quinta-feira, 31 de maio de 2012

Desorientação

O maior problema do Benfica por alturas de Dezembro era bem visível. Não existia lateral esquerdo. Primeiro porque Capdevilla não contava e depois porque Emerson não prestava.

O que se fez em Dezembro ? Dispensaram-se Ruben Amorim e David Simão, acabando com a alternativa a Maxi Pereira na lateral direita, pois rapidamente se constatou que André Almeida estava demasiado verde, bem como se abriu um buraco no meio, pois para 3 posições (6, 8 e 10) Jesus apenas contava com 4 jogadores, Javi (6), Matic (6 e eventualmente 8), Witsel (8 e às vezes 2) e Aimar (10). Não que o Benfica não tenha nos seus quadros jogadores como Airton, Nuno Coelho ou Carlos Martins que podem fazer essa posição, apenas não foram considerados necessários. Consequência óbvia - equipa estoirada em Março.

Mas para além disso assinou-se com Djaló. Para quê ? Ainda hoje estou para saber, pois nas alas Jorge Jesus contava com Nolito, Gaitán e Bruno César. É certo que 3 jogadores para 2 lugares é curto, mas o Enzo que também foi dispensado nunca chegou a ser verdadeiramente uma opção.

Que estratégias para a nova época ? Nas laterais, Wass e Carole fizeram boas épocas em França crescendo o interesse nestes jogadores. Serão aproveitados ? Não se sabe ... Quem se contrata então ?

Ola John. Um sonho molhado do Jorge Jesus que custa 9 milhões para extremo onde temos Nolito, Gaitán, Bruno César, Enzo Pérez, Djaló e Urreta. Não está em causa o valor e o potencial de mais um jogador que só vê o Benfica como trampolim, é que efectivamente a grande lacuna do Benfica é a posição de extremo esquerdo.

Então e para defesa esquerdo ?Rojo ? Ansaldi ? Siqueira ? Não. Contrata-se Luisinho, um médio português de 27 anos que tem jogado adaptado a lateral e aproveitando a onda também Michel, um avançado brasileiro de 25 anos (ambos por 5 anos) que tem a particularidade de ter marcado menos golos que o avançado de 21 anos que o Benfica teve emprestado ao Paços de Ferreira, Melgarejo.

Mas não ficamos por aqui. Fala-se recorrentemente em Salvio, com uma insistência daquelas que já vimos que vai acabar em casamento, tipo Ola John. O holandês custou 9 milhões de euros, o argentino custará na ordem dos 8 milhões de euros. Supostamente a venda de Gaitán irá cobrir estes investimentos e a venda de outro jogador poderá libertar recursos para o abate do passivo.

Mas, quem é que deverá ser vendido a confirmar-se a entrada de Salvio ? Nolito ? Bruno César ? Nada disso, dizem os especuladores que sairá do trio Javi, Witsel ou Cardozo. Ou seja, entram 2 extremos e sai um extremo e um jogador da faixa central (trinco, médio de transição ou avançado).

Bem sei que estamos a falar de especulações, excepto o Ola John, o Luisinho e o Michel, mas será que não estaremos a assistir mais do mesmo ? Desorientação ? Ou comichões orientadas ? É assim que se projecta o Benfica campeão ? No reino da fruta fala-se da saída do Lolk e da entrada de um jogador cujas características são decalcadas - força, rapidez e facilidade de remate. Já nem vou falar de flores, mas continuemos neste ritmo e depois venham-me dizer que é só uma questão de fruta da época.

Quando ser muito melhor do que os outros não chega

Nunca gostei do Michael Johnson. Todos os verões olímpicos e invernos de atletismo, em frente à televisão eu sonhava que o ouro se lhe agarrasse ao pescoço como uma cobra e o matasse ali mesmo, em pista, a dois ou três metros do final. A única coisa boa que reconhecia a Michael Johnson era o de ter um nome híbrido entre dois homens que eu amava: Michael Jordan e Magic Johnson. Às vezes tentava gostar do velocista explorando a minha alma obsessiva e muito compulsiva, dada a joguinhos entre letras, números e distâncias milimétricas na sala. Se era Michael e era Johnson, não podia ser mau de todo.

Um olho fechado, um terço da sala às escuras; fechava o outro, e outro terço da sala às escuras. Depois piscava os dois, alternadamente, e a sala constantemente a abrir-se e a fechar-se, mas no centro, no ângulo que nem um nem outro fechados alcançam, a televisão com o Michael Johnson a correr todo direito, bigode ridículo e ouro, muito ouro, agarrado a um tronco de puma. Não valia a pena: Michael Johnson merecia morrer.




Aquela arrogância da vitória, o homem já tinha dado uma volta a pé com a camisola americana e ainda estavam a chegar gajos à linha final - e falo-vos dos 200 metros, não da maratona. Um vencedor nato, atleta sublime, exemplo mais puro do corpo humano potenciado ao extremo e a minha ingratidão perante aquilo que via, retinha-me nos detalhes, nos acessórios, na pilosidade absurda. Não, Michael Johnson não mereceu o meu desencanto nem a minha raiva. Mas, naquilo que é sobretudo humano, não lhe peço desculpa. Sempre preferi o ar de detective privado cruzado com Adolf Hitler negro do namíbio Frankie Fredericks. 




 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O eduardobarrosismo no desporto português

Para Eduardo Barroso, Pinto da Costa não está a mais no desporto português.

Para Eduardo Barroso, Paulo Pereira Cristóvão não está a mais no desporto português. 

Para Eduardo Barroso, o "seu" amado Ricardo Sá Pinto e as suas cenas de pugilato a seleccionadores e jogadores do "seu Sporting" não estão a mais no desporto português.

Para Eduardo Barroso, os adeptos do Sporting que incendiaram um sector do estádio do rival não estão a mais no desporto português.

Para Eduardo Barroso, Eduardo Barroso, com as suas opiniões de merda, não está a mais nos jornais portugueses.

Para Eduardo Barroso, quem está a mais no desporto português é Carlos Lisboa, só o melhor basquetebolista português de todos os tempos e figura incontornável do desporto e do Benfica.

Para Eduardo Barroso, todo o Benfica está a mais no desporto português.

Para Eduardo Barroso, só o seu fanatismo, a sua boçal doença pelo "seu" Sporting e o pedantismo próprio de um adepto incapaz de escrever um texto minimamente razoável (ou, vá, bem escrito) não estão a mais no desporto português.

Eu acho que Eduardo Barroso está a mais no desporto português. Está a mais nas televisões portuguesas. Está a mais nos jornais portugueses. Está a mais na sociedade portuguesa. 

A hipocrisia está a mais no desporto português. O eduardobarrosismo - que é o que faz com que pulhas, corruptos, ladrões, mentecaptos, chulos, proxenetas, merdosos, caciques vivam alegremente por entre as vielas do desporto português, enquanto se persiste no ódio a um só clube, trauma profundo de infância dos eduardos barrosos deste país -, o eduardobarrosismo, dizia, está definitivamente a mais no desporto português.

terça-feira, 29 de maio de 2012

O Geração Benfica merecia muito mais amor

Notável o trabalho que tem sido desenvolvido pelos escribas do Geração Benfica ao longo dos tempos. Notável e profícuo, com diários temas de reflexão sobre o universo benfiquista. Há poucos espaços que problematizem tanto e tão bem o que é o clube, que rumo tem e pode ter, o que é o nosso passado, o que é, afinal, o benfiquismo. Parabéns a todos. E obrigado.

