sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Quebrar a maldição


É porventura uma das épocas mais decisivas da história recente do Benfica. É uma época cheia de oportunidades e ameaças e portanto convém perceber o que está para vir.

O modelo de gestão do Benfica pressupõe a venda de activos importantes no final de cada época desportiva para equilibrar as contas. Basta ver o gráfico presente na Bola, o qual nem inclui a venda do David Luiz, o que aumentaria as vendas de 2011 para 64,9 milhões de euros para percebermos o quão importante é esta parcela nas receitas da Benfica SAD.




A verdade é que estes são os valores brutos, pois temos que contar com o valor de aquisição dos passes, os custos com o fundo de solidariedade da UEFA e outros encargos. No entanto este talvez venha a ser um modelo com o futuro em risco.

A aplicação do fair-play financeiro, segundo a UEFA, já teve consequências no mercado de Inverno deste ano, já o número de transferências baixou 20% face ao mesmo período dos quatro anos anteriores, ou seja, entre 2008 e 2011. Além disso a UEFA prometeu dar a conhecer em breve os nomes dos clubes cujas contas são duvidosas e por isso não lhes paga já os dinheiros das participações nas provas da UEFA. Os clubes têm até 30 de Setembro para esclarecer as dúvidas à contabilidade criativa que têm apresentado e que têm os encaixes financeiros congelados.

As mega-transferências que aconteceram este ano já foram substancialmente menores que nos anos anteriores e para os clubes beneficiarem das verbas distribuídas pela UEFA terão que cumprir com as regras do fair-play financeiro. Isto quer dizer, que os clubes terão que encontrar outras fontes de receitas para complementar a futura queda de receitas com origem na alienação dos passes.

A Benfica SAD tem apresentado um crescimento constante de proveitos operacionais excluindo as transacções com atletas. Em 2010/11 os proveitos operacionais, excluindo transacções de atletas, ultrapassaram os 82 Milhões de Euros. Com base nos resultados apresentados nos 3 primeiros trimestres podemos antecipar que os proveitos operacionais, excluindo transacções de atletas na época 2011/12, podem variar entre os 87 e os 90 Milhões de Euros.

Porém a época 2012/13 tem várias ameaças que poderão fazer baixar este valor:

- O Benfica não disputou nem a 3.ª Pré-eliminatória nem o Play-off de acesso à UEFA Champions League, pelo que tanto o prémio da UEFA como a receita de bilheteira serão inferiores, excepto se o Benfica ultrapassar os Quartos-de-final da UEFA Champions League.

- O Market-pool da UEFA Champions League será a dividir por 3 equipas (Benfica, Porto e Braga) e não por 2 (Benfica e Porto) como no ano passado.

- O aumento do preço dos Red Pass entre 15 e 20%, devido ao aumento da taxa do IVA sobre espectáculos desportivos, implicará uma natural redução do número de cativos vendidos, sem que isso seja contrabalançado para a Benfica SAD com o aumento dos preços unitários.

- O agravar das condições económicas do país com o aumento do desemprego e o continuar da aplicação das medidas de austeridade terá impacto nas receitas de bilheteira e de Corporate, visto que as empresas terão menos disponibilidade para investimentos em marketing, bem como nas receitas originadas pelo Merchandising.


Em termos de necessidades de tesouraria, a Benfica SAD terá que reembolsar 2 empréstimos obrigacionistas, em Dezembro 50 milhões de Euros da Benfica SAD 2012 e em Abril 40 milhões de Euros respeitantes à Benfica SAD 2013 sem contar os juros inerentes a estas operações. Não é previsível que a Benfica SAD tenha recursos para fazer esse reembolso, pelo que existirá uma operação de "revolving" dos financiamentos.

Obviamente que a Benfica SAD continuará a suportar os juros relativos ao total dos financiamentos obtidos, incluindo os empréstimos obrigacionistas, que durante a época de 2011/12 devem ter ascendido a cerca de 21 a 22 milhões de Euros, embora a este valor devam ser diminuídos os proveitos financeiros, cerca de 5 a 6 milhões de Euros.

A época de 2012/13 é a última época em que estará em vigor o contrato com a PPTV, Olivedesportos para os amigos, pelo qual o Benfica recebe 7,5 milhões de Euros por época.

Posto isto, penso que todos entenderão a presença na UEFA Champions League é fundamental para o equilíbrio económico-financeiro da Benfica SAD e consequentemente para que existam recursos disponíveis para investir na equipa de futebol. O Benfica recebeu 19,757 milhões de Euros em prémios da UEFA relativamente à presença nos quartos-de-final da Liga dos Campeões na época 2011/12 enquanto que o Sporting atingindo as meias-finais da Liga Europa apenas recebeu 4,319 milhões de Euros.

