quarta-feira, 29 de junho de 2011

A minha ideia para o Benfica - Parte 1 - Gestão Financeira e Futebol

As premissas fundamentais para um Benfica simultaneamente vencedor e virado para a paixão e comunhão entre adeptos, funcionários e dirigentes terão de ser sempre as mesmas: benfiquismo e competência.

É a partir delas que o Benfica terá de se reconstruir de base, eliminando agentes nocivos à primeira, mesmo que aptos na segunda ou - e também isto muito importante - abdicando de elementos que, apesar de sentirem muito o clube, sejam, do ponto de vista da competência e do rigor, pessoas que não garantem o caminho do sucesso sustentado e orientado para a organização.
Não quero com isto dizer que devamos abdicar desses elementos noutras áreas – podem e devem ser orientados para zonas do clube, para acções de divulgação, em que o clubismo “tradicional”, tal qual o conhecemos, será defendido e exponenciado ao máximo junto dos adeptos e potenciais futuros sócios; defendo apenas que, em termos estruturais, devemos exigir a quem nos represente não só paixão e fervor clubísticos como também o talento e a capacidade de trabalho suficientes à profissionalização de um clube que, além da paixão, vive de resultados, sejam eles desportivos, financeiros ou publicitários.
Estes três elementos fundamentais – sucesso desportivo, rigor financeiro e expansão da marca Benfica – não devem conviver isolados uns dos outros; pelo contrário: deverão estar interligados e dependentes da organização em cada um deles para que o todo, o clube, sobressaia como marca e como instituição de cariz ganhador e de saúde económico-financeira.

Tendo como base para a admissão na estrutura do Benfica pessoas que preencham as premissas supracitadas - benfiquismo e competência – dividamos a organização do clube, a Direcção, nas seguintes sub-estruturas: Gestão Financeira, Futebol, Comunicação, Marketing, Modalidades, Futebol de Formação e Sócios e Adeptos.

Seis pontos cardeais, para cada uma delas um Vice-Presidente, sem necessidade de inventar mais porque para cada uma corresponde o espaço necessário a que outras sub-estruturas tenham o devido destaque, sendo que entre elas terá de haver uma íntima ligação, especialmente entre o Futebol e o Futebol de Formação e entre a Comunicação e o Marketing; a Gestão Financeira e as Modalidades, embora funcionando de forma autónoma, reportarão, como é lógico, ao número 1 do clube, o Presidente.

Farei uma dissertação sobre as várias áreas e aquilo que defendo para cada uma, dando nomes que me parecem ter perfil para os cargos; o mais importante será o perfil, os nomes deverão ser tidos com alguma relatividade, porque certamente haverá mais do que um benfiquista competente para cada uma das sub-estruturas.


Gestão Financeira

É a vertente do clube que menor ligação tem com os adeptos, por duas razões principais: a ignorância de grande parte dos benfiquistas em relação a questões de ordem financeira - por desconhecerem a forma como se organiza e equilibra uma instituição de tamanha dimensão; e porque ao adepto comum, mais do que estudar orçamentos, informar-se sobre empréstimos obrigacionistas ou analisar criteriosamente as contas semestrais, interessa o pontapé na bola e as contratações sonantes – e a pouco clara política de Comunicação (cá está a necessidade de as sub-estruturas funcionarem em uníssono e não viradas para dentro), que, de tão pobre e parca de informação, afasta os sócios e adeptos da compreensão integral do que se vai fazendo nesta área.

A política de comunicação tem, por isso, um desafio importante: servir de farol aos benfiquistas, iluminar-lhes o caminho para o entendimento claro sobre as várias áreas do clube, especialmente, e porque é dela que nos debruçamos, sobre a Gestão Financeira. Com uma informação acessível e clara, os benfiquistas poderiam não só conhecer mais do que se vai fazendo como provavelmente muitas das críticas infundadas não existiriam porque, com conhecimento e explicação, só quem desse novas ideias poderia ter motivos de crítica. Assim, no lamaçal que é a política comunicacional do clube, todos os empréstimos absurdos (serão?), todas as políticas financeiras presumivelmente danosas para o Benfica (serão?), todas as megalomanias incongruentes em discursos demasiadamente optimistas, são alvos fáceis da crítica, mesmo da crítica acéfala e nada sustentada.