O último excelente trabalho - e revelador de que escrevem sem agenda, apenas e só por amor ao Benfica - foi a entrevista a Rui Gomes da Silva. Questões pertinentes, com inteligência e conhecimento. Pena é que o entrevistado tenha optado por ser o que é: um político. Às perguntas incómodas, respondeu com discurso demagógico, tergiversou, atirou ao poste. Fica a sensação de que a entrevista lhe serviu na perfeição para um tempo de antena em local que tanto aprecia - a blogosfera - para politizar ainda mais o que deve ser um cargo de competência, afeição, amor e dedicação sem barreiras.

Ainda que nos avise de que responde como sócio e não como vice-presidente, todo o discurso é naturalmente de dirigente político (e se calhar clubístico); não há ali nada que nos faça pensar que RGS responde como mero e simples adepto. Como sócio do clube e defensor de que quem dirige o Benfica deve pautar a sua conduta pela honestidade, verdade, frontalidade, nenhuma demagogia ou populismo fácil, fiquei desiludido. Mas também, verdade seja dita, dele não esperava muito mais do que o que lhe li. Como diz Leonor Pinhão, em entrevista que nos concedeu há uns dias atrás: «trata-se de uma simples questão de talento e de inteligência». É exactamente isso que falta a Rui Gomes da Silva. Como político, como dirigente e, acima de tudo, como benfiquista.

Recorro à primeira pergunta e consequente resposta de RGS na entrevista ao Geração Benfica para definir - e de que forma - o que é ter um dirigente que apenas sabe politizar e tergiversar o que devia ser uma resposta honesta, directa e esclarecedora. Em vez de enfrentar a pergunta, recorre aos mesmos e batidos truques de quem sobe na vida em atalhos à inteligência. Dele e dos que nele acreditam:

«Está por explicar o motivo de o SLBenfica ter apoiado, primeiro para a Liga e depois para a FPF, um ex-dirigente do FCPorto e intimamente ligado ao processo Apito Dourado, tendo sido ouvido a sua intervenção nas escutas. Quer comentar e justificar de uma vez por todas este apoio? Não nos contentamos com a frase do Presidente dizendo "confiem em mim"...

RGS: "Não se tratou de uma posição de alguém, de forma especifica.
Na Direcção e na SAD as questões são colocadas de forma franca, aberta, transparente, democrática.
E, independentemente da posição de onde cada um parte - Cosme Damião ensinou-nos a viver em liberdade, mesmo quando não eram livres os caminhos que Portugal, então, trilhava - o que vincula o Benfica são os consensos, o resultado a que se chega.
Por isso, que ninguém se exclua de qualquer responsabilidade.
Havia um projecto, onde mais do que ideias avulsas, existia uma ideia para o futebol português!
Mas esse apoio, de principio, não cerceia a liberdade de critica, a que, alias, eu próprio dei voz, num dos programas recentes da SIC, onde questionei o actual Presidente da FPF sobre a sua capacidade para ter mão no estado em que vão andando os diferentes órgãos da Federação.
O SLB não trocou apoio por lugares.
Batemo-nos por princípios, valores, causas, "bandeiras".
Não queremos lugares, como outros.
Mas não perdoamos a quem, tendo prometido independência, verdade, equidistância, imparcialidade, ... apoie ou assista, faça ou permita, actue ou colabore, mesmo que por omissão, em escândalos que prejudicam o Benfica, beneficiam o nosso adversário do costume, enfim ...., não dão passos no sentido de afastar o futebol português de uma das páginas mais negras - senão a mais negra - de toda a sua história: o caso "Apito Dourado".
Pela verdade desportiva, doa a quem doer!»



É que nem verdade nem desportiva. Apenas areia para os olhos dos adeptos e muita persistência em manter o tacho. São estes que governam o nosso amor.

Até quando?

Até quando teremos de assistir a este cacique no futebol português, corrompendo, insinuando, manobrando sob o silêncio sepulcral da comunicação social e a incompetência dos dirigentes do Benfica? Até quando?


E se o próximo treinador do Benfica fosse...

... Bruno Laje?


Vinha mal ao mundo?

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Entrevista - Leonor Pinhão

As crónicas da Leonor Pinhão n´"A BOLA" são, para muita gente do universo benfiquista, a única razão pela qual compram o jornal nos dias que correm - só isto basta para saber o respeito, admiração e agradecimento que todos temos pela defesa intransigente que a Leonor faz do nosso clube. Não são precisas mais apresentações. Venham as suas respostas às nossas perguntas. E o agradecimento por ter aceitado de imediato o convite.


Costumas acompanhar a blogosfera benfiquista? 

A blogosfera não é, decididamente, a minha esfera. Embora, às vezes, haja quem me chame a atenção para um ou outro texto.


Rui Gomes da Silva tem-se especializado na função de vigilante dos blogues do Benfica, não raras vezes criticando a forma como estes abordam os assuntos do clube. Faz sentido um Vice-Presidente do Benfica participar num programa televisivo, abrindo o jogo sobre assuntos internos do Benfica e chamando abutres aos que discordam do caminho traçado pela actual Direcção?

Depende. Se, por exemplo, o Ricardo Araújo Pereira fosse vice-presidente do Benfica eu acharia muito bem que fosse ele a defender-nos em todos os programas de televisão. Portanto trata-se de uma simples questão de talento e de inteligência. 


Que balanço fazes do trabalho da actual direcção do SLB?

Notável do ponto de vista da imposição do Benfica como uma marca comercial e do tratamento dos mais de 200 mil sócios como clientes putativos de uma base de dados vocacionada para o marketing. Penso que naquilo que é essencial e que é o “objecto” número um do clube, o futebol, ainda estamos longe da competência e da criatividade exibidas na área comercial.


Que explicações encontras para a perda do último campeonato após termos uma vantagem de 5 pontos sobre o 2ª classificado?

Falhanços a mais na área da política e das relações com as instituições e nas áreas das equipas adversárias. 


Jorge Jesus tem qualidade suficiente para ser treinador do Benfica ou o que lhe sobra em talento falta-lhe em humildade?
Jorge Jesus é um bom treinador.


Por que razão o clube não aproveita melhor os jogadores saídos das camadas jovens?

Provavelmente porque não são de qualidade indiscutível.


A estratégia que passa por comprar jogadores ao desbarato na esperança de encontrar dois ou três que compensem o investimento faz sentido?

Ao “desbarato” é como quem diz… Penso que é essa, de alguma forma, a prática corrente do negócio do futebol a nível mundial. 


Por que razão no jornalismo desportivo em Portugal quase não existem investigação rigorosa e consequente divulgação de todos os interesses, manobras de bastidores e corrupção em que o futebol português é fértil?

Porque as represálias são muitas e interiorizando-se o conceito, justo, de que os jornais não são tribunais nem esquadras da polícia, fica resolvida, do ponto de vista da consciência, essa transcendente questão. 


O jornalista desportivo em Portugal tem total liberdade de processos?

Desejo que sim.
  

Assumes, sem problemas, o clube de que és adepta. Isto é uma raridade no jornalismo desportivo porquê?

Na verdade eu não sou jornalista desde 1998. No sentido em que não tenho vínculo a nenhum quadro de redacção de nenhum jornal. Escrevo textos de opinião, a minha opinião. Por isso sinto-me absolutamente à vontade para assumir publicamente o meu benfiquismo doa a quem doer e, por norma, é a mim que me dói mais… 


Estás satisfeita com a política de comunicação do Benfica? Se não, quais os problemas principais?

Em termos de marketing de produtos é muito boa. Em termos de marketing do futebol depende sempre da posição da equipa na tabela classificativa. E por ser assim uma relação tão directa, às vezes torna-se confrangedora. 


Gostarias de ter algum cargo no clube ou preferes a condição de adepta e nada mais do que isso?