Partindo do pressuposto da qualificação do Benfica para a Liga dos Campeões 2013/14, existem todas as condições para que se invista na equipa com o objectivo de chegar à final e ganhar a Liga dos Campeões que será disputada no Estádio da Luz.

Em primeiro lugar, com as vendas de Javi Garcia e Alex Witsel a Benfica SAD terá alguma liquidez até o mercado voltar a abrir em Janeiro de 2013. Em minha opinião, essa liquidez deve ser utilizada para reduzir significativamente o(s) empréstimo(s) obrigacionista(s) anteriormente referido(s). A amortização de 25 a 30 milhões de euros permitiria que a uma taxa média de 6 a 8%, a Benfica SAD poupasse 1,5 a 2,4 milhões de Euros por ano. Além da diminuição sensível do passivo oneroso e do aumento dos capitais próprios, a Benfica SAD poderá renegociar os financiamentos e parar o crescente aumento dos spread que está a pagar pelos diferentes financiamentos devido à diminuição do risco o que se traduzirá pela diminuição dos encargos financeiros.

Consoante o desempenho da equipa de futebol até Janeiro, logo se avaliarão as necessidades de investimento em jogadores para a equipa titular devendo a abordagem ao mercado ser criteriosa. Após as eleições de Outubro, a Direcção eleita terá 4 anos para desempenhar a sua função pelo que tem toda a capacidade para negociar em posição de força os direitos de transmissão, em especial porque a Benfica SAD terá liquidez e não necessitará antecipar receitas, bem como estará a negociar os direitos quer da equipa A como da equipa B, ou seja 15 ou 17 jogos da primeira liga e 21 jogos da segunda liga.

Por outro lado, é provável que a abertura de capital da Sport tv mude o panorama nacional no que respeita ao mercado das transmissões televisivas. Relativamente às transmissões temos que considerar que já não estamos apenas a falar de transmissões para televisão, mas antes é uma questão de transmissão multi-plataformas. Devemos ainda considerar que os direitos de transmissão podem dizer respeito não só a Portugal como aos mercados estrangeiros, nomeadamente e numa primeira fase onde se encontram as comunidades portuguesas - Europa, Brasil, Angola, EUA e Canadá, etc.

No entanto o objectivo deverá ser atingir novos mercados, nomeadamente China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Rússia, EUA fora do âmbito das comunidades portuguesas. A melhor forma de ganhar notoriedade junto desses novos mercados é através de uma vitória na Liga dos Campeões.

Conforme referi, penso que será possível abordar a época 2013/14 com liquidez suficiente para investir no reforço qualitativo da equipa de futebol, incluindo equipa técnica, não só pela liquidez originada pelos negócios de Javi Garcia e Alex Witsel descontando os valores utilizados para a amortização dos empréstimos obrigacionistas, como também pelo enorme crescimento do valor das transmissões televisivas. Bem sei que não é unânime que o Benfica deva vender as transmissões em vez de as explorar directamente, mas a assinatura de um contrato de curta duração, por exemplo 3 a 4 anos, permitiria no mínimo triplicar as receitas, ou seja garantir um influxo adicional de pelo menos 15 milhões de euros.

Adicionalmente o Benfica deveria procurar reduzir significativamente o número de atletas sob contrato, em especial os que não terão capacidade evolutiva expectável para virem a fazer parte do plantel principal por forma a libertar recursos para investir em melhores atletas. A generalidade dos atletas que estão emprestados na América do Sul não conta para Jorge Jesus. Porém, eu defendo que visto que o contrato de Jesus chega ao fim, o mesmo não deverá ser renovado, dando lugar a outro técnico que possa levar o Benfica a novos patamares, pelo que deverá também passar pelo novo técnico a avaliação de todos os jogadores sob contrato.

Na minha opinião, Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira, para além de tudo o resto, têm em comum o facto de mostrarem serem  incapazes de levar o Benfica a um novo nível, pois desde o campeonato ganho em 2009/10 que o Benfica não mostra evolução sensível no futebol apesar do aumento significativo dos custos com o pessoal, em 2008/09 a Benfica SAD gastou 37 milhões de Euros, valor semelhante a 2009/10, enquanto que em 2011/12 deverá gastar entre 48 a 50 milhões de Euros, ou seja subiu cerca de 30 a 35%.