Em termos puramente financeiros, recuso-me a fazer observações profundas porque sou um ignorante na área (já agora, aproveito para chamar o Americano a sair das catacumbas em que entrou e a pronunciar-se sobre esta e outras áreas que sinta poder debater com bases sólidas, como nesta pode). Exijo apenas, e é muito, o que me parece nem sempre existir: rigor, organização, planeamento, antecipação de resultados (positivos e negativos) e, claro, voltando ao mesmo, que é a base que deve sustentar qualquer clube organizado, uma comunicação que nos informe em vez da desinformação existente actualmente.

Nome para Vice-Presidente: Bagão Felix.


Futebol

Esta é uma área que mexe com os sentimentos mais íntimos dos benfiquistas e a que mais estará sob o escrutínio e avaliação de todos, por ser a que mais facilmente é acompanhada e interpretada por aqueles que seguem o clube.

Na área “Futebol”, não há quem não dê opinião, mesmo que muitas vezes tão válida como a que dá sobre “Gestão Financeira”. Mas no futebol há esta ilusão: achamos que, por não serem números, temos capacidade para ir além, opinarmos, julgarmos, darmos as nossas próprias ideias. A filosofia reinante é a de que em termos futebolísticos não será necessário “saber académico”, uma noção que obviamente incorre numa falácia tremenda mas que, na génese, tem uma verdade: todos nós, mal ou bem, lidámos e lidamos com questões ligadas ao fenómeno. Que isso faça de nós “académicos”, puro engano; mas sem dúvida estamos mais preparados para avaliar o trabalho nesta área, porque ele também nos aparece de forma mais clara e directa, do que, por exemplo, na área anterior.

Os princípios que devem nortear esta sub-estrutura são simples na teoria mas complexos quando os (não) vemos aplicados: uma excelente área de prospecção, uma relação íntima com a formação e seu departamento, identificação e interpretação assertiva nas contratações, seja para técnicos ou jogadores, que deverão corresponder não só à qualidade exigida para servirem o Benfica mas, e talvez ainda mais importante, que aliem essa qualidade ao perfil do que se pretende.

Um exemplo: não basta contratar um treinador de grande qualidade, com um passado com resultados que dão mostras de poder ter sucesso no Benfica; tem de haver um identificação do perfil: conhecer-lhe as ideias a fundo, interpretar se essas mesmas ideias se adequarão à ideia geral do clube e se o próprio técnico tem condições para trazer a qualidade exigida juntamente com a comunhão com a idiossincrasia do Benfica. Isto é fundamental, para que se não desperdice talento e qualidade. O mesmo serve para os jogadores. Neste prisma, importa estabelecer uma ideia fundamental: um sistema e modelo de jogo que nortearão toda a estrutura do futebol, desde os mais novos até à equipa principal.

É uma ideia que não é nova mas que tarda em aparecer no Benfica. É lógico que haverá lugar a uma flexibilidade táctica e às ideias do técnico mas importa estabelecer esse princípio, para que o trabalho feito na formação não desague num mar de equívocos quando os jogadores chegam à idade de poderem alimentar o plantel principal. Por isso é tão importante que as áreas “Futebol” e “Futebol de Formação” estejam intimamente relacionadas e que, não raras vezes, os treinadores, também eles em formação, das bases possam pontualmente subir na hierarquia e treinarem o plantel principal. Não é uma utopia nem uma visão demasiadamente romântica; é o que faz mais sentido, tanto do ponto de vista desportivo quanto financeiro. Uma aposta clara na formação de jogadores e treinadores, aliando a isso uma ideia geral de um sistema e modelo de jogo, será não só garantir uma redução drástica nos custos como a valorização da marca Benfica e do benfiquismo.