De modo algum. Tenho a capacidade mais do que suficiente para me enxergar… 


O Benfica deve aliar-se a pessoas com um passado duvidoso - como actualmente - ou deve seguir o caminho do "se é para nos lixarem, ao menos não o fazem com o nosso aval"?

Como benfiquista incomoda-me mais a presença de ex-funcionários de rivais no interior do próprio clube. Provavelmente, tenho uma visão romântica e ultrapassada da realidade. Mas é a minha visão. 


Percebeste a estratégia(?) do apoio inequívoco de Luís Filipe Vieira a Fernando Gomes? Se sim, explica-nos porque nós não percebemos.

Boa-fé e misticismo, talvez. Crença na redenção, provavelmente. Péssimos conselheiros, certamente. 


3 palavras que caracterizem Luís Filipe Vieira (orelhas não vale).

Presidente do Benfica. 


3 palavras que caracterizem Jorge Jesus (Rod Stewart da Reboleira também não vale).
 
Treinador do Benfica. 


De que forma lês as mudanças drásticas de ideologia de alguns ilustres benfiquistas, com António-Pedro Vasconcelos à cabeça?

Francamente, nem sei do que estás a falar. Não sou uma consumidora ávida das opiniões e ideologias dos outros. Nunca vejo programas de debates televisivos e não tenho qualquer tipo de curiosidade pelo que se diz na praça. Sou um bocado autista, confesso. 


Os nossos leitores sabem que admiramos muito o Luís Fialho, do blogue "A VEDETA DA BOLA" e cronista no jornal do clube. Confirmas que ele tem um número em que faz a espargata, o pino e o mortal à rectaguarda, tudo isto em simultâneo e enquanto equilibra um copo de leite meio-gordo na ponta no nariz?

Não faço a mínima ideia quem seja o Luís Fialho, com o devido respeito. 


Confirmas-nos que João Gabriel é afinal Juan?

A única coisa que posso confirmar é que o João Gabriel já era há muito benfiquista antes de ser funcionário do Benfica. Parece-me um bom princípio. 


Com eleições à porta, acreditas que Vieira vai enfrentar uma forte concorrência ou a vitória é tão certa como nós ganharmos a próxima Taça da Liga?

Nesta altura do campeonato é impossível fazer prognósticos pela razão simples de que… não há campeonato. Pela minha experiência nestas coisas, que é igual à experiência de todos nestas coisas, penso que se o Benfica iniciar a próxima temporada com qualidade e vitórias, Luís Filipe Vieira ganhará facilmente as eleições por mais forte que seja a concorrência. Dando-se o caso contrário, ou seja, um arranque de época titubeante e fraquinho, por mais fraca que seja a concorrência, teremos uma campanha eleitoral mais agitada com uma concentração de forças opositoras ao regime em vigor e muito estardalhaço nos jornais, nas rádios, nas televisões e nas paredes do nosso Estádio. 


Estaremos condenados a umas eleições entre Vieira e Veiga (este através de uma figura que possa candidatar-se) ou crês na possibilidade de várias candidaturas em Outubro?

Desejo muito que isso não aconteça. Aborrece-me à partida a ideia de ter de ouvir os nossos adversários mais sagazes a atirarem-nos cruelmente à cara que as eleições no Benfica se disputam entre dois ex-sócios do FC Porto. E o que é que a gente responde a uma coisa destas? 


Se, para além de Vieira, pudesses escolher mais 2 candidatos para as próximas eleições, quem seriam? E desses 3, em quem votarias?
 
Joaquim Ferreira Bogalho, Duarte Borges Coutinho. Votaria em Luís Filipe Vieira por razões óbvias. Tenho estima e respeito pela figura de Luís Filipe Vieira. Penso que ele próprio é, frequentemente, o mais surpreendido por as coisas – e refiro-me ao futebol profissional – não tomarem o rumo com que sonhou. Não é uma falha de carácter acreditar, como aparentemente acredita, na bondade das pessoas e na bondade das instituições. É apenas falta de intuição política pura e dura. 


Qual o perfil ideal de presidente para o SLB?

A um presidente do Benfica exigem-se “desumanidades” que são estranhas à índole de Luís Filipe Vieira. Por exemplo esta: o melhor amigo do presidente do Benfica só pode ser o Benfica. Ou esta: saber não dar ouvidos a lisonjas. Tudo isto se aprende. 


O que diria Carlos Pinhão deste Benfica?


Penso muito nisso. A demolição do Estádio da Luz teria sido um desgosto, certamente. Mas ninguém tem o direito de falar pelos que já cá não estão, não é?

Há 60 anos atrás, Salazar e o Porto perderam por 8-2



A memória tem curiosidades que fazem da História não um conto ficcional mas a preservação da verdade. Por muito que os ignorantes continuem escamoteando uma maioria de títulos ganhos através de manobras ilegais e corruptas, reescrevendo o passado como melhor lhes convém, o tempo e os factos históricos encarregam-se de lhes ensinar o que é um facto e o que é uma mentira.

Ao contrário do Benfica, que foi sempre um clube visceralmente livre e democrático, Sporting e Porto não poderão puxar para si galões da mesma estirpe. Os exemplos são vários e escuso-me a enumerá-los - vão ler livros com palavras, muitas, e muitas letrinhas, se estiverem para isso. Se persistem na ignorância, já não será problema dos que conhecem a História para lá dos preconceitos e falsidades atirados à parede a ver se colam.

Há 60 anos, o Futebol Clube do Porto inaugurava o seu estádio. A data de 28 de Maio não é fruto de um acaso mas a consequência das ideologias dos dirigentes do clube, que acharam por bem colar de forma indelével à História do clube a data que comemorava a revolução que deu origem ao Estado Novo. E assim nasceu o Estádio das Antas. Com pompa, circunstância e a idiossincrasia que, anos mais tarde, teria o seu apogeu na era actual que todos conhecemos. No fundo, faz sentido: um clube que decide inaugurar o seu estádio num dia que comemora o início da instauração de um estado ditatorial tem tudo para chegar até aos nossos dias tal qual chegou: transversalmente corrompido e corrupto.

Para visitante, claro, o Benfica. Uma espécie de ditadores versus liberais, com a esperança portista a residir numa humilhação aos gajos "vermelhos" que tinham eleições democráticas e tudo. O resultado não podia ter sido mais esclarecedor: 8-2 para os comunas, sem apelo nem agravo. E assim se inicia, a 28 de Maio de 1952, um ódio visceral e profundo aos que clamam pela liberdade. 60 anos depois, o ódio atingiu laivos de demência e boçalidade. Talvez um dia, quando estes corruptos que dirigem o clube morram e apareça gente nova, o Porto possa voltar a ser um clube honrado como até à década de 50. Talvez. Só depende dos adeptos a inversão de paradigma. No entanto, pela amostra geral, percebemos que muito dificilmente o clube algum dia conseguirá ser verdadeiramente grande. É que viver na sombra de outro nunca fez crescer ninguém.

8-2. E a gigante Taça foi para o Comité da Luz.




sábado, 26 de maio de 2012

O meu Valdo Cândido de Oliveira Filho

Camisola vermelha comprada numa feira, um "1" e um "0" feitos à mão e cosidos pelo meu Pai nas costas, uns calções brancos, curtos, e umas chuteiras simples. Faltou-me a Afro para ser o Valdo. De resto, estava tudo lá: a indumentária e eu, em imaginação. Quando corria, fazia aquele compasso de espera, fintava uma pinha, deixava-a cair, voltava a rodopiar, levantava a cabeça. Um pinheiro pedia-me a bola, isolado. Fingia que passava, metia para dentro, corria, olhos no chão, olhos na bola, olhos em frente. Peito feito sobre o ar vespertino, a bola chegando-me aos joelhos. Pai, posso ser o Valdo?

