quinta-feira, 5 de abril de 2012

Uma vitória moral para uma futura vitória real

A vitória moral. A história do Benfica não é feita de suposições ou possíveis vitórias se não fosse isto ou aquilo. Vários são os exemplos do nosso passado que nos demonstram que muitas vezes contra vários elementos a desfavor o Benfica saiu dos jogos com vitórias - não morais, reais. Ontem não foi o caso. Perdemos o jogo e a eliminatória por vários factores e nem todos exteriores a nós. A sopa com que se fez a eliminação de ontem pode resumir-se a 3 razões principais: arbitragens (nos dois jogos) prejudiciais; mau planeamento da época; mau trabalho na preparação mental dos jogadores.

Arbitragens prejudiciais. Nos dois jogos o Benfica foi claramente prejudicado. Ontem, ao contrário da opinião generalizada que tenho lido por aí, nem sequer me parece que seja pelos motivos mais óbvios - tanto o penálti como a expulsão, apesar de deixarem lugar para a polémica, são aceitáveis e, na minha opinião, correctos. Pensemos, como exemplo, se os lances tivessem sido marcados a nosso favor - acho que todos concordaríamos com eles. No entanto, em tudo o resto, o senhor skomina inclinou o campo: critérios desiguais na amostragem dos amarelos (Mikel e Mata teriam de ter visto vermelho; um pelas faltas recorrentes, o outro pelos protestos que, no caso de Aimar e Maxi, resultaram em cartões) e nas faltas marcadas a favor de Chelsea (algunas inexistentes) e nas não marcadas a nosso favor (algumas em zonas perigosas). 

Na Luz, jogo que gerou menos indignação por parte dos nossos adeptos, é que me parece que ficou a maior parte do prejuízo. O penálti não marcado a nosso favor é crucial e podia ter-nos deixado com um resultado muito mais favorável para encararmos o jogo de ontem. No cômputo geral, fica seguramente a certeza de que, com arbitragens justas, o Benfica podia ter tido pelo menos a possibilidade de levar o jogo de ontem para prolongamento. 

 Mau planeamento da época. São vários os erros estratégicos cometidos por Jesus desde Agosto e sobre eles já nos referimos exaustivamente antes, durante e depois de eles ocorrerem. O facto de termos chegado ao jogo da primeira mão - no qual poderíamos ter feito um jogo muito mais intenso - completamente de rastos fisicamente, com opções discutíveis e outras inacreditáveis - Emerson, o titular indiscutível, é o responsável principal do golo do Chelsea na Luz, por exemplo - retirou-nos fulgor e potencial para passarmos a eliminatória. Tivesse o Benfica cumprido com a sua obrigação em Guimarães e Coimbra (jogos para os quais partiu com 5 pontos de vantagem no campeonato) e o jogo do Porto em casa teria servido não só para colocar uma pedra na questão do título como para ganhar espaço no sentido de encarar a Champions com outra liberdade e frescura. 

Não aconteceu, perdemos 10 pontos e o Chelsea apareceu-nos a meio de uma grande confusão de prioridades, não sabendo Jesus de qual competição abdicar - o tal "limite do risco" surgiu e Jesus não quis, bem, abdicar de nenhuma. Só que, claro, com consequências. A de ontem foi a de sermos eliminados. Também pela pouca frescura que demonstrámos na Luz e pelas opções risíveis que tivemos para o jogo de ontem. Que tenha corrido bem ou mais ou menos a algumas adaptações não iliba Jesus do princípio errado com que planeou a época. Pelo menos aqui e para mim. Acredito que muita gente verá na necessidade de utilizar Javi e Emerson a centrais ou Witsel a lateral-direito como algo já perfeitamente planeado e pensado pelo nosso mister. Mas aqui não tratamos de questões psiquiátricas, como deverão entender.