Obviamente não defendo a ausência de contratações de jogadores de outros campeonatos; também servem o clube de forma importante e valorizam os que vêm da formação. Mas com rigor, com critério, não esta aventura infinita por compras ao desbarato, sem qualquer planeamento, que só aumentam o orçamento e nada ou pouco trazem de ganhos desportivos ao clube. Daí a importância de uma prospecção de excelência, que identifique e acompanhe os jogadores desde muito novos, que lhes conheça não só o valor futebolístico mas outras características igualmente importante, como a cultura desportiva, a personalidade, o conhecimento que têm do clube.

Defendo uma mescla equilibrada entre os nossos jovens e jogadores mais experientes de qualidade inegável, aptos a entrarem na equipa sem períodos de adaptação ou empréstimos anos a fio. O Benfica, embora actualmente pareça, não é uma empresa de jogadores; é um clube de futebol. Contratar não deverá ser para pôr a rodar noutros campeonatos ou outras equipas do nosso, na esperança de que um dia venham a render financeiramente. A melhor forma de valorizar os passes dos jogadores contratados será sempre englobando-os num plantel com uma ideia tão bem definida que lhes dará o espaço necessário para mostrarem talento e valorizarem o próprio passe e o clube que representam. Este terá de ser o caminho: prospecção de excelência, relação íntima com a formação e critério ideológico nas contratações. Passa por aqui o sucesso desportivo e o equilíbrio das contas do clube.

Nome para Vice-Presidentes: Rui Costa

 

19 comentários:

José Vieira disse...

Benfiquismo e Competência, que grande ideia, como é que ninguém ainda se lembrou disso?!
Eu também idealizo para avançado do Benfica um gajo que sinta a camisola e marque golos em barda...
És (somos...) uns românticos. Contudo, espero não te estar a surpreender (muito) quando te digo que o Paciência não estava a brincar quando afirmou haver benfiquistas a torcer para que o braguinha fosse à final da liga europa e olha que não era por medo do porto...
Há benfiquistas que são competentes ao ponto de desejarem vitórias de outros clubes, o que nos reconduz à questão (neste momento filosófica) de saber o que entendes por "benfiquismo" e/ou "competência".

Ricardo disse...

José, discordo. Uma pessoa que tenha querido que o Benfica fosse eliminado, por qualquer razão, da Liga Europa, não é benfiquista. Pode ser muita coisa; benfiquista não será seguramente.

E essa questão levantou-se, nem sei bem porquê. Não conheço um, UM, benfiquista que tenha querido ser eliminado nas meias-finais.

Quanto ao romantismo, discordo da ideia de que ele é impossível. Não é um romantismo utópico; é uma visão de Benfica totalmente possível e nada alheada da realidade. Agora está muito na moda criticar as ideias que defendem clubismo nos clubes. Deve ser um novo paradigma: se és deste clube, não entras; se não és, vem que serás bem-vindo. Isso, sim, deverá garantir competência e até, no limite, benfiquismo.

E sobre o post, alguma ideia?

Tiago disse...

os jogadores e treinadores também são funcionários...

Ricardo disse...

Excelente contribuição para o debate, Tiago. A todos os títulos, notável. Obrigado.

JD disse...

Concordo com quase tudo, e começo ja a atalhar para o fim da série de posts....Humberto Coelho como presidente.

O quase q discordo..é o R Costa. Sinceramente, não sei se tem competência. O facto de servir com persuasor para trazer nomes sonantes (como Aimar) nada diz da sua competência profissional. O cargo onde o colocas, obriga a bastante trabalho burocratico, a muitas horas de computador, a competencias de gestão (orçamental e de pessoas) e ainda a competências técnicas (não basta saber jogar à bola...) que eu nao sei se ele tem. É um enorme benfiquista de que todos nos orgulhamos, mas será competente para o cargo?

