mas sim como capitão. Tenho a clara impressão que depois daquela situação do microfone ele meteu a mão à consciência e provavelmente fez um pedido de desculpa ao grupo - é o que retiro das declarações que ouvi. A verdade é que desde esse episódio vejo um Cristiano mais dado à equipa e ao colectivo. Joga pouco mas pelo menos parece menos egocêntrico.

O nosso futebol deve estar no top 5 dos mais fracos deste Europeu. Isto em 24 equipas diz muito.

Mais do que dizer que sou português vou dizer que sou adepto da selecção e por isso é que sofro com ela e vibro com as vitórias. Não vibre quase nada até agora mas perante uma final com a França... estou louco para que chegue a vitória. E para este jogo já nem me importa muito como jogamos pois já sei o que a casa gasta.

Mais uma vez, quanto ao nosso futebol (ou falta dele), discordo 100% de quem diz que jogamos um Futebol cinico e táctico. Oiço isto todoso os anos e o ano inteiro. Quando uma equipa joga mal é porque é cinica e quando não consegue atacar é porque é uma equipa táctica.

Já ouvi muitas vezes a nossa Selecção ser comparada com a italiana mas não há comparação possivel.

Jogamos recuados? Sim. Isto é opção mas tudo o resto é incompetência, é incapacidade de fazer melhor ou de se querer fazer melhor. Há quem diga que defendemos bem mas para mim defender bem é quando o fazemos com poucos e não com os 11 a montar autocarros. Aliás, a Croácia foi superior a nós e só não conseguiu jogar um futebol mais espectacular porque o nosso jogo foi não os deixar jogar.

O meu grande problema com o Fernando Santos é que ele monta a equipa para fazer um determinado tipo de jogo mas a equipa faz um jogo completamente diferente.

Penso que desde 2000 esta é a nossa selecção pior trabalhada tacticamente para uma fase final.

Vai ver uns vídeos de 2000, 2004 e 2006, pode ser que a nostalgia te permita sentir aquele nervosinho com a final que aí vem ;)

PS: Quero frisar que concordo 100% quando referes aquela situação sobre que Selecções ganharam mesmo as competições anteriores. O Futebol vence sempre mesmo quando não é condecorado.