O carro estava estacionado numa clareira, entre o pinhal. Portas abertas, todas, bagageira para cima, com bolos, pão, vinho, rissóis e panos feitos numa máquina Singer que a minha avó rodava nas mãos e nos pés feita malabarista no escuro em frente a uma parede com fotografias de gente muito velha a preto e branco. Jazem aqui flores e nomes e cães iguais aos que há agora mas a cinzento e há tanto tempo mortos. Quantos cães tem uma vida?

Há uma voz que ressoa por entre os ramos. Anunciam golos de tarde desportiva, emissões de Portimão a Coimbra, vão para Braga, voltam a Lisboa, dirigem-se a Leiria, ficam em Chaves. Rudez Thiomir marca golo. E os cestos de verga abanam no gooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooolo de Rudez, golo do Chaves, lance que se iniciou na intermediária, a bola rodou sobre um adversário, avançou pelo miolo, chegou à linha, foi cruzada, um impasse, o mundo todo parado observando o croata, a indecisão, quase remate, remate, bola nas redes. Alguém vem e pergunta: foi golo do Benfica?

A minha camisola tem um "1" milimetricamente na diagonal - não se vê a um metro de distância, mas está lá, não foi trabalho de fábrica, houve mão de amador, aquele que ama. Na frente, há pescoço porque há decote em v, o vermelho é um vermelho mais escuro e não se vende no Media Markt, porque o Media Markt não existe e porque há coisas que o Media Markt não pode vender. Mas há um Valdo a correr nos pinheiros. E vários golos porque o golo tanto pode entrar entre árvores como entre pedras - o jogador decide, no calor do momento. 

A distância entre o Valdo e o carro depende dos gritos que ecoam. Claro que os pés não sabem por que razão avançam para os pastéis de bacalhau quando há grito de golo mas o coração não tem dúvidas: vai à espera do Benfica. É agora? Foi golo do Benfica?

E aquele som contínuo, não no "g" que demora pouco, mas no "o" - quantos ós e desesperantes - e toda a gente parada, eu, o meu Pai, as rodas do carro, as folhas, o gesto das febras na grelha, o céu e as nuvens que deixam de construir imagens - tudo parado. É golo, mas de quem?

Goooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooolo. E antes do "l" e muito antes do "o" que o continua olhos não no rádio mas uns nos outros, eu olho o meu Pai que me olha a mim que o olho a ele. O "1" cosido nas costas a olhar o "0" cosido nas costas, pedaços de terra saltam e ficam no ar à espera. Diz Benfica, diz Benfica, diz Benfica, o coração aos pulos, diz Benfica, diz Benfica, diz Benfica, as pernas flectidas, joelhos em silêncio, quase dor muita dor, braços à espera, mãos curvas, ouves o som do público?

É indefinível, gritam todos e muitos, não sabemos quem nem por quem nem onde. Há som e ruído, imaginamos bandeiras sob o sol, cachecóis no vento, abraços, gente aos gritos, garrafões tombados. Mas é Benfica ou não? E o "oooooooooooooooooooooooooooooooooooo" continua, o homem tem fôlego, não se cala, mantém a surpresa na garganta, a bola junto a uma das rodas do carro, esquecida e adormecida, esperando o movimento. Não há movimento, só um grito que não acaba, e o golo, o golo é de quem? 

Há uns sons metálicos de assobio enquanto o rádio canta. Ondas de silvos no meio dos óculos da avó que retira pratos e garfos e facas de plástico do interior de um saco. O carvão todo junto, negro, colante, uma imagem de um sol sobre a estrada de terra e uma menina que corre, indiferente ao golo, pelos cogumelos e musgo. De quem é o golo? O vestido às rosinhas não sabe, prefere dançar oblíquo sem rota nem bandeira. O golo, que é de alguém, não chama aquela corrida atrás de uma borboleta que faz desenhos no ar e depois desaparece. 

... doooooooooooooooooooooooo Beeeeenfiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiica e os meus olhos abraçam os ombros do meu Pai e depois continuam para o espaço atrás dele com os olhos dele para o espaço atrás de mim e os olhos em chama, ombros em chama, a bola é pontapeada contra uma pedra grande que faz ricochete, sobe no ar que o Valdo recebe, com aquele pé de veludo, tenso o tempo suficiente para haver contacto e logo mole, macio, para ela ficar ali aninhada. Os Domingos sabiam tanto a Benfica.

Vieira à Presidência!

Calma, não enlouquecemos nem nos afialhámos - até porque ninguém nos oferece nada. O candidato que apoiamos à Presidência do Benfica é Vieira mas é Manuel João antes. Um homem que tem como mote de vida:

“Se há coisa que me faz mal é a água mineral

 parece-nos ser, de entre todos os candidatos que se perfilam, aquele que não o sendo pode ser o melhor. Se é para a palhaçada, então que pelo menos tenham graça.

E poderíamos sempre contar com um relvado alcatifado, um Ferrari (vermelhão!) para todos os benfiquistas, o fim dos impostos e a promessa de sermos todos presos uma vez na vida. 

E como eleitor, como seria o candidato Vieira?

«Enquanto eleitor, estou muito indeciso entre o voto em branco e não ir votar. Outra coisa é fazer desenhos [nos boletins de voto]: desenhar caralhos, frases como «vão para a puta que pariu». E fazer uma exposição desses rascunhos na Escola Superior de Belas Artes. São esboços que mostram imaginação e vontade de intervir na política. Acho que devíamos interpretar esses sinais como sendo os mais sérios por parte dos portugueses em relação a um futuro melhor. A chave não estará tanto nos votos em branco, que são inexpressivos, mas sim na expressão plástica e artística.»


 VIVA VIEIRA! O candidato que só desiste se for eleito.



sexta-feira, 25 de maio de 2012

E que tal sem V?

Pode parecer estranho que num clube como o Benfica não haja alternativas credíveis à actual Direcção, mas é exactamente essa a realidade com que temos de conviver. Pelo menos por agora a única que parece estar a formar-se não serve os interesses dos que querem uma mudança drástica de rumo, que traga para o clube todo o contrário do que hoje temos. No fundo, a única solução passa por dar ao Benfica uma linha estratégica que faça exactamente o oposto desta. Queremos um Benfica não só competente mas recheado de fervor benfiquista.

A alternativa que se perfila é mais do mesmo. As mesmas pessoas, as mesmas ideias, a mesma sede de vingança - contra Vieira e contra Pinto da Costa, o que é suficiente para compreendermos que os motivos não são os mais adequados e não servem o clube. A vingança pode ser um bom catalisador mas apenas se dentro dela houver alma; não é, parece-me, o caso dos que hoje se reúnem para destronar o actual líder.

Chegou-me às mãos há uns tempos uma foto muito curiosa: num restaurante de Lisboa, almoçavam, galhofeiros, o Senhor Veiga, o Senhor Varandas, o Senhor Tavares e o Senhor... Bagão Félix. Ora, pondo de parte a hipótese de este ter sido um almoço de velhos companheiros de futeboladas da Cidade Universitária, estamos perante uma alternativa que não só traz à memória aquele estranho movimento Benfica Vencer Vencer de há três anos atrás como denota um certo espírito tacanho e arrivista - Veiga não pode, porque Vieira não o deixa, candidatar-se, logo tenta-se uma aproximação a uma figura do Benfica que o possa fazer - Bagão Félix e a sua ideia de reforma dourada junto às flores. 