Luis Rosario disse...

Olá Ricardo,

Penso que vais no bom caminho.

Concordo com os 2 nomes.

Permite-me sugerir a 7ª área, cada vez mais importante e, desejamos, influenciadora das decisões do clube "Sócios e Adeptos".

Ricardo disse...

JD, como escrevi no texto: falo de perfil, não necessariamente de nomes obrigatórios. Tens alguma ideia de quem para ti seria um nome interessante para o cargo?

Quanto a Rui Costa, dentro da estrutura do "Futebol", aceito que poderia ser, por exemplo, o Director-Desportivo e deixar para o cargo de Vice-Presidente alguém mais "burocrático" e apto às funções mas confesso a minha falta de paciência para burocráticos que já há muitos anos pululam pela estrutura do clube. Como Vice-Presidente, Rui Costa teria de, acima de tudo, garantir a qualidade na prospecção, interligar equipa principal com as camdas jovens e tratar das contratações, em conjunto com a equipa de prospectores, o director-desportivo e, claro, o treinador. Penso que tem perfil para o cargo. Não acho necessário ter na Direcção engravatados que de futebol nada sabem e que apenas lá estão pelo tacho. Mas a ideia do texto é gerar novas ideias, novos nomes, novos perfis. Diz de tua justiça.

Luís, pensei em colocar a ênfase dos sócios e adeptos dentro da estrutura do Marketing, mas acho que tens razão, faz mais sentido, até para valorizar ao máximo a importância que todos temos (ou deveríamos ter), uma área apenas dedicada a esse assunto. Fica registado.

João Duarte disse...

Sinceramente...não sei. Antigamente os dirigentes desportivos apareciam de (eram formados) dentro da estrutura, hoje caem de paraquedas sem experiência nenhuma em dirigismo desportivo.

Eventualmente, por não vislumbrar ninguem com o perfil, colocava um director para o futebol com experiência em dirigismo desportivo, indo buscá-lo a outras modalidades do clube se necessário, ou até a federações fora do espectro do futebol. Ou seja, o foco era alguem com competências em gestão de equipas, calendários, burocracias, competição. Departamento profissional para a equipa profissional.

De apoio ao dept criava uma conselho técnico. Formado por técnicos profissionais do clube e jogadores históricos.Responsavel pela estratégia do clube para o futebol, agregava tb formação, a prospecção, a colocação dos jogadores, a definição de objectivos de carreira para os jogadores jovens, a identificação de sectores a reforçar, a definição de alvos a contratar, etc. Aqui podia ficar o R Costa a coordenar o grupo, mas era importante ter treinadores envolvidos no conselho.

Por cima destas 2 unidades, directamente o Presidente. O futebol é a alma do clube e o Pesidente tem q estar directamente envolvido. Tem q validar as sugestões do conselho técnico e liderar negociações e compra e de venda. EM nenhuma organização valores tão elevados podem estar afastados de quem tem o poder.

Depois poderia-se detalhar a orgânica e os fluxos de report entre as unidades, mas isso agora dá-me muito trabalho.

Hattori Hanzo disse...

Bagão Felix não. Já esteve no Benfica e não tenho boas memórias dele. Considero-o um dos principais responsáveis por ter entrado Vale e Azevedo no clube. Foi dos primeiros a abandonar a direcção no tempo de Jorge de Brito provocando tudo aquilo que ocorreu em seguida.

José Vieira disse...

Ricardo, não podes cair na absurda tentação de pensar que só o Benfica dá guarida a "não-benfiquistas" e que os outros clubes não acolhem na sua estrutura benfiquistas. Colocada desta forma a questão, certamente que te ocorrerá um ou outro nome que tenha vestido a camisola do adversário em necessário "conflito de interesses" com o nosso manto sagrado.
Esta era a questão que lancei para reflexão e que tu, taxativamente, sentenciaste: não são benfiquistas, logo, (conclusão minha) estarão excluídos do teu "Ideal".

