terça-feira, 16 de outubro de 2012

Reduzir o passivo


Os passivos da Benfica SAD e do Sport Lisboa e Benfica são questões que assustam os Benfiquistas. Tanto que se esgrime sempre a questão do aumento do passivo descontroladamente nos mandatos do LFV. Sinceramente penso que esse não é o caso.

O aumento do passivo é a consequência de uma estratégia de desenvolvimento que passou por dotar o Benfica de equipamentos (Estádio, Centro de Estágios, Galeria Comercial, Pavilhões, Piscinas, etc.) e jogadores (é incomparável a qualidade da equipa agora quando comparada há 9 anos atrás quando LFV assumiu a presidência) por forma a que o Benfica tenha todas as condições para ser campeão.

Além disso, o grupo Benfica tem diversificado a sua intervenção, pelo que apareceram empresas dedicadas a actividades não directamente relacionada com o futebol - Benfica TV, Seguros, Viagens, Clínica do Benfica, etc.Resumidamente, o Benfica além de passivo também aumentou significativamente o seu activo, em menor grau é certo e por isso os resultados líquidos negativos, tanto ao nível da Benfica SAD individualmente como depois da consolidação com todas as empresas do universo Benfica.

Infelizmente, e se o processo tivesse decorrido sem problemas, o activo teria crescido no mínimo ao ritmo do passivo, mas desejavelmente acima deste. Por um lado, a crise financeira internacional e o desgoverno em Portugal contribuíram para o incremento dos custos de financiamento. Por outro lado, a actividade operacional da SAD (incluindo a transacção de passes dos jogadores), raramente pagou os seus custos (incluindo a amortização dos passes dos jogadores) acrescidos dos custos financeiros.

Com um passivo crescente, em especial o oneroso, derivado dos investimentos em obras e do financiamento à tesouraria, os custos desse passivo também aumentaram, quer pelo efeito da dimensão, quer pelo efeito do custo do passivo (aumento de spreads), aumentando ainda mais o total do passivo. Pode parecer que estamos num ciclo vicioso de crescimento de passivo. Não estou certo que isso não tenha acontecido nos últimos anos, porque as grandes vendas não são feitas com pagamentos imediatos e isso implica o desconto junto dos bancos, para garantir a estabilidade da tesouraria e porque os custos financeiros terão atingido um valor recorde este ano representando quase um quarto dos proveitos operacionais.

Há porém um factor que tem sido muito importante no aumento do passivo que se traduz pela desastrosa política de recursos humanos. É certo que aumentámos brutalmente a qualidade dos jogadores do Benfica, mas a que custo ? O Benfica tornou-se num grande entreposto de jogadores tendo hoje em dia uma equipa principal, uma equipa B, vários juniores com contrato profissional e muitos jogadores emprestados, alguns dos quais em que o Benfica continua a suportar pelo menos parte dos custos salariais.

O problema deste entreposto, é que com os elevados valores de transferência pagos, que se calhar são ela por ela com os recebidos, os salários pagos a muitos atletas e as amortizações de passes, que não sendo preocupantes, assim se tornam quando os jogadores acabam por sair sem qualquer retorno financeiro, o modelo do Benfica acaba por ficar desequilibrado, em especial quando o passivo oneroso cresce e os custos de financiamento dele também.

Isto quer dizer que a diminuição do passivo tem que necessariamente passar por uma gestão mais rigorosa dos recursos humanos e do melhor aproveitamento da formação, por forma a diminuir significativamente a aquisição de jogadores que nenhum potencial têm para jogar na equipa principal. A equipa B deveria ser um mecanismo para integrar jogadores da formação e jogadores de elevado potencial contratados e não apenas ser mais uma plataforma do entreposto. É certo que se deve utilizar a equipa B para evitar a desvalorização total de certos jogadores (Sidnei, Kardec, por exemplo), mas não deve comprometer o objectivo principal.

O que não pode continuar a acontecer é adquirirmos jogadores como por exemplo os 5 sub-17 uruguaios, que adquirimos na renovação do Maxi Pereira, por 5,8 milhões de euros em Novembro ou Dezembro de 2011, e como não têm 18 anos, não podem ser transferidos durante esta época pois não podem assinar contratos de profissionais, à semelhança do que aconteceu com Derlis Gonzalez. Numa altura em que os recursos são tão escassos, acham que faz sentido ter um investimento equivalente a um Jara, a um Pérez ou a um Bruno César, parado durante 18 meses ? Não está em causa a valia dos jogadores, está em causa o desbaratar de recursos em jogadores que nem na equipa B podem jogar durante um ano e meio.