Naturalmente, Bagão almoçou bem, os outros três acompanharam-no, mas também naturalmente Bagão teve dúvidas. Quase certezas: não quer ir para o ambiente bucólico dos seus últimos dias deixando no país a mancha de ter perdido com o senhor Vieira - isto disse Bagão no tal almoço, não é ficção científica. A verdade é que o Senhor não tem perfil para Presidente do Benfica, nunca teve, e com esta resposta demonstra isso mesmo: medo não pode fazer de uma pessoa que quer ajudar o clube. E aqui, sobre Félix, estamos tratados. Boa reforma. Do seu benfiquismo não duvido, mas não é a figura de que precisamos para uma nova mentalidade vencedora.

Antes disso, porém, e imaginando que o almoço tinha servido para convidar outra figura, menos medrosa, do Benfica, há arestas por limar ou que nunca serão limadas. Logo à partida, Veiga e o seu passado. Tenho recebido - como já recebo há uns anos largos, o que não pode ser bom sinal - mensagens de vários benfiquistas em justificações sobre o negro histórico de José Veiga. Dizem-me, juram-me, põem-se de joelhos em explicações: que é um benfiquista acima de qualquer suspeita, que o facto de ter sido Presidente da Casa do Porto no Luxemburgo se deve a uma natural convivência entre emigrantes, que as suas intenções são as melhores, que é muito competente no cargo. Meus caros, por partes: que Veiga é um Vieira (porque de motivações parecidas) competente, não tenho a menor dúvida. Que com Veiga, o Benfica ganharia muito mais, também não. 

Mas a que preço? Eu não quero um gajo que use dos mesmos modos que os lá de cima e que tanto nos fartamos de criticar. E é aqui que Vieira e Veiga se juntam e diferenciam: Vieira tenta corromper (ou, vá, tenta armar o cenário que o beneficie), mas não sabe como; Veiga tenta corromper e sabe como. E, pelo menos para mim, não quero vitórias de bastidores. Quero vitórias em campo, com gente forte nos bastidores que impeçam que outros as tenham por ínvios caminhos. Veiga seria capaz de vencer sem usar de actos escabrosos? Estou disposto a aceitar, só pelo bem da discussão, embora não esteja totalmente convencido. Mas depois enfrentamos toda uma muralha: o passado de José Veiga. O argumento de que aquilo se deveu à galhofeira e à saudável confraternização entre emigrantes é risível, quase patético, muito desadequado, quase mentira, apenas e só mentira. 

Desconheço se Veiga é benfiquista, portista ou luxemburguês. Não me interessa. Se critico esta Direcção por ter nos seus quadros sportinguistas, boavisteiros e portistas não quero seguramente para o futuro uma alternativa que comece logo com este ponto de partida: um líder (mesmo que não a Presidente, porque não pode) que tenha sido Presidente de uma Casa do Porto no estrangeiro e que, à conta disso, tenha recebido um dragão de ouro. Podem dar as voltas que quiserem, enfeitar José Veiga de cachecóis, bandeiras e camisolas do Benfica, apagar-lhe o passado, imaginar novas ficções - não quero. Podem vendê-lo como alguém não-vendido - não quero. Podem encontrar motivos que suportem a justificação de um apoio a um gajo que privou de perto com Pinto da Costa - não quero.

Até porque é exactamente pelos mesmos motivos que não quero Vieira no Benfica - como Veiga, andou a beber dos ensinamentos do corrupto-mor anos a fio. Tivesse este saído mais cedo e Vieira ter-se-ia atirado a eleições mais a Norte - isto só por si chega bem para entender quem o não pode ver à frente, mas estou disposto a aceitar que o benfiquismo, de tão frágil que anda, já quase aceite tudo. Eu, por outro lado, não aceito. 

E com isto digo já ao que vou: votar em Vieira, NUNCA - um gajo que andou de mãos dadas com o pintinho, que era presença recorrente no camarote presidencial do pintinho, que festejou golos do Porto contra o Benfica (curiosamente, quando nas bancadas estava o ladrão Vale e Azevedo, todo vestido de vermelho - a ironia disto tudo!), que antecipou eleições para não ter oposição, que mudou os estatutos de forma ridícula, que apoia os gajos que ontem veio criticar (permitem-me mais um BAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA? é que, de facto, é mesmo gozar com os benfiquistas, desculpem lá qualquer coisinha), que é mentiroso, sacana, traiçoeiro, falso, populista, demagogo, interesseiro, este gajo NUNCA servirá para o Benfica. E, que já agora, trouxe Veiga para o clube - alguns já se esqueceram. É assim a memória selectiva.

Agora também não me peçam que seja binário - já chegam os que, de tão básicos, acham que um gajo por não gostar do Vieira vai gostar de outro gajo qualquer só porque é contra o primeiro - isso, sim, meus caros, é ódio. Eu não tenho ódio ao Vieira, tenho amor ao Benfica, e é por isso que, NA MINHA PERSPECTIVA, se acho que o grande líder está a fazer mal ao nosso clube, defendo a sua saída. Porque é isso que me move: o bem do Benfica. E é pelos mesmos motivos que não embarco em alternativas enviesadas logo à partida. Pintem a manta como pintarem - com Veiga, esqueçam. Arranjem outro.

E o mais triste para nós - adeptos e sócios, e fundamentalmente para o clube - é que estaremos perante isto: ou Vieira ou Veiga. Ou Veiga ou Vieira. Não chega já de V´s?

O que é que se passou com o boloposte?

Afialhou-se.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

LOLOVIEIRADA

«O sistema ainda não acabou. O sistema de hoje continua construído na intimidação, na violência, nos favores. As nossas razões podem não chegar à UEFA, como não chegaram as “escutas da fruta”, como não chegaram para a justiça portuguesa as “escutas do café com leite”! Mas nós não vamos parar enquanto não limparmos o desporto português»

Permitam-me: BAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAH

Agora mais a sério: BAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA

Resumindo: BAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA



O verdadeiro artista.

Contratações, birras, extraordinários troféus, distinta corrupção, caciques aos berros e a palmadinha nas costas


 1) Ola John está praticamente contratado por 9 milhões de euros. Não ponho em causa o valor do jogador - do que lhe conheço, que não é suficiente para poder avaliar decentemente o seu potencial, vejo qualidades evidentes -, mas questiono-me sobre a política de contratações. O clube passa por uma crise financeira grave, sabe-se que terá de fazer cortes substanciais na folha salarial dos mais de 60 jogadores que tem sob contrato, pretende manter os seus melhores jogadores e... gasta quase 10 milhões num jovem talento que é, mesmo sabendo do valor que tem, um risco? Não há uma prospecção adequada que descubra os mesmas qualidades num gajo que valha 2 ou 3 milhões de euros? É preciso gastar tanto? Convém trazer nomes apetecíveis em pré-época anterior às eleições? Não percebo. E temo pelo sinal que isto traz: venderemos mais do que apenas o Gaitán. Resta saber quantos mais irão além do argentino.





 2) O que dizer de um clube que quer um treinador diferente mas não consegue despedir o actual? Já não há palavras para a anarquia.





3) O Benfica é CAMPEÃO NACIONAL DA INTERNET! Espectacular época, esta.





 4) Os jornais avançam com a notícia de que o Sporting pode descer de divisão. Primeiro: faça-se justiça, seja ela qual for. Mas não deixaria de ser absurdo que o Porto se mantivesse na Primeira Liga e o Sporting descesse. Enfim, já vimos de tudo no campeonato português. Mas tenham calma os sportinguistas: até na corrupção são um clube diferente.