"Agora está muito na moda criticar as ideias que defendem clubismo nos clubes. Deve ser um novo paradigma: se és deste clube, não entras; se não és, vem que serás bem-vindo".
Não estás a ser intelectualmente honesto. O que agora está na moda é defender o populismo bacoco do "clubismo". Não te vi abrir esta verdadeira caça às bruxas na primeira época de Jesus.

"E sobre o post, alguma ideia?"
Percebo a ânsia de ideias, coisa em que o post não é farto.
Não terás certamente a pretensão de considerar que estás a dar um contributo inestimável ao Benfica ao desfilares um rol de banalidades que encontrarás em todos os programas eleitorias de todos os candidatos que concorreram à presidência do nosso clube.
Desculpa-me a franqueza mas as únicas ideias que descortino no teu post são as chamadas "ideias feitas" ou "lugares comuns".
Pior do que isso, colocas o acento tónico em nomes, o que desde logo indicia que estás no mau caminho. De uma vez por todas tem que se perceber que no Benfica não podes querer que as pessoas abracem um cargo mas sim um projecto.
De que te adianta avançar com o nome de Bagão Félix (mais uma vez a sugestão fácil: um ilustre benfiquista e ex-ministro das finanças, tudo o que é necessário para ser um nome consensual) se não concretizas qual a política financeira que, eventualmente, ele teria que defender? Contenção? Investimento?
Tu próprio admites que não sabes qual a actual e real situação financeira do clube, premissa essencial para delineares um qualquer projecto financeiro!
Queria alongar-me um pouco mais mas (infelizmente) agora não tenho tempo.
Nota ainda para Rui Costa, dos poucos senão o único nome que avançaria sem projecto. Nele confluem o benfiquismo com a competência (sim, Rui Costa já deu mostras de toda a sua competência), o que faz dele um dirigente por excelência.

Ricardo disse...

João,

É muito correcto o que dizes sobre a escola antiga de dirigentes. Mas é bom recordar que nem sempre tiveram os melhores resultados. A ideia de Rui Costa surge mais por ser ele um elemento de quem não duvidamos ser benfiquista e que, ao longo dos últimos anos, tem ganho experiência no cargo - embora não este, que lhe atribuo. Se houvesse uma solução com outro tipo de experiência, escolhê-la-ia mas ela simplesmente não existe ou então sou eu que não estou a ver.

Gosto da tua estrutura e acho que se encaixaria bem como uma área dentro da área do "Futebol". A chamada de "históricos" para o seio do clube parece-me essencial e, desde que tivessem a competência adequada para as funções, seria uma boa forma de reclamar o benfiquismo que todos pedimos para o clube.

O Presidente obviamente tem de se relacionar com todas as sub-estruturas, embora elas sejam, como escrevo, autónomas. Não faria sentido nenhum o Presidente ser apenas um boneco, não é isso que pretendo, mas também preferiria enveredar por uma abordagem diferente à existente: só faz sentido ter um Presidente responsável pelo futebol se ele perceber efectivamente da coisa e mesmo nesse caso terá de haver delegação de tarefas. O Presidente que defendo é um homem conhecedor, a fundo, do futebol; ainda assim, espero, caso ele aceite candidatar-se, que saiba definir bem as zonas que controla e as em que delega. É essencial evitar "Presidentes presidencialistas".

Se puderes, dá-te ao trabalho. Acho que tens um bom contributo a dar.

Hanzo, é só um perfil. A minha escolha recaiu mais no facto de eu lhe reconhecer competência na área e, claro, benfiquismo. E uma pessoa que trabalha mais na sombra. Nem por sombras, como já li, ser um candidato à Presidência. Mas como Gestor Financeiro parece-me uma pessoa acertada para o cargo.