Não faz sentido fazer investimentos avultados em jogadores e que estes não entrem e imediatamente na equipa principal. O Benfica não dispõe de recursos para repetir situações como as de Enzo Pérez ou Ola John. Não está em causa o valor de Enzo, que apesar de um comportamento deplorável, tem mostrado valia, a questão é que faria mais sentido ter investido imediatamente em Salvio, que além de na altura implicar um menor investimento do que foi efectuado um ano depois, garantia retorno desportivo imediato. Como também não faz sentido a gestão que tem sido feita com Sidnei, Airton, Kardec, Jara, Mora (estes ainda nos quadros) e Éder Luís e Filipe Bastos (cujos passes foram vendidos ao Vasco da Gama), para falar apenas de casos recentes.

Aliás uma política de recursos humanos deverá ter em conta não só o potencial dos atletas contratados ou formados ou seja investimentos com elevado retorno financeiro futuro, mas também com atletas que assegurem o retorno desportivo imediato, como foi o caso das aquisições de Rui Costa, Aimar e Saviola, cuja qualidade é indiscutível. Estes investimentos são importantes não só pelo retorno desportivo que imediatamente trazem, mas porque contribuem para a melhoria dos jogadores jovens.

Mas a gestão criteriosa de recursos humanos não vai fazer diminuir imediatamente o passivo, mas antes impedir o crescimento deste. Até porque é necessário ter a consciência que o Benfica terá que continuar a ser uma equipa que faz boa prospecção, valoriza jogadores e transacciona-os com significativas mais-valias. É descabido pensar que a formação vai substituir a prospecção, poderá fazê-lo em parte, mas o modelo de negócio não poderá a médio-prazo mudar substancialmente, a menos que os sócios estejam disponíveis para aceitar uma quebra de qualidade da equipa e consequente perda de competitividade.

Então como podemos dar uma machadada no passivo oneroso ? Em primeiro lugar, o Benfica deverá assumir que os empréstimos obrigacionistas deverão ser extintos no prazo máximo de 6 anos. É fundamental assumir este compromisso mínimo para que as decisões de política desportiva incluam sempre este facto no processo de decisão, quer seja em termos de futebol, quer em termos de desvio de recursos para outras modalidades.

Em meu entender, a solução passa por neste primeiro ano utilizar parte das verbas das transferências de Javi e Witsel para fazer uma amortização, que penso poder situar-se nos 20 a 25 milhões de euros. Nos anos subsequentes, deveríamos utilizar as verbas adicionais inerentes à venda dos direitos de transmissão dos jogos do Benfica para efectuarmos essas mesmas amortizações. Caso os valores não sejam suficientes, devemos ter a consciência que deveremos desviar recursos que seriam investidos na equipa de futebol para a amortização destes financiamentos.

Neste aspecto, convém ter a noção que o direito de preferência da Olivedesportos lhes garante a opção desde que apresentem uma proposta igual à proposta aceite pelo Benfica. Quando se fala de exploração própria, a Benfica SAD não é uma empresa de comunicação social, pelo que mesmo a venda à BTV pode estar no âmbito deste direito de preferência. Quanto a isto não tenho a certeza, apenas tenho umas noções de direito e não me parece assim tão fácil quebrar este laço maldito.

Conforme já expressei, não gosto da situação de vender o Naming do Estádio. Compreendo-a, pois seria uma forma muito atractiva de gerar os recursos para ajudar a diminuir o passivo, libertando as receitas operacionais apenas para a actividade. O Benfica vai receber a final da Uefa Champions League da época 2013/14 pelo que o valor do nome do estádio vai ser enorme durante esse ano. Se numa época normal, dentro da realidade nacional e no panorama internacional, com a necessária presença na Liga dos Campeões, recebendo gigantes como aconteceu recentemente com o Barcelona e o Manchester United, o nome do estádio já tem um valor significativo, sendo o estádio que vai acolher a final da Champions implica que durante essa época desportiva o valor do nome atingirá valores incomensuravelmente superiores.