5) Pinto da Costa aos berros com a autoridade - imagem mítica. Ao estado a que este país chegou: um dirigente corrupto aos gritos para os polícias, de cabeça inchada (não lhe rebenta uma veia porquê, caramba?), e os polícias muito submissos, em reverências ao dono. Depois há quem se espante que este gajo esteja em liberdade. País adorador de caciques.



 6) A Direcção do Benfica vai deixar os acontecimentos escabrosos de ontem votados ao silêncio sepulcral? Está certo. Assim se defende o clube nos dias que correm.
 

O poema dos classificados

Procuro camarote de pavilhão em 
bom estado (que seja alto para boa visibilidade
e de preferência com vidros
para evitar os ovos podres e 
posts de maior incomodidade).
Se vier um espaço arejado no jornal do clube,
tanto melhor.
Ofereço opinião prostituída de alto valor
nutritivo e matemáticas enviesadas.
O mundo gira e eu sei que já fiz mais
refeições na vida
do que a criança de 5 anos que vejo a pular
feliz
pelo jardim deste meu universo celular.

Se me oferecerem banquete televisivo,
juro mudar o discurso.
O que ontem era Moniz
hoje será Grande Líder,
assim entrem nos bolsos
bolos, croquetes, duas dúzias de sardinhas
que os subsídios do ICAM não dão
para matar o vício da Soraia
e suas elegantes maminhas.

Ser campeão no Dragão contra o reino do morcão

Contra a normalidade que é o terror que as nossas equipas sentem quando defrontam o Porto, o Benfica venceu no Dragão Caixa, sagrou-se campeão e, mais importante ainda, demonstrou que este clube não tem de ter medo de jogar seja contra que equipa for em que recinto for. Que fique a lição para o futuro e que ela transborde para as outras modalidades - incluindo o futebol. Assim está bem. Assim é Benfica. Parabéns, jogadores. Parabéns, Lisboa.

O que se passou depois é, enfim, o normal. Só atrasados mentais é que fingem não saber a demência daquela gente. Está aí, à vista de todos, há anos a mais. Mas ninguém diz nada, ninguém faz nada, ninguém sabe de nada. Quando o ano passado o Porto foi campeão na Luz, disse que não gostava do que se tinha passado - rega e luzes apagadas - mas que, pela reacção dos adeptos benfiquistas - de forma simples: fomo-nos todos embora - um dia gostaria de ver a reacção dos adeptos portistas se o Benfica se sagrasse campeão de futebol no Estádio Dragão. Só para ver a diferença. Se em Basquetebol foi aquilo que se viu - a animalidade no seu estado mais puro; gente completamente fanática, uma polícia que é conivente com actos de vandalismo e criminosos e dirigentes que incitam ao ódio mais básico -, imaginem se fosse em futebol.

Tenham vergonha, atrasados mentais.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Entrevista a Vitto Vendetta (Cabelo do Aimar) - Parte 1


Vitto, conhecido blogger da blogosfera benfiquista e amante dos cabelos do mago, o que é que te deu para abrires um blogue, tu que já andas nisto como comentador há uns anos?

Sim, de facto já ando nisto de comentador de blogues há já alguns anos, mas confesso que antes de abrir o blog ia pouco a outros blogs de desporto. Aliás, a minha "carreira" na blogosfera começou em 2004, com um blog mais pessoal, onde tentei abordar assuntos sérios mas logo ao segundo ou terceiro post aquilo chafurdou no humor com cartas ao dono do cão Rex que dava na televisão. Já tinha alguns comentadores nessa altura, que acabava por ser gente conhecida com quem ainda mantenho contacto. Quanto à ideia de abrir um blog sobre o Benfica já era antiga, e cheguei a ter um blog só com vídeo de cada jornada, que se chamava Arquivo Benfica 2008/2009, no tempo do Quique, mas que só o actualizei durante meia época. Depois acabei por apagar porque nunca tive nenhuma visita. O Cabelo do Aimar surge no momento em que mudei de Famalicão para Abrantes, após largar a fábrica têxtil onde trabalhava para me dedicar ao estudo e trabalho online. Uma bela tarde/noite na caixa de comentários do Gordo, Vai à Baliza, o amigo B. falava da beleza que ostentava o couro capilar do nosso mago, e isso foi a estocada final para abrir o blog que há alguns dias me assombrava a cabeça. Foi assim que começou, numa brincadeira no meu blog favorito, Gordo, Vai à Baliza, sem desfazer o teu e o dos outros benfiquistas todos, mas esse é especial para mim.


Não levamos a mal, o Gordo também mora nos nossos corações. Fábrica têxtil é à Benfica. O que é que se passou entretanto para mudança tão radical?

Sim, aquela fábrica era mesmo muito à Benfica, especialmente nas noites de jogos Europeus, onde o meu turno vibrava, cada um com o seu rádio sintonizado na rádio que melhor sinal apanhasse, a gritar como doidos nos golos do nosso clube. O melhor de tudo era a irmã do patrão, que servia também de "olheira" do irmão, ser Benfiquista, e fechava os olhos a esses gritos de golo. O mesmo não aconteceu quando o Porto ganhou a Liga Europa, levando a que se proibisse em definitivo os rádios na produção. Consigo encontrar um paralelismo com a rega aos jogadores do FCPorto no nosso estádio. Quanto à mudança, foi assim um pouco radical, como tudo na minha vida. Já trabalhava naquela fábrica à noite, depois das aulas, desde os 15 anos, quando entrei no secundário, e quando completei a maioridade, entrei para os quadros em definitivo, deixando assim o 12º incompleto por não conseguir (nem me apetecer) conjugar as duas coisas. Passados mais de 10 anos naquela empresa, no início de 2011 decidi mudar o rumo da minha vida, e aproveitei a boleia do antigo primeiro-ministro e completei o 12º naquele programa que muitos criticam mas que achei bastante positivo. Demiti-me da empresa, onde já tinha atingido um estatuto considerável, e decidi voltar à faculdade, para aprender e formar-me naquilo que eu realmente tinha vocação, comunicação social. Vim para cá em Julho de 2011, e em Agosto, a par de ter iniciado o meu trabalho como produtor de conteúdos online, abri também o Cabelo do Aimar para ser uma espécie de diário público das minhas mentalidades.


Com tanto benfiquismo à flor da pele, há quem ache estranho que o Cabelo do Aimar não seja escrito só por adeptos do Maior. E há inclusivamente quem cometa a ousadia de anunciar uma relação promíscua entre ti e o Valdemar, que é sportinguista. Isto tem fundamento ou são só rumores de quem não tem vida sexual?

No blog, comecei a postar algumas coisas engraçadas, mas logo ao fim de 2 ou 3 posts percebi que não era aquilo que eu queria. Eu queria-me divertir a ler posts no meu blog, não só a escrever, e aí percebi que tinha que chamar alguém para abraçar este projecto comigo. Aí surgiu o Valdemar, habitual comentador do blog Gordo, a quem eu achava imensa piada no que dizia, umas vezes porque era acertado, outras porque só dizia disparates, e isso levou-me a lançar o convite lá na caixa de comentários, o qual ele aceitou prontamente. Nunca conheci sequer o Valdemar, apenas falamos esporadicamente pelo facebook, mas mesmo assim não falamos tanto quanto isso. Nunca lhe impus nenhuma regra, aliás, quando o convidei já sabia o feitio dele através dos comentários que lia, e sabia que ele ia fazer um bom trabalho, como fez. Durante algum tempo até foi ele que segurou o blog, quando eu andei mais afastado por ter arranjado um trabalhito na fábrica do Azeite Gallo, mas que durou pouco tempo por causa dos contratos temporários. Portanto, não há qualquer relação entre mim e o Valdemar, até porque tenho uma namorada que amo, e nunca fui muito dado a essas paneleirices, apesar de respeitar. Na mesma altura, decidi convidar mais dois escribas, do Benfica, não pelo clube mas porque eram bons amigos e apreciava a escrita deles por outras paragens. O Daniel, que já frequentava a blogosfera benfiquista há alguns anos e o fRiik, que tinha uma visão muito apaixonada do futebol em geral. O fRiik fez um post e ficou sem grande tempo, por motivos profissionais, enquanto o Daniel passou directamente para a direcção do blog, que se manteve inalterada até hoje, comigo, com o Valdemar e com o Daniel. Quanto ao acharem que deveria ser só um blog com escribas benfiquistas, só tenho uma coisa a dizer. Deixem de ser burros.