Mau trabalho na preparação mental dos jogadores. É algo para o qual temos ao longo da época feito referência. Em jogos cruciais, os jogadores do Benfica não têm tido um acompanhamento mental e estratégico adequado ao momento das competições e à importância dos jogos. Aimar tem um recorrente comportamento em campo que não se percebe, tendo em conta a noção de que em Portugal os árbitros facilmente distribuem cartões por tudo e por nada e na Europa pela força que as equipas dos principais campeonatos exercem sobre as arbitragens. Receber cartões amarelos por andar constantemente atrás dos árbitros a gesticular é estúpido e devia haver quem no Benfica explicasse isso aos jogadores. Igualmente para Maxi, que demonstrou muito pouca inteligência no lance da expulsão. Um jogo crucial com o Benfica a conseguir trocar a bola e a criar algum perigo junto da área do Chelsea não pode ter um dos nossos a entrar daquela maneira. Com isso Maxi resolveu mais um bocadinho da eliminatória - expulsou-se, deixou-nos com 10 e atirou o jogo e a passagem às meias-finais para o domínio do milagre. Ele podia ter de facto ocorrido mas isso não iliba Maxi do mal monumental que criou à equipa. Pelo menos aqui não iliba, que não tratamos de questões psiquiátricas, naturalmente. 

O jogo. As emoções no futebol levam-nos a uma visão parcial das coisas. O jogo de ontem é um excelente exemplo: acabado, a sensação com que todos ficámos foi de um Benfica de grande nível, de uma enorme exibição e de muito azar (tanto com o árbitro como com as ocasiões de golo desperdiçadas). No entanto, o jogo de ontem tem muito mais para contar. Desde logo, a forma como o Chelsea o encarou. O domínio do Benfica na primeira parte, apesar de ter mérito dos nossos jogadores, deveu-se fundamentalmente à estratégia que os ingleses levavam: baixar as linhas, dar-nos bola, promover o erro e depois soltar contra-ataques para as costas da nossa defesa (no fundo o que qualquer treinador minimamente inteligente fará contra a equipa do Benfica). Não surtiu de imediato os efeitos desejados porque o Benfica conservava bem a posse de bola - isto de ter 3 médios é uma coisa boa, não é? -, o Chelsea não arriscava muito e, quando conseguia ter bola, não soube dar uma boa sequência aos espaços que o Benfica deixava atrás - um pouco como o Braga na Luz, mas menos, visto que o Braga teve oportunidades em catadupa de 4 para 2 e 5 para 3 no nosso meio-campo - isto de ter 2 médios é uma coisa má, não é?

No entanto, aquilo que o Chelsea procurava, aconteceu: erro defensivo do Benfica. Bola metida nas costas do Maxi, zona entre o lateral e o central e falta de Javi para penálti. Golo do Chelsea e ainda mais razões para se resguardarem. O que mudou a partir desse momento foi a expulsão do uruguaio, que fez com que o Chelsea encarasse a segunda parte com uma atitude ofensiva que não teria se tivesse ficado a jogar contra 11. E é aqui que aparece mais uma extraordinária organização da época: sem Maxi, o Benfica não tem lateral-direito (nunca teve, uma época inteira!). O que faz Jesus? Retira-nos do meio-campo o nosso único médio de posse e transição e mete-o a fechar a lateral. Com os resultados que se conhecem: o Chelsea ganha o meio-campo, a equipa do Benfica parte-se e surgem 4 evidentes oportunidades de golo, uma delas escandalosa, pelo lado direito da nossa defesa, onde o coitado do Witsel ia fazendo o que podia. 

O Chelsea não marcou e Jesus mexeu bem. Retirou Cardozo - que não servia para o que pretendíamos - e Gaitán - já a pensar em Alvalade - e meteu dois homens que queimassem linhas, que forçassem a pressão e ao mesmo tempo chegassem rapidamente a zonas ofensivas. Nelson Oliveira e Djaló (que demonstrou ser uma boa opção para certos jogos) mudaram o jogo na frente mas foi na alma e num espírito, este sim: à BENFICA!, de toda a equipa que o jogo mudou. O Chelsea recuou, o Benfica ganhou o miolo (Matic, fabuloso, controlava todo o meio-campo e um Aimar a grande nível na segunda parte), abriu bem as alas e criou um futebol de grande qualidade - houve momentos de trocas de passes consecutivos e de primeira do melhor perfume que vimos esta época. As oportunidades surgiram, infelizmente não marcámos logo. Quando marcámos, o fim estava perto e o Chelsea temeu pela eliminatória. 