Esclarece lá isso melhor de ter sido ele o responsável por Vale e Azevedo ter entrado no clube. Não me lembro disso. Menos ainda dos tempos de Jorge Brito. E, se puderes, atira o nome ou o perfil da pessoa que gostarias que ocupasse o cargo.

Ricardo disse...

José,

Primeiro ponto: não me interessam os outros clubes, interessa-me o Benfica. Mas, se queres por aí, é lógico que há clubes em que nem todos os dirigentes são associados mas isso faz-nos querer ser iguais a eles? E há um clube, por sinal o que domina o futebol português (dentro e fora das quatro linhas) que muito dificilmente teria o lodaçal que nós temos. Não quero seguir nenhum exemplo exterior, falo apenas de factos. Aliás, além de tudo o resto que é podre no Porto, se há coisa que vale a pena observar com atenção é a capacidade para se manterem fiéis num certo portismo. Dir-me-ão: mas eles são um clube de bairro. E nós, sendo mundiais, não? Somos e espero que seremos sempre, em termos de organização, um clube de bairro. O bairro de querer gente da nossa perto de nós.

Segundo: o que disse foi que gente que não torce pelo Benfica, mesmo que se diga benfiquista, não o é. Faz-te algum sentido querer que o Benfica não vá a uma final europeia, seja por que motivo for? A mim, não.

Não me viste se calhar porque não me lês há muito tempo. E não é caça às bruxas, é atirar umas verdades, acho que óbvias, para um texto. Se tiveres paciência, vai atrás, à fundação do blogue, 2008, parece-me. Agora... eu não faço da crítica uma bandeira. Não tenho nada contra Vieira-homem, tenho contra Vieira-Presidente. É só isso que me interessa e que parece ser facilmente confundível pelas pessoas. Acho-o incompetente para presidir o Benfica, e é só. Além do mais, a crítica agudizou-se por um motivo, que acho que é legítimo: após a excelente época de 2009/2010, quando se esperava que finalmente entendessem no Benfica que o caminho passado estava errado, voltou-se a cometer o mesmo pecadilho da soberba e megalomania (que o Presidente, ainda há pouco tempo, veio admitir). Ora, isto é capaz de ser uma razão plausível para nos chatearmos um bocadinho. Mais: a minha crítica, justa ou injusta, é dada no tempo em que as coisas acontecem. Fácil é falar depois, com paninhos quentes ou em chamas; mais complexo é falar nas coisas quando elas acontecem e antecipar cenários. Aqui sempre o fizemos, antecipar cenários, umas vezes erradamente, outras acertando e sem modéstias normalmente acertando. O que nos leva à questão principal: se uns imbecis como nós acertamos, por que razão não se acerta no Benfica? Fica no ar.

Contributo inestimável ao Benfica deram muito poucos, José, não é por aí que pretendo ir. Aceito a crítica a terem sido banais as ideias. E concordo com ela. São, de facto, banais. E, no entanto, as ideias que este post dá não são minimamente corroboradas por quem gere o Benfica.

E desonestidade intelectual é dizeres que coloco o acento tónico nos nomes, quando, lendo o texto (leste, ao menos?), se compreende que os nomes são secundários. Ah... é o negrito e underline? É só uma questão estética, José. Como o equipamento alternativo. Dourado e preto. Cores à Benfica!!!

Alonga-te mais, por favor. É que, em vez de ideias, não deste nada. E é isso que se pretende: dar ideias. Ninguém tem a verdade no umbigo. Mas ao menos há quem vá falando nas coisas e criando formas de se discutir o Benfica para além dos lugares-comuns. Seremos também nós ideias banais? Talvez, mas com vontade de debate sério. Até agora, nada disso fizeste. E tens capacidade para fazê-lo.

José Vieira disse...

Ricardo, confesso não perceber o (des)propósito do teu primeiro ponto pois também a mim só me interessa o Benfica.