Assim sendo, faz todo o sentido negociar a venda do Naming do Estádio durante a época 2012/13 para entrar em vigor em 2013/14. Neste sentido, volto a afirmar como disse anteriormente que é essencial que este tipo de negócios se façam numa escala internacional e não nacional, pois os valores são completamente diferentes. Os proventos desse contrato deveriam servir para renegociar os contratos de financiamento do estádio e do centro de estágios por forma a diminuir as prestações, quer por via do spread bancário, quer eventualmente pelo alongar dos prazos dos contratos.

Sim, faz sentido alargar os prazos dos financiamentos do Estádio e do Centro de Estágios, pois tratam-se de equipamentos com uma grande vida útil. Fazendo um paralelismo para a vida comum, faz sentido vocês negociarem o aumento da vida útil do empréstimo da casa por forma a reduzir as prestações mensais devido  à diminuição de rendimento originada pelas medidas que recorrentemente o Governo aplica. Se faz sentido para vocês, porque não fará sentido para o Benfica ?

Com este tipo de medidas práticas o Benfica poderia reduzir significativamente o passivo oneroso no prazo de 6 anos, tendo apenas por esta via uma libertação de recursos que permitiria os objectivos enunciados no post anterior - manutenção de 2 ou 3 estrelas no Benfica que sirvam de símbolos agregadores e se possam constituir como referências de futuro do Benfica.

Quanto ao passivo do Sport Lisboa e Benfica, se a Benfica SAD começar a somar resultados líquidos positivos consecutivamente, pelo método da equivalência patrimonial, parte significativa desses passivos também desaparecerão. 

23 comentários:

jocivalter disse...

Acho que um dos grandes problemas do passivo, foi mesmo de estarmos a adiar o pagamento do financiamento do Estádio.
Enquanto inicialmente este iria custar uns 45M€, agora e pa já, vai em custos de 3 ou 4 vezes mais.

moleculasdeamor disse...

Que façam assim!

B Cool disse...

Não jocivalter, o adiamento visou que baixasses as prestações para não existirem rupturas de tesouraria e atrasos nos pagamentos, seja a fornecedores, jogadores, estado ou bancos

jocivalter disse...

Bcool mas acho que acabou por ser penoso, porque de uma certa forma boa parte desse dinheiro acabou a ser bastante mal utilizado.

Compreendo e concordo com quase tudo o que sugeres no teu post, excepto mesmo esta questão do adiamento do(s) project(s) finance do Estádio

Vitto Vendetta disse...

Compreendi o post :D

João Tomaz disse...

Excelente post que mostra, por A + B, que a situação financeira do Benfica está longe de ser calamitosa. Os problemas são outros.

Ricardo disse...

Excelente.

Pena é que esta seja a tua análise e o que farias para mudar a situação e não a análise que os dirigentes do Benfica fazem e farão para um equilíbrio sustentado das contas.

É um post com muito amor ao Benfica e com muita inteligência e racionalização dos problemas - não é difícil ser em simultâneo amor e razão.

O problema, já o sabemos, é outro: 4 anos destes dirigentes será o continuar o caminho a larga velocidade para o abismo.

Se puderes, fala com o lagarto que decide as nossas contas e as desgoverna. Pode ser que ele te oiça.

B Cool disse...

Mas isso é outro problema Jocivalter, a aplicação do dinheiro. Preferias ouvir notícias como se ouvem de outras SADs ou clubes que devem aos jogadores ?

João Tomaz, a situação financeira não é calamitosa, mas não sustentável e na época que passou foi um problema. Se não houver uma mudança de rumo, tornar-se-á calamitosa a curto prazo.

Ainda bem Vitto, não vale a pena escrever se ninguém perceber. Além disso, as contas não têm que ser um bicho papão (Gasparinho) :)

Ricardo disse...

O Tomaz acha que a situação não é calamitosa. Por isso deu 50 votos ao R&C na última AG. É tudo uma questão de fé. O caminho traçado há largos anos é este, mas eles agora vão mudar de rumo, agora é que é, finalmente vão tornar-se gente séria, honesta e competente.

Isto é uma religião mas não exagerem.

jocivalter disse...

Bcool, obvio que não.
Mas como bem apontas no teu post há (e havia) maneiras de baixar os gastos de forma a não entrarmos exactamente em problemas de tesouraria.