O Benfica já não conseguia muito mais porque as linhas inglesas estavam quase todas fechadas - não estiveram no lance do Nelson, que podia ter metido no Djaló, o que revela ainda um jogador com muitas dificuldades ao nível da decisão final - mas um portento físico e de uma qualidade e talento que no futuro nos darão muitas alegrias. O Benfica carregava, os jogadores pediam Artur na área adversária, o sonho estava ali, quase tangível mas não deu. Foi quase. É o limite do risco: pode dar ou não. Com outra organização, outro planeamento, outra estratégia desde Agosto, este Chelsea seria devorado pelo Benfica. Porque Jesus tem razão: somos mais equipa. E ontem juntámos-lhe um pozinho de uma coisa que não se via há muito: ontem fomos Benfica. 

O futuro. O jogo de ontem deixa-nos na dúvida: houve Benfica e superação porque ainda temos fisicamente algo a dar ou foi por ser um jogo da Champions? É evidente que os níveis físicos não são os melhores, as lacunas na equipa demasiado óbvias (Capdevila uma época inteira no banco porquê, meu Santo Eusébio?), mas ontem, com aquela atitude, aquela disponibilidade, aquela alma, ficámos todos com o coração mais cheio e mais confiante. Será este Benfica que veremos em Alvalade? Se sim, muito dificilmente perderemos pontos. Se for o Benfica que temos tido desde Janeiro, muito dificilmente não os perderemos. O que me parece quase definitivo é isto: a equipa, das três que lutam pelo título, que sair na liderança no final da próxima jornada, terá uma estrada aberta para ganhar o campeonato. Façamos a nossa parte, sejamos Benfica na Segunda-feira. E deixemos os outros devorarem-se loucamente entre eles.

18 comentários:

zzay disse...

Grande análise Ricardo. Acho que te esqueceste só de falar da dupla de centrais... Não concordo com a má preparação mental senão não davamos a volta a tantos golos sofridos na primeira parte. Acho que é mesmo indisciplina parva. Em Portugal e na Europa, com excepção da Inglaterra os jogadores discutem sempre as faltas o que é inadmissível. Nunca se viu um arbitro mudar de opinião por um jogador reclamar. Deixo este link que é bem exemplificativo do que estou a dizer http://youtu.be/5YUF9LSXAkY

Ricardo disse...

zzay, não falei de muita coisa. Dos centrais não falei porque não tinha nada de especial a dizer sobre eles. Javi é um médio defensivo, não é central; Emerson é um central medíocre, ainda assim bem melhor do que ser um péssimo lateral.

A preparação mental é tudo. Seja a capacidade de recuperar, sejam as desconcentrações em campo ou a indisciplina injustificada. No geral, acho-nos mal preparados. De uma forma amadora, até.

João Duarte disse...

De ontem só me apetece dizer...muita parra e..pouca uva.

Foi como qdo jogamos com a Juve, o Parma e o Milan (com o Artur Jorge).

Fizemos jogas do caraças (pensamos nós) mas os outros gajos é q passaram.

O jogo do Milan ficou-me particularmente marcado. Depois de um resultado negativo em San Siro, na Luz foi show atacante do Benfas. Ficou 0-0.

Ontem o treinador era... italiano.

Sim gostei de ver os jogadores a darem o seu melhor, mas suou sempre a injusto eles terem q correr assim. Quero dizer, se tivessemos a equipa em condições tinhamos dado bigodaça e iamos a Barcelona.

Reparem bem, para toda a defesa e meio campo temos apenas suplentes para os centrais e um para o meio campo. É curto, e foi por isso q tivemos q correr tanto. A prova disso é q no banco não havia opções para a defesa e o meio campo defensivo. (Luis Martins e Andre ALmeida não são opções de verdade).

Por fim, Vieira e JJ revelaram-se uns autenticos atrasados mentais ao atacar a UEFA. Nem o Mourinho com o Real Madrid por detrás lhes ganha.

Nos próximos anos vamos ter sempre um grupo jeitoso e umas arbitragens "disciplinadoras". Já a formiga tem catarro...