"Faz-te algum sentido querer que o Benfica não vá a uma final europeia, seja por que motivo for? A mim, não".
A mim também não. No entanto, neste particular, o que teria a dizer o tal de Ricardo Lemos, o tal que será benfiquista e que, muito provavelmente na sua então qualidade de director de comunicação(?) do braguinha estaria a torcer pelo...?! Dilema: se torcia pelo glorioso é mau profissional, se torcia pelo arsenal minhoto é, no teu entender, um benfiquista que não é benfiquista. Não faço (porque entendo que não devo) fazer esse julgamento.
Aquilo que pretendo defender é, tão-somente, o primado da competência sobre o benfiquismo.
Daí que fosse curial, quando falasses em gestão financeira, dizeres o porquê de quereres substituir D.S.O. por B.F..Onde errou o primeiro?
Se não o souberes justificar é óbvio que empreendeste uma caça às bruxas e nem me interessa saber o que poderás ter afirmado em 2008, ano de insucesso desportivo, mas antes o que, a este proósito, afirmaste em época de conquista do campeonato. E é aqui que divergimos pois fui dos que critiquei D.S.O. e o próprio J.J. (não neste blog, é certo) em tempo de "vacas gordas" mas nunca usei como argumento o "sportinguismo" de ambos!!

Por último, Ricardo, estou perfeitamente ciente das minhas capacidades e, mais importante ainda, das minhas limitações.
As minhas capacidades permitir-me-iam alongar um pouco mais sobre este assunto. O problema é que um debate sério implica, forçosamente, conhecimentos das matérias em discussão e, a julgar pelo teu post e posteriores comentários, denotas muito voluntarismo mas uma certa, digamos, impreparação.
Fiquemo-nos, pois, pelo registo habitual: o futebol jogado dentro das quatro linhas.

Ricardo disse...

Já se percebeu que o que te interessa é criticar o texto, sem dares nada em troca. Isso e defender o homónimo o melhor que podes.

É fraquinho, José. Volta quando puderes contribuir com qualquer coisa.

MightyDuck disse...

Olá Ricardo,

sou leito assiduo do teu blog e gosto bastante de o ler. Já à algum tempo que o sigo e até agora nunca tinha comentado.

No entanto parece-me que o tema em questão é da maior importância para o clube, só estranho é como é que num post destes quase não temos mais e melhores comentários (pelo menos mais construtivos).

Analisado o teu post, tenho que assumir que não posso contribuir grande coisa no primeiro ponto, não tenho conhecimentos de finanças/contabilidade/gestão suficientes para discutir estratégias de um "monstro" deste tamanho, agora tenho é a certeza de que existem MESMO muitos benfiquistas que não fariam pior.

No futebol, o nome do Rui Costa é ponto assente que deverá constar, ainda tenho algumas dúvidas que tenha estofo e conhecimento para ser o líder de uma estrutura desta dimensão, contudo não tenho dúvidas nenhumas que ele pelo conhecimento que tem do mundo do futebol e o reconhecimento mundial que tem pode e deve ser uma peça chave no futebol.

Para mim, essa "teoria" do modelo de jogo só peca por tardia e é notório que só se pode andar a brincar aos clubes de futebol quando isso nunca foi definido. Pelo que sei o Carraça quando esteve a primeira vez no Benfica tentou implementar essa fórmula, agora não sei como correu. No entanto o que não faz qualquer sentido num clube que ainda assim tem tantos custos com a Formação e com o centro de estágios não conseguir formar e/ou aproveitar nenhum talento, isso é um indicador gravíssimo do estado da formação.

Neste momento não tenho muito mais tempo para continuar a explicar algumas das minhas ideias/sugestões no entanto gostaria apenas de lançar um nome que em tempos tentou concorrer para presidente do Benfica e que na minha opinião nunca o quisemos aproveitar: Luis Tadeu.