No final da época 2008/09 o Benfica tinha 47 atletas sob contrato e no final da época de 2010/2011 esse número já ascendia a 71 sendo que a 31 de Dezembro de 2011 o número voltara a subir para 78. Se em 2012/13 o Benfica passou a ter 2 equipas,a  principal e a B, então não existe justificação para que o número ultrapasse os 60 a 65 atletas, ou seja, devemos visar a redução de pelo menos 20 a 25% do número de atletas sob contrato.

Claro que é mais fácil dizer do que fazer, até porque os passes de vários dos atletas sob contrato que não interessam ao treinador Benfica foram alienados em parte ao Benfica Stars Fund e a rescisão de contratos pura e simples não é solução. Obviamente que também não será solução as situações actuais de Schaffer, Sidnei e Urreta que nem sequer foram inscritos. Dada a idade dos atletas, penso que a solução passaria em Janeiro pela tentativa de aproveitamento desportivo dos mesmos, uma integração no plantel tipo Júlio César, com vista a uma futura alienação ou o empréstimo a uma equipa de um país europeu mesmo que isso implique o  suportar de parte dos custos dos salários dos atletas.

Acima de tudo, penso que não faz sentido continuar a contratar atletas como Nuno Coelho, Michel ou mesmo Luisinho, além dos anteriormente referidos, que nem contam para o treinador apesar de este ter aprovado as suas contratações. Será que faz sentido contratar um atleta como Oblak que custou mais de 3 milhões de euros para fazer várias épocas emprestado a equipas de segunda linha porque se lhe reconhece valor, mas está tapado no Benfica e posteriormente despender mais 1 milhão de Euros em Mika e outro qualquer valor em Copetti, sendo que a probabilidade de qualquer um destes 3 jogadores chegar à titularidade na baliza do Benfica nos próximos anos é muito reduzida ?

Conforme expliquei num post anterior, acho que existe uma grande oportunidade de quebrarmos a maldição do Guttman. É óbvio que há riscos, mas há que reconhecer que há essa oportunidade. Pessoalmente não acredito que a dupla JJ-LFV seja capaz de aproveitar essa oportunidade, pelos desempenhos passados. Não sei se será culpa de JJ, ou de LFV ou dos dois, mas há 2 oportunidades de mudança se os sócios e a administração da SAD assim o desejarem, isto partindo do pressuposto que surgirá uma candidatura credível alternativa a LFV, o que não é garantido.

Os sócios serão chamados a decidir o futuro do SLB no próximo dia 26 de Outubro. A administração da SAD tem a oportunidade de não renovar o contrato com Jorge Jesus que termina no final desta época e convencer efectivamente um treinador, ao contrário do que supostamente terá acontecido no Verão, a desenvolver um projecto com um orçamento muito interessante para aplicar cirurgicamente em reforços, dada a qualidade já existente no actual plantel.

PS - Quando escrevi o texto pensei que o Benfica teria recebido o valor da cláusula de rescisão do Witsel por inteiro, mas ao que parece foi faseada em duas prestações. Assim sendo, é possível que não exista liquidez suficiente para efectuar a amortização referida no texto, mas pelo menos dever-se-ia tentar amortizar qualquer coisa como 10 a 15 milhões de Euros nesta época desportiva e o remanescente na próxima época.

PS2 - A confirmação que a cláusula não foi accionada e o Benfica poderia ter recusado a venda, visto que o Zenit não pagou no imediato a totalidade do valor, e que o Benfica só aceitou a venda após a confirmação da aquisição do Hulk, leva a crer que terá sido uma decisão estratégica da SAD a venda do Witsel, provavelmente efectuada para dar cumprimento do decidido com a aprovação do Relatório e Contas relativo à época 2010/11 na Assembleia Geral da SAD, nomeadamente a recuperação dos capitais próprios.
Mais criticável que esta decisão, é o tentar passar a imagem que o Benfica nada podia fazer por ter sido accionada a cláusula. Assuma-se a responsabilidade dos actos de gestão pois é isso que esperamos de quem lidera. Afinal não foi incompetência a saída do Witsel, foi um acto de gestão.


27 comentários:

Mr. Shankly disse...

Grande texto, com muito sumo para extrair.
Basicamente concordo contigo em relação ao destino a dar aos 60 milhões. Para mim eram 40 para abater ao passivo bancário (o que como bem dizes diminuiria os encargos financeiros pela via da diminuição do capital em dívida e pela alteração do perfil de risco da SAD), e o restante para investir em substitutos de Javi e Witsel (e um defesa esquerdo...).
Como bem dizes também, a injecção de 15 milhões/ano adicionais (eu aho que podem chegar a 20 M...) permite cobrir outras necessidades de investimento, caso haja que fazer ajustes ao plantel (concordo que vai ser cada vez mais difícil fazer negócios como o do Witsel, e consequentemente teremos mais facilidade em manter os melhores - se bem que tenho dúvidas que a UEFA avance mesmo com o Fair-Play financeiro).

Relativamente aos jogadores sob contrato, deveriam constituir fonte de reforço da equipa principal para os próximos anos. O que me leva a único ponto em que discordo de ti: a abordagem à Champions. Não concordo que se coloque como objectivo a vitória na Champions, apesar de a final ser na Luz. Continuamos por baixo do Porto em termos nacionais, retomar a liderança local devia ser a prioridade.

Finalmente, não creio que surja alternativa a LFV. Falta pouco para as eleições, e a movimentação que todos esperavam esfumou-se. Por outro lado, parece-me óbvio que no caso de insucesso desportivo este ano (bastante provável) Jesus sai no final da época. É pena, porque lhe reconheço muitas qualidades. Mas a soberba impede-o de dar um salto qualitativo que o colocaria ao nível dos melhores. Duplamente pena, porque o próximo empregador exige humildade (e sabe impô-la) e provavelmente veremos JJ em grande depois do Benfica.

Antonio disse...

Parabéns! Isto sim é uma forma inteligente de manifestar uma opinião. Estou farto de ouvir dizer mal, disto e daquilo, sem se apresentarem soluções. Os bloguistas (pelo menos os independentes) deveriam esclarecer os seus leitores desta forma. Mais uma vez os meus parabéns.

moleculasdeamor disse...

B Cool os teus textos são de uma lucidez de diagnóstico e estratégica ADMIRÁVEL ADMIRÁVEL ADMIRÁVEL... porrrraaa gosto mesmo das cenas que escreves ...

Falei abertamente do problema que foi o aumento do passivo ao longo dos anos (tertúlia benfiquista) e todos gozaram na minha cara... agora todos percebem que o "passivo é uma porcaria" (claro se nas nossas fileiras tivéssemos um Ronaldo e um Messi já não diria o mesmo)...

Um clube como o Benfica é convidado a reduzir significativamente (5% ao ano?) o passivo de forma a diminuir os encargos com os juros que já consomem segundo o teu trabalho 25% dos proveitos (ou perto disso). A redução do passivo com a anuência dos adeptos/sócios permitirá libertar activos fluxo de dinheiro que permitirá aumentar os ordenados dos atletas mais emblemáticos. É possível e consegue-se com uma construção de planteis mesclada com atletas em formação. Precisamos de uma estratégia clara, do conhecimento de todos... para que não seja elaboradas expectativas "irreais" na massa adepta/associativa - se sabemos que durante 3/4 temos que encaixar 40 milhões em vendas ou baixar a massa salarial de forma significativa, já podemos todos saber com o que contamos... SÓ PRECISAMOS DA VERDADE!!!!!

O último parágrafo do PS2 diz muito do meu antagonismo para com LFV, ele opta regularmente pelo populismo e PELA MENTIRA como modo de comunicaçãoe .... essa merda F%$#-m$ COMO O c%ra%$#! Tratem-nos como iguais, com respeito - assumam as suas decisões estratégicas --- assumam os investimentos falhados e as estratégias inconsequentes - o passivo é da inteira responsabilidade de uma politica de investimentos "acabada"!
Fomos geridos com os pés e não com neurónios activos... foi de uma "passividade" assombrosa!

luis disse...

O não terem "batido" a cláusula é apenas um pormenor. O Witsel queria sair e quando a proposta de ganhar imensamente mais lhe caíu no colo, nem pensou duas vezes.

Ou vendias assim, ou ficavas cá com um gajo frustrado e perdias um belíssimo negócio.

O SLB actual nem o campeonato ganha e acreditas numa vitória da CL? Não sei onde foste buscar esse sonho mas é apenas isso, um sonho que não vai acontecer.

Filipe disse...

Post excelente.

Ler os relatórios que o Benfica envia para a CMVM é algo que aconselho todos os adeptos a fazerem. Podem parecer chatos, mas pelo menos a informação essencial como as tabelas dos resultados operacionais, transações de jogadores, encargos da dívida, é importante para percebermos para onde o clube vai. Para quem está interessado este é o link.
Interessa em particular a rubrica prestação de contas.

Como o B Cool refere, faltam 3 meses para resgatar o empréstimo obrigacionista de 50 milhões, que vence a 18 de Dezembro e essa é de facto a minha grande preocupação. O ideal seria o resgate completo. Até lá sairá o relatório anual para 2011/2012 pelo que ficaremos a saber melhor o estado das contas, em particular se atingiremos os 90 milhões nos proveitos operacionais indicados pelo B Cool.

Eu estou optimista a nível desportivo, não pela confiança no JJ, mas porque espero o descalabro do FCP.

Nuno Bento disse...

É isto B Cool. Sublinho por inteiro os teus post scriptum's!

Mantorras Rei do Futebol disse...

Muito objectivo. Obrigado!

Pedro disse...

Texto do camandro. Obrigado B Cool. Claro e simples. Muito elucidativo.

É bom sonhar e concordo ctg que é bom que o SLB almeje objectivos fortes e ganhar a Champions é um desses objectivos mas é preciso ter estrutura para isso e não temos. É necessário solidificar o nosso estatuto de vencedor antes de abraçar tão forte projecto. Estivesse o SLB a defender o TRI e então sim faria todo o sentido a aposta na Champions. Neste momento nem sequer temos confiança em sermos campeões nacionais qt mais europeus.
E depois a dupla Vieira/Jesus...como confiar q num ano façam o que não fizeram em 10/3 anos? Eu não acredito.

Muito menos na "escolha criteriosa" no mercado. Nunca o fizeram.

A tua estratégia é muito boa e quiçá cheia de sucesso mas não com estes intervenientes.

JediVermelho disse...

A nível técnico, é um texto impecável! Agora... Não sei o porquê da tua insistência nesta tese: "existem todas as condições para que se invista na equipa com o objectivo de chegar à final e ganhar a Liga dos Campeões que será disputada no Estádio da Luz." para de seguida de contradizeres: "Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira, (...) têm em comum o facto de mostrarem serem incapazes de levar o Benfica a um novo nível".
Ou seja, que pensas que estará a liderar o SLB no ano que vem?? Que eles são incapazes, sei eu e tu! Agora não percebo é como, após uma brilhante análise ao nível financeiro, descures por completo o facto de nenhuma equipa para vencer a Champions se compõe em meses como propões! Apesar da liquidez ( que não é tão líquida assim), neste momento, só um milagre poderia levar o SLB às meias da Champions! E mesmo que reforces a equipa pra o ano (um defesa esquerdo e dois médios são essenciais), não consegues por o SLB a ombrear com equipas há muito contruídas, como o Barça, o Real ou o Man United!
Isso só aconteceria se o SLB estivesse construído em função de um modelo, com opções várias e sem adaptações/invenções. E mesmo assim...
Se ao nível das finanças, a análise está brilhante e de ideias interessantes ao nível desportivo, tens que ver as limitações: LFV irá continuar e é impossível construir campeões em meses. Até porque o SLB não tem um 11 fixo e com experiência na Champions nos patamares mais avançados. APenas 1/4 de final uma vez, para um ou outro jogador duas vezes! Nada mais que isso!

Ricardo disse...

Fabuloso texto: directo, claro, honesto, procurando soluções.

É evidente que, perdendo jogadores nuclerares - prejudicando, e de que forma!, o aspecto desportivo, só podia haver uma via: compensar com o pagamento de parte das dívidas. Digo "havia" porque não estou certo de que esse seja o caminho. A não ser que as eleições sejam ganhas por gente séria, o que não me parece que venha acontecer.

Concordo com tudo o que dizes sobre os jogadores sob contrato e nem me parece que seria assim tão difícil encontrar soluções que favorecessem esse drástico, e fundamental, diminuir de despesa. Mas não será isso que veremos. Provavelmente mais autocarros chegarão nos próximos meses ou anos.

O sonho (é apenas isso) de chegar a uma vitória na Champions é bonito mas não tem sustentabilidade prática. Mesmo se no Benfica tivéssemos uma Direcção competente seria uma tarefa quase impossível a tão curto prazo; com estes, tens 0 por cento de probabilidades. Como diz o Shankly, nem a nível nacional dominamos.

Sobre a venda do Witsel, prefiro não falar muito não acabe a insultar estes merdosos (ups). Mais do que a incompetência, fustiga-me o chico-espertismo e o constante desrespeito e engano pelos adeptos e sócios. Eu também tenho um sonho: ver o Benfica dirigido por benfiquistas sérios, apaixonados e honestos com a massa associativa. Um dia.

Johnny Rook disse...

Este comentário é brilhante.

Este texto devia ser abundantemente divulgado. Lúcido, claro, sintético e objectivo.

Se se discutisse sempre o Benfica assim que bom seria o Mundo!

Parabéns.

JediVermelho disse...

Embora sublinhe desde já que acho o texto brilhante e muito mais útl que certas lamechices de apoio ao SLB que leio por aí como o da Tertúlia! Mas eu sou mais terra a Terra!

Nuno Peralta disse...

Excelente post! Vejo que continuas a ter grande lucidez na análise de um tema que tende a ser sempre discutido na base de emoção e não da razão. Concordo quase em absoluto com a tua análise, apenas não concordo que ganhar a Champions deva ser uma prioridade imediata, acho que a nossa prioridade deve ser conseguir ganhar dois campeonatos nacionais consecutivos e, a partir daí, pensar a Europa. Até lá, é o chamado "passo maior que a perna".
Por fim, apenas lamentar que posts desta qualidade tenham pouco mais de 10 comentários. E esse é o grande problema, poucos benfiquistas interessados em pensar e discutir o Benfica...

abrantes e benfica disse...

assim não tem piada..o post e os 3 primeiros comentários dizem logo tudo, um gajo fica sem mais nada para dizer :)! reforço o ponto do moleculas, pagar bons salários a quem faça a diferença e ter tomates para apostar verdadeiramente na formação. se em todas grandes equipas europeias há pelo menos 2 jogadores formados na casa e que são lançados muitas vezes vindo dos juniores, não percebo o conservadorismo com que isso é encarado cá...só vantagens: reduz folha salarial; fideliza jogadores ao clube; todas as transferências darão no mínimo lucro de 100%; maior identificação de adeptos com equipa.não me venham com a conversa da idade e imaturidade do jogador nacional, se não há mais jogadores portugueses na equipa em grande parte a responsabilidade é dos adeptos

fernando disse...

Parabéns pelo post, muito bom mesmo.

Tal como o Filipe disse acima deveria atacar-se (leia-se resgatar) o empréstimo de 50 Milhões que vence em Dezembro.

No entanto temo que tal não seja possível pois são necessários uns 50 Milhões + os juros, mesmo que o Zenit tenha pago os 40 Milhões a pronto (que não acredito,) somando o valor da transferência do Javi, iríamos aplicar todo o produto destas vendas no resgate do empréstimo, e existem de certeza outros "fogos" para apagar.

Mas seria conveniente pelo menos reduzir este empréstimo a metade, por todas as razões ditas no teu post e acredito que no futuro as condições para pedir um empréstimo sejam bastante melhores que as que vamos ter que aceitar em Dezembro.

B Cool disse...

A todos os que não acreditam na possibilidade de lutar pela vitória na Champions quero apenas salientar que na época passada foram pormenores o que nos afastou na eliminatória com o Chelsea, pois quando se disputam fases avançadas das competições, normalmente são pormenores que normalmente decidem os jogos.

Com um Rodrigo em grande evolução, com um Salvio que é um talento puro, a manutenção de mais alguns jogadores e a aquisição criteriosa de valores que suprimam as carências, penso que será possível atingir esse desiderato.

Pedro disse...

Eu não digo que a Champions seja uma utopia. Não é e defendo esta ideia à já alguns anos. A Lei Bosman cavou um enorme fosso entre clubes ricos e os outros mas aos poucos essa diferença foi-se esbatendo e acredito que com trabalho de qualidade é perfeitamente possível ao SLB ombrear com os maiores pela conquista da Champions. Temos grandeza estrutural para isso. Falta-nos é a grandeza desportiva no presente. Falta-nos cultura de vencer e é por isso que é importante o SLB ser Bi e Tri campeão nacional. E ter uma estrutura desportiva q saiba abraçar esse objectivo. Não é o caso actual.

Hattori Hanzo disse...

Grande texto.

Se pensarmos bem a estratégia do Benfica não é muito diferente da que era a do Sporting quando o Domingos Soares de Oliveira andava por lá: tentar vende um ou dois jogadores por grandes quantias no inicio da Temporada de forma a tentar abater nos empréstimos e ao mesmo tempo estar sempre na Liga dos Campeões, não sendo necessária a vitória da nossa Liga...
Concordo com o Shankly: 1º que tudo o objectivo seria começar a dominar o nosso campeonato... depois sim poder dar saltos maiores.

B Cool disse...

Volto a frisar que a conquista da Champions, por muito lunático que isto pareça para um clube que nem é campeão nacional, e convém ter em atenção que a natureza das provas é diferente, pois o campeonato é uma prova de regularidade, elevar-nos-ia para um patamar de receitas e novos adeptos completamente diferente.

Se se recordaram, a grande época de vendas do Porto começou após as conquistas europeias, mas para além da grande valorização dos jogadores que apenas considero intrumental e não um fim em si mesmo, permitiria que o Benfica pudesse entrar em força em novos mercados, alargando a sua base de adeptos, o interesse pelas transmissões televisivas e eventualmente de patrocinadores desses novos mercados o que levaria a um cash-flow que nada tem a ver com o existente.

Esse novo patamar permitiria ter disponibilidade quer para investir com vista ao domínio nacional, quer para diminuir progressivamente o passivo.

O que quero dizer é que em vez dos 80 ou 90 milhões que actualmente a Benfica SAD factura e que pode ultrapassar os 100 ou 110 com um novo contrato de direitos de transmissão televisiva, poderíamos sonhar com 150 milhões de receitas e uma capacidade de atracção de bons jogadores completamente diferente.

Diogo disse...

Excelente post.

De um ponto vista emotivo e, quica, realista, a vitoria na Champions nao e' uma coisa que esteja fora do alcance do Benfica. Esta' fora do alcance do mestre da tactica, mas esse e' outro problema...

No entanto, para uma afirmacao completa em novos mercados como mencionas, uma vitoria pontual nao chegara'. Ajudara', claro, mas o impacto no mercado ver-se-'a com continuidade. E para que haja continuidade, ha' que dominar o futebol em Portugal ano sim-ano sim, e nao ser campeao de vez em quando.

2012/2013 tem de nos garantir acesso directo na Champions para perseguir essa "ideia (nao muito) maluca" de festejarmos o 3o titulo europeu em casa, mas tem de servir de base para elevar o clube para, consistentemente, estar nos 1/4, nas meias, ou nas finais das competicoes europeias (com especial emfase na Champions). Ai sim, criar-se-ao as condicoes de afirmacao em novos mercados, com todos os beneficios que dai advem.

PedroF disse...

BCool, muito bom texto. Só discordo da análise à Champions como objectivo no curto prazo. Por motivos estratégicos e desportivos, 2 ou 3 vitórias consecutivas no campeonato nacional seriam cruciais para o Benfica. Depois disso, podíamos começar a pensar em algo mais.

Bicadas disse...

Olá B Cool,

Mais um post fantástico, andas mesmo com o pé quente, o Cardozo que se ponha a pau…

Não me parece que as grandes vendas tenham como objectivo, “apenas”, o equilíbrio das contas. Para além disso, penso que elas servem mais 2 objectivos instrumentais: i) estratégia de marketing associada ao modelo de venda de jogadores; ii) sustentar a política de investimentos. No entanto, tal como tu concluis, esta estratégia enfrenta algumas ameaças, relacionadas, não só mas também, com a questão do fair play financeiro. Estudos recentes apontam para a “falência” das principais ligas a muito curto prazo, indicando como viáveis apenas a liga alemã e eventualmente a francesa. O mercado que agora terminou confirmou a qualidade destes estudos – atente-se nas transferências concretizadas em Espanha, Inglaterra e Itália e retire-se da análise os negócios dos “petroleiros” e facilmente concluímos que houve um travão a fundo no investimento líquido de clubes anteriormente vistos como tubarões (o caso do MU tem várias particularidades) – mesmo o Real só não teve investimento líquido negativo porque falhou a venda de Káka. Ou seja, o modelo do Benfica viu o mercado potencial extremamente encolhido.

Assim, a redução de custos como via para o equilíbrio ganha maior relevo, mas, do meu ponto de vista, não deve ser o vector que recebe maior ênfase – esse, para mim, deverá ser o de aumento de receitas. No entanto sou o primeiro a concordar com a limpeza do passivo de curto prazo, designadamente dos empréstimos obrigacionistas (e aqui a tua perspectiva de admitir uma taxa de 6% parece-me optimista). Com os negócios realizados o Benfica tem obrigação de reduzir o crédito de curto prazo em 50M€, libertando-se de, pelo menos, 4M€ anuais de juros. Para além disso, os encargos com o plantel e equipa técnica vão reduzir-se naturalmente – Saviola já, JJ daqui a 1 ano, provavelmente Aimar e infelizmente parece-me que este ano vamos ter menos despesas com prémios…

Não quero agora dissertar acerca do aumento de receitas, mas é óbvio que os direitos de transmissão, no curto prazo, abrem muito boas perspectivas, assim as coisas sejam feitas como deve ser. Parece-me que a decisão de cortar com a Olivedesportos está tomada e reconheço que há agora mais espaço para isso, no entanto a renovação continua a parecer-me a via, não diria a melhor, mais prudente. Há ainda outra perspectiva, como referes, que é a queda de receitas operacionais e neste campo, apesar dos méritos indiscutíveis que teve no seu desenvolvimento, a melhor via para proteger o clube passa pelo afastamento desta direcção, hoje totalmente desprovida de meios para garantir a união do clube.

Queria falar ainda da LC. Concordo inteiramente contigo. Deve ser o nosso objectivo, não digo vencê-la porque para isso há demasiados imponderáveis, ter uma presença assertiva nos ¼ de final, a partir daí, tudo é possível. Podem vir dizer-me que nem sequer ganhamos a nível interno, mas isso a mim não me diz muito – o porto ganha e fez a carreira que fez no ano passado, por outro lado o Benfica poderá ter uma equipa dominadora a nível interno e ser incapaz na europa, é até o mais natural. Com a presença assídua nos ¼ de final da LC o clube cresce realmente, em termos absolutos e novos horizontes se abrem…

Cumprimentos

Anónimo disse...

tl;dr

Gon disse...

Obrigado B Cool, por me teres dado a ler aquele que provavelmente o melhor texto de opinião sobre o nosso Benfica, nos últimos tempos.

São textos destes que deveriam ser publicados nos média em vez da prosa cheia de frivolidade dos paineleiros e comentadores do costume.


De facto acho que se aproxima um período de tempo que se pode revelar de grande importância para o SLB. Reduzir os encargos com os empréstimos dar-no-ia um pouco mais de liberdade em relação à pressão da banca. Não estando tão refém dos empréstimos o clube veria aumentado o seu poder de negociação, o que se pode revelar importante na altura de resistir a vendas de jogadores importantes mas também na altura de negociar os direitos televisivos.

E aqui chegamos a outro ponto importante. Com o aumento das receitas provenientes dos direitos de TV abre-se um novo ciclo. Mais capacidade financeira para finalmente cimentar as conquistas desportivas ou então, como alternativa, aproveitar para inverter o ciclo de endividamento e ir, progressivamente, reduzindo o passivo, criando uma espiral, desta vez positiva, de "redução de passivo->aumento da capacidade financeira->redução do passivo->etc…". Se calhar esta segunda opção poderia adiar a ambição de colocar o Benfica em definitivo no top 8 dos clubes europeus, mas poderia criar condições para a médio prazo essa ambição ser mais sólida.

Não digo que se possa, ou até que se deva, eliminar por completo o passivo do clube, mas uma redução substancial do mesmo pode ser importante.


E agora gostava de levantar outra questão (que não sei até que ponto poderá ser exequível mas que gostaria de abordar na mesma):
Até que ponto não seria possível, em função do progressivo aumento de capacidade financeira, e subsequente diminuição do passivo, criar condições para que o clube se liberte da necessidade de existência da SAD, e extinção da mesma, devolvendo assim o clube aos sócios, a quem realmente pertence?

Sei que os obstáculos a este cenário são muitos e difíceis de transpor mas acho que seria um interessante objecto de discussão.

B Cool disse...

Bicadas, segundo os R&C, o Empréstimo Obrigacionista Benfica SAD 2013 tem a taxa fixa nos 6%. Quanto ao Benfica SAD 2012 tem Euribor a 2 meses +5,85% de spread, pelo que a minha menção de 8% até foi exagerada.

B Cool disse...

Gon,
Existem demasiados contratos assinados pela Benfica SAD que tem obrigações de informação muito superiores ao Benfica Clube e como tal terá concerteza acesso a melhores condições de crédito.

Um ciclo financeiro positivo que permitisse a desalavancagem da SAD seria muito interessante e abriria perspectivas para o crescimento.

Não sendo advogado e não dominando essas matérias, penso que para extinguir a SAD, o Benfica clube deveria comprar todas as acções. Seja como fôr isso implicaria provavelmente a descida de divisão.
Mas volto a frisar que não percebo o suficiente dessas matérias para ter uma opinião abalizada.

Bicadas disse...

B Cool, essas são as taxas actuais. Haja renovação e veremos - 8% no mínimo e esse é o valor a considerar na decisão, pois ninguém se livra do que já passou.

Cumprimentos