Idiotas, nem cá conseguem por na ordem o vitor pereira, a Liga ou a Federação e querem dar uma lição de mafiosice ao Platini.

POC disse...

Oh Ricardo...isto de fazeres posts com que grito nas rulotes tem de acabar.
Vieirista! Eu apanho-te!

Já cá cantam bilhetes para ir ao jogo contra o Barcelona do Campo Grande. Ou Botafogo do Lumiar.

Ulrich Haberland disse...

Discordamos claramente na questão Djaló mas espero ser eu a vir a dar o braço a torcer. No entanto, digo-o agora antes dos acontecimentos que venham a dar razão a um ou a outro, que os motivos que me levam a dizer que o Emerson não é jogador para o Benfica são os mesmos que uso para o dizer do Djaló, limitado técnica e taticamente e no entendimento do jogo.

Quanto ao resto, concordo no geral com a tua análise. Os erros estão todos identificados por ti. No entanto, continuo num conflito interno quanto ao JJ, porque se detesto a estupidez do homem na exaltação que faz de si próprio, adoro esta vertigem de futebol atacante e cheiro a etapas épicas.

Sei que isso nos custou, custa e custará caro em algumas circunstancias (como tu muito bem explicas no texto) mas tenho que admitir que me religa a algo que tinha ficado perdido no passado e que uma parte de mim tinha aceitado que não voltaria a viver. E reviver isso é... LINDO.

Enfim, é uma luta interna minha entre a razão e o coração e nenhum deles ainda ganhou.


P.S. - Abomino o futebol italiano. É para mim a antítese do futebol.

Ulrich Haberland disse...

Acrescento apenas o orgulho que sinto em ver aquele grupo de jogadores jogar como o fizeram na quarta. Não tenho mesmo palavras para lhes agradecer a raça, o querer, a paixão que deixaram naquele relvado com a nossa camisola vestida.

Mas também não consigo deixar de sentir que eles mereciam mais e melhor. Mereciam que os erros cometidos não o tivessem sido, no mínimo... (por todos, inclusive pelos árbitros)

Enfim, as minhas contradições interiores são grandes como se pode perceber.
Queria um JJ mais moderado e cerebral mas aí deixava de ser o JJ né?!... O que se perderia, o melhor ou apenas o pior do JJ no processo?... Vivo na dúvida insanável.

rui disse...

questao mental parece patetico...é insistir numa tecla que nao vejo mesmo onde querem chegar,estamos sempre a jogar em condiçoes adversas,contra 11 quando estamos 10,contra arbitragens,sobre pressao...e no entanto os jogadores nao baixam os braços e teem conseguido dar a volta

Hattori Hanzo disse...

É mesmo isso: É ficar contente e aplaudir os heróis de quarta pelas contrariedades que tiveram e mesmo assim estarem na luta até ao fim (do árbitro como tu dizes esteve bem nesses dois lances, mas teve uma dualidade de critérios gritante e o golo do Raul Meireles começa com um pé em riste do gajo sobre o Aimar), mas lembrar que os bifes podiam ter acabado a eliminatória muito mais cedo. É esperar é que o que se viu anteontem em termos de querer e atitude se veja também nos 7 jogos que ainda nos faltam.

bjorn disse...

"este Chelsea seria devorado pelo Benfica."
esta é a frase fundamental, e a que mais nos dói.

João Duarte, se falas do 0-3 da Juventus pá uefa, do parma depois do bayer e do milan 0-2 na champions, parecem-m 4 jogos completamente diferentes (se a memória que guardo da análise infantil que deles fiz não me atraiçoa), e o único que me parece comparável ao de ontem será o do parma.

João disse...

Vou fazer uma brever reflexão sobre aquilo que penso que tem influenciado mais a equipa do Benfica, o seu treinador!

Fiquei extremamente satisfeito com a contratação do JJ. Essencialmente porque é um treinador de ataque, porque pensa em vencer marcando muitos golos, porque gosta da vertigem do jogo "artístico".