Pelas contas que faço, a curto prazo o Benfica irá criar receitas adicionais de cerca de 25M€ (ou Leo Kanu's como preferires :)

Penso que com isto, e ajustando a nossa politica desportiva, conseguiremos não só trabalhar o passivo como evitar o aumento de custos com financiamentos, neste caso os projects finance

B Cool disse...

Continuas a ter contributos de merda Ricardo. Enquanto assim continuares, continuas a chafurdar na latrina donde sai o que escreves.

Luis Rosario disse...

There was an abduction just now?

Gon disse...

Mais um excelente post B Cool.

Como já disse ontem, obrigado por este teu contributo.

Luis Rosario disse...

Em relação ao post:

Gere-se o SLB como se gere o país. Ou melhor, governa-se, porque gestores em Portugal há meia dúzia.

São sugestões boas, mas sem gente ao leme para as pôr em prática, ficam pela blogosfera lamentavelmente.

Recordar que "salvar" o SLB é menos difícil do que salvar Portugal porque é possível de forma muito significativa cortar na despesa, ao contrário do que acontece no país.

É possível um corte profundo na massa salarial e renegociação dos empréstimos sem custos sociais (algo impossível no país) para além de um reforço significativo na receita por fontes alternativa sem "ir ao bolso" aos sócios (também impossível no país).

O problema no SLB, ainda mais do que em Portugal, está obviamente no facto de os interesses pessoais e empresariais de quem quem governa se sobreporem aos interesses do clube.

E quando vemos o que o futuro negro nos reserva com 2 listas onde as "figuras de cartaz" nos fazem perspectivar pelo menos mais 4 anos de desespero, resta-nos aguardar apenas que os sócios consigam amparar o clube ainda antes dele se tornar um Rangers Football Club...

Ulrich Haberland disse...

Da minha parte, obrigada B Cool pelo teu amor e carinho ao Benfica que estes teus últimos 2 posts traduzem, e pelo esclarecimento e elevação com que analisas-te e puseste à discussão uma visão para o Benfica.
Foi um prazer, e iluminador, ler estes teus posts.

Quanto ao tema dos posts, concordo basicamente contigo. O único ponto que não abdico, por uma questão de princípio, mesmo que seja financeiramente penalizadora é a não renovação com o oliveiredo.

B Cool disse...

O problema Ulricha é que o Oliveiredo tem o direito de opção e como tal basta-lhes igualar a melhor proposta que o Benfica receba.

Como disse, não sendo jurista nem conhecendo o contrato em causa, mas sendo a Btv uma empresa diferente da Benfica SAD, não sei até que ponto é que a exploração pelos "meios próprios" não pode estar coberto por esse direito de opção.

Pedro disse...

B Cool, um dos grandes elogios que é feito a Vieira é a "obra feita". Estádio, Centro de Estágios, etc. Tudo muito bonito mas, como explicas, uma das grandes razões para o galopante passivo q temos actualmente.

Eu fui daqueles que defendi que quem não tem dinheiro não tem vícios pelo que não devíamos ter optado por um estádio novo mas sim por uma remodelação qb do antigo Estádio.

O desafio que te faço é: consegues fazer uma análise ao Benfica actual se tivessemos optado por uma remodelação do antigo estádio e não termos actualmente de suportar os enormes custos da construção do novo?

(tb não teríamos as receitas que as novas infra-estruturas permitem mas não me parece serem assim tão relevantes, até pq tb podía ser possível rentabilizar terreno onde está o novo estádio)

B Cool disse...

Pedro,
Fazer uma análise dessas é virtualmente impossível, pelo menos para mim. Há uma série de números que não são conhecidos. Depois todo o modelo de negócio do Benfica, passou pelo aumento exponencial de receitas designadas de match-day - bilhética, cativos, títulos fundadores, seat-rights, pela parte publicitária através da venda dos naming rights das bancadas e acima de tudo pelo project finance que foi aprovado pelo consórcio bancário BES-BCP.
Ninguém nos garante que seria possível conseguir financiamento para apenas uma remodelação, quais os custos dessa mesma remodelaão e como se poderiam fazer reflectir os preos na bilhética por forma a pagar esse investimento.

Por outro lado tiveste quebras de receitas devido à destruição parcial das bancadas do antigo estádio e dos jogos no Jamor que não sei se terias fazendo apenas as obras de requalificação.

Há ainda que considerar que foram vendidos/permutados terrenos para que o processo fosse adiante.