Parece-me um nome a considerar numa estrutura benfiquista, é um homem que não procura protagonismo mas tenho-o como um grande profissional.

Quando puder volto para continuar a discussão ;)

Cumpts,
JT

José Vieira disse...

Ricardo, se procuravas uma saída airosa não conseguiste melhor do que uma saída à Rui Moreira. É triste.
Como se isso não bastasse, não te coibiste de, veladamente, me atribuíres o intuito de defender (?!) LFV. Lamentável.
Bem sei que neste particular não consigo atingir a tua elevação e acutilância e fico-me pela mera constatação de que o actual presidente não tem capacidade/competência para dirigir os nossos destinos. É um contributo fraquinho, reconheço.
Voltarei se e quando conseguir chamá-lo(s) de jagunço(s) e filho(s) da puta. (Ah, valente!).

P.S.: Continuas a trilhar o percurso inverso: o anti-LFV (prefiro as siglas ao nome, para que não faças novamente confusão).
Ainda te vou ver a fazer parte de um qualquer movimento...
(Para quando a procura de um caminho alternativo ao actual?!)

Ricardo disse...

MightyDuck,

Não estranho a pouca participação, temos exemplos claros do passado que a abordagem de temas mais extensos e profundos não são geralmente alvos de opinião por parte de quem aqui vem. Um exemplo claro tem sido a participação do Armando, que tem trazido bons pontos de partida para a discussão sobre de onde começou a heactombe em termos presidenciais e que quase não tem sido comentado.
Enfim, seria interessante termos mais pontos de vista e participações que viessem trazer ideias a esta ideia em vez de comentários que não versam sobre o tema e só vêm criticar o que se escreve mas o essencial é escrevermos sobre o que pensamos. O resto, o que vier, será positivo.

A única dúvida que tenho em relação a Luís Tadeu, concordando de resto com o que pensas dele, é se não estará demasiadamente "queimado" pelas aparições anteriores. Mas, sim, parece-me um benfiquista competente que poderia ajudar o Benfica a encontrar uma equipa de qualidade.

Abraço.

Hattori Hanzo disse...

Pelo que me lembro foi Bagão Felix que na direcção de Jorge de Brito se demitiu criticando tudo ligado a le e provocando a queda deste e consoante novas eleições que colocaram vale e azevedo com presidente. No entanto nessa altura após a demissão optou por se afastar um pouco e não esteve ao lado de Tadeu que também criticara mas colocara novas propostas para o clube. Quanto a nomes também não te sei dizer muitas pessoas. Talvez o próprio Tadeu como falado anteriormente ou o Manuel Boto, mas ambos estão queimados e não se se meteriam neste momento em algo ligado ao clube.

Miguel A. disse...

Olá Ricardo, o meu comentário já vai com atraso...

Bom, eu de finanças e gestão nada percebo, mas parece-me evidente que é uma área crucial. Um clube sem saúde financeira dificilmente poderá ter saúde desportiva, conquistar títulos desportivos com regularidade. E parece-me que o passivo nas contas do Benfica é preocupante.

Creio não ser impossível que para Vice-Presidente dessa área pudesse estar alguém com competência e que sentisse o Benfica como nós, sócios e adeptos, sentimos. Alguém que pusesse o Benfica acima de tudo, ainda que sem romantismos (são por vezes perigosos), mas com a intenção de servir o clube. Uma pessoa com sólidos conhecimentos de finanças e gestão, que soubesse identificar os erros que se têm cometido e implementar um modelo de gestão coerente para a dimensão do Benfica. É vago aquilo que escrevi? Acredito que sim, como disse sou um leigo na matéria, mas penso apenas que um clube como o Benfica pode e deve ter uma gestão financeira muito mais equilibrada, que apresente resultados positivos.

Quanto a nomes, Bagão Félix e Luís Tadeu são pessoas de grande competência, tal como Manuel Boto.

Cumprimentos.