Adorei a sua primeira época, o Benfica jogava um futebol verdadeiramente fabuloso. Ainda por cima, se for comparado com a época anterior do quique.. no fundo nem dá para tentar comparar.
Mas já nessa altura fiquei com a pulga atrás da orelha, devido ao final de época desgarrado que tivemos, com muitos jogadores "espremidos até ao tutano", com pouca ou nenhuma rotação. E pior, com o início das suas já famosas invenções (vide David Luiz a LE em Liverpool)..

No segundo ano, tudo correu mal. E correu dessa forma, muito por culpa do treinador! Porque teve péssimas escolhas, porque iniciou a época de uma forma tão sobranceira que nos fez perder o campeonato ainda antes de o seu inicio.
Depois, a meio da época houve uma fase em que a equipa recuperou mas, mais uma vez, acabou por ceder no final (no 1º ano não cedeu mas quase).

Este ano as coisas melhoraram significativamente. Muito por culpa de uma coisa que me pareceu evidente, e que foi: “O JJ aprendeu”. A equipa finalmente conseguia ser cerebral, ou seja, apesar de as exibições não serem tão vertiginosas e belas como no 1º ano, a equipa ganhava e conseguia demonstrar alguma segurança, mantendo um ritmo de jogo mais baixo, acelerando só quando fosse estritamente preciso.
Desta forma, conseguimos ter uma prestação muito positiva na Liga dos Campeões, e tivemos o campeonato ganho. E é quando temos tudo praticamente assegurado, que entra mais uma vez o modo “louco” do JJ. A equipa vai abaixo fisicamente, pouca ou nenhuma rotatividade, substituições completamente incompreensíveis (f.c.porcos), escolhas tácticas suicidas (vide Guimarães), etc etc.
Apesar de termos um plantel recheado de bons jogadores, inclusive, permitindo fazer uma rotação de alguns elementos nucleares (apesar da incrível pecha que existe para DD, já que não há ninguém que possa substituir Maxi, e daquilo que se passa no LE….)

Continua(...)

João disse...

Continuação(...)

Estas três épocas o que nos mostraram? Que temos em jj um bom treinador, um péssimo gestor humano, e para cúmulo dos cúmulos, um treinador arrogante, vaidoso e teimoso.
No futebol costuma-se dizer que “mais vale morrer com as nossas ideias, do que com as ideias dos outros”. JJ parece seguir isso à regra, mas sem se aperceber que a frase diz “morrer”… É bom treinador mas a sua arrogância de ser um “mestre da táctica” faz com que fique cego com as suas próprias capacidades (e que, reconheço, são muitas). Tal como o ano passado com o Roberto, este ano com o Emerson, o jj acha que faz de um cepo um craque (Coentrões não há muitos!!!!!!!), e não admite que pensem o contrário. Por isso há-de insistir com ele até ao fim. Nem que isso o condene. O Capdevilla está longe de ser o jogador que já foi, e de ser um craque, mas como se tem visto (à força, diga-se!!) é muito mais competente que o infeliz brasileiro. Emerson tem sido a vitima, este ano, da nula capacidade de jj em lidar com activos humanos.

Enfim, poderia apontar inúmeros erros de gestão, táctica e de recursos, ao jj mas não vale a pena (só refiro mais um, que me parece muiiiito importante: raramente ganhamos os jogos cruciais e de maior dificuldade..).
Dizem que não podemos tirar conclusões precipitadas, que não podemos andar ao sabor do vento. Mas nós somos adeptos, amantes, do Benfica. Claro que andamos ao sabor dos resultados, é isso que nos interessa. Temos de ser gratos às pessoas que nos ajudam, e o jj já nos ajudou bastante. Mas isso não quer dizer que temos de ser complacentes com tudo, a toda a hora. Perder este campeonato para um braga, ou para o f.c.porco “treinado” por V.Pereira(?!?!?!) é demasiado mau!!

Concluindo, há que agradecer tudo aquilo que nos deu (futebol de ataque, personalidade, golos, espectáculo, o campeonato de 2010) mas temos de ser verdadeiros e exigentes ao mesmo tempo. Para mim é simples (correndo o risco de ser esta uma conclusão precipitada, injusta e redutora): o Benfica ganha o campeonato, jj fica, se o Benfica não for campeão, é agradecer ao treinador os serviços prestados, e mandá-lo à sua vida.