Tens os custos de construção e manutenção quer do estádio, quer das zonas envolventes, pavilhões, área comercial, piscinas, e os respectivos proveitos de exploração que não terias, enfim, há um manancial tão grande de variáveis diferentes que só tendo acesso a todos os números, que eu não tenho, e fazendo os cenários para uma realidade alternativa que seriam um trabalho para levar uns bons meses.

Compreendo o alcance donde queres chegar, mas repara, como eu disse ao jocivalter, o alargamento do prazo do financiamento que estava associado à construção do estádio, prendeu-se com a necessidade de reestruturar os financiamentos para libertar meios para a actividade operacional, isto é para impedir rupturas de tesouraria e permitir capacidade de investimento que não terias de outra forma.

Houve todo um processo que teve uma lógica de suporte. a aplicação dos meios libertados pode não ter sido a mais correcta, e no meu entender não foi, a degradação das condições nacionais e internacionais fazem com que este nível de endividamento seja insustentável, mas os investimentos efectuados no Estádio e posteriormente a renegociação dos empréstimos não é a causa da insustentabilidade.

Para mim o problema prendeu-se sempre com a gestão dos recursos humanos, pois foi aí que se perderam muitos recursos que obrigaram a endividamento adicional.

Mais, se o modelo de financiamento fazia sentido quando as taxas de juro estavam baixas e portanto se justificaram os investimentos como alavanca do crescimento, hoje em dia com o aumento dos custos de financiamento o modelo deve ser alterado e portanto eu defendo um corte substancial no passivo de curto prazo.

Mas lá está, esta é a minha visão, aquela que eu considero mais correcta, não é a verdade universal.

De qualquer forma lamento não te poder dar uma resposta mais concreta à tua dúvida.

Pedro disse...

Basicamente, penso que seria possível ao SLB manter o nível de receitas que tem actualmente e não ter a elevada fatura do pagamento do novo estádio.

Mas, como dizes e bem, era necessário ver muita documentação para sustentar a opinião.

B Cool disse...

Podemos especular à vontade, pois por um lado tinhas um estádio com maior capacidade, mas dificilmente terias um estádio com tanto conforto por isso seria difícil cobrar valores tão elevados.
além disso, os valores que o Benfica cobra quer em termos de corporate quer o que cobrou em termos de títulos fundadores são valores que não seriam comparáveis.

Acima de tudo era necessário saber se existiriam parceiros financeiros para suportar os custo das obras e se depois terias capacidade para renegociar os financiamentos para libertar recursos para o investimento na equipa.

Nunca o saberemos.

Acima de tudo, eu continuo a pensar que com uma melhor gestão de recursos humanos, não teríamos necessidade de tão grande endividamento, pois seria possível desviar recursos para uma amortização do passivo, em vez do crescimento que aconteceu.

Pedro disse...

Sobre os recursos humanos é tão óbvio e tão acertado o que dizes que nem sequer há espaço para qqr discussão.

Manuel Serra disse...

É normal que o que o Benfica tem hoje (como referido no texto: “Estádio, Centro de Estágios, Galeria Comercial, Pavilhões, Piscinas, etc” e “Benfica TV, Seguros, Viagens, Clínica do Benfica, etc” é normal que o passivo tenha aumentado. Tudo isto tem de se pagar, e não é de um dia para o outro, como disse Ribeiro e Castro à um mês atrás

PP disse...

Manuel Serra, tudo isso custa dinheiro é certo, mas repara bem que segundo o comité de festas do LFV as 50 casas do Benfica inauguradas e dotadas da nova imagem, custaram qualquer coisa como €1M, i.e., 1LK (Leo Kanu).

50 casas... agora faz a extrapolação financeira para o custo das outras estruturas e perceberás que o passivo elevado não explica todo esse investimento.

Ou seja, há muito dinheiro esbanjado e que se perde o rasto.

Por exemplo, o Benfica neste momento sobrevive de empréstimo em empréstimo, da mesma forma como uma mulher com o vício das compras sobrevive de cartão de crédito a cartão de crédito para pagar o anterior. Ora, as mais valias que o Benfica deveria ter no exercício da sua actividade deveria dar (e dá! se for bem gerido!) para pagar as contas que devemos aos bancos e começarmos a gerar o nosso lucro para reinvestir no clube de diversas formas (estruturas e pessoal).

Agora, se temos de sustentar parasitas da sociedade, torna-se mais difícil...