Quase desde o início o blogue procurou destacar-se por uma atitude agressiva contra a incompetência e algum comodismo que vigora na Comunicação Social. Foi uma estratégia pensada para a atrair mais visitantes ou esta é, estando tudo a estudar o fenómeno, uma preocupação que te queima cabelos ao final da noite?

Bem, nenhuma "linha editorial" no blog foi alguma vez seguida, até porque acho que o primeiro mês foi sempre de larachas e piadas, e também montagens, que adorava (e adoro) fazer. Penso que começamos a abordar esse assunto, os 3, no meio desse pagode que vomitávamos diariamente, porque se tornava demasiado fácil criticar a comunicação social devido ao grande número de coisas ridículas com que nos vão presenteando. Confesso que muito antes de abrir o blog, e até de pensar regressar à faculdade, já me corria a ideia de que conseguiria fazer melhor do que a maior parte da comunicação social que vemos na imprensa escrita, especialmente no que toca a reportagens e outras peças menos convencionais. Logo no segundo ou terceiro post, acho que comecei logo com uma nova secção que acabei por não dar seguimento, onde investigava onde é que paravam antigas glórias do nosso clube. Daí até às reportagens e análises cuidadas, sempre na tentativa de divertir quem lia, foi um pequeno passo. Depois disso veio o Classic Diggin', onde investigávamos equipas que nos encheram os corações em décadas passadas, onde os bigodes e o cabelo longo e descuidado inundavam os campos mundiais. Isso acabou por nos custar a primeira visibilidade mais pública, quando saímos na revista de O Jogo. Ainda hoje penso que foi algum portista que enviou o nosso blog para lá, só para nos queimar o bom nome, porque até andávamos numa altura de gozar bastante com esse jornal. No mês seguinte começamos as entrevistas e nunca mais parámos de tentar dar informação jornalística aos nossos leitores. Para mim, é uma espécie de treino, acho eu. Mas, como disse anteriormente, nada disso é premeditado ou segue uma linha. A próxima entrevista pode sair amanhã, como pode sair daqui a 3 meses. Não estamos preocupados com isso. Aliás, se me perguntasses qual o período que mais gosto do blog, é mesmo o mês de Agosto.


O Classic Diggin´é uma sucessão de preciosidades que acabam por não ter o devido destaque devido às polémicas que são sempre mais do agrado dos leitores. Isto acontece porquê? As pessoas não gostam suficientemente de futebol ou simplesmente preferem comentar os posts em que podem ajavardar mais?

Sim, tenho que concordar parcialmente contigo. Os primeiros Classic Diggin' não tiveram muitos comentários, mas depressa percebi que isso não implica que não sejam lidos e apreciados. Até noto uma maior afluência nas visitas. Nos mais recentes, notei um maior número de comentários em relação às equipas ali analisadas, e até com coisas que me passaram ao lado, o que é bem-feito para eu estar mais atento na próxima vez. O "ajavardanço" que se vê na caixa de comentários é normal. Aliás, eu sempre andei por estas andanças virtuais, e sempre pertenci ao grupo dos que mandam um puta que te pariu sem razão aparente. Nunca andei por fóruns ou blogs onde não me deixassem dizer o meu palavrão ou insultar quem eu quisesse. A internet movia-se muito assim, e o facebook acabou por matar um pouco isso, mas enquanto existirem blogs como o Cabelo, essa forma de viver na internet não irá morrer. Não acho que só porque se prefere insultar em vez de elogiar uma equipa signifique que não se goste suficientemente de futebol. Gosta-se é mais de dizer um "foda-se" do que um "carrega benfica". E muito bem.


E muito bem, o vernáculo é o oráculo do povo, embora o "Carrega, Benfica" também ande muito nas bocas do mundo. O Benfica ainda carrega?

O Benfica carrega sempre, e ás vezes até às costas. O Benfica passou por uma fase complicada, que coincidiu com a minha infância e adolescência, e nessa altura não carregava muito, mas não deixava de ser o Benfica que ainda é hoje, cheio de referências e com jogadores emblemáticos que me faziam demorar vários minutos a pensar qual deles eu queria ser nas peladinhas com os amigos. Mostovoi, Paneira, Isaías, João V. Pinto, e, pasme-se, por vezes um Jamir ou um Mauro Airez entravam para as minhas preferências. Não me importava que o Benfica acabasse longe do pódio, desde que continuasse ali para eu beber daquela magia. Hoje em dia penso de forma um pouco diferente, mais porque acabei por crescer, perdendo aquela inocência em que dizia que o Benfica era melhor que os outros porque era o meu clube. Hoje em dia continuo a achar que o Benfica é melhor que os outros porque é mais do que o meu clube. É mais que um clube. Sempre representou grandes valores que se foram perdendo nas pessoas comuns, mesmo que sejam benfiquistas, mas que ainda acredito que possam ser recuperáveis, mesmo através do futebol. Carregar na máxima força tornou-se um pouco difícil, muito à custa da hegemonia do Porto no nosso campeonato, às custas de muita frutinha e de bons resultados. Lembro-me de termos bons jogadores, mesmo nas piores equipas... O Preud'Homme carregou, o Poborsky carregou, o Miccoli carregou, mesmo quando o resto do Benfica não carregava, e isso nunca foi suficiente para batermos os rivais. Nos últimos 3 anos, com Jesus, conseguimos ter vários jogadores a carregar, mas só conseguimos um título, por culpa do treinador, de alguns jogadores e do presidente. Os árbitros também ajudaram bastante à festa, sendo até importantes para que perdêssemos o título deste ano.


Onde é que estavas no 6-3?

No 3-6 estava em casa, a ver o jogo na televisão com o meu avô. Era normal vermos os dérbys juntos, e ele puxava pelo Benfica quando jogávamos contra o Sporting. Infelizmente, não tenho muitas recordações, apenas as que se vão reavivando no youtube, mas recordo-me durante o jogo de um comentário do meu pai a gozar com o João Pinto porque ele não tinha pêlos nas pernas. Lembro-me bem é de gozar bastante com os Sportinguistas na segunda feira, na escola, até de fazer desenhos na aula com números 6 e mandar em formato avião de papel contra os lagartos. Acho que já foi uma coisa que nasceu comigo e que nunca perdi.


O Sporting é o nosso grande humor ou no fundo, mesmo lá no fundinho, até continuam a ser, apesar de estarem pelas ruas da amargura, o rival que nós respeitamos, mesmo que nos propiciem momentos de grande diversão?

Eu não acho que o Sporting seja o nosso grande humor, é apenas o mais fácil de gozar porque as vitórias do Porto não nos permitem ir muito além do gozo esporádico, se bem que confesso que tenho muito mais gosto em dar gozo a um tripeiro. Também já vem da infância, porque sempre vivi rodeado deles. Eu respeito o Sporting e gosto quando as coisas lhes correm bem. Mas também gosto quando correm mal. De onde eu venho, nunca existiram muitos Sportinguistas, até porque nos anos 90 eles andavam muito escondidos por não ganharem nada, logo não desenvolvi muito a minha prática de respeitar o Sporting por ser um grande clube, mas sim por ser um clube mais pequeno que o Benfica que se destacava dos outros. A partir do título do Inácio isso mudou, passei a ter mais respeito por eles e a considerá-los, pela primeira vez desde que me conheço, como uma equipa grande. Mas para mim, desde que nasci, o nosso rival é o Porto. Sou convicto disso. O Derby com o Sporting é uma coisa mais lisboeta, ou até mesmo aqui em Abrantes, mas em Famalicão era encarado como mais um jogo.


Sim, no Centro e Sul a infância faz-nos mais rivais do Sporting do que no Norte. Ser benfiquista no Norte é mesmo muito difícil ou a ideia de que os portistas são, na sua generalidade, gente totalmente fanática é fanatismo dos benfiquistas?

Ui... A maior parte dos portistas transfiguram-se quando falam de futebol. No norte existem muitos benfiquistas, como se sabe, mas a realidade é que a maior parte já passaram os 50 anos, e a minha geração, de 80, assim como a de 90, está totalmente dominada pelo clube tripeiro. Chegava ao ponto, como me recordo bem, da malta trocar de clube, e não foram poucos, desde primos a colegas da escola, vi muitos a mudarem do Sporting e do Benfica para o Porto. Foram tempos difíceis, mas acho que o facto do Benfica ter ganho o título apoiado na boleia da febre do Euro 2004, e a posição anti-seleção adoptada pelos portistas mais extremos, acabou por contribuir para uma aproximação das crianças ao nosso clube, invertendo essa situação. Infelizmente, esse boost já passou, e agora a coisa tende a voltar ao período negro dos anos 90. Mas, voltando aos Portistas, sempre tive muitos amigos tripeiros, e com alguns dava-me muito bem. Com outros a coisa nem sempre corria bem, até porque existiram situações, especialmente depois dos meus 18 anos, em que eles se tornavam extremamente agressivos, chegando a insultar só porque somos de outro clube, numa espécie de racismo. Geralmente sou uma pessoa ponderada, e gosto de dizer as coisas como são, e até acho que muitos benfiquistas exageram, especialmente no pavonear, mas ou obrigado a admitir que a maior parte dos Portistas são brutos e fanáticos. Recordo-me de um senhor que trabalhava comigo, com quem conseguia conversar esporadicamente sobre todo o tipo de assuntos, mas quando o assunto era futebol, ele chegava ao ponto de me insultar só de eu passar perto dele. A mim e a qualquer benfiquistas, chefes inclusive. Nunca o consegui compreender, e mesmo hoje não consigo, não consigo entender esse fanatismo. Mas, como disse, tenho bons amigos Portistas, e um ou outro com quem dá para falar de futebol sem começarmos à porrada.

Se, em vez de Pinto da Costa, o Porto tivesse sido gerido desde os anos 80 por portistas menos dementes e mais honestos podia haver uma rivalidade diferente e mais bonita ou seria inevitável que o Porto, crescendo, se tornasse num clube anti-Benfica?

Eu acho que Porto já estava destinado a ter uma série de vitórias, porque já era um dos 3 grandes e ainda não tinha tido um período dominante, e isso aconteceu depois de 94, quando o Benfica sofreu a Bigodada daquele monte de merda, e o Sporting dormia à sombra da chegada de Roquette, o primeiro salvador. Mas, sem Pinto da Costa, tenho a certeza que o Porto não tinha ganho tanto, especialmente nos bastidores, mas não nos podemos esquecer que o Porto teve dois períodos fantásticos, com Jardel e Drulovic e depois com Mourinho, onde foram os melhores. Quanto ao ódio que se criou ao Benfica, acho que isso é inevitável para qualquer clube que comece a ter uma massa adepta sólida, como aconteceu com o Porto nos anos 80, com o Sporting nos anos 60 e com o Guimarães e Braga na década de 2000. Os maiores movem sempre invejas e ódio, e só consigo pensar que é mesmo por esse motivo que leva a que nos queiram ver a arder. Mas, honestamente, assumo uma postura bastante católica na inveja deles, e estou-me pouco marimbando, não tenho ponta de inveja dos campeonatos que o Porto tem ou as competições europeias. E estou a ser honesto.






(A segunda parte sairá quando o entrevistador e o entrevistado tiverem tempo para isso)

terça-feira, 22 de maio de 2012

É destes que queremos no Benfica

Foi há 3 anos, num fórum económico, que o António desabafou assim:

«A tragédia benfiquista 

21/05/09 00:03 | António Gomes Mota

Sou sócio há mais de 35 anos do Benfica e a minha mulher e as minhas duas filhas desde o dia em que nasceram.

Há, portanto, neste tema uma carga emocional familiar que dificulta o distanciamento e a objectividade. Ainda assim, enquanto professor de gestão, irei tentar olhar o meu clube como um caso que nos possa ensinar alguma coisa.

Creio que a métrica de valor da indústria do futebol é relativamente simples: as receitas directamente derivadas do espectáculo (bilheteira, televisão), as derivadas da marca ("sponsorização", ‘merchandising') e da valorização dos activos (jogadores). Todas elas, em maior ou menor grau dependem da ‘performance' da equipa de futebol e em dois planos: o conjuntural (época em curso), que afecta a bilheteira e a maior ou menor valorização dos activos e o estrutural (conjunto de ‘performances' ao longo dos anos) que afecta os restantes items e que no longo prazo cria as condições para o sucesso empresarial. Retenhamos o segundo plano, já que o da conjuntura dispensa adjectivos e apenas suscita dor e tristeza. Desde que a actual gestão tomou conta do clube o panorama é aterrador. Deserto de títulos e apenas pontuais sinais de se lá chegar (no campo dos resultados e não das intenções).

A gestão do clube, quando iniciou funções, tinha pela frente a mais desafiante das situações empresariais: concretizar um ‘turnaround' a uma "empresa" quase falida, mas com capacidade de ter sucesso na sua indústria. E trabalhou bem: ofereceu credibilidade aos credores e demais ‘stakeholders', negociou passivos, animou e desenvolveu novas canais de receitas, racionalizou custos, profissionalizou mais o negócio. Até foi capaz de construir um novo palco. Isto é, fez tudo que era possível fazer independentemente da melhoria da sua posição competitiva na indústria. Mas para que o ‘turnaround' tenha sucesso, há essa segunda fase, a da ‘performance' no seu negócio, ou seja, ganhar mais vezes. E aí a gestão falhou redondamente. Não houve competência para responder a esta segunda parte do desafio. E quando assim é, nas empresas acontece uma de duas coisas: a gestão dignamente reconhece e dá lugar a outra ou, menos dignamente, apenas os accionistas o reconhece e substituem-na em conformidade. Infelizmente, no Benfica não parece ir acontecer nem uma coisa nem outra. Mas temos uma consolação: está prestes a iniciar-se o campeonato em que já alcançámos o penta, o campeonato de verão: durante 3 meses vamos vencer o número de primeiras páginas, com os inúmeros treinadores e jogadores que estão para vir e que já não vêm. Pena é que essas páginas não sejam a principal fonte de valorização do negócio: se assim fosse já nem precisaríamos de entrar em campo em Agosto.

António Gomes Mota, Professor na ISCTE Business School»

Foi escrito há 3 anos, mas podia ter sido escrito há 3 minutos. Assim, sem mais uma vírgula nem menos um ponto. Até quando?