E viva o Benfica!

Ricardo disse...

Nem mais, João Duarte. Acabei de fazer um post sobre isso.

POC, tu a beberes coca-cola não dás ideias a ninguém, pá.

Percebo o teu dilema, Ulricha. E também estou dentro dele.

Rui, podes discordar sem dizer "patético"? O blogue já só aceita registados, mas mesmo esses terão de discutir os assuntos civilizadamente. Caso contrário, vais com o patético para outro lado.

Boa análise, João. Concordo praticamente com tudo.

djeiti disse...

Não há vitórias morais, mas há momentos que deitam abaixo a moral e outros que mesmo não sendo positivos podem ser usados para esse fim.
É por exibições de Raça, Querer e Ambição que nós vamos a todo o lado acompanhar o Maior de Portugal! Orgulho em Ser Benfiquista!
Deixo a crónica de uma viagem a prometer mais, por ti, Benfica:
http://maiordeportugal.blogspot.pt/2012/04/apos-38h-benfica-o-maior-de-cabeca.html

Miguel A. disse...

Boa análise, Ricardo.

Quanto à eliminatória com o Chelsea, também acho que a arbitragem da primeira mão foi determinante. Uma falta tão evidente como a que o Terry cometeu, a poucos metros do árbitro e a menos metros ainda do árbitro da linha de fundo, ou lá como se chama, foi por ambos descortinada, como é evidente. Mas tal como muitos de nós já havíamos dito, a UEFA estava com pressa em pôr o clube do russo nas meias-finais. Portanto, não me admira as duas arbitragens. O que lamento é que o carácter e o espírito de sacrifício que Benfica demonstrou em Londres tenha sido insuficiente para passar a eliminatória. Porque realmente quem joga assim, nestas condições, com um jogador a menos e contra uma arbitragem tendenciosa, não merecia este desfecho. E porque este Chelsea nunca nos foi superior. Talvez - talvez - sem aquela ponta de egoísmo do Nelson a reviravolta tivesse sido possível, mas nunca saberemos se o Cech teria defendido o hipotético remate do Djaló. Isto é especulação, e não vale a pena entrar por aí. Aquilo que me doeu neste jogo foi perder depois de tamanha demonstração de futebol colectivo, de espírito de sacrifício e de entreajuda. Jogámos à Benfica, tal como, em minha opinião, o fizemos contra o Braga, que outra coisa não quis senão tentar conservar o empate. Soubemos acreditar até ao fim, e tivemos muito mérito na vitória. Isto apesar de a equipa estar fisicamente esgotada.

Estes dois últimos jogos dão-me ânimo para o que se segue na segunda-feira. Mas não tenhamos ilusões: vai ser tremendamente difícil. É necessário que haja outra vez um grande Benfica.
E embora alguns jogadores com muita maturidade e importantes para o equilíbrio emocional dos mais jovens estejam afastados deste jogo, casos do Luisão, Aimar e até mesmo Garay, parece-me que todos têm a noção que vai ser necessário ter-se muita cabeça fria, e muito, muito empenho na forma de abordar o jogo. Não sei bem se este jogo será decisivo e que a equipa que ficar na frente após esta jornada tenha tudo para ser campeã. Há ainda jogos importantes mais à frente. Mas que vai ser muito importante, vai. E tenho esperança, e acredito, que a nossa equipa entre consciente disso mesmo, concentrada e lutadora.

o Luisão deve estar ausente, e isso é, a meu ver, uma baixa muito grande,porque para o lugar do Aimar pode sempre arranjar-se uma alternativa (não com tanta qualidade, claro, mas ainda assim há um ou dois jogadores que podem fazer a posição dele - Gaitán seria uma boa escolha), mas a presença do Luisão é fulcral na defesa. Só um Benfica que se transcenda poderá ganhar em Alvalade. Se for um Benfica mais ou menos, ou razoável, etc., não vai chegar, nem pouco mais ou menos. Acredito muito que os jogadores vão dar tudo em campo, e saber jogar com frieza e com alma ao mesmo tempo, embora isto possa parecer antagónico, mas acho que se pode compreender aquilo que quero dizer. É um equilíbrio muito difícil de alcançar, sobretudo nesta fase da época e com os problemas físicos que sabemos existirem, mas só assim será possível vencer. E pronto, também acredito que o JJ vai estar igualmente bem quando for preciso mexer na equipa.Como viste, crença não me falta :-) (Embora a situação para segunda-feira não seja a mesma, claro, recorro ao título do teu post antes do jogo com o Chelsea para justificar o meu optimismo...)

Queria que os jogadores fossem bravos, enormes, em crença e espírito de sacrifício. Que em cada um deles houvesse o Matic de Londres, o Luisão, o Maxi e o Javi de sempre, e o Aimar dos momentos geniais. Ajudava tanto, porra.

Abraço

POC disse...

Ricardo, agora desarmaste-me. É óbvio que sem álcool não dá para argumentar.
De qualquer forma vou substituir a Coca-Cola por água. Preciso reduzir nos açucares.

T disse...

Com tantas críticas que fazes, é certo que acertas em alguns pontos críticos inquestionáveis.

Mas tb te digo que exageras e muito nas críticas. Criticas como se o treinador fosse uma merda e como se a equipa uma merda fosse.

O Benfica é de longe a equipa que melhor futebol joga em Portugal. Incomparável a qualidade das jogadas, o futebol de tabelas em progressão que só o Benfica consegue fazer com tanta beleza. Nem FCP nem Braga chegam sequer perto.
Na Europa, o Benfica esteve quase sempre bem, muito mais vezes bem que mal.

Dá gosto ver o Benfica, e por isso considero que, embora tenhas alguma razão nas críticas que fazes, te esqueces que no geral este Benfica merece muito ser também elogiado.
Falas de Guimarães e da Académica, com razão, mas por outro lado te pergunto: qual é a equipa que numa época não passa por maus jogos e por momentos difíceis? Nenhuma, nem cá, nem lá fora. A diferença é que na hora da verdade não surgem aqueles penalties habilidosos que são marcados a favor do Porto, ou faltas à entrada da área, ou foras-de-jogo assinalados contra a equipa adversária que fazem com que o Porto esteja sempre protegido de perigos.
O Benfica nos 4 ou 5 jogos maus que teve, foi prejudicado pela arbitragem, em vez de ser beneficiado. Isso faz toda a diferença.
Claro que o treinador e o presidente podem ser criticados. Mas é preciso sempre lembrar que dias maus todos têm, só que Porto e Braga levam ajudas que nós não levamos (nem queremos).

O Jesus é teimoso como um raio, verdade. O Cap devia ser titularíssimo, verdade. Jogar com 2 médios às vezes é fatal, verdade. Mas e jogar com 3 médios, tb não pode ser? Quando o Benfica jogava com 3 médios e 1 avançado, criticava-se por ser pouco ofensivo. Agora critica-se que jogue com 2 avançados.
Mas será que se jogasse sempre com 3 médios conseguia evitar contra-ataques do Paços de Ferreira, ou golos de ressalto do Guimarães? Ou golos em fora de jogo do Porto nos últimos minutos?
Será que se jogasse com 3 médios teria evitado que o James marcasse o 2 a 2?
Eu duvido. Porque a menos que ataque sempre só com 3 ou 4, o normal é que fiquem 5 a defender, e outros 5 a atacar.
O problema do golo do James não foi serem poucos a defender, mas sim terem defendido mal. O garoto devia ter sofrido falta logo a meio do meio campo, antes de se chegar perto. E para isso, chegavam perfeitamente os 5 gajos que lá estavam.
Contra o Chelsea na Luz, o Benfica sofreu um golo em que: o Rodrigo fez um passe disparatado sem nexo, a bola sobra para o Ramires que passa pelo Emerson. O Emerson devia logo ter feito falta, mas não fez. Depois a bola segue para o Torres, e o Jardel devia ter feito falta e não fez.
Pois, assim fica difícil.
Mas não concordo que seja por ter 3 médios ou 2 ou 1.

Além disso, qual é a equipa e o sistema que não tem fragilidades? Que não sofre contra-ataques? Que não é apanhada desprevenida?
Fácil é quando o árbitro assinala fora-de-jogo em jogadas limpas a beneficiar o FCP.

O Jesus é teimoso, às vezes falha substituições, ou mesmo o escalonamento inicial. MAs e que treinador o substituiria melhor? Peseiro, Jardim, Eriksson? Que garantias temos?
O Jesus pôs o Benfica a jogar o melhor futebol dos últimos 15 anos, pelo menos. Mesmo o ano passado, com Jaras e outros coxos, jogámos um futebol razoável.
O FCP foi ajudado desde o início e dps ganhou confiança e embalou para uma época em que tudo correu bem, e em que qd não corria bem lá havia uma ajuda cirúrgica. Lembraste do jogo FCP-Setúbal em que ao minuto 90 é marcado penalty a favor do setúbal, qd estava 2-1. O jogador do setubal marca o penalty, ficaria 2a2 já a acabar. Mas o árbitro anulou o penalty, mandou repetir pq supostamente os jogadores tinham arrancado cedo demais para a bola!!!!!.... e pois, na repetição do penalty o jogador falhou e o resultado ficou 2 a 1.
Esse, como outros exemplos, espelham como é que uns são ajudados nos dias maus. Porque todos têm dias maus, todos!

T disse...

Eu reconheço razões nas tuas críticas ao Jesus. Preferia o Guardiola ou o Mourinho. Mas à falta de melhor, mil vezes o Jesus aos outros que referes.
E ao contrário do que tb já li ctg, o Jesus tem evoluído, tem aprendido. Só que tem um estilo próprio.
Vai ganhar muitas vezes, perder outras.
Se os jogos fossem limpos, ganharia mt mais do que perderia. Assim não sei.
Mas o Jesus é mt melhor do que Domingos, Pedro Emanuel, Jardim, Peseiro, e outros que tais.

Qt às críticas que fazes ao LFV, tb concordo.
Mas será que ele podia optar por lutar contra tudo e todos ao mesmo tempo? Seria que se podia ter oposto ao Fernando Gomes para a Federação. Será que isso não faria com que todos, Sporting, Porto, Braga e pequenos, se virassem contra o Benfica? Achas que todos contra o Benfica resulta em boa coisa? Não me parece.
Dá_me a impressão que neste meio porco é essencial fazer algum jogo rasteiro, estratégico, de associar forças com outros, de retirar forças ao Porto, de valorizar a importância do Benfica sem lutar contra tudo e todos ao mesmo tempo, mesmo que isso implique o relacionamento com alguns mafiosos que por aí andam.
Lutar contra todos seria suicídio.
Será que o LFV faz isso só para manter as suas negociatas? Ou será que ele percebeu, ao fim destes anos, que tb tem de haver alguma diplomacia cínica.
Será que ele não pressiona pela calada em vez de usar os media?
E será que é fácil desmontar uma máfia com 30 anos, em que árbitros, observadores, dirigentes de clubes, treinadores de clubes, jogadores, etc, estão todos subservientes? Será que existe alguma estratégia mais eficiente?

Com isto tudo, o que quero dizer é que concordo com mtas críticas que fazes, mas não concordo que não valorizes o que de muito bom o Jesus e o LFV têm conseguido.
E que, mesmo que nos irrite, não é fácil lidar com tanta merda que por aí anda.

JC disse...

Há que reconhecer o enorme esforço da equipa no jogo com o Chelsea. Dentro das limitações enormes com que entrou em campo e com as adversidades que se lhe depararam durante o jogo, podemos e devemos estar orgulhoso dela.

Mas, é como tu dizes: é bom lembrar que perdemos, que isto de transformar derrotas em grandes vitórias morais é trademark dos nossos vizinhos e nós não queremos que eles nos processem por isso.

Ainda relativamente à enorme atitude dos nossos jogadores contra o Chelsea, e embora possamos ter ganho capacidade anímica, tenho algumas reservas sobre o que aquele esforço possa representar em termos de quebra física para 2ª feira.

Quanto ao resto, é o que tens vindo a dizer desde o início da época. O diagnóstico está feito há muito tempo e é grave. Mas o doente não quer medicação e insiste nas mezinhas